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Tag: #COP21


22:30 · 22.04.2016 / atualizado às 23:32 · 23.04.2016 por

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O Dia da Terra – 22 de abril – foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar a responsabilidade coletiva de promover a harmonia com a natureza e alcançar um balanço entre economia, sociedade e meio ambiente.

Trata-se de uma oportunidade anual de reafirmar um compromisso coletivo num mundo ameaçado por mudanças climáticas, exploração insustentável dos recursos naturais e outros problemas causados pelo ser humano.

“Quando nós ameaçamos nosso planeta, minamos nossa própria casa – e a nossa sobrevivência no futuro”, já disse secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que completou, no ano passado: “não temos Plano B porque não temos Planeta B”.

Reafirmando tudo isso, até o momento, 175 países, dos 195 países-membros da ONU, assinaram o Acordo do Clima, em Nova York, numa segunda data histórica após a aprovação do documento, no dia 12 de dezembro de 2015, em Paris, encerrando a COP-21.

Uma coisa é certa: as Mudanças Climáticas estão em curso, tendem a degradar a nossa qualidade de vida e, se nada for feito, tudo será muito pior no futuro. Esse é um compromisso de nações, mas deve ser também do setor produtivo e de cada habitante do Planeta.

A grande questão é que, por se tratar de um problema global, é muito difícil convencer as pessoas / empresas / governos da importância do papel de cada um para reduzir os seus impactos sobre o equilíbrio planetário e, ao mesmo tempo, buscar mitigar os efeitos já em curso.

No caso do Brasil, além das metas de redução de desmatamento, investimento em energias / meios de transporte limpos, ainda há muito mais a ser feito. Depende de cada um de nós a qualidade de vida das gerações futuras. Porque o Planeta vem provando, há eras, que consegue sobreviver.

Maristela Crispim

Editora

12:05 · 02.03.2016 / atualizado às 12:40 · 02.03.2016 por

Entrevista_LaurentBili

O embaixador da França no Brasil, Laurent Bili, esteve em Fortaleza, na semana passada, onde concedeu entrevista exclusiva à página de Gestão Ambiental do Diário do Nordeste. Ele veio para participar da II Jornada sobre Cidades e Mudanças Climáticas, e se reuniu com o governador Camilo Santana; o prefeito Roberto Cláudio; e o reitor da UFC, professor Henry de Holanda Campos.

Acompanharam o embaixador na viagem, o diretor da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) no Brasil, Laurent Duriez; o cônsul-geral da França, em Recife, Bruno Bissonda; e a conselheira para Desenvolvimento Sustentável da Embaixada, Françoise Méteyer-Zaldine. Na agenda, o papel diplomático de levar Acordo de Paris, resultado da COP21, aos agentes locais, e viabilizar apoio lateral às cidades da região, sobretudo em Desenvolvimento Sustentável.

Confira a entrevista clicando aqui

08:00 · 19.02.2016 / atualizado às 12:28 · 19.02.2016 por

II Jornada sobre Cidades e Mudanças Climáticas

A II Jornada sobre Cidades e Mudanças Climáticas, primeiro evento nacional após a  21ª Conferência das Partes (COP21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) ,  em Paris, será realizada em Fortaleza, nos dias 24 e 25 de fevereiro. A Prefeitura de Fortaleza, em parceria com o Iclei, associação mundial de governos locais dedicados ao desenvolvimento sustentável, promoverá o evento, no Centro de Eventos do Ceará.

O objetivo é buscar, a partir do Acordo de Paris, meios para aprofundar as discussões sobre o papel das cidades no enfrentamento às mudanças climáticas no Brasil, boas práticas, iniciativas e ferramentas regionais disponíveis para as cidades brasileiras e o caminho a ser trilhado para que as variáveis climáticas sejam incorporadas ao desenvolvimento urbano no País com ambição e escala.

