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Tag: Convivência com a Estiagem


10:00 · 20.08.2018 / atualizado às 10:28 · 20.08.2018 por

Por Letras Ambientais

A maioria dos municípios do Nordeste brasileiro já enfrenta situação e seca grave ou moderada. É o que mostra o atual mapa da cobertura vegetal da região, obtido por meio de monitoramento por satélite, realizado pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis). As imagens de satélites permitem analisar a rápida mudança na cobertura vegetal, de acordo com a expansão da seca pelos municípios da região.

Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), sobre o Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic), mostrou que, no período de 2013 a 2016, a região Nordeste apresentou a maior proporção de municípios afetados pela seca (82,6%). Do total de 1.794 municípios do Nordeste, foram registrados eventos de seca em 1.481.

Apesar de esses eventos climáticos serem frequentes, intensos e com profundos impactos socioeconômicos no Nordeste, a pesquisa do IBGE mostra que apenas 15,7% dos municípios da região possuem um plano específico de contingência e/ou prevenção à seca.

A maioria dos municípios da região adota ações emergenciais para evitar ou minimizar os danos causados pela seca. Uma das ações mais comuns, segundo o estudo, é a distribuição regular de água, por meio de carros-pipa, adotada em 65,5% dos municípios da região. Em seguida, está a construção de poços (61%) e de cisternas (49%).

O pesquisador Humberto Barbosa, coordenador do Lapis, ressaltou que essa falta de planejamento nos municípios, para o enfrentamento da seca, é o que faz com que o evento climático se torne desastre natural. Ele comenta: “mesmo nesses 15% dos municípios que possuem um plano específico para lidar com a seca, ainda não analisamos o teor e a qualidade desse instrumento de planejamento, ou seja, não sabemos se realmente as ações planejadas fogem da pauta emergencial, em direção a um projeto permanente para convivência com a seca”.

Barbosa é um dos autores do Livro “Um século de secas: por que as políticas hídricas não transformaram o Semiárido brasileiro?” e destacou: “Na obra, observamos que, historicamente, a ausência de participação social no processo de planejamento das políticas para a região semiárida foi um dos fatores comuns para que a seca continue sendo enfrentada apenas com ações emergenciais. No entanto, são fundamentais ações estruturais e coordenadas para que a população possa conviver melhor com a seca”.

Segundo um Relatório do Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil (Ceped), no período de 1995-2014, os danos materiais e prejuízos (públicos e privados) causados por desastres naturais, derivados de eventos climáticos no Brasil, foram estimados em R$ 100 bilhões. Deste total, cerca de 75% estão diretamente vinculados às estiagens e secas, a afetarem frequentemente o Nordeste e as demais regiões do Brasil.

No Nordeste, o custo total de danos e prejuízos, derivados de eventos climáticos, foi cerca de R$ 47 bilhões. O valor inclui os prejuízos privados nos setores da agricultura, pecuária, indústria e serviços.

Radiografia

A seguir, apresenta-se uma radiografia da seca em cada Estado do Nordeste, vista a partir de mapas. Dentre os temas abordados, estão: a condição da cobertura vegetal dos municípios, antes e depois da seca deste ano; os danos e prejuízos causados pela seca; os estados mais afetados e aqueles mais preparados para evitar que esses eventos climáticos tomem proporções de desastre natural.

Os dados utilizados são oriundos do satélite Meteosat-10, com metodologia desenvolvida pelo Lapis, que determina diariamente o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) para a  região.

Os mapas animados, mostrados na sequência, comparam e analisam a condição da cobertura vegetal de cada um dos nove estados do Nordeste, no período da estação chuvosa (abril a maio) e no início da seca (julho a agosto).

Ceará

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No período de fevereiro a maio deste ano, foi registrado, no Ceará, um expressivo volume de chuvas. Por essa razão, a Caatinga alcançou um alto nível de recuperação. Em maio, o Estado foi considerado o que ficou mais verde no Semiárido brasileiro, como mostrado no primeiro mapa acima.

Atualmente, um total de 66% dos municípios cearenses já estão secos. Dos 184 municípios do Ceará, 121 apresentam situação de seca moderada ou grave, enquanto 63 continuam em condição climática favorável. Apenas em alguns municípios do norte, do noroeste ou do sul do Estado, a vegetação está verde, ou seja, a seca ainda não atingiu a vegetação.

De 30 de julho a 5 de agosto, o mapa mostra a rápida mudança ocorrida na vegetação do Ceará para a condição de seca. As áreas em vermelho indicam a ocorrência de seca grave, abrangendo a maioria dos municípios; enquanto, em amarelo, sinalizam para a condição de seca moderada.

Segundo o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 77 municípios do Ceará estão reconhecidos em Situação de Emergência, sendo 13 decorrentes da estiagem e 64 por ocasião da seca.

Há uma diferença entre os conceitos de seca e estiagem. A seca se refere à deficiência de chuvas durante um período prolongado, provocando escassez de água para atividades, grupos ou setores ambientais. As estiagens se caracterizam por serem menos intensas que a seca e ocorrerem durante um período de tempo mais curto.

A Situação de Emergência é o reconhecimento legal, pelo município atingido, de uma situação anormal provocada por desastres, segundo fatores de intensidade e alcance dos danos (humanos, materiais e ambientais) e dos prejuízos (sociais e econômicos).

A intensidade do impacto do desastre natural para o Município é o que leva os gestores a classificarem o prejuízo gerado para a população e infraestrutura local. Existem quatro níveis para medir os impactos dos desastres naturais. As secas e estiagens são consideradas desastres naturais de nível 3, caracterizando Situação de Emergência.

