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Pororoca Nordestina destaque no Dirio

23:08 · 27.02.2011 / atualizado às 00:16 · 28.02.2011 por

O Jornal Dirio do Nordeste encartou neste domingo uma grande reportagem sobre a pororoca do Rio Arari, no Maranho.

Confira a matria na ntegra e o link direto para a matria encartada no site do jornal.

REPORTAGEM NA NTEGRA

Na aventura radical desta semana iremos desvendar os segredos de um dos fenmenos mais intrigantes da natureza. Histrias de sucuris gigantes, jacars e piranhas nos acompanharam do incio ao fim desta odisseia que tinha como objetivo surfar uma das ondas mais longas do mundo em uma improvvel pororoca na Amaznia Nordestina.
Durante muitos anos ouvi histrias que falavam de rios onde quebravam ondas capazes de afundar embarcaes daqueles que se atrevessem a enfrentar sua fria e deixar marcas profundas at em experientes atletas. Esse tipo de onda chama-se pororoca e no Brasil um fenmeno restrito Regio Norte do pas. Mas como em toda regra h uma exceo, existe um rio no Maranho que tambm proporciona uma pororoca tida como ideal para aqueles que pretendessem se iniciar neste tipo de aventura. Eu j estava sabendo que entre os dias 18 e 20 de fevereiro um pequeno grupo de amigos cearenses estava planejando uma expedio com o objetivo de surfar a pororoca do Rio Mearim, situado no municpio de Arari, no Maranho.

Mal tinha colocado os ps no Cear, quando, ainda no saguo do aeroporto, Marcelo Bibita, a maior referncia nordestina quando o assunto pororoca, me liga fazendo um convite para que uma equipe do Dirio acompanhasse os cearenses nesta expedio. At a tudo bem. O nico problema era que a viagem seria no dia seguinte. Tanto eu como o reprter fotogrfico Natinho Rodrigues estvamos exaustos da viagem de Fernando de Noronha que acabvamos de concluir. Mas a pororoca no espera por ningum e no podamos perder a oportunidade de registrar esse fenmeno e trazer para nossos leitores toda a emoo que envolve o extico surf no meio da selva amaznica. No dia seguinte j estvamos a caminho de uma das aventuras mais radicais de nossas vidas.

Aps doze longas horas de estrada chegamos ao nosso destino, Arari, no Maranho. Situado a 163km da Capital So Luiz, o municpio que, durante muitos anos foi conhecido apenas pelo cultivo tradicional de melancia, agora tambm reconhecido como terra da pororoca.
Logo que chegamos, fomos direto para um dos locais onde a pororoca quebra ondas com maior tamanho, o Curral da Igreja. A onda passaria por l por volta das 8:30h da manh e j passavam das 8:00h. Rapidamente colocamos o Jet Sky na gua e ficamos esperando a pororoca chegar. De todos que estavam na expedio apenas o Bibita conhecia o fenmeno, ento ningum sabia exatamente o que nos esperava. Este primeiro contato serviu para que o experiente surfista de pororocas nos apresentasse a essa maravilha da natureza e nos desse dicas, principalmente nos mostrando como nos comportar para que nada de errado acontecesse. Nesse primeiro dia fiquei chocado com tudo o que presenciei.

A primeira coisa que me chamou ateno foi a chegada e a passagem da onda. A princpio a pororoca parecia apenas uma ondinha em nada lembrava as histrias amedrontadoras que eu colecionava em minha memria de relatos apavorantes de afogamentos e perigosos choques com troncos e razes de rvores. No primeiro contato o que mais me chamou ateno foi o aumento sbito do nvel do rio, que aps a passagem da pororoca subiu cerca de 7m em pouco mais de dez minutos, mudando completamente a paisagem a nossa frente. Assim foi nosso primeiro dia que terminou com um incidente que nos tiraria nosso maior trunfo. Nosso Jet Sky afundou em um momento de descuido e o seu motor ficou cheio dgua. Resultado: na manh do sbado no tnhamos mais nosso brinquedinho e tivemos de encarar a pororoca no brao. Mas, para ns que tnhamos a companhia de uma pessoa com mais de 30 pororocas no currculo, isso serviria apenas para aumentar a emoo. Foi a que pudemos constatar na prtica que em se tratando de surf na pororoca, nenhum nome nordestino se compara a Marcelo Bibita. No nosso segundo dia, Bibita escolheu um pico diferente e nos pediu que no fizssemos perguntas e apenas segussemos suas orientaes para que pudssemos aproveitar o mximo da pororoca utilizando o que tnhamos, o veculo 4×4 em que viajvamos. Ele nos levou para o Stio Jurupiranga, situado na Estrada da Pororoca n 100, segundo ele seu endereo no Maranho. A partir da comeamos a perceber como a pororoca havia criado uma identidade com aquele lugar.