“O Acordo de Paris instaurou um novo marco institucional para o enfrentamento das mudanças climáticas no qual governos municipais e estaduais são reconhecidos como atores essenciais para implementação de ações transformadoras no ambiente urbano”, lembra Pedro Roberto Jacobi, presidente do Secretariado para América do Sul do Iclei – Governos Locais pela Sustentabilidade.

“É uma grande satisfação receber um evento que discutirá experiências e casos que envolvem políticas públicas voltadas ao clima e às cidades. O prefeito Roberto Cláudio vem implementando, em Fortaleza, ações que dialogam diretamente com a questão climática, a exemplo do lançamento da Política de Desenvolvimento de Baixo Carbono, do investimento em modais não poluentes, como as bicicletas compartilhadas, do Plano de Arborização e da ampliação de áreas verdes com a criação de novos parques urbanos”, enfatiza Águeda Muniz, secretária de Urbanismo e Meio Ambiente de Fortaleza.

Durante o evento, será encerrado o projeto Urban LEDS, um programa de quatro anos, financiado pela União Europeia e desenvolvido pelo Iclei e ONU Habitat, em 37 cidades do Brasil, Índia, Indonésia e África do Sul para demonstrar estratégias de desenvolvimento urbano inclusivo de baixa emissão de carbono em condições de crescimento e transição acelerados.

A Embaixada Britânica, por meio dos recursos do Prosperity Fund, também apoia a realização do evento. Desde 2010 trabalhando em parceria com o Iclei em projetos relacionados à agenda climática e de infraestrutura de cidades, o fundo viabilizará a participação de especialistas britânicos para compartilharem experiências com cidades brasileiras.

A II Jornada sobre Cidades e Mudanças Climáticas contará, entre palestrantes, debatedores e plateia, com a participação de prefeitos do Brasil, além de representantes de governos estaduais, do governo federal e de cidades de outros países da América do Sul.

Também estão previstos representantes de instituições ligadas ao tema, como Abema, AFD, Anama, Avina, BID, CB27, CAF, Future Cities Catapult, CDP, Cebds, Fonari, FNP, Fundação Grupo Boticário, Fundação Konrad Adenauer, GIZ, ITDP, LEDS LAC, MercoCiudades, ONU Habitat, Sasa, SOS Mata Atlântica, WRI e WWF, entre outras.

CB27

Além da Jornada, Fortaleza também receberá, pela primeira vez, o CB27, reunião com todos os secretários de meio ambiente do Brasil. O encontro é uma troca de experiências quanto a projetos e ações desenvolvidos nas cidades do País. Na ocasião, a titular da Seuma apresentará a Política Ambiental de Fortaleza e o Programa Fortaleza Cidades Sustentável.

Iclei

Principal associação mundial de governos locais dedicados ao desenvolvimento sustentável, o Iclei promove ação local para a sustentabilidade global e apoia cidades a se tornarem sustentáveis, resilientes, eficientes no uso de recursos, biodiversas, de baixo de carbono; a construírem infraestrutura inteligente e a desenvolverem uma economia urbana verde e inclusiva com o objetivo final de alcançar comunidades felizes e saudáveis.

Este movimento global congrega mais de 1.000 estados, metrópoles e cidades de pequeno e médio porte, em 86 países. Seu Secretariado para América do Sul (Iclei SAMS) apoia uma rede de mais de 40 cidades sul-americanas que representam mais de 100 milhões de habitantes em oito países, tais como Quito, Curitiba, Manaus, Ñuñoa, São José dos Campos, e Bogotá.

Mis informações, programação e inscrições, clique aqui

20:22 · 12.12.2015 / atualizado às 20:22 · 12.12.2015 por

Foi adotado por consenso, neste sábado (12), em Paris, um novo acordo global que busca combater os efeitos das mudanças climáticas, bem como reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE).

