Crateús ”O sertão sofre, o cearense padece, a água desaparece, tá faltando feijão. A panela tá vazia e o que o povo mais queria era cuidar da plantação. Nosso gado tá morrendo, é triste a situação, o dono já não tem mais recurso para ração, esperamos, portanto a chuva do criador e ação do governador pra nossa região”. Com esses versos do poeta crateuense Edmilson Lopes Providência, será aberta, amanhã à noite, uma reunião para discutir a estiagem e suas consequências neste município.
O encontro será realizado na Associação Comercial e Industrial, promovido por esta entidade, Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e Academia de Letras de Crateús (ALC).
Na pauta, a discussão sobre o tema, que castiga o município e a região, bem como a elaboração de um documento e formação de uma comissão para ir ao governador do Estado, Cid Gomes, em busca de soluções emergenciais. A cidade está em vias de entrar em colapso no abastecimento de água e essa é uma das grandes preocupações das entidades organizadoras do encontro. O comércio também sofre com a estiagem.
“Queremos urgência nas ações do Governo do Estado em nossa cidade. Vamos tentar tirar um documento com todas as entidades mostrando a gravidade e pedindo intervenção imediata com ações concretas porque ou chove ou teremos um colapso no abastecimento. Para amenizar a saída vai ser a perfuração de poços, a construção de uma adutora no açude carnaubal, limpeza de poços existentes, entre outras soluções”, destaca o poeta Edmilson, um dos coordenadores do encontro.
Falta d´água
O Açude Carnaubal, que abastece a cidade, está com apenas 9,5% da capacidade, o que aumenta a chance de falta d´água. Na semana passada, os técnicos da Cagece e Cogerh apresentaram informações sobre as ações e o planejamento para impedir o desabastecimento de água ao promotor de Justiça, Hugo Frota Magalhães Porto Neto e daí, então, a sociedade civil organizada de Crateús tomou ciência da real situação e da possibilidade iminente de ficar sem água, caso não chova no município.
De acordo com estudos realizados pela Cogerh e Cagece, a previsão é de que a cidade tenha água do reservatório até o mês de abril e, a partir daí, a Cagece tenha que partir para o bombeamento a fim de manter o abastecimento de água para a população urbana. Caso a quadra invernosa não ocorra a ponto de recarregar o reservatório, a projeção dos técnicos é que abasteça a cidade até o mês de setembro. Daí em diante, a cidade pode passar a ser abastecida por carros-pipas.
A situação é ainda mais grave por conta da falta de uma adutora no açude. O pedido para a construção de uma adutora foi feito pelo órgão e também pela Prefeitura ao Governo do Estado do Ceará.