Mecanismo de Desenvolvimento Limpo adota novo plano de negócios
O Comitê Executivo da ferramenta aprovou uma série de medidas para os próximos dois anos visando enfrentar os desafios impostos pelas mudanças no cenário internacional, como a queda do preço das reduções certificadas de emissão
Passando talvez pelo pior momento desde sua criação, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) recebeu um colete salva-vidas na sexta-feira (1º de fevereiro) com a aprovação pelo Comitê Executivo de um plano de negócios para 2013 e 2014.
Um “plano de gestão”, determinando as exigências em termos de trabalho, capacidade e recursos, acompanha o plano de negócios para os primeiros dois anos do segundo período de compromissos sob o Protocolo de Kyoto.
O objetivo é ampliar os pontos bem sucedidos do mecanismo, buscando adaptar a ferramenta às mudanças a sua volta e criar espaço suficiente para revisões e ajustes ao longo do tempo, garantindo que o esquema esteja pronto para o futuro.
Quatro foram os objetivos traçados pelo comitê:
1. Contribuir com a simplicidade e previsibilidade na operação do MDL, garantindo a integridade das Reduções Certificadas de Emissão (RCEs). Nesse quesito, o comitê pretende, entre outros, fortalecer o desempenho das Entidades Operacionais Designadas e melhorias nos sistemas operacionais do MDL
2. Garantir que o esquema tenha uma contribuição crescente para a mitigação das mudanças climáticas e desenvolvimento sustentável. Em 2012, o comitê adotou uma ferramenta voluntária que os participantes de projetos podem usar para documentar e relatar suas contribuições ao desenvolvimento sustentável, algo muito menos conhecido do que os resultados dos projetos em relação à mitigação. Assim, o comitê pretende analisar e publicar as informações obtidas com essa ferramenta
3. Ampliar o alcance geográfico do MDL. Muitas ações já foram tomadas neste sentido, como a criação de um esquema de empréstimos, um fórum, treinamentos, linhas de base padronizadas, metodologias específicas, entre outros. Fortalecer essas iniciativas e instituições nos países sub-representados é uma das atividades previstas para os próximos anos
4. Incentivar o uso, e salvaguardar a reputação, do MDL como um mecanismo para o desenvolvimento de baixo carbono. Neste sentido, o comitê pretende ser receptivo às demandas dos diferentes interessados e garantir que os benefícios e pontos fortes do MDL sejam bem compreendidos através de atividades de comunicação mais fortes e proativas
Segundo o comitê, o plano foi escrito levando em conta a realidade atual dos mercados de carbono, que estão sofrendo com a baixa demanda e as metas pouco ambiciosas dos países para o corte nas emissões. O valor das RCEs caiu mais de 90% no último ano.
Futuro
Daqui para frente o cenário muda muito para o MDL: a União Europeia terá restrições para o uso de RCEs – aceitando apenas as RCEs novas vindas de países menos desenvolvidos – e vários mercados regionais e nacionais de carbono entrarão em vigor – apesar de ainda não ser claro como o MDL interagirá com eles.
As incertezas quanto à demanda por RCEs entre 2013 e 2020 são muitas e dependem das negociações internacionais que revisarão as modalidades e procedimentos sob o MDL e que criarão novas medidas de mitigação, além da flutuação do valor do carbono e do desenvolvimento de outros mercados regionais.
Novas abordagens estão sendo negociadas no âmbito da Conferência do Clima e devem oferecer outros canais para colaborações entre as partes visando a ações de mitigação, como o novo mecanismo de mercado (NMM), o quadro para diversas abordagens (FVA), ações apropriadas de mitigação nacional (NAMAs) e o Fundo Verde do Clima, aponta o documento do Comitê do MDL.
“O comitê espera que a demanda por registro (de projetos sob o MDL) caia significativamente em curto e médio prazo”, diz o plano de negócio. “No geral, o MDL corre o risco de perder o ímpeto e, com isso, a capacidade intelectual e institucional construída”, lamenta o documento.
“Agora é a hora de investir no MDL, especialmente nas regiões sub-representadas, e fazer com que o mecanismo passe desse período desafiador como uma ferramenta ainda mais efetiva para lidar com as mudanças climáticas e incentivar o desenvolvimento”, enfatizou o novo vice-presidente do comitê Hugh Sealy.
Durante a reunião de lançamento do plano de negócios na semana passada, dedicada a questões estratégicas, o comitê também iniciou a revisão das modalidades e procedimentos do MDL, um pedido das partes quando se encontraram em dezembro passado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas em Doha, Catar.
A reunião também teve como resultado a escolha da presidência dos grupos de trabalho organizados pelo comitê. O brasileiro José Miguez foi eleito presidente do GT sobre Captura e Armazenamento de Carbono, que se reunirá duas vezes em 2013.
A próxima reunião do comitê será realizada em Bonn, na Alemanha, entre 4 e 8 de março.
Autor: Fernanda B. Müller / Instituto CarbonoBrasil
Tags: ações apropriadas de mitigação nacional (NAMAs), Captura e Armazenamento de Carbono, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Conferência do Clima, desenvolvimento de baixo carbono, Fundo Verde do Clima, Instituto CarbonoBrasil, Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), Mudanças Climáticas Globais, novo mecanismo de mercado (NMM), Protocolo de Kyoto, quadro para diversas abordagens (FVA), Reduções Certificadas de Emissão (RCEs)