O documento, chamado Acordo de Paris, foi ratificado pelas 195 partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e pela União Europeia, durante a 21ª Conferência das Partes (COP21). Um dos objetivos é manter o aquecimento global “muito abaixo de 2ºC”, buscando ainda “esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 ° C acima dos níveis pré-industriais”. O Acordo de Paris sinaliza o consenso, inédito, de que não podemos continuar usando combustíveis fósseis e desmatando indefinidamente.

O texto final determina, no que diz respeito ao financiamento climático, que os países desenvolvidos deverão investir 100 bilhões de dólares por ano em medidas de combate à mudança do clima e adaptação em países em desenvolvimento.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que o Acordo de Paris marca um momento decisivo de transformação para reduzir os riscos da mudança climática. “Pela primeira vez, cada país do mundo se compromete a reduzir as emissões, fortalecer a resiliência e se unir em uma causa comum para combater a mudança do clima. O que já foi impensável se tornou um caminho sem volta”, disse Ban.

“O Acordo de Paris prepara o terreno para o progresso na erradicação da pobreza, no fortalecimento da paz e na garantia de uma vida de dignidade e oportunidade para todos”, acrescentou o chefe da ONU.

Papel Brasileiro

Comunicado oficial expedido pela Presidência da República, no começo da noite, destacou que  “o Acordo é justo e ambicioso, fortalecendo o regime multilateral e atendendo aos legítimos anseios da comunidade internacional”. O texto, assinado pela presidente Dilma Rousseff, afirmou, ainda que “os países desenvolvidos deverão prover recursos financeiros para as ações nos países em desenvolvimento” e que “0 Acordo de Paris fomenta, também, a possibilidade de apoio voluntário entre países em desenvolvimento, o que permitirá que o Brasil continue a promover a cooperação sul-sul”.

Em nota, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura destacou que, “o acordo reconhece como parte decisiva o papel da sociedade civil e do setor privado na implementação das ações de mitigação e de adaptação para o sucesso do acordo”. E que “reconhece o papel construtivo e decisivo da delegação brasileira para a elaboração desse marco histórico”.

“Esperamos, também, que o protagonismo da delegação brasileira na COP21 se traduza em uma forte atuação do governo em âmbito nacional para liderar a implementação dos compromissos assumidos pelo Brasil em sua INDC, o que contará com o apoio entusiasmo da Coalizão”, afirmou.

Destaca, ainda, que acredita que o Acordo de Paris cria um ambiente fértil para a implementação das inúmeras propostas da suas para promover uma economia florestal e agrícola competitiva, inclusive e de baixo carbono, em benefício do Brasil e do mundo. Cria um novo mecanismo de mercado, que toma como base experiência existente, e dá base para a continuidade e o incremento das atividades de Reduções de Emissões Provenientes de Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+).

Também para a Coalizão do Clima, o Brasil teve papel de destaque na conferência mais uma vez, ajudando a construir consensos como tem feito desde a conferência de Durban, em 2011, quando surgiu o embrião do Acordo de Paris.

Ressalta, por fim, que o desafio que se coloca ao País agora é o da implementação. Se quiser fazer valer o compromisso com 1,5oC, o país terá de reajustar sua Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas (INDC). Terá de entender que a exploração do pré-sal e o desmatamento, seja ele legal ou ilegal, são incompatíveis com essa meta.

“O Brasil vem desempenhando um papel fundamental em COPs climáticas e nesta não foi diferente. Ter sido um dos dois únicos países a apresentar meta absoluta para 2025 (o outro foi EUA) e ter trabalhado, nesta reta final, em prol de 1.5° C foram grandes contribuições para o sucesso de Paris”, afirmou Carlos Nomoto, secretário-geral do WWF-Brasil.

Fim que é começo

Conforme a Coalizão do Clima, o acordo foi inteiro construído sobre compromissos voluntários em corte de emissões e financiamento, que os países são apenas convidados a apresentar e que implementam conforme permitirem as circunstâncias. “A meta de descarbonização até o meio do século e a data do pico de emissões foram perdidas, e não há indicação de compromissos de finanças no longo prazo. Tudo dependerá da manutenção do espírito de engajamento que tornou a COP21 possível”, destacou.

