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Categoria: Sem noção


18:51 · 17.06.2017 / atualizado às 06:54 · 18.06.2017 por

A Câmara Municipal de Fortaleza tem tramitando agora uma proposta que inclui os servidores lotados em escolas municipais nos grupos prioritários de campanhas de vacinação, a exemplo dos professores.

Só há um problema – e sério, apesar de o texto bem-intencionado não ter notado: as regras das campanhas são definidas pelo Governo Federal.

Não há, pois, como o Município se intrometer nisso.

05:46 · 09.11.2016 / atualizado às 05:46 · 09.11.2016 por

Hoje, na Coluna Comunicado, do jornal Diário do Nordeste:

Os mais crédulos poderiam dar fé a uma hipotética epidemia que assola a Polícia Civil do Ceará. Afinal, até a última sexta-feira mais de 80 atestados médicos justificando faltas ao trabalho por motivo de doença haviam sido apresentados ao setor de pessoal do órgão. Mas isso se verifica em plena greve de policiais, observe-se. Daí pode-se concluir que ou alguns não assumem a responsabilidade de aderir à paralisação e, como resultado lógico, de se submeter a eventuais consequências legais e administrativas, ou a saúde frágil é um problema sério mesmo. Note-se, ainda, que a exorbitância de atestados chama atenção por ser uma anomalia nas rotinas institucionais.

Mas os menos crédulos já decidiram: vão investigar – coisa que a Polícia faz pela natureza que tem – todo documento que tiver indício de irregularidade. Tanto da parte de que o apresentou quanto da de quem o emitiu.

08:56 · 30.08.2016 / atualizado às 11:11 · 29.08.2016 por

Hoje, na Coluna Comunicado, que escrevo no jornal Diário do Nordeste:

À falta de ação organizada da Prefeitura de Aracati, ainda que mínima, a Associação dos Empreendedores de Canoa Quebrada (Asdecq), que congrega parte muito expressiva da iniciativa privada de um dos mais conhecidos destinos turísticos do Ceará, teve de assumir a responsabilidade pela limpeza das ruas de Canoa no último fim de semana. E seguiu nessa tarefa até ontem, sem ter como garantir as ações já a partir de hoje. Ações que cabem, claro, ao Município.

Em comunicado público, a Associação explica que um empresário cedeu um trator para remover o lixo, enquanto a varrição ficou a cargo do Conselho Comunitário de Canoa Quebrada. As despesas para pagar mão-de-obra foram assumidas pela própria Asdecq. Mas já avisando: esse custos só podem ser absorvidos pelo setor privado em regime de urgência.

E informa a Associação dos Empreendedores de Canoa Quebrada: “Conclamamos a comunidade, empresários, para que cobrem de seus vereadores, secretários, autoridades e principalmente da gestão pública uma solução para o grave problema. Pedimos também um esforço de não colocar lixo na rua enquanto não houver uma solução pelo poder público”.

09:30 · 10.08.2016 / atualizado às 11:33 · 08.08.2016 por

Em dias pré-eleitorais, a tensão não se relaciona apenas aos votos que estão em temporada de caça.

É que uma outra caçada chegou às casas parlamentares do Ceará.

É a dos pokémons.

O joguo feito para smartphones e tablets também desembarcou nos ambientes políticos. Já há na Assembleia Legislativa um ranking dos espaços onde podem ser encontrados mais desses monstrinhos virtuais.

Isso inclui até os gabinetes de deputados.

08:30 · 18.07.2016 / atualizado às 07:31 · 15.07.2016 por

Da Coluna Comunicado, que escrevo no jornal Diário do Nordeste, na edição desta segunda-feira:

O Ministério da Saúde informou, com alguma pompa e efusividade, que destinou R$ 708 mil para que municípios cearenses façam investimentos em assistência farmacêutica. Sabendo que 117 prefeituras foram contempladas, faça as contas, por fineza: 708 mil reais divididos por 117 cidades representam R$ 6.051,26 para cada uma. E, creia!, diz o Ministério que o dinheiro vai poder ser usado “para a contratação de novos profissionais, além do aprimoramento dos serviços de conectividade dos locais, para dar maior agilidade no atendimento à população e uma melhor organização dos estoques de medicamentos”.

