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7º Congresso Gife desbrava as novas fronteiras do investimento social

Publicado em 04/04/2012 - 9:34 por | Comentar

No 7º Congresso Gife, o economista francês Ignacy Sachs falou sobre as perspectivas do Desenvolvimento Sustentável Foto: Divulgação

Mais de mil lideranças de governos, sociedade civil organizada, academia e investidores sociais, 115 palestrantes e 60 mesas, paralelas e oficiais, marcaram o 7º Congresso Gife, realizado entre os dias 26 e 30 de março, no Sheraton, em São Paulo. A interatividade das atividades foi o grande destaque desta edição do maior encontro sobre investimento social do Brasil.

Gife significa Grupo de Instituições, Fundações e Empresas, uma rede sem fins lucrativos que reúne organizações de origem empresarial, familiar, independente e comunitária que investem em projetos com fins públicos.

A plenária de abertura em formato de arena, que contou com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ministro Gilberto Carvalho, e o espaço Open Space, deram a oportunidade dos convidados participarem do debate. No “espaço aberto” os participantes puderam construir a agenda do encontro liderando pequenos grupos de discussão.

Entre as discussões  levantadas pelo Congresso, o economista francês de origem polonesa Ignacy Sachs – que se diplomou no Brasil e se doutorou na Índia e participou de todas as conferências sobre desenvolvimento sustentável desde Estocolmo, em 1972 – destacou suas propostas para a Rio + 20, que incluem a contrução de um fundo de desenvolvimento ambiental socialmente includente e ambientalmente sustentável e uma cooperação técnico-científica internacional entre biomas semelhantes. A entrevista completa com Ignacy Sachs está disponível em: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1122893

Sob o tema “Novas fronteiras do Investimento Social”, o Congresso mostrou a necessidade crescente de uma interlocução mais ampla com outros setores e experiências, articulando as dimensões de relacionamento e conhecimento. “Trata-se de uma nova etapa para o Gife, em que múltiplos olhares e demandas tencionam as práticas de investimento quanto ao seu planejamento, alcance, legitimidade, impacto, conteúdo e articulação com outros setores”, disse Denise Aguiar, presidente do Conselho de Governança do Gife.

Segunda ela, o tema proposto centraliza essa preocupação atual e reflete novos tópicos para os desafios futuros. “Exemplos disso são os movimentos para cidades sustentáveis, a Rio+20, o crescimento dos negócios sociais, investimentos na Amazônia e o legado social que esperamos que tragam os grandes eventos esportivos nos próximos anos”, completou ela.

Para encerrar as atividades do 7º Congresso, foi promovida uma plenária final, na tarde da sexta-feira (30 de março), com o objetivo de fomentar o diálogo entre três instituições distintas, mas que de forma vigorosa, fazem-se presentes na linha de apoio e intervenção dos processos privados voltados ao desenvolvimento social sustentável.

Na mesa, Fernando Rossetti, secretário-geral do Gife (investimento social), Paulo Itacarambi, vice-presidente executivo do Instituto Ethos (responsabilidade social de empresas), e Marina Grossi, presidente do Centro Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). Na mediação, Ana Toni, do conselho do Greenpeace Internacional e representante da Fundação Carlos Chagas.

O diálogo entre os representantes colocou em pauta uma estrutura conceitual esclarecedora que, na mesma medida, pontuou diferenças de abordagens e apontou possibilidades palpáveis de congruências e complementaridades. Após apresentação sobre cada entidade, os três representantes iniciaram um debate que salientou, mais do que divergências, a certeza de que organizações desta ordem – apesar de suas distintas abordagens – têm como se articular na criação de agendas ainda mais amplas para a promoção do desenvolvimento.

“Nenhum tipo de rivalidade aqui faz sentido. Sem dúvida o melhor que temos a fazer é promover ainda mais diálogos como este e trabalharmos cada vez mais de maneira articulada” apontou Marina Grossi. O desejo de mudança e transformação e as responsabilidades diante das novas perspectivas – trazidas por eventos como o Rio+20 – permearam as exposições das três entidades.

Investimento social no Brasil

O Congresso Gife é o principal encontro sobre investimento social do Brasil, realizado desde 2000 a cada dois anos. O evento reúne as principais lideranças de investidores sociais do País, além de dirigentes de organizações da sociedade civil, acadêmicos, consultores e representantes de governos, proporcionando um espaço para aprendizado, relacionamento e troca de experiências entre os diversos atores envolvidos em ações sociais, culturais e ambientais.