“A conferência de Paris chega a um final que é somente o começo. O começo de um processo que leva os países a se reunirem em 2018 para começar a revisão das metas que devem ser apresentadas em 2020 que vigorarão até 2030. Estas metas têm que garantir que não aumentemos a temperatura mundial acima de 1,5. A luta por um futuro de segurança climática só começa aqui, precisamos ainda de financiamento climático adicional e acima de tudo fazer o dever de casa”, destacou André Nahur, coordenador do Programa Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Brasil.

Já para Tasneem Essop, chefe da delegação do WWF para as negociações climáticas da ONU, “O Acordo de Paris é um marco importante. Fizemos progressos aqui, mas o trabalho não está terminado. Temos de trabalhar quando voltarmos para casa, para fortalecer as ações nacionais lançadas por este acordo. Precisamos garantir, de forma mais rápida, novos esforços de cooperação dos governos, cidades, empresas e cidadãos para fazer cortes mais profundos nas emissões; mais recursos para transição energética em economias em desenvolvimento e proteção das populações mais pobres e vulneráveis. Os países devem voltar no próximo ano com o objetivo de implementar rapidamente e aplicar os compromissos assumidos aqui”, ponderou.

Protesto vermelho

“Ao meio-dia de hoje (hora de Paris), mais de dez mil pessoas tomaram a Avenida da Grand Armée, em Paris, para desenrolar longas faixas vermelhas em tributo às vítimas dos desastres climáticos, para e mostrar seu comprometimento em manter a luta por justiça climática”, destacou Bill McKibben, cofundador da 350.org.

“Todos os governos parecem agora reconhecer que a era dos combustíveis fósseis precisa acabar, e logo. Mas o poder da indústria dos combustíveis fósseis está refletido no texto, que prolonga a transição de tal forma que danos climáticos sem fim serão cometidos. Já que a velocidade é uma questão crucial agora, nós ativistas precisamos redobrar nossos esforços para enfraquecer essa indústria. O texto não salvou o Planeta, mas pode ter salvo a chance de salvar o Planeta”, afirmou.

May Boeve, diretora executiva da 350.org, disse que “isso marca o fim da era dos combustíveis fósseis. Não há nenhuma forma de atingir as metas colocadas nesse acordo a não ser manter o carvão, o petróleo e o gás sob o solo. O texto deve mandar uma mensagem clara para os investidores em combustíveis fósseis: desinvistam já”.

Ela ressaltou, ainda, que o trabalho agora é fazer com que os países mantenham sua palavra e acelerem a transição para 100% de energia renovável. “Mais de dez mil de nós foram para as ruas de Paris hoje para mostrar nosso comprometimento em manter a luta pela justiça climática, enquanto mais gente ainda protestava em outros lugares do mundo. Nossa mensagem é simples: um clima em que seja possível viver é a linha vermelha que estamos preparados para defender”, afirmou.

Lacunas sérias

“O texto final do acordo ainda tem lacunas muito sérias. Estamos muito preocupados com a exclusão dos direitos dos povos indígenas, a falta de financiamento para perdas e danos e, ainda que o texto reconheça a importância de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C, os compromissos atualmente assumidos pelos países ainda nos levariam a um aquecimento de mais de 3°C. Essas são linhas vermelhas que não podemos ultrapassar. Depois de Paris, vamos redobrar nossos esforços para trazer as soluções reais que a ciência e a justiça exigem”, concluiu.

Acesse o Acordo do Clima na Íntegra.

