Busca

Tag: Políticas Públicas


10:00 · 10.07.2017 / atualizado às 20:41 · 09.07.2017 por
O projeto visa a promover iniciativas multissetoriais inovadoras criando novas realidades nas cadeias de valor Foto: Eduardo Queiroz / Agência Diário

A Organização Internacional do Trabalho (OIT), Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX) e Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), com o apoio do Instituto C&A e a realização do Instituto Reos, lançaram, na sexta-feira (7), o Laboratório da Moda Sustentável — por um setor do vestuário mais sustentável e justo. A iniciativa pretende abordar os principais desafios do setor de vestuário no Brasil em temas de sustentabilidade ambiental e trabalho decente, entre outros.

Entre as estratégias, está a criação de uma “aliança convocadora”, composta por OIT, ABVTEX e ABIT, com legitimidade e capacidade de influenciar mudanças no setor. A partir disto, um grupo formado por 35 líderes foi convidado a participar de oficinas de cocriação e trabalho e da plataforma de transformação.

Entre os líderes, há representantes de marcas e varejistas, associações setoriais, indústrias, sindicato dos trabalhadores, setor público, acadêmicos, sociedade civil, entre outras organizações que compõe os diferentes elos da cadeia do vestuário. Os participantes têm conhecimento de temas-chave, como informalidade, condições de trabalho precarizado ou forçado, modelo de negócio, questões ambientais, sociais e de consumo.

“Esperamos alcançar impactos positivos no futuro do mercado de moda no Brasil que reverberem pelos próximos anos. O projeto prevê resultados alinhados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, como melhores condições de vida e trabalho no setor; e consumidores mais orientados e conscientes”, afirmou Edmundo Lima, diretor-executivo da ABVTEX.

O projeto visa promover iniciativas multissetoriais inovadoras, criando novas realidades nas cadeias de valor; estratégias e ações transformadoras para fortalecer, influenciar e incidir nos principais desafios identificados; melhores condições de vida e trabalho no setor, com destaque às questões de gênero.

Outros pontos incluem maior diversificação e inovação industrial e de serviços; uso eficiente de recursos naturais e processos produtivos com baixo impacto ambiental; impulso a políticas públicas que favoreçam o desenvolvimento sustentável do setor.

O projeto terá duas fases: a construção de cenários futuros do setor do vestuário e o laboratório social. Na primeira, a intenção é construir, por meio de uma arquitetura de diálogo estratégico e inovador, um conjunto de cenários relevantes, desafiadores, plausíveis e claros para estimular a reflexão e o debate sobre o futuro do setor do vestuário. Na segunda etapa, a intenção é criar protótipos de iniciativas multissetoriais que tragam inovações para o setor de vestuário nos próximos anos.

“A indústria têxtil e do vestuário é um setor importante no mundo e no Brasil, empregando 1,7 milhão de trabalhadores na produção”, afirmou o diretor da OIT no Brasil, Peter Poschen. “A OIT está engajada em muitos países do mundo para ajudar os atores dessa cadeia de valor a melhorar as condições de trabalho, aumentar a produtividade e a renda e reduzir os impactos ambientais. O desenvolvimento sustentável dessa cadeia produtiva só pode acontecer com base num diálogo social e com a construção de parcerias entre os atores-chave”, completou.

A iniciativa tem como base as metodologias de Planejamento de Cenários Transformadores e Laboratórios Sociais, desenvolvidas e aplicadas pela Reos Partners em vários países do mundo nos últimos 20 anos. A metodologia aborda os problemas complexos de maneira sistêmica e gera impacto coletivo ao longo dos anos, em temas como educação, saúde, alimentação, energia, meio ambiente, desenvolvimento, justiça, segurança e paz.

“A colaboração entre os diferentes elos que compõem a cadeia da moda é essencial para que o setor possa ser mais justo e sustentável. Esperamos que essa iniciativa seja mais um passo nesse sentido, de construção conjunta de soluções”, declarou a diretora-executiva do Instituto C&A, Giuliana Ortega.

Representando mais de 30 mil empresas de têxteis e confecção no Brasil, a ABIT insere este projeto em sua área de sustentabilidade e inovação.