Nesse caso, os danos são importantes e os prejuízos vultuosos, mas suportáveis e superáveis pela comunidade afetada. A situação de normalidade pode ser restabelecida desde que os recursos mobilizados no território do município afetado sejam reforçados e suplementados com o apoio de meios estaduais e federais.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, o Ceará foi o Estado do Nordeste a registrar maiores proporções de municípios atingidos pela seca (97,8%). Apesar desse dado, apenas 22,2% dos seus municípios possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

No período de 1995-2014, o Estado ocupou o segundo lugar como um dos mais impactados e submetidos a maiores danos e prejuízos na região, oriundos de eventos climáticos. O valor estimado pelos municípios do Ceará, para o período, correspondeu a 22,2% do total estimado para o Nordeste, de acordo com o Ceped.

Piauí

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O mapa acima mostra que, no período de 30 de abril a 6 de maio, as chuvas no Piauí permitiram a recuperação de praticamente toda sua cobertura vegetal, com exceção do sudoeste do Estado.

O atual mapa da cobertura vegetal do Piauí, referente ao período de 30 de julho a 5 de agosto, mostra que 71% dos municípios apresentam seca grave ou moderada. Do total de 224 municípios do Estado, 160 estão secos, enquanto apenas 64 continuam verdes, ou seja, sob condições climáticas favoráveis, solo úmido e manutenção da cobertura vegetal.

Segundo o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 48 municípios do Piauí estão reconhecidos em Situação de Emergência, sendo 10 decorrentes da estiagem e 38 por ocasião da seca.

A pesquisa do IBGE sobre o perfil dos municípios brasileiros mostrou que, no período de 2013 a 2016, o Piauí foi o segundo Estado do Nordeste com maior proporção de municípios afetados pela seca (93,8%). Apesar desse dado, apenas 9,4% dos municípios do Piauí possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

Quantos aos danos e prejuízos provocados por eventos climáticos, especialmente pela seca, no período de 1995-2014, o Piauí foi o quarto Estado do Nordeste brasileiro a registrar maiores impactos diretos. O custo dos danos e prejuízos decorrentes de eventos climáticos, nos municípios do Piauí, foram estimados em 16,1% do total na região.

Paraíba

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De acordo com a atual imagem de satélite da cobertura vegetal da Paraíba, a seca já atinge mais de 71% da Paraíba. Dos 223 municípios, 160 apresentam seca moderada ou grave. O evento climático ocorre, de forma mais grave, nas microrregiões do Cariri, Seridó e Catolé do Rocha.

Enquanto isso, em apenas 63 municípios do Leste do Estado, incluindo a Zona da Mata e parte do Agreste, a vegetação está verde, ou seja, as condições climáticas continuam favoráveis e a seca ainda não atingiu a vegetação.

Os mapas acima mostram a rápida mudança ocorrida na vegetação a Paraíba, para a condição de seca. A primeira imagem retrata o Estado durante a estação chuvosa, no período de 30 de abril a 6 de maio, enquanto a segunda mostra as condições atuais da vegetação, no período de 30 de julho a 5 de agosto.

Segundo o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, desde abril deste ano, 197 municípios da Paraíba são reconhecidos em Situação de Emergência, por ocasião de estiagem.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, a Paraíba foi o terceiro Estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (91,9%). Por outro lado, apenas 25,6% dos municípios da Paraíba possuem um plano de contingência e/ou prevenção a essa tipologia de desastre natural.

Apesar de ainda ser baixo, proporcionalmente, é o Estado do Nordeste com maior percentual de municípios a apresentar esse tipo de instrumento de planejamento para minimizar os impactos da seca.

No período de 1995-2014, a Paraíba ocupou o quinto lugar, no Nordeste, como um dos Estados mais impactados e submetidos a maiores prejuízos provocados pela seca. Os danos materiais e prejuízos (públicos e privados), causados por desastres naturais, derivados de eventos climáticos, foram estimados em 6% do total dos custos na região.

Rio Grande do Norte

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Um total de 62% dos municípios do Rio Grande do Norte já estão secos. Segundo o monitoramento da cobertura vegetal por satélite, realizado pelo Lapis, dos 167 municípios do Estado, 104 enfrentam seca grave ou moderada, conforme segundo mapa acima.

Apenas 63 municípios do Leste Potiguar, alguns do norte e do noroeste do Estado, continuam com vegetação verde, indicando que os solos continuam úmidos, em decorrência das condições climáticas favoráveis.

De acordo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 161 municípios do Rio Grande do Norte estão em Situação de Emergência, por ocasião da seca.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, o Rio Grande do Norte foi o quarto estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (91%). Por outro lado, apenas 8,3% dos municípios do Rio Grande do Norte possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

No período de 1995-2014, o Rio Grande do Norte esteve entre os estados do Nordeste a sofrer menos impactos econômicos diretos da seca, com um total estimado de 3,1% dos danos materiais e prejuízos (públicos e privados) estimados para a região, causados por desastres naturais oriundos de eventos climáticos.

Bahia

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Um total de 57% dos municípios da Bahia já enfrentam seca. Segundo o monitoramento por satélite, realizado pelo Lapis, dos 417 municípios do estado, 237 enfrentam seca moderada ou grave, conforme mostrado no segundo mapa, referente ao período de 30 de julho a 5 de agosto.

O Oeste da Bahia integra a região de Matopiba, considerada a última fronteira agrícola do País, com importante participação na balança comercial brasileira. Hoje, todos os municípios dessa área estão afetados pela seca, trazendo consequências diretas à economia nacional.

Apenas 43% dos municípios do Estado continuam verdes, ou seja, ainda não foram atingidos pela seca. Eles estão localizados na porção Leste do Estado, compreendendo as mesorregiões do Sul e Centro-Sul Baiano, Região Metropolitana de Salvador, Nordeste e Centro-Norte Baiano.

No período de 30 de abril e 6 de maio deste ano, conforme mostrado no mapa acima, boa parte dos municípios da Bahia ficou com cobertura vegetal verde, por ocasião das chuvas registradas no Estado, ou apenas tiveram estiagem moderada.

