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Tag: Organização das Nações Unidas (ONU)


17:01 · 19.06.2017 / atualizado às 17:14 · 19.06.2017 por
O Semiárido brasileiro apresenta um alto grau de vulnerabilidade, o que exige a adoção de soluções de convivência para impedir o avanço da desertificação Foto: Maristela Crispim

No Dia Mundial de Combate à Desertificação, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentou editais para recuperação de áreas no Semiárido, com inscrições que vão até 27 de junho.

“Não há muito o que comemorar ainda. Queremos chamar a atenção das pessoas e dos governos sobre a urgência e gravidade do problema da desertificação nas terras secas”, destacou o diretor de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA, Valdemar Rodrigues

O Dia Mundial de Combate à Desertificação,  instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU),  em 1994, é comemorado, a cada ano, no dia 17 de junho.

O MMA traçou uma estratégia para a implementação de Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas (Urad) e redução da vulnerabilidade climática na região semiárida brasileira.

Por meio de editais, em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), para contratação de instituições implementadoras, serão atendidos pelo projeto seis estados, nove municípios e cerca de 15 comunidades.

“Precisamos criar ações transformadoras da realidade, porque as informações teóricas já temos todas. O investimento no projeto das Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas vai melhorar nossa capacidade de adaptação para reduzir a vulnerabilidade no Semiárido”, destacou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

Integração

As Urads têm como unidade de trabalho as microbacias hidrográficas e conjugam ações ambientais, sociais e produtivas, com o envolvimento direto das comunidades e prefeituras.

Na área ambiental, o projeto prevê a recuperação de área de pastagem degradada por meio de cordões de pedra, terraceamento (técnica de conservação do solo), barragens sucessivas em pedra ou madeira, barragem subterrânea, produção de mudas para replantio e incentivo à Integração de Lavoura, Pecuária e Floresta (ILPF).

Do ponto de vista social, que deve ser integrado ao ambiental, as URADs devem garantir a segurança hídrica, o saneamento básico, fogões ecológicos (que diminuem o consumo de madeira e lenha e não geram fuligem ), e capacitação.

Já as ações produtivas atendem às necessidades das comunidades com incentivo e suporte técnico à avicultura, ovinocultura, apicultura, hortas, artesanato, bordados, horticultura e beneficiamento de frutas, entre outros.

“É um trabalho de formiguinha, mas, se não fizermos assim, não resolveremos o problema”, explica o diretor Valdemar Rodrigues. Entre os resultados esperados a curto prazo, estão a mitigação dos efeitos da seca e a geração de emprego e renda.

A médio prazo, a recuperação ambiental, melhoria da qualidade de vida, desenvolvimento de tecnologias de adaptação e redução de vulnerabilidades.

Pernambuco

No dia 21 de junho, as cidades de Triunfo (PE) e Serra Talhada (PE) vão inaugurar um projeto monitorado pelo Departamento de Desenvolvimento Rural Sustentável e Combate à Desertificação do MMA.

O projeto chama-se Implantação de Módulos de Manejo Sustentável da Agrobiodiversidade para o Combate à Desertificação no Semiárido Pernambucano e será desenvolvido pela Secretaria de Meio Ambiente de Pernambuco, por meio de convênio com o Fundo Nacional sobre Mudança do Clima.

Entre as atividades previstas, estão a inauguração de equipamentos que apoiam a produção rural sustentável, como casas de beneficiamento de frutas, e das “mandalas”, instalações que conjugam horticultura com a criação de galinhas.

Suscetíveis à desertificação

No Brasil, as áreas suscetíveis à desertificação correspondem a aproximadamente 15% do território nacional (1.344.766 km²), abrangendo 1.491 municípios em nove estados da região Nordeste, no norte de Minas Gerais e norte do Espírito Santo, com população estimada de 37,1 milhões de habitantes (IBGE, 2016).

Os estados mais comprometidos em termos absolutos são Bahia, Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

A desertificação, definida como a degradação de terras nas zonas áridas, semiáridas e subúmidas secas, motivou a criação da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (UNCCD), da qual o Brasil é signatário, ao lado de 192 países, desde 1997.

