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Tag: Bioma Caatinga


18:09 · 28.04.2017 / atualizado às 18:45 · 30.04.2017 por
A expedição ao Cânion do Poti teve como um dos objetivos conhecer melhor os hábitos do tatu-bola par ajudar na conservação Foto: Devian Zutter

Em comemoração ao Dia Nacional da Caatinga, celebrado neste 28 de abril, a Associação Caatinga lançou o documentário “Expedição ao Cânion do Poti”, um dos resultados do Programa Tatu-bola, apoiado pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza. O objetivo central é sensibilizar o público sobre a importância da conservação do tatu-bola e do bioma Caatinga, além de arrecadar fundos para dar continuidade às ações do Projeto Tatu-bola.

“Esperamos que as pessoas possam conhecer e familiarizar-se com a espécie e seu habitat. Desta forma, conhecendo nosso bioma e toda a riqueza de fauna e flora associada, eles poderão ajudar de alguma maneira na sua conservação, seja com ações práticas ou repassando as informações aprendidas para seus parentes e amigos. Assim, mais e mais pessoas conhecerão o surpreendente mundo da Caatinga”, reforça o biólogo Samuel Portela, que participou da expedição ao cânion do Rio Poti e faz parte da coordenação técnica do Programa Tatu-bola.

O curta-metragem “Expedição ao Cânion do Poti” retrata a trajetória de pesquisadores que se aventuraram por dez dias na região do Cânion do Rio Poti, para identificar áreas de ocorrência do tatu-bola. O animal, presente na Caatinga e em algumas florestas do Cerrado brasileiro, está ameaçado de extinção e foi categorizado como vulnerável na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), que identifica espécies ameaçadas. A ideia do Projeto Tatu-bola é tirar a espécie da lista de animais ameaçados de extinção e torná-la símbolo de proteção do bioma Caatinga.

O biólogo Samuel Portela destaca que a expedição ao Cânion do Rio Poti foi uma experiência importante para a conservação do tatu-bola, pois nela foi possível confirmar a presença da espécie na área de abrangência do Programa Tatu-bola e conhecer mais sobre o ambiente em que ele vive, como por exemplo, o tipo de vegetação existente onde ele costuma habitar, o tipo de solo e um pouco dos seus hábitos.

O Programa de Conservação do Tatu-bola está no terceiro semestre de atuação e tem por objetivo identificar áreas de ocorrência do animal e preservá-las a fim de garantir ambientes seguros para seu desenvolvimento e reprodução. É desenvolvido pela Associação Caatinga com o apoio da Fundação Grupo Boticário desde novembro de 2015.

Campanha de Financiamento Coletivo

No lançamento do documentário, também foi apresentada a Campanha de financiamento Coletivo do Projeto Tatu-bola, na plataforma Kickante, que tem como meta arrecadar, por meio de doações, R$ 500 mil.

Com esse valor, será possível implantar o Centro de Pesquisa e Conservação do Tatu-bola (CPCTB), que funcionará na Reserva Natural Serra das Almas (RNSA), localizada na divisa do Ceará e Piauí, e dará suporte a um trabalho multidisciplinar para promover a conservação do tatu-bola, a manutenção da espécie na natureza, a redução do risco de extinção, a redução do risco de desertificação, a contenção dos efeitos do aquecimento global e a segurança hídrica.

O apoio do valor arrecadado ajudará a viabilizar ações que irão gerar conhecimento atualizado sobre a ecologia e distribuição da espécie; identificar áreas prioritárias para a conservação da espécie; promover conservação da espécie através da criação de reservas ambientais (Unidades de Conservação) e estabelecimento de corredores ecológicos; tornar o animal mais conhecidos e os ambientes naturais onde ocorre; e sensibilizar a sociedade, por meio de ações de educação ambiental.

A Associação Caatinga é uma organização não governamental que atua há 17 anos em projetos de conservação e preservação do único bioma originalmente brasileiro, a Caatinga.