De acordo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 207 municípios da Bahia estão em Situação de Emergência, sendo 203 decorrentes da estiagem e 4 por ocasião da seca.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, a Bahia foi o quinto Estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (88,5%). Todavia, apenas 15% dos municípios da Bahia possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca. É o Estado do Nordeste com maior número de Prefeituras a apresentar esse tipo de instrumento de planejamento (62 municípios). Todavia, proporcionalmente, o percentual ainda é considerado muito baixo, diante da abrangência de municípios afetados pela seca na Bahia.

A Bahia é o Estado do Nordeste que mais registrou danos e prejuízos (públicos e privados) diretos, em função de desastres naturais oriundos de eventos climáticos, no período de 1995-2014.

Do custo total de R$ 47 bilhões, estimado para a região Nordeste, a Bahia concentrou 29% desses danos e prejuízos. Como mencionado, o custo da seca é estimado em 75% do total de danos e prejuízos decorrentes de eventos climáticos no Nordeste.

Alagoas

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Um total de 33% dos municípios de Alagoas já estão secos. É o que mostra o atual mapa da cobertura vegetal do Estado, conforme monitoramento realizado pelo Lapis, referente ao período de 30 de julho a 5 de agosto. Dos 102 municípios alagoanos, 34 estão afetados por seca grave ou moderada, localizados na mesorregião do Sertão Alagoano e alguns no Agreste, na porção semiárida do Estado.

As áreas que atualmente continuam verdes estão localizadas no Leste Alagoano e em boa parte da mesorregião do Agreste. No período de 30 de abril a 6 de maio deste ano, como mostrado no mapa acima, as chuvas permitiram certa recuperação da cobertura vegetal desses municípios. Mas desde maio, quando terminou a estação chuvosa no Semiárido brasileiro, a seca se espalhou pelo Sertão e Agreste Alagoano.

Diante da severidade da atual estiagem na mesorregião do Sertão e parte do Agreste Alagoano, esta semana, a Defesa Civil Nacional reconheceu Situação de Emergência em 38 municípios do Estado. O decreto de reconhecimento do governo federal garante que esses municípios voltem a receber recursos emergenciais para conviver com a seca.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, Alagoas foi o sexto Estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (77,5%). Um total de 22,5% dos municípios alagoanos possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

De acordo com o Relatório do Ceped, Alagoas é um dos estados do Nordeste a registrarem menos danos e prejuízos decorrentes de desastres naturais de origem climática, compreendendo apenas 3,6% do total na região, no período de 1995-2014.

Sergipe

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Em Sergipe, 20% dos municípios estão secos atualmente, de acordo com o mapa da cobertura vegetal obtido pelo Lapis, por meio de monitoramento por satélite, referente ao período de 30 de julho a 5 de agosto. Dos 75 municípios do Estado, 15 enfrentam seca grave ou moderada. A seca se concentra na mesorregião do Sertão de Sergipe.

Diferentemente dos demais estados do Nordeste, na imagem de satélite de 30 de abril a 6 de maio, havia um maior número de municípios secos em Sergipe, tendo diminuído agora em julho. Provavelmente, isso ocorreu em decorrência da influência de frentes frias naquela área.

De acordo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, seis municípios de Sergipe estão em Situação de Emergência, sendo cinco decorrentes da estiagem e apenas um ocasionado pela seca.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, Sergipe foi o sétimo Estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (77,3%). Apenas 8% dos municípios do Estado possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

Sergipe também é um dos estados do Nordeste a registrarem menores danos e prejuízos decorrentes de desastres naturais de origem climática, compreendendo somente 2,9% do total na região, no período de 1995-2014.

Pernambuco

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Em Pernambuco, 52% dos municípios já são afetados pela seca. Do total de 185 municípios, 96 enfrentam seca grave ou moderada. De acordo com o monitoramento ambiental por satélite, realizado pelo Lapis, apenas na Região Metropolitana de Recife, na mesorregião da Zona da Mata e em parte dos municípios do Agreste pernambucano, a cobertura vegetal continua verde, em função das condições climáticas favoráveis.

No atual mapa da cobertura vegetal de Pernambuco, referente ao período de 30 de julho a 05 de agosto deste ano, a seca já atinge a maior parte do estado, incluindo a mesorregião do São Francisco, do Sertão e grande parte do Agreste.

Embora o percentual de municípios pernambucanos afetados pela seca seja de apenas 52%, abrange praticamente toda a área do estado. Isso ocorre em função de os municípios do interior, onde a seca predomina, apresentarem maior extensão territorial.

Quando comparados à porção Leste do estado, onde os municípios são de pequena extensão, o percentual de área onde a vegetação permanece verde é pouco expressivo.

De acordo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 53 municípios de Pernambuco estão reconhecidos em Situação de Emergência, em razão da ocorrência de estiagem.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, Pernambuco foi o oitavo estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (77,2%). Apenas 24,8% desses municípios possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

Proporcionalmente, é o segundo Estado do Nordeste a apresentar mais prefeituras com esse tipo de instrumento de planejamento para fazer frente aos impactos da seca.

Com relação aos danos e prejuízos causados por eventos climáticos, Pernambuco ocupa o terceiro lugar no ranking como um dos mais afetados no Nordeste. Segundo Relatório do Ceped, os danos e prejuízos decorrentes de desastres naturais de origem climática em Pernambuco corresponderam a 16,2% do total na região, no período de 1995-2014.

Maranhão

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O Maranhão é o Estado do Nordeste menos afetado pela seca. De acordo com o monitoramento realizado pelo Lapis, atualmente, apenas 13,3% dos municípios maranhenses estão secos. Dos 217 municípios do Estado, somente 29 enfrentam seca, localizados no Sul Maranhense.

De acordo com o mapa da cobertura vegetal, de 30 de abril a 6 de maio, praticamente não havia seca no Estado, restrita apenas à seca moderada em alguns municípios do Sul Maranhense.

