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Tag: La Niña


08:37 · 23.07.2018 / atualizado às 08:37 · 23.07.2018 por

Letras Ambientais

Especial para o blog Gestão Ambiental 

 

A seca já ocorre em praticamente todo o Ceará. É o que mostra o atual mapa da cobertura vegetal do Estado, obtido por meio de monitoramento por satélite, realizado pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Pela imagem de satélite abaixo, é possível observar que na maioria dos municípios do Ceará, as áreas em vermelho indicam a ocorrência de seca grave; enquanto, em amarelo, sinalizam para a condição de seca moderada. Apenas em alguns municípios do norte e do noroeste do Estado, a vegetação está verde, ou seja, as condições climáticas continuam favoráveis e a seca ainda não atingiu a vegetação. O mapa mostra a rápida mudança ocorrida na vegetação do Ceará para a condição de seca. 

Mapa da vegetação do Ceará mostra avanço da seca na maioria dos municípios Imagem: Lapis

No período de fevereiro a maio deste ano, o Estado registrou um expressivo volume de chuvas. A Caatinga alcançou um alto nível de recuperação, de modo que, em maio, o Ceará foi considerado o Estado que ficou mais verde no Semiárido brasileiro, como mostrado no mapa abaixo:   

 

Mapa da vegetação do Ceará mostrou Caatinga completamente recuperada em maio de 2018, após as chuvas Imagem: Lapis

O atual avanço da seca ocorre porque o período da estação chuvosa no Semiárido brasileiro foi encerrado no último mês de maio. A tendência de falta de chuvas, perda na umidade dos solos e ressecamento da vegetação da Caatinga avança em toda a região, como mostra a imagem a seguir. 

Avanço da seca no Semiárido brasileiro Imagem: Lapis

O mapa acima mostra que a seca já atinge quase todos os municípios do Semiárido brasileiro, com exceção das áreas de Zona da Mata, na Costa Leste do Nordeste, onde a vegetação está verde e ocorre, no período de abril e julho, a estação chuvosa. 

Gestão das secas nos municípios 

Uma pesquisa divulgada no dia 5 de julho, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre o Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic), mostrou que, no período de 2013 a 2016, em praticamente metade dos 5.570 municípios do País (48,6%) ocorreu algum evento de seca, totalizando 2.706 municípios a registrarem esses eventos climáticos.  

O estudo mostra que a maioria dos municípios afetados pela seca no Brasil (59,4%) não conta com um instrumento orientado à prevenção de desastres naturais e apenas 14,7% tem um plano específico de contingência e/ou de prevenção à seca.  

A região Nordeste, conhecida pelas secas frequentes, intensas e com profundos impactos socioeconômicos, apresentou a maior proporção de municípios afetados por esta tipologia de desastre natural (82,6%).  

No período de 2013 a 2016, o Ceará foi o Estado do Nordeste a registrar maiores proporções de municípios atingidos pela seca (97,8%), seguido pelo Piauí (93,8%), Paraíba (91,9%) e Rio Grande do Norte (91,0%).  

Ainda de acordo com o estudo, nos anos de seca, 89,3% dos municípios brasileiros informaram terem sofrido perda ou redução da produção agrícola, enquanto 81,3% declararam terem tido prejuízos financeiros.  

Segundo um Relatório do Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil (Ceped), no período de 1995-2014, o total de danos materiais e prejuízos (públicos e privados) causados por desastres naturais derivados de eventos climáticos no Brasil foram estimados em R$ 100 bilhões. Deste total, cerca de 75% estão diretamente vinculados às estiagens e secas a afetarem frequentemente o Nordeste e as demais regiões do Brasil.  

No Nordeste, o valor total de danos e prejuízos públicos e privados, derivados de eventos climáticos, foi cerca de R$ 47 bilhões, no período 1995-2014. O valor inclui o total de prejuízos privados na agricultura, pecuária, indústria e serviços.  O Estado do Ceará ocupa o segundo lugar (22%) como um dos mais impactados e submetidos a maiores prejuízos na região, ficando atrás somente da Bahia (28,8%). 

Para mais informações, leia o artigo “Quanto custam as secas ao Brasil”: www.letrasambientais.com.br/posts/quanto-custam-as-secas-ao-brasil 

Capacidade institucional 

As ações mais comuns adotadas pelos municípios atingidos pela seca no Brasil, para evitar ou minimizar os danos causados pelo evento climático, são de caráter emergencial: a construção de poços (59,5%) e a distribuição regular de água, por meio de carros-pipa (58,1%).  

A pesquisa chama atenção para a falta de capacidade institucional dos municípios brasileiros para lidarem com o constante risco de ocorrência de secas. O panorama é crítico para os estados do Semiárido, incluindo o Ceará, com forte potencial para a ocorrência de seca, que pode tomar proporção de desastre natural, em um cenário socioeconômico e ambiental vulnerável.  

