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Tag: Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20)


00:09 · 22.10.2013 / atualizado às 10:05 · 22.10.2013 por
O painel sobre Economia verde foi um dos que teve o debate mais animado no Congresso Foto: Vilmar Berna
O painel sobre Economia Verde, com a participação de Luisa Madruga, Eduardo Viola, Carlos Tautz e Camila Moreno, foi um dos que teve o debate mais animado no Congresso Foto: Vilmar Berna

Por Maristela Crispim

O V Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental (V CBJA) foi encerrado no sábado (19 de outubro), no Centro Universitário de Brasília (Uniceub), em Brasília, com algumas questões lançadas para reflexão entre jornalistas que cobrem a área ambiental; profissionais de comunicação que assessoram governos, organismos governamentais e não-governamentais; assim como estudantes presentes, membros ou não da Rede Brasileira de Jornalistas Ambientais (RBJA), promotora do evento.

Na última palestra do Congresso, o jornalista Claudio Angelo reconheceu que a cobertura diminuiu nos últimos quatro anos. Lembrou do fechamento da editoria de meio ambiente do New York Times, no ano passado; que o acordo do clima ficou para 2015, possivelmente pra 2020; que as condições internacionais são desfavoráveis.

Disse também que vivemos no Brasil um momento desenvolvimentista, onde a área do meio ambiente ocupa-se de administrar a vantagem da queda do desmatamento da Amazônia e licenciar obras; que o sistema de unidades de conservação foi atingido, as terras indígenas estão ameaçadas, a credibilidade do governo cai, os conflitos políticos e ambientais são muito mal cobertos.

A despeito de todo esse pessimismo com uma ponta de ironia em cada frase, que lhe é peculiar, afirmou que a crise ambiental mais aguda já passou: “o desmatamento, que era de 19 mil km² ao ano, após decreto do Lula de 2007, foi reduzido a 6 mil km² ao ano. Mas ninguém lembra, no auge da época canavieira, que durou um século e meio, entre os séculos XVIII e XIX, que o desmatamento da Mata Atlântica era de 7 mil km²ao ano. “A história precisa ser contada. É preciso descobrir o ângulo certo para fazer essa história se tornar mais atraente”, ressaltou.

Para ele, a cobertura do lançamento do relatório 5 do IPCC foi pífia se comparada com 2007. “Já que o relatório em si não foi superquente, a diferença maior é de contexto que de conteúdo. A cobertura é como o Dia da Marmota: já se sabe o título da primeira à última matéria previamente”, refletiu.

Na opinião do jornalista, não é apenas o profissional de imprensa que sofre, mas as fontes também: “Os ambientalistas não tinham se recuperado do fracasso de Copenhague quando veio o baque do Código Florestal. A dependência financeira do governo tirou a capacidade crítica. Discurso da sustentabilidade é corporativo, é governamental e convenientemente sem sentido. Que pedaço do tripé convém para cada um?” Para ele, o discurso pode ser usado de um extremo ao outro.

Apesar de tudo isso, acredita que o jornalismo ambiental não morreu: “ele se mistura à pauta geral, como nos protestos de junho. Precisamos de bons jornalistas com enfoque para o meio ambiente. Eles precisam entender também de economia”, sugeriu.

Reapropriação social da natureza”

O professor de Ecologia Política e Políticas Ambientais na Pós-Graduação da Universidade Nacional Autônoma do México Enrique Leff foi uma das grandes atrações do V CBJA. Tratou do tema “Rumo a um futuro sustentável: a economia verde e a reapropriação social da natureza”.

Ele destacou que vivemos um momento de queda de interesse pela luta ambiental, de reflexão sobre saídas, de reconstrução, processo gerado por uma dinâmica construída do ideal de crescimento econômico sem limites, que não considera a natureza da vida.

Falou sobre a responsabilidade do jornalista em relação à verdade: “Mas qual é a verdade? Da crise ambiental, da Economia Verde? O mundo não se mostra com essa transparência. Estamos frente a essa verdade incômoda que aparece para mudar nossas concepções”. Para ele, Economia Ecológica é um termo mais “friendly”, mas é preciso reconverter à lógica do crescimento econômico, crescer incorporando a lógica ecológica, com desmaterialização da produção, o reconhecimento da conexão da Economia com o desenvolvimento do Planeta.

Leff citou a Lei da Entropia, que explica que na transformação da natureza em recursos naturais, por meio os processos produtivos, toda a matéria e energia utilizados geram também resíduos, mesmo com as melhores tecnologias. “Qualquer processo de transformação de energia gera degradação, que transforma toda a complexidade”, alertou.

ODS

Ainda na abertura do Congresso, a titular do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Izabella Teixeira, que reservou um espaço em sua apertada agenda para os jornalistas que cobrem a área, destacou que os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) representam um avanço na área ambiental, não devidamente contemplada pelos seus antecessores Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM).

Disse que um ano depois da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), caminhos de negociação da agenda do Desenvolvimento Sustentável estão sendo traçados em três frentes: primeiro o governo, se aproveitando da estrutura montada para a Conferência; depois o Centro Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+), que começou a operar em junho este ano; e a sociedade civil. E, para ela, a mídia tem que fazer parte desse multilateralismo.

Destacou, ainda, que a mobilização vem crescendo nos países em desenvolvimento. Embora tenha reconhecido que a negociação do clima tem avançado em uma tendência conservadora, com presença maior na lógica de negócio. Disse, também, que são esperados novos caminhos para a discussão urbana na sociedade brasileira, já que a maioria esmagadora da nossa população vive nas cidades.

Falou de perspectivas sobre produção de alimentos, geração de energia limpa, segurança hídrica e erradicação da pobreza. “Todas as sociedades do mundo estão buscando isso, mas o Brasil vive em circunstâncias muito melhores”, afirmou, para mais adiante dizer que, sem mudança de mentalidade por parte dos parlamentares, “não dá” e que a discussão é de “adoção de modelo de larga escala” para atender a convocação da Organização das Nações Unidas (ONU) pós-2015. Encerrou sua fala destacando: “O Brasil tem condição de sair na frente. Mas só se houver uma pressão social muito grande”.

Economia Verde

A discussão sobre Economia Verde foi uma das mais animadas do Congresso. No painel – moderado pelo jornalista Carlos Tautz, coordenador Instituto Mais Democracia – Transparência e Controle do Cidadão e Governos e Empresas – estavam o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Eduardo Viola; a pesquisadora independente Camila Moreno; Luisa Madruga, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma); e Pecy Soares Neto, da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O professor Viola destacou o que designou de “vetores técnico econômicos da transição para o baixo carbono”. Alertou para o cuidado com a simplificação. “Vivemos num grupo, aberto, incerto. Não é um grupo conservador, mas sim a sociedade”. Ele destacou a “função histórica extraordinária do Pnuma”, mas disse que falta a Economia Política e prevalece uma visão de economia tecnocrática, de discurso moderado. “A utopia rosa de que todos ganham debilita o documento”.