Não existem registros no Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, de municípios do Maranhão em Situação de Emergência, por ocasião de seca ou estiagem.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, o Maranhão foi o Estado do Nordeste a registrar menor proporção de municípios atingidos pela seca (39%). Apenas 5% dos municípios do Estado possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

Com relação aos danos e prejuízos provocados por desastres naturais de origem climática, o Maranhão informou apenas 1,2% dos custos totais no Nordeste, no período de 1995-2014. Esse número mostra que o estado foi o que sofreu menos impactos da seca em toda a região.

Gestão da seca nos municípios

Como observado, as ações mais comuns adotadas pelos municípios do Nordeste, para evitar ou minimizar os danos e prejuízos causados pela seca, são de caráter emergencial. Dessa forma, a pesquisa do IBGE chama atenção para a falta de capacidade institucional dos municípios da região para lidarem com o constante risco de ocorrência de seca.

O panorama é crítico, sobretudo para as áreas inseridas no Semiárido brasileiro, com forte potencial para a ocorrência de seca, podendo tomar proporção de desastre natural, em um cenário socioeconômico e ambiental vulnerável.

Na estação chuvosa de 2018 (fevereiro a maio), as chuvas atingiram a maior parte dos municípios do Semiárido brasileiro, aliviando a seca que já durava sete anos. No entanto, o meteorologista Humberto Barbosa explicou que o volume de chuvas foi inferior à média histórica, sobretudo nos estados da parte sul do Nordeste (parte de Pernambuco, Alagoas, Bahia e parte do sul do Piauí).

“Essas chuvas foram insuficientes para diminuir o déficit de precipitação que a região vem sofrendo há sete anos, decorrentes dos impactos das secas meteorológica e hidrológica nos anos anteriores”, observou.

Recentemente, o IBGE divulgou os primeiros resultados do novo Censo Agropecuário. A região Nordeste foi a única a registrar queda na área destinada à produção agropecuária. No período de 2006 a 2017, a área ocupada pela agropecuária avançou 5% no Brasil, ocupando 16,6 milhões de hectares adicionais, área maior que a do Estado do Ceará (14,9 milhões de hectares).

No Nordeste, porém, houve uma redução de 9,9 milhões de hectares na área de produção agropecuária, o que equivale a aproximadamente o Estado inteiro de Pernambuco a menos na agropecuária local. Os sete anos de seca na região influenciaram diretamente essa redução.

Conclusão

A seca causa profundos impactos sociais, econômicos e ambientais ao Nordeste brasileiro. Falta capacidade institucional dos municípios da região para enfrentar a seca. Por essa razão, é necessário atuar no planejamento estruturado de ações para a convivência com a seca, utilizando informações seguras de monitoramento desses eventos climáticos e evitando maiores danos e prejuízos à região.

Fontes:
Letras Ambientais: www.letrasambientais.com.br
Lapis: lapismet.com.br

10:00 · 21.06.2016 / atualizado às 21:59 · 20.06.2016 por
A barragem de contenção de sedimentos e cordões construída com pedras soltas, cuidadosamente arrumadas e em formato de arco, ajuda na redução do assoreamento dos reservatório e rios Foto: Divulgação/Ematerce
A barragem de contenção de sedimentos e cordões construída com pedras soltas, cuidadosamente arrumadas e em formato de arco, ajuda na redução do assoreamento dos reservatório e rios Foto: Divulgação/Ematerce

Por Marcelino Júnior

Iniciado em 2013, pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), com participação da Associação dos Pequenos Produtores e Apicultores do Assentamento Mandacaru, localizado a 15Km da sede deste Município, o “Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Assentamento Mandacaru com a Integração de Tecnologias de Convivência com o Semiárido e Preservação dos Recursos Naturais” promove uma série de intervenções técnicas, inteiramente voltadas para recuperação e preservação desses recursos, especialmente do solo e água, integrados às atividades produtivas e de convivência com o Semiárido.

O Projeto, que beneficia 26 famílias, das 130 nos 3.800 hectares do assentamento, foi orçado em R$ 641.749, sendo R$ 577.574, do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas – Ministério do Meio Ambiente (FNMC-MMA), e R$ 64.174 do governo do Estado. A implantação, que utilizou mão de obra da própria comunidade, está em sua etapa final, com licitação para aquisição de 250 matrizes de ovinos e mais dez animais reprodutores.

O projeto de Irauçuba, único do Ceará apresentado neste ano, foi homenageado, juntamente com outras 21 instituições, na sexta-feira (17), em Brasília, pelo Prêmio internacional Dryland Champions, promovido pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em parceria com o MMA. O programa presta homenagem a iniciativas, de pessoas, organizações governamentais e empresas que contribuem para o manejo sustentável de terras, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das populações e as condições dos ecossistemas afetados pela desertificação e a seca.

O evento foi realizado pelo MMA, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), para marcar o Dia Mundial de Combate à Desertificação (17 de junho), data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a conscientização sobre o problema, que atinge 42% das terras do Planeta e 35% da população mundial.

Com o slogan “Proteger a Terra. Restaurar os Solos. Envolver as pessoas”, a UNCCD defende a importância da cooperação inclusiva para restaurar e recuperar terras degradadas e contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Nesta edição, o programa Dryland Champions priorizou projetos que contribuem para o manejo sustentável de solos nas áreas suscetíveis à desertificação no Brasil.

“Esse reconhecimento nos deixa satisfeitos de saber que estamos no caminho certo. O projeto foi uma reivindicação daquelas famílias, que participaram integralmente de sua elaboração e desenvolvimento para benefício delas próprias”, afirmou o assessor técnico da Ematerce e elaborador do projeto, Josualdo Justino Alves.

