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Tag: Nordeste


16:48 · 14.09.2018 / atualizado às 17:17 · 14.09.2018 por
Com 500 participantes, as discussões trataram de propostas de políticas públicas que estão sendo levadas pelo CEBDS aos presidenciáveis Foto: Ulisses Matandos

Nesta semana, presidentes e executivos de grandes empresas brasileiras ou com atuação no País estiveram reunidos em evento que, da água filtrada na hora e bebida em copos de vidro, passando pelos cordõezinhos de crachás nas cores da diversidade, até a redução calculada no volume de impressos, foi pensado para respirar sustentabilidade, tendo como horizonte primeiro a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. 

A necessidade de implementação de um mercado de carbono e a urgência do melhor uso e tratamento dos recursos hídricos, alguns dos principais desafios que o Brasil enfrenta para alcançar um modelo sustentável de crescimento nos próximos anos, foi um dos destaques na programação do Congresso Sustentável 2018, realizado na terça-feira (11), pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), no Teatro Santander, em São Paulo.  

Durante o evento, que reuniu a mais alta de liderança de grandes empresas brasileiras – responsáveis por gerar mais de 1 milhão de postos de trabalho no Brasil em diversos segmentos –, foi apresentada a Agenda CEBDS por um País Sustentável. O documento, que pode ser baixado no site do CEBDS, contém dez propostas elaboradas pelos CEOs das próprias empresas associadas à organização e destinadas aos candidatos à Presidência da República. 

Aumento na participação de fontes renováveis na matriz energética, segurança hídricaexpansão do saneamento básico, soluções para transição a uma economia de baixo carbono, mecanismos financeiros de estímulo a práticas sustentáveis e equidade de gênero no mercado de trabalho foram alguns dos temas abordados. 

A presidente do CEBDS, Marina Grossi, destacou a importância do engajamento de todos na transição para um modelo de desenvolvimento sustentável Foto: Ulisses Matandos

“A viabilidade do velho modelo econômico está ultrapassada. O setor empresarial brasileiro tem demonstrado na prática que é possível ampliar os investimentos em processos mais sustentáveis e economicamente viáveis”, afirmou a presidente do CEBDS, Marina Grossi, durante a abertura do evento, destacando que a transição para um modelo de Desenvolvimento Sustentável depende conjuntamente do indivíduo, do coletivo, da empresa e do governo. “Para aquilo que não se pode fazer diretamente, se busca parceria”, acrescentou. 

Marina falou ainda sobre as oportunidades empresariais para os próximos quatro anos e que, dentro da responsabilidade compartilhada, cabe ao governo criar um ambiente para fazer acontecer. “O que a sociedade, nossas empresas, negócios, governo, cada um de nós está construindo para o futuro?”, provocou. 

Recursos Hídricos 

O presidente do Santander Brasil, Sérgio Rial, destacou o alto engajamento da sociedade durante as eleições deste ano, que propicia conscientização da população sobre o seu papel no processo de transformação. Utilizando como exemplo o saneamento básico, o executivo ressaltou que não falta dinheiro, no entanto, carecemos de um marco regulatório, e que o Estado precisa estabelecer condições básicas para garantir a segurança dos investimentos a serem feitos pelo setor privado. 

Ele lembrou que o País é liderança na área ambiental no que diz respeito às energias renováveis como instrumentos de baixo carbono. “Porque existe um arcabouço confiável e claro e, assim, as empresas vêm investir com retorno aceitável”. No caso do saneamento, destacou que “é impossível investir no setor sem ter que negociar com 5.600 municípios brasileiros. Não falta dinheiro, não faltam investidores, por isso a sociedade deve se mobilizar”, finalizou. 

“Nós temos números de saneamento do século XIX”, lembrou Marina Grossi, utilizando dados do Instituto Trata Brasil e destacando seus reflexos na saúde e na produtividade. 

“O Brasil perde entre a captação e a entrada, por ano, sete sistemas Cantareira, o equivalente a 37% ; despeja seis mil piscinas olímpicas de esgoto bruto em seus mananciais; e 27% dos reservatórios monitorados pela ANA (Agência Nacional de Águas) estão secos. Desse jeito, em 2050, teremos uma grande frota de carros elétricos andando em ruas com esgoto a céu aberto”, ironizou a presidente da BRK Ambiental, Teresa Vernaglia. “Vai faltar água para a irrigação. Isso vai afetar o setor produtivo como um todo”, completou. 

Por outro lado, falou sobre reúso de água e da importância de um marco regulatório que permita a ampliação de escala dessa experiência. Na discussão entre o público e o privado, afirmou que isso não importa para o cidadão que não tem água e saneamento. “O importante é receber o serviço por um preço justo. O grande problema é a falta de investimento”, finalizou. 

Petróleo 

André Lopes de Araújo, presidente da Shell Brasil, surpreendeu ao falar sobre energias renováveis e o potencial de crescimento do setor Foto: Maristela Crispim

André Lopes de Araújo, presidente da Shell Brasil, surpreendeu ao falar sobre energias renováveis e o potencial de crescimento do setor. “Já trabalhamos com renováveis há algum tempo e somos os maiores produtores de etanol”, afirmou. Mas finalizou defendendo o petróleo como algo ainda presente por alguns anos nesta realidade: “Não podemos fugir da realidade das nossas reservas. Temos riquezas e escolhas a fazer. O petróleo vai estar aí ainda por décadas e deve atingir seu pico no fim da década de 2020. Estamos falando de um mundo que ainda precisa de muita energia e não tenho vergonha de dizer que o petróleo fará parte dessa transição”. 

Bernardo Paiva, presidente executivo da Ambev, destacou a parceria com a Volkswagen Caminhões e Ônibus para adoção de 1.600 caminhões elétricos por todos os 20 operadores logísticos que trabalham com a empresa até 2023. “É um caminho sem volta. Um dia chegaremos a 100%”, afirmou. 

Energias renováveis 

Em entrevista exclusiva ao Blog Gestão Ambiental, o presidente da Vestas Brasil & Cone Sul, Rogerio Zampronha, destacou a importância da energia eólica e o grande potencial dos ventos no Nordeste Foto: Maristela Crispim

O presidente da Vestas Brasil & Cone Sul, Rogerio Zampronha, enfatizou que a eólica é a fonte de energia mais em conta disponível no País, menos da metade da segunda mais barata e pode estar envolvida na redução de custos na produção de uma forma muito mais interessante. 

Observou, ainda, que a energia gerada pelos ventos já representa 9% da matriz brasileira. Em 2017, alcançou a marca de 12,8 GW de capacidade instalada e a previsão é de chegar a 28 GW em 2026. “No ano passado, o volume de emissões de carbono que deixou de ocorrer por causa da fonte eólica é o mesmo que se teria se deixassem de circular 16 milhões de veículos, o que equivale a 85% da frota hoje no Estado de São Paulo”, informou. 

