Impressões Mínimas

Categoria: ideias


09:44 · 10.09.2014 / atualizado às 09:52 · 10.09.2014 por
marzin
Museu do Frevo, Recife. Poema: O mundo é grande (Carlos Drummond)

Meus olhos atentos ao vários olhares ao redor desejavam flagrar os encantamentos ao se depararem com o mar. Olhei e olhei fixo enquanto os outros olhos fixavam o infinito, o vai e vem das ondas, o azul misturado de água e céu, as aves, as nuvens. Não flagrei encantamento algum. Tristes olhos sem poesia! Não sabia sobre essa possibilidade de viver sem o mar transbordando da gente.

10:36 · 13.08.2014 / atualizado às 10:39 · 13.08.2014 por

mudas

Quando por muito tempo, se carrega um sonho, uma crença, um objetivo ímpar, e se carrega como se faz com uma criança no colo com todo zelo e cuidado, fica difícil abrir mão deles de uma hora para outra, mesmo quando esvaem-se pelo chão. Aos acostumados a lutar até o último instante, a parte mais complicada é sempre a resignação. Aceitar a luta finda, objetivos perdidos.

A vida faz dessas. Há momentos de perder.

Mesmo dispostos a lutar anos a fio, chegam as situações de nos deparamos com o fim do caminho. A nós não cabe outra opção a não ser aceitar a situação, adaptar-se a este novo. Carece cuidado esse instante. Convém nestas horas brincar de contente. Não é o caso de esmorecer de jeito nenhum!

Sofrer o tempo necessário exigido pela dor, mas não se apegar a ela como se outro sonho fosse. Não se erguem dores como troféus.

Fixar-se ao lado ruim dos dias não é bom para ninguém. Os lados ruins existem, claro. A vida vem chacoalha a gente. Vem de novo, entorpece. Depois, aliena; depois, enlouquece. E, por quase último, quando já nem acreditamos ser possível, faz a curva, traz o lado bom de volta, nos permite de novo o contentamento. De volta ao começo: brincamos, sorrimos, sonhamos. E a roda dos dias segue.

15:25 · 07.07.2014 / atualizado às 15:25 · 07.07.2014 por

soprar florEu queria ser mais leve. Não me inquietar com pesadelos, não tomar todas as dores do mundo para mim, decretar vacância na coordenação geral da Pastoral do Mundo. Deixar a secretaria assumir o comando.

Ser menos idealista, mais pragmática, menos posição firme no que acredito. A que leva brigar a ferro e fogo por tudo? Quero trégua. Ser menos o Cântico Negro do José Régio – “só vou onde me levam meus próprios pés” – para me me deixar conduzir, vez ou outra só. Às vezes pesa tanta certeza, tanta determinação. A gente curva.

Há algum tempo este sonho vem me embalando as noites, dando beleza aos dias. Este sonho de ser mais leve, sem precisar engendrar projetos miraculosos para deixar o onde vivo, sem carecer abrir mão de muito, sem grandes sacrifícios ou discussões intermináveis, suavemente como a brisa agora passando, as árvores sendo árvores, o mar, o mar, os pássaros sendo passarinhos. Ser leve para ser a pessoa que sou da maneira mais orgânica possível.

09:31 · 26.06.2014 / atualizado às 09:31 · 26.06.2014 por

brabuletaBorboletas ultrapassam a condição de insetos, são metáforas. Às vezes, só saber da sua existência basta para a vida ser festa. Saber delas colorindo o mundo e, antes disso, ter ciência da sua condição de lagarta e casulo, são lições pragmáticas sobre os poderes de transformação.  Elas dizem sobre renascimento, mudar do ruim para o belo, transcender, a cada minuto.

10:30 · 18.06.2014 / atualizado às 10:30 · 18.06.2014 por

large

Olho este agora com cara de enfado, mas coração de estudante. Fiquei, de novo, jovem. Sou aprendiz como lá nos meus começos.

Trago bagagem valiosa, mas, ainda assim, tateio.

Talvez como da primeira vez que fiquei sozinha na escola ou diante do primeiro beijo na boca do namorado ou do meu primeiro fracasso ou do primeiro sonho realizado, da primeira sensação absoluta de felicidade, da primeira tristeza infinita ou da primeira vez que aprendendo a andar, minha mãe soltou a minha mão para ver se eu conseguia chegar do outro lado, sem cair, sem me machucar, sem chorar tanto. Talvez.

Aprendiz de vida nova estou.

Tenho desejos, sonhos, anseios, um amontoado do que fazer, mas não tenho pressa. Vou descobrir o que a estrada me reserva enquanto a percorro com ora passos firmes, ora trôpegos, ora comuns a uma dança completamente desconhecida por mim, mas que de alguma maneira, me leva, me eleva, me tira do lugar, sei lá…

15:51 · 12.06.2014 / atualizado às 15:51 · 12.06.2014 por

amor_incerto

Os olhos estavam fechados. Há tempos estavam assim. Sem olhar para o norte, para o sul, leste ou oeste.

Nada.

Não havia mais a pretensão de ser princesa dos contos de fadas, de ainda encontrar o esperado, de ainda qualquer fato capaz de modificar a vida para melhor. Para pior sempre vem eu sabia, mas para melhor era difícil demais, sabia também.

