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Tag: Planeta


10:00 · 03.07.2017 / atualizado às 22:36 · 02.07.2017 por

Por Vanda Claudino Sales*

Normalmente, pensamos a Terra como sendo uma esfera ou elipsóide quase perfeita. No entanto, o Planeta  é muito movimentado e irregular. A sua topografia, representada pelas elevações e depressões criadas pelas montanhas, vales, áreas rebaixadas, planícies e planaltos, é responsável por essas inúmeras  irregularidades.

A força da gravidade tem intensidade alterada, de acordo com a topografia da Terra. Isso acontece em decorrência do princípio físico universal que define que a gravidade é sempre maior onde existe mais massa acumulada, e sempre menor onde ocorre déficit de massa.

As áreas de montanhas representam segmentos nos quais a crosta terrestre é mais espessa. Ao contrário, as áreas deprimidas são aquelas nas quais a crosta terrestre é mais fina.  As montanhas, em outras palavras, têm  mais massa que as depressões,  e assim a gravidade é mais elevada nos limites das montanhas do que no contato com áreas deprimidas.

Geóide é o nome que se dá à forma que a superfície da Terra (com oceanos) apresenta sob a influência da forca da gravidade. Corresponde à verdadeira forma física da Terra, em contraste com a forma geométrica idealizada de esfera ou elipsóide.

A superfície do geóide acompanha, de certa forma, a da topografia da Terra, embora com diferentes grandezas. Ela é mais elevada do que a esfera  idealizada quando existe mais massa, e mais rebaixada quando tem déficit de massa. Essa situação é explicitada na figura acima, que corresponde a um modelo físico elaborado pela Nasa para ilustrar o geóide e as deformações da Terra.

O geóide, em outras palavras, é um mapa do campo de gravidade da Terra. Trata-se de um modelagem física na qual, de maneira bastante simplificada,  a gravidade é tomada ao nível zero do mar e estendida para toda a superfície do Planeta.

Onde ocorrem anomalias (isto e, locais com mais ou menos massa em relação ao nível zero inicial), a linha horizontal sobe ou desce, ilustrando as irregularidades que a Terra apresenta. O geóide, assim, demonstra que a Terra tem formato mais próximo de uma batata do que de um elipsoide ou esfera!

No geóide, a superfície dos oceanos também apresenta “topografia”. Isso porque a água dos oceanos muda de densidade de um lugar para outro, em função das diferenças de salinidade e de temperatura – e quanto mais denso um corpo, maior a gravidade.

Além disso, o movimento de rotação da Terra cria deslocamentos constantes da massa d’água, gerando maiores densidades (maior gravidade) em locais diversos das bacias oceânicas. Mas, como o geóide mede a gravidade e não a real topografia, na realidade não encontramos estes  desníveis quando realizamos um cruzeiro.

Nesse modelo, que é exagerado para realçar as diferenças, o vermelho representa as áreas mais elevadas e/ou mais densas (mais massa), a azul as áreas mais deprimidas e/ou menos densas (menos massa), e o amarelo e verde as áreas com altitudes (e massas) intermediárias.

Pode-se perceber o vermelho mais intenso no Atlântico Norte e Europa, áreas de maior densidade e espessura de rochas em funcão de dobramentos antigos e da presença de aguas gélidas,  e o azul na bacia oceânia abissal e áreas de menor densidade no Oceano Índico.

Avanços no mapeamento detalhado da gravidade na superfície da Terra vem crescendo muito nos últimos anos, e hoje já existe um mapa de geóide bem detalhado, com precisão altimétrica elevada. Essa técnica propicia informação preciosa para muitos campos científicos como Oceanografia, Hidrologia, Geologia, Cartografia, Geografia e disciplinas correlatas.

Sobretudo, as análises constantes do geóide e de suas alterações mensais – o que já é feito por satélites – mostram-se como importante instrumento para trabalhar com os efeitos do aquecimento global, pois permite medir mudanças nas calotas de gelo, entender o deslocamento e a temperatura de correntes oceânicas (fundamentais para o clima), compreender  as forças que criam o “El Niño” e “La Niña” e analisar o processos de mudanças do nível do mar resultantes de aumento da temperatura e da massa de água oceânica.

Além disso, permitirá a compreensão das ação das forças internas que movem placas tectônicas e resultam em terremotos e atividades vulcânicas, fornecendo assim indícios sobre os mecanismos que produzem a dinâmica natural do Planeta. Só existem coisas positivas em relação ao geóide!