Em entrevista exclusiva ao Blog Gestão Ambiental, ele disse que o Nordeste é abençoado com os melhores ventos do País e tem crescido muito no setor eólico, sobretudo os estados do Rio Grande do Norte e Bahia, que, no último leilão, tiveram predominância, mais uma vez, embora o Ceará tenha sido o pioneiro no setor. Ele falou também sobre as novas fronteiras que se abrem nos estados do Maranhão, Piauí e Paraíba. 

Sobre o recente investimento em parques eólicos continente a dentro, Zampronha destacou que, nas regiões serranas, onde o vento é mais forte à noite, é oportuna a instalação de sistemas híbridos, eólico durante à noite e solar de dia, sem falar nos benefícios socias associados à interiorização desses parques. 

O diretor de Relações Institucionais da Febraban, Mário Sérgio Vasconcelos, apresentou estudo de viabilidade de financiamento para projetos de energia solar fotovoltaica, realizado pelo BID e a Absolar Foto: Maristela Crispim

O diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mário Sérgio Vasconcelos, apresentou, no Sustentável 2018, um estudo de viabilidade de financiamento para projetos de energia solar fotovoltaica, realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar). 

“A Febraban vem buscando os caminhos possíveis para uma economia de baixo carbono, e temos avançado nos últimos quatro anos. Cerca de 27% dos empréstimos do setor já são destinados a investimentos de baixo carbono”, ressaltou. 

Para André Clark, CEO da Siemens, o Brasil caminha para um powerhouse de geração de energia. “A transição energética passa por três coisas: tecnologia, mudanças climáticas e mercado consumidor. Estamos no centro dessas mudanças. Estados Unidos, China e Europa fazem a transição por causa do carvão. Nós fazemos pelo uso da terra e da água”, compara. 

A superintendente de Sustentabilidade e Negócios do Itaú, Denise Hills, estimou que, nos próximos cinco anos, o setor financeiro no Brasil deverá ter um avanço significativo na incorporação de aspectos socioambientais. 

O Sustentável 2018 foi patrocinado pelo Santander, Itaú, Braskem, Philip Morris, Instituto Clima e Sociedade (iCS) Instituto Arapyaú, e contou com apoio da Nespresso e Filtros Europa. O evento terá suas emissões de carbono compensadas por compra de créditos de carbono ou plantio de árvores, em parceria com a Neutralize Carbono. 

10:00 · 20.08.2018 / atualizado às 10:28 · 20.08.2018 por

Por Letras Ambientais

A maioria dos municípios do Nordeste brasileiro já enfrenta situação e seca grave ou moderada. É o que mostra o atual mapa da cobertura vegetal da região, obtido por meio de monitoramento por satélite, realizado pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis). As imagens de satélites permitem analisar a rápida mudança na cobertura vegetal, de acordo com a expansão da seca pelos municípios da região.

Uma pesquisa recente do Instituto Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), sobre o Perfil dos Municípios Brasileiros (Munic), mostrou que, no período de 2013 a 2016, a região Nordeste apresentou a maior proporção de municípios afetados pela seca (82,6%). Do total de 1.794 municípios do Nordeste, foram registrados eventos de seca em 1.481.

Apesar de esses eventos climáticos serem frequentes, intensos e com profundos impactos socioeconômicos no Nordeste, a pesquisa do IBGE mostra que apenas 15,7% dos municípios da região possuem um plano específico de contingência e/ou prevenção à seca.

A maioria dos municípios da região adota ações emergenciais para evitar ou minimizar os danos causados pela seca. Uma das ações mais comuns, segundo o estudo, é a distribuição regular de água, por meio de carros-pipa, adotada em 65,5% dos municípios da região. Em seguida, está a construção de poços (61%) e de cisternas (49%).

O pesquisador Humberto Barbosa, coordenador do Lapis, ressaltou que essa falta de planejamento nos municípios, para o enfrentamento da seca, é o que faz com que o evento climático se torne desastre natural. Ele comenta: “mesmo nesses 15% dos municípios que possuem um plano específico para lidar com a seca, ainda não analisamos o teor e a qualidade desse instrumento de planejamento, ou seja, não sabemos se realmente as ações planejadas fogem da pauta emergencial, em direção a um projeto permanente para convivência com a seca”.

Barbosa é um dos autores do Livro “Um século de secas: por que as políticas hídricas não transformaram o Semiárido brasileiro?” e destacou: “Na obra, observamos que, historicamente, a ausência de participação social no processo de planejamento das políticas para a região semiárida foi um dos fatores comuns para que a seca continue sendo enfrentada apenas com ações emergenciais. No entanto, são fundamentais ações estruturais e coordenadas para que a população possa conviver melhor com a seca”.

Segundo um Relatório do Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia e Defesa Civil (Ceped), no período de 1995-2014, os danos materiais e prejuízos (públicos e privados) causados por desastres naturais, derivados de eventos climáticos no Brasil, foram estimados em R$ 100 bilhões. Deste total, cerca de 75% estão diretamente vinculados às estiagens e secas, a afetarem frequentemente o Nordeste e as demais regiões do Brasil.

No Nordeste, o custo total de danos e prejuízos, derivados de eventos climáticos, foi cerca de R$ 47 bilhões. O valor inclui os prejuízos privados nos setores da agricultura, pecuária, indústria e serviços.

Radiografia

A seguir, apresenta-se uma radiografia da seca em cada Estado do Nordeste, vista a partir de mapas. Dentre os temas abordados, estão: a condição da cobertura vegetal dos municípios, antes e depois da seca deste ano; os danos e prejuízos causados pela seca; os estados mais afetados e aqueles mais preparados para evitar que esses eventos climáticos tomem proporções de desastre natural.

Os dados utilizados são oriundos do satélite Meteosat-10, com metodologia desenvolvida pelo Lapis, que determina diariamente o Índice de Vegetação por Diferença Normalizada (NDVI) para a  região.

Os mapas animados, mostrados na sequência, comparam e analisam a condição da cobertura vegetal de cada um dos nove estados do Nordeste, no período da estação chuvosa (abril a maio) e no início da seca (julho a agosto).

Ceará

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No período de fevereiro a maio deste ano, foi registrado, no Ceará, um expressivo volume de chuvas. Por essa razão, a Caatinga alcançou um alto nível de recuperação. Em maio, o Estado foi considerado o que ficou mais verde no Semiárido brasileiro, como mostrado no primeiro mapa acima.

Atualmente, um total de 66% dos municípios cearenses já estão secos. Dos 184 municípios do Ceará, 121 apresentam situação de seca moderada ou grave, enquanto 63 continuam em condição climática favorável. Apenas em alguns municípios do norte, do noroeste ou do sul do Estado, a vegetação está verde, ou seja, a seca ainda não atingiu a vegetação.

De 30 de julho a 5 de agosto, o mapa mostra a rápida mudança ocorrida na vegetação do Ceará para a condição de seca. As áreas em vermelho indicam a ocorrência de seca grave, abrangendo a maioria dos municípios; enquanto, em amarelo, sinalizam para a condição de seca moderada.

Segundo o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 77 municípios do Ceará estão reconhecidos em Situação de Emergência, sendo 13 decorrentes da estiagem e 64 por ocasião da seca.

