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Traidores históricos

11:07 · 13.08.2017 / atualizado às 11:07 · 13.08.2017 por

Quem foi o maior traidor na história do Brasil?

Quem vê a estátua eqüestre do Marechal Deodoro nas praças das grandes cidades terá uma impressão de grandeza naquela imponente figura, no entanto se analisarmos o que de fato aconteceu as vésperas do 15 de novembro de 1889, veremos que o ato que a estátua tenta retratar foi movido com total baixeza.

Procedendo-se a uma análise fria e desapaixonada, chega-se à inesquestionável conclusão de que o maior dos traidores brasileiros não foi Domingos Fernandes Calabar, de Porto Calvo; nem Joaquim Silvério dos Reis, de Vila Rica, mas sim, Manuel Deodoro da Fonseca, de Alagoas, se este juízo tomar por base os princípios mais lídimos da dignidade humana:

1) — Calabar, — um mestiço brasileiro de sensibilidade à flor da pele — que lutou denodadamente contra os invasores holandeses, ferido nos seus brios de militar valente, quando não mais suportou as ofensas morais da parte dos portugueses que o comandavam, apelidando-o de “moleque atrevido”, além de outros adjetivos desairosos, aderiu ao lado adversário que o tratava com maior respeito, a partir de 1630, acabou sendo preso e enforcado, cinco anos depois, passando à História — escrita pelos lusos — como traidor.

2)   — Silvério dos Reis, — um avarento coronel honorário de milícia e negociante de minérios — grande devedor do fisco colonial, ansioso por ser anistiado dos débitos oficiais, como recompensa anun¬ciada pelos representantes da Coroa Portuguesa, traiu a Inconfidência Mineira em 1789, da qual fazia parte, resultando a condenação à morte de Tiradentes.

3)— Deodoro não pôde externar qualquer motivo — mesmo irrelevante — para trair o Imperador Pedro II, — seu grande benfeitor!

Sabe-se que Deodoro aos 13 anos de idade, por volta de 1840, ele deixou Alagoas, com um saco às costas, à guisa de bagagem, e partiu para o Rio de Janeiro. Ali chegando maltratado, extenuado, sem pertences, implorou uma entrevista com Sua Majestade, rogando, encarecido, ajuda e proteção do Monarca para remediar a aflitiva situação econô¬mica em que se encontrava naquela ocasião.

No dramático apelo ao Imperador disse o suplicante “que era filho de um Capitão-do-mato sem recursos suficientes para manter a numerosa família, (13 filhos e a mulher, D. Rosa da Fonseca) e que fizera uma penosa viagem de aventura confiando na magnani¬midade do grande Soberano…”

Ouvindo-o atentamente, D. Pedro, bastante comovido diante do apelo do angustiado alagoano, determinou que se prestasse imediata assistência ao desamparado, abrigando-o no próprio palácio imperial e passou a tratá-lo paternalmente.