(Com informações da ONU Brasil, Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, 350.org, WWW-Brasil e Presidência da República)
08:00 · 03.12.2015 / atualizado às 08:15 · 03.12.2015 por
Ativistas da campanha de desinvestimento dos combustíveis fósseis comemoram a quebra um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento Foto: Emma Cassidy / Survival Media Agency
Ativistas  comemoram a quebra um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento em combustíveis fósseis nesta quarta-feira Foto: Emma Cassidy / Survival Media Agency

Na segunda-feira (30), começou, em Paris, a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), mais conhecida como COP21. Nela, 150 dos 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) pretendem chegar a um acordo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), tentando limitar em 2ºC o aquecimento da atmosfera até 2100 em comparação aos níveis pré-industriais.

Nesse primeiro dia, os chefes de Estado e de governo expressaram os seus anseios e preocupações em relação aos objetivos comuns e individuais. Dilma Rousseff, por exemplo, uniu-se a outros chefes de Estado para pedir que o acordo da COP21 seja legalmente vinculante, num claro recado aos Estados Unidos e à Índia, que enfrentam seus próprios desafios para cumprir as ousadas metas necessárias. Essa posição,em particular, agradou representantes da sociedade que acompanham a Conferência de perto.

Para a surpresa geral, no dia seguinte, ainda em Paris, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mencionou, pela primeira vez, que deseja ver um acordo legalmente vinculante, declaração que sinaliza uma mudança de discurso. A promessa dos EUA é cortar até 28% de suas emissões até 2025, com relação ao que o país emitia em 2005.

A partir do segundo dia, quando saíram os líderes e ficaram os seus negociadores, a delegação brasileira passou a cobrar o comprometimento internacional com o novo acordo. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu que a diferenciação entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento seja contemplada no novo acordo.

A ministra garantiu que o País alcançará, até 2020, a meta estabelecida anteriormente de reduzir entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas de GEE. Para o futuro acordo que está sendo negociado em Paris, o Brasil apresentou um objetivo ainda mais robusto e se comprometeu a cortar 37% das emissões até 2025 e 43%, até 2030. Ambos os percentuais são comparados aos níveis de 2005.

Campeão em energia limpa

No evento “Diálogos do Brasil na COP21 – Rumo à Implementação da INDC Brasileira”, paralelo à Conferência, realizado na Embaixada do Brasil em Paris, gestores públicos e pesquisadores apontaram a renovação da matriz energética como uma das principais medidas para que o País atinja a meta de corte de emissões apresentada à ONU.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), as fontes renováveis correspondem, hoje, a 78% da geração de energia do Brasil. O dado supera em mais de três vezes a média mundial, com apenas 20,3% de fontes renováveis e mais de 40% provenientes do carvão. “O Brasil já faz a diferença e pode fazer mais a partir de uma perspectiva de inovação tecnológica”, declarou a ministra Izabella.

Liderado pelo pesquisador Emílio Lèbre La Rovere, o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia / Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), o estudo analisou as implicações das ações brasileiras voltadas para o corte de emissões de carbono. “Com a adoção das políticas adequadas, a INDC (meta nacional) do Brasil pode contribuir para o crescimento econômico sustentável, o desenvolvimento social e a redução de emissões’, afirmou o pesquisador.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou o desafio brasileiro de implantar a meta nacional de corte de emissões e, ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico. “O país tem um enorme potencial em termos de bioenergia e deve investir nisso”, defendeu. “O planejamento de ações é a chave para que o país continue nessa posição de liderança”, acrescentou o diretor-geral do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Eletrobras Cepel), Albert Melo.

Desinvestimento em combustíveis fósseis

A campanha de desinvestimento dos combustíveis fósseis quebrou um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento, de acordo com a 350.org e a Divest-Invest, duas organizações que estão coordenando este movimento.

Os novos números são mais um salto impressionante. Mas, os ativistas ressaltam que alguns compromissos são apenas parciais e a cifra de US$ 3,4 trilhões represente o valor total dos ativos geridos pelas instituições que aderiram ao movimento e não a quantidade de dinheiro desinvestido, que é difícil de controlar devido aos diferentes graus de disclosure dessas organizações.