A escolha dos temas dos congressos sempre foi baseada na missão do Gife, “de aperfeiçoar e difundir conceitos e práticas do uso de recursos privados para o desenvolvimento do bem comum, contribuindo assim para a promoção do desenvolvimento sustentável do Brasil”, mas também no contexto tanto do País quanto do cenário do Investimento Social Privado (ISP), pois como um importante palco de discussões e reflexões, o congresso antecipa tendências e rumos dos investimentos.

A rede Gife facilita a presença constante de palestrantes e participantes internacionais, o que amplia ainda mais o intercâmbio de informações e referências entre práticas de ISP no País. A sétima edição do Congresso GIFE, em 2012, teve patrocínio master da Fundação Bradesco, Fundação Roberto Marinho e Fundação Vale.

Confira a cobertura completa do 7º Congresso Gife no site www.congressogife.org.br/2012/

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Empresários, reunidos em Manaus, firmam compromisso pelo desenvolvimento sustentável

Publicado em 26/03/2012 - 11:31 por | Comentar

No sábado (24 de março), último dia do 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade, realizado em Manaus, o Grupo de Líderes Empresariais (Lide) divulgou manifesto que enfatiza compromisso com as causas ambientais. João Doria Jr., presidente do Lide, leu a Carta do Amazonas, na qual é firmado o compromisso de mobilizar a sociedade brasileira pela aprovação de uma legislação nacional de pagamentos por serviços ambientais, reconhecendo este mecanismo como fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável.

Também outros dez itens são destacados, entre eles o estabelecimento de metas para a universalização do acesso à energia limpa até o ano de 2030 e o uso das respectivas cadeias de valor de grandes corporações para promover o comércio justo e o desenvolvimento sustentável na base da economia.

Presente no evento, a ativista social e ambiental, Bianca Jagger, abordou o tema “Desenvolvimento sustentável e direitos humanos”. Ela lembrou que a Amazônia é um tesouro extraordinário, o lar de várias espécies, do qual já perdemos 754 km2.

Virgílio Viana, superintendente geral do Fundação Amazonas Sustentável (FAS), lembrou que o desafio é parar o desmatamento. Viana apresentou informações sobre o Programa Bolsa Floresta que investe em programas de geração de renda que não seja desmatamento, e nem ilegal.

Almir Suruí, chefe do Povo Indígena Paiter Suruí (Rondônia), lembrou que a Amazônia possui 200 povos indígenas e outros 60 sem contato e conclamou os empresários para participar da criação de um modelo de desenvolvimento da Amazônia.

O Fórum, promovido pelo Lide e realizado pela XYZ Live, reuniu, durante três dias, cerca de 900 lideranças empresariais, políticas, pesquisadores e organizações socioambientais para dicutir “Economia Verde e Desenvolvimento Sustentável”.

CARTA DO AMAZONAS

Neste ano de 2012, em que a atenção do planeta está focada no Brasil devido à Rio+20, o LIDE firma o compromisso de mobilizar a sociedade brasileira pela aprovação de uma legislação nacional de pagamentos por serviços ambientais, reconhecendo este mecanismo como fundamental para garantir o desenvolvimento sustentável.

Destacamos também, através do FÓRUM MUNDIAL DE SUSTENTABILIDADE, outros temas que merecem especial atenção da sociedade brasileira e mundial. São eles:

1. A aprovação de um tratado internacional para implementar o REDD+ como mecanismo de preservação das florestas nativas.

2. Estabelecimento de metas para a universalização do acesso à energia limpa até o ano de 2030.

3. O apoio à maior cooperação Sul-Sul, na base de benefícios mútuos que não repitam os erros cometidos no passado.

4. A importância de repensar as estruturas atuais da ONU para aumentar a eficácia dos processos de governança internacional.

5. A formulação de um programa de governança dos oceanos, que permita a recuperação dos ecossistemas marinhos e estoques pesqueiros, através da criação de áreas marinhas protegidas em águas territoriais nacionais e internacionais.

6. O reconhecimento de que a atmosfera é um bem comum, compartilhado por todos, e cuja contaminação por gases do efeito estufa e outros poluentes precisa ser gradualmente eliminada, através de um cronograma mundial de metas firmes e compatíveis com a ciência.