08:00 · 20.11.2015 / atualizado às 09:51 · 20.11.2015 por
Como parte da programação, os jornalistas selecionados pela organização, farão visitas externas ao Açude Castanhão (foto) e ao Canal da Integração Foto: Ellen Freitas / Agência Diário
Como parte da programação, os jornalistas selecionados pela organização, farão visitas externas ao Açude Castanhão (foto) e ao Canal da Integração Foto: Ellen Freitas / Agência Diário

Impulsionado pela atual situação hídrica que passa o País e pelo colapso causado pela falta da água nos municípios cearenses, o Instituto Hidroambiental Águas do Brasil (Ihab) realiza, entre os dias 21 a 25 de novembro, no Centro de Eventos do Ceará, o VII Encontro Intercontinental sobre a Natureza (O2).

A seca está entre os principais assuntos em discussão no evento, já que a situação atual de todos os açudes do Ceará é a de menor reserva hídrica da década, segundo dados da Companhia de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh). Dos 153 açudes monitorados, 128 estão abaixo de 30% da capacidade. Alguns, tidos como ícones na história do abastecimento de água no Ceará, como o Castanhão, detém apenas 12,78% da capacidade.

Em busca de soluções práticas para o convívio com a seca, geólogos, geógrafos, engenheiros, jornalistas, especialistas e interessados na área do meio ambiente estarão reunidos em Fortaleza para participar do O2, que tem como tema central “Sustentabilidade: práticas de segurança hídrica, alimentar, e economia no Semiárido”.

Os profissionais irão discutir temas relacionados à segurança hídrica, alimentar, socioeconômica e ambiental. O intuito é traçar metas e estratégias públicas sustentáveis para solucionar crises. Esta sétima edição do evento reunirá, em Fortaleza, especialistas da África, Austrália, Alemanha, México, Chile, Canadá, Itália e de outros países, que irão participar de mesas, painéis e talk show.

Para o organizador do evento, o geólogo Clodionor Araújo, o grande objetivo é conscientizar por meio de capacitação, oficinas e palestras, que todos podem contribuir usando racionalmente apenas a quantidade necessária para a sua manutenção. “Ao mostrar claramente exemplos de como as pessoas vivem e utilizam os recursos naturais ajuda a orientar. A divisão de continentes é política. A natureza desconhece esta divisão e atua para atender à vida”, ressalta.

O Ihab é uma organização não governamental sem fins lucrativos, qualificada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip). Com sede em Fortaleza, conta com a colaboração de profissionais multidisciplinares com experiências em organizações públicas, privadas e do terceiro setor para o cumprimento de sua missão e objetivos.

Evento para jornalistas

Os profissionais do Jornalismo Ambiental terão um espaço dedicado às questões da Comunicação Ambiental. Juntos, eles irão compor o Encontro Intercontinental de Jornalistas Ambientais. A entrada dos profissionais de Comunicação é gratuita para cobertura do evento e palestras da área. Como parte da programação, os jornalistas selecionados pela organização, farão visitas externas ao Açude Castanhão e ao Canal da Integração.

Além do Ceará, jornalistas que trabalham em importantes publicações do gênero de Manaus, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro devem participar do encontro. Os profissionais de Fortaleza e demais regiões do Interior podem se inscrever gratuitamente e conferir a programação no site www.ihab.org.br/o2015.

Mais informações:

Encontro Intercontinental sobre a Natureza (O2)

Data: De 21 a 25 de novembro de 2015

Horário: Das 14h às 21h

Local: Centro de Eventos – Av. Washington Soares, 1141 – Água Fria

Inscrições: As inscrições podem ser realizadas no site www.ihab.org.br/o2015 ou na sede da entidade, que fica na rua Ildefonso Albano, 820 – Meireles

13:08 · 10.07.2014 / atualizado às 13:08 · 10.07.2014 por
Pesquisa de alunos do IFCE será apresentada em feira internacional Foto: IFCE
Pesquisa de alunos do IFCE será apresentada em feira internacional Foto: IFCE

Alunos do campus Juazeiro do Norte do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)  apresentarão o projeto “Água Renovada” em feira de ciência e tecnologia que ocorrerá em Medellín, na Colômbia, de 14 a 18 de julho. O projeto consiste na construção de um destilador rústico, de baixo custo, que purifica a água.

O sistema foi desenvolvido pelos estudantes do ensino médio Larissa Brenda, Júnior Nicácio e Laleska de Oliveira, sob a orientação de Ricardo Fonseca. “Para um Estado como o nosso, que enfrenta períodos de seca, a relevância é muito grande”, afirma Ricardo.

Segundo Larissa, o projeto é resultado de uma preocupação com a seca e a vontade de fazer algo pelas pessoas que sofrem com a falta de água. “A seca já chegou a atingir mais de 90% dos municípios cearenses. Em algumas cidades, o litro de água chegou a custar mais que um litro de gasolina. Encontramos uma forma de amenizar a situação sem gastar muito”, acrescenta.

Fonte: IFCE

09:46 · 10.01.2014 / atualizado às 09:46 · 10.01.2014 por
Com as novas instalações, mais de 70 mil cisternas já estão em 122 municípios brasileiros de nove Estados Foto: Divulgação / Fundação Banco do Brasil
Com as novas instalações, mais de 70 mil cisternas já estão em 122 municípios brasileiros de nove Estados Foto: Divulgação / Fundação Banco do Brasil

Mais de 10 mil cisternas de placas foram instaladas no Semiárido brasileiro até o início de 2014. A marca alcançada pela Fundação Banco do Brasil (Fundação BB) equivale a mais de 50% de um novo compromisso assumido pela instituição. A meta é que até o fim do primeiro semestre deste ano, outras 10 mil unidades sejam construídas.

A iniciativa faz parte do Programa Água para Todos, uma das ações do Plano Brasil Sem Miséria, do governo federal e tem como objetivo a universalização do acesso à água potável para consumo humano.

Com as novas instalações, mais de 70 mil cisternas já estão em 122 municípios de nove Estados. A tecnologia social minimiza o impacto da seca para 350 mil pessoas que vivem no Semiárido brasileiro. Para implantação, cada unidade tem um custo unitário de R$ 2.579,00.