Para favorecer o cumprimento das metas da UNCCD, o Brasil criou a Política Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (Lei Nº 13.153/2015), cuja regulamentação depende da assinatura de decreto, já encaminhado, com mecanismos de informação, financiamento, envolvimento da sociedade e monitoramento.

Fonte: MMA

21:13 · 16.09.2016 / atualizado às 21:37 · 16.09.2016 por

ozonemaximagerelease

O secretário de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental, Everton Lucero, lançou, nesta sexta-feira (16), a segunda fase do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), substâncias que contribuem para o aumento do buraco na camada de ozônio.   A meta é reduzir em 51,6%, até 2021, o uso pela indústria dessas substâncias químicas. Com isso, será protegida a camada de gás que protege o planeta dos raios ultravioletas.

Pelo Protocolo de Montreal, acordo internacional para preservação da camada de ozônio, os países em desenvolvimento se comprometem a reduzir o consumo da substância em 39,3 %. “A meta brasileira é ambiciosa e esperamos repetir o sucesso alcançado na primeira fase, que reduziu em 22%, enquanto o previsto era 16,6%”, avaliou Lucero.

Nos próximos cinco anos, serão investidos cerca de 35 milhões de dólares, em recursos doados pela Agência de Cooperação Alemã (GIZ) para a substituição de processos industriais que utilizam os HCFCs e para a capacitação do setor de serviços em refrigeração e produção de espumas.

O lançamento foi feito em cerimônia no Ministério do Meio Ambiente (MMA), no Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). O secretário ressaltou que a experiência do PBH brasileiro é reconhecida internacionalmente. “Esperamos seguir o exemplo em outros acordos internacionais, como o de redução dos gases de efeito estufa (Acordo de Paris)”, afirmou.

Substituição

O HCFCs (hidroclorofluorcarbonos) substituíram os CFC (clorofluorcarbonos), banidos desde a década de 1980 nos aparelhos de refrigeração e ar-condicionados e nos processos de expansão da espuma de estofados. Agora é preciso substituí-los porque, embora menos nocivos à camada de ozônio, agravam o efeito estufa, responsável pelo aquecimento global.

O efeito colateral exige que se busque sua redução gradativa, a um nível máximo de 15% do consumo atual. A medida requer mudanças no Protocolo de Montreal.  Em outubro, na próxima reunião das partes do acordo, em Kigali (Ruanda), será proposto um adendo para ampliar os esforços mundiais nesse sentido.

Prêmio 

O MMA premiou 28 empresas que aderiram, com sucesso, ao PBH. A placa comemorativa foi entregue às corporações como reconhecimento ao esforço na mudança de seus processos industriais, eliminando o HCFC. “O êxito do PBH não seria possível sem o engajamento da sociedade e do setor produtivo”, ressaltou Lucero.

A agência implementadora do PBH no Brasil é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).  O PBH conta ainda como a parceria do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) na capacitação dos profissionais que lidam com a utilização dos HCFCs.

Fonte: MMA

17:46 · 05.08.2016 / atualizado às 17:46 · 05.08.2016 por
Nossos padrões de consumo exigem mais do que o Planeta é capaz de suportar a cada ano Foto: SXC.HU
Nossos padrões de consumo têm exigido mais do que o Planeta é capaz de suportar a cada ano Ilustração: SXC.HU

Em pouco mais de sete meses, esgotamos os recursos naturais do Planeta para 2016, e a cada ano, sobrecarga tem ocorrido mais cedo. Hoje, a conclusão é de que a humanidade precisa de 1,6 planeta Terra para atender suas demandas

8 de agosto de 2016 é o Dia de Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day), data que marca o dia em que a humanidade consumiu mais recursos naturais do que o Planeta é capaz de produzir ao longo do ano. Isso significa que o consumo global recorde fez chegar mais cedo o início do “saldo negativo” da capacidade da Terra se recuperar.

Comparado com anos anteriores, em 2016, essa sobrecarga ocorre mais cedo. Em 2015, a data foi 13 de agosto. Considerado um termômetro para acompanhar a degradação do meio ambiente ao longo do tempo, o Dia da Sobrecarga passou a ser calculado no ano 2000.

O cálculo para chegar ao Dia da Sobrecarga da Terra é complicado, mas a explicação é simples. Feita pela Global Footprint Network, seguindo o conceito de pegada ambiental, a ONG usa dados da Organização das Nações Unidas (ONU), da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Organização Mundial do Comércio (OMC), além de dados governamentais dos próprios países.