7. O desenvolvimento de uma plataforma ambiental a nível municipal como prioridade, que explicite compromissos a serem assumidos por governantes locais, com especial atenção à universalização do saneamento básico, ao incentivo à construção sustentável e à promoção da educação ambiental e do consumo consciente.

8. A regulamentação e efetivo cumprimento do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, dando atenção à possibilidade de geração de empregos, através da valorização da cadeia de reciclagem do PET.

9. O uso das respectivas cadeias de valor de grandes corporações para promover o comércio justo e o desenvolvimento sustentável na base da economia.

10. A incorporação clara e explícita nas metas de desenvolvimento dos direitos de futuras gerações a um meio ambiente mais limpo e sadio.

Mais informações: www.lidebr.com.br

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Sustentável 2011 constrói documento que definirá as metas brasileiras para a sustentabilidade

Publicado em 29/09/2011 - 7:00 por | Comentar

 

O 4º Congresso Internacional sobre Desenvolvimento Sustentável (Sustentável 2011), que se encerra hoje, no Rio de Janeiro, promove, entre outras iniciativas, a “tropicalização” do documento Visão 2050, lançado no ano passado pelo Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD). O documento estabelece uma nova agenda para os negócios, que incorpora valores como a biodiversidade e o bem-estar das pessoas.

O Sustentável 2011, constrói uma agenda brasileira para a sustentabilidade (Visão 2050 Brasil), que será levada à presidenta Dilma Rousseff. O documento será apresentado na Conferência das Nações Unidas sobre Sustentabilidade (Rio+20), em 2012, pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), promotor do congresso. A agenda Visão 2050 Brasil objetiva fazer com que o País atinja metas de desenvolvimento sustentável em um prazo de 40 anos.

O presidente executivo do CEBDS, Marcos Bicudo, ressaltou que as crises econômicas ficaram mais curtas e mais próximas, o que gerou a criação de um novo paradigma no mundo, chamado economia verde. Na opinião de Bicudo, para que o Planeta não fique insustentável, as mudanças precisam ser feitas com senso de urgência.

O secretário geral assistente da Organização das Nações Unidas (ONU) e coordenador executivo para a Rio+20, Brice Lalonde, destacou a necessidade de serem encontradas lideranças brasileiras, aproveitando o momento histórico de mudança política em termos globais. Segundo ele, toda a sociedade deve se envolver na preocupação em relação ao futuro. “Não só o governo federal, mas os governos locais, as pessoas, as empresas”.

Um dos responsáveis pelo documento Visão 2050, Mohammad Zaidi, ex-presidente da Alcoa, disse que o Brasil pode exercer uma posição de liderança na construção de um mundo sustentável, em especial na questão de florestas e de energias renováveis.

Destacou que o cenário em que nove bilhões de pessoas vivam bem em 2050 requer melhorias importantes e colaboração global dos governos, das empresas, da sociedade em geral. Ele manifestou-se otimista no sentido de que o mundo vai encontrar as soluções para que isso ocorra. “Os desafios que a sociedade encara vão ser solucionados com solidariedade e cooperação global”.

Fonte: Alana Gandra/ Agência Brasil

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XI Encontro Verde das Américas em Brasília

Publicado em 07/09/2011 - 7:00 por | Comentar

Ao fim da primeira década do século XXI, a comunidade internacional se mobiliza por uma gestão economicamente justa e ecologicamente sustentável, que possa delinear um desenvolvimento socioambiental e econômico, pelas condições essenciais de vida no Planeta.

Neste sentido, Brasília sediará, nos dias 20, 21 e 22 de setembro próximos, o XI Encontro Verde das Américas, o Greenmeeting, reunindo importantes lideranças nacionais e internacionais sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, tanto governamentais, quanto não governamentais. Na ocasião será entregue o Prêmio Verde das Américas 2011.

O Encontro promete palestras e debates com autoridades, tecnólogos, diplomatas de vários continentes e apresentações de projetos em excelência, experiências bem sucedidas que permitam a sua aplicação em áreas com problemas similares.

Para participar é necessário credenciar-se no site do Encontro e aguardar a confirmação via e-mail. A participação é gratuita. Mediante freqüência os participantes recebem certificado de participação com carga horária.

Mais informações: www.greenmeeting.org

Inscrições: secretaria@greenmeeting.org

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Setor empresarial engajado na preparação da Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável

Publicado em 18/04/2011 - 10:31 por | Comentar

Herdeira das conferências da ONU que trataram sobre Ambiente Humano (72) e Meio Ambiente e Desenvolvimento (92), ambas lideradas pelo empresário canadense Maurice Strong, a Rio + 20 que será realizada no Brasil em junho de 2012, conduzida pelo diplomata chinês Sha Zukang, mobiliza vanguarda empresarial.