*Geógrafa

Professora-doutora do Mestrado em Geografia da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA)

E-mail: vcs@ufc.br

17:46 · 05.08.2016 / atualizado às 17:46 · 05.08.2016 por
Nossos padrões de consumo exigem mais do que o Planeta é capaz de suportar a cada ano Foto: SXC.HU
Nossos padrões de consumo têm exigido mais do que o Planeta é capaz de suportar a cada ano Ilustração: SXC.HU

Em pouco mais de sete meses, esgotamos os recursos naturais do Planeta para 2016, e a cada ano, sobrecarga tem ocorrido mais cedo. Hoje, a conclusão é de que a humanidade precisa de 1,6 planeta Terra para atender suas demandas

8 de agosto de 2016 é o Dia de Sobrecarga da Terra (Earth Overshoot Day), data que marca o dia em que a humanidade consumiu mais recursos naturais do que o Planeta é capaz de produzir ao longo do ano. Isso significa que o consumo global recorde fez chegar mais cedo o início do “saldo negativo” da capacidade da Terra se recuperar.

Comparado com anos anteriores, em 2016, essa sobrecarga ocorre mais cedo. Em 2015, a data foi 13 de agosto. Considerado um termômetro para acompanhar a degradação do meio ambiente ao longo do tempo, o Dia da Sobrecarga passou a ser calculado no ano 2000.

O cálculo para chegar ao Dia da Sobrecarga da Terra é complicado, mas a explicação é simples. Feita pela Global Footprint Network, seguindo o conceito de pegada ambiental, a ONG usa dados da Organização das Nações Unidas (ONU), da Agência Internacional de Energia (IEA) e da Organização Mundial do Comércio (OMC), além de dados governamentais dos próprios países.

As demandas de consumo global, a eficiência na produção de bens e o tamanho da população são contrapostos à capacidade da natureza de prover recursos e reciclar resíduos de forma orgânica.

Duas Terras até 2050

Hoje, a conclusão é de que a humanidade precisa de 1,6 planeta Terra para atender suas demandas. Algumas consequências dessa super exploração dos recursos naturais é o acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, a erosão do solo, o desmatamento das florestas, a sobrepesca, a diminuição da biodiversidade e as mudanças climáticas. Se nada mudar no comportamento de consumo humano, a projeção é de que precisaremos de duas Terras antes de 2050.

Calculado desde 2000, a sobrecarga dobrou nesse período, e a data acontece mais cedo a cada ano, com exceções apenas entre 2007 e 2008 (de 30/08 para 01/09) e 2008 e 2009 (de 01/09 para 06/09). No primeiro ano da medição, o esgotamento dos recursos naturais do Planeta aconteceu em 4 de outubro, quase dois meses mais tarde do que a data determinada para 2016. Também foram feitos cálculos retroativos desde 1961, concluindo que o primeiro ano de Sobrecarga da Terra aconteceu em 1970, quando a data caiu no dia 23 de dezembro.

Mudanças de atitude são fundamentais

Por outro lado, estima-se que a data poderia ser empurrada para a segunda quinzena de setembro caso, até 2030, as emissões de carbono sejam reduzidas em ao menos 30%, resultado pretendido pelo Acordo de Paris estabelecido na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP 21), fechado em dezembro de 2015.

“Somente com a implantação bem sucedida de novas mentalidades de consumo e produção essa meta poderá ser alcançada. Do ponto de vista individual, atitudes como a diminuição do consumo em excesso e com desperdício de energia elétrica, de carne e transportes movidos a combustíveis fósseis são algumas das principais maneiras de colaborar, lado a lado com os compromissos de governos e empresas no combate ao desmatamento e recuperação de áreas degradadas no Planeta”, explica Helio Mattar, diretor presidente do Instituto Akatu.

Instituto Akatu

Criado em 15 de março de 2001, o Instituto Akatu é uma organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para um novo jeito de viver com consumo consciente e mais bem-estar para todos.

As atividades do Instituto estão focadas na mudança de comportamento do consumidor em duas frentes de atuação: Educação e Comunicação, com o desenvolvimento de campanhas, conteúdos e metodologias, pesquisas, jogos e eventos.