Luisa Madruga destacou, por sua vez, a necessidade de um modelo de Economia que resulte no bem-estar da sociedade e apresentou o Green Economy Initiative (GEI), o documento rumo à Economia Verde com caminhos para o Desenvolvimento Sustentável e a erradicação da pobreza. “Não podemos mudar o mundo de um dia para o outro. Mas alguma coisa tem que ser feita”, argumentou.

Essas reações se deveram ao discurso de Camila Moreno, que fez uma análise bem crítica sobre a Economia do Carbono. Para ela, o discurso da Sustentabilidade não resiste a uma leitura aprofundada.

Já Pecy Soares, que chegou em meio a essa discussão, disse que há setores que ganham e setores que perdem com transição e sugere que não se deve cair no risco de analisar o setor dos negócios como um bloco homogêneo. Tautz, por sua vez, encerrou a discussão dizendo que essa não e uma discussão trivial, que o jogo de forças é intenso e que a Economia Política precisa ser debatida.

Segurança Alimentar

Exatamente um dia após o Dia Mundial da Alimentação, eu moderei o painel “Uso e Manutenção dos Recursos Naturais e a Segurança Alimentar”. A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) emitiu um alerta global para reduzir o desperdício de comida no mundo. Nele, a constatação de que 842 milhões de pessoas passam fome e que 1,3 bilhões de toneladas de alimentos vão anualmente para o lixo, o que representa 1/3 de tudo o que é produzido. Destacou, ainda, que seria necessário elevar em 32% a produção mundial para alimentar a população mundial até 2050. Na situação atual seria necessário aumentar em 60%.

Participaram Gustavo Kuark Chianca, assistente do representante da FAO, que falou sobre “Necessidades da Humanidade e do Planeta”; Fabrício Campos, diretor da Unidade Footprint da consultoria ecosSISTEMAS, sobre “Equilíbrio entre Produção e Conservação”; André Lima, pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), com o tema “Avanço da Fronteira Agrícola X Desmatamento/Código Florestal. O tema “Tecnologias Locais de Conservação e Restauração da Agrobiodiversidade” ficou a cargo do pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Daniel Vieira.

Chianca falou sobre o monitoramento da insegurança alimentar no mundo. Fabrício, por sua vez, mostrou imagens do livro “Hungry Planet” para promover, a partir do alimento de famílias de várias partes do mundo para uma semana, uma reflexão sobre a nossa própria pegada ecológica. Falou sobre diminuir o consumo e aumentar a biocapacidade.

André Lima disse que a nossa política agrícola é menos social e mais macroeconômica; mais associada ao PIB e não voltada à segurança alimentar; que busca aumentar a produtividade com uso intensivo de agroquímicos e baixa produtividade por área; e onde menos de 25% do Plano safra vai para a agricultura familiar, que é responsável por mais de 70% do que vai para a mesa dos brasileiros. Daniel Vieira se mostrou preocupado com a abordagem da mídia a temas como Código Florestal, com a criação de memes e paradigmas. “Restauração virou plantar muda, contar e replantar”, disse.

O V CBJA foi um momento muito rico em trocas de experiências, que não ficaram apenas nos auditórios, painéis e oficinas, mas se estenderam pelos corredores do Uniceub e ainda ecoa em registros jornalísticos, trocas de e-mails, mensagens e posts que devem continuar até o VI CBJA, em 2015, a ser realizado em uma capital brasileira ainda por ser definida. Aguardemos as próximas notícias.

10:27 · 11.10.2013 / atualizado às 10:03 · 16.10.2013 por

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A ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira vai participar da abertura do V Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental. O evento acontecerá no Centro Universitário de Brasília (Uniceub) e reunirá profissionais e estudantes de Comunicação do Brasil e do Exterior, como jornalistas, assessores de imprensa, professores e pesquisadores.

O tema guarda-chuva do Congresso serão os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS). Eles são um conjunto de metas definido durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) para reduzir a pobreza, promover a prosperidade global e o avanço social associados à proteção do meio ambiente.

Como o bom Jornalismo pode ajudar o Brasil a se inserir nesse processo será um dos temas em debate. A pauta também estará presente em painéis dedicados a assuntos como Economia Verde, Uso e Manutenção dos Recursos Naturais e a Segurança Alimentar, Bem-Estar Social e Ocupação do Território, e ainda Geração de Conhecimento e Financiamento dos ODS. Entre os palestrantes e moderadores, estão Enrique Leff, Gustavo Chianca, Mercedes Bustamante, Aldo Paviani, André Trigueiro, André Lima e Cecy Oliveira.

Além disso, será possível participar de oficinas temáticas sobre Os investimentos de capital público e o modelo de desenvolvimento nacional, Jornalismo Ambiental, Cerrado, Semiárido, Amazônia, Jornalismo e Ambientalismo, Resíduos Sólidos, Gestão da Água.

O V CBJA mantém a tradição de apostar na formação continuada de profissionais e estudantes e é uma realização da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (www.jornalismoambiental.org.br). Neste ano, a iniciativa conta com o apoio do UniCEUB, Fundação Banco do Brasil, Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Agência Nacional de Águas (ANA), Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, Brasília Convention Bureau e e.labore, entre outros.

É importante destacar que a Comissão Científica e organizadora do II Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental (II ENPJA) decidiu adiar o evento para o primeiro semestre de 2014. Todos os pesquisadores que submeteram trabalho ao II ENPJA foram comunicados da decisão via e-mail e receberam suas cartas de aceite ou o resultado das avaliações. A data e o local de realização ainda serão ajustados pela Comissão Organizadora do II ENPJA. A organização lamentou “não conseguir realizar este encontro de pesquisa junto com o V Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental”.

Inscrições: http://cbja-rio2011.com.br/inscreva-se-no-congresso

13:31 · 08.10.2013 / atualizado às 13:45 · 08.10.2013 por

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) realizou, nesta segunda-feira (7), a primeira reunião do Grupo de Trabalho Intersetorial sobre Produção e Consumo Sustentáveis. Com o objetivo de debater medidas que estimulem a Economia Verde, o encontro ocorreu, em Brasília, com participantes do governo federal e da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e entidades vinculadas.

