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Após morte de filha, pai desenvolve robô que ajuda a salvar vidas de bebês

08:39 · 12.08.2018 / atualizado às 08:39 · 12.08.2018 por

 

 

Dia dos pais. Data comemorativa, de alegria e amor. Agora imagine perder uma filha apenas 18 dias depois de seu nascimento. Doloroso, não? E se você tirar forças desse momento triste para poder ajudar outras famílias? Foi isso que fez o analista de sistemas Jacson Fresatto, responsável por desenvolver o Robô Laura, nome em homenagem à filha falecida precocemente devido a uma grave infecção.

Em 2010, a filha do curitibano nasceu prematura e foi internada em uma UTI Neonatal de um hospital da cidade. A criança foi detectada com sepse, uma grave infecção hospitalar. A doença fez com que Laura partisse com apenas 18 dias de vida.

Qual ser humano é capaz de cuidar, ao mesmo tempo, de dezenas de pacientes internados? Perceber se o estado de saúde desses enfermos se agravou e alertar a equipe médica? Só um robô mesmo.. O robô Laura.

O Robô Laura foi desenvolvido para gerenciar os riscos na área hospitalar através de tecnologias que analisam os bancos de dados de instituições de saúde para aumentar a eficiência do atendimento prestado por elas. O objetivo do Laura é encontrar falhas operacionais e informar às pessoas responsáveis a tempo para que se possa poupar tempo, recursos e até vidas que poderiam vir a ser perdidas devido a infecções graves. É o que explica o desenvolvedor do projeto, Jacson Fresatto.

“Quando eu comecei a estudar a respeito do que tinha causado a morte dela, que era a sepse, eu entendi que não era um problema só de hospitais públicos ou do nosso país. É uma circunstância que acontece em todos os lugares do mundo. Eu entendi que a tecnologia podia ajudar muito porque se tratava de informações que já existiam, que estavam registradas em algum lugar, e que precisavam ser apenas resumidas, em tempo hábil, para que a equipe médica pudesse tomar a decisão de qual procedimento adotar. Então foi isto que motivou a construção da tecnologia.”

O sistema conversa diretamente com a área operacional e gerencia riscos através de computação cognitiva, tecnologia que permite que ele aprenda de acordo com novas informações e possa se adaptar a novas circunstâncias. As equipes hospitalares também podem se comunicar com o robô através de computadores ou dispositivos móveis e, em caso de necessidade, podem alertar médicos ou enfermeiras sobre pacientes que precisem de atenção imediata através de mensagens de celular.

O Robô Laura se comunica com enfermeiros e médicos através de terminais no hospital. Quando algum paciente requer atenção, esta informação é exibida com um alerta de urgência mínimo. Se o pedido não for respondido, uma ferramenta chamada “Ansiedade de Laura” entra em ação, deixando a cor do monitor cada vez mais vermelha, o que significa um aumento da urgência do caso. Se necessário, o robô pode entrar em contato com médicos responsáveis.

Recentemente, o Robô Laura foi selecionado para integrar um programa do Banco Mundial que estimula empreendedores que investem em projetos de inovação para a saúde. Segundo o Instituto Latino Americano de Sepse, tipo de infecção responsável pela morte de Laura, em 2017, 20,6% dos pacientes que foram infectados vieram a óbito. Ou seja, um em cada cinco infectados morreram em decorrência do problema. Com o Robô Laura, certamente esse número será reduzido. Atualmente, o Robô Laura é utilizado cinco hospitais, nas cidades de Curitiba e Londrina.

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