Você sabe que escrevo a Coluna Comunicado, do Diário do Nordeste. Terça-feira passada (25.11), publiquei as seguintes notas:
“Dois pra lá, dois pra cá
Não é ruim apenas o clima na bancada petista da Assembléia Legislativa do Ceará, na qual metade se alinha com a gestão Cid Gomes (PSB) e a outra banda faz oposição sem, contudo, admitir isso. A questão da vez, não poderia ser diferente, é a lei que cria do piso dos professores da rede estadual, que contém itens com os quais o Governo não concorda. No parlamento, a proposta põe de um lado os deputados Nelson Martins e Dedé Teixeira, governistas que defendem a votação da matéria já hoje, e do outro Rachel Marques e Artur Bruno que, por motivos distintos, acham que é melhor devolvê-la ao Executivo. Nas instâncias intramuros, o PT também vem sofrendo espasmos por conta dessa quizila. É que o caso tem desgastado mais ainda as relações do grupo do presidente da sigla, o prefeito de Quixadá, Ilário Marques, com as alas mais articuladas com o Palácio Iracema. Pode apostar: quem perder essa queda de braço vai querer a revanche até 2010.
Uma razão
Artur Bruno é contra a votação da lei que estabelece o piso de R$ 950 para o magistério, nesta terça-feira, porque tem relações históricas com a categoria, à qual pertence. Um de seus principais assessores, Anísio Melo, é dirigente de entidade dos professores. Com ele e o professor Zezé Medeiros, Bruno escreveu o livro ´Leis da Educação´. Ou seja, tem mil e uma razões para justificar seu comportamento.
Outra razão
A situação de Rachel Marques é diferente. O compromisso maior que tem é com o esquema político do marido, Ilário. A certidão de casamento, aliás, já a pôs em outros conflitos com os demais deputados petistas - como a defesa de que o bancadão formado por PMDB, PT e PSB na Assembléia deve ser extinto, em nome da autonomia do partido. Isso a deixou isolada”.
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Fiquei assombrado com a reação copiosa da deputada. Ela foi à tribuna da Assembléia, chorando, dizer-se vítima de uma injustiça. E afirmar que estava ofendida pelo fato de a Coluna ter notado que “a certidão de casamento” a pôs em outros conflitos com o restante da bancada petista.
Uma pena. Nada do que foi escrito é inverdade. Lamentando as lágrimas de Rachel, quarta-feira (26.11) publiquei o seguinte:
“As lágrimas de Rachel
A deputada Rachel Marques (PT) gastou ontem parte de seu tempo na tribuna da Assembléia para chorar. Ela não gostou nem um pouco de ler nota desta Coluna, que observou serem as decisões políticas que segue vinculadas às orientações do grupo liderado pelo marido, Ilário Marques, presidente estadual do PT e prefeito de Quixadá. Inclusive as que se caracterizam como de oposição. Disse ter sido injustiçada e que seu mandato independe da certidão de casamento. Falou de seu passado como ´líder estudantil´, recebendo, pelo pranto, a solidariedade de outros parlamentares. Rachel afirmou, ainda, que é aliada da gestão Cid Gomes (PSB), embora se poste contrária em questões várias. Comunicado lamenta as lágrimas vertidas pela deputada, mas lembra que os fatos estão muito acima dos argumentos. E que ela não se agaste: em política, ter líder não é demérito.
A história
Rachel Marques se zangou com a observação de que ´a certidão de casamento (…) já a pôs em outros conflitos com os demais deputados petistas´. Viu nisso viés ´machista´ para desqualificá-la. Errou. O que se registrou foi um fato - que tem o mesmo calibre político dos que a levaram na década de 1990 ao estafe do então prefeito de Fortaleza, Juraci Magalhães, à presidência da Companhia Docas em 2003 e 2004 e, em duas ocasiões, a secretarias municipais em Quixadá.
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Por causa disso, estou sendo xingado que só. Já recebi e-mails em que me chamam de recalcado, de machista e de injusto. De grosseiro e de chauvinista (sim, fui chamado disso!). De agressivo, também.
Só não me chamaram de mentiroso. E isso é muito bom. Ninguém, afinal, tem como contestar fatos que são públicos e notórios.
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Por fim, recebi ontem de uma antiga militante de entidades de mulheres, Cineide Almeida, a nota abaixo - que veio como se tivesse sido redigida pela escritora Rose Marie Muraro, o que não tive como confirmar (faço essa observação porque, quando Cineide me disse por telefone que iria mandar o texto, disse também que estava com “tudo na cabeça”; é óbvio que achei estranho).
