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Capitalismo de Galinheiro

09:25 · 23.02.2018 / atualizado às 11:10 · 23.02.2018 por

 

Wilton Bezerra. Comentarista esportivo da TV Diário e Rádio Verdes Mares

 

Qualquer forma de entretenimento sobrevive, enquanto houver o suficiente interesse por parte do público consumidor.
O futebol, por exemplo, assim foi transformado em uma poderosa indústria multinacional.
No dia em que astros como Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo deixarem de ser o interessante, o futebol acaba.

Uso essa introdução para falar sobre assunto que tenho abordado neste espaço e nos comentários da TV Diário e Rádio Verdes Mares: o nosso campeonato estadual.
Fortaleza e Ceará têm o monopólio das conquistas.

O Ferroviário, considerado a terceira força, tem nove títulos ao longo da história do campeonato.
A decisão de se apontar quatro campeões, num determinado ano, prefiro suprimir.

Tenho sugerido a criação de um fundo financeiro em favor dos pequenos e intermediários clubes como única saída para que o certame estadual se torne interessante.

Um pequeno percentual seria retirado dos jogos de Ceará e Fortaleza nas séries A e B para a criação desse caixa de socorro.

Com esse recurso, os pequenos e intermediários se obrigariam a formar melhores equipes.

O objetivo é diminuir as desigualdades técnicas responsáveis pelo esvaziamento da maioria dos jogos.

Emissoras de rádio e televisão cumprem, muitas vezes, a dura tarefa de cobrir jogos insuportáveis.

Ceará, time misto, e Maranguape, caindo pelas tabelas, foi um desses jogos sem a menor razão de acontecer.

Sem uma medida desse tipo, a tendência é o desinteresse total pelo nosso campeonato.

Falta o gosto de novidade e isso responde pela presença ridícula de público na maioria dos jogos.

Daqui a pouco, um título estadual não terá o menor sabor para as duas maiores torcidas do estado.

Aos pequenos e intermediários times, se reserva o vazio de meras participações, sem chances de um papel digno.

Talvez, fosse muito pedir à Federação Cearense de Futebol imaginar saídas.

Jorge Valdano, campeão do mundo de 1986 pela Argentina e, hoje, respeitável comentarista esportivo da TV espanhola é quem traz uma definição para o assunto abordado: “É a lei do capitalismo de galinheiro. A galinha de cima caga na de baixo. Os maiores estão, cada vez, maiores. E os menores, cada vez, menores

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