As demandas de consumo global, a eficiência na produção de bens e o tamanho da população são contrapostos à capacidade da natureza de prover recursos e reciclar resíduos de forma orgânica.

Duas Terras até 2050

Hoje, a conclusão é de que a humanidade precisa de 1,6 planeta Terra para atender suas demandas. Algumas consequências dessa super exploração dos recursos naturais é o acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, a erosão do solo, o desmatamento das florestas, a sobrepesca, a diminuição da biodiversidade e as mudanças climáticas. Se nada mudar no comportamento de consumo humano, a projeção é de que precisaremos de duas Terras antes de 2050.

Calculado desde 2000, a sobrecarga dobrou nesse período, e a data acontece mais cedo a cada ano, com exceções apenas entre 2007 e 2008 (de 30/08 para 01/09) e 2008 e 2009 (de 01/09 para 06/09). No primeiro ano da medição, o esgotamento dos recursos naturais do Planeta aconteceu em 4 de outubro, quase dois meses mais tarde do que a data determinada para 2016. Também foram feitos cálculos retroativos desde 1961, concluindo que o primeiro ano de Sobrecarga da Terra aconteceu em 1970, quando a data caiu no dia 23 de dezembro.

Mudanças de atitude são fundamentais

Por outro lado, estima-se que a data poderia ser empurrada para a segunda quinzena de setembro caso, até 2030, as emissões de carbono sejam reduzidas em ao menos 30%, resultado pretendido pelo Acordo de Paris estabelecido na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 21), fechado em dezembro de 2015.

“Somente com a implantação bem sucedida de novas mentalidades de consumo e produção essa meta poderá ser alcançada. Do ponto de vista individual, atitudes como a diminuição do consumo em excesso e com desperdício de energia elétrica, de carne e transportes movidos a combustíveis fósseis são algumas das principais maneiras de colaborar, lado a lado com os compromissos de governos e empresas no combate ao desmatamento e recuperação de áreas degradadas no Planeta”, explica Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu.

Instituto Akatu

Criado em 15 de março de 2001, o Instituto Akatu é uma organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para um novo jeito de viver com consumo consciente e mais bem-estar para todos.

As atividades do Instituto estão focadas na mudança de comportamento do consumidor em duas frentes de atuação: Educação e Comunicação, com o desenvolvimento de campanhas, conteúdos e metodologias, pesquisas, jogos e eventos.

O Akatu também atua junto a empresas que buscam caminhos para a nova economia, ajudando a identificar oportunidades que levem a novos modelos de produção e consumo – modelos que respeitem o ambiente e o bem-estar, sem deixar de lado a prosperidade.

Fonte: Instituto Akatu

10:00 · 21.06.2016 / atualizado às 21:59 · 20.06.2016 por
A barragem de contenção de sedimentos e cordões construída com pedras soltas, cuidadosamente arrumadas e em formato de arco, ajuda na redução do assoreamento dos reservatório e rios Foto: Divulgação/Ematerce
A barragem de contenção de sedimentos e cordões construída com pedras soltas, cuidadosamente arrumadas e em formato de arco, ajuda na redução do assoreamento dos reservatório e rios Foto: Divulgação/Ematerce

Por Marcelino Júnior

Iniciado em 2013, pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), com participação da Associação dos Pequenos Produtores e Apicultores do Assentamento Mandacaru, localizado a 15Km da sede deste Município, o “Projeto de Desenvolvimento Sustentável do Assentamento Mandacaru com a Integração de Tecnologias de Convivência com o Semiárido e Preservação dos Recursos Naturais” promove uma série de intervenções técnicas, inteiramente voltadas para recuperação e preservação desses recursos, especialmente do solo e água, integrados às atividades produtivas e de convivência com o Semiárido.

O Projeto, que beneficia 26 famílias, das 130 nos 3.800 hectares do assentamento, foi orçado em R$ 641.749, sendo R$ 577.574, do Fundo Nacional de Mudanças Climáticas – Ministério do Meio Ambiente (FNMC-MMA), e R$ 64.174 do governo do Estado. A implantação, que utilizou mão de obra da própria comunidade, está em sua etapa final, com licitação para aquisição de 250 matrizes de ovinos e mais dez animais reprodutores.

