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Homenagens a Helena de Troia mobilizam a comunidade CrossFit de Fortaleza

23:11 · 15.08.2018 / atualizado às 23:11 · 15.08.2018 por
Fotos: Reprodução/Instagram

Coisas que nos são tiradas antes do tempo deixam um sabor amargo nos lábios, ou com uma nuvem misteriosa que se expande no peito e entala na garganta. Na manhã do último domingo, a comunidade crossfitter de Fortaleza precisou lidar com essa situação. Com uma partida cedo demais. Com uma viagem inesperada. Com a despedida prematura de Maria Helena Medeiros da Silva Costa, a Helena de Troia.

A atleta e coach da CrossFit Excalibur, na Parquelândia, partiu sem deixar aviso, aos 30 anos. Precisamos lidar com a notícia como a prova Chaos, dos últimos CrossFit Games, na qual os movimentos eram ditados pelos judges no momento em que deveriam ser executados. Mas não foi um movimento fácil de receber. Foi sufocante. Foi desolador. Foi pesado como wod com thruster e burpee.

Helena se foi e, junto com ela, um pedacinho das duas filhas de sangue, Lolo e Bia, e das centenas de filhos-alunos e filhas-alunas, colegas de box e de competições, amigos de vida e familiares. Depois da surpresa, infelizmente não uma boa, como se geralmente espera, companheiros de treino e profissão organizaram diversas homenagens para a atleta.

Assim surgiu o wod Helena de Troia, criado pelo headcoach da Excalibur, Osmir Júnior. O treino consiste em quatro rounds de: 30 wall-ball shots, 30 double-unders, 30 burpees, 3 clean and jerk, 11 muscle bar, 11 HSPU e 11 toes-to-bar. Digno de uma guerreira.

Para pô-lo em prática, centenas de pessoas compareceram à Porão CrossFit, em pleno feriado. A comunidade crossfitter, mais do que nunca, se provou unida: lá, além da Porão e da Excalibur, compareceram representantes dos boxes Babu, Bullet, Aldeota, Gurkha, Cactus, Dragão do Mar, Caserna, Haka, 6450, Canídeos, Colosso, Iracema… Enfim, quase todos os boxes de Fortaleza, numa demonstração de fé em meio à dor.

A Porão ficou pequena pra tanta gente. (Foto: Reprodução/Instagram)

A headcoach da Porão, Bia Mesquita, amiga de Helena, discursou bastante emocionada. Ela lembrou de uma coincidência: no dia 15 de agosto de 2017, foi a primeira vez que Helena pisou na Porão. Um ano depois, “tenho certeza de que ela também estava lá”. “Não interessa o motivo. Esquece o que aconteceu. Hoje, a nossa missão é fazer com que o legado da Helena seja honrado. Ela não tinha a menor ideia do quanto era querida e do quanto fez por nós”, lembrou Bia.

Diego Evangelista, também headcoach da Porão, destaca que nunca viu uma mobilização tão grande e em tão pouco tempo. Ele também aproveitou o momento para deixar uma lição: “No meu último encontro com a Helena, ela me deu um abraço e elogiou o carinho com que eu e a Bia nos tratamos. Então, vamos tratar bem os companheiros, os coaches, quem está perto de você. Às vezes, a gente explode por coisa pequena. A gente tá aqui, junto, pra cuidar dos outros. A gente precisa de mais amor e união”, expressou.

Como respostas a Helena, salvas de palmas, um minuto de silêncio e uma oração. E… suor e garra para completar o wod! Após as turmas, os coaches de Fortaleza também realizaram o desafio. O aulão também arrecadou fundos para ajudar as filhas de Helena, que voltarão a morar em Natal com os avós. O objetivo é custear os estudos delas o final de 2019. A vakinha online “Todos por Helena de Troia” também foi organizada para ajudar.

Outra homenagem ocorrerá nesta sexta (17). Um ato ecumênico está marcado na CrossFit Excalibur (Av. Jovita Feitosa, 1226), às 20h30.

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