A cisterna de placas é uma da tecnologias de convivência com o problema da falta de água para regiões que sofrem com a seca. O modelo é um reservatório em forma cilíndrica, coberto e semienterrado, que com um encanamento simples, recolhe do telhado das casas a água da chuva.

Cada reservatório tem a capacidade de acumular 16 mil litros de água que, se usados com moderação, podem durar até oito meses para uma família de cinco pessoas, em atividades como cozinhar, beber e escovar os dentes.

O modelo de execução e gestão desenvolvido pela Fundação BB obteve sucesso por meio do esforço conjunto da rede de agências do Banco do Brasil, Articulação do Semiárido Brasileiro (ASA), parceiros locais e entidades selecionadas em função de suas competências técnicas, gestão, mobilização e experiência na reaplicação da tecnologia social.

Fonte: Fundação Banco do Brasil

10:25 · 07.01.2014 / atualizado às 09:15 · 08.01.2014 por
Agricultor Vitoriano Alves, de Cruzeta (RN) Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti
Agricultor Vitoriano Alves, de Cruzeta (RN) Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Um estudo do Banco Mundial aponta que a variabilidade das chuvas e a intensidade das secas no Nordeste continuarão aumentando até 2050, com graves efeitos para a população, caso os governos locais não invistam em infraestrutura e gestão hídrica.

Pela análise de duas regiões – a Bacia de Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte, e o Rio Jaguaribe, no Ceará – o relatório “Impactos da Mudança Climática na Gestão de Recursos Hídricos: Desafios e Oportunidades no Nordeste do Brasil” analisa os efeitos do aquecimento global combinados com fatores como o crescimento populacional e o aumento da demanda por água.

Em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), entre outras instituições, os pesquisadores avaliam que a bacia de Piranhas-Açu, por exemplo, deve sofrer uma maior perda de água no solo e nas plantas, um fenômeno que os especialistas chamam “evapotranspiração”.

Ainda segundo o estudo, porém, se forem realizados constantes investimentos na modernização da irrigação, a demanda pela água na agricultura pode diminuir 40%, o que atenuaria o problema de gerenciamento da água da região.

O relatório mostra que, embora futuras compensações sobre o uso da água vão existir e deverão ser negociadas e discutidas entre os usuários, estratégias de alocação mais flexíveis poderiam tornar o setor de água no Nordeste brasileiro menos vulnerável aos impactos da demanda e das mudanças climáticas.

Agência da ONU auxilia na implementação de mudanças

Um programa financiado pelo Banco Mundial já começa a implementar mudanças na região. Uma iniciativa que atenderá 23 pequenos agricultores – com lotes de cerca de cinco hectares cada – apoia os trabalhadores rurais na compra de equipamentos que economizam água, dá assistência técnica na gestão hídrica e auxilia a expansão da rede elétrica na área do projeto, reduzindo a necessidade de água para o cultivo.

O agricultor Jean Azevedo acredita que o novo projeto ajudará os produtores que continuam procurando oportunidades no campo. Ele vive em Cruzeta (RN), uma região onde caem, em média, menos de 800 mm de chuva por ano – um volume de precipitação similar ao de países da África Subsaariana – e onde praticamente não chove entre julho e dezembro.

Preservar esse recurso natural tão valioso é um dos principais objetivos de Vitoriano Alves dos Santos, colega do Azevedo na Associação de Produtores de Cruzeta. “Ainda tenho acesso a uma fonte de água, mas me aflige ver a quantidade gasta todos os dias com a irrigação”, afirma.

Fonte: Nações Unidas no Brasil

15:40 · 02.11.2013 / atualizado às 15:49 · 02.11.2013 por
Agricultores experimentadores participaram de intercâmbio de informações no sertão paraibano Foto: Maristela Crispim
Agricultores experimentadores participaram de intercâmbio de informações no sertão paraibano Foto: Maristela Crispim

Por Maristela Crispim*

Campina Grande. Reunidos, de 28 a 31 de outubro, no 3º Encontro Nacional de Agricultores Experimentadores, esses guardiões da biodiversidade, que cultivam vida e resistência no Semiárido, trocaram de experiências em apresentações verbais, na Feira de Saberes e Sabores e em visitas temáticas para conhecer experiências de criatórios no Semiárido (potencial forrageiro da Caatinga, manejo alimentar das raças nativas e adaptadas); sementes e a diversificação produtiva dos cultivos anuais; quintais produtivos; e manejo agroflorestal das caatingas.

Organizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) o Encontro reuniu aproximadamente 300 agricultores experimentadores dos nove Estados do Semiárido, de Minas Gerais até o Piauí, e mais o Maranhão.

No Encontro também teve espaço para a discussão dos avanços e desafios da assessoria técnica às redes de agricultores experimentadores. Luciano Marçal da Silveira, que é coordenador do Programa Local da Paraíba da Organização Não Governamental (ONG) AS-PTA, que trabalha Agricultura e Agroecologia no Rio de Janeiro, Paraná e Paraíba, explicou que, ao longo de 30 anos vigorou no País o paradigma da Revolução Verde, que associa um pacote tecnológico artificial, com adubos, agrotóxicos, irrigação e sementes de fora, o que rompeu com uma agricultura que já existia antes.

Nessa linha, explica que há uma tendência de desqualificação da agricultura familiar, de classificá-la como atrasada. “Mas há uma contracorrente, até porque a modernização da agricultura no Semiárido foi um desastre, que promoveu a multiplicação da pobreza”, afirma.

“Durante muito tempo a roça e a queima foram sustentáveis, porque no passado havia muita disponibilidade de terra para migrar. Mas, com propriedades cada vez menores, esse tipo de prática precisou ser repensado, por meio da capacidade de observação do uso dos recursos naturais disponíveis”, acrescenta.