O Akatu também atua junto a empresas que buscam caminhos para a nova economia, ajudando a identificar oportunidades que levem a novos modelos de produção e consumo – modelos que respeitem o ambiente e o bem-estar, sem deixar de lado a prosperidade.

Fonte: Instituto Akatu

22:11 · 05.06.2016 / atualizado às 22:37 · 05.06.2016 por

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O Planeta já dá sinais de que se nós – indivíduos, empresas, governos – não mudarmos nossas atitudes, seguiremos para o nosso declínio.
Nesta edição 2016 especial de Gestão Ambiental do Dia Mundial do Meio ambiente, falamos francamente com o secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl.
Tratamos também do tema mitigação, mostrando a palma forrageira como uma opção viável de manter o rebanho, já que o Estado do Ceará amarga o quinto ano seguido de seca.
Também focamos experiências bem-sucedidas de Gestão Ambiental de empresas como a Esmaltec e a C. Rolim Engenharia.
Destacamos a guinada sustentável da gigante C&A, que uniu-se à National Geographic para promover o cultivo do algodão orgânico, considerando inclusive a produção do agricultores familiares do Ceará.
Por fim, tratamos de um novo investimento que já vem fazendo a diferença na gestão dos Resíduos Sólidos no Ceará, por meio da Cidade Limpa Ambiental.

Confira todas as páginas em álbum na Fan Page do Blog Gestão Ambiental no Facebook.
Aproveitem a leitura!

22:30 · 22.04.2016 / atualizado às 23:32 · 23.04.2016 por

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O Dia da Terra – 22 de abril – foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para marcar a responsabilidade coletiva de promover a harmonia com a natureza e alcançar um balanço entre economia, sociedade e meio ambiente.

Trata-se de uma oportunidade anual de reafirmar um compromisso coletivo num mundo ameaçado por mudanças climáticas, exploração insustentável dos recursos naturais e outros problemas causados pelo ser humano.

“Quando nós ameaçamos nosso planeta, minamos nossa própria casa – e a nossa sobrevivência no futuro”, já disse secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que completou, no ano passado: “não temos Plano B porque não temos Planeta B”.

Reafirmando tudo isso, até o momento, 175 países, dos 195 países-membros da ONU, assinaram o Acordo do Clima, em Nova York, numa segunda data histórica após a aprovação do documento, no dia 12 de dezembro de 2015, em Paris, encerrando a COP-21.

Uma coisa é certa: as Mudanças Climáticas estão em curso, tendem a degradar a nossa qualidade de vida e, se nada for feito, tudo será muito pior no futuro. Esse é um compromisso de nações, mas deve ser também do setor produtivo e de cada habitante do Planeta.

A grande questão é que, por se tratar de um problema global, é muito difícil convencer as pessoas / empresas / governos da importância do papel de cada um para reduzir os seus impactos sobre o equilíbrio planetário e, ao mesmo tempo, buscar mitigar os efeitos já em curso.

No caso do Brasil, além das metas de redução de desmatamento, investimento em energias / meios de transporte limpos, ainda há muito mais a ser feito. Depende de cada um de nós a qualidade de vida das gerações futuras. Porque o Planeta vem provando, há eras, que consegue sobreviver.

Maristela Crispim

Editora

08:09 · 06.10.2015 / atualizado às 08:09 · 06.10.2015 por
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Se todo o gelo do Planeta derretesse, o mar submergiria algumas grandes cidades e continentes inteiros seriam remodelados drasticamente

A comunidade científica mundial tem feito muitos alertas sobre os efeitos das  interferências humanas sobre o clima terrestre, particularmente o Aquecimento Global ocasionado pelas nossas emissões de gases a partir do processo de industrialização, sobretudo com a geração de energia e transportes.
A elevação do nível do mar em consequência do derretimento do gelo existente no Planeta é uma dessas consequências e as estimativas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) são de que continue crescente se não contivermos as nossas emissões.
É com o objetivo de reverter esse quadro e outras consequências, como a intensificação de secas e enchentes no globo terrestre que mais de 190 países estarão reunidos em Paris, no início de dezembro, na 21ª Conferência das Partes das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP21).
A National Geographic mostrou, em 2013, que o nível do mar aumentaria em 65,83 metros, se todo o gelo da Terra derretesse, o que reformularia drasticamente os continentes e submergiria muitas das principais cidades do mundo. Confira o vídeo!