Por Roberto Villar Belmonte

Assim como ocorreu antes da Rio 92, diversos eventos serão realizados no Brasil nos próximos meses para discutir os temas propostos pela Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) que acontecerá no Rio de Janeiro (RJ) entre os dias 4 e 6 de junho de 2012.
As oportunidades de negócio da Economia Verde, assunto central da Rio + 20, mobilizam o setor empresarial. Entre 27 e 29 de setembro de 2011, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) promove no Rio de Janeiro (RJ) o 4º Congresso Internacional Sustentável.

Visão 2050: agenda para uma nova sociedade será o tema do encontro empresarial. O CEBDS pretende construir, em parceria com os participantes do Sustentável 2011 – ONGs, empresas, governo e academia –, a agenda brasileira da sustentabilidade utilizando a metodologia do relatório Visão 2050 lançado no final do ano passado.

Nas discussões do Comitê Preparatório da Rio + 20, o setor empresarial é representado na ONU por uma organização denominada Business Action for Sustainable Development, composta pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), pelo Global Compact e pelo International Chamber of Commerce (ICC).

Empresas ansiosas

“As últimas conferências de Biodiversidade e de Mudanças no Clima já apontaram a ansiedade de especialistas, empresas, acadêmicos e ONGs por ferramentas de medição de impacto e de dependência da economia em relação ao meio ambiente”, afirmou a presidente do CEBDS, Marina Grossi, à revista Brasil Sustentável (março/11).

- As empresas mais sérias e com visão de futuro também estão ansiosas, porque elas já entenderam que não podem prejudicar aquilo de que dependem para existir. Ignorar o valor econômico desses ativos nos prejudicou muito ao longo dos anos, mas é hora de mudar. E, quanto mais demorarmos, mais caro será.

Desde a Cúpula da Terra, destacou Marina Grossi, “a mudança mais impactante é o foco econômico que a discussão está ganhando, e isso pode ser representado pela presença das empresas nas discussões. Em 92, elas nem participavam dos debates. Hoje, todas as grandes empresas estão atentas às discussões sobre desenvolvimento sustentável e meio ambiente”.

Atualmente a participação das grandes empresas nas negociações da ONU realmente é maior e mais organizada, nisso tem razão a atual dirigente do CEBDS. No entanto, representantes do setor empresarial sempre estiveram presentes e exerceram um importante papel nas conferências ambientais das Nações Unidas.

Conselho de notáveis

Vale lembrar que o secretário geral das conferências da ONU sobre ambiente humano, realizada em Estocolmo em 1972, e sobre meio ambiente e desenvolvimento, a Rio 92, foi o empresário da indústria canadense de petróleo Maurice Strong, ex-executivo de diversas empresas, entre elas a Dome Petroleum e a PetroCanada.

Maurice Strong – o primeiro presidente do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP, na sigla em inglês) criado em 1972 – convidou em 1990 o empresário suíço Sthephan Schmidheiny para atuar como seu conselheiro em indústria e comércio no processo de elaboração da Agenda 21.

Schmidheiny convocou cerca de 50 líderes empresariais para dar conta da tarefa. Dois brasileiros participaram do Business Council for Sustainable Development, Eliezer Batista da Silva (pai de Eike Batista), que presidia a Rio Doce International S.A., e Erling Lorentzen, da Aracruz Celulose S.A., atual presidente de honra do CEBDS.

Acompanhei como repórter o lançamento do relatório feito pelos líderes empresariais, divulgado no Rio de Janeiro (RJ) dias antes do início da Cúpula da Terra. Mudando o Rumo – Uma Perspectiva Empresarial Global sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente foi publicado na época em português pela Editora da Fundação Getúlio Vargas.

“O progresso em direção ao desenvolvimento sustentável faz sentido como uma boa atividade empresarial, pois cria vantagens competitivas e novas oportunidades. Requer, todavia, mudanças de longo alcance nas atitudes das empresas e novas maneiras de fazer negócios”, dizia a declaração assinada em 1992 por 48 grandes empresários.

Produção mais limpa

A Agenda 21 – adotada durante a Rio 92 – identificou nove grupos principais que deveriam ser fortalecidos, um deles foi o “comércio e a indústria”, tratado no Capítulo 30, onde duas áreas de programas foram detalhadas: a promoção de uma produção mais limpa  e a promoção da responsabilidade empresarial.