Todos ficamos atentos para a chegada dela que se aproximava com seu barulho aterrador. Pouco antes de entrarmos no rio para esperar a onda Bibita nos comunicou que no iria surfar. Na hora ningum entendeu porque justo ele, o mais viciado naquela onda, no iria pra gua. Ficamos nos perguntando se seria por causa dos jacars ou das piranhas e ele s fazia dizer: galera, ajoelhou, tem que rezar. Confiem em mim que vai dar tudo certo. Ento l fomos ns. Quando a pororoca chegou todos comeamos a remar para entrar nela. Eu no consegui um posicionamento ideal e no consegui surf-la. O Marcelo Freitas e o Bruno seguiram na onda. Quando dei por mim, o Bibita e o Natinho estavam gritando dentro do carro para que eu entrasse. Logo em seguida foi a vez do Bruno e do Freitas correrem para dentro aps terem sado da onda. Nessa hora, outro experiente surfista de pororoca tambm estava saindo do rio dizendo que no daria tempo de chegar no Barreiro. Mas o Bibita disse que daria sim, pois, ele j tinha feito isso outra vez. Ento entramos nesse carro e samos em disparada em meio aos caboclos na beira da estrada com suas espingardas, atravessando pontes de madeira que mal cabiam duas bicicletas emparelhadas, em busca de ultrapassar a pororoca que seguia rio acima. Aps muita lama chegamos no pico chamado Barreiro.

S deu tempo de pular do carro e correr para o rio, pois, a pororoca j estava quase em cima de ns. Foi a que passei o meu maior sufoco nesta viagem e pude sentir na pele todo o poder e a fria deste fenmeno. Quando fui tentar entrar na onda, mais uma vez fui ficando para trs. Mas, remei com todas as minhas foras e consegui entrar na onda. Contudo, devido proximidade da margem, fui arremessado vrias vezes contra o barreiro argiloso que margeia o Rio Arari naquele ponto. Eu estava totalmente sem controle da situao e no conseguia sair da onda enquanto era jogado pela fora da onda nos galhos e razes das rvores da margem. Foi aterrorizante, pois, estava em uma situao totalmente desconhecida e tive de me agarrar com todas as foras s razes das rvores para escapar. Minha sorte foi estar usando um colete de neoprene de mangas longas, o que ajudou a evitar maiores escoriaes no corpo. Foi uma experincia das mais extremas que serviu para que eu conhecesse a real fora da pororoca. Fiquei imaginando como seria estar naquela situao em uma onda de dois metros de tamanho, ou se tivessem troncos ou galhos maiores nas margens (que eu conheci to de perto). Depois desse dia posso dizer que literalmente experimentei a pororoca j que nunca tinha comido tanto barro em toda a minha vida.

Aps essa prova de fogo, fomos tratar de consertar o Jet Sky e nos preparar para o domingo, que estava previsto para ser o maior dia do fenmeno. Tudo bem que o Bibita queria que aproveitssemos o mximo da onda, mas passar por tudo aquilo novamente tendo um Jet Sky disposio seria gostar demais de adrenalina.
O domingo comeou bem cedo. Antes do sol nascer, nossos amigos maranhenses Vincius Caboco, Alexandre, Nolio Sobrinho (este com 100 pororocas no currculo), Peralta e o responsvel pelo conserto de nosso Jet Sky, o Marcelo Adventure, j estavam na maior pilha nos sacudindo da cama para que o grande dia comeasse.
Nos dirigimos para o Curral da Igreja. Fui na voadeira do Caboco e o Natinho foi no Jet Sky. Juntos, nos fomos em direo do Corredor da Morte, um perigoso pico onde a pororoca fica muito nervosa. Nossa voadeira no conseguiu entrar no Corredor e apenas o Jet Sky se aventurou a enfrentar a parte mais sinistra dessa aventura. Enquanto isso escolhemos um local seguro na margem do rio para esperar a onda chegar e aproveitamos para contemplar o visual totalmente extico da Floresta Amaznica em pleno Nordeste Brasileiro. Aos poucos o barulho da onda dilacerando as margens do Rio Mearim ia ficando cada vez mais alto. Dava para sentir uma espcie de frequncia percorrendo minha pele. Algo como se os fluidos do meu corpo tambm pudessem sentir a aproximao da onda subindo rio acima. Ento ela surgiu no horizonte e todos corremos para dentro do barco. Enquanto a turma que no tinha voadeira comeava a surfar a onda, ns amos acompanhando na frente da pororoca esperando que os cerca de dez surfistas que estavam ao mesmo tempo na onda comeassem a sair para nos dar lugar. Finalmente, o Iran, o mais experiente dos pilotos da regio, mandou-nos pular rapidamente no rio. Nessa hora meu corao batia a mil por hora e a respirao estava ofegante. A lembrana do dia anterior ainda estava muito viva e eu ainda no sabia exatamente o que ia encontrar e como iria agir. Logo que peguei a pororoca fiquei deitado na prancha por algum tempo para me acostumar com sua velocidade e fora. O Caboco foi o primeiro que me mandou ficar de p.