Há uma diferença entre os conceitos de seca e estiagem. A seca se refere à deficiência de chuvas durante um período prolongado, provocando escassez de água para atividades, grupos ou setores ambientais. As estiagens se caracterizam por serem menos intensas que a seca e ocorrerem durante um período de tempo mais curto.

A Situação de Emergência é o reconhecimento legal, pelo município atingido, de uma situação anormal provocada por desastres, segundo fatores de intensidade e alcance dos danos (humanos, materiais e ambientais) e dos prejuízos (sociais e econômicos).

A intensidade do impacto do desastre natural para o Município é o que leva os gestores a classificarem o prejuízo gerado para a população e infraestrutura local. Existem quatro níveis para medir os impactos dos desastres naturais. As secas e estiagens são consideradas desastres naturais de nível 3, caracterizando Situação de Emergência.

Nesse caso, os danos são importantes e os prejuízos vultuosos, mas suportáveis e superáveis pela comunidade afetada. A situação de normalidade pode ser restabelecida desde que os recursos mobilizados no território do município afetado sejam reforçados e suplementados com o apoio de meios estaduais e federais.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, o Ceará foi o Estado do Nordeste a registrar maiores proporções de municípios atingidos pela seca (97,8%). Apesar desse dado, apenas 22,2% dos seus municípios possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

No período de 1995-2014, o Estado ocupou o segundo lugar como um dos mais impactados e submetidos a maiores danos e prejuízos na região, oriundos de eventos climáticos. O valor estimado pelos municípios do Ceará, para o período, correspondeu a 22,2% do total estimado para o Nordeste, de acordo com o Ceped.

Piauí

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O mapa acima mostra que, no período de 30 de abril a 6 de maio, as chuvas no Piauí permitiram a recuperação de praticamente toda sua cobertura vegetal, com exceção do sudoeste do Estado.

O atual mapa da cobertura vegetal do Piauí, referente ao período de 30 de julho a 5 de agosto, mostra que 71% dos municípios apresentam seca grave ou moderada. Do total de 224 municípios do Estado, 160 estão secos, enquanto apenas 64 continuam verdes, ou seja, sob condições climáticas favoráveis, solo úmido e manutenção da cobertura vegetal.

Segundo o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 48 municípios do Piauí estão reconhecidos em Situação de Emergência, sendo 10 decorrentes da estiagem e 38 por ocasião da seca.

A pesquisa do IBGE sobre o perfil dos municípios brasileiros mostrou que, no período de 2013 a 2016, o Piauí foi o segundo Estado do Nordeste com maior proporção de municípios afetados pela seca (93,8%). Apesar desse dado, apenas 9,4% dos municípios do Piauí possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

Quantos aos danos e prejuízos provocados por eventos climáticos, especialmente pela seca, no período de 1995-2014, o Piauí foi o quarto Estado do Nordeste brasileiro a registrar maiores impactos diretos. O custo dos danos e prejuízos decorrentes de eventos climáticos, nos municípios do Piauí, foram estimados em 16,1% do total na região.

Paraíba

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De acordo com a atual imagem de satélite da cobertura vegetal da Paraíba, a seca já atinge mais de 71% da Paraíba. Dos 223 municípios, 160 apresentam seca moderada ou grave. O evento climático ocorre, de forma mais grave, nas microrregiões do Cariri, Seridó e Catolé do Rocha.

Enquanto isso, em apenas 63 municípios do Leste do Estado, incluindo a Zona da Mata e parte do Agreste, a vegetação está verde, ou seja, as condições climáticas continuam favoráveis e a seca ainda não atingiu a vegetação.

Os mapas acima mostram a rápida mudança ocorrida na vegetação a Paraíba, para a condição de seca. A primeira imagem retrata o Estado durante a estação chuvosa, no período de 30 de abril a 6 de maio, enquanto a segunda mostra as condições atuais da vegetação, no período de 30 de julho a 5 de agosto.

Segundo o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, desde abril deste ano, 197 municípios da Paraíba são reconhecidos em Situação de Emergência, por ocasião de estiagem.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, a Paraíba foi o terceiro Estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (91,9%). Por outro lado, apenas 25,6% dos municípios da Paraíba possuem um plano de contingência e/ou prevenção a essa tipologia de desastre natural.

Apesar de ainda ser baixo, proporcionalmente, é o Estado do Nordeste com maior percentual de municípios a apresentar esse tipo de instrumento de planejamento para minimizar os impactos da seca.

No período de 1995-2014, a Paraíba ocupou o quinto lugar, no Nordeste, como um dos Estados mais impactados e submetidos a maiores prejuízos provocados pela seca. Os danos materiais e prejuízos (públicos e privados), causados por desastres naturais, derivados de eventos climáticos, foram estimados em 6% do total dos custos na região.

Rio Grande do Norte

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Um total de 62% dos municípios do Rio Grande do Norte já estão secos. Segundo o monitoramento da cobertura vegetal por satélite, realizado pelo Lapis, dos 167 municípios do Estado, 104 enfrentam seca grave ou moderada, conforme segundo mapa acima.

Apenas 63 municípios do Leste Potiguar, alguns do norte e do noroeste do Estado, continuam com vegetação verde, indicando que os solos continuam úmidos, em decorrência das condições climáticas favoráveis.

De acordo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 161 municípios do Rio Grande do Norte estão em Situação de Emergência, por ocasião da seca.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, o Rio Grande do Norte foi o quarto estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (91%). Por outro lado, apenas 8,3% dos municípios do Rio Grande do Norte possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

No período de 1995-2014, o Rio Grande do Norte esteve entre os estados do Nordeste a sofrer menos impactos econômicos diretos da seca, com um total estimado de 3,1% dos danos materiais e prejuízos (públicos e privados) estimados para a região, causados por desastres naturais oriundos de eventos climáticos.

Bahia

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Um total de 57% dos municípios da Bahia já enfrentam seca. Segundo o monitoramento por satélite, realizado pelo Lapis, dos 417 municípios do estado, 237 enfrentam seca moderada ou grave, conforme mostrado no segundo mapa, referente ao período de 30 de julho a 5 de agosto.

O Oeste da Bahia integra a região de Matopiba, considerada a última fronteira agrícola do País, com importante participação na balança comercial brasileira. Hoje, todos os municípios dessa área estão afetados pela seca, trazendo consequências diretas à economia nacional.

Apenas 43% dos municípios do Estado continuam verdes, ou seja, ainda não foram atingidos pela seca. Eles estão localizados na porção Leste do Estado, compreendendo as mesorregiões do Sul e Centro-Sul Baiano, Região Metropolitana de Salvador, Nordeste e Centro-Norte Baiano.

No período de 30 de abril e 6 de maio deste ano, conforme mostrado no mapa acima, boa parte dos municípios da Bahia ficou com cobertura vegetal verde, por ocasião das chuvas registradas no Estado, ou apenas tiveram estiagem moderada.