Entre ambientalistas e empresários, predominava há 20 anos a desconfiança mútua. Quase nenhum diálogo havia. Uma boa descrição do modo como as empresas brasileiras encaravam as questões ambientais na época da Rio 92 está no livro O Bom Negócio da Sustentabilidade, de Fernando Almeida, ex-presidente do CEBDS:

- No universo empresarial, a dimensão ambiental era vista, na melhor das hipóteses, como um mal necessário. No máximo, submetiam-se aos controles estabelecidos pelo poder público. Com freqüência comandados por pessoas sem poder real na estrutura da organização, sistemas de controle da poluição raramente desfrutavam das mesmas atenções dispensadas aos sistemas de produção e de comercialização. Estações de tratamento de despejos industriais eram desligadas nos fins de semana, para economizar energia. Insumos indispensáveis a seu funcionamento deixavam de ser comprados, “por esquecimento”. As empresas mais pressionadas pela opinião pública buscavam tomar “banhos de verde”, recorrendo às pressas à ajuda de especialistas em marketing, na tentativa de mudar a imagem comprometida por décadas, às vezes séculos, de descaso ambiental. Faltava às empresas formular seu papel no mundo da sustentabilidade.

Um mundo onde todos ganhem

Esta postura reativa das empresas descrita por Fernando Almeida aumentava a desconfiança e a má vontade dos ambientalistas em relação à indústria. Aos poucos a produção mais limpa e a responsabilidade empresarial – recomendadas na Agenda 21 – foram sendo disseminadas e novos regramentos de mercado surgiram.

Duas entidades nascidas no final do século passado têm ajudado a disseminar as novas questões da sustentabilidade entre o empresariado que atua no País, o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (1997) e o Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social (1998).

Mas ainda há muito por fazer. Construindo um Mundo onde Todos Ganhem – A Vida depois da Guerra da Economia Global é o título de um livro famoso lançado há 15 anos por Hazel Henderson, mas poderia ser usado agora para explicar o desafio que o secretário geral da Rio + 20, o diplomata chinês Sha Zukang, tem pela frente.

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Código Florestal: será que é possível um consenso?

Publicado em 06/04/2011 - 12:58 por | Comentar

Vista aérea do Parque Ecológico do Rio Cocó, em Fortaleza Foto: Cid barbosa

Ontem, cerca de 15 mil produtores rurais de vários Estados brasileiros fizeram uma manifestação, em frente ao Congresso Nacional, para pressionar pela aprovação da reforma do Código Florestal, que tramita no Congresso Nacional. Representantes do agronegócio defendem o texto apresentado pelo relator da proposta, o deputado Aldo Rebello (PcdoB – SP).

Amanhã, Dia Mundial da Saúde, movimentos sociais e organizações ambientalistas realizam uma marcha, em Brasília, para lançar a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida e protestar contra o projeto do deputado Aldo Rebelo de alteração do Código Florestal.

Mais proteção ambiental e maior produção rural é o dilema que tem polarizado essa discussão. De um lado, estão os que defendem o aperto do cerco contra os desmatadores. De outro, estão os partidários do avanço do agronegócio. Teoricamente o desenvolvimento sustentável seria capaz de unir a ecologia, a economia e a sociedade. Fácil de falar, difícil de fazer.

Deixar os “achismos” de lado e priorizar o debate científico e tecnológico como base para a elaboração das alterações do Código Florestal Brasileiro foi um ponto comum na exposição dos convidados para debater o tema, ontem, na Comissão de Meio Ambiente do Senado. Entre eles, representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Associação Brasileira de Ciências (ABC) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

Enquanto isso, o governo Dilma – representado pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi – busca a construção de um consenso. Fica a torcida para que prevaleça o bom senso e um caminho realmente sustentável seja possível.

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Como inverter a equação do consumo

Publicado em 15/03/2011 - 13:44 por | Comentar

Hoje comemora-se o Dia do Consumidor. Nesta data, e em outras ocasiões, os direitos do consumidor sempre são o foco das atenções, como não poderiam deixar de ser, diante de tanta arbitrariedade que se comete por aí.

Mas hoje eu gostaria de propor uma reflexão diferente, que, felizmente, já vem ganhando algum espaço graças a ações como as do Instituto Akatu de Consumo Consciente: os deveres do consumidor.