Essa é a nota:
“Solidariedade
A discussão acirrada acerca do piso salarial dos professores da rede pública do estado do Ceará tem gerado forte polemica. O Governador e os deputados de um lado e professores (as) do Estado do outro. Acerca desta questão ressalto os seguintes aspectos: Os (as) Professores (as) representam à profissão responsável pelos destinos da sociedade, portanto, deveriam receber mais atenção daqueles (as) que se dizem representantes do povo. Ao contrário, no Ceará o governador e a maioria da Assembléia esta em rota de colisão com esta categoria.
A divergência diz respeito à Lei 11.738, (popularmente conhecida como a Lei do Piso) sancionada pelo Presidente Lula em 16 de Julho de 2008. Em verdade, a crise iniciou a partir da ação do governador Cid Gomes que encaminhou para a Assembléia um instrumento de prerrogativa governamental denominado: “ Ação Direta de Inconstitucionalidade” (ADIN), este questiona pontos da Lei 11.738. Sobre isso, esclareço que essa é uma luta de 20 anos dos (as) educadores (as) já prevista na constituição de 88 na Lei de diretrizes e Bases (LDB) e na Lei do Fundef e Fundeb. Portanto, reconheço como legítima a decisão do Presidente em acatar a justa reivindicação destes (as) profissionais.
Para, além disso, quero tratar com a sociedade cearense a nota publicada por este jornal no dia 25 de Novembro, a referida nota questiona a Deputada Estadual do PT Raquel Marques (com relação a sua defesa ao Piso Salarial), o jornal ao combater a posição da deputada faz referência ao fato dela ser casada com o Prefeito de Quixadá e atual Presidente do PT Ceará Ilário Marques.
Concretamente o teor da nota refere-se ao fato da deputada esta defendendo essa posição por sua certidão de casamento. Coincidentemente tal fato de caráter machista acontece no dia internacional de combate a violência contra as mulheres. Identifico nesta conduta do jornal uma atitude machista perigosíssima por se tratar de um veiculo de comunicação de massa, um instrumento capaz de fortalecer os valores de opressão sexista, que nós homens e mulheres, comprometidos (as) com uma sociedade de seres humanos iguais, lutamos historicamente para derrotar. Nesse sentido, venho a público oferecer minha solidariedade feminista a Deputada, e ao mesmo tempo propor ao povo cearense e em especial as mulheres que exijam outra postura da imprensa.
Rose Marie Muraro
Escritora, patrona do feminismo no Brasil pela Lei 11.261, sancionada em 30 de dezembro de 2005 pelo Presidente Lula
Presidente de honra da Casa de Cultura e Defesa da Mulher Chiquinha Gonzaga do Ceará”.
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“Rose Marie” ou quem quer que tenha escrito o texto comete algumas falhas - e não estou tratando aqui do caráter autoritário, do estilo claudicante nem dos muitos erros de Português.
Veja: 1) Em determinado trecho, está escrito que “a crise iniciou a partir da ação do governador Cid Gomes que encaminhou para a Assembléia um instrumento de prerrogativa governamental denominado: ‘Ação Direta de Inconstitucionalidade’ (ADIN), este questiona pontos da Lei 11.738″. Não é verdade que Cid tenha remetido a ação para a Assembléia e menção assim nada mais demonstra do que o desconhecimento de “Rose Marie Muraro” sobre o tema. Deu-se entrada na ação, sim, no Supremo Tribunal Federal, com as assinaturas de Cid Gomes, Roberto Requião (Paraná), Yeda Crusius (Rio Grande do Sul), Luiz Henrique da Silveira (Santa Catarina) e André Puccinelli (Mato Grosso do Sul).
2) Outro trecho registra que “o jornal ao combater a posição da deputada faz referência ao fato dela ser casada com o Prefeito de Quixadá e atual Presidente do PT Ceará Ilário Marques”. O jornal não combate a posição de Rachel Marques. Diferentemente disso, o que se fez foi ressaltar um aspecto relevante do episódio, gostando a deputada ou não. E gostando ou não “Rose Marie Muraro”.
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Para encerrar, uma observação: por telefone, Cineide Almeida me disse que se a nota não fosse publicada seria feito “estardalhaço”. Expliquei a ela, com educação, que o fato de publicar o texto não denotaria que estou me rendendo a ameaça ou chantagem.
É só democracia.