O comitê é resultado das atividades da Semana do Meio Ambiente, realizada pelo MMA em junho deste ano, no Rio de Janeiro. A ideia é promover a troca de informações entre os envolvidos no processo industrial do País. “Não tem como avançarmos nas políticas ambientais sem discutir as dificuldades e as formas de mobilização e capacitação do setor”, afirmou a secretária de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, Mariana Meirelles.

Compras sustentáveis

A pauta do primeiro encontro foi a adoção de iniciativas de compras sustentáveis na administração pública. De acordo com Mariana, a intenção do grupo é incluir companhias de porte menor em uma lógica de Desenvolvimento Sustentável. “É preciso discutir formas de engajar pequenas e médias empresas”, explicou. “O diálogo aberto entre indústria e governo é necessário para mudar os padrões de produção e consumo no país.”

A indústria defendeu que as particularidades de cada área sejam levadas em consideração. “Esse é um tema que precisa do amadurecimento do setor. É importante ponderar o que cada setor pode contribuir, disse Sérgio Monforte, representante da CNI. Também participaram da reunião integrantes dos ministérios do Planejamento e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

Consumo consciente

Para relembrar os compromissos assumidos na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente, o MMA articulou com a sociedade civil uma série de eventos no início de junho deste ano, no Rio de Janeiro, em comemoração à Semana do Meio Ambiente.

Tema do evento, o Plano de Ação para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS) fomenta políticas, programas e ações que promovam a produção e o consumo sustentáveis no País. A iniciativa está de acordo com os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil, sobretudo com as diretrizes do Processo de Marrakesh, que foi criado para dar aplicabilidade ao conceito de Produção e Consumo Sustentáveis e promover mudanças verificáveis nos padrões de produção e consumo no mundo.

O PPCS está focado em seis áreas principais: Educação para o Consumo Sustentável; Varejo e Consumo Sustentável; Aumento da Reciclagem; Compras Públicas Sustentáveis; Construções Sustentáveis e Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P).

Fonte: MMA

14:18 · 26.08.2013 / atualizado às 14:21 · 26.08.2013 por

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Na terça-feira passada (20), a humanidade esgotou o orçamento da natureza para o ano e começou a operar no vermelho. Os dados são da Global Footprint Network (GFN), traduzindo Rede Global da Pegada Ecológica, instituição internacional parceira da rede World Wide Fund for Nature (WWF), ou Fundo Mundial para a Natureza, que gera conhecimento sobre sustentabilidade e tem escritórios na Califórnia (EUA), Europa e Japão.

O Overshoot Day (Dia da Sobrecarga da Terra) é a data aproximada em que a demanda anual da humanidade sobre a natureza ultrapassa a capacidade de renovação possível. Para chegar a essa data, a GFN faz o rastreamento do que a humanidade demanda em termos de recursos naturais, como alimentos, matérias-primas e absorção de gás carbônico – ou seja, a Pegada Ecológica – e compara com a capacidade de reposição desses recursos pela natureza e de absorção de resíduos.

Os dados demonstram que, em menos de oito meses, a humanidade utilizou tudo o que a natureza consegue regenerar durante um ano. O restante ficou descoberto. Na medida em que aumenta o consumo, cresce o débito ecológico, traduzido na redução de florestas, perda da biodiversidade, colapso dos recursos pesqueiros, escassez de alimentos, diminuição da produtividade do solo e acúmulo de gás carbônico na atmosfera.

Tudo isso não apenas sobrecarrega a capacidade de recuperação e manutenção do meio ambiente, como também debilita nossa própria economia. A mudanças climáticas – decorrentes da emissão de gases de efeito estufa em ritmo mais rápido do que sua absorção pelas florestas e oceanos – são o maior impacto desse consumo excessivo.

“O enfrentamento de tais restrições impacta diretamente as pessoas. As populações de baixa renda têm dificuldade em competir por recursos com o restante do mundo”, afirmou Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network e co-criador da Pegada Ecológica, uma medida para contabilizar o uso de recursos naturais.

Ritmo crescente

A contabilidade da Pegada Nacional de 2013 feita pela GFN demonstra que, no ritmo em que a humanidade utiliza os recursos e serviços ecológicos hoje, precisaríamos de um planeta e meio (1,5) para renová-los. Se continuarmos nesse ritmo, vamos precisar de dois planetas antes de chegar à metade do século.

A Pegada Ecológica total da China é a maior do mundo, principalmente devido à grande população. A Pegada por pessoa da China é muito menor do que aquela dos países da Europa ou da América do Norte; nos últimos sete anos, entretanto, a China ultrapassou os recursos disponíveis por pessoa no mundo todo.

Hoje, mais de 80% da população mundial vive em países que utilizam mais do que seus próprios ecossistemas conseguem renovar. Esses países “devedores ecológicos” esgotam seus próprios recursos ecológicos ou os obtêm de outros lugares.

Nem todos os países demandam mais do que seus ecossistemas são capazes de prover. Mas até mesmo as reservas de tais “credores ecológicos”, como o Brasil, diminuem com o tempo. Não podemos mais manter essa discrepância orçamentária que se alarga entre o que a natureza é capaz de prover e as demandas de nossa infraestrutura, economia e estilo de vida.

“A América Latina e, mais especificamente, a América do Sul está numa posição única no contexto mundial, já que suas reservas ecológicas ainda superam sua Pegada Ecológica na maior parte dessa região”, afirmou Juan Carlos Morales, diretor regional para a América Latina da Global Footprint Network.

“No entanto, esse padrão está mudando e agora, mais do que nunca, os países da América do Sul precisam realmente compreender a produção e o consumo e seus recursos naturais para continuarem competitivos na nova economia,” concluiu.

Hoje somos 7,2 bilhões de pessoas e, se a população ainda está crescendo, as tecnologias da informação e de transporte permitem multiplicar a economia mundial num ritmo ainda mais acelerado.

Apesar disso, em muitos casos, as restrições legais e os cuidados ambientais são vistos como obstáculos ao crescimento econômico, ainda traduzido diretamente em desenvolvimento social e progresso.

Por isso, para a Global Footprint Network e Rede WWF, a atitude mais sábia é tratar os recursos naturais como uma fonte contínua de riqueza a ser usada de forma sustentável e estratégica, garantindo um futuro seguro para toda a humanidade.

“Para assegurar um futuro limpo e saudável para nossos filhos, é preciso preservar o capital natural que nos resta e cuidar melhor do planeta que chamamos de lar”, reforçou Jim Leape, diretor geral da Rede WWF.