16:09 · 11.07.2016 / atualizado às 16:11 · 10.07.2016 por

Da Coluna Comunicado, do Diário do Nordeste, hoje:

Fazia um tempão que o poder da burocracia e da tecnocracia para criar barreiras políticas não se exibia de modo tão agudo. Mas o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), não se fez de rogado para alegar que tem cartas nas mangas e que pode endurecer o jogo do poder. Mesmo diante da gravidade de fatos e números e do andamento de projetos contra a seca, optou por colocar obstáculo à necessidade do Nordeste por recursos para ações do gênero. E achou a desculpa no Tribunal de Contas da União. O paulista Temer avisou ao governador cearense Camilo Santana (PT), e, de resto, aos demais governadores da Região, que só libera recursos para despesas emergenciais – e para suprir questões vitais – se o TCU disser que não há objeção legal. Pois bem: uma semana se passou, já. Nem Temer nem o TCU deram resposta.

21:20 · 14.03.2016 / atualizado às 06:38 · 15.03.2016 por

O agente da Polícia Federal em Curitiba Newton Ishii, o “Japonês da Federal”, virou figura emblematicamente cômica da Operação Lava-Jato.

Encarregado de abrir as portas das viaturas e conduzir presos políticos ou empresariais para dentro da sede da PF local, ele acabou sendo confundido com um símbolo de eficiência policial. Pudera!

Embora não fizesse mais do que isso, abrir portas de carros, não perdia um cantinho de foto para expor o rosto e o uniforme preto (assim como pretas são as camisas que o juiz Sérgio Moro costuma envergar).

E, desse modo, ele ficou sendo a cara da lava-jato.

Daí a graça – mas que para por aí.

É que Newton Ishii tem ficha-suja. Coisa relacionada a contrabando. Isso é que não tem graça nenhuma.

E, agora, a Justiça que tarda mas não falha, veio apresentar a conta. Eu disse tarda? Pois saiba: foram 13 anos.

Abaixo, trecho de matéria publicada no portal de notícias G1 Paraná, assinada por Samuel Nunes e James Alberti.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um recurso de três réus da Operação Sucuri, deflagrada em 2003, contra 19 policiais federais, além de agentes da Receita Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Um dos envolvidos no caso é o agente Newton Hidenori Ishii, que ficou conhecido como “Japonês da Federal”, ao aparecer constantemente escoltando presos da Operação Lava Jato.

À época, as investigações mostraram que os agentes facilitavam a entrada de contrabando no país, pela fronteira com o Paraguai, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná.

Segundo o advogado Oswaldo Loureiro de Mello Júnior, que defende Ishii e outros 14 réus, os processos decorrentes da Operação Sucuri ainda estão correndo na Justiça e nenhum dos acusados cumpriu qualquer pena.

O caso, contudo, segue sob segredo de Justiça. Em 2009, o juiz federal Pedro Carvalho Aguirre Filho, que coordenava os processos em Foz do Iguaçu, emitiu uma nota esclarecendo apenas que os agentes federais condenados haviam recebido penas que variavam entre oito anos, um mês e 20 dias de reclusão, além de 160 dias-multa a quatro anos e oito meses de reclusão e 100 dias-multa.

“Um denunciado do grupo de contrabandistas foi absolvido de todas as acusações, bem como do grupo de servidores públicos federais, réus nas ações penais decorrentes da Operação Sucuri, foram absolvidos quatro Agentes de Polícia Federal e dois Técnicos da Receita Federal”, explicou Aguirre Filho, sem detalhar os nomes dos réus.

Na decisão do STJ, tomada pelo ministro Félix Fischer, há um trecho que trata da redução de pena para quatro anos, dois meses e 21 dias de prisão, em regime semiaberto e mais 95 dias-multa. Todavia, o texto do magistrado não deixa claro sobre qual dos três apelantes terá a pena reduzida. A defesa de Ishii diz que ele foi condenado apenas a pagar cestas básicas.

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A íntegra está aqui.

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O agora “Japonês da Sucuri” havia feito selfies com políticos de reputação duvidosa, ganhos paparicos, musiquinha gaiata, personagem no programa Pânico na Band, máscaras carnavalescas, aplausos, status de candidato a vereador, estampa de superstar – era, ou é, um ícone para golpistas e manipulados.

Tipo Aécio, Caiado e outros.

Pois taí.