Há alguns anos, a organização ambientalista WWF lançou uma forma interessante de medir o nosso impacto sobre a Terra ou, como eles denominaram, “pegada ecológica”, que calcula a porção do Planeta necessária para manter o nosso padrão de consumo, seja individual ou coletivo, com base em atitudes cotidianas, como o tipo de moradia e de transporte utilizados. O resultado pode ser um soco no estômago das pessoas mais sensíveis, que acreditam piamente viverem de uma forma sustentável.

Indo um pouco mais atrás, quando o debate sobre sustentabilidade foi iniciado, ainda que esta expressão ainda não existisse, o documento “Our Common Future” (Nosso Futuro Comum) ou, como é mais conhecido, Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, destacou o que o desenvolvimento sustentável depende de que o consumo atual preserve o direito à qualidade de vida das gerações vindouras.

O fato é que consumir de forma sustentável não é apenas uma tendência ou moda passageira, mas uma necessidade crucial para a qual a maioria de nós ainda não atentou.

Hoje, em entrevista ao Bom Dia Ceará, na TV Verdes Mares, o arquiteto Fausto Nilo afirmou que a solução para o trânsito caótico está na redução das viagens, sendo necessária, para isso, a descentralização das cidades.

É isso! O caminho não é tão inatingível! Como ele disse, alargar ruas e construir viadutos só vai aumentar o número de carros e, com isso, diminuir a qualidade de vida das pessoas, ao contrário do que um raciocínio raso pode propor.

Cabe a cada um de nós uma reflexão sobre como vivemos e em que podemos melhorar para garantir que nossos netos e bisnetos tenham a oportunidade de terem as suas necessidades mais básicas atendidas, aí incluído o ar puro para respirar e a água potável para beber.

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Mundo se agita para Conferência

Publicado em 14/03/2011 - 16:47 por | Comentar

A cidade do Rio de Janeiro será a sede da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, em 2012, a Rio+20, que visa a renovar o engajamento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do Planeta 20 anos após a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), também realizada no Rio de Janeiro.

No encontro, está previsto o debate da contribuição da “economia verde” para o desenvolvimento sustentável e a eliminação da pobreza, com foco sobre a questão da estrutura de governança internacional na área do desenvolvimento sustentável.

Mais informações: http://www.uncsd2012.org/rio20

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Eixos do Desenvolvimento Brasileiro

Publicado em 04/03/2011 - 13:01 por | Comentar

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) vem lançando um conjunto amplo de estudos sobre o que tem sido chamado, dentro da instituição, de Eixos do Desenvolvimento Brasileiro.

São eles: Inserção internacional soberana; Macroeconomia para o desenvolvimento; Fortalecimento do Estado, das instituições e da Democracia; Infraestrutura econômica, social e urbana; Estrutura tecnoprodutiva integrada e regionalmente articulada; Proteção social, garantia de direitos e geração de oportunidades; e Sustentabilidade ambiental.

A série Sustentabilidade Ambiental no Brasil: biodiversidade, economia e bem-estar humano analisa diversos setores relacionados ao meio ambiente no País e busca sistematizar e refletir sobre os desafios e oportunidades, fornecendo o conhecimento crítico necessário à tomada de posição frente aos desafios da sustentabilidade ambiental.

Comunicados

O livro Sustentabilidade Ambiental no Brasil: Biodiversidade, economia e bem-estar humano, cujos capítulos deram origem aos comunicados da série, contém outros 14 capítulos sobre temas relacionados ao meio ambiente no Brasil.

No site do Ipea (www.ipea.gov.br) estão disponíveis os comunicados já divulgados da série Sustentabilidade Ambiental no Brasil: Biodiversidade, economia e bem-estar humano:

Comunicado do Ipea nº 77 – Energia e meio Ambiente

Comunicado do Ipea nº 78 – Biodiversidade

Comunicado do Ipea nº 79 – Comércio Internacional

Comunicado do Ipea nº 80 – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL)

Comunicado do Ipea nº 81 – Direito Ambiental Brasileiro e Lei de Crimes Ambientais

Comunicado do Ipea nº 82 – O Uso do Poder de Compra para a Melhoria do Meio Ambiente

Confira as lâminas da apresentação sobre o Comunicado do Ipea nº 82

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Editora Verdes Mares Ltda.

Praça da Imprensa, S/N. Bairro: Dionísio Torres

Fone: (85) 3266.9999

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