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Tag: Instituto Arapyaú


16:48 · 14.09.2018 / atualizado às 17:17 · 14.09.2018 por
Com 500 participantes, as discussões trataram de propostas de políticas públicas que estão sendo levadas pelo CEBDS aos presidenciáveis Foto: Ulisses Matandos

Nesta semana, presidentes e executivos de grandes empresas brasileiras ou com atuação no País estiveram reunidos em evento que, da água filtrada na hora e bebida em copos de vidro, passando pelos cordõezinhos de crachás nas cores da diversidade, até a redução calculada no volume de impressos, foi pensado para respirar sustentabilidade, tendo como horizonte primeiro a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. 

A necessidade de implementação de um mercado de carbono e a urgência do melhor uso e tratamento dos recursos hídricos, alguns dos principais desafios que o Brasil enfrenta para alcançar um modelo sustentável de crescimento nos próximos anos, foi um dos destaques na programação do Congresso Sustentável 2018, realizado na terça-feira (11), pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), no Teatro Santander, em São Paulo.  

Durante o evento, que reuniu a mais alta de liderança de grandes empresas brasileiras – responsáveis por gerar mais de 1 milhão de postos de trabalho no Brasil em diversos segmentos –, foi apresentada a Agenda CEBDS por um País Sustentável. O documento, que pode ser baixado no site do CEBDS, contém dez propostas elaboradas pelos CEOs das próprias empresas associadas à organização e destinadas aos candidatos à Presidência da República. 

Aumento na participação de fontes renováveis na matriz energética, segurança hídricaexpansão do saneamento básico, soluções para transição a uma economia de baixo carbono, mecanismos financeiros de estímulo a práticas sustentáveis e equidade de gênero no mercado de trabalho foram alguns dos temas abordados. 

A presidente do CEBDS, Marina Grossi, destacou a importância do engajamento de todos na transição para um modelo de desenvolvimento sustentável Foto: Ulisses Matandos

“A viabilidade do velho modelo econômico está ultrapassada. O setor empresarial brasileiro tem demonstrado na prática que é possível ampliar os investimentos em processos mais sustentáveis e economicamente viáveis”, afirmou a presidente do CEBDS, Marina Grossi, durante a abertura do evento, destacando que a transição para um modelo de Desenvolvimento Sustentável depende conjuntamente do indivíduo, do coletivo, da empresa e do governo. “Para aquilo que não se pode fazer diretamente, se busca parceria”, acrescentou. 

Marina falou ainda sobre as oportunidades empresariais para os próximos quatro anos e que, dentro da responsabilidade compartilhada, cabe ao governo criar um ambiente para fazer acontecer. “O que a sociedade, nossas empresas, negócios, governo, cada um de nós está construindo para o futuro?”, provocou. 

Recursos Hídricos 

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, destacou o alto engajamento da sociedade durante as eleições deste ano, que propicia conscientização da população sobre o seu papel no processo de transformação. Utilizando como exemplo o saneamento básico, o executivo ressaltou que não falta dinheiro, no entanto, carecemos de um marco regulatório, e que o Estado precisa estabelecer condições básicas para garantir a segurança dos investimentos a serem feitos pelo setor privado. 

Ele lembrou que o País é liderança na área ambiental no que diz respeito às energias renováveis como instrumentos de baixo carbono. “Porque existe um arcabouço confiável e claro e, assim, as empresas vêm investir com retorno aceitável”. No caso do saneamento, destacou que “é impossível investir no setor sem ter que negociar com 5.600 municípios brasileiros. Não falta dinheiro, não faltam investidores, por isso a sociedade deve se mobilizar”, finalizou. 

“Nós temos números de saneamento do século XIX”, lembrou Marina Grossi, utilizando dados do Instituto Trata Brasil e destacando seus reflexos na saúde e na produtividade. 

“O Brasil perde entre a captação e a entrada, por ano, sete sistemas Cantareira, o equivalente a 37% ; despeja seis mil piscinas olímpicas de esgoto bruto em seus mananciais; e 27% dos reservatórios monitorados pela ANA (Agência Nacional de Águas) estão secos. Desse jeito, em 2050, teremos uma grande frota de carros elétricos andando em ruas com esgoto a céu aberto”, ironizou a presidente da BRK Ambiental, Teresa Vernaglia. “Vai faltar água para a irrigação. Isso vai afetar o setor produtivo como um todo”, completou. 