O projeto de Irauçuba, único do Ceará apresentado neste ano, foi homenageado, juntamente com outras 21 instituições, na sexta-feira (17), em Brasília, pelo Prêmio internacional Dryland Champions, promovido pela Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), em parceria com o MMA. O programa presta homenagem a iniciativas, de pessoas, organizações governamentais e empresas que contribuem para o manejo sustentável de terras, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das populações e as condições dos ecossistemas afetados pela desertificação e a seca.

O evento foi realizado pelo MMA, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), para marcar o Dia Mundial de Combate à Desertificação (17 de junho), data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) para promover a conscientização sobre o problema, que atinge 42% das terras do Planeta e 35% da população mundial.

Com o slogan “Proteger a Terra. Restaurar os Solos. Envolver as pessoas”, a UNCCD defende a importância da cooperação inclusiva para restaurar e recuperar terras degradadas e contribuir para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Nesta edição, o programa Dryland Champions priorizou projetos que contribuem para o manejo sustentável de solos nas áreas suscetíveis à desertificação no Brasil.

“Esse reconhecimento nos deixa satisfeitos de saber que estamos no caminho certo. O projeto foi uma reivindicação daquelas famílias, que participaram integralmente de sua elaboração e desenvolvimento para benefício delas próprias”, afirmou o assessor técnico da Ematerce e elaborador do projeto, Josualdo Justino Alves.

20:42 · 13.05.2016 / atualizado às 20:42 · 13.05.2016 por

Até 23 de maio, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) recebe inscrições para um novo curso sobre gestão responsável da terra, das florestas e da pesca. A iniciativa, prevista para ocorrer nos meses de junho e julho, é online e semipresencial, com quatro semanas à distância e três dias de encontros em Antigua, na Guatemala.

Todos os custos do curso para os participantes – incluindo matrícula, viagem, deslocamentos, hospedagem e alimentação – serão financiados pela Cooperação Internacional do Reino Unido.

A iniciativa é voltada para funcionários e técnicos de instituições governamentais e da sociedade civil que trabalham na execução de políticas e programas de gestão sustentável de recursos naturais. O curso pode ser realizado por nacionais de Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, México e Peru.

Com a capacitação, a FAO espera fortalecer a capacidade institucional de organismos estatais e da sociedade civil para aprimorar a governança da terra, das florestas e da pesca, promovendo a segurança alimentar o desenvolvimento sustentável.

As aulas estão alinhadas a diretrizes específicas sobre esses temas elaboradas pela agência da Organização das Nações Unidas (ONU), que busca aumentar sua aplicação na América Latina. Os princípios da FAO buscam garantir a igualdade no acesso a recursos naturais e estabelecer padrões para a promoção dos direitos de propriedade e manejo responsáveis da natureza, o que pode contribuir para o combate à pobreza e à fome.

Saiba mais aqui

Inscreva-se no curso diretamente clicando aqui

Mais informações:

Duração: 4 semanas a distância e 3 dias presenciais

Fase a distância: 6 de junho a 10 de julho de 2016

Fase presencial: 18 a 20 de julho, no Centro de Formação da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid) em Antígua, na Guatemala.

Fonte: ONU Brasil

08:00 · 03.12.2015 / atualizado às 08:15 · 03.12.2015 por
Ativistas da campanha de desinvestimento dos combustíveis fósseis comemoram a quebra um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento Foto: Emma Cassidy / Survival Media Agency
Ativistas  comemoram a quebra um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento em combustíveis fósseis nesta quarta-feira Foto: Emma Cassidy / Survival Media Agency

Na segunda-feira (30), começou, em Paris, a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC), mais conhecida como COP21. Nela, 150 dos 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) pretendem chegar a um acordo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE), tentando limitar em 2ºC o aquecimento da atmosfera até 2100 em comparação aos níveis pré-industriais.

Nesse primeiro dia, os chefes de Estado e de governo expressaram os seus anseios e preocupações em relação aos objetivos comuns e individuais. Dilma Rousseff, por exemplo, uniu-se a outros chefes de Estado para pedir que o acordo da COP21 seja legalmente vinculante, num claro recado aos Estados Unidos e à Índia, que enfrentam seus próprios desafios para cumprir as ousadas metas necessárias. Essa posição,em particular, agradou representantes da sociedade que acompanham a Conferência de perto.