Para ele, é preciso reverter esse quadro, vendo a Caatinga não como limitante, mas como fonte de recursos, como base para a regeneração produtiva com práticas mais sustentáveis, “que precisam, antes de mais nada, olhar para a tradição, quais são as práticas mais eficientes no uso dos recursos; promover um reencontro da ciência com o desenvolvimento local; construir condições para que a agricultura estabeleça uma produção com a base de recursos que a Caatinga oferece e isso não se constrói sem a participação inventiva do agricultor”, enfatiza.

Luciano destaca a importância de recolocar o agricultor como construtor de conhecimentos, construir ambientes coletivos de trocas em rede para aprendizados mútuos. Mas alerta que, se os agricultores estão assumindo novos papéis, é importante que os técnicos repensem seus papéis: “eles têm uma formação difusionista, com dificuldade de estabelecer uma visão mais horizontal, que contribua para o fortalecimento dessas redes”.

Para ele, é preciso fugir do daquela receita da visita individual e levar o conhecimento para ajudar na construção em ambientes coletivos. “Mas é preciso mobilização para que isso aconteça. A construção coletiva de técnicas rompe o paradigma da separação entre pesquisa e extensão e o desenvolvimento técnico nunca foi tão exigido quanto agora”, finaliza.

* A jornalista viajou a convite da ASA

11:36 · 25.10.2013 / atualizado às 11:39 · 25.10.2013 por
Entre 28 e 30 de outubro, evento multisetorial reúne tomadores de decisão do Governo Federal e dos estados nordestinos para discutir o atual ciclo de estiagem Foto: José Leomar / Agência Diário
Entre 28 e 30 de outubro, evento multisetorial reúne tomadores de decisão do Governo Federal e dos estados nordestinos para discutir o atual ciclo de estiagem Foto: José Leomar / Agência Diário

Banco Mundial, Ministério da Integração Nacional (MI), Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e Governo do Estado do Ceará realizam, nos dias 28, 29 e 30 de outubro o “Seminário sobre Secas, Impactos e Respostas – Uma Análise da Seca de 2012-2013 no Nordeste e Contribuições para uma Política Nacional sobre Secas”.

O evento acontece no Auditório Waldyr Diogo, da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec) e reunirá representantes do Governo Federal e dos Estados nordestinos para uma discussão multisetorial dos efeitos e da convivência com a estiagem.

O Nordeste brasileiro vem enfrentando, desde 2012, uma das secas mais severas dos últimos 50 anos, com enormes impactos econômicos, sociais e ambientais. A sociedade e o governo, ou os governos, vêm reagindo através de diversas formas, buscando minorar os impactos e melhorar a convivência com a adversidade.

Segundo Antônio Rocha Magalhães, assessor do CGEE, órgão ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com as mudanças climáticas, as secas podem tornar-se ainda mais frequentes e severas.

“Com este Seminário, busca-se documentar a seca de 2012-2013, discutir a experiência do Nordeste e de outros lugares do mundo no enfrentamento de secas e extrair lições que possam ser úteis para melhorar a convivência e aumentar a resiliência do Nordeste ao fenômeno, promovendo melhor adaptação às variações atuais e futuras do clima”, explica.

Política Nacional

Outro objetivo relevante do evento é avançar em aspectos importantes para a consolidação de uma política nacional sobre secas, sob a liderança do Ministério da Integração Nacional, com o apoio de outras instituições nacionais e internacionais.

Assim, estarão reunidos no Seminário sobre Secas, Impactos e Respostas tomadores de decisão em áreas diversas como agricultura, pecuária, meio ambiente, recursos hídricos, meteorologia, defesa civil, pesca, energia, ciência e tecnologia.

Para Meiry Sakamoto, assessora técnica da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) além do planejamento em longo prazo para a convivência com o problema da seca, o encontro também deve orientar ações imediatas.

“Estamos vivenciando um ciclo severo de seca e ainda é prematuro falarmos em previsão para a estação chuvosa de 2014. Dessa forma, um evento como este tem grande relevância para que os governos, agentes públicos e sociedade civil compreendam a real situação do Nordeste para que seja traçado um planejamento de ações visando diminuir os impactos dessa estiagem e de um possível prolongamento dela”.

Seminário sobre Secas, Impactos e Respostas

Data: 28 a 30 de Outubro de 2013

Local: Auditório Waldyr Diogo, Fiec (Avenida Barão de Studart, 1980, Aldeota – Fortaleza – CE)

Organização: Governo do Estado do Ceará, CGEE

Apoio: Ministério da Integração Nacional, Federação das Indústrias do Estado do Ceará, Banco do Nordeste do Brasil, Banco Mundial

28/10/2013 – Primeiro Dia

A SECA E SEUS IMPACTOS

Horário

Programação

9h-9h30

Boas Vindas

Domingos Filho – vice-governador do Estado do Ceará

Roberto Macêdo – presidente da Fiec

Antonio Rocha Magalhães – assessor do CGEE

Luiz Gonzaga Paes Landim – superintendente da Sudene

Nelson Martins – secretário do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará

9h30-10h30

Palestras Magnas

Em Direção a Uma Política Nacional sobre Secas

Francisco Teixeira – ministro da Integração Nacional

Secas e Água no Nordeste

Paulo Varella – Diretor de Gestão da ANA

10h30-11h

Uma Viagem pelo Sertão – março de 2013”

Presidente da Mesa: Domingos Filho – vice-Governador do Estado do Ceará

Apresentação:

Antonio Rocha Magalhães (CGEE)

Eduardo Martins (Funceme)

11h-11h30

Intervalo para Café

11h30-12h

Sistema de Informação sobre Secas: Rumo a um Monitor de Secas para o Nordeste do Brasil

Presidente da Mesa: ministro Francisco Teixeira (MI)

Apresentação:

Erwin de Nys (Banco Mundial)

Maria Assunção Faus da Silva Dias (IAG/USP)

Eduardo Martins (Funceme)

12h-12h30

A Seca de 2012-2013: Monitoramento e Previsão

Presidente da Mesa: Paulo Varella (ANA)

Apresentação:

Antonio Divino Moura (INMET)