Por outro lado, falou sobre reúso de água e da importância de um marco regulatório que permita a ampliação de escala dessa experiência. Na discussão entre o público e o privado, afirmou que isso não importa para o cidadão que não tem água e saneamento. “O importante é receber o serviço por um preço justo. O grande problema é a falta de investimento”, finalizou. 

Petróleo 

André Lopes de Araújo, presidente da Shell Brasil, surpreendeu ao falar sobre energias renováveis e o potencial de crescimento do setor Foto: Maristela Crispim

André Lopes de Araújo, presidente da Shell Brasil, surpreendeu ao falar sobre energias renováveis e o potencial de crescimento do setor. “Já trabalhamos com renováveis há algum tempo e somos os maiores produtores de etanol”, afirmou. Mas finalizou defendendo o petróleo como algo ainda presente por alguns anos nesta realidade: “Não podemos fugir da realidade das nossas reservas. Temos riquezas e escolhas a fazer. O petróleo vai estar aí ainda por décadas e deve atingir seu pico no fim da década de 2020. Estamos falando de um mundo que ainda precisa de muita energia e não tenho vergonha de dizer que o petróleo fará parte dessa transição”. 

Bernardo Paiva, presidente executivo da Ambev, destacou a parceria com a Volkswagen Caminhões e Ônibus para adoção de 1.600 caminhões elétricos por todos os 20 operadores logísticos que trabalham com a empresa até 2023. “É um caminho sem volta. Um dia chegaremos a 100%”, afirmou. 

Energias renováveis 

Em entrevista exclusiva ao Blog Gestão Ambiental, o presidente da Vestas Brasil & Cone Sul, Rogerio Zampronha, destacou a importância da energia eólica e o grande potencial dos ventos no Nordeste Foto: Maristela Crispim

O presidente da Vestas Brasil & Cone Sul, Rogerio Zampronha, enfatizou que a eólica é a fonte de energia mais em conta disponível no País, menos da metade da segunda mais barata e pode estar envolvida na redução de custos na produção de uma forma muito mais interessante. 

Observou, ainda, que a energia gerada pelos ventos já representa 9% da matriz brasileira. Em 2017, alcançou a marca de 12,8 GW de capacidade instalada e a previsão é de chegar a 28 GW em 2026. “No ano passado, o volume de emissões de carbono que deixou de ocorrer por causa da fonte eólica é o mesmo que se teria se deixassem de circular 16 milhões de veículos, o que equivale a 85% da frota hoje no Estado de São Paulo”, informou. 

Em entrevista exclusiva ao Blog Gestão Ambiental, ele disse que o Nordeste é abençoado com os melhores ventos do País e tem crescido muito no setor eólico, sobretudo os estados do Rio Grande do Norte e Bahia, que, no último leilão, tiveram predominância, mais uma vez, embora o Ceará tenha sido o pioneiro no setor. Ele falou também sobre as novas fronteiras que se abrem nos estados do Maranhão, Piauí e Paraíba. 

Sobre o recente investimento em parques eólicos continente a dentro, Zampronha destacou que, nas regiões serranas, onde o vento é mais forte à noite, é oportuna a instalação de sistemas híbridos, eólico durante à noite e solar de dia, sem falar nos benefícios socias associados à interiorização desses parques. 

O diretor de Relações Institucionais da Febraban, Mário Sérgio Vasconcelos, apresentou estudo de viabilidade de financiamento para projetos de energia solar fotovoltaica, realizado pelo BID e a Absolar Foto: Maristela Crispim

O diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mário Sérgio Vasconcelos, apresentou, no Sustentável 2018, um estudo de viabilidade de financiamento para projetos de energia solar fotovoltaica, realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). 

“A Febraban vem buscando os caminhos possíveis para uma economia de baixo carbono, e temos avançado nos últimos quatro anos. Cerca de 27% dos empréstimos do setor já são destinados a investimentos de baixo carbono”, ressaltou. 

Para André Clark, CEO da Siemens, o Brasil caminha para um powerhouse de geração de energia. “A transição energética passa por três coisas: tecnologia, mudanças climáticas e mercado consumidor. Estamos no centro dessas mudanças. Estados Unidos, China e Europa fazem a transição por causa do carvão. Nós fazemos pelo uso da terra e da água”, compara. 