Para a surpresa geral, no dia seguinte, ainda em Paris, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, mencionou, pela primeira vez, que deseja ver um acordo legalmente vinculante, declaração que sinaliza uma mudança de discurso. A promessa dos EUA é cortar até 28% de suas emissões até 2025, com relação ao que o país emitia em 2005.

A partir do segundo dia, quando saíram os líderes e ficaram os seus negociadores, a delegação brasileira passou a cobrar o comprometimento internacional com o novo acordo. A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu que a diferenciação entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento seja contemplada no novo acordo.

A ministra garantiu que o País alcançará, até 2020, a meta estabelecida anteriormente de reduzir entre 36,1% e 38,9% das emissões projetadas de GEE. Para o futuro acordo que está sendo negociado em Paris, o Brasil apresentou um objetivo ainda mais robusto e se comprometeu a cortar 37% das emissões até 2025 e 43%, até 2030. Ambos os percentuais são comparados aos níveis de 2005.

Campeão em energia limpa

No evento “Diálogos do Brasil na COP21 – Rumo à Implementação da INDC Brasileira”, paralelo à Conferência, realizado na Embaixada do Brasil em Paris, gestores públicos e pesquisadores apontaram a renovação da matriz energética como uma das principais medidas para que o País atinja a meta de corte de emissões apresentada à ONU.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), as fontes renováveis correspondem, hoje, a 78% da geração de energia do Brasil. O dado supera em mais de três vezes a média mundial, com apenas 20,3% de fontes renováveis e mais de 40% provenientes do carvão. “O Brasil já faz a diferença e pode fazer mais a partir de uma perspectiva de inovação tecnológica”, declarou a ministra Izabella.

Liderado pelo pesquisador Emílio Lèbre La Rovere, o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia / Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ), o estudo analisou as implicações das ações brasileiras voltadas para o corte de emissões de carbono. “Com a adoção das políticas adequadas, a INDC (meta nacional) do Brasil pode contribuir para o crescimento econômico sustentável, o desenvolvimento social e a redução de emissões’, afirmou o pesquisador.

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, ressaltou o desafio brasileiro de implantar a meta nacional de corte de emissões e, ao mesmo tempo, manter o crescimento econômico. “O país tem um enorme potencial em termos de bioenergia e deve investir nisso”, defendeu. “O planejamento de ações é a chave para que o país continue nessa posição de liderança”, acrescentou o diretor-geral do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Eletrobras Cepel), Albert Melo.

Desinvestimento em combustíveis fósseis

A campanha de desinvestimento dos combustíveis fósseis quebrou um novo recorde na COP21: mais de 500 instituições que representam mais de US$ 3,4 trilhões em ativos fizeram algum tipo de compromisso de desinvestimento, de acordo com a 350.org e a Divest-Invest, duas organizações que estão coordenando este movimento.

Os novos números são mais um salto impressionante. Mas, os ativistas ressaltam que alguns compromissos são apenas parciais e a cifra de US$ 3,4 trilhões represente o valor total dos ativos geridos pelas instituições que aderiram ao movimento e não a quantidade de dinheiro desinvestido, que é difícil de controlar devido aos diferentes graus de disclosure dessas organizações.

O anúncio desta quarta-feira (2) é outro sinal, nos primeiros dias da Cúpula do Clima de Paris, de que os investidores estão prestando atenção às negociações e deslocando drasticamente o capital dos combustíveis fósseis para energias limpas e renováveis.

Na segunda-feira, Bill Gates e um grupo de investidores anunciou o lançamento de uma multi-milionária coalizão do setor privado para acelerar a inovação em energias limpas. Outras vozes, incluindo muitos dos países mais vulneráveis do mundo, estão exigindo que o acordo de Paris envie um sinal claro de que a era dos combustíveis fósseis chegou ao fim e o início das energias renováveis é irreversível.