De acordo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 207 municípios da Bahia estão em Situação de Emergência, sendo 203 decorrentes da estiagem e 4 por ocasião da seca.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, a Bahia foi o quinto Estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (88,5%). Todavia, apenas 15% dos municípios da Bahia possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca. É o Estado do Nordeste com maior número de Prefeituras a apresentar esse tipo de instrumento de planejamento (62 municípios). Todavia, proporcionalmente, o percentual ainda é considerado muito baixo, diante da abrangência de municípios afetados pela seca na Bahia.

A Bahia é o Estado do Nordeste que mais registrou danos e prejuízos (públicos e privados) diretos, em função de desastres naturais oriundos de eventos climáticos, no período de 1995-2014.

Do custo total de R$ 47 bilhões, estimado para a região Nordeste, a Bahia concentrou 29% desses danos e prejuízos. Como mencionado, o custo da seca é estimado em 75% do total de danos e prejuízos decorrentes de eventos climáticos no Nordeste.

Alagoas

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Um total de 33% dos municípios de Alagoas já estão secos. É o que mostra o atual mapa da cobertura vegetal do Estado, conforme monitoramento realizado pelo Lapis, referente ao período de 30 de julho a 5 de agosto. Dos 102 municípios alagoanos, 34 estão afetados por seca grave ou moderada, localizados na mesorregião do Sertão Alagoano e alguns no Agreste, na porção semiárida do Estado.

As áreas que atualmente continuam verdes estão localizadas no Leste Alagoano e em boa parte da mesorregião do Agreste. No período de 30 de abril a 6 de maio deste ano, como mostrado no mapa acima, as chuvas permitiram certa recuperação da cobertura vegetal desses municípios. Mas desde maio, quando terminou a estação chuvosa no Semiárido brasileiro, a seca se espalhou pelo Sertão e Agreste Alagoano.

Diante da severidade da atual estiagem na mesorregião do Sertão e parte do Agreste Alagoano, esta semana, a Defesa Civil Nacional reconheceu Situação de Emergência em 38 municípios do Estado. O decreto de reconhecimento do governo federal garante que esses municípios voltem a receber recursos emergenciais para conviver com a seca.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, Alagoas foi o sexto Estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (77,5%). Um total de 22,5% dos municípios alagoanos possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

De acordo com o Relatório do Ceped, Alagoas é um dos estados do Nordeste a registrarem menos danos e prejuízos decorrentes de desastres naturais de origem climática, compreendendo apenas 3,6% do total na região, no período de 1995-2014.

Sergipe

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Em Sergipe, 20% dos municípios estão secos atualmente, de acordo com o mapa da cobertura vegetal obtido pelo Lapis, por meio de monitoramento por satélite, referente ao período de 30 de julho a 5 de agosto. Dos 75 municípios do Estado, 15 enfrentam seca grave ou moderada. A seca se concentra na mesorregião do Sertão de Sergipe.

Diferentemente dos demais estados do Nordeste, na imagem de satélite de 30 de abril a 6 de maio, havia um maior número de municípios secos em Sergipe, tendo diminuído agora em julho. Provavelmente, isso ocorreu em decorrência da influência de frentes frias naquela área.

De acordo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, seis municípios de Sergipe estão em Situação de Emergência, sendo cinco decorrentes da estiagem e apenas um ocasionado pela seca.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, Sergipe foi o sétimo Estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (77,3%). Apenas 8% dos municípios do Estado possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

Sergipe também é um dos estados do Nordeste a registrarem menores danos e prejuízos decorrentes de desastres naturais de origem climática, compreendendo somente 2,9% do total na região, no período de 1995-2014.

Pernambuco

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Em Pernambuco, 52% dos municípios já são afetados pela seca. Do total de 185 municípios, 96 enfrentam seca grave ou moderada. De acordo com o monitoramento ambiental por satélite, realizado pelo Lapis, apenas na Região Metropolitana de Recife, na mesorregião da Zona da Mata e em parte dos municípios do Agreste pernambucano, a cobertura vegetal continua verde, em função das condições climáticas favoráveis.

No atual mapa da cobertura vegetal de Pernambuco, referente ao período de 30 de julho a 05 de agosto deste ano, a seca já atinge a maior parte do estado, incluindo a mesorregião do São Francisco, do Sertão e grande parte do Agreste.

Embora o percentual de municípios pernambucanos afetados pela seca seja de apenas 52%, abrange praticamente toda a área do estado. Isso ocorre em função de os municípios do interior, onde a seca predomina, apresentarem maior extensão territorial.

Quando comparados à porção Leste do estado, onde os municípios são de pequena extensão, o percentual de área onde a vegetação permanece verde é pouco expressivo.

De acordo com o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 53 municípios de Pernambuco estão reconhecidos em Situação de Emergência, em razão da ocorrência de estiagem.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, Pernambuco foi o oitavo estado do Nordeste a registrar maior proporção de municípios atingidos pela seca (77,2%). Apenas 24,8% desses municípios possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

Proporcionalmente, é o segundo Estado do Nordeste a apresentar mais prefeituras com esse tipo de instrumento de planejamento para fazer frente aos impactos da seca.

Com relação aos danos e prejuízos causados por eventos climáticos, Pernambuco ocupa o terceiro lugar no ranking como um dos mais afetados no Nordeste. Segundo Relatório do Ceped, os danos e prejuízos decorrentes de desastres naturais de origem climática em Pernambuco corresponderam a 16,2% do total na região, no período de 1995-2014.

Maranhão

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O Maranhão é o Estado do Nordeste menos afetado pela seca. De acordo com o monitoramento realizado pelo Lapis, atualmente, apenas 13,3% dos municípios maranhenses estão secos. Dos 217 municípios do Estado, somente 29 enfrentam seca, localizados no Sul Maranhense.

De acordo com o mapa da cobertura vegetal, de 30 de abril a 6 de maio, praticamente não havia seca no Estado, restrita apenas à seca moderada em alguns municípios do Sul Maranhense.

Não existem registros no Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, de municípios do Maranhão em Situação de Emergência, por ocasião de seca ou estiagem.

Segundo o IBGE, no período de 2013 a 2016, o Maranhão foi o Estado do Nordeste a registrar menor proporção de municípios atingidos pela seca (39%). Apenas 5% dos municípios do Estado possuem um plano de contingência e/ou prevenção à seca.

Com relação aos danos e prejuízos provocados por desastres naturais de origem climática, o Maranhão informou apenas 1,2% dos custos totais no Nordeste, no período de 1995-2014. Esse número mostra que o estado foi o que sofreu menos impactos da seca em toda a região.

Gestão da seca nos municípios

Como observado, as ações mais comuns adotadas pelos municípios do Nordeste, para evitar ou minimizar os danos e prejuízos causados pela seca, são de caráter emergencial. Dessa forma, a pesquisa do IBGE chama atenção para a falta de capacidade institucional dos municípios da região para lidarem com o constante risco de ocorrência de seca.

O panorama é crítico, sobretudo para as áreas inseridas no Semiárido brasileiro, com forte potencial para a ocorrência de seca, podendo tomar proporção de desastre natural, em um cenário socioeconômico e ambiental vulnerável.