Fonte: Associação Caatinga

11:51 · 21.09.2016 / atualizado às 15:24 · 21.09.2016 por
O juazeiro (Ziziphus joazeiro), como este de Parambu (CE), é uma árvore fascinante, que se mantém verde mesmo no período de estiagem Foto: Cid Barbosa
O juazeiro  é uma árvore fascinante, que se mantém verde mesmo no período de estiagem Foto: Cid Barbosa

O juazeiro (Ziziphus joazeiro) é uma digna árvore representante do Bioma Caatinga, que permanece verde o ano inteiro, com ou sem chuva. Mas nem todas as nossas árvores são assim. Grande parte perde as folhas todos os anos, no período de estiagem, para manterem-se vivas até que as chuvas cheguem e renovem o seu ciclo.

Esse é um dos motivos pelos quais hoje não é o Dia da Árvore no Nordeste (e nem no Norte). A Festa Anual da Árvore é comemorada em março nestas regiões, e não em setembro, como ocorre no Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

O principal motivo para essa distinção é que, aqui, tão perto da linha do Equador, as quatro estações do ano não são tão definidas e o período mais propício para o plantio é o chuvoso, no caso do Estado do Ceará, de fevereiro a maio.

Já que a melhor forma de comemorar a data é plantar árvores, elas necessitam dos devidos cuidados para vingarem, sendo o principal deles a irrigação adequada.

O decreto federal que estabelece a data comemorativa no território nacional é o 55.795, de 24 de fevereiro de 1965. Mas, do ponto de vista da valorização , todos os dias deveriam ser o Dia da Árvore, e não apenas um.

“E também todos os dias elas nos beneficiam e merecem respeito e carinho”, conforme Antonio Sérgio Farias Castro, engenheiro agrônomo e membro fundador do Movimento Pró-Árvore.

08:00 · 01.03.2016 / atualizado às 11:40 · 01.03.2016 por
Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo Foto: Associação Caatinga
Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo Foto: Associação Caatinga

O Programa de Conservação do Tatu-bola será lançado, na quarta-feira (2), às 18h, no Salão Aberto da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), pela organização não governamental Associação Caatinga, com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

O apoio da Fundação ao Programa para a proteção da espécie, concretizado no fim de 2015, viabilizará o desenvolvimento de ações estratégicas do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Tatu-bola, política publica federal criada em 2014. com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Associação Caatinga, e de 22 pesquisadores e ambientalistas de todo o País.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é parceira da Associação Caatinga em iniciativas de conservação da Caatinga desde 2003 e financiou, ao longo de seus 25 anos, quase 1.500 iniciativas de conservação da natureza, em todas as regiões do Brasil.

“O apoio ao Programa Tatu-bola faz parte dos nossos esforços para ampliar pesquisas, políticas públicas e outras ações em prol da Caatinga, bioma que está ameaçado e que carece de medidas efetivas de proteção de sua singular biodiversidade”, afirma a diretora executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes.

As principais ações do Programa de Conservação do Tatu-bola pelos próximos quatro anos serão identificar áreas de ocorrência do animal com potencial para a criação de Unidades de Conservação (UCs) e criar UCs em áreas prioritárias que favoreçam a permanência do tatu-bola nas florestas nativas.

Espera-se que esses esforços somados às ações de sensibilização das comunidades próximas e mobilização da sociedade por meio de ações de comunicação contribuam para a redução da taxa de perda do habitat do Tatu-bola, em outras palavras, ajudem a preservar a Caatinga.

Para o coordenador geral da Associação Caatinga, Rodrigo Castro evitar a extinção do Tatu-bola vai muito além da preocupação com o animal. “O Programa de Conservação do Tatu-bola é uma iniciativa inédita voltada a essa espécie tão ameaçada. O Programa ressalta a necessidade de preservarmos as florestas da Caatinga para o animal, para as outras espécies de animais e plantas e para a segurança hídrica no sertão. Tanto quanto o tatu-bola, nos também dependemos de florestas preservadas. Cuidar da Caatinga é garantir a vida e a produção de água num ambiente único no Planeta”, afirma.

