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Tag: Observatório do Clima


21:09 · 04.11.2016 / atualizado às 21:09 · 04.11.2016 por
Cada cidadão, governo, empresa e organização da sociedade civil tornou-se hoje legalmente comprometido em reduzir as emissões Foto: Natinho Rodrigues / Agência Diário
Cada cidadão, governo, empresa e organização da sociedade civil tornou-se, hoje, legalmente comprometido em reduzir as emissões Foto: Natinho Rodrigues / Agência Diário

O Acordo do Clima entrou em vigor nesta sexta-feira, apenas 11 meses depois de pactuado em Paris. A rapidez demonstra que o mundo está inclinado a buscar soluções para o aquecimento global, destaca a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura.
O Brasil deu sua contribuição como terceira grande economia a ratificar o Acordo, em setembro. É chegada a hora de cada país partir para ações práticas, cumprindo os compromissos assumidos em suas respectivas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs).
Pelo Acordo de Paris, os países concordaram em ter metas obrigatórias de redução de emissões de gases  do efeito estufa  (GEE) entre 2020 e 2030.
Cada cidadão, governo, empresa e organização da sociedade civil tornou-se hoje legalmente comprometido com a tarefa de estabilizar o aquecimento global em bem menos de 2 graus centígrados em relação à era pré-industrial e fazer esforços para limitá-lo a 1,5 graus centígrados.
“O acordo do clima passa a vigorar quatro anos antes do prazo oficial de 2020. Em vez de enxergar isso como oportunidade para adiar sua regulamentação até lá, os governos do mundo inteiro precisam correr para deixá-lo plenamente operacional bem antes disso”, disse Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Mas, ao mesmo tempo, relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) aponta grandes lacunas entre os níveis de emissões assumidos nos compromissos nacionais e os necessários para que o aquecimento global fique abaixo dos 2 graus centígrados até o fim do século.
Ao serem somados, os compromissos ficam bem aquém do necessário. Estão mais distantes ainda do 1,5 grau centígrado, valor mais desejado para evitar danos aos países mais sensíveis às mudanças climáticas.
O Pnuma fez o alerta ontem de que o mundo só vai alcançar a meta dos 2 graus centígrados se fizer um corte adicional de 25% nas emissões de gases de efeito estufa até o ano de 2030 em relação ao que já estava previsto para ser reduzido.

22:11 · 05.06.2016 / atualizado às 22:37 · 05.06.2016 por

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O Planeta já dá sinais de que se nós – indivíduos, empresas, governos – não mudarmos nossas atitudes, seguiremos para o nosso declínio.
Nesta edição 2016 especial de Gestão Ambiental do Dia Mundial do Meio ambiente, falamos francamente com o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl.
Tratamos também do tema mitigação, mostrando a palma forrageira como uma opção viável de manter o rebanho, já que o Estado do Ceará amarga o quinto ano seguido de seca.
Também focamos experiências bem-sucedidas de Gestão Ambiental de empresas como a Esmaltec e a C. Rolim Engenharia.
Destacamos a guinada sustentável da gigante C&A, que uniu-se à National Geographic para promover o cultivo do algodão orgânico, considerando inclusive a produção do agricultores familiares do Ceará.
Por fim, tratamos de um novo investimento que já vem fazendo a diferença na gestão dos Resíduos Sólidos no Ceará, por meio da Cidade Limpa Ambiental.

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Aproveitem a leitura!

11:45 · 12.12.2015 / atualizado às 13:43 · 12.12.2015 por
O slogan "1.5 Degrees" foi projetado na Torre Eiffel como parte da COP21, em Paris, France, nessa sexta-feira Foto: Agência Reuters / Charles Platiau  TPX IMAGES OF THE DAY
O slogan “1.5 Degrees” foi projetado na Torre Eiffel como parte da COP21, em Paris, nessa sexta-feira Foto: Agência Reuters / Charles Platiau

Paris. O presidente da 21ª Conferência das Partes (COP-21) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), e ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius, apresentou, neste sábado, o texto do acordo global de luta contra a mudança climática, que vem sendo discutido desde o dia 29 de novembro, em Paris.