Nessa hora tive de ser rpido e preciso, pois, no queria ser atropelado novamente pela fora da pororoca. Subitamente subi na prancha e comecei a viver uma das maiores emoes de toda a minha vida. Eu estava surfando a pororoca. O que parecia impossvel estava acontecendo. Eu estava no meio de uma selva surfando a onda mais longa de toda a minha vida. Aps vrios minutos e com as pernas doendo de tanto surfar, sa da onda com uma incrvel sensao de ter superado com folga o meu limite de tempo de surf. Nunca em minha vida eu tinha surfado por tanto tempo uma nica onda e tenho certeza de que passarei o resto da vida buscando sentir essa sensao novamente.
Daquele dia em diante eu passei a entender por que o Bibita sempre chama todo mundo para surfar a pororoca e porque ele sempre volta. Entendi tambm porque ele, no dia anterior, deixou de surfar para que ns, pororoqueiros de primeira viajem, pudssemos vivenciar toda a emoo que esse incrvel fenmeno da natureza pode proporcionar queles que amam o surf.

E por falar em Bibita, ele no saiu de perto de ns um nico instante e tambm foi em grande parte responsvel pelas imagens que registramos durante o surf j que foi ele quem pilotou o Jet Sky para que as fotos pudessem ser feitas dos ngulos mais radicais, deixando para aproveitar o surf na ltima bancada de ondas, mostrando mais uma vez a experincia de quem conhece aquela regio como a palma da prpria mo.
No sei explicar o que acontece comigo quando estou aqui. Sinto como se algo maior me chamasse para todo ano me mostrar como bom estar vivo e pegar onda. Enquanto eu for vivo e Deus me permitir ficar sobre uma prancha, podem ter certeza que estarei surfando essa e outras pororocas.
Assim encerrou-se esta nossa Odisseia cheia de perigos, aventura e muitas lies. Durante estes trs dias aprendemos a respeitar ainda mais a fora da Me Natureza; fizemos muitos amigos como os ribeirinhos Marquinhos e Didi, uma dupla formidvel que muito nos ajudou a compreender os perigos e as virtudes do rio; vimos o altrusmo do nordestino quando o Marcelo Adventure trocou seu sbado de descanso para consertar nosso Jet e conhecemos um povo muito hospitaleiro que nos recebeu como se j nos conhecessem. Um povo que mistura o sangue quente do nordestino com a pureza do esprito do ndio caboclo e que se orgulha de ter no quintal de casa a nica pororoca nordestina.

BIBITA

O Cearense Marcelo Bibita(47), uma referencia nacional quando se fala no fenmeno da pororoca. Pioneiro, juntamente com o maior incentivador e promotor de eventos deste fenmeno o paraense Nolio Sobrinho, fazem incurses em toda a regio amaznica desde a dcada de 90. Segundo ele prprio, j foram descobertas mais de 30 pororocas pelo Brasil e sempre uma novidade porque cada pororoca nica e nunca uma igual a outra.
Sobre os perigos ele fala com muita seriedade que todo este trabalho realizado pela a Abraspo (Ass. Brasileira de Surf na Pororoca) durante estas quase duas dcadas, foi com o intuito de desenvolver tcnicas seguras de abordagem ao fenmeno, no s para os surfistas, como tambm aqueles que vo registr-las.
Contudo, ele admite que j houveram muitos naufrgios e muito equipamento j foi perdido e que o risco real. No incomum encontrarmos no meio da operao tempestades, jacars, sucuris, piranhas, candirus, insetos, piratas de rio etc. Tudo isso faz parte da aventura de surfar a onda da pororoca e mesmo assim ele enfatiza que vale a pena, pois, quando consegue entrar na onda tudo se transforma e isso para ele representa a sua redeno, sua comunho com as foras da natureza.
Mesmo tendo chegado esta semana de uma pororoca no Rio Mearim(MA) ele j est de partida para a mais temida de todas as pororocas: a do grande Araguari, no Estado do Amap, acompanhando e dando suporte tcnico a uma emissora de TV Japonesa junto com Nolio Sobrinho que enfrentar sua centsima pororoca.