O anúncio desta quarta-feira (2) é outro sinal, nos primeiros dias da Cúpula do Clima de Paris, de que os investidores estão prestando atenção às negociações e deslocando drasticamente o capital dos combustíveis fósseis para energias limpas e renováveis.

Na segunda-feira, Bill Gates e um grupo de investidores anunciou o lançamento de uma multi-milionária coalizão do setor privado para acelerar a inovação em energias limpas. Outras vozes, incluindo muitos dos países mais vulneráveis do mundo, estão exigindo que o acordo de Paris envie um sinal claro de que a era dos combustíveis fósseis chegou ao fim e o início das energias renováveis é irreversível.

Impacto na saúde dos brasileiros

Em parceria com o Secretariado da UNFCCC e vários parceiros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalhou com o Ministério da Saúde do Brasil para elaborar o perfil do País, que apresenta evidências na correlação entre aquecimento global e saúde. “A melhor defesa é a mesma que nos protegerá de surtos de doenças infecciosas e da crescente carga de doenças não transmissíveis: sistemas de saúde fortes, flexíveis e resilientes”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Segundo o “Perfil de País Climático e de Saúde 2015 da OMS”, divulgado na segunda-feira (30), a menos que consideráveis medidas protetoras sejam tomadas, inundações causadas pelo aumento do nível do mar poderão afetar mais de 618 mil brasileiros todos os anos durante o período de 2070 a 2100. Estima-se que mortes associadas ao aumento da temperatura em idosos (acima de 65 anos) crescerão para quase 72 por 100 mil habitantes em 2080, comparado com 1 por 100 mil ao ano, de 1961 a 1990.

Fique por dentro

Apesar de ser considerado natural, o efeito estufa tem aumentado nas últimas décadas e gerado as mudanças no clima. Essas alterações são fruto do aumento das emissões de gases como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4). Atividades humanas, como o transporte, o desmatamento, a agricultura, a pecuária e a geração e o consumo de energia, contribuem para isso.

Com o objetivo de conter os prejuízos, foi criada a Convenção sobre Mudanças do Clima das Nações Unidas (UNFCCC), que conta, hoje, com 195 países signatários. Todos os anos, representantes dessas nações reúnem-se na Conferência das Partes (COP) para elaborar metas e propostas de mitigação e adaptação e para acompanhar as ações e acordos estabelecidos anteriormente.

Firmado em 1997, no âmbito da UNFCCC, o Protocolo de Kyoto obriga os países desenvolvidos a diminuir em 5% as emissões com base nos dados de 1990. Mesmo estando fora desse grupo, o Brasil assinou voluntariamente o documento e definiu metas próprias de redução. O Protocolo vigora até 2020, quando será substituído pelo acordo que os 195 países pretendem assinar no fim deste ano, na COP21, em Paris.

Com informações de: MMA / Observatório do Clima / 350.org / Nações Unidas no Brasil

17:42 · 06.11.2015 / atualizado às 18:03 · 07.11.2015 por

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Brasília. Os ministros Laurent Fabius (Relações Exteriores e Desenvolvimento Internacional e presidente da COP21), Ségolène Royal (Ecologia, Desenvolvimento Sustentável e Energia) e Michel Sapin (Finanças e Contas Públicas) comemoraram, hoje, a aprovação de oito projetos pelo Fundo Verde para o Clima, principal instrumento multilateral de ajuda aos países pobres e vulneráveis em matéria de clima.

Com um orçamento de US$ 10,2 bilhões, o Fundo Verde tem como objetivo financiar a luta contra as mudanças climáticas nos países em desenvolvimento.

Menos de um ano após sua constituição, a adoção desses oito primeiros projetos – que viabilizarão ações destinadas à redução do gás de efeito estufa (GEE) e à proteção das populações dos países mais vulneráveis diante do impacto das alterações climáticas – representa uma nova etapa em direção à 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21).

