Busca

Professor Clayton Rodrigues relata batismo do Noronha em Águas Abertas

23:04 · 13.06.2011 / atualizado às 09:33 · 14.06.2011 por
Prof. Clayton e aluno David, durante a inovadora Clínica de SUP realizada com os alunos do Colégio Antares Fundamental/Divulgação

Vocês vão ler agora um um relato feito pelo meu camarada Clayton, que me iniciou na natação em Águas Abertas. Ao contrário do que todos pensam, mesmo sendo surfista a quase 20 anos, nadar sempre foi uma situação de sobrevivência. Só acontecia quando algo dava errado: a prancha ou a cordinha quebrava, ou coisas do tipo, isto é, eu nadava sempre em uma situação de necessidade e não pelo simples prazer de nadar.

Recentemente essa história finalmente mudou e é o relato dessa experiência, feito pelo responsável pela entrada de mais um esporte em minha vida, é o que vou apresentar pra vocês agora.Por Clayton Rodrigues – Colaborador do Blog

Eu tenho tido, ao longo de minha vida, o prazer de conhecer muitas pessoas. E, hoje, tenho a honra de falar sobre um grande parceiro e amante de esportes radicais, o grande George Noronha. Esta figuraça carrega até no nome a marca da natureza, do encantamento e nada na vida é em vão.

Conheci o Noronha pela internet, ano passado, na ocasião de uma divulgação de uma das etapas do nosso circuito cearense de maratonas aquáticas. Na época, o Blog dele havia sido criado a pouco tempo, então mantivemos contato por e-mail e ele, de cara, ficou alucinado pelo esporte olímpico Maratonas Aquáticas. Desse interesse surgiu a postagem em seu blog sobre este esporte em um dos menus da sua página. Assim, semeávamos, ali, a parceria e a amizade vindoura entre o Blog Oficial das Águas Abertas do Ceará (Prof. Clayton Rodrigues) e Blog Manobra Radical (Repórter George Noronha).

Passou-se um ano e a parceria entre os blogs ficou apenas no enviou de notícias esportivas, mas em uma de nossas conversas por telefone, Noronha confessou-me que nunca havia nadado no mar e que gostaria muito de ser batizado por mim. Eu, logicamente, aceitei o convite, mas outros tantos dias se passaram e nós nunca marcávamos nada de concreto, até mesmo por não nos conhecermos pessoalmente, ainda.

Navegando em uma dessas redes sociais, encontrei o velho “lobo do mar”, Noronha, afinal o cara tem mais de 20 anos de surf. Comecei a perceber que tínhamos bem mais coisas em comum do que imaginara: amantes de esportes radicais, surfistas, blogueiros e amantes do mar.

Nossa amizade resistiu ao corre-corre da “vida moderna”, aos impasses e desencontros. E 2011 começou com tudo.

Mais precisamente no dia 3 de maio, uma terça-feira, nos conhecemos pessoalmente, durante uma entrevista de divulgação da 2ª etapa do circuito cearense de maratonas aquáticas de 2011.   Participaram dessa entrevista eu e vários atletas cearenses das maratonas aquáticas. O local escolhido não poderia ter sido outro, Avenida Beira do Mar, praia do Náutico, local histórico para as Maratonas Aquáticas no Ceará, palco para as primeiras travessias aquáticas da nossa cidade e que ainda hoje recebe o público para eventos deste esporte olímpico.

Dia 7 de maio aconteceu a nossa competição e Noronha estava lá. Filmou e fez entrevistas com vários atletas da prova, fez, inclusive, imagens de dentro de um barco. O material ficou irado. E após cobrir sua primeira prova de Maratonas Aquáticas, esse “cidadão aquático” passou a ser mais um amante da natação em águas abertas, revelando, inclusive, o desejo de ser um competidor em potencial (rsrsrsrs).

Nossas atribuições diárias não nos permitiam, até então, realizar o sonho deste surfer de nadar no mar. Esperávamos ansiosos pelo dia do batizado de Noronha. Quis o destino adiar um pouco mais esse momento, mas recebi um telefonema no dia 31 de maio, à noite, o relógio mostrava 21h50min, era George Noronha, chamando-me para o grande dia. De cara aceitei. Ele falou: “vamos pro mar amanhã, amanhã é o dia perfeito para meu batismo, primeiro dia do mês de junho. Vamos nessa?!”.