Há tempos fechados, meus olhos, creio eu, se abriram para lhe ver ou ao lhe ver. Na verdade, não importa. O importante é que antes estava escuro e ao lhe ver parado ali naquela esquina, fez-se claro. Passei a ver de novo e a ver você andando como em um filme em minha direção, com olhos, aparentemente, também recém abertos.

Era a melhor imagem.

Não lembro bem como a conversa se deu e qual era ela, para onde cada um ia antes e como combinamos de seguir para um mesmo lugar também não sei. Eu lembro, entretanto, que ao ser tocada por você, entendi imediatamente estar perdida e salva. Pegou meu braço e, imediatamente, tocou minha alma. Como pode?

Não tenho ideia até agora.

Sei, entretanto, que como sempre quis estar simultaneamente perdida e salva entreabri os lábios num sorriso na hora nervoso, mas Deus sabe bem, era o meu mais pleno sorriso de felicidade.

Encontrei.

A certeza foi buscar em mim outro sorriso. Um antigo que guardo para as grandes ocasiões. Ele é largo, confiante. Diz de mim. Para você estava dizendo sim. Dizendo ter feito claro em minha vida no momento em que tiramos um do outro do mundo da escuridão de cada um. Dizendo também não haver beleza extraordinária em nada seu, mas ter sido apanhada pelo conjunto, que seus olhos possuem a cor dos meus sonhos, que eu posso lhe dizer tudo ou deixar para depois…

Eu sei de tudo. A música certa, o livro exato, a palavra única que abre todas as chaves de mim. Posso dar a você ou, então, posso lhe permitir ir descobrindo bem devagarzinho para ganharmos tempo no conhecer um a história do outro.

Há tanto tempo te esperava! há tanto! que há pouco menos de um minuto havia desistido e me arrumava para partir. Já ia embora dessa vida de esperança sem me permitir entrega nova ao amor demais.

Há tempos meu coração ficou exausto era meu mantra e ele mudou exatamente quando lhe vi ali naquela esquina perto de um semáforo que não consegui definir se estava verde, vermelho ou amarelo.

Perdi então de entender se a indicação era pare, espere ou siga e acabei fazendo o que nós dois dizíamos.

Você olhou para mim como se não tivéssemos mais saida. Isso eu compreendi. E quem disse ser essa a minha vontade?

Saidas? Não, eu não queria saidas. E não as quero agora. Só o que eu quero sem me importar com sinalizações são os seus braços. Entregar-me a você como quem sonha. Como quem sonha certo de haver finais felizes e fadas. E o sonho é tão bom, mas é tão bom que quando a gente acorda permanece nele.

15:44 · 21.05.2014 / atualizado às 15:44 · 21.05.2014 por

eros-e-psiquecircuito

Ainda há tempo, parece. Finjo resignação enquanto os olhos brilham. “Mas a vida não se perdeu”, lembro Drummond. Foco o horizonte, cerro semblante e olhos para facilitar a concentração. Lembrar fortemente de você é a parte boa do dia. A melhor é o encontro. Está ainda tão longe o momento de lhe ver. Tomara o tempo passe logo!

11:13 · 13.05.2014 / atualizado às 11:13 · 13.05.2014 por

A-forca-de-uma-da-poesia-esta-na-expressao-sensivel-da-beleza-que-ganhaHá tempos um poema se constrói dentro de mim sem eu ter muita ciência dele. Descobri-o recente, por acaso, em uma dessas procuras por respostas imediatas. Eu o venho escrevendo a vida inteira sem dar conta.

Ele diz do amor incondicional e de purezas da alma dos quais, às vezes, me esqueço. Diz das relevâncias da vida em detrimento das tolices, de como há sorrisos com passaporte direto para os corações, de como é importante saber de si com certeza absoluta.

Há um poema se construindo dentro de mim avesso às minhas vontades.

Ele fala das verdades universais, das quais, às vezes, me escondo. Fala de mim, do outro, de como é bom amanhecer ciente das possibilidades e anoitecer também certo de tê-las aproveitado bem ou as enfrentado com braveza, conforme a necessidade.

Há um poema se construindo dentro de mim, bem maior do que eu.

Eu tenho medo de perde-lo novamente, eu tenho medo.

Eu tenho medo de perdendo, não conseguir mais reencontrá-lo.

Eu tenho medo.

Quero tê-lo sempre à mercê de minha alma, passear por suas palavras, por seus versos, por sua música, viajar com ele e, ao fim de tudo, concluí-lo. Colocar o ponto final com um sorriso.

17:22 · 09.04.2014 / atualizado às 17:22 · 09.04.2014 por

tulipas

À espera de milagres, os tenho procurando por todo canto, por toda parte, nas flores, nas músicas, nos livros, no mundo, em você. Não os encontro em lugar algum. Tapo os ouvidos para não escutar uma voz interna que insiste em dizer: procure dentro de você, procure dentro de você, procure…  Desaprendi de encontrar em mim.

10:30 · 03.04.2014 / atualizado às 10:43 · 03.04.2014 por
nya
Foto: Nayana Melo

Comecei a rezar. Iniciei agradecendo pelo prazer de poder ouvir o som produzido pelo vai e vem das ondas do mar. De como acho bonito a fúria com a qual a água bate na pedra ou como se lança na areia da praia, de como é perfeito, lá no horizonte, a gente, às vezes, não conseguir separar o que é mar, o que é céu, devido a cor azul dos dois.

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