Foram alocados US$ 168 milhões para a realização de dois projetos na África, três na Ásia e no Pacífico e três na América Latina e no Caribe. Ao todo, mais de 30 projetos estão sendo avaliados e serão apresentados ao longo de 2016.

A França, que contribui com US$ 1 bilhão para o Fundo Verde para o Clima, celebra esse forte gesto. A questão dos financiamentos, especialmente no que se refere à adaptação dos países mais vulneráveis às mudanças climáticas, estará no cerne da COP21.

Encontre a lista dos projetos aprovados em www.greenclimate.fund

Fonte: Embaixada da França no Brasil

16:12 · 22.04.2015 / atualizado às 16:21 · 22.04.2015 por

 

Um dos efeitos esperados com o Aquecimento Global é o aumento de eventos extremos, como as secas Foto: Fabiane de Paula / Agência Diário
Um dos efeitos esperados com o Aquecimento Global é o aumento de eventos extremos, como as secas Foto: Fabiane de Paula / Agência Diário

Hoje – 22 de abril – é o Dia da Terra, criado pelo senador norte-americano Gaylord Nelson, em 1970, com a finalidade de desenvolver uma consciência comum aos problemas da contaminação, conservação da biodiversidade e outras preocupações ambientais para proteger o nosso Planeta.

Só que, 45 anos depois, a luta em buscar dessa consciência permanece e, já há alguns anos, não se restringe ao cidadão e atinge o nível das nações. Em dezembro deste ano, 195 nações se reúnem em Paris, na 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP21), para chegar a um acordo sobre como reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) e, assim, conter o processo crescente de aquecimento global e suas consequências climáticas.

O nosso país, por exemplo, perdeu o primeiro prazo sugerido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para entregar a chamada Contribuição Nacionalmente Determinada Pretendida (INDC) para redução de emissões de GEE. A data prevista para o envio era 31 de março. Até o momento, apenas Suíça, União Europeia, Letônia, Noruega, México, Estados Unidos, Gabão e Rússia enviaram.

O Brasil e as demais nações que não cumpriram o primeiro prazo têm até 1º de outubro para entregar suas metas, que servirão de base para as negociações que irão compor o novo acordo global de clima que substituirá o Protocolo de Kyoto. Esse acordo, que havia encerrado em 2012 e depois foi estendido até 2020, definiu metas de redução da emissão de GEEs para países desenvolvidos (Anexo 1). Porém, o segundo período (2013-2020) de compromisso do protocolo não foi assinado por alguns países importantes como Estados Unidos, Japão, Rússia, Canadá e Nova Zelândia.

A expectativa da ONU e da comunidade científica internacional é de que essas nações passem a aderir ao novo acordo, que deverá ser definido na COP21. No entanto, para que o próximo protocolo integre o maior número possível de países e cumpra o seu principal desafio de evitar um aquecimento de mais de 2ºC na temperatura média do Planeta neste século em relação à era pré-industrial, serão necessárias diversas rodadas de negociação.

Por isso, a ONU sugeriu que as Partes (países que integram a Convenção do Clima) entregassem suas propostas até o fim de março, dando início às negociações meses antes do encontro oficial. Isso é necessário para analisar se as metas sugeridas pelos países estão adequadas e traduzir as propostas para as seis línguas oficiais do órgão (inglês, francês, espanhol, árabe, chinês e russo).

O Brasil já é o sétimo país em emissão de GEE, sendo responsável por 3% das emissões globais. A principal fonte de emissão ainda é o desmatamento, acompanhado de perto pelos setores de energia e agricultura.

Segundo dados divulgados em 2014 pelo Observatório do Clima, rede de ONGs que atuam na agenda climática nacional, as emissões brasileiras chegaram a 1,57 bilhão de t CO2 e (tonelada de gás carbônico equivalente) em 2013. Esse é o maior valor desde 2008 e 7,8% maior do que o registrado em 2012.