Os prejuízos decorrentes das secas podem ser minimizados, desde que se disponham de informações seguras, e em tempo hábil, para que seja feito um planejamento adequado, evitando que esses fenômenos climáticos tomem proporção de desastres naturais e aumentem a vulnerabilidade da população, dos governos e dos setores econômicos. 

Com relação às previsões climáticas para o próximo ano, no Semiárido brasileiro, os especialistas ainda não definiram quanto à ocorrência de El Niño ou La Niña, principais sistemas meteorológicos a influenciarem as condições climáticas na região. O Oceano Pacífico continua em condição de neutralidade e, somente em setembro deste ano, será feita uma previsão para a região. 

Mais informações: 

Lapis – www.lapismet.com.br

Letras Ambientais – www.letrasambientais.com.br

08:00 · 27.01.2016 / atualizado às 21:45 · 26.01.2016 por
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O mapa codificado por cores mostra uma progressão das anomalias de temperatura da superfície global de 1880 a 2015. As temperaturas superiores às normais são mostradas em vermelho e as inferiores são mostradas em azul. O quadro final representa as temperaturas globais médias de cinco anos, de 2010 a 2015, com escala em graus Celsius
Crédito: NASA / Goddard Space Flight Center Scientific Visualization Studio

2015 foi ano mais quente do planeta Terra desde a que a moderna manutenção de registros começou, em 1880, de acordo com análises independentes pela Administração Nacional Aeronáutica e Espacial (Nasa) e pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), dos Estados Unidos. A temperatura global média em 2015 quebrou a marca anterior, de 2014, por 0,13 graus Celsius.

As temperaturas de 2015 continuaram uma tendência de aquecimento de longo prazo, de acordo com as análises feitas por cientistas do Instituto da Nasa Goddard de Estudos Espaciais (Giss), em Nova York (Gistemp).

Cientistas da NOAA concordam com a constatação de que 2015 foi o ano mais quente já registrado com base em análises separadas. Porque os locais das estações de tempo e medições mudam ao longo do tempo e há alguma incerteza nos valores individuais no índice Gistemp. Tendo isto em conta, a análise Nasa estima que 2015 foi o ano mais quente com 94% de certeza.

“A mudança climática é o desafio de nossa geração e trabalho vital da Nasa sobre esta importante questão que afeta cada pessoa na Terra”, disse o administrador da Nasa, Charles Bolden. “O anúncio de hoje não só ressalta como crítico programa de observação da Terra da Nasa é um ponto de dados-chave que devem fazer os decisores políticos se levantar e tomar conhecimento. Agora é a hora de agir sobre o clima”, afirmou na divulgação do estudo.

A temperatura média da superfície do Planeta subiu cerca de 1ºC desde o fim do século XIX, uma mudança em grande parte impulsionada pelo aumento do dióxido de carbono (CO2) e outras emissões geradas pela atividade humana na atmosfera.

A maior parte do aquecimento ocorreu nos últimos 35 anos, com 15 dos 16 anos mais quentes registrados a partir de 2001. No ano passado, pela primeira vez, as temperaturas médias globais chegaram a 1ºC ou mais acima da média 1880-1899.

Fenômenos como o El Niño ou La Niña, respectivamente de aquecimento ou resfriamento do Oceano Pacífico tropical, podem contribuir para variações de curto prazo na temperatura média global. O aquecimento do El Niño esteve em vigor durante a maior parte de 2015.

“2015 foi notável, mesmo no contexto contínuo de El Niño”, disse Gavin Schmidt, diretor do Giss. “As temperaturas do ano passado tiveram um incremento do El Niño, mas é um efeito cumulativo da tendência de longo prazo que resultou no registro de aquecimento que estamos vendo”, acrescentou.

A dinâmica de tempo muitas vezes afeta as temperaturas regionais, de modo que nem todas as regiões na Terra experimentaram as temperaturas médias recordes no ano passado.

As análises da Nasa incorporam medições de temperatura de superfície de 6.300 estações meteorológicas, observações navais e baseadas em bóia de temperaturas da superfície do mar, e as medições de temperatura de estações de pesquisa da Antártida.

Estas medições brutas são analisadas utilizando um algoritmo que considera o espaçamento variado de estações de temperatura em todo o mundo e os efeitos de aquecimento urbano, que poderiam distorcer as conclusões. O resultado desses cálculos é uma estimativa da diferença de temperatura média global a partir de um período de referência de 1951-1980.

O Instituto da Nasa Goddard de Estudos Espaciais (Giss) é uma subdivisão do Centro de Vôo Espacial Goddard da agência, em Greenbelt, em Maryland. O laboratório é afiliado ao Instituto Terra, da Universidade de Columbia e à Escola de Engenharia e Ciências Aplicadas de Nova York.

O conjunto de dados de 2015 sobre a temperatura da superfície total e a metodologia completa utilizada para fazer o cálculo de temperatura estão disponíveis em:
http://data.giss.nasa.gov/gistemp/

Para mais informações sobre as atividades das ciências da Terra da Nasa, visite:
http://www.nasa.gov/earth

Fonte: Nasa

Diário do Nordeste

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