Leia mais sobre o assunto no site da National Geographic

14:45 · 04.05.2015 / atualizado às 14:51 · 04.05.2015 por
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O ilustrador e animador, hoje freelance, baseado em Londres, Steve Cutts resumiu, em pouco mais de três minutos, a forma com a maioria dos seres humanos trata o Planeta que levou bilhões de anos para se tornar habitável. As imagens ensejam uma reflexão sobre o comportamento de cada um de nós, que vivemos, na medida em que o tempo passa, cada vez mais apartados do nosso meio natural, como se não pertencêssemos a ele pelo simples fato de termos a faculdade de pensar e de construir, diferentemente dos outros seres vivos que coabitam a Terra. Fica a reflexão sobre o que cada um de nós pode fazer para que mais gerações de nós mesmos possam continuar por mais um tempo por aqui. A Postagem não é nova, é de 21 de dez de 2012, e já teve mais de 13 milhões de visualizações, mas nunca é demais compartilhar.
Mais informações:
Animação criada em Flash e After Effects “Olhando o relacionamento do homem com o mundo natural”
Música: “No Salão do Rei da Montanha”, do compositor norueguês Edvard Grieg

Mais informações:

www.stevecutts.com

10:27 · 16.05.2012 / atualizado às 10:27 · 16.05.2012 por

A demanda cada vez maior por recursos por uma população crescente está causando uma enorme pressão sobre a biodiversidade do Planeta e ameaça nosso futuro em termos de segurança, saúde e bem-estar. É o que revela a edição de 2012 do Relatório Planeta Vivo da Rede WWF, principal pesquisa bianual sobre a saúde do Planeta, lançado ontem pelo WWF.

Produzido em colaboração com a Sociedade Zoológica de Londres e a Global Footprint Network (Rede da Pegada Mundial), o relatório deste ano foi lançado nesta terça-feira (15 de maio) na Estação Espacial Internacional pelo astronauta holandês André Kuipers, que apresentou uma perspectiva única da situação do Planeta em sua missão na Agência Espacial Europeia.

“Temos apenas um Planeta. Daqui de cima, posso ver a pegada da humanidade, inclusive os incêndios florestais, a poluição do ar e a erosão – são desafios que se refletem nesta edição do Relatório do Planeta Vivo”, afirmou Kuipers, ao apresentar o relatório durante sua segunda missão espacial. “Embora o Planeta sofra pressões insustentáveis, nós temos a capacidade de salvar o nosso lar, não apenas em nosso próprio benefício mas, sobretudo, para as próximas gerações”, completou Kuipers.

A versão completa do relatório está disponível apenas em inglês, mas o WWF-Brasil lançou nesta terça-feira, em Brasília, a versão reduzida do estudo, o Sumário Relatório Planeta Vivo, a Caminho da Rio+20. A publicação traz os principais resultados do relatório e uma análise da situação ambiental do Planeta nestes últimos 20 anos, desde a Rio 92 até a Rio+20.

Saúde dos ecossistemas

O Relatório do Planeta Vivo utiliza o Índice Planeta Vivo, mundial, para medir as mudanças na saúde dos ecossistemas do Planeta, por meio do rastreamento de 9 mil populações de mais de 2.600 espécies. Esse índice global mostra uma diminuição de quase 30%, desde 1970, que é mais acentuada nos trópicos – onde foi constatado um declínio de 60% em menos de 40 anos.

Assim como a biodiversidade se encontra numa tendência descendente, a Pegada Ecológica do Planeta Terra – que é outro indicador chave utilizado nesse relatório – ilustra como a nossa demanda por recursos naturais se tornou insustentável.

“Vivemos como se tivéssemos um Planeta extra à nossa disposição. Utilizamos 50% mais recursos do que o planeta Terra pode produzir de forma sustentável. A menos que a gente altere esse rumo, esse número vai aumentar rapidamente – até 2030, até mesmo dois planetas não serão suficientes”, afirma Jim Leape, Diretor Geral da Rede WWF.

Consumo excessivo

O relatório destaca o impacto do crescimento da população humana e o consumo excessivo como sendo as forças que causam maior pressão sobre o meio ambiente. “Esse relatório é como um check-up do Planeta e os resultados indicam que ele está muito doente”, explicou Jonathan Baillie, Diretor do Programa de Conservação da Sociedade Zoológica de Londres.

“Se ignorarmos este diagnóstico, isso terá implicações importantes para a humanidade. Nós podemos restaurar a saúde do Planeta, mas somente iremos conseguir isso se abordarmos as raízes das causas, que são o crescimento populacional e o consumo excessivo”, copletou.