Monitoramento

Com o objetivo de ampliar o debate sobre o consumo e equilíbrio ambiental, o WWF-Brasil iniciou, em 2010, um trabalho pioneiro no Brasil, em parceria com a GFN, prefeitura de Campo Grande (MS) e parceiros locais. Realizou o cálculo da Pegada Ecológica da capital sul-mato-grossense, primeira cidade brasileira a fazer esse cálculo. Em 2011, realizou o cálculo para o Estado e para a capital São Paulo.

A secretária geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito, destaca que cidadãos e governos têm papel fundamental na redução dos impactos do consumo sobre os recursos naturais do Planeta. “Políticas públicas voltadas para esse fim, como a oferta de um transporte público de qualidade e menos poluente, construção de ciclovias, e o estímulo ao consumo responsável, por exemplo, são essenciais para reduzir a Pegada Ecológica. E este é um papel dos governos”, ressaltou.

Já os cidadãos, na sua opinião, devem cobrar dos governos e dos políticos a criação e aplicação de politicas deste tipo. “Mas enquanto elas não existem, nós podemos fazer nossas escolhas lembrando que nosso planeta é finito, como é a nossa conta no banco”, salientou.

Em Campo Grande, as ações de mitigação para ajudar a reduzir a Pegada Ecológica estão em curso e o estudo de São Paulo, lançado em 2012, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), ainda carece de uma ação concreta dos poderes estadual e municipal. “O cálculo traz informações importantes que ajudam no planejamento da gestão ambiental das cidades com o direcionamento das políticas públicas de forma a reduzir esses impactos” afirmou o superintendente de Conservação do WWF-Brasil, Michael Becker, responsável pela condução dos estudos, pelo WWF-Brasil.

Além do trabalho com a Pegada Ecológica, a rede WWF também é parceira da GFN na edição do Relatório Planeta Vivo, publicado a cada dois anos. A próxima edição ficará pronta em setembro de 2014.

Fonte: WWF-Brasil

13:44 · 23.07.2013 / atualizado às 13:51 · 23.07.2013 por

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Brasília (DF). Entre 16 e 19 de outubro, a Capital Federal será palco do 5º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental e do II Encontro Nacional de Pesquisa em Jornalismo Ambiental.

O evento acontecerá no Centro Universitário de Brasília (Uniceub) e reunirá profissionais e estudantes de Comunicação do Brasil e do Exterior, como jornalistas, assessores de imprensa, professores e pesquisadores.

O tema guarda-chuva do Congresso será os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS), um conjunto de metas definido durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) para reduzir a pobreza, promover a prosperidade global e o avanço social associados à proteção do meio ambiente.

Como o bom Jornalismo pode ajudar o Brasil a se inserir nesse processo será um dos temas em debate. A pauta também estará presente em painéis dedicados a assuntos como Economia Verde; Uso e manutenção dos recursos naturais e a segurança alimentar; Bem-estar social e ocupação do território; e ainda Geração de conhecimento e Financiamento dos ODS.

Além disso, será possível participar de oficinas temáticas sobre Os investimentos de capital público e o modelo de desenvolvimento nacional; Jornalismo Ambiental; Cerrado; Semiárido; Amazônia, Jornalismo e Ambientalismo; Resíduos Sólidos; e Gestão da Água.

O 5º Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental mantém a tradição de apostar na formação continuada de profissionais e estudantes e é uma realização da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (www.jornalismoambiental.org.br). Neste ano, a iniciativa conta com o apoio do Uniceub, Abert, Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF, Brasília Convention Bureau, entre outros.

As inscrições estão abertas pelo site www.jornalismoambiental.org.br. A taxa de inscrição é de R$ 100 para profissionais e R$ 50 para estudantes e filiados ao Sindicato dos Jornalistas do DF.

Programação

17/10 – quinta-feira

8h – Recepção e Credenciamento

9h-9h50 – Abertura oficial

Mesa: Izabella Teixeira – Ministra do Meio Ambiente (convidada)

Reitor do UNICEUB – Getúlio Américo Moreira Lopes

RBJA Brasília – Beth Fernandes

Membro fundador da RBJA

Representante do GDF

Sindicato dos Jornalistas DF

Representante sociedade (Contag)

10h-10h50 – Palestra de Abertura – Ministra do Meio Ambiente (a confirmar) ou Sustentabilidade Ambiental para o Mundo que Queremos – Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

10h50-13h – Painel 1 – Economia Verde

Economia Verde no Brasil e no mundo – MRE

A transição para a economia verde – Mônica Messenberg (CNI)

Políticas Públicas – Unicamp

Trabalho decente e empregos verdes – Contag

Moderação: Carlos Tautz (RBJA)

11h-13h – Oficina

Jornalismo Ambiental – Conceito, Histórico, Práticas e Futuro – Roberto Villar (RBJA)

13h-14h – Intervalo e Relacionamentos

14h-14h50 – Palestra de inspiração

Código Florestal – Ambientalistas, ruralistas e o papel da imprensa (ISA)

15h-17h30 – Painel 2 – Uso e manutenção dos recursos naturais e a segurança alimentar

Necessidades da humanidade e do Planeta – FAO/ONU

Equilíbrio entre produção e conservação – Global Footprint Network

Avanço da fronteira produtiva X eficiência – FGV

Tecnologia, produção e conservação – Terezinha Aparecida Borges Dias (Embrapa)

Moderador: Maristela Crispim (RBJA)

15h-17h30 – Oficina – Gestão da Água (WWF)

15h-17h30 – Oficina – Comunicação Ambiental – Silvia Marcuzzo(Diretora da ECOnvicta Comunicação para Sustentabilidade)

18/10 – sexta-feira

8h-8h50 – Credenciamento

9h00-9h50 – Palestra de inspiração – Os muitos espaços do jornalismo ambiental – André Trigueiro (RBJA / PUC/Rio)

9h-12h30 – Oficina – Cobertura jornalística e a Política Nacional de Resíduos Sólidos – Reinaldo Canto

9h-12h30Geojornalismo (atividade externa) – Gustavo Faleiros

10h-12h30 – Oficina – As fronteiras entre o jornalismo e o ambientalismo: onde um ajuda ou atrapalha o outro – Vilmar Berna (RBJA / Rebia)

10h-12h30 – Painel 3 – O Bem-estar social e o uso / ocupação do território

Ocupação urbana, crescimento e sustentabilidade – Aldo Paviani (geógrafo/UnB)

Gestão e planejamento territorial no Brasil (Ipea)

Novas tecnologias, mitos e realidades (Idhea)

Resíduos Sólidos – Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib)

Ocupação desordenada e desastres naturais – Defesa Civil

Moderação: André Trigueiro (RBJA)