“A ABIT tem desenvolvido, divulgado e promovido palestras, congressos e workshops dedicados ao aprofundamento do tema com as empresas, buscando alinhar a produção e a distribuição aos objetivos de desenvolvimento sustentável”, disse o presidente da ABIT, Fernando Pimentel.

Fonte: Organização Internacional do Trabalho (OIT)

10:00 · 19.04.2017 / atualizado às 20:18 · 17.04.2017 por
Entre os resultados levados para Roma, destaca-se o acesso à água para consumo humano para 2,4 milhões de pessoas Foto: ASA Brasil

A experiência da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) na gestão e implementação de políticas de acesso à água para famílias agricultoras da região será apresentada como boa prática no seminário Mudança Climática e Pobreza, promovido pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O evento será na sede da entidade em Roma, na Itália, nesta quarta-feira (19).

O seminário é uma das etapas que antecedem a finalização da 1ª Estratégia e Plano de Ação para as Alterações Climáticas da FAO. O Plano vai orientar os esforços do organismo para impulsionar os países no cumprimento de três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) voltados para o fim da pobreza, da fome e mitigação e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. Segundo a organização da ONU, as respostas políticas atuais produzirão resultados mistos e, em alguns casos, prejudiciais para as pessoas pobres e marginalizadas.

Ao convidar a ASA para apresentar sua experiência de democratização de água, a FAO demonstra interesse em conhecer as soluções construídas pelas organizações da sociedade civil que formam a Articulação brasileira.

Além da experiência da ASA, também será apresentada a iniciativa Plataforma Semiárido na América Latina pelos representantes da Articulação Rede Chaco e da Plataforma Semiáridos Argentina.

“O seminário possibilita que a nossa experiência seja partilhada no sentido de fortalecer as relações Sul-Sul e também vai proporcionar trocas e aprendizados com outros países e experiências. Além disso, também será uma oportunidade de reforçar as parcerias internacionais da ASA”, assegura Valquíria Lima, da coordenação executiva da ASA Brasil pelo Estado de Minas Gerais, que participará como debatedora do painel “Perspectivas e parcerias para a criação de uma Plataforma Semiárida na América Latina”, no seminário em Roma.

No Semiárido brasileiro, vivem 11,8% da população nacional, entre os quais se encontram um quarto dos brasileiros em situação de miséria. Apesar dos graves problemas sociais, acentuados pelas estiagens e por políticas públicas inadequadas de combate à seca, o Semiárido também é uma região com potencial enorme de produção de alimentos uma vez que abriga um terço das famílias agricultoras de todo o País.

No entanto, segundo a FAO, é justamente essa população rural, dependente da agricultura e meios de subsistência rurais para sua renda e segurança alimentar, a primeira afetada pelas mudanças climáticas.

Segundo Antônio Barbosa, coordenador dos programas Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e Sementes do Semiárido, que faz parte da comitiva da ASA em Roma, a apresentação da Articulação no seminário da FAO mostrará os resultados alcançados pelos quatro programas da Articulação e também vai abordar elementos que são fundamentais para que a intervenção provoque mudanças reais na vidas das famílias camponesas.

“A nossa grande fonte de inspiração é o conhecimento das próprias famílias que vivem na região há séculos, convivendo com a irregularidade das chuvas. O que a ASA faz é sistematizar esse conhecimento local para propor políticas públicas adequadas e capazes de promover a convivência da população com o Semiárido. Também não podemos esquecer que tudo isto só é possível devido à parceria entre Estado e sociedade civil organizada”, atesta Barbosa.

Resultados da ASA

Entre os resultados levados para Roma, destaca-se o acesso à água para consumo humano para 2,4 milhões de pessoas e a estruturação de 98,4 mil propriedades com tecnologias que guardam água da chuva para produção de alimentos. As famílias que passam a gerir a água acumulada nestas tecnologias também participam de cursos, eventos e intercâmbios para a construção de conhecimentos.

Além das ações de ampliação do estoque de água para as famílias, a ASA também desenvolve o Programa Cisternas nas Escolas para prover o abastecimento das instituições de ensino no campo.

O quarto programa da ASA fortalece a prática que as famílias agricultoras possuem de guardar sementes crioulas para o próximo plantio. Esse fortalecimento acontece por meio da reforma ou construção de bancos de sementes para uso comunitário. Assim, além das sementes estocadas em casa, as famílias dispõem de um reserva extra no banco comunitário.