Tatu-bola

O Tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) ganhou notoriedade mundial ao ser escolhido como mascote da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a partir de campanha desenvolvida pela Associação Caatinga, por tratar-se da menor e menos conhecida espécie de tatu brasileira e corre sério risco de extinção.

Devido à caça e à destruição de seu habitat natural, o tatu-bola está desaparecendo do mapa e consta da Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção como animal em perigo, nível de ameaça que está a apenas dois passos da extinção.

Fontes: Associação Caatinga / Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza

09:41 · 05.08.2014 / atualizado às 10:38 · 05.08.2014 por

 

A iniciativa é do Programa Semear e poderão ser apoiados estudos temáticos, sistematizações de experiências e boas práticas, além de visitas de intercâmbio Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
A iniciativa é do Programa Semear e poderão ser apoiados estudos temáticos, sistematizações de experiências e boas práticas, além de visitas de intercâmbio Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

Começaram ontem (04/08) as inscrições para o Edital de Apoio a Propostas de Gestão do Conhecimento em Zonas Semiáridas do Nordeste do Brasil – a primeira chamada vai até 29 de setembro. Promovido pelo Programa Semear, o edital visa facilitar o acesso da população rural a um conjunto de conhecimentos e inovações que contribuam para melhorar suas condições de vida, coexistir com as condições semiáridas e tirar maior proveito das possibilidades de desenvolvimento do Semiárido nordestino brasileiro.

“Investimos na gestão do conhecimento como estratégia para o desenvolvimento rural. O Edital é mais um instrumento para identificar, registrar e disseminar práticas e saberes contextualizados para a convivência com o Semiárido, gerados por diferentes atores sociais”, explica Ângela Brasileiro, coordenadora do Programa.

Serão apoiadas propostas de Estudos Temáticos, Sistematizações de Experiências, Inovações e Boas Práticas, além de Visitas de Intercâmbio que contemplem, pelo menos, uma das seguintes áreas temáticas: Inovações produtivas e tecnológicas; Recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas; e Negócios Rurais.

As propostas selecionadas deverão ser implementadas em até seis meses e em municípios que compõem as zonas semiáridas dos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, conforme indicado em anexo do Edital.

Podem participar Pessoas Jurídicas sem fins lucrativos, como associações, cooperativas, organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs), organizações não governamentais (ONGs), dentre outros. Apenas na categoria Estudos Temáticos, poderão participar também Pessoas Físicas, como pesquisadores, professores, técnicos, especialistas, agricultores, dentre outros.

O Programa Semear é implementado em parceria pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID)

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Áreas Temáticas para apresentação de propostas

Inovações produtivas e tecnológicas: identificação e promoção de inovações produtivas e/ou tecnológicas apropriadas para a convivência com o Semiárido, respeitando a cultura e as características bioclimáticas da região.

Recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas: experiências de manejo de recursos naturais, energias alternativas, de recuperação de áreas degradadas e outras formas de adaptação às mudanças climáticas.

Negócios rurais: identificação e disseminação de experiências exitosas de negócios rurais, agrícolas e não agrícolas, que contribuam para a melhoria das condições socioeconômicas da população rural do Semiárido Nordestino.

Como se inscrever

A íntegra do Edital e o passo a passo das inscrições estão no Portal Semear: www.portalsemear.org.br

Informações também em:

www.facebook.com/programasemear1

www.youtube.com/user/programasemear

www.twitter.com/programasemear1

Fonte: Programa Semear

 

10:05 · 03.01.2014 / atualizado às 10:05 · 03.01.2014 por
Umbuzeiro é uma das espécies relevantes para o manejo florestal de produtos não madeireiros Foto: Embrapa
Umbuzeiro é uma das espécies relevantes para o manejo florestal de produtos não madeireiros Foto: Embrapa

Aproximadamente 150 extensionistas que atuam na Caatinga se tornarão multiplicadores do conhecimento sobre o uso sustentável desse bioma para comunidades rurais com o auxílio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF), gerido pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB).