Na estação chuvosa de 2018 (fevereiro a maio), as chuvas atingiram a maior parte dos municípios do Semiárido brasileiro, aliviando a seca que já durava sete anos. No entanto, o meteorologista Humberto Barbosa explicou que o volume de chuvas foi inferior à média histórica, sobretudo nos estados da parte sul do Nordeste (parte de Pernambuco, Alagoas, Bahia e parte do sul do Piauí).

“Essas chuvas foram insuficientes para diminuir o déficit de precipitação que a região vem sofrendo há sete anos, decorrentes dos impactos das secas meteorológica e hidrológica nos anos anteriores”, observou.

Recentemente, o IBGE divulgou os primeiros resultados do novo Censo Agropecuário. A região Nordeste foi a única a registrar queda na área destinada à produção agropecuária. No período de 2006 a 2017, a área ocupada pela agropecuária avançou 5% no Brasil, ocupando 16,6 milhões de hectares adicionais, área maior que a do Estado do Ceará (14,9 milhões de hectares).

No Nordeste, porém, houve uma redução de 9,9 milhões de hectares na área de produção agropecuária, o que equivale a aproximadamente o Estado inteiro de Pernambuco a menos na agropecuária local. Os sete anos de seca na região influenciaram diretamente essa redução.

Conclusão

A seca causa profundos impactos sociais, econômicos e ambientais ao Nordeste brasileiro. Falta capacidade institucional dos municípios da região para enfrentar a seca. Por essa razão, é necessário atuar no planejamento estruturado de ações para a convivência com a seca, utilizando informações seguras de monitoramento desses eventos climáticos e evitando maiores danos e prejuízos à região.

Fontes:
Letras Ambientais: www.letrasambientais.com.br
Lapis: lapismet.com.br

17:01 · 19.06.2017 / atualizado às 17:14 · 19.06.2017 por
O Semiárido brasileiro apresenta um alto grau de vulnerabilidade, o que exige a adoção de soluções de convivência para impedir o avanço da desertificação Foto: Maristela Crispim

No Dia Mundial de Combate à Desertificação, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentou editais para recuperação de áreas no Semiárido, com inscrições que vão até 27 de junho.

“Não há muito o que comemorar ainda. Queremos chamar a atenção das pessoas e dos governos sobre a urgência e gravidade do problema da desertificação nas terras secas”, destacou o diretor de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA, Valdemar Rodrigues

O Dia Mundial de Combate à Desertificação,  instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU),  em 1994, é comemorado, a cada ano, no dia 17 de junho.

O MMA traçou uma estratégia para a implementação de Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas (Urad) e redução da vulnerabilidade climática na região semiárida brasileira.

Por meio de editais, em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), para contratação de instituições implementadoras, serão atendidos pelo projeto seis estados, nove municípios e cerca de 15 comunidades.

“Precisamos criar ações transformadoras da realidade, porque as informações teóricas já temos todas. O investimento no projeto das Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas vai melhorar nossa capacidade de adaptação para reduzir a vulnerabilidade no Semiárido”, destacou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

Integração

As Urads têm como unidade de trabalho as microbacias hidrográficas e conjugam ações ambientais, sociais e produtivas, com o envolvimento direto das comunidades e prefeituras.

Na área ambiental, o projeto prevê a recuperação de área de pastagem degradada por meio de cordões de pedra, terraceamento (técnica de conservação do solo), barragens sucessivas em pedra ou madeira, barragem subterrânea, produção de mudas para replantio e incentivo à Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).

Do ponto de vista social, que deve ser integrado ao ambiental, as URADs devem garantir a segurança hídrica, o saneamento básico, fogões ecológicos (que diminuem o consumo de madeira e lenha e não geram fuligem ), e capacitação.

Já as ações produtivas atendem às necessidades das comunidades com incentivo e suporte técnico à avicultura, ovinocultura, apicultura, hortas, artesanato, bordados, horticultura e beneficiamento de frutas, entre outros.

“É um trabalho de formiguinha, mas, se não fizermos assim, não resolveremos o problema”, explica o diretor Valdemar Rodrigues. Entre os resultados esperados a curto prazo, estão a mitigação dos efeitos da seca e a geração de emprego e renda.

A médio prazo, a recuperação ambiental, melhoria da qualidade de vida, desenvolvimento de tecnologias de adaptação e redução de vulnerabilidades.

Pernambuco

No dia 21 de junho, as cidades de Triunfo (PE) e Serra Talhada (PE) vão inaugurar um projeto monitorado pelo Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA.

O projeto chama-se Implantação de Módulos de Manejo Sustentável da Agrobiodiversidade para o Combate à Desertificação no Semiárido Pernambucano e será desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco, por meio de convênio com o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.

Entre as atividades previstas, estão a inauguração de equipamentos que apoiam a produção rural sustentável, como casas de beneficiamento de frutas, e das “mandalas”, instalações que conjugam horticultura com a criação de galinhas.

Suscetíveis à desertificação

No Brasil, as áreas suscetíveis à desertificação correspondem a aproximadamente 15% do território nacional (1.344.766 km²), abrangendo 1.491 municípios em nove estados da região Nordeste, no norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, com população estimada de 37,1 milhões de habitantes (IBGE, 2016).

Os estados mais comprometidos em termos absolutos são Bahia, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

A desertificação, definida como a degradação de terras nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, motivou a criação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD), da qual o Brasil é signatário, ao lado de 192 países, desde 1997.

Para favorecer o cumprimento das metas da UNCCD, o Brasil criou a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Lei Nº 13.153/2015), cuja regulamentação depende da assinatura de decreto, já encaminhado, com mecanismos de informação, financiamento, envolvimento da sociedade e monitoramento.

Fonte: MMA

10:00 · 26.12.2016 / atualizado às 21:17 · 25.12.2016 por
Região deixa de gerar por ano 11,6 mil GWh de energia com o não aproveitamento dos resíduos urbanos, da pecuária e agroindústria, volume poderia suprir quase 16% de tudo que foi consumido em 2015 Foto: André Costa / Agência Diário
Região deixa de gerar por ano 11,6 mil GWh de energia com o não aproveitamento dos resíduos urbanos, da pecuária e agroindústria, volume poderia suprir quase 16% de tudo que foi consumido em 2015 Foto: André Costa / Agência Diário