Impacto na saúde dos brasileiros

Em parceria com o Secretariado da UNFCCC e vários parceiros, a Organização Mundial da Saúde (OMS) trabalhou com o Ministério da Saúde do Brasil para elaborar o perfil do País, que apresenta evidências na correlação entre aquecimento global e saúde. “A melhor defesa é a mesma que nos protegerá de surtos de doenças infecciosas e da crescente carga de doenças não transmissíveis: sistemas de saúde fortes, flexíveis e resilientes”, disse a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Segundo o “Perfil de País Climático e de Saúde 2015 da OMS”, divulgado na segunda-feira (30), a menos que consideráveis medidas protetoras sejam tomadas, inundações causadas pelo aumento do nível do mar poderão afetar mais de 618 mil brasileiros todos os anos durante o período de 2070 a 2100. Estima-se que mortes associadas ao aumento da temperatura em idosos (acima de 65 anos) crescerão para quase 72 por 100 mil habitantes em 2080, comparado com 1 por 100 mil ao ano, de 1961 a 1990.

Fique por dentro

Apesar de ser considerado natural, o efeito estufa tem aumentado nas últimas décadas e gerado as mudanças no clima. Essas alterações são fruto do aumento das emissões de gases como o dióxido de carbono (CO2) e o metano (CH4). Atividades humanas, como o transporte, o desmatamento, a agricultura, a pecuária e a geração e o consumo de energia, contribuem para isso.

Com o objetivo de conter os prejuízos, foi criada a Convenção sobre Mudanças do Clima das Nações Unidas (UNFCCC), que conta, hoje, com 195 países signatários. Todos os anos, representantes dessas nações reúnem-se na Conferência das Partes (COP) para elaborar metas e propostas de mitigação e adaptação e para acompanhar as ações e acordos estabelecidos anteriormente.

Firmado em 1997, no âmbito da UNFCCC, o Protocolo de Kyoto obriga os países desenvolvidos a diminuir em 5% as emissões com base nos dados de 1990. Mesmo estando fora desse grupo, o Brasil assinou voluntariamente o documento e definiu metas próprias de redução. O Protocolo vigora até 2020, quando será substituído pelo acordo que os 195 países pretendem assinar no fim deste ano, na COP21, em Paris.

Com informações de: MMA / Observatório do Clima / 350.org / Nações Unidas no Brasil

13:15 · 22.07.2014 / atualizado às 13:15 · 22.07.2014 por
O prêmio foi concebido para reconhecer projetos, iniciativas e programas que promovam melhores práticas na gestão, participação, comunicação, sensibilização e educação relacionados à água Foto: Cid Barbosa / Agência Diário
O prêmio foi concebido para reconhecer projetos, iniciativas e programas que promovam melhores práticas na gestão, participação, comunicação, sensibilização e educação relacionados à água Foto: Cid Barbosa / Agência Diário

Como parte da comemoração do fim da década “Água, fonte de vida” (2005-2015), as Nações Unidas lançaram a quinta edição do prêmio organizado por sua agência ONU-Água, para promover melhores práticas na gestão desse recurso natural e no âmbito da participação, comunicação, sensibilização e educação.

O prêmio foi concebido para reconhecer projetos, iniciativas e programas e não o trabalho individual. Aqueles que queiram concorrer sozinhos devem encontrar o aval e apresentar-se com o apoio de uma organização. O prazo de inscrição termina no dia 15 de setembro de 2014.

Com o tema “Água e Desenvolvimento Sustentável”, esta quinta edição do prêmio oferece ainda uma oportunidade para refletir sobre os compromissos internacionais nesse campo e sobre os esforços realizados para alcançar a meta dos Objetivos de Desenvolvimento de reduzir pela metade a proporção de pessoas sem acesso à água potável e ao saneamento para 2015, bem como deter a exploração insustentável dos recursos hídricos.

O prêmio será entregue no dia 22 de março, durante uma cerimônia, em Nova York, por ocasião do Dia Mundial da Água. Essa é uma iniciativa organizada e coordenada pelo Escritório das Nações Unidas de Apoio à Década Internacional para a Ação “Água – Fonte de Vida” 2005-2015, que implementa o Programa ONU-Água para a Promoção e Comunicação e o Programa Mundial de Avaliação dos Recursos Hídricos (WWAP).

Para mais informação, clique aqui.