O relatório também destaca o impacto da urbanização como uma dinâmica crescente. Até 2050, duas em cada três pessoas viverão em uma cidade; e a humanidade precisará desenvolver formas novas e aperfeiçoadas de gestão e manejo dos recursos naturais.

A diferença entre os países ricos e pobres também foi destacada neste relatório. Países com renda elevada têm uma Pegada Ecológica que é, em média, cinco vezes a dos países de baixa renda.

Os dez países com a maior Pegada Ecológica por pessoa são: Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Dinamarca, Estados Unidos da América, Bélgica, Austrália, Canadá, Holanda e Irlanda.

De acordo com o Índice Planeta Vivo, no entanto, o declínio da biodiversidade desde 1970 tem sido mais rápido nos países de baixa renda – o que demonstra como as nações mais pobres e mais vulneráveis subsidiam o estilo de vida dos países mais ricos.

A decrescente capacidade biológica (que é a capacidade de uma região de regenerar recursos) exigirá que um país importe recursos essenciais de ecossistemas estrangeiros – o que, potencialmente e em longo prazo, será em detrimento desses países.

“A dependência crescente de recursos externos coloca os países em significativo risco. A crise ecológica torna-se uma causa de nossas crescentes dores econômicas”, afirma Mathis Wackernagel, presidente da Global Footprint Network.

“Usar cada vez mais de uma natureza que é cada vez menor é uma estratégia perigosa. No entanto, a maior parte dos países continua nesse caminho. Com isso, eles colocam em risco não apenas o Planeta mas – o que é ainda mais importante -, colocam a si próprios em risco”, destaca.

O Relatório Planeta Vivo apresenta diversas soluções necessárias para reverter o declínio apresentado pelo Índice Planeta Vivo e para diminuir a Pegada Ecológica para um limite compatível com o Planeta. Essas soluções são colocadas como 16 ações prioritárias e incluem uma melhoria nos padrões de consumo, com a atribuição de valor econômico ao capital natural e a criação de marcos legais e políticos para uma gestão equitativa de alimentos, água e energia.

Rio + 20

O lançamento do relatório acontece cinco semanas antes que as nações, empresas e sociedade civil se reúnam no Rio de Janeiro para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20).

Passados 20 anos desde a última cúpula mundial sobre o Planeta, essa reunião agora constitui uma oportunidade chave para que as lideranças mundiais reconfirmem seus compromissos com a criação de um futuro sustentável.

“O Brasil, que abriga uma de uma das maiores biodiversidades do mundo, tem um papel fundamental nesse processo de mudança, que deve ocorrer não apenas no discurso mas, principalmente, com ações práticas”, afirma Maria Cecília Wey de Brito, secretária-geral do WWF-Brasil. E para ela, esse compromisso deve ser de todos: dos governos, dos cidadãos e das organizações da sociedade.

“Os governos devem assumir o compromisso com a conservação ambiental e adotar ações que garantam a proteção dos ecossistemas, como, por exemplo, o incentivo à criação e à implementação de áreas protegidas, o combate ao desmatamento, o incentivo ao consumo responsável e o estímulo a boas práticas produtivas”, ressalta.

De acordo com Maria Cecília, no que se refere às cidades, é fundamental que elas usem mecanismos de avaliação de impactos, como a Pegada Ecológica, e adotem políticas públicas de mitigação que ajudem a reduzir os impactos. Ela também destaca o papel do cidadão nesse processo.

“Os cidadãos precisam repensar o seu consumo, avaliar até que ponto seus hábitos cotidianos estão impactando o meio ambiente e fazer escolhas mais sustentáveis”.

O lançamento do relatório pelo WWF-Brasil, em Brasília, contou com a presença de Marcos Pontes, primeiro astronauta brasileiro a ver o Planeta do espaço. Ele falou sobre a experiência de ver a terra de longe. “Eu gostaria que todas as pessoas tivessem a oportunidade de ver o Planeta do alto. A essa distância, é possível ver o quanto ele está sendo degradado”.

De acordo com Pontes, é muito bom ter o conforto que a cidade oferece mas isso não pode ser feito à custa de destruir nossos recursos naturais, o que vem acontecendo em um ritmo acelerado. “As cidades, vistas do espaço, são como cicatrizes no Planeta. O ideal é que elas fossem tatuagens e não cicatrizes”, comparou.