O perfil brasileiro de emissões de GEE tem se aproximado dos países mais industrializados, nos quais os setores de energia e indústria são os principais emissores. O Brasil aumentou a emissão nessas duas esferas, mas, por outro lado, não reduziu a mudança do uso da terra (desmatamento).

 

12:18 · 11.02.2015 / atualizado às 12:36 · 11.02.2015 por

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Por Maristela Crispim

O mundo enfrenta desafios comuns relacionados às mudanças climáticas. Espera-se da negociação marcada para 30 de novembro a 11 de dezembro, em Paris, a COP 21, a celebração de compromissos compartilhados visando a redução das emissões por meio da estruturação de políticas de desenvolvimento consistentes dos países.

Foi com este espírito que, em visita à cidade de Fortaleza, Laurent Duriez, diretor da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, destacando o interesse em investir no Nordeste.

Estabelecimento público de cooperação, a AFD luta há 70 anos contra a pobreza e para promover o desenvolvimento em 70 países, por meio de doações, empréstimos, fundos de garantia, financia projetos, programas e estudos e apoia os seus parceiros no fortalecimento de suas capacidades.

A Agência atua no desenvolvimento da França, executa e implementa operação bilateral para o desenvolvimento mundial. Tem 70 anos e trabalha em 70 países, historicamente na África e, mais recentemente, na América Latina e no Brasil, onde está há sete anos, para atuar nos desafios do desenvolvimento sustentável, em especial, a questão climática, por meio de projetos concretos com a cooperação entre atores franceses e brasileiros.

Banco de desenvolvimento

Duriez enfatiza que a AFD é agência, mas também é banco de desenvolvimento. “Em 2014 contratamos 8 bilhões de euros em projetos. No Brasil contratamos 1,7 bilhão de euros. Nossa prioridade é tudo que está relacionado ao desenvolvimento verde. Trabalhamos com os governos e o setor público”. Essa atuação se dá, entre outras, em áreas como mobilidade urbana (Curitiba e Rio de Janeiro); desenvolvimento inclusivo (Minas Gerais); eficiência energética (Rio Grande do Sul); e saneamento (Santa Catarina).

“Estamos aqui hoje porque queremos trabalhar mais com o Nordeste. Nesta cooperação entre a França e o Brasil, a região é muito relevante. Sabemos que existem oportunidades de desenvolvimento e que é preciso sair do triângulo Rio, São Paulo, Brasília para conhecer as prioridades dos governos, mas também dos atores econômicos na questão do desenvolvimento”, enfatiza.

Caravana do Clima

Falando sobre a Cúpula do Clima, Duriez destaca que o importante para a AFD, como banco de desenvolvimento, é mostrar que existem soluções concretas, que podem ser desenvolvidas, implementadas por diversos atores econômicos, governos, empresas, pessoas.

“A questão do clima só será resolvida se todos atuarem no mesmo sentido. Precisamos mostrar, por meio dos projetos que apoiamos, dos parceiros, nos 70 países que eu mencionei onde atuamos, que ações estão sendo desenvolvidas e resultados já existem”, ressalta.

Para levar isso ao público, ele adiantou a iniciativa de produzir, junto com a Embaixada da França, a Caravana do Clima, com a exposição itinerante “60 Soluções para o Clima”, do fotógrafo Yann-Arthus Bertrand, da ONG Good Planet e oportunidades de diálogo com diversos públicos, por meio das Alianças Francesas de todo Brasil.

Nordeste

Sobre o início da atuação no Ceará, Duriez diz que já está em fase de conversas com instituições: “Já tivemos contato com o Banco do Nordeste, que se mostrou interessado em trabalhar na área de resíduos sólidos. Também conversamos com o governo do Estado, sobre os desafios da seca e o gerenciamento dos recursos hídricos existentes, prioridade da AFD em termos de redução das perdas, que pode ser conseguida melhorando as redes de abastecimento, mas também melhorando o gerenciamento, o desempenho das distribuidoras. Enfim, estamos abertos a parcerias no Nordeste”.