Fonte: ONU Brasil

13:40 · 22.05.2014 / atualizado às 14:28 · 22.05.2014 por

Capa Sumario Pan Tatu-Bola

O dia 22 de maio foi a data escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para comemorar o Dia Internacional da Biodiversidade, com o objetivo de aumentar a conscientização mundial para a importância da diversidade biológica, e para a necessidade da proteção da biodiversidade do Planeta. A comemoração foi instituída em 1992, data da aprovação do texto final da Convenção da Diversidade Biológica (Convention on Biological Diversity).

Para marcar a data neste ano, foi lançado hoje, em Brasília, o Plano de Ação Nacional (PAN) de Conservação do Tatu-bola , elaborado durante a Oficina realizada de 12 a 16 de maio na Reserva Natural Serra das Almas, em Crateús. O evento foi realizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que na ocasião assinarão iniciativas em prol da preservação da fauna brasileira.

A oficina do Plano de Ação foi coordenada pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros (CPB) do ICMBio, contando com o apoio da Organização Não Governamental (ONG) Associação Caatinga e do Grupo Especialista em Tatus, Preguiças e Tamanduás (ASASG) da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), e com a participação de outras 15 instituições entre universidades, órgãos estaduais e federais de meio ambiente e ONGs.

O PAN Tatu-bola terá coordenação executiva da Associação Caatinga e será acompanhado pelo Centro Nacional de Pesquisa e Conservação do Cerrado e Caatinga (Cecat) e pela Coordenação Geral de Espécies Ameaçadas (CGESP) do ICMBio.

O PAN Tatu-bola enfoca as duas espécies do gênero Tolypeutes. Para T. tricinctus o objetivo é reduzir o risco de extinção, já o T. matacus é necessário ampliar o conhecimento sobre ele para poder avaliar adequadamente seu estado de conservação. Para atingir este objetivo em cinco anos, foram estabelecidas 38 ações ordenadas em seis objetivos específicos, e foi constituído um Grupo de Assessoramento Estratégico composto por dez membros, de sete instituições.

Paralelamente, a sociedade está sendo mobilizada pela campanha “Eu Protejo o Tatu-bola” que visa fortalecer ainda mais o apelo pela preservação do animal que inspirou o mascote da Copa do Mundo 2014. Os membros da Associação Caatinga destacam que, “infelizmente, esta estratégia não os protege da caça praticada pelos humanos e, isto, em conjunto com a destruição de seus habitats, tem ameaçado a sua sobrevivência”.

A expectativa é de que a execução das ações previstas possa ser iniciada já no segundo semestre de 2014.

Fonte: Associação Caatinga

 

10:25 · 07.01.2014 / atualizado às 09:15 · 08.01.2014 por
Agricultor Vitoriano Alves, de Cruzeta (RN) Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti
Agricultor Vitoriano Alves, de Cruzeta (RN) Foto: Banco Mundial/Mariana Ceratti

Um estudo do Banco Mundial aponta que a variabilidade das chuvas e a intensidade das secas no Nordeste continuarão aumentando até 2050, com graves efeitos para a população, caso os governos locais não invistam em infraestrutura e gestão hídrica.

Pela análise de duas regiões – a Bacia de Piranhas-Açu, no Rio Grande do Norte, e o Rio Jaguaribe, no Ceará – o relatório “Impactos da Mudança Climática na Gestão de Recursos Hídricos: Desafios e Oportunidades no Nordeste do Brasil” analisa os efeitos do aquecimento global combinados com fatores como o crescimento populacional e o aumento da demanda por água.

Em parceria com a Agência Nacional de Águas (ANA), a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), entre outras instituições, os pesquisadores avaliam que a bacia de Piranhas-Açu, por exemplo, deve sofrer uma maior perda de água no solo e nas plantas, um fenômeno que os especialistas chamam “evapotranspiração”.

Ainda segundo o estudo, porém, se forem realizados constantes investimentos na modernização da irrigação, a demanda pela água na agricultura pode diminuir 40%, o que atenuaria o problema de gerenciamento da água da região.

O relatório mostra que, embora futuras compensações sobre o uso da água vão existir e deverão ser negociadas e discutidas entre os usuários, estratégias de alocação mais flexíveis poderiam tornar o setor de água no Nordeste brasileiro menos vulnerável aos impactos da demanda e das mudanças climáticas.