Um levantamento inédito feito pela Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás) mostra que o Nordeste desperdiça todos os anos 4,953 bilhões de metros cúbicos (m³) de biogás, volume suficiente para gerar anualmente 11,6 mil gigawatts-hora (GW/h) de energia.
Esse total equivale a 15,9% do que a região Nordeste consumiu no ano de 2015 ou 4,7 milhões de residências. Se levarmos em consideração o último o Censo Demográfico, cada lar brasileiro tem 3,3 moradores, o potencial de biogás disponível na região poderia abastecer até 15,5 milhões de pessoas com pegada de carbono negativa.
Em 2015, o consumo de energia elétrica no Nordeste totalizou 72,945 mil GWh, segundo a Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE). Desse total, 11,6 mil GW/h poderiam vir do biogás que deixou de ser aproveitado.
O Nordeste foi a região que mais sofreu com a estiagem e baixa nos reservatórios das hidrelétricas. Isso contribuiu para que a bandeira tarifaria de energia elétrica paga pelos consumidores estivesse vermelha em boa parte do ano de 2015, ou seja, com taxa extra por causa do ligamento das termelétricas de maior custo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o aumentou foi de 51% em média.
Se o biogás estivesse sendo usado na região, o custo da energia poderia ser menor. Entretanto, essa fonte de energia ainda aparece pouco na matriz elétrica brasileira. De acordo com os dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) o insumo responde apenas por 0,572% de toda energia elétrica produzida no Brasil atualmente.
Outra equivalência energética é que o biometano extraído da purificação do biogás e substituto do gás natural (de origem fóssil) – poderia chegar a uma produção anual de 2,2 bilhões m³ no Nordeste.
Para se ter uma ideia do volume, de acordo com o anuário estatístico da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a região comercializou 9,6 milhões de m³ de óleo diesel (via distribuidoras). Se utilizado o biometano ( limpo e renovável) poderia substituir 23% da demanda por diesel da região.
Para o vice-presidente da ABiogás, Alessandro Gardermann, o setor já tem regulações tanto da Aneel, como da ANP que permitem o uso do biogás para geração elétrica e para uso combustível de veículos leves e pesados.
“O biogás tem todas as condições de ser utilizado em qualquer lugar do Brasil e atender a necessidade crescente de energia elétrica e de biocombustíveis, mesmo assim é desprezado”, afirma.
Geração distribuída
A Aneel estima que perdas técnicas de energia no Brasil chegam a 7,5% da energia gerada. Hoje, a maior parte da geração de energia elétrica no Nordeste está concentrada em hidrelétricas e termelétricas e parques eólicos, que ficam longe dos centros consumidores, por isso grandes blocos de energia precisam ser deslocados por linhas de transmissão, o que aumentam as perdas.
A  vantagem do biogás é  ser uma fonte renovável e não intermitente, pois não depende das chuvas, vento ou sol.
Soma-se que o insumo é uma forma de geração de energia descentralizada, ou seja, quase sempre se gera próximo de onde se consome. Esse tipo de energia vem de fontes distribuídas pelo Brasil, deixando a geração mais próxima da carga, o que reduz as perdas técnicas na transmissão.
O energético pode sair da agroindústria, de resíduos sólidos urbanos, efluentes domésticos e industriais, dejetos de animais e até abatedouros. Gardermann lembra que Brasil é um dos maiores produtores de proteína animal e isso deve continuar crescendo, mas esse mesmo setor enfrenta três gargalos energéticos: não há gás, energia elétrica eficiente ou lenha para termelétricas. O biometano pode ocupar esse espaço e ganhar o mercado como um todo.
“O Nordeste é uma região produtora de alimentos e de etanol. Ambas atividades são produtoras de biomassa residual ou resíduos orgânicos que geram o biogás e o biometano, se esse potencial fosse aproveitado reduziria a pressão energética da região”, finaliza.
ABiogás
A Associação Brasileira de Biogás e Biometano  é uma organização fundada em 2013, com o objetivo de congregar os interesses dos vários agentes, tanto no Brasil quanto no exterior, que se dedicam ao desenvolvimento, produção e consumo do biogás e do biometano.
Tem ainda como objetivo promover a inserção definitiva do biogás e do biometano na matriz energética brasileira, através do desenvolvimento dos diversos segmentos envolvidos em sua produção, regulamentação e utilização.

11:51 · 21.09.2016 / atualizado às 15:24 · 21.09.2016 por
O juazeiro (Ziziphus joazeiro), como este de Parambu (CE), é uma árvore fascinante, que se mantém verde mesmo no período de estiagem Foto: Cid Barbosa
O juazeiro  é uma árvore fascinante, que se mantém verde mesmo no período de estiagem Foto: Cid Barbosa

O juazeiro (Ziziphus joazeiro) é uma digna árvore representante do Bioma Caatinga, que permanece verde o ano inteiro, com ou sem chuva. Mas nem todas as nossas árvores são assim. Grande parte perde as folhas todos os anos, no período de estiagem, para manterem-se vivas até que as chuvas cheguem e renovem o seu ciclo.

Esse é um dos motivos pelos quais hoje não é o Dia da Árvore no Nordeste (e nem no Norte). A Festa Anual da Árvore é comemorada em março nestas regiões, e não em setembro, como ocorre no Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

O principal motivo para essa distinção é que, aqui, tão perto da linha do Equador, as quatro estações do ano não são tão definidas e o período mais propício para o plantio é o chuvoso, no caso do Estado do Ceará, de fevereiro a maio.

Já que a melhor forma de comemorar a data é plantar árvores, elas necessitam dos devidos cuidados para vingarem, sendo o principal deles a irrigação adequada.

O decreto federal que estabelece a data comemorativa no território nacional é o 55.795, de 24 de fevereiro de 1965. Mas, do ponto de vista da valorização , todos os dias deveriam ser o Dia da Árvore, e não apenas um.

“E também todos os dias elas nos beneficiam e merecem respeito e carinho”, conforme Antonio Sérgio Farias Castro, engenheiro agrônomo e membro fundador do Movimento Pró-Árvore.

20:48 · 01.07.2016 / atualizado às 20:48 · 01.07.2016 por
Os aerogeradores já foram adicionados à paisagem do litoral cearense Foto: Natinho Rodrigues / Agência Diário
Os aerogeradores já foram adicionados à paisagem do litoral cearense Foto: Natinho Rodrigues / Agência Diário

Com capacidade de 97,2 MW, centrais do Complexo Eólico Santa Mônica e respectivos sistemas de transmissão serão construídos no município de Trairi

A Diretoria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou financiamento de R$ 353,5 milhões para a construção de quatro centrais eólicas no município de Trairi (CE) e de seus respectivos sistemas de transmissão.

As usinas, que constituem o Complexo Eólico Santa Mônica, terão capacidade instalada total de 97,2 MW e foram vencedoras do 22º Leilão de Energia Proveniente de Novos Empreendimentos de Geração, realizado em agosto de 2015.

As quatro centrais eólicas – Cacimbas, Estrela, Santa Mônica e Ouro Verde – entrarão em operação no segundo semestre de 2016. Os investimentos incluem a aquisição de 36 aerogeradores, além de máquinas e equipamentos nacionais, também destinados às quatro linhas de transmissão.

O Banco já aprovou para o Nordeste, até o momento, R$ 20,8 bilhões em financiamento para projetos eólicos, equivalentes a 7.406 MW de capacidade instalada na região.

O apoio do BNDES à energia eólica tem contribuído para a diversificação da matriz enérgica brasileira, com fonte alternativa de recursos renováveis e ambientalmente mais limpa.

O uso dos combustíveis fósseis para geração de energia, no mundo, é responsável pela emissão de, aproximadamente, 70% dos gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2).

As usinas eólicas não produzem qualquer tipo de emissão de gases uma vez que utilizam uma fonte limpa e inesgotável, o vento. Atualmente, a capacidade instalada mundial de energia eólica evita a emissão da ordem de grandeza de 100 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera.

