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Categoria: Crônica


09:31 · 16.07.2015 / atualizado às 09:31 · 16.07.2015 por

Wilton_Bezerra

É impressionante a resiliência do futebol no Brasil diante de tantas pancadas desferidas contra a sua prática nos últimos anos. Fora de campo, os ditos ‘responsáveis’ pelos seus destinos continuam aprontando poucas e boas. Há indisfarçável inclinação pelo engodo. Jogadores que daqui partiram para o exterior retornam depois de virarem “bagulhos”. E o que é pior: dentro de uma nova embalagem para enganar o consumidor. E então a falta de transparência dos “negócios” se encarrega do resto. Neste cenário, nossas competições “afundam em mar de mediocridades” como diria Cid Carvalho. No futebol cearense, o torcedor vai perdendo suas ambições. Em passado recente, as admirações recaíam sobre Gildo, Mozart, Croinha, Zé Eduardo, Amilton Melo, Pedro Basílio, Louro, Feijão, Luizinho das Arábias, Artur, Sérgio Alves, Clodoaldo e tantos outros que mereciam reverência geral. Hoje, assistimos com desolação ao conformismo de torcedores e de boa parte da imprensa com jogadores medianos. Funciona como simulação o choro pela ausência de determinados “craques” em jogos onde os times perdem. Dos analistas, se cobra a participação no campeonato das desculpas. As criticas perdem de longe para a condescendência que se exige da crônica diante do cenário desfavorável. Finge-se que não existe situação de orfandade no futebol, gerada pela inexistência dos bons artistas.

Wilton Bezerra. Comentarista esportivo da TV Diário e Rádio Verdes Mares.

06:09 · 18.12.2014 / atualizado às 23:20 · 17.12.2014 por

Para o futebol cearense, o balanço final de 2014 foi desfavorável.

O Ceará ciscou e abriu mão de um vôo de águia. Parece acostumado com a segunda divisão, tal a repetição das mesmas desculpas ao justificar porque não subiu. Equipes de menor expressão conseguiram dar um salto, enquanto o alvinegro estacionou. Nem em termos de Nordeste consegue uma posição hegemônica, de acordo com o seu tamanho.

O Icasa de Juazeiro abusou de brincar de fazer futebol profissional ao incorporar esse papo infame que, tal como nas novelas, tudo daria certo no final. Como castigo, vai sentir o que é “bom pra tosse” na terceira divisão. Se não reformular de verdade, enfrentará problemas mais sérios de sobrevivência.

Já o Fortaleza se portou como aquele sujeito que tem fascínio pelo abismo. De novo, teve vontade de pular no vazio e repetiu o gesto pela quinta vez. Não tem torcida que agüente. Do nosso ponto de observação, enxergamos as coisas num tom cinza para 2015, dentro de um contexto de crise no futebol brasileiro. Mas, como disse a grande poetisa Adélia Prado, “certeza demais pode ser loucura”. Acrescentaria por minha conta que, “as certezas, o vento leva. Em pé, só ficam as dúvidas”.

 

Wilton Bezerra-comentarista esportivo da TV Diário e Rádio Verdes Mares.