O vereador Cláudio Luz (PT) de Juazeiro do Norte, encaminhou nota sobre aprovação da Lei que autoriza o período de 90 dias de férias.
Leia a nota na íntegra:
Em respeito a opinião pública e fazendo o que sugeriu a matéria do site Miséria assinada pelo jornalista Donizete Arruda, venho a público justificar meu voto a favor do projeto do vereador Ronas.
Meu posicionamento é que todos os parlamentos e parlamentares (Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas e Congresso Nacional) são muito caros para sociedade brasileira: tanto os salários como a maioria das estruturas destas casas legislativas são desproporcionais a realidade social de nosso povo. Defendo, portanto, que todas as casas legislativas recebam repasses menores para sua manutenção e que diminuam as estruturas e salários dos parlamentares.
Defendo, inclusive, que os vereadores recebam apenas uma ajuda de custo (sem salário pago pela Câmara) e que a lei discipline a liberação dos mesmos para participação das sessões e audiências, mantendo-os em seus empregos ou funções anteriormente exercidas (a exemplo dos dirigentes sindicais liberados para atividade classista). A exemplo também dos vereadores que mantém suas atividades laborais anteriores a eleição, seja servidor público, empresário, professor, advogado … como atualmente mantenho minhas atividades profissionais na Polícia Federal e os vereadores Tarso Magno na advogacia, Gledson Bezerra no servidor público do Estado, Preto Macedo e Antônio de Lunga como empresários, etc.
Quando ao debate das “férias prolongadas” ou da “preguiça” não podemos ficar só nos argumentos simplistas e maniqueístas de ver apenas o tempo que o vereador esta no plenário da Câmara como período de trabalho do parlamentar. Essa compreensão diminui e restringe o trabalho parlamentar porque não se faz fiscalização se restringindo a permanência no plenário, não se faz o debate sobre as políticas públicas com as categorias organizadas ou com as comunidades interessadas se restringindo ao plenário.
Na minha modesta compreensão o parlamentar deve ir fiscalizar “in loco” o atendimento e a existência de remédios nos PSF´s; a existência e qualidade da merenda escolar nas escolas; verificar os contratos e documentos contábeis na Prefeitura Municipal; acompanhar os processos licitatórios na Comissão de Licitação; debater nas comunidades suas dificuldades, carências e as políticas públicas para resolver os problemas; debater com os professores a política pública municipal de educação, com os agentes de saúde a política pública para a saúde; estudar e contribuir na construção das políticas públicas, etc. E nada disso se faz só dentro do plenário da Câmara Municipal.
Eu, particularmente, estou indo as comunidades, seja durante a semana, a noite ou nos sábados e domingos. É só acompanhar meus requerimentos e discursos realizados na Câmara Municipal. É fora do plenário da Câmara que zelo pela correta aplicação do dinheiro público mantendo a fiscalização sobre o Executivo Municipal, não se faz isso só de dentro do plenário.
Então, na minha compreensão a aprovação desse projeto não significa que terei 90 dias de férias da Câmara Municipal porque continuarei trabalhando nesse período, não ficarei afastado das funções de parlamentar por 90 dias.
E caso me convença de que meu voto foi equivocado, faço humildemente autocrítica e reconheço publicamente meu erro. Reafirmo minha posição de continuar lutando pela moralização dos poderes constituídos (Câmara e Prefeitura) de nossa Juazeiro do Norte.
E para finalizar, aproveito a ocasião para trazer o debate da necessária reforma política com o fim do financiamento privado das campanhas eleitorais. Nada adiantará se continuarmos a ver a compra/venda da consciência/voto de nosso povo, com um candidato a vereador gastando a fortuna de mais de R$ 1 milhão de reais para se eleger em Juazeiro do Norte. Reforma política já.
Cláudio Luz
Vereador PT