13h-14h – Intervalo e relacionamentos

14h-14h50 – Palestra de inspiração – Sustentabilidade Ambiental: Racionalidades em Conflito – Enrique Leff – economista mexicano, doutor em Economia do Desenvolvimento pela Sorbonne (1975), e professor de Ecologia Política e Políticas Ambientais na Pós-Graduação da Universidade Nacional Autônoma do México

15h-17h30 – Painel 4 – Geração de conhecimento e pagamento das contas dos ODS

Mudanças de Paradigmas (Secretaria Geral da PR)

Universidades estão atentas para a demanda? (Uflo)

A democratização da informação científica – Centro Rio+ ou Inesc

Desafios para o setor produtivo frente os ODS e novos paradigmas (Fiesp)

Moderação: Uniceub

15h-17h30 – Oficina – Comunicação e Meio Ambiente na Amazônia – Maria Nilda e Fabrício Ângelo (RBJA)

15h-17h30 – Oficina – Cerrado – Ocupação e Conservação (UnB)

15h30-17h30 – Oficina – Pautas da Caatinga, Semiárido e Desertificação – Maristela Crispim (RBJA)

17h-17h30 – lançamentos/ autógrafos

19/10 – sábado

8h – Recepção

9h-10h – Palestra de inspiração – A ausência da agenda ambiental nos protestos populares – Cláudio Angelo (ex-editor de Ciência da Folha de SP)

10h-12h – Debate – O futuro do jornalismo e financiamento da imprensa (RBJA / Fenaj / SJP-DF)

Moderação: Dal Marcondes (RBJA)

12h-13h – Plenária

Homenagem aos 15 anos da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA)

Relatos dos moderadores– Balanço do evento

VI Congresso Brasileiro de Jornalismo Ambiental – Regras para apresentação de candidaturas

13h – Encerramento

Encontro Nacional de Pesquisa e Jornalismo Ambiental

16/10 – quarta-feira

8h30 – Credenciamento

9h-9h30 – Abertura Oficial – Mônica Prado (UniCeub)

9h30-12h – Mesa de abertura: Bases epistemológicas da Comunicação e Jornalismo Ambiental

Jornalismo Ambiental e Jornalismo de Meio Ambiente – Ilza Girardi (UFRGS)

Jornalismo Ambiental e Científico – Wilson Bueno (Metodista)

Metodologias de Pesquisa aplicadas à Comunicação e Jornalismo Ambiental – Isaltina Gomes (UFPE)

Do Jornalismo à Comunicação Ambiental – Sônia Aguiar (UFS)

13h-14h – Intervalo e relacionamentos

14h-18h – Comunicações

17/10 – quinta-feira

10h-12h – Comunicações

13h-18h – Comunicações

13h-18hII ENPJA – Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental

15h-17h30 – Mesa: O estado da pesquisa

Panorama Internacional e a atuação da International Environmental Communication Association – Anabela Carvalho (Minho-PT / IECA)

Resultados de uma década de ensino e pesquisa na UFRGS – Ilza Girardi (UFRGS)

O estado da arte da pesquisa em Jornalismo Ambiental no Brasil – Dione Moura (SBPJor)

Saindo da caixa: cenários da pesquisa em Comunicação Ambiental – Sonia Aguiar (UFS)

Moderação: Gisele Neuls

17h-18hAssembleia da Rede/Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo Ambiental

08:01 · 17.06.2013 / atualizado às 11:13 · 17.06.2013 por

WDCD2013

O Dia Mundial do Combate à Seca e à Desertificação é celebrado anualmente no dia 17 de junho, desde 1995, o ano em que o dia foi proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Neste dia pretende-se promover a sensibilização pública relativa à cooperação internacional no combate à desertificação e os efeitos da seca. O tema escolhido para o ano de 2013 é a seca e a escassez de água.

De toda a água na Terra, apenas 2,5% é doce. E, de tudo isto, o fornecimento total utilizável para os ecossistemas, incluindo o ser humano, é inferior a 1%. E, matematicamente falando, quando a demanda por água excede a oferta disponível, resulta em escassez.

As terras secas são particularmente vulneráveis à escassez de água e a intensificação projetada de escassez de água doce irá causar maiores tensões em zonas áridas. Embora cada pessoa precise de pelo menos 2.000 metros cúbicos de água para o desenvolvimento do bem-estar humano e sustentável a cada ano, em média, as pessoas nas terras áridas têm acesso a apenas 1.300 metros cúbicos.

Mapa da escassez de água

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O objetivo do Dia Mundial de Combate à Desertificação de 2013 é criar consciência sobre os riscos de seca e escassez de água no sertão e, além, chamar a atenção para a importância de manter os solos saudáveis, como parte da agenda pós-Rio +20, bem como a agenda dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) pós-2015.

O slogan deste ano, “Não deixe que o nosso futuro secar” apela para que todos possam tomar medidas para promover a preparação e a resiliência à escassez de água, desertificação e seca. O slogan encarna a mensagem de que todos nós somos responsáveis pela água e conservação do solo e uso sustentável, e que existem soluções para estes graves problemas de recursos naturais. A degradação da terra ameaça o nosso futuro.

Dentro da campanha, a hashtag #WDCD2013 foi proposta para todas as postagens relacionadas ao tema. Ela chama todos a compartilhar fotos e notícias de eventos na sua página no Facebook.

Em Fortaleza

Em comemoração ao Dia Mundial de Combate à Desertificação, o Conselho de Políticas e Gestão do Meio ambiente (Conpam) realiza hoje, a partir das 14h, evento na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará. O objetivo é difundir as ações do Estado relacionadas à desertificação.

Estão previstas palestras sobre os temas “Experiências do Projeto Mata Branca na Convivência com o Semiárido”, ministrada pela assessora de projetos especiais do Conpam, Tereza Farias; “A Funceme no contexto da desertificação”, chefe do Núcleo de Meteorologia, Meiry Sayuiri Sakamoto; e “Ações Ambientais do Projeto São José”, assessor ambiental da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Hermínio José Moreira Lima. Também será lançado o livro “Levantamento de reconhecimento de média intensidade dos solos – Mesorregião do Sul Cearense”.

No Ceará, as áreas mais fortemente atingidas, conforme o professor Marcos Nogueira, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), apresentam uso desordenado dos recursos naturais com práticas agrícolas primitivas, queimadas indiscriminadas e inadequação dos sistemas produtivos. O processo pode ser verificado nos municípios de Irauçuba, Jaguaribe e Inhamuns, o que corresponde a um espaço territorial de quase 30 mil km², cerca de 23% da área do Estado.

