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Pragmatismo marca gestão de Tasso sobre crises

12:14 · 19.06.2017 / atualizado às 12:14 · 19.06.2017 por

Há um mês na presidência do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) vê se repetir o cenário político que marcou suas duas outras gestões no comando partidário: governo federal em profunda crise, desgastado por denúncias de corrupção, presidente à beira de um impeachment e o PSDB dividido. Em todas as ocasiões em que exerceu a presidência da sigla, o senador esbarrou na resistência do PSDB paulista para fazer prevalecer seu ponto de vista.

Fiscalista e liberal do ponto de vista econômico, o senador cearense sempre se caracterizou pelo extremo pragmatismo na política. Ao longo de sua carreira, o tucano jamais esteve completamente alinhado ao poder central, mas passou poucos momentos na oposição.

Tasso comandou o PSDB pela primeira vez entre 1991 e 1994, durante o mandato de Fernando Collor e no começo da gestão Itamar. Voltou ao comando partidário em 2005, em meio ao escândalo do mensalão tucano, que atingiu o então presidente da legenda Eduardo Azeredo (MG). O senador do Ceará assumiu no lugar do mineiro, abatido pelas denúncias de caixa dois contra Azeredo e de seu envolvimento com o empresário Marcos Valério de Souza, principal personagem da crise política que assolou o governo e o PT e que ameaçava na ocasião o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Tanto nos anos 90 quanto na década passada, Tasso estava na oposição, mas com muito diálogo junto ao governo federal. A época em que Tasso fez movimentos políticos mais surpreendentes foi 1992.

No mês de abril, há 25 anos, Tasso negociou a entrada do partido no governo Collor. O então presidente estava extremamente desgastado, mas ainda não enfrentava um processo de impeachment. No dia seguinte de uma extenuante reunião com o então coordenador político do governo, Jorge Bornhausen, Tasso reuniu a Executiva Nacional tucana para discutir o  tema. Terminou em oito a oito. Encabeçaram a resistência o então senador Mário Covas e o atual senador José Serra, principais referências do partido em São Paulo. Diante do impasse, Tasso se absteve. Não viu sentido em levar o partido rachado para dentro do Palácio do Planalto. Na dúvida, o PSDB ficou na oposição. Em cinco meses, Collor estava afastado do cargo.

Ato contínuo, PSDB e PT se aproximaram e articularam uma chapa presidencial entre as duas siglas, com Lula para presidente e Tasso na vice – algo que parece insólito nos dias de hoje. A conversa esfriou entre abril e maio de 1993, com a vitória do presidencialismo no plebiscito daquele ano e a nomeação de Fernando Henrique Cardoso para o ministério da Fazenda.

No governo Lula, Tasso chegou a costurar um acordo para preservar o então ministro da Fazenda Antônio Palocci e foi um dos defensores no Congresso do ministro quando setores da própria base governista passaram a criticar a condução da política econômica de ajuste fiscal.

Tasso procurou blindar Palocci contra os efeitos da crise política e adotou a mesma posição cautelosa quando integrantes da oposição passaram a pedir o impeachment de Lula diante de novas evidências de que o dinheiro do “valerioduto” – expressão criada para designar o esquema chefiado por Marcos Valério – servira para financiar campanhas eleitorais do PT. O PSDB terminou por descartar trabalhar para encurtar o mandato de Lula e apostou em brecar a reeleição no ano seguinte.

Durante a campanha eleitoral, Tasso radicalizou e o PSDB apresentou, juntamente com o PFL, atual DEM, uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pedindo a cassação da candidatura de Lula por abuso de poder econômico e político. Na representação, os partidos alegavam que o PT teria comprado um suposto dossiê contra os candidatos do PSDB à presidência, Geraldo Alckmin, e ao governo paulista, José Serra, no chamado “escândalo dos aloprados”. O TSE aprovou a abertura de um processo para investigar a denúncia, mas o caso não seria julgado antes das eleições. Em abril de 2007, o Tribunal decidiu arquivar a representação por falta de provas.

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