Os técnicos, ligados a cinco entidades dos Estados da Bahia, Ceará e Pernambuco, vêm participando de um curso em módulos sobre o manejo florestal. Eles já tiveram os módulos sobre os recursos florestais, ecologia e uso múltiplo da Caatinga (como produção de mel, frutas nativas e fitoterápicos). Agora vão concluir a capacitação com o conteúdo sobre princípios técnicos e práticas do manejo.

As informações obtidas poderão ser aplicadas na assistência a pequenos produtores rurais, seja com aqueles que ainda não realizam manejo, mas desejam iniciá-lo, seja com agricultores familiares que já extraem produtos e precisam de apoio técnico.

Segundo o coordenador técnico da Associação Regional da Escola Família Agrícola do Sertão (Arefase), Nelson Lopes, os agricultores demandam assistência para manejar a Caatinga de maneira sustentável. “A gente é desafiado, como profissional, a mostrar como trabalhar de forma diferente, sustentável”, diz.

No norte da Bahia, onde a Arefase atua, uma característica marcante é o uso coletivo do fundo de pasto, áreas de até 3 mil hectares onde animais são criados soltos e a vegetação é preservada. Entre os principais interesses dos agricultores familiares está o manejo florestal dos produtos não madeireiros – como forragem para os animais, frutos e fibras – com o uso de técnicas aliadas ao conhecimento que possuem.

Com a capacitação realizada para extensionistas, o SFB busca fortalecer o manejo por meio de uma de suas principais pontas, que é o profissional atuante no campo. Ao mesmo tempo em que esse técnico leva uma alternativa de uso sustentável, contribui para geração de renda e conservação do bioma.

Calendário

As capacitações para os extensionistas começaram entre outubro e novembro e terminarão em fevereiro de 2014. A parte final da capacitação vai abordar temas como histórico da adoção do manejo, integração das práticas do manejo ao sistema produtivo tradicional, aumento da renda, mercados, além das técnicas em si do manejo madeireiro, como talhonamento e ciclo e intensidade de corte.

As instituições que recebem as capacitações são, além da Efase (escola mantida pela Arefase), o Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores e Instituições Não Governamentais Alternativas, de Pernambuco; o Centro de Habilitação e Apoio ao Pequeno Agricultor do Araripe, de Pernambuco; o Centro de Capacitação e Assessoria Técnica, do Ceará; e o Instituto de Integração e Desenvolvimento Ambiental e Social, também do Ceará.

Fonte: Serviço Florestal Brasileiro

15:40 · 02.11.2013 / atualizado às 15:49 · 02.11.2013 por
Agricultores experimentadores participaram de intercâmbio de informações no sertão paraibano Foto: Maristela Crispim
Agricultores experimentadores participaram de intercâmbio de informações no sertão paraibano Foto: Maristela Crispim

Por Maristela Crispim*

Campina Grande. Reunidos, de 28 a 31 de outubro, no 3º Encontro Nacional de Agricultores Experimentadores, esses guardiões da biodiversidade, que cultivam vida e resistência no Semiárido, trocaram de experiências em apresentações verbais, na Feira de Saberes e Sabores e em visitas temáticas para conhecer experiências de criatórios no Semiárido (potencial forrageiro da Caatinga, manejo alimentar das raças nativas e adaptadas); sementes e a diversificação produtiva dos cultivos anuais; quintais produtivos; e manejo agroflorestal das caatingas.

Organizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) o Encontro reuniu aproximadamente 300 agricultores experimentadores dos nove Estados do Semiárido, de Minas Gerais até o Piauí, e mais o Maranhão.

No Encontro também teve espaço para a discussão dos avanços e desafios da assessoria técnica às redes de agricultores experimentadores. Luciano Marçal da Silveira, que é coordenador do Programa Local da Paraíba da Organização Não Governamental (ONG) AS-PTA, que trabalha Agricultura e Agroecologia no Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba, explicou que, ao longo de 30 anos vigorou no País o paradigma da Revolução Verde, que associa um pacote tecnológico artificial, com adubos, agrotóxicos, irrigação e sementes de fora, o que rompeu com uma agricultura que já existia antes.