Fontes: UNCCD e Conpam

15:59 · 25.04.2013 / atualizado às 10:13 · 26.04.2013 por
O economista cearense Antonio Rocha Magalhães discursa no painel Impactos econômicos e sociais da desertificação, da degradação dos solos e a seca Foto: UNCCD

O economista cearense Antônio Rocha Magalhães, presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia (CST) da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, fez abertura, no dia 9 de abril, da 2ª Conferência Científica da Convenção das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (UNCCD), em Bonn (Alemanha). Esta Conferência estava programada para Fortaleza (CE), em fevereiro passado. Talvez a distância tenha arrefecido seus efeitos por aqui.

Ele destacou os principais temas da conferência: avaliação econômica de Desertificação, Degradação das Terras Secas (DLDD), resiliência e gestão sustentável da terra. Destacou, ainda, a meta estabelecida na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), para melhorar o conhecimento técnico e científico sobre os aspectos econômicos da Gestão Sustentável das Terras (SLM). Desse modo, o envolvimento do cientistas é fundamental no caminho para a neutralização da degradação dos solos.

Na ocasião, Walter J. Ammann, presidente e CEO de Fórum Global de Risco de Davos, enfatizou a importância de aumentar a consciência mundial sobre a desertificação como uma questão premente na agenda de desenvolvimento global. Descreve a degradação de terras secas como um processo lento e silencioso, levando a desastres econômicos e sociais, se não tomadas, agora, as medidas necessárias.

Na plenária sobre Impactos Econômicos e Sociais da Desertificação e da Degradação dos Solos e a Seca, Anneke Trux, líder do time que elaborou o Projeto da Convenção de Combate à Desertificação (CCD Projeto), da Divisão Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Agência de Cooperação Internacional do Governo da Alemanha (GIZ), discorreu sobre os impactos econômicos e sociais da desertificação, a degradação dos solos e a seca, afirmando que não podemos considerar a degradação da terra como um problema ambiental só.

“Temos que entender e avaliar melhor as políticas de DLDD. A pobreza leva à degradação da terra e vice-versa. Se a inércia é mais cara do que ação, estamos no caminho certo? É menos dispendioso para a terra evitar a degradação do que lidar com as suas consequências”, afirmou.

Baixo custo e retorno positivo

As sessões paralelas mostraram que os baixos custos de investimento em gestão sustentável do solo têm retorno positivo sobre os investimentos:

– A fim de combater DLDD e enfrentar os desafios de uma população crescente, é necessária a mobilização do local ao global, com a aplicação de uma abordagem integrada.

-A ciência tem a oferecer o melhor do conhecimento, que deve ser compartilhado globalmente e adaptada às necessidades na perspectiva da política local.

– Como a agricultura tem sido intensificada, fornecendo alimento adicional para a população local, sistemas silvo pastoris fornecem uma alternativa viável para alcançar uma gestão sustentável da terra.

– Precisamos mostrar às partes interessadas resultados mensuráveis, visíveis, por meio da implementação de interfaces gráficas. Tomadores de decisão precisam de confiança nos dados, a fim de fazer escolhas mais inteligentes.

– Variação espacial dos custos de investimento das tecnologias de manejo sustentável da terra e da distância para mercados devem desempenhar um papel fundamental na definição de estratégias e políticas de SLM apropriadas.

– Abordagens personalizadas são necessárias para Gestão Sustentável das Terras (SLM) em zonas áridas e zonas úmidas. Há grande potencial para valorizar as zonas úmidas. No entanto, uma estratégia de ação precisa ser desenvolvida sem impor pressão sobre os recursos naturais.

Fonte: UNCCD

11:15 · 09.02.2013 / atualizado às 11:15 · 09.02.2013 por

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) lançaram o debate virtual Sustentabilidade Ambiental para o Mundo que Queremos. As consultas sobre como ajudar o desenvolvimento nos próximos anos estão abertas ao público até 1º de março.

O debate integra a primeira fase de uma consulta global para estabelecer um olhar mais amplo sobre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), além de discutir novas ideias e experiências sobre a sustentabilidade ambiental.

Os organizadores da consulta recomendam a leitura do documento-base com informações que podem auxiliar na formulação das sugestões. É possível dar a sua contribuição em português ou em outro idioma de sua escolha.

A sustentabilidade ambiental foi apontada pelo Grupo de Trabalho da ONU para a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 como uma das principais dimensões que devem influenciar as políticas de desenvolvimento pós-2015 – em conjunto com o desenvolvimento social, a economia inclusiva e promoção da paz e segurança. O tema foi debatido na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), realizada em junho de 2012 no Rio de Janeiro.

Para participar da consulta, clique aqui.

Fonte: Nações Unidas no Brasil

12:48 · 05.10.2012 / atualizado às 12:48 · 05.10.2012 por

A tramitação da MP 571/2012 do Código Florestal foi concluída no Congresso e retorna para apreciação da presidente da República. Confira a íntegra da carta encaminhada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e Academia Brasileira de Ciências (ABC) para a presidente Dilma Rousseff.

À M.D. Sra.

Dilma Rousseff

Presidenta

República Federativa do Brasil,

Senhora Presidenta,

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) vêm mais uma vez manifestar sua preocupação com o Código Florestal, desta vez por meio de alterações na MP 571/2012 aprovadas pelo Congresso Nacional, que representam mais retrocessos, e graves riscos para o País.

O Brasil deveria partir de premissas básicas que ele próprio aprovou em fóruns internacionais, como na Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável. O documento aprovado na Rio+20, denominado “O Futuro que Queremos”, ressalta o compromisso com um futuro sustentável para o planeta de modo que haja a integração equilibrada das dimensões social, econômica e ambiental.

O documento reconhece a importância da colaboração da comunidade científica e tecnológica para o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da conexão entre a ciência e as políticas, mediante avaliações científicas confiáveis que facilitem a adoção de decisões informadas.

Reafirma a necessidade de promover, fortalecer e apoiar uma agricultura mais sustentável, que melhore a segurança alimentar, erradique a fome e seja economicamente viável, ao mesmo tempo que conserva as terras, a água, os recursos genéticos vegetais e animais, a diversidade biológica e os ecossistemas e aumente a resiliência à mudança climática e aos desastres naturais.

Também reconhece a necessidade de manter os processos ecológicos naturais que sustentam os sistemas de produção de alimentos. Além disto, ressalta os benefícios sociais, econômicos e ambientais que as florestas, seus produtos e serviços, podem proporcionar para as pessoas e para as economias. Para que isto ocorra, os países concordaram em envidar esforços para o manejo sustentável das florestas, a recomposição, a restauração e o florestamento, para aumentar as reservas florestais de carbono.

