Estive, por esses dias, refletindo sobre as diatribes do vereador Rogério Pinheiro (o bacana aí da foto), presidente do PSB em Fortaleza, a respeito das diatribes do deputado federal Ciro Gomes, correligionário dele, que chamou a prefeita Luizianne Lins (PT) de “coronelzim de saia” e tachou a gestão dela de “fuleiragem”.
Pinheiro usou a tribuna da Câmara Municipal para tratar de um assunto exclusivo do partido e aventou a possibilidade de defender a expulsão de Ciro, já que petistas e socialistas são aliados e isso lá é coisa que se diga, ora mais, menino!
Mas é só arranco eleitoreiro. Nada mais. De um lado e de outro. Bafo de boca, como diziam os mais antigos. Zoada. Busca de mídia gratuita.
Vejamos: Ciro comanda o grupo majoritário do PSB. Sendo expulso Ciro, sairiam com ele figuras de expressão no PSB local - que não são exatamente socialistas, mas são ciristas até a medula, pelo menos até quando Ciro mantiver a influência que tem. Sabe quem está entre esses ciristas até a medula? O governador Cid Gomes. Pinheiro quer mesmo que Cid deixe o partido? Quer mesmo que, com o rompimento, o PSB perca os cargos que tem no Governo do Ceará? Quer enfraquecer o grupo ao qual pertence faltando dois anos para as eleições estaduais? E se Ciro não sair do PSB, Rogério Pinheiro sairá?
Outra coisa: você ouviu alguém sério do PSB dando bola para o ataque de Rogério Pinheiro? Claro que não. É que o Ceará todo e metade do Brasil sabem quem é Ciro Gomes, inclusive que ele não liga muito para essa história de partido. E pouca, pouquíssima gente, conhece Rogério Pinheiro.
A questão não é só política, considerando que Ciro já foi deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Estado, duas vezes ministro (Fazenda e Integração Nacional), duas vezes candidato a presidente da República e é agora deputado federal, e Rogério Pinheiro só foi vereador (em tese, pode até alçar outros vôos, mas por enquanto ainda está circunscrito ao município de Fortaleza).
A questão é matemática também.
Na eleição de 2006, Ciro obteve 667.830 votos. Foi o segundo mais votado no País, em números absolutos, e o primeiro em números proporcionais, ficando com mais de 16% dos votos dos cearenses. Mais ainda: é, segundo o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), um dos 100 parlamentares de mais influência no Congresso. E também está cotado, sabem Deus e Lula com que cacife, para a sucessão presidencial daqui a dois anos.
Já na eleição de 2000, quando conseguiu se eleger, Pinheiro teve 3.386 votos. Na de 2004, quando ficou apenas na suplência, recebeu 4.286 indicações. Só retornou à Câmara Municipal porque o titular, Sérgio Novais, pediu para sair, zero-dois.
Some tudo, diminua o que julgar pertinente, multiplique por poder e divida pelos dois. E responda: o PSB vai trocar Ciro por um laivo oportunista do vereador?
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No fim das contas, entendamos assim: Ciro criticou Luizianne para agradar ao amigo e parceiro Tasso Jereissati (PSDB), que, como ele, apóia Patrícia Saboya (PDT) para prefeita. Rogério criticou Ciro para agradar Luizianne Lins e gerar algum desconforto na ala do PSB ligada a Cid Gomes, que não tem participado como muito afinco da campanha da petista. Só.
E, quando passar o calor da campanha e a sede por votos, experimente cobrar de Rogério Pinheiro a expulsão de Ciro. Aposto que ele vai fazer de conta que nem sabe de que assunto se trata.