A superintendente de Sustentabilidade e Negócios do Itaú, Denise Hills, estimou que, nos próximos cinco anos, o setor financeiro no Brasil deverá ter um avanço significativo na incorporação de aspectos socioambientais. 

O Sustentável 2018 foi patrocinado pelo Santander, Itaú, Braskem, Philip Morris, Instituto Clima e Sociedade (iCS) Instituto Arapyaú, e contou com apoio da Nespresso e Filtros Europa. O evento terá suas emissões de carbono compensadas por compra de créditos de carbono ou plantio de árvores, em parceria com a Neutralize Carbono. 

07:59 · 14.06.2012 / atualizado às 07:59 · 14.06.2012 por
De 15 a 17 junho, no espaço Humanidade 2012, cenários e experiências de transformações sociais Foto: Antonio Batalha

O Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia é um espaço de disseminação de ideias e ações práticas que já estão contribuindo para um novo impulso na agenda da sustentabilidade e na emergência de uma economia mais inclusiva e consciente de que o planeta é finito.

Ele acontece de 15 a 17 de junho, das 9 às 19h, no espaço Humanidade2012, no Forte de Copacabana, paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). A participação é gratuita e as inscrições estão abertas no site www.empreendedorismosocial.org.br

Participam do Fórum líderes e empreendedores sociais de todo o mundo, investidores sociais, tomadores de decisão em setores governamentais e empresariais, acadêmicos, economistas, sociólogos, filósofos, gestores governamentais e o público interessado em empreendedorismo social.

Entre os objetivos do Fórum estão a apresentação e discussão de soluções criativas e inovadoras de empreendedorismo social para resolver os grandes problemas da humanidade, nas áreas social, ambiental, econômica e política, e a aprendizagem e disseminação do conhecimento para os empresários comprometidos com a mudança social.

Já confirmaram presença no Fórum o teólogo Leonardo Boff, o filósofo e educador colombiano Bernardo Toro, o economista e autor do polêmico livro “Prosperidade sem Crescimento”, Tim Jackson, entre outros.

O Fórum de Empreendedorismo Social na Nova Economia é uma iniciativa de quatro instituições: a Fundación Avina, a Ashoka, a Skoll Foundation e Fundação Roberto Marinho.

Fundación Avina

Fundação latino-americana que contribui para o desenvolvimento sustentável da região, incentivando alianças produtivas entre líderes sociais e empresariais com o apoio de outras instituições internacionais, e a implementação de estratégias nacionais e regionais.

Ashoka

Organização do setor cidadão, pioneira no campo do empreendedorismo social inovador. A Ashoka prevê que cada um pode mudar o mundo, está presente em 70 países e já selecionou em torno de 3.000 fellows em todo o mundo.

Skoll Foundation

Sua missão é impulsionar a mudança em larga escala, investindo, conectando e celebrando os empreendedores sociais e os inovadores que auxiliem na resolução dos problemas mais prementes do mundo.

A Fundação Skoll premiou 91 empreendedores sociais e 74 organizações nos cinco continentes e opera o Fórum Mundial Anual Skoll sobre Empreendedorismo Social.

Fundação Roberto Marinho

Mobiliza as pessoas e comunidades, por meio de comunicação, redes de colaboração e parcerias em torno de iniciativas educacionais que contribuam para melhorar a qualidade de vida da população.

O Fórum conta ainda com o apoio da Interamerican Foundation, Rockefeller Foundation e Instituto Arapyaú.

Humanidade 2012

O projeto Humanidade 2012 é uma iniciativa das Fedeções das Indústrias de São Paulo e do Rio de Janeiro (Fiesp e Firjan), Fundação Roberto Marinho, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) do Rio e de São Paulo, Serviço Social da Indústria (Sesi) do Rio,de de São Paulo, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Caixa Econômica Federal (CEF).

De 11 a 22 de junho, o projeto apresentará uma série de seminários e debates relacionados aos temas da Rio+20, além de uma exposição aberta ao público, concebida pela artista Bia Lessa, em uma área de quase sete mil metros quadrados no Forte de Copacabana, Rio de Janeiro. O evento tem como objetivo engajar a sociedade na discussão sobre como aliar o crescimento econômico ao desenvolvimento social e à conservação ambiental.