Com a aprovação da MP 571/2012 pelo Senado o Brasil deixará de cumprir os compromissos que assumiu com seus cidadãos e com o mundo, aprovando medidas que não privilegiam a agricultura sustentável e que não reconhecem a colaboração da ciência e da tecnologia nas tomadas de decisão.

A SBPC e a ABC são contra as seguintes alterações na MP 571/2012,

– Definição de Pousio sem delimitação de área – Foi alterada a definição de pousio incluída pela MP, retirando o limite de 25% da área produtiva da propriedade ou posse (Art. 3o inciso XXIV). Para a ABC e SBPC as áreas de pousio deveriam ser reconhecidas apenas à pequena propriedade ou posse rural familiar ou de população tradicional, como foram até o presente, sem generalizações. Além disto, deveriam manter na definição o percentual da área produtiva que pode ser considerada como prática de interrupção temporária das atividades agrícolas.

– Redução da obrigação de recomposição da vegetação às margens dos rios – O texto aprovado pelo Senado Federal beneficiou as médias e grandes propriedades rurais, alterando o Art. 61-A da MP 571/2012. Nele, a área mínima obrigatória de recuperação de vegetação às margens dos rios desmatadas ilegalmente até julho de 2008 foi reduzida. As APPs não podem ser descaracterizadas sob pena de perder sua natureza e sua função. A substituição do leito maior do rio pelo leito regular para a definição das APPs torna vulneráveis amplas áreas úmidas em todo o país, particularmente na Amazônia e no Pantanal, onde são importantes para a conservação da biodiversidade, da manutenção da qualidade e quantidade de água, e de prover serviços ambientais, pois elas protegem vidas humanas, o patrimônio público e privado de desastres ambientais.

– Redução das exigências legais para a recuperação de nascentes dos rios. A medida provisória também consolidou a redução da extensão das áreas a serem reflorestadas ao redor das nascentes. Apesar de que a MP considera como Área de Preservação Permanente (APP) um raio de 50 metros ao redor de nascente, a MP introduziu a expressão “perenes” (Art. 4o, inciso IV), com o intuito de excluir dessas exigências as nascentes intermitentes que, frequentemente, ocorrem em regiões com menor disponibilidade anual de água. Para fins de recuperação, nos casos de áreas rurais consolidadas em Áreas de Preservação Permanente no entorno de nascentes e olhos d água perene, é admitida a manutenção de atividades agrossilvipastoris, de ecoturismo ou de turismo rural, sendo obrigatória a recomposição do raio mínimo de 15 (quinze) metros (Art. 61-A § 5º).

– Reflorestamento de nascentes e matas ciliares com espécies arbóreas frutíferas exóticas. É inaceitável permitir a recuperação de nascentes e matas ciliares com árvores frutíferas exóticas, ainda mais sem ser consorciada com vegetação nativa, em forma de monocultivos em grandes propriedades. Os cultivos de frutíferas exóticas exigem em geral uso intensivo de agrotóxicos, o que implicará contaminação direta dos cursos de água (Art. 61-A, inciso V).

– Áreas de Preservação Permanente no Cômputo das Reservas Legais – As Áreas de Preservação Permanente não podem ser incluídas no cômputo das Reservas Legais do imóvel. As comunidades biológicas, as estruturas e as funções ecossistêmicas das APPs e das reservas legais (RLs) são distintas. O texto ainda considera que no referido cômputo se poderá considerar todas as modalidades de cumprimento da Reserva Legal, ou seja, regeneração, recomposição e compensação (Art. 15 § 3o ). A ABC e a SBPC sempre defenderam que a eventual compensação de déficit de RL fosse feita nas áreas mais próximas possíveis da propriedade, dentro do mesmo ecossistema, de preferência na mesma microbacia ou bacia hidrográfica. No entanto, as alterações na MP 571/2012 mantêm mais ampla a possibilidade de compensação de RL no âmbito do mesmo bioma, o que não assegura a equivalência ecológica de composição, de estrutura e de função. Mantido esse dispositivo, sua regulamentação deveria exigir tal equivalência e estipular uma distância máxima da área a ser compensada, para que se mantenham os serviços ecossistêmicos regionais. A principal motivação que justifica a RL é o uso sustentável dos recursos naturais nas áreas de menor aptidão agrícola, o que possibilita conservação da biodiversidade nativa com aproveitamento econômico, além da diversificação da produção.

– Redução da área de recomposição no Cerrado Amazônico – O Art. 61-B, introduziu a mudança que permite que proprietários possuidores dos imóveis rurais, que em 22 de julho de 2008, detinham até 10 (dez) módulos fiscais e desenvolviam atividades agrossilvipastoris nas áreas consolidadas em Áreas de Preservação Permanente, recomponham até o limite de 25% da área total do imóvel, para imóveis rurais com área superior a 4 (quatro) e até 10 (dez) módulos fiscais, excetuados aqueles localizados em áreas de floresta na Amazônia Legal. Este dispositivo permitirá a redução da área de recomposição no Cerrado Amazônico. Toda a Amazônia Legal seguia regras mais rígidas. Com a mudança, apenas áreas de florestas da Amazônia Legal ficam excluídas do limite de 25%

– Delegação aos Estados para definir, caso a caso, quanto os grandes proprietários devem recuperar de Áreas de Preservação Permanente (APPs) ilegalmente desmatadas. A delimitação de áreas de recuperação, mantidos os parâmetros mínimos e máximos definidos pela União, foi remetida para o Programa de Regularização Ambiental (PRA) a delimitação de áreas de recuperação. Atualmente esta competência é compartilhada entre municípios, Estados e governo federal. Determinar que cada estado defina o quanto os grandes proprietários terão de recuperar das áreas de preservação irregularmente desmatadas, pode incentivar uma “guerra ambiental”.

– Diminuição da proteção das veredas – O texto até agora aprovado diminuiu a proteção às veredas. A proposta determina ainda que as veredas só estarão protegidas numa faixa marginal, em projeção horizontal, de 50 metros a partir do “espaço permanentemente brejoso e encharcado” (Art. 4o, inciso XI), o que diminui muito sua área de proteção. Antes, a área alagada durante a época das chuvas era resguardada. Além desse limite, o desmatamento será permitido. As veredas são fundamentais para o fornecimento de água, pois são responsáveis pela infiltração de água que alimenta as nascentes da Caatinga e do Cerrado, justamente as que secam durante alguns meses do ano em função do estresse hídrico.