Até o momento, a ASA possibilitou que 640 comunidades rurais tenham um lugar, que representa um segundo nível de segurança para esse material genético, para guardar as sementes crioulas que fazem parte da sua cultura alimentar e produtiva há várias gerações.

Mas a demanda por água ainda é grande no Semiárido do Brasil: estima-se que mais de um milhão de famílias precisem de tecnologias que estocam água da chuva para seus plantios e para matar a sede dos animais que criam. E cerca de 350 mil famílias ainda estão sem as cisternas que guardam água para beber, cozinhar e escovar os dentes.

“Consideramos que, no momento político atual de perda de direitos e diminuição de investimentos públicos nos programas sociais, precisamos reforçar a necessidade da continuidade das Políticas Públicas que fortalecem a Convivência com o Semiárido, uma proposta que vem contribuindo efetivamente para a redução da fome e da miséria na região”, reforça Valquíria.

Missão na Europa

Após a participação no seminário, a comitiva da ASA vai aproveitar a estada na Europa para prospectar novos parceiros internacionais para que as ações de convivência com o Semiárido não parem.

Atualmente, mais de 90% das ações desenvolvidas pela ASA provém de investimentos públicos, via Governo Federal. No entanto, desde o ano passado, os recursos destinados às ações propostas pela ASA foram muito reduzidos.

A delegação da ASA participará de reuniões com ONGs, Agências de Cooperação Internacional e parlamentares de seis países europeus: Itália, Alemanha, Suíça, Áustria, Espanha e França, até o dia 9 de maio.

Fonte: ASA Brasil

10:42 · 08.07.2016 / atualizado às 10:42 · 08.07.2016 por
Interessados têm até 31 de agosto para cadastrar propostas Foto: Haroldo Palo Jr.
Interessados têm até 31 de agosto para cadastrar propostas Foto: Haroldo Palo Jr.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza acaba de abrir as inscrições do tradicional “Programa de Apoio a Ações de Conservação”. Para esta edição, é possível concorrer em três categorias: “Apoio a Projetos”, “Apoio a Programas” e “Biodiversidade do Paraná”. As inscrições ficam abertas até 31 de agosto, neste link.

A iniciativa visa potencializar a geração de conhecimento, por meio de pesquisas e estudos da biodiversidade brasileira, além de estimular ações que promovam mudanças positivas no cenário ambiental do país. “Incentivamos projetos que tragam resultados efetivos para a proteção da biodiversidade e contribuam com o cumprimento das metas ambientais internacionais com as quais o País esteja comprometido” afirma Malu Nunes, diretora executiva da Fundação Grupo Boticário.

A categoria “Apoio a Projetos” selecionará iniciativas que contribuam para a conservação da natureza no Cerrado e na Caatinga, biomas que juntos ocupam 36% do território brasileiro. “A cada edição, escolhemos um ‘recorte’ específico para promover novas iniciativas. Dessa vez, o foco será em projetos de conservação de dois biomas muito importantes para o país. Na Caatinga vivem 27 milhões de brasileiros, além de ser o único bioma exclusivamente nacional. E o Cerrado abriga nascentes de rios que abastecem as principais bacias hidrográficas do País, tanto que carrega o apelido de ‘caixa d’água do Brasil’”, afirma a diretora.

Com o ‘Apoio a Programas’, são abrangidas iniciativas de média e longa duração, que possibilitem ações de conservação da natureza de maior magnitude e que demandem mais tempo para aplicação. Já a terceira categoria – ‘Biodiversidade do Paraná’-, criada em parceria com a Fundação Araucária, seleciona propostas a serem executadas em qualquer região paranaense, como por exemplo, a área de ocorrência da Floresta com Araucárias, ecossistema característico da Mata Atlântica.

Linhas temáticas

Para concorrer em qualquer uma das três categorias, é preciso que as propostas atendam a uma das quatro linhas temáticas de apoio. A primeira trata de “Unidades de Conservação de Proteção Integral e Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs)” e tem como objetivo a criação, ampliação e execução de atividades prioritárias de seus Planos de Manejo (documentos oficiais de planejamento das unidades de conservação). A segunda linha visa a execução de ações prioritárias para espécies ameaçadas, seguindo os Planos de Ação Nacional (PANs), documentos que elencam ações prioritárias para conservação de determinadas espécies e ecossistemas.