Nessa linha, explica que há uma tendência de desqualificação da agricultura familiar, de classificá-la como atrasada. “Mas há uma contracorrente, até porque a modernização da agricultura no Semiárido foi um desastre, que promoveu a multiplicação da pobreza”, afirma.

“Durante muito tempo a roça e a queima foram sustentáveis, porque no passado havia muita disponibilidade de terra para migrar. Mas, com propriedades cada vez menores, esse tipo de prática precisou ser repensado, por meio da capacidade de observação do uso dos recursos naturais disponíveis”, acrescenta.

Para ele, é preciso reverter esse quadro, vendo a Caatinga não como limitante, mas como fonte de recursos, como base para a regeneração produtiva com práticas mais sustentáveis, “que precisam, antes de mais nada, olhar para a tradição, quais são as práticas mais eficientes no uso dos recursos; promover um reencontro da ciência com o desenvolvimento local; construir condições para que a agricultura estabeleça uma produção com a base de recursos que a Caatinga oferece e isso não se constrói sem a participação inventiva do agricultor”, enfatiza.

Luciano destaca a importância de recolocar o agricultor como construtor de conhecimentos, construir ambientes coletivos de trocas em rede para aprendizados mútuos. Mas alerta que, se os agricultores estão assumindo novos papéis, é importante que os técnicos repensem seus papéis: “eles têm uma formação difusionista, com dificuldade de estabelecer uma visão mais horizontal, que contribua para o fortalecimento dessas redes”.

Para ele, é preciso fugir do daquela receita da visita individual e levar o conhecimento para ajudar na construção em ambientes coletivos. “Mas é preciso mobilização para que isso aconteça. A construção coletiva de técnicas rompe o paradigma da separação entre pesquisa e extensão e o desenvolvimento técnico nunca foi tão exigido quanto agora”, finaliza.

* A jornalista viajou a convite da ASA

11:37 · 01.10.2013 / atualizado às 11:37 · 01.10.2013 por
A conservação da biodiversidade do bioma Caatinga é essencial para a manutenção da produtividade no sertão Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
A conservação da biodiversidade do bioma Caatinga é essencial para a manutenção da produtividade no sertão Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

Os resultados do Projeto de Conservação e Gestão Sustentável do Bioma Caatinga nos Estados da Bahia e Ceará (Projeto Mata Branca) apresentados hoje, 1º de outubro, em Seminário Final, no Centro de Treinamento do Banco do Nordeste (BNB Passaré) destacam apoio técnico e financeiro a 72 projetos, em Tauá, Crateús, Independência, Novo Oriente, Parambu, Catarina e Aiuaba, com atendimento a 226 comunidades e 2.113 famílias.

Eles incluem adoção de práticas de consumo sustentável, agroecologia, sistemas agroflorestais, apicultura, manejo de solo e água, reciclagem e reúso de água. Os objetivos são melhorar a renda e contribuir com os indicadores da biodiversidade, redução de desmatamento e queimadas, de forma a minimizar os processos de desertificação.

No Estado do Ceará, 1.760 pessoas foram capacitadas em 68 municípios inseridos no Sertão Central e dos Inhamuns. Quanto às áreas protegidas, duas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RRPNs) foram criadas, e três áreas estão sendo finalizadas entre Conselho de Políticas e Gestão do Meio Ambiente (Conpam), Associação Caatinga, com apoio do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O Projeto Mata Branca resulta de acordo de doação, financiado pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF) e Banco Mundial (Bird), no valor de US$ 23 milhões, entre eles US$ 13 mi em contrapartida dos Estados em serviços e US$ 10 mi em valor financeiro, sendo 50% para cada estado, no período de 2007 a 2013.

O objetivo do Projeto é contribuir para a preservação, conservação, uso e gestão sustentável da biodiversidade do Bioma Caatinga e melhorar, simultaneamente, a qualidade de vida de seus habitantes, por meio da introdução de práticas sustentáveis.

Os três componentes do Mata Branca são Apoio a Instituições e Políticas Públicas para Gestão Integrada (I), Promoção de Práticas da Gestão Integrada dos Ecossistemas (II) e Monitoramento e Avaliação (III) das atividades desenvolvidas.