– Regularização das atividades e empreendimentos nos manguezais – O artigo 11-A, incluído pela MP, permite que haja nos manguezais atividades de carcincultura e salinas, bem como a regularização das atividades e empreendimentos de carcinicultura e salinas cuja ocupação e implantação tenham ocorrido antes de 22 de julho de 2008 (§§ 1o 6º). Os manguezais estão indiretamente protegidos pelo Código Florestal desde 1965, e diretamente desde 1993, na Mata Atlântica, e 2002, na Amazônia. Esse artigo, além de promover a regularização de áreas desmatadas irregularmente, permite que novas áreas sejam abertas para instalação de criações de camarões.

Senhora Presidenta, se queremos um futuro sustentável para o País, se queremos promover o desenvolvimento do Brasil, se queremos que a agricultura brasileira perdure ao longo do tempo com grande produtividade, que minimizemos os efeitos das mudanças climáticas, que mantenhamos nosso estoque de água, essencial para a vida e para a agricultura, que protejamos a rica biodiversidade brasileira, temos que proteger nossas florestas. Portanto solicitamos que a Presidência da República e o Governo Federal atuem, no que estiver a seu alcance, para que a MP 571/ 2012, aprovada pelo Senado Federal, não se concretize.

Acreditamos firmemente que a decisão da mandatária maior do País deve transcender os interesses de grupos e responder aos interesses maiores da Nação.

Atenciosamente,

Helena B. Nader – Presidente SBPC

Jacob Palis – Presidente ABC

Publicado originalmente no site da SBPC e da ABC

11:18 · 08.09.2012 / atualizado às 11:22 · 08.09.2012 por
Cientistas reunidos na Coréia do Sul alertam para a necessidade da conservação das espécies, mas a América Latina ainda é considerada a região mais preservada no Planeta Foto: Cid Barbosa

O maior fórum mundial de conservação da biodiversidade foi aberto na quinta-feira (6 de setembro), na Coreia do Sul, com o alerta de que o modelo de desenvolvimento adotado pelo ser humano está arruinando o planeta e levando milhares de espécies para a extinção.

“Para salvar a Terra, todos os países devem trabalhar juntos, reconhecendo que compartilham um destino comum”, destacou o presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak, durante a cerimônia de abertura do Congresso Mundial de Conservação.

Lee afirmou que o estado do mundo natural foi “severamente comprometido” com o desenvolvimento desenfreado, que reduz a biodiversidade, levando quase 20 mil espécies à beira da extinção.

“Não podemos imaginar formas de resolver as mudanças climáticas, a pobreza ou a falta de água, de comida e de recursos energéticos separadas da natureza”, acrescentou.

Mais de oito mil autoridades governamentais, membros de organizações não-govvernamentais (ONGs), cientistas e diretores de empresas de 170 países estão no resort da ilha sul-coreana de Jeju para o congresso de dez dias sobre a biodiversidade.

A conferência quadrienal é realizada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), cujo presidente, Ashok Khosla, reforçou a necessidade de uma abordagem holística socioeconômica dos esforços de conservação.

“As políticas e as ações de preservação não podem ser bem sucedidas no longo prazo a menos que os países e as comunidades usem seus recursos de forma eficiente, distribuam os benefícios de forma justa e deem poder a seus cidadãos ativa e inclusivamente”, declarou.

A conferência é realizada em meio a alertas científicos do risco da extinção em massa, quando espécies lutam para sobreviver em um mundo de habitats pressionados, afetadas pela caça e sufocadas pelas mudanças climáticas.

Em um relatório publicado durante a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), em junho passado, no Rio de Janeiro, a IUCN informou que das 63.837 espécies analisadas, 19.817 correm risco de extinção.

A atualização de sua “Lista Vermelha” identificou como ameaçadas 41% das espécies de anfíbios, 33% dos corais construtores de recifes, 25% dos mamíferos, 20% das plantas e 13% das aves.

Muitas delas são essenciais aos seres humanos, fornecendo alimento, trabalho e constituindo um patrimônio genétic0 para melhores cultivos e medicamentos, acrescentou o relatório da organização.

Nos últimos anos, biólogos descobriram novas espécies de rãs e aves em florestas tropicais, uma prova de que a biodiversidade do planeta é apenas parcialmente conhecida.

Os países-membros das Nações Unidas se comprometeram, ao assumirem as Metas de Desenvolvimento do Milênio, reduzir a taxa de perda da biodiversidade em 2010, mas estão longe da meta.

Após este fracasso, estabeleceram “um plano estratégico para a biodiversidade” segundo o qual prometeram evitar a extinção das “espécies mais conhecidas”.

Com 11 mil cientistas voluntários e mais de mil funcionários pagos, a IUCN realiza milhares de estudos de campo ao redor do mundo para monitorar e ajudar a gerir os ambientes naturais.

América Latina preserva mais

Relatório global divulgado ontem, na Coreia do Sul, afirma que áreas de proteção ambiental cobrem 12,7% da superfície terrestre do Planeta, número que ainda está abaixo dos objetivos traçados pela Organização das Nações Unidas (ONU), enquanto que a América Latina lidera o ranking das regiões com maior área protegida.

Segundo o estudo “Planeta Protegido”, áreas destinadas a parques nacionais e outros tipos de reservas ambientais cresceram, em comparação com o índice de 8,8% registrado em 1990.

Uma das metas definidas pela Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), assinada por membros das Nações Unidas, é de que 17% do território do planeta esteja sob proteção até 2020.

“Áreas protegidas têm contribuído significativamente para a conservação da biodiversidade e um aumento em sua cobertura e efetividade é vital para prosperidade do planeta e das comunidades no futuro”, disse a diretora-geral da IUCN, Julia Marton-Lefèvre, no Congresso em Jeju.

O levantamento mostra que a América Latina tem 20,4% de suas terras protegidas oficialmente, acima da média das regiões em desenvolvimento -13,3% de área protegidas – e das regiões desenvolvidas do Planeta, que têm 11,6% de suas áreas protegidas.

“Para atingir a meta de 17% estabelecida pela CDB com áreas nacionais protegidas, mais 6 milhões de quilômetros quadrados de áreas terrestres e de águas continentais terão que ser reconhecidos como protegidos, uma área dez vezes o tamanho de Madagascar”, diz o relatório.

O estudo também trata de áreas protegidas no oceano, onde a meta está mais longe de ser cumprida. Atualmente, 4% de áreas de oceano sob jurisdição de países estão protegidas, enquanto a meta até 2020 é de 10% da área.

As entidades que organizaram o estudo avaliam, no entanto, que áreas protegidas oficialmente não significam que na prática esteja ocorrendo conservação dos recursos naturais.

Com informações de agências