Em dois anos, o mercado de livro digital passou de zero para um bilhão de dólares, nos Estados Unidos. Esse mesmo fenômeno está prestes a acontecer no Brasil, onde as maiores empresas que atuam no setor já estão cuidando de fincar os pés. “Hoje, 20% das receitas das editoras provêm de livros digitais. Preços dinâmicos farão com que o livro digital ganhem escala”, afirmou Bill McCoy, diretor executivo do Internacional Digital Publishing Forum, durante o 3º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, realizado na semana passada em São Paulo.
De acordo com Eduardo Melo, diretor da editora Simplíssimo, em janeiro deste ano existiam 12 mil títulos de livros disponíveis em versões digitais no Brasil. Em 2011 eram quatro mil.

Um dos grandes nomes do setor, a Amazon – que vende livros e seu aparelho de leitura de e-books Kindle – já prepara sua estreia no mercado brasileiro. O diretor de conteúdo para o Kindle na América Latina, Pedro Huerta, também presente no congresso, disse entender a frustração dos editores brasileiros com os ganhos ainda limitados do digital. “Entendo a frustração de quem passa horas discutindo sobre o digital e não vê um real de lucro com essas operações”, disse. “Mas vocês devem entender que algumas coisas do passado nunca mais vão voltar”, acrescentou.
Na opinião do executivo, os editores devem focar em três aspectos para investir no digital: disponibilizar o conteúdo completo dos autores, pensar nas vendas globalmente e desenvolver promoções para promover o produto. Tudo isso, de acordo com Huerta, deve ser pensado a partir da perspectiva do consumidor.
“No mundo digital, tudo muda, inclusive o marketing. Cada um deve encontrar sua própria maneira e testar. Essa é a beleza do digital”, disse o diretor do Kindle. “Em 2011, 20% das vendas das grandes editoras nos Estados Unidos vieram do digital. Obviamente, isso demorou um tempo para acontecer. As editoras devem avaliar o que funciona e o que não funciona. Ninguém pode fazer isso por você. Se pudesse dar uma sugestão, eu diria: assim que vocês tiveram os direitos digitais desuas obras, experimentem”, afirmou.
Ainda segundo Huerta, as principais oportunidades para os editores brasileiros no digital virão da dimensão continental do Brasil, uma vez que, pelas livrarias pontocom, é possível baixar qualquer livro, de qualquer lugar com acesso à web. Outro nicho importante são os livros didáticos, que deverão ser digitalizados com a popularização dos dispositivos móveis.
Para Bill McCoy, do Internacional Digital Publishing Forum, a maior inovação advinda dos aparelhos de leitura de e-books foi a tela e, com os novos dispositivos surgindo, é possível agregar aplicativos e jogos, criar conexões com telefones celulares, além de os preços estarem baixando. “A plataforma utilizada pelos e-books disponibiliza, além de textos e fotos, experiências, convergência e interatividade, ferramentas que enriquecem o conteúdo, tornando-o portátil”, disse o palestrante do evento, destacando a importância da existência de padrões abertos.
Pirataria
A pirataria foi outra questão levantada pelos palestrantes do congresso, que destacaram a importância de existir ações para coibir este tipo de fraude e explicaram que há muitas reproduções digitais pirateadas com erros de digitação. “O papel das editoras é justamente mostrar o lado profissional do negócio. Os leitores, ao pagarem por um e-book, devem ter a contrapartida de um conteúdo fiel e de excelente qualidade”, disse Melo.
O publicitário Washington Olivetto, presidente de criação da agência WMcCann, em sua palestra sobre “A força das mídias digitais na divulgação do livro”, enfatizou a importância da criatividade nos textos. Olivetto fez umalerta ao público presente: “A tecnologia democratizou a arte de escrever, porém esta escrita não está sendo feita corretamente”, frisou o publicitário ao final da palestra.