10:35 · 19.01.2016 / atualizado às 06:53 · 18.01.2016 por

Município importantíssimo no turismo, na cultura, na história e na economia do Ceará, Aracati vai mal das pernas.

Veja só mais essa: por determinação da Justiça, a Prefeitura foi forçada a interditar o terminal rodoviário da cidade na semana passada.

Diga-se: inda bem que a Justiça assim decidiu. É que havia vidas em risco, mas a gestão nem dava bola.

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Em março de 2015 – ou seja, 10 meses atrás! – uma pilastra da rodoviária foi abaixo. Sabe o que a Prefeitura de Aracati fez? Segundo sentença do juiz Sérgio Augusto Furtado Neto, pouquíssimo e, desse pouquíssimo, nada que desse resposta ao real problema: só trocou algumas placas na lateral da coberta, tirou parte da ferrugem que consome o metal e deu uma nova demão de pintura.

Cá entre nós, só maquiou o lugar.

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Pausa para palavras escritas pelo juiz Sérgio Augusto: “A sociedade não merece o terminal rodoviário da cidade de Aracati, que põe em risco a integridade física de milhares de pessoas mensalmente, que podem ser abatidas por pedaços da estrutura(…)”.

Não merece mesmo!

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Além disso, não bastando a estrutura ter despencado porque a Prefeitura de Aracati não faz o que lhe é obrigação, o Município sequer apresentou à Justiça documento do Corpo de Bombeiros sobre à prevenção de incêndios.

21:15 · 12.05.2014 / atualizado às 11:16 · 12.05.2014 por

Do G1 Ceará:

O secretário da Saúde do Ceará, Ciro Gomes, recebeu críticas de uma acompanhante de paciente durante visita ao Hospital Instituto Doutor José Frota (IJF) na tarde de sexta-feira (9). A paciente de Jaguaretama questionou gastos com a Copa do Mundo e cobrou melhorias nos serviços de saúde no Ceará.

“Vocês não melhoram a saúde. Como é que você vai receber a Copa do Mundo com a saúde nesse estado?”, questionou a acompanhante de paciente. Sem se identificar, a mulher disse que a mãe dela recebe tratamento no IJF, mas não teve bom atendimento. “Vá tratar de sua mãe com essa conversa aí”, respondeu o secretário Ciro Gomes.

A crítica foi vista pelo Ministro da Saúde, Arthur Chioro, que acompanhava o secretário na visita à unidade, que vai receber recursos do Governo Federal para melhorias e ampliação dos serviços.

Após responder a acompanhante da paciente, Ciro Gomes convidou o ministro para entrar no IJF e comentou com pessoas próximas: “Ela não quer tratamento nenhum. Deixa ela se virar com a Copa do Mundo dela”.

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O destempero e o desequilíbrio do ex-deputado estadual, ex-prefeito, ex-governador, ex-ministro, ex-deputado federal e que um dia quis ser presidente da República, candidato que foi pelo PPS, estão neste link.

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Observe-se que é justificável, mesmo não sendo aceitável do ponto de vista da urbanidade e da civilidade mínimas cabíveis a um personagem público, um ex-tudo (foi por isso que listei as coisas que sei que Ciro Gomes já foi), um comportamento agressivo em relação a adversários.

Que falasse assim com Lúcio Alcântara, Heitor Férrer, Fernanda e Roberto Pessoa, Eliane e Sérgio Novais, João Alfredo ou Toinha Rocha, não importa. Esses são políticos como ele, sabem se defender verbalmente ou com outros recursos.

Não foi o caso.

A moça na portaria do hospital não estava ali para fazer graça. Nem para provocar ninguém. Estava só externando a dor de uma filha com o estado de saúde da mãe (a propósito, o Dia das Mães foi no domingo seguinte à sexta-feira do episódio). Mas Ciro Gomes, do alto do poder que exerce e da deseducação que faz questão de expor, quis lá saber disso?

Preferiu dar as costas, após tratar a queixa a pontapés. Deu as costas a uma cidadã, uma contribuinte e a um problema.

Ciro é Ciro, afinal. E há quem o tenha como ídolo.

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E lembrei agora: Ciro Gomes gosta de espalhar por aí que admira a música Guerreiro Menino, uma peça sensível de Gonzaguinha, que fala em carinho, palavras amenas, ternura e honra.

Tá: não dá pra ser feliz.