Fonte: WWF Brasil

11:26 · 31.01.2012 / atualizado às 11:26 · 31.01.2012 por
Documento elaborado por especialistas da ONU afirma que capacidade dos recursos naturais da Terra já está se excedendo Foto: Agência Reuters (NASA)

Um grupo especialistas e políticos de alto nível formado pela Organização das Nações Unidas (ONU) ressaltou nesta segunda-feira (30 de janeiro) a urgência de adotar novas vias de desenvolvimento para salvar o mundo de uma crise econômica até mais grave que a vivida atualmente e para assegurar sua sustentabilidade.

O Painel sobre Sustentabilidade Global, formado por 22 membros e que foi estabelecido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em agosto de 2010, apresentou seu primeiro relatório, que contém 56 recomendações para realizar uma mudança no modelo econômico atual.

O documento pretende ser uma das principais ferramentas de trabalho na Conferência sobre Desenvolvimento Sustentável, Rio+20, que será realizada no Rio de Janeiro, de 20 a 22 de junho.

Nova economia

Com o título “Pessoas resilientes, planeta resiliente: um futuro que vale escolher”, o relatório aponta um roteiro que ajudará aos governos, o setor privado e outros atores a atingir o desenvolvimento sustentável.

Além disso, ressalta a importância de outorgar mais poder à mulher e assegurar que ela desempenhe um papel importante para alcançar um sistema sustentável.

O texto sugere um novo desenho da economia mundial e apresenta um maior comprometimento com o equilíbrio sustentável da Terra. Segundo o documento, antes de 2030, o mundo deveria dobrar sua produtividade, porém, reduzindo o consumo de recursos naturais.

O relatório afirma ainda que, apesar de já estarmos excedendo a capacidade da Terra, vamos precisar de 50% a mais de comida, 45% de energia e 30% de água já no ano de 2030. Para isso, os governos deveriam implementar políticas fiscais de estímulo das energias renováveis e suprimir os subsídios às energias fósseis, entre outras medidas.

Outro ponto abordado é que o número de pessoas vivendo na pobreza está em queda, mas o número de famintos tem crescido. O documento comenta ainda que a desigualdade na distribuição dos serviços de saúde está crescendo e que o acesso à água potável vem aumentando, mas 2,6 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico

“Trata-se de uma proposta concreta e com visão de futuro para conseguir um desenvolvimento sustentável”, afirmou o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, co-presidente do painel, durante a apresentação do documento no Centro de Convenções da ONU em Adis-Abeba. “Os modelos econômicos do passado perderam fôlego e esgotou o tempo para deles”, acrescentou Zuma.

“Tanto a ciência como a economia nos dizem que as vias atuais são insustentáveis” disse Ban Ki-moon, presente durante o ato de apresentação do documento elaborado pelo Painel.

Divisão

Além de apresentar suas recomendações, o Painel pediu à ONU que forme vários organismos novos que atendam às necessidades de futuras vias de desenvolvimento, entre eles uma força conjunta que desenhe um plano para o período posterior a 2015, quando chegam ao fim os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O Painel pede a instauração de novos indicadores do desenvolvimento, além do Produto Interno Bruto (PIB), e sugere que sejam utilizados fundos públicos para impulsionar o setor privado em direção a uma economia sustentável.

Fonte: Globo Natureza

09:24 · 05.01.2012 / atualizado às 09:26 · 05.01.2012 por

O comentário da internauta Iara Sílvia, que li hoje, é o tipo de posicionamento que reacende o ânimo diante de tantos desafios para garantir a vida humana neste Planeta por muitos anos.

Quando temos a oportunidade e a disponibilidade de apreciar imagens como as que seguem no vídeo abaixo, também reavivamos as forças para continuar remando contra a maré que insiste no caminho contrário.

É difícil, concordo, mas não é impossível rever hábitos, tendências. O desafio é estar disposto a seguir em frente. Volto a insistir: o estudo das eras geológicas da nossa Terra nos mostra que o Planeta sobrevive, mas as espécies mais sensíveis, não.

Apreciemos, então, o nosso Planeta e que, neste 2012, façamos alguma coisa, nem que seja um pequeno gesto, como deixar de usar sacolas plásticas nas compras ou separar o lixo. Qualquer atitude ajuda para quem não está fazendo nada…

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