Recebi a informação hoje. Repasso-a a vocês:
“No dia 1º de junho, data do 15º aniversário da morte do jornalista Carlos Castello Branco, estará disponível integralmente na Internet a sua histórica coluna, escrita do início da década de 60 ao começo dos anos 90. Referência obrigatória para pesquisadores, jornalistas, estudantes e políticos, a Coluna do Castello permitirá ao público o acesso direto a toda a obra do jornalista no site www.carloscastellobranco.com.br, além de possibilitar o seu registro e preservação.
Exatamente 7.849 colunas sobre política escritas ao longo da carreira do jornalista no Jornal do Brasil, poderão ser acessadas através de um sistema de busca avançada, tanto por ordem cronológica quanto por palavra-chave, o que facilita bastante a pesquisa. Lançado em caráter experimental em novembro, o site, agora em sua versão completa, contém ainda a biografia e a foto-biografia de Castelinho, como era carinhosamente chamado por políticos e colegas.
O website oferece também uma seleta de sua vida literária, contendo crônicas e contos, além de cartas, como as trocadas com Nascimento Brito, que comandava o Jornal do Brasil no auge da ditadura militar, discursos principais; e material audiovisual, como filmes nos quais participou, a exemplo do Idade da Terra, de Glauber Rocha. São transcritas ainda extensas e esclarecedoras entrevistas dadas a Adriana Zarvos sobre temas políticos e históricos, com revelações de bastidores muito úteis aos pesquisadores.
O site publica ainda textos e depoimentos pessoais sobre Castello, que vão de Roberto Marinho a Luiz Inácio Lula da Silva. Na seção ‘Recados’, o internauta poderá deixar uma mensagem sobre o assunto que desejar e trocar idéias com os demais interessados na obra de Castello. A interatividade também está presente na seção ‘Monte sua Coletânea’, na qual o pesquisador poderá selecionar as colunas que mais aprecia e deixá-las armazenadas no próprio site para que ele e seus amigos possam consultá-las quando quiserem (cada coletânea tem capacidade de conter 25 textos). Em ‘Novidades’, serão publicadas as notícias mais recentes sobre a obra do jornalista. Como disse Elio Gaspari, em sua coluna no jornal O Globo, o ‘baú do Castelinho é um tesouro’.
Publicada entre 1962 e 1993, ano da morte do jornalista, a Coluna do Castello influenciou a política nacional durante todo esse período e é uma fonte privilegiada para se entender a história do Brasil: dos anos tumultuados que antecederam ao golpe militar de 1964 até a desilusão que marcou o processo de redemocratização com a eleição e o impeachment de Fernando Collor. A coluna cobre praticamente todos os eventos de destaque no cenário nacional da segunda metade do século XX.
Veiculada na tradicional página 2 do JB, a coluna era escrita com ‘estilo de mestre’, impessoal na exposição de idéias e econômica no uso de adjetivos. Para o jornalista Villas-Bôas Corrêa, Castello ‘falava por frases curtas, mas tinha a prodigiosa capacidade de se informar, de fazer relações, de inspirar confiança às fontes. Ele foi um articulador das jogadas políticas, que colocava as coisas em textos de alta qualidade literária’.
Filtrada pelo olhar agudo do jornalista, a coluna também é pontuada pelo humor. Segundo o jornalista Alberto Dines, que convidou Castello para escrever no JB, o colunista ‘tinha um senso de humor arrasador, sarcástico. Não era o humor hilariante, falava pouco e, quando falava, destruía’”.