Gustavo Luedemann (MCTI)

Eduardo Martins (Funceme)

12h30-14h

Intervalo para Almoço

14h-14h45

Impactos da Seca de 2012-2013 no Nordeste

Presidente da Mesa: Wellington Damasceno (Etene/BNB)

Apresentação:

Luciano Ximenes (Etene/BNB)

Comentários: Flávio Ataliba (Ipece)

14h45-16h15

Painel 1 – Impactos Econômicos, Sociais e Ambientais da Seca nos Estados

Presidente da Mesa: José Mauro Couto (MI)

Painelistas: Representantes dos Estados do Ceará, Pernambuco, Piauí, Bahia, Paraíba

16h15-16h45

Intervalo para Café

16h45-18h15

Painel 2 – Impactos Econômicos, Sociais e Ambientais daSeca nos Estados

Presidente da Mesa: Nelson Martins (SDA)

Painelistas: Representantes dos Estados do Rio Grande do Norte, Sergipe, Alagoas, Minas Gerais, Maranhão

18h15-18h45

Discussão

29/10/2013 – Segundo Dia

AS RESPOSTAS GOVERNAMENTAIS E SOCIAIS

Horário

Programação

09h-10h

O Sistema Nacional de Defesa Civil e a Força Tarefa do Governo Federal: Enfrentamento da Seca de 2012-2013

Presidente da Mesa: General Adriano Pereira (SNDC) a confirmar

Apresentação: Elcio Barbosa (Cenad/SNDC)

Discussão

10h-11h

Painel 3: Defesa Civil nos Estados

Presidente da Mesa: Coronel Hélcio Costalima (Defesa Civil do Estado do Ceará)

Participantes: Estados

11h-11h30

Intervalo para Café

11h30-12h

Legislação sobre Secas no Brasil

Presidente da Mesa: Paulo Varella (ANA)

Apresentação:

Sheila Pitombeira (Ministério Público do Estado do Ceará)

12h-12h30

Discussão

12h30-14h

Intervalo para Almoço

14h-15h

Painel 4 – A Questão da Água e as Secas: Impactos e Respostas

Presidente: Cesar Pinheiro (SRH)

Joaquim Gondim (ANA)

Representante (Dnocs)

Renys Frota (Cogerh)

André Facó (Cagece)

Marcelo Asfora (Apac)

15h-15h50

Painel 5 – Mecanismos de Proteção Social: Crédito Rural, Seguro Safra, Bolsa Estiagem, Bolsa Família

Presidente da Mesa: Eudoro Santana (Iplan/Fortaleza)

Painelistas:

Luis Sérgio Farias Machado (BNB)

Francisco Sombra (MDA)

Expedito José do Nascimento (Aprece)

15h50-16h10

Intervalo para Café

16h10-16h50

A Questão da Alimentação Animal

Presidente: Antonio Rodrigues Amorim (SDA)

Apresentação: Francisco Agenor Pereira (Conab)

Comentário: Estados

16h50-17h30

Painel 6: Ciência, Tecnologia e Inovação para a Convivência com as Secas

Presidente da Mesa:Renê Barreira (Secitece)

Evandro Vasconcelos Holanda Júnior (Embrapa Caprinos e Ovinos)

João Ambrósio (UVA)

Ricardo Marques (SRH)

17h30-18h10

Experiência do Setor Privado e Sociedade Civil

Presidente: Carlos Prado (Fiec)

Participantes:

Flávio Saboya (Faec)

Luis Carlos Ribeiro de Lima (Fetraece)

Leonildo Peixoto (Instituto Agropolos)

 

30/10/2013 – Terceiro Dia

PLANEJAMENTO E POLÍTICAS SOBRE SECAS

Horário

Programação

09h-10h

Políticas, Planos e Instituições sobre Secas

Presidente: Antonio Rocha Magalhães (CGEE)

Apresentação: José Machado (MI)

Comentários: Otamar de Carvalho (Consultor MI); José Mauro Couto (MI); Sudene

Discussão

10h-10h40

Iniciativas Municipais e Planos Estratégicos

Presidente: Domingos Filho (Vice Governador do Estado do Ceará)

Apresentação: Francisco de Assis de Souza Filho (UFC)

10h40-11h

Intervalo para Café

11h-11h40

Estudos de Casos: Milhã, Piranhas-Açu e Pirapama

Presidente da Mesa: Francisco de Assis de Souza Filho (UFC)

Apresentação: Equipe Banco Mundial

11h40-12h20

Políticas Nacionais de Secas: Um Estudo Comparativo de Cinco Países (EEUU, Austrália, México, Espanha e Brasil)

Presidente da Mesa: Marcelo Ásfora (Apac)

Apresentação: Erwin de Nys e Nathan Engle (Banco Mundial)

12h20-13h

Sistemas Nacionais de Informação sobre Secas

Presidente da Mesa: Luiz Gonzaga Paes Landim (Sudene)

Apresentação: Maria Assunção Faus da Silva Dias (IAG/USP)

13h-14h30

Intervalo para Almoço

14h30-15h30

Painel 7: Elementos para um Plano Nacional sobre Secas

Presidente da Mesa: Eduardo Martins (Funceme)

Painelistas: Representantes de Estados, MI, Banco Mundial (setores de Recursos Hídricos, Agricultura, Meio Ambiente e Defesa Civil)

15h30-16h30

Monitoramento e Previsão Climática

Presidente da Mesa: Hélio Camargo (Cemaden)

Apresentação:

Maria Assunção Faus da Silva Dias (IAG/USP)

José Aravéquia (CPTEC/Inpe)

Eduardo Martins (FUNCEME)

16h30-17h

Intervalo para Café

17h-18h

Implicações para as Políticas Públicas de Adaptação aos Impactos das Secas

Presidente: Antonio Rocha Magalhães (CGEE)

Participantes: Representantes do MI, Governo Ceará, BNB, WB

18h

Encerramento

Fonte: Funceme