Agência da ONU auxilia na implementação de mudanças

Um programa financiado pelo Banco Mundial já começa a implementar mudanças na região. Uma iniciativa que atenderá 23 pequenos agricultores – com lotes de cerca de cinco hectares cada – apoia os trabalhadores rurais na compra de equipamentos que economizam água, dá assistência técnica na gestão hídrica e auxilia a expansão da rede elétrica na área do projeto, reduzindo a necessidade de água para o cultivo.

O agricultor Jean Azevedo acredita que o novo projeto ajudará os produtores que continuam procurando oportunidades no campo. Ele vive em Cruzeta (RN), uma região onde caem, em média, menos de 800 mm de chuva por ano – um volume de precipitação similar ao de países da África Subsaariana – e onde praticamente não chove entre julho e dezembro.

Preservar esse recurso natural tão valioso é um dos principais objetivos de Vitoriano Alves dos Santos, colega do Azevedo na Associação de Produtores de Cruzeta. “Ainda tenho acesso a uma fonte de água, mas me aflige ver a quantidade gasta todos os dias com a irrigação”, afirma.

Fonte: Nações Unidas no Brasil

20:40 · 14.11.2013 / atualizado às 21:29 · 14.11.2013 por

Representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e do Ministério do Meio Ambiente (MMA) escolheram Sergipe para ser piloto no projeto desenvolvido pelo Pnud/MMA visando reduzir e mitigar a degradação de terras em áreas susceptíveis à desertificação, além de promover a manutenção de funções ambientais.

O projeto, com investimentos de US$ 4 milhões do Global Environment Facility (GEF), foi apresentado na manhã de quarta-feira (13), ao secretário do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Genival Nunes, e dirigentes e técnicos de outras instituições com atuação em áreas do semiárido e sertão sergipano.

Segundo o diretor de Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campello, o Governo de Sergipe desponta entre os demais Estados do Nordeste para projeto piloto do Pnud por ações desenvolvidas em projetos estruturantes. “São ações em projetos com promoção de convivências sustentáveis que visam melhorar as condições de vida, particularmente ao nível das comunidades locais, e que revertem os vetores da desertificação no Estado”, disse.

Ele ressaltou, ainda, o fato de a Secretaria de Saneamento estar hoje inserida na Convenção Nacional de Combate à Desertificação (UNCCD), com 12 ministérios e 11 Estados. “O projeto a ser executado em Sergipe vem também fortalecer o Programa de Combate à Desertificação (PAE) em Sergipe”, afirmou Campello.

Reforço

Genival Nunes considera mais uma grande conquista do governo de Sergipe o fato de o Estado ser piloto em um projeto desse porte na área ambiental. “O projeto do Pnud visa reforçar o planejamento do uso da terra em pequenas propriedades que compõem os 905 estabelecimentos rurais do Estado, por meio de flexibilização e delineamento dos processos de licenciamento ambiental e uso da terra”, declarou.

Pré-aprovado e com valor definido para execução em Sergipe, toda estrutura do projeto foi apresentada por Rosenely Diegues e Donald Sawer, ambos integrantes do Pnud – que é a agência líder da rede global de desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e que trabalha principalmente pelo combate à pobreza e pelo desenvolvimento humano.

Segundo explicou Sawer, o processo de implantação de projeto em Sergipe será elaborado em inglês e português, e em seguida, todo o passo a passo do projeto a ser executado nas áreas de desertificação será reapresentado ao GEF.

Para José Holanda Neto, técnico de planejamento da Secretaria de Agricultura, o projeto impulsiona maior interesse em apoiar o exercício de práticas inovadoras e integradas, abrangendo a assistência técnica e extensão rural para essas áreas degradadas. Positivamente também sinalizou a favor do projeto o superintendente da Companhia de Desenvolvimento do Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) em Sergipe, Paulo Viana.

Entre os municípios susceptíveis à desertificação em Sergipe, estão: Poço Redondo, Canindé de São Francisco, Monte alegre, Gararu, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora de Lourdes e Porto da folha. A missão do PNUD e do MMA esteve nessa quinta-feira (14) em Poço Redondo. Na ocasião participou de Oficina de Marco Lógico e da apresentação do projeto Manejo Sustentável do Uso da Terra do Nordeste Semiárido do Brasil-Sergipe.

Fonte: MMA