
Algumas modalidades esportivas, boxe e basquete, por exemplo , requerem dos atletas o uso de protetor bucal
Quem pratica esportes deve ter condições físicas adequadas para competir sem riscos ou sem comprometer o rendimento físico. Os dentes também influenciam o desempenho das pessoas em atividades esportivas. A Odontologia Desportiva visa justamente melhorar o rendimento dos atletas, promovendo a saúde bucal, detectando fatores prejudiciais, como posicionamento dos dentes inadequados, respiração bucal, má oclusão, perdas dentárias, desordens na ATM (articulação têmporo-mandibular), problemas nos canais, alterações gengivais/periodontais, cárie dentária etc., e também prevenindo possíveis traumas ocasionados de atividades esportivas.
O Dr. Normando Scarabotto, cirurgião dentista, expoente em Estética e Saúde Bucal, explica que problemas bucais, como cáries, gengivite ou qualquer outro que ocasione dor, influencia no desempenho de um atleta. A cárie e doenças periodentais são as grandes responsáveis pelas infecções na boca. “Para um atleta todo o seu corpo é utilizado em sua capacidade máxima de rendimento e qualquer foco de infecção poderá comprometer direta ou indiretamente no desempenho”, afirma Scarabotto.
O dentista diz que no caso das doenças periodentais, conhecidas como gengivite, trazem um grande risco de contaminação do músculo cardíaco, causando uma grave infecção chamada de endocardite bacteriana. “Além do risco de contaminação do coração, a doença periodental é a maior responsável pela perda de dentes, causando uma grande alteração na capacidade mastigatória e, consequentemente, em toda organização muscular nesta região”, explica Dr. Normando.
A cárie é a maior responsável pela perda de estrutura dental, pois através da desmineralização causa cavidades de diferentes proporções, interferindo na capacidade mastigatória e em toda a organização muscular. O Dr. Normando Scarabotto conta que para o atleta, a cárie é um grande inimigo, pois diferente da gengivite, ela pode causar muita dor. Sendo a dor uma das dores mais fortes do corpo humano, significa que um atleta com uma sensibilidade localizada na região da cabeça, não terá a mesma capacidade de concentração e foco.
A má oclusão é outro fator que prejudica os atletas. O Dr. Normando esclarece que os dentes foram projetados para se encaixarem perfeitamente, como em uma engrenagem, mas quando isso não acontece toda a musculatura da região da cabeça e pescoço fica desequilibrada. Segundo o dentista, durante a atividade física os atletas costumam apertar com força os dentes, aumentando muito o esforço da estrutura dental.
Para o Dr. Normando Scarabotto, a respiração bucal também compromete o rendimento. Estudos na área Odontológica mostram que o atleta respirador bucal apresenta um rendimento 20% menor do que os que respiram pelo nariz. Dentre as alterações, o Dr. Normando diz que se referem a mudança de posição da língua e como consequência a mandíbula e, com isso, também ocorre uma mudança de postura e o aumento do tônus do diafragma, reduzindo a capacidade respiratória.
Cuidados que o atleta deve ter com a saúde bucal:
Reservar 5 minutos (cronometrados) por dia para a escovação e fio dental, pois uma boa escovação depende de tempo. Com isso, o risco de infecções pode cair perto de zero.
Eliminar os hábitos de roer as unhas, morder tampas de canetas e os lábios ou qualquer hábito deste tipo. Pois, essas atitutes podem gerar uma desordem na articulação da mandíbula e com isso muita dor.
Observar se está rangendo os dentes durante à noite, para isso peça para alguém próximo de você verificar.
Usar sempre o protetor bucal para os esportes, para evitar risco de sofrer qualquer impacto na face.
Consultar o dentista a cada seis meses.
Os atletas precisam de um tratamento diferenciado para prevenir traumas nos dentes, já que há vários esportes que oferecem maiores riscos de traumas esportivos bucais, os mais comuns são: alpinismo, boxe, judô, jiu-jitsu, karatê, mountain bike, motocross, ciclismo, hockey inline, patins inline, luta greco-romana, voleibol, handebol e outros. “Os traumas mais comuns estão relacionados as fraturas e traumas dos dentes incisivos centrais e laterais, que muitas vezes apresentam o problema meses ou até anos depois do trauma, podendo com o impacto a polpa inflamar e necrosar sem que a pessoa perceba. Também podem ocorrer fraturas ósseas na região da face e até mesmo cirurgias para a recuperação.
Para prevenir os traumas decorrentes do esporte, o ideal é lançar mão dos protetores bucais para o uso durante a prática esportiva e o controle com placas de bruxismo, para o uso noturno. Para o Dr. Normando, é muito comum os atletas sofrerem com esta disfunção, devido as tensões e pressões psicológicas sofridas.
Os protetores bucais se dividem basicamente em dois tipos: “ferve e morde” e os personalizados. O primeiro só é aconselhado em caso de urgência, quando se precisa de um protetor, e o personalizado não está disponível, porque este tipo de proteção é pré-fabricada e em tamanho único, por isso não se adapta corretamente na arcada e corre-se um maior risco de lesões nos lábios e boca. “ O protetor ideal é o personalizado, que é confeccionado por um dentista, juntamente com um laboratório de prótese dentária, fazendo com que ele possa proteger os dentes da melhor forma possível.”, diz Dr. Scarabotto.
Quanto a medicação de um trauma para o atleta, deve-se observar o princípio ativo dos medicamentos a serem utilizados, para que o atleta não corra o risco de ser pego em um antidoping. Para isso, o profissional pode consultar o comitê e pedir as devidas orientações.
Para um melhor desempenho do atleta e conquista diante das disputas é necessário um exame odontológico minucioso, a fim de promover o tratamento de eventuais doenças ou mesmo atuar de forma preventiva.
Dr. Normando Scarabotto
Cirurgião-dentista, expoente em Estética e Saúde Bucal
Email: normando@cincominutos.com.br
Grazia Nicosia – Jornalista Responsável – MTb: 14635
Fonte: www.factocomunicacao.com.br