“O projeto chegou como mecanismo de integração de outros projetos nos dois Estados com uma perspectiva regional, que enfoca a conservação e o controle sustentável do bioma Caatinga”, afirma a assessora de projetos especiais do Conpam, Tereza Farias.

Organizado pela empresa AR Eventos Sustentáveis, o encontro conta com a participação de cerca de 350 pessoas, entre beneficiários, parceiros do projeto como a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Comitê Estadual da Reserva da Biosfera da Caatinga, Pacto Ambiental dos Inhamuns, prefeituras, representantes do terceiro setor, academia e poder legislativo.

08:47 · 17.07.2013 / atualizado às 08:47 · 17.07.2013 por

ResilientecomoaCaatinga

Ela tem 89 anos e foi uma das pioneiras das lutas ambientais no Ceará, juntamente com o marido, Joaquim Feitosa (Feitosinha). A sobralense Dolores Feitosa fez parte do grupo de cidadãos que lutou pela criação do Parque Adahil Barreto, entre as atividades realizadas, muitas reuniões e um animado convescote debaixo dos cajueiros.

No espaço, hoje destinado à preservação ambiental, seria construído o prédio do Banco do Nordeste, no entanto, devido à pressão popular, foi decidido que o bairro Passaré abrigaria o Banco. Esta é uma das muitas histórias que serão contadas no livro “Dolores Feitosa – resiliente como a Caatinga”, escrito pela jornalista e escritora Luiza Helena Amorim, que será lançado nesta sexta-feira (19), às 19h30, no Ideal Clube.

Ao narrar fatos da vida particular e da vida pública da biografada, a obra retrata um pouco da história do Ceará e do Brasil. E mostra as bandeiras de luta de Dolores Feitosa, como a preservação do bioma da Caatinga.

Ela e o seu Feitosinha participaram ativamente da mobilização pela ida do Instituto Nacional do Semiárido (Insa) para o Ceará, mais precisamente para o Sertão dos Inhamuns. A Fundação Bernardo Feitosa, a qual ela preside, realizou debates e buscou articulações com a sociedade civil, universidades, entidades não governamentais e lideranças municipais.

Segundo Dolores Feitosa, foram coletadas mais de 5 mil assinaturas justificando ao Ministério da Ciência e Tecnologia os motivos para levar o Instituto para Tauá. No entanto, foi escolhida a cidade de Campina Grande, na Paraíba.

“Já que o propósito do governo era promover a inclusão, deveria ter olhado mais para Tauá e para a Região dos Inhamuns, porque existe um grande potencial para o turismo científico e para as diversas pesquisas na área ambiental”, critica a ambientalista. Na época, ela enviou uma carta com um desabafo, ao então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Com o falecimento do esposo, Dolores Feitosa deu continuidade ao trabalho iniciado pelo seu Feitosinha. E ainda tem fôlego para encampar outras lutas, como a questão cultural e patrimonial, por meio da Fundação Bernardo Feitosa, da qual ela é presidente e cuja área de atuação abrange o Museu Regional dos Inhamuns, em Tauá.

“A principal causa de Dolores Feitosa sempre foi o social, por isso não consigo rotulá-la. Vimos a atuação dela, por exemplo, defendendo os direitos da população se manifestar nas ruas contra a Ditadura Militar, depois se aprofundando nas questões ambientais, como a implantação do Parque Adahil Barreto”, explica Luiza Helena Amorim.

Para a jornalista e historiadora Isabel Lustosa, que assina o prefácio da obra, “o patrimônio histórico, natural e arqueológico do sertão cearense deve muito à ação que Dolores Feitosa empreendeu e continua empreendendo, mesmo com quase 90 anos”. O livro traz, ainda, uma coletânea de artigos, discursos e poemas inéditos de Dolores Feitosa. Aos leitores fica o convite para reflexão e ação em prol de um mundo mais justo social, econômico e ambiental.