“O texto sinaliza que estamos chegando a um acordo histórico. Pela primeira vez, todos os países do mundo concordam em agir contra o aquecimento global. A referência a 1,5 grau Celsius como uma meta de limitação de temperatura a ser perseguida é um avanço significativo na direção de um mundo com segurança climática e proteção dos mais pobres”, afirmou Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, rede que reúne entidades da sociedade civil com o objetivo de discutir a questão das mudanças climáticas no contexto brasileiro.

Rittl pondera, no entanto, que “o texto deixa essencialmente nas mãos de cada país, de forma voluntária, a decisão sobre ampliar as ações de corte de emissões e o financiamento aos países menos desenvolvidos. Isso será viável caso os países mantenham o espírito de engajamento que tornou Paris possível. Mas, se essa vontade falhar, corremos o risco de chegar a 2030 ainda numa trajetória de 3 graus Celsius, algo incompatível com a civilização como a conhecemos.”

Manifestações mostram desacordo

Diversa manifestações percorreram, neste sábado, as ruas de Paris, convocadas por organizações não-governamentais (ONGs) para mostrar desacordo com a proposta de acordo da Cúpula do Clima de Paris, que consideram insuficientes para combater o aquecimento climático.

A principal delas foi convocada junto ao Arco do Triunfo, onde os manifestantes, vestidos majoritariamente de vermelho, traçaram uma linha dessa mesma cor com a qual quiseram simbolizar os limites que não devem ser superados e a fronteira entre as vítimas do aquecimento global e seus causadores.

(Com informações do Observatório do Clima)

08:00 · 03.12.2015 / atualizado às 08:15 · 03.12.2015 por
Ativistas da campanha de desinvestimento dos combustíveis fósseis comemoram a quebra um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento Foto: Emma Cassidy / Survival Media Agency
Ativistas  comemoram a quebra um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento em combustíveis fósseis nesta quarta-feira Foto: Emma Cassidy / Survival Media Agency

Na segunda-feira (30), começou, em Paris, a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), mais conhecida como COP21. Nela, 150 dos 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) pretendem chegar a um acordo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), tentando limitar em 2ºC o aquecimento da atmosfera até 2100 em comparação aos níveis pré-industriais.

Nesse primeiro dia, os chefes de Estado e de governo expressaram os seus anseios e preocupações em relação aos objetivos comuns e individuais. Dilma Rousseff, por exemplo, uniu-se a outros chefes de Estado para pedir que o acordo da COP21 seja legalmente vinculante, num claro recado aos Estados Unidos e à Índia, que enfrentam seus próprios desafios para cumprir as ousadas metas necessárias. Essa posição,em particular, agradou representantes da sociedade que acompanham a Conferência de perto.

Para a surpresa geral, no dia seguinte, ainda em Paris, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mencionou, pela primeira vez, que deseja ver um acordo legalmente vinculante, declaração que sinaliza uma mudança de discurso. A promessa dos EUA é cortar até 28% de suas emissões até 2025, com relação ao que o país emitia em 2005.

A partir do segundo dia, quando saíram os líderes e ficaram os seus negociadores, a delegação brasileira passou a cobrar o comprometimento internacional com o novo acordo. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu que a diferenciação entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento seja contemplada no novo acordo.

A ministra garantiu que o País alcançará, até 2020, a meta estabelecida anteriormente de reduzir entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas de GEE. Para o futuro acordo que está sendo negociado em Paris, o Brasil apresentou um objetivo ainda mais robusto e se comprometeu a cortar 37% das emissões até 2025 e 43%, até 2030. Ambos os percentuais são comparados aos níveis de 2005.

Campeão em energia limpa

No evento “Diálogos do Brasil na COP21 – Rumo à Implementação da INDC Brasileira”, paralelo à Conferência, realizado na Embaixada do Brasil em Paris, gestores públicos e pesquisadores apontaram a renovação da matriz energética como uma das principais medidas para que o País atinja a meta de corte de emissões apresentada à ONU.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), as fontes renováveis correspondem, hoje, a 78% da geração de energia do Brasil. O dado supera em mais de três vezes a média mundial, com apenas 20,3% de fontes renováveis e mais de 40% provenientes do carvão. “O Brasil já faz a diferença e pode fazer mais a partir de uma perspectiva de inovação tecnológica”, declarou a ministra Izabella.