A terceira, “Ambientes Marinhos”, é voltada para estudos, ações e ferramentas para a proteção e redução de pressão sobre a biodiversidade marinha. Nesta edição, essa linha será destinada apenas a propostas da categoria “Biodiversidade do Paraná”.

Já a linha “Políticas Públicas”(exclusiva para “Apoio a Programas”) visa à implementação e fortalecimento de incentivos para conservação da natureza, instrumentos legais para fiscalização e proteção da biodiversidade, consolidação de áreas protegidas e parcerias para conservação.

Inscrições

Podem se inscrever no Programa de Apoio a Ações de Conservação instituições sem fins lucrativos, como fundações ligadas a universidades e organizações não governamentais (ONGs). Para a categoria “Biodiversidade do Paraná”, pessoas físicas e universidades públicas podem se candidatar através do site da Fundação Araucária.

A Fundação Grupo Boticário, ao longo dos seus 25 anos, já apoiou 1.486 projetos de 496 instituições em todo o Brasil, contribuiu para a descrição de 141 espécies e para o estudo de outras 240 espécies ameaçadas.

Fundação Grupo Boticário

Trata-se de uma é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. Criada em 1990, por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento.

A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do País. Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis.

Mais informações:

www.fundacaogrupoboticario.org.br

www.twitter.com/fund_boticario

www.facebook.com/fundacaogrupoboticario

16:39 · 19.03.2013 / atualizado às 08:40 · 26.03.2013 por
O presidente da Funceme, Eduardo Sávio Martins, falou sobre a experiência do Ceará num dos eventos paralelos Foto: WMO & UNCCD

O Encontro de Alto Nível sobre Políticas Nacionais sobre Secas (HMNDP), na sua sigla em Inglês foi realizado em Genebra, na Suíça, entre 11 e 15 de março. O evento foi uma promoção da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), Organização Meteorológica Mundial (OMM) e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). O HMNDP contou, ainda, com o apoio do Ministério da Integração Nacional e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), do Brasil.

O evento reuniu chefes de Estado, ministros, representantes de governos e cientistas do mundo inteiro, para discutir os impactos e as políticas de combate aos efeitos de secas, nos diversos continentes.

Segundo o economista cearense Antonio Rocha Magalhães, assessor do CGEE e presidente do Comitê de Ciência e Tecnologia da UNCCD, que participou do Encontro, os chefes de Estado e ministros aprovaram por aclamação a Declaração do Encontro, recomendando a todos os países que desenvolvam políticas para enfrentamento dos efeitos de secas, uma vez que se trata do fenômeno natural que mais prejuízos causa à humanidade; e que, com as mudanças climáticas, as secas poderão ser mais intensas e frequentes no futuro.

Ainda segundo Rocha Magalhães, a Declaração também recomenda que os países desenvolvidos apoiem os esforços dos países em desenvolvimento, sobretudo da África, em virtude das trágicas consequências das secas nesses países.

A negociação da Declaração foi coordenada pessoalmente por Rocha Magalhães, enquanto a sessão plenária em que a Declaração foi aclamada foi presidida por outro brasileiro, Antonio Divino Moura, primeiro vice-presidente da Organização Meteorológica Mundial (OMM) e diretor geral do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Também tiveram participação destacada o presidente da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Eduardo Sávio Martins, e o Secretário de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração Nacional, Francisco José Coelho Teixeira, que representou o Ministro Fernando Bezerra.

Segundo Eduardo Sávio Martins, o evento foi resultado de uma preparação que levou aproximadamente dois anos. “Antes ocorreram reuniões de grupos de trabalho em Washington, Boulder, Brasília e Genebra. Eu tive oportunidade de participar em todas elas, menos do último evento preparatório, também ocorrido em Genebra, anterior ao High Level Meeting on National Drought Policy. O grande objetivo é ressaltar a importância de uma Política Nacional de Secas para os vários países”, destacou.

Mais informações: www.hmndp.org