Serviço

Lançamento do Livro “Dolores Feitosa – resiliente como a Caatinga”

Ideal Clube

19 de julho, às 19h30

10:57 · 12.06.2013 / atualizado às 10:57 · 12.06.2013 por
A produção com baixa emissão de carbono será discutida por especialistas de cada bioma brasileiro Foto: Rodrigo Carvalho / Agência Diário
A produção com baixa emissão de carbono será discutida por especialistas de cada bioma brasileiro Foto: Rodrigo Carvalho / Agência Diário

O seminário “Caminhos para uma Agricultura Familiar sob Bases Ecológicas: produzindo com Baixa Emissão de Carbono” será realizado amanhã e depois (13 e 14), em Brasília. O  objetivo, segundo o diretor executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Paulo Moutinho, é promover um diálogo qualificado sobre os caminhos da produção familiar de baixa emissão de carbono.

O evento é organizado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (Ipam), com o apoio da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) e o Núcleo de Estudos Agrários e Desenvolvimento Rural (Nead), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), assim como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O seminário contará com painéis dedicados à discussão da produção familiar, em diferentes biomas brasileiras, com a participação de especialistas de cada região. Partindo da discussão sobre “O Estado Atual das Mudanças Climáticas no Brasil e “Mudança Climática e Agricultura”, palestras a serem proferidas por Paulo Moutinho e Eduardo Assad, da Embrapa, o seminário pretende produzir subsídios à construção de estratégias regionais e nacional para a redução de emissões de carbono na agricultura familiar e sua adaptação às mudanças do clima.

Serviço

Seminário “Caminhos para uma Agricultura Familiar sob bases Ecológicas: Produzindo com Baixa Emissão de Carbono”

Data/horário: 13/06 – 9h às 18h30 – 14/06 – 9h às 13h

Local: Auditório do Incra (Brasília) – Setor Bancário Norte (SBN), Q. 1 bl. D – Ed. Palácio do Desenvolvimento, 11º andar

Inscrições gratuitas e limitadas

(interessados devem enviar email para anaiza@ipam.org.br)

Programação

Dia 13/06/2013

10h às 10h50 – Mesa de abertura

Carlos Guedes – Presidente do Incra

Valter Bianchini – Secretário da Agricultura Familiar / MDA

Juliana Simões – DPCD / Secex / MMA

Representante da Embrapa

Paulo Moutinho – Diretor Executivo do Ipam

10h50 às 11h30 – Palestras iniciais

O Estado atual das Mudanças Climáticas no Brasil – Paulo Moutinho – Ipam

Mudança Climática e Agricultura – Eduardo Assad – Embrapa

11h30 às 11h45 – Discussão

11h45 – Painel 1 – Produção Familiar de Baixo Carbono no Bioma Amazônia

Mediador: Andrea Azevedo – Ipam

Palestrantes:

Francisco de Assis Costa – UFPA / Naea

Judson Valentim – Embrapa Acre

Debatedores:

Cássio Pereira – Ipam

Luciano Mattos – Embrapa Cerrados

12h55 – Discussão

13h15 – Almoço

14h30 – Painel 2 – Produção Familiar de Baixo Carbono no Bioma Mata Atlântica

Mediador: Roberto Nascimento – Diretor Nead / MDA

Palestrantes:

Vanderley Porfirio da Silva – Embrapa Florestas

Paulo Kageyama – USP/Esalq

Debatedores:

Sonia Bergamasco – Unicamp / Feagri

Rui Rocha – Instituto Floresta Viva / Imazon

15h40 – Discussão

16h – Intervalo

16h10 – Painel 3 – Produção Familiar de Baixo Carbono no Bioma Pantanal e Pampa

Mediador: Representante do Incra

Palestrante:

Carolina Joana da Silva – Unemat

Enio Sosinski – Embrapa Clima Temperado

Debatedores:

Solange Ikeda – Instituto Gaia / Unemat

Nilton Pinho do Bem – SAF / MDA

17h20 – Discussão

17h40 – Encerramento do dia / Coquetel

Dia 14/06/2013

10h- Painel 4 – Produção Familiar de Baixo Carbono no Bioma Cerrado

Mediador: Cassio Trovatto – MDA / SAF

Palestrantes:

Rafael Tonucci – Embrapa Caprinos e Ovinos

Thomas Ludewigs – CDS / UnB

Debatedores:

Jorge Artur – Ecoideias

Andrew Miccolis – Instituto Sálvia / Rede Cerrado

11h10 – Discussão

11h30 – Intervalo

11h45h – Painel 5 – Produção Familiar de Baixo Carbono no Bioma Caatinga

Mediador: Representante MDA

Palestrantes:

Stéphanie Nasuti – CDS – UnB / Rede Clima

Rodrigo Azevedo – Unilab

Debatedores:

Francisco Campello – Diretoria de Combate á Desertificação / MMA

Giovanne Xenofonte – ONG Caatinga

12h40 – Discussão

13h – Encerramento

Fonte: Ipam

07:30 · 28.04.2013 / atualizado às 14:06 · 29.04.2013 por
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A riqueza do bioma Caatinga está na sua biodiversidade, perfeitamente adaptada às estiagens Foto: Maristela Crispim

Por Maristela Crispim

Hoje (28 de abril) é comemorado o Dia da Caatinga, uma data para destacar a importância de preservar um dos biomas mais ameaçados do Brasil, pelo alto nível de desmatamento e baixa proteção. Reunindo os dados oficiais disponíveis, que não são muito atualizados, sabemos que pelo menos 45% da vegetação nativa já foi desmatada. Além disso, tem o menor índice de áreas protegidas no País. Por fim, o nosso Semiárido enfrenta uma forte estiagem, a pior seca do Nordeste nos últimos 50 anos.

Períodos de estiagem fazem parte da rotina da Caatinga, sempre no segundo semestre, não causando prejuízos aos seus ecossistemas, perfeitamente adaptados. Mas vivemos uma situação incomum, com dois anos de precipitações extremamente irregulares. A situação se agrava porque o sertanejo precisa tocar a sua vida e, sem um plano de convivência com tamanha adversidade climática, acaba aumentando a pressão sobre o seu equilíbrio.

Esse tipo de comportamento do clima não é inédito. Mas, como a comunidade científica, reunida no Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), já vem prevendo um aumento na ocorrência de eventos extremos em função do aquecimento global, essa possibilidade não deve ser descartada, embora a confirmação ainda careça de mais estudos.

Ao longo dos anos, uma imagem negativa da Caatinga foi se consolidando, visão reforçada por políticas paternalistas que enfatizavam a ideia de ambiente miserável, desvalorizando os ecossistemas do bioma, dotado de menos pesquisa e menos investimentos. Ao mesmo tempo, na última década, tanto estimuladas pela academia, quanto por entidades como a Embrapa Semiárido e o Instituto Nacional do Semiárido (Insa), vêm sendo desenvolvidas experiências interessantes que deveriam ser multiplicadas.

Da mesma forma, na última década, a sociedade civil organizada vem se destacando no desenvolvimento de tecnologias sociais que têm promovido mudanças significativas nas vidas de muitos sertanejos. A Articulação do Semiárido (ASA), com o Programa Um Milhão de Cisternas (P1MC), que garante água para as necessidades básicas por seis meses; e o Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), que além da água para as necessidades básicas, dá condições para uma pequena produção agroecológica, garantindo segurança alimentar e aumento de renda.

Uma outra importante contribuição tem sido o estímulo à criação de Unidades de Conservação (Ucs). A Associação Caatinga, em particular, tem exercido um importante papel neste sentido e mantém, na Serra das Almas (Crateús – CE), um importante espaço preservado para a pesquisa, divulgação e valorização do bioma.

Nesta semana, em particular, houve um importante reforço, em Brasília, para que, por meio do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 504/10, a Caatinga seja reconhecida como patrimônio nacional na Constituição, assim como o Cerrado, passo extremamente importante para construir uma estratégia de proteção desses biomas, que constituem mais de dois terços do território nacional e que abrigam o tatu-bola, animal eleito mascote da Copa do Mundo após mobilização da própria Associação Caatinga.

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