Liderado pelo pesquisador Emílio Lèbre La Rovere, o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia / Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), o estudo analisou as implicações das ações brasileiras voltadas para o corte de emissões de carbono. “Com a adoção das políticas adequadas, a INDC (meta nacional) do Brasil pode contribuir para o crescimento econômico sustentável, o desenvolvimento social e a redução de emissões’, afirmou o pesquisador.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou o desafio brasileiro de implantar a meta nacional de corte de emissões e, ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico. “O país tem um enorme potencial em termos de bioenergia e deve investir nisso”, defendeu. “O planejamento de ações é a chave para que o país continue nessa posição de liderança”, acrescentou o diretor-geral do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Eletrobras Cepel), Albert Melo.

Desinvestimento em combustíveis fósseis

A campanha de desinvestimento dos combustíveis fósseis quebrou um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento, de acordo com a 350.org e a Divest-Invest, duas organizações que estão coordenando este movimento.

Os novos números são mais um salto impressionante. Mas, os ativistas ressaltam que alguns compromissos são apenas parciais e a cifra de US$ 3,4 trilhões represente o valor total dos ativos geridos pelas instituições que aderiram ao movimento e não a quantidade de dinheiro desinvestido, que é difícil de controlar devido aos diferentes graus de disclosure dessas organizações.

O anúncio desta quarta-feira (2) é outro sinal, nos primeiros dias da Cúpula do Clima de Paris, de que os investidores estão prestando atenção às negociações e deslocando drasticamente o capital dos combustíveis fósseis para energias limpas e renováveis.

Na segunda-feira, Bill Gates e um grupo de investidores anunciou o lançamento de uma multi-milionária coalizão do setor privado para acelerar a inovação em energias limpas. Outras vozes, incluindo muitos dos países mais vulneráveis do mundo, estão exigindo que o acordo de Paris envie um sinal claro de que a era dos combustíveis fósseis chegou ao fim e o início das energias renováveis é irreversível.

Impacto na saúde dos brasileiros

Em parceria com o Secretariado da UNFCCC e vários parceiros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalhou com o Ministério da Saúde do Brasil para elaborar o perfil do País, que apresenta evidências na correlação entre aquecimento global e saúde. “A melhor defesa é a mesma que nos protegerá de surtos de doenças infecciosas e da crescente carga de doenças não transmissíveis: sistemas de saúde fortes, flexíveis e resilientes”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Segundo o “Perfil de País Climático e de Saúde 2015 da OMS”, divulgado na segunda-feira (30), a menos que consideráveis medidas protetoras sejam tomadas, inundações causadas pelo aumento do nível do mar poderão afetar mais de 618 mil brasileiros todos os anos durante o período de 2070 a 2100. Estima-se que mortes associadas ao aumento da temperatura em idosos (acima de 65 anos) crescerão para quase 72 por 100 mil habitantes em 2080, comparado com 1 por 100 mil ao ano, de 1961 a 1990.

Fique por dentro

Apesar de ser considerado natural, o efeito estufa tem aumentado nas últimas décadas e gerado as mudanças no clima. Essas alterações são fruto do aumento das emissões de gases como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4). Atividades humanas, como o transporte, o desmatamento, a agricultura, a pecuária e a geração e o consumo de energia, contribuem para isso.

Com o objetivo de conter os prejuízos, foi criada a Convenção sobre Mudanças do Clima das Nações Unidas (UNFCCC), que conta, hoje, com 195 países signatários. Todos os anos, representantes dessas nações reúnem-se na Conferência das Partes (COP) para elaborar metas e propostas de mitigação e adaptação e para acompanhar as ações e acordos estabelecidos anteriormente.

Firmado em 1997, no âmbito da UNFCCC, o Protocolo de Kyoto obriga os países desenvolvidos a diminuir em 5% as emissões com base nos dados de 1990. Mesmo estando fora desse grupo, o Brasil assinou voluntariamente o documento e definiu metas próprias de redução. O Protocolo vigora até 2020, quando será substituído pelo acordo que os 195 países pretendem assinar no fim deste ano, na COP21, em Paris.

Com informações de: MMA / Observatório do Clima / 350.org / Nações Unidas no Brasil