SAIBA MAIS

Sazonal

Embora a pororoca acontea todos os dias, o perodo de maior intensidade no Brasil acontece entre janeiro e maio e no um fenmeno exclusivo do Rio Amazonas. Acontece nos esturios rasos de todos os rios que desembocam no golfo amaznico e no rio Araguari, no litoral do Estado do Amap, e tambm nos rios Sena e Ganges.

Lua

melhor percebido quando da mudana das fases da Lua, ou seja, desde dois dias antes at trs dias aps, particularmente nos equincios em cada hemisfrio, e com maior intensidade quando das ocorrncias de mar viva (sizgia), nas Lua Cheia e Nova

Estados

O fenmeno manifesta-se, no Brasil, na foz do rio Amazonas e afluentes do litoral paraense e amapaense e na foz do rio Mearim, no Maranho

EXPLORADORES

Experincia a servio de quem encara a grande onda

O cearense Marcelo Bibita uma referencia nacional quando se fala da pororoca. Pioneiro, juntamente com o paraense Nolio Sobrinho, fazem incurses em toda a regio amaznica desde a dcada de 1990. A dupla j descobriu mais de 30 pororocas pelo Brasil.

Os surfistas admitem que j houveram muitos naufrgios e que muitos equipamento j foram perdidos durante o fenmeno, o que mostra que o risco real. comum se deparar em meio a tempestades ou entre jacars, sucuris, piranhas, candirus, insetos e piratas. Tudo isso faz parte da aventura de surfar a onda da pororoca.

Os desafios so esquecidos quando se consegue entrar na onda. Tudo se transforma e isso representa a sua redeno, sua comunho com as foras da me natureza.

Mal encarou a pororoca no Rio Mearim, Bibita j est de partida para a mais temida de todas as ondas de rio: a do grande Araguari, no Amap. O cearense vai acompanhando e dando suporte tcnico a uma emissora de TV japonesa, juntamente com seu fiel escudeiro Nolio Sobrinho, que enfrentar sua centsima pororoca.

NA AMAZNIA

Fenmeno que vem da fora das guas

O fenmeno da Pororoca que ocorre na regio Amaznica, principalmente na foz do seu grandioso e mais imponente rio, o Amazonas, formado pela elevao sbita das guas junto foz, provocada pelo encontro das mars ou de correntes contrrias, como se estas encontrassem um obstculo que impedisse seu percurso natural. Quando ultrapassa esse obstculo, as guas correm rio a dentro com uma velocidade de 10 a 15 milhas por hora, subindo uma altura de trs a seis metros.

No Estado do Amap, ela ocorre na ilha do Bailique, na “Boca” do Araguari, no Canal do inferno da Ilha de Marac em diversas partes insulares e com maior intensidade nos meses de janeiro a maio. sem dvida, um dos atrativos tursticos mais expressivos, que embora temvel, torna-se um espetculo admirvel por todos.

Consta que Vicente Pinzon e sua tripulao presenciaram a Pororoca quando desceram a Foz do Rio Amazonas e ficaram surpresos com a grandeza e a beleza mpar do fenmeno. sabido que em janeiro do ano de 1.500 ela quase destruiu embarcaes locais.

A pororoca prenuncia a enchente. Alguns minutos antes de chegar, h uma calmaria, um momento de silncio. As aves se aquietam e at o vento parece parar de “soprar”. ela que se aproxima. Os caboclos j sabem e rapidamente procuram um lugar seguro como enseadas ou mesmo os pontos mais profundos dos rios para aportar suas embarcaes seguras de qualquer dano, pois a canoa que estiver na “baixa-mar”, onde ela bate furiosa e barulhenta, sero levadas com as rvores.

Existem vrias explicaes da causa do fenmeno da Pororoca, porm a principal consiste na mudana das fases da lua, principalmente nos equincios, com maior propenso da massa lquida dos oceanos, fora que na Amaznia percebida a mais de mil quilmetros. Quando ela passa formam ondas menores, os “banzeiros”, que violentamente morrem nas praias.

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Comentários 2

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marco da doc

01/10/2011 as 10:0319

Marcelo Bibita, meu amigo das antigas e amante do surfe que nem eu. Parabns por estar em todas. Da prxima vez me leva tambm. Jesus te ama muito!

Marisol

28/11/2011 as 11:0219

Essa aventura foi pra l de radical, heim? Gostei demais da matria, essa eu vou guardar…