O apoio do Banco, em linha com a política de desenvolvimento local do BNDES, também inclui investimentos sociais que vão além daqueles exigidos para o licenciamento ambiental do projeto e equivalem a 0,5% do valor total do investimento do Grupo Engie, ex-GDF Suez, nestes quatro projetos eólicos.

Ações como a contratação de empresas locais para prestação de serviços gerais – fornecimento e transporte de ferramentas e materiais, limpeza, obras civis leves, evacuação de resíduos comuns – aumentam a renda dos negócios locais e podem demandar contratação de mão de obra adicional.

Fonte: BNDES

22:04 · 24.03.2016 / atualizado às 22:28 · 24.03.2016 por
Um dos efeitos esperados com o Aquecimento Global é o aumento de eventos extremos, como as secas Foto: Fabiane de Paula / Agência Diário
A ferramenta, apresentada no Dia Mundial da Água 2016, visa acompanhar o fenômeno da seca do Semiárido brasileiro Foto: Fabiane de Paula / Agência Diário

Agência Nacional de Águas (ANA), Ministério da Integração Nacional (MI), Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) e governos do Nordeste lançaram, nesta semana, o Monitor de Secas do Nordeste do Brasil, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Água. A ferramenta traz mapa elaborado com a colaboração de técnicos locais que enfrentam a seca no dia a dia.

O Monitor de Secas é um instrumento que mostra a magnitude da seca no Nordeste e seus impactos. O principal produto é um mapa mensal que acompanha a situação da seca, disponibilizando as informações de forma ilustrativa, depois de validadas por técnicos locais que vivenciam a seca em seu cotidiano.

O mapa leva em consideração dados de monitoramento e os impactos concretos no abastecimento, agricultura e pecuária, dentre outras áreas, para apresentar o retrato mais recente e fiel possível da seca de maneira periódica.

Trata-se de uma ferramenta importante, que estará disponível nas páginas das instituições parceiras, para dar apoio aos tomadores de decisão do setor público e privado, contribuindo para a melhor gestão de secas e para o planejamento coordenado e proativo de ações de preparação e de resposta.

O mapa do Monitor de Secas passa a ser publicado mensalmente na página monitordesecas.ana.gov.br, junto com a descrição do processo de elaboração, incluindo indicadores e evidências. É possível visualizar a progressão da situação da seca em cinco categorias: excepcional, extrema, grave, moderada e fraca. O mapa também identifica e delimita as áreas de impactos de curto e longo prazo.

O Brasil tem um longo histórico de secas, principalmente no Semiárido. A seca extrema que atinge a região desde 2012 vem estimulando ainda mais esforços para melhorar a gestão e adotar medidas permanentes de monitoramento e de preparação.

Por isso, o governo federal, junto com agências de água, clima e meio ambiente e órgãos de governos estaduais e federais que atuam nos nove Estados do Nordeste, empenharam-se na construção e implementação de uma ferramenta inspirada em metodologias já consolidadas e adaptada à realidade brasileira.

A iniciativa contou com o apoio do Banco Mundial no desenho e implementação experimental da ferramenta e de parceiros internacionais como o National Drought Mitigation Center (Centro Nacional de Mitigação de Secas), dos Estados Unidos e a Comisión Nacional del Água do México (Conagua).

Para saber mais assista ao vídeo na página do monitor de secas ou no canal da ANA no youtube.

O Lançamento do Monitor de Secas do Nordeste do Brasil foi no âmbito do “Seminário sobre a crise hídrica e a segurança de barragens no Brasil”, evento em comemoração ao Dia Mundial da Água 2016, promovido pela ANA e pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O evento fez outros lançamentos importantes, como o Mestrado Profissional em Gestão e Regulação de Recursos Hídricos, uma parceria entre a ANA e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), com coordenação da Universidade Estadual Paulista (Unesp); o novo portal do Sistema Nacional de Informações sobre Recursos Hídricos (SNIRH) e relatórios das Nações Unidas e da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) sobre Água e Saneamento.

Página do Monitor de Seca: monitordesecas.ana.gov.br

Fonte: ANA

14:48 · 28.10.2015 / atualizado às 14:48 · 28.10.2015 por
A ANA e a Capes buscam apoiar a pesquisa científica e tecnológica em Mudanças Climáticas, usos da terra e seus impactos sobre os recursos hídricos: Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
A ANA e a Capes buscam apoiar a pesquisa científica e tecnológica em Mudanças Climáticas, usos da terra e seus impactos sobre os recursos hídricos: Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

A Agência Nacional de Águas (ANA) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) estão com o Edital Mudanças Climáticas e Recursos Hídricos aberto para recebimento de propostas de projetos de pesquisa sobre mudanças climáticas. Os pesquisadores interessados em participar da seleção deverão enviar as propostas até 12 de novembro, conforme as normas do edital, disponível no site da Capes.

Por meio deste edital, lançado em 13 de outubro, a ANA e a Capes buscam apoiar a pesquisa científica e tecnológica em Mudanças Climáticas e de usos da terra e seus impactos sobre os recursos hídricos. A área temática específica contemplada por esta seleção será a de “Desenvolvimento de Modelos Global e Regional do Sistema Terrestre e Geração de Cenários de Mudanças Climáticas e de Usos da Terra Voltados ao Fornecimento de Projeções de Alterações de Comportamentos Hidrológicos”.

O edital é voltado a pesquisadores de Instituições de Ensino Superior (IES) ou instituições de pesquisa brasileiras, públicas e privadas sem fins lucrativos, que possuam programas de pós-graduação stricto sensu recomendados pela Capes com áreas de concentração ou linhas de pesquisa nas áreas de Mudanças Climáticas e Hidrologia. Também podem participar cursos dirigidos aos temas contemplados no edital ou instituições que apresentem projeto viável de implantação de pós-graduação stricto sensu nas linhas de pesquisa mencionadas.

Para esta parceria, a ANA e a Capes investirão um total de R$ 5 milhões, sendo metade dos recursos provenientes de cada órgão. Até três projetos receberão os recursos, que poderão ser empregados em despesas de custeio e em bolsas de estudos nas seguintes modalidades: mestrado, doutorado, doutorado sanduíche e pós-doutorado no Brasil; doutorado sanduíche, estágio pós-doutoral e estágio sênior no exterior.

Os grupos de pesquisa dos projetos deverão contar com pelo menos três equipes, as quais devem pertencer a diferentes programas de pós-graduação stricto sensu de diferentes instituições de ensino superior, sendo que pelo menos uma das equipes deverá ser vinculada a IES sediada no Centro-Oeste, Nordeste ou Norte.

No que se refere aos conteúdos dos projetos, os trabalhos deverão ter caráter multi e interdisciplinar, contemplando, quando possível, o uso interativo de novas tecnologias da informação e comunicação para estimular a troca de conhecimentos pelos pesquisadores participantes. Além disso, as propostas deverão ter como objetivo final da formação de pelo menos três doutores na temática do edital, já que a parceria da ANA e da Capes busca formar recursos humanos que dominem a temática de Mudanças Climáticas.

Cronograma

12/11/15 – Data-limite para inscrição dos projetos

26/11/15 – Divulgação dos resultados preliminares

Até 5 dias após a publicação dos resultados no Diário Oficial da União – Prazo para envio de recurso

09/12/15 – Divulgação do resultado final

A partir de fevereiro de 2016 – Implementação dos auxílios

Mais Informações:

www.ana.gov.br

12:18 · 11.02.2015 / atualizado às 12:36 · 11.02.2015 por

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Por Maristela Crispim

O mundo enfrenta desafios comuns relacionados às mudanças climáticas. Espera-se da negociação marcada para 30 de novembro a 11 de dezembro, em Paris, a COP 21, a celebração de compromissos compartilhados visando a redução das emissões por meio da estruturação de políticas de desenvolvimento consistentes dos países.

Foi com este espírito que, em visita à cidade de Fortaleza, Laurent Duriez, diretor da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) concedeu entrevista exclusiva ao Diário do Nordeste, destacando o interesse em investir no Nordeste.

Estabelecimento público de cooperação, a AFD luta há 70 anos contra a pobreza e para promover o desenvolvimento em 70 países, por meio de doações, empréstimos, fundos de garantia, financia projetos, programas e estudos e apoia os seus parceiros no fortalecimento de suas capacidades.

A Agência atua no desenvolvimento da França, executa e implementa operação bilateral para o desenvolvimento mundial. Tem 70 anos e trabalha em 70 países, historicamente na África e, mais recentemente, na América Latina e no Brasil, onde está há sete anos, para atuar nos desafios do desenvolvimento sustentável, em especial, a questão climática, por meio de projetos concretos com a cooperação entre atores franceses e brasileiros.

Banco de desenvolvimento

Duriez enfatiza que a AFD é agência, mas também é banco de desenvolvimento. “Em 2014 contratamos 8 bilhões de euros em projetos. No Brasil contratamos 1,7 bilhão de euros. Nossa prioridade é tudo que está relacionado ao desenvolvimento verde. Trabalhamos com os governos e o setor público”. Essa atuação se dá, entre outras, em áreas como mobilidade urbana (Curitiba e Rio de Janeiro); desenvolvimento inclusivo (Minas Gerais); eficiência energética (Rio Grande do Sul); e saneamento (Santa Catarina).

“Estamos aqui hoje porque queremos trabalhar mais com o Nordeste. Nesta cooperação entre a França e o Brasil, a região é muito relevante. Sabemos que existem oportunidades de desenvolvimento e que é preciso sair do triângulo Rio, São Paulo, Brasília para conhecer as prioridades dos governos, mas também dos atores econômicos na questão do desenvolvimento”, enfatiza.

Caravana do Clima

Falando sobre a Cúpula do Clima, Duriez destaca que o importante para a AFD, como banco de desenvolvimento, é mostrar que existem soluções concretas, que podem ser desenvolvidas, implementadas por diversos atores econômicos, governos, empresas, pessoas.

“A questão do clima só será resolvida se todos atuarem no mesmo sentido. Precisamos mostrar, por meio dos projetos que apoiamos, dos parceiros, nos 70 países que eu mencionei onde atuamos, que ações estão sendo desenvolvidas e resultados já existem”, ressalta.

Para levar isso ao público, ele adiantou a iniciativa de produzir, junto com a Embaixada da França, a Caravana do Clima, com a exposição itinerante “60 Soluções para o Clima”, do fotógrafo Yann-Arthus Bertrand, da ONG Good Planet e oportunidades de diálogo com diversos públicos, por meio das Alianças Francesas de todo Brasil.

Nordeste

Sobre o início da atuação no Ceará, Duriez diz que já está em fase de conversas com instituições: “Já tivemos contato com o Banco do Nordeste, que se mostrou interessado em trabalhar na área de resíduos sólidos. Também conversamos com o governo do Estado, sobre os desafios da seca e o gerenciamento dos recursos hídricos existentes, prioridade da AFD em termos de redução das perdas, que pode ser conseguida melhorando as redes de abastecimento, mas também melhorando o gerenciamento, o desempenho das distribuidoras. Enfim, estamos abertos a parcerias no Nordeste”.

09:41 · 05.08.2014 / atualizado às 10:38 · 05.08.2014 por

 

A iniciativa é do Programa Semear e poderão ser apoiados estudos temáticos, sistematizações de experiências e boas práticas, além de visitas de intercâmbio Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
A iniciativa é do Programa Semear e poderão ser apoiados estudos temáticos, sistematizações de experiências e boas práticas, além de visitas de intercâmbio Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

Começaram ontem (04/08) as inscrições para o Edital de Apoio a Propostas de Gestão do Conhecimento em Zonas Semiáridas do Nordeste do Brasil – a primeira chamada vai até 29 de setembro. Promovido pelo Programa Semear, o edital visa facilitar o acesso da população rural a um conjunto de conhecimentos e inovações que contribuam para melhorar suas condições de vida, coexistir com as condições semiáridas e tirar maior proveito das possibilidades de desenvolvimento do Semiárido nordestino brasileiro.

“Investimos na gestão do conhecimento como estratégia para o desenvolvimento rural. O Edital é mais um instrumento para identificar, registrar e disseminar práticas e saberes contextualizados para a convivência com o Semiárido, gerados por diferentes atores sociais”, explica Ângela Brasileiro, coordenadora do Programa.

Serão apoiadas propostas de Estudos Temáticos, Sistematizações de Experiências, Inovações e Boas Práticas, além de Visitas de Intercâmbio que contemplem, pelo menos, uma das seguintes áreas temáticas: Inovações produtivas e tecnológicas; Recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas; e Negócios Rurais.

As propostas selecionadas deverão ser implementadas em até seis meses e em municípios que compõem as zonas semiáridas dos Estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, conforme indicado em anexo do Edital.

Podem participar Pessoas Jurídicas sem fins lucrativos, como associações, cooperativas, organizações da sociedade civil de interesse público (OSCIPs), organizações não governamentais (ONGs), dentre outros. Apenas na categoria Estudos Temáticos, poderão participar também Pessoas Físicas, como pesquisadores, professores, técnicos, especialistas, agricultores, dentre outros.

O Programa Semear é implementado em parceria pelo Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) e o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), com apoio da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID)

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Áreas Temáticas para apresentação de propostas

Inovações produtivas e tecnológicas: identificação e promoção de inovações produtivas e/ou tecnológicas apropriadas para a convivência com o Semiárido, respeitando a cultura e as características bioclimáticas da região.

Recursos naturais e adaptação às mudanças climáticas: experiências de manejo de recursos naturais, energias alternativas, de recuperação de áreas degradadas e outras formas de adaptação às mudanças climáticas.

Negócios rurais: identificação e disseminação de experiências exitosas de negócios rurais, agrícolas e não agrícolas, que contribuam para a melhoria das condições socioeconômicas da população rural do Semiárido Nordestino.

Como se inscrever

A íntegra do Edital e o passo a passo das inscrições estão no Portal Semear: www.portalsemear.org.br

Informações também em:

www.facebook.com/programasemear1

www.youtube.com/user/programasemear

www.twitter.com/programasemear1

Fonte: Programa Semear