Não preciso dizer qual foi minha resposta, não é mesmo?! Marcamos de nos encontrarmos às 6h30min na barraca de coco do Marquinhos, no aterro da praia de Iracema, bem ao lado do espigão da Av. Rui Barbosa. Ele falou que o repórter fotográfico, Natinho, também do Jornal Diário do Nordeste, o mesmo que conheci na ocasião da reportagem que fizemos no mês de maio, iria nadar conosco também, mas esse já é um praticante de águas abertas, “cobra criada no mar”.

O dia amanheceu lindo, o tempo aberto, nuvens no céu… Nuvens de “algodão” e não de chuva, vento terral, mar liso, ótimo para um batismo, enfim, Poseidon, deus dos mares, conspirou a nosso favor. Antes de cairmos no mar, uma breve conversa sobre técnicas de natação em águas abertas e sobre o domínio aquático que cada pessoa precisa ter para entrar no mar e nadar. Em seguida, fizemos o briefing do nosso batizado, depois um breve alongamento e aquecimento para entramos no mar.

Antes de começarmos a dar as primeiras braçadas, fizemos exercícios de palmateio, para o aprendizado e desenvolvimento do domínio aquático e partimos até o final do espigão, nadando num ritmo confortável para o Noronha. Chegamos até a última pedra do espigão, no meio do percurso, pedi para ele parar e dei alguns toques sobre a braçada, pois eu o observava por baixo d’água e vi alguns erros na sua braçada. A água estava com uma boa visibilidade, estava realmente muito bom para se nadar naquela manhã.

Depois do break para correções, seguimos até o final do espigão. Ao chegar lá, falei que iríamos nadar costeando a praia e que o prédio que fica bem na frente da estátua de Iracema Guardiã, na praia de Iracema, iria servir de referência, pois iríamos nadar até o edifício com vidros espelhados, bem no meio do Aterro. E assim seguimos, nadando.

Como diz o ditado popular: cada um no seu ritmo. Natinho seguiu no ritmo dele e abriu cerca de 50m de distância entre nós. Do espigão até o prédio, Noronha parou duas vezes, mas tudo sobre controle, todas as vezes que parou, fez “bolhinhas”, recuperou a frequência cardíaca e, em seguida, voltava a nadar. Chegamos de fronte ao prédio com vidros espelhados, eu aproveitei para orientar o “Lobo do mar”, Noronha, pedi para que ele ficasse fazendo “bolhas” e descansando enquanto eu nadava um pouco mais e me deslocava, dando instruções de como ele deveria proceder dali em diante. O primeiro passo foi ele ter que nadar até chegar onde eu estava, exatamente ali, em frente ao hotel Holiday Inn, e ele respondeu: “ok”.

Então, Noronha fez o que eu pedi, ao chegar no local citado acima, eu falei “ pronto cara, até aqui tá ótimo, você está de parabéns.” Ele, meio cansado,  falou assim: “massa brother, pode crer, valeu mesmo, oh…”. Natinho voltou todo o percurso nadando.

Dando continuidade ao “ritual de batismo”, nadamos em direção à praia, em linha reta, e partimos. Mas antes de chegar ao final do percurso, eu parei de nadar, deixei ele passar por mim, e, em seguida, passei por cima dele (rsrsrsr), dei-lhe um tremendo caldo, cravei minha mão bem em cima da cabeça dele e o emburrei até o meu braço se estender por completo para baixo (rsrsrsrs). Ao levantar a cabeça, Noronha emitiu aquele som, que é peculiar aos surfistas – uuuuuhhhhuuuuuu! Neste instante, eu falei que ele acabara de ser batizado. Demos mas algumas braçadas e colocamos o pé na areia. Missão cumprida, mais um batizado realizado. E para completar, o mar estava quebrando ondas de meio metro, caixotes na beira, aí furamos duas ondas, era o mar fazendo seu batismo também, nesse surfista que, até então, não havia tido o prazer de praticar natação em águas abertas e se integrar de corpo e alma com o planeta Terra, que na verdade deveria ser chamado de planeta Água, pois 70% dele é composto por este elemento essencial à vida.

Já em terra firme, Noronha ficou deslumbrado com a distância que havia nadado e não acreditava que tinha feito aquilo. Ele estava vibrando, olhos arregalados e sorriso na cara, igual a uma criança quando ganha um brinquedo novo. Eu também não posso negar que fiquei muito feliz em ver a felicidade estampada na face dele.

Começamos a voltar andando pela areia molhada da praia, bem próximo da água. Noronha parecia que estava sendo atraído pelo mar, ele não parava de falar no feito que realizara e comentou: “meu irmão, olha o tanto que eu já andei, e eu fiz isso tudo nadando brother!” Eu, estava ali, ao seu lado, rindo. Ele me perguntou: “qual a distância que eu nadei Clayton?” Prontamente, respondi que ele nadara cerca de 600-650m. Noronha fez uma cara de satisfação e sonhos futuros e disse “Eita! Já posso participar dos 600m da próxima travessia”. Aí, ele comentou em seguida, “ah, posso não, 600m é só para as crianças”. Completei sua fala acrescentando que ele, em breve, conseguiria completar a prova de 1.500m, aí ele respondeu: “É mesmo né, brother!”. Eu o orientei, neste instante a nadar 3 meses de forma sistemática para que esse novo feito pudesse tornar-se realidade.

A natureza ali e nós, parte deste universo… Era cedo ainda. Chegamos em Marquinhos do côco, Noronha encontra um amigo, Henrique Barros, um ex-surfista profissional cearense, e fez questão de nos apresentarmos… E como todo bom repórter foi narrando mais um episódio, só que agora um fato noticiado sobre ele mesmo e seu feito: o batizado no mar. A NATUREZA NÃO FAZ MESMO NADA EM VÃO…

Em seguida falou que estava entrando num projeto comigo, juntamente com outras pessoas, para irmos em julho de 2012 para o Tahiti, mas isso será uma outra história para ser contada após ser vivida.

Aloha!

Correção ortográfica do texto: Profa. Erica Fernandes.

Blog Oficial das Águas Abertas: http://aguasabertasceara.blogspot.com

Noronha e Clayton

Comentários 5

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Natinho Rodrigues

14/10/2011 as 22:0619

Clayton……………Obrigado por estar nos colocando pra nadar outra vez.Estou dando o gás pra ir todos os dias e quando vamos nós 3, aí é que nado mesmo, pois, vc passa segurança e instigação…Vlw parceiro…

Fábio Arruda

14/03/2011 as 15:0619

Parabéns Clayton pela iniciativa, parabéns George pela conquista…
pense em dois “cabas da peste”…
Tenho certeza que essa amizade e seus projetos vão longe, pelo que conheço da seriedade e da paixão em realizar o que se propõe dos dois…
GO BEYOND, ALWAYS….

Clayton Rodrigues

14/01/2011 as 13:0619

Vlw Peter pelas palavras… Mas quem está se garantindo mesmo é o Noronha, hoje (dia 14/JUL) ele nadou cerca de 850-900m, o cara tá “botando pra baixo” mesmo na natação em águas abertas, comprou até óculos de natação kkkkkk
E convido todos para aumentar esse cardume humano que já existe aqui em Fortaleza.
Vida longa para as Àguas Abertas e o Surf!
Visitem também o Blog Oficial das Águas Abertas e acompanhem nosso circuito cearense e todas as novidades desse esporte http://aguasabertasceara.blogspot.com/
ALOHA!

Maya

14/01/2011 as 13:0619

Aew esse batizado foi show, só sangue bom no mar!
GW, dá o gás que daqui uns tempos tu tá deixando os amadores como Natinho pra trás e competindo forte com os profissionais. Vlw.

Peter

14/01/2011 as 13:0619

Muito massa esse relato. Ri demais, e mais, gostei do lobo do mar, mas esse Noronha tá mais para leão marinho kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Boas braçadas e não para, não para, não para não… Parabéns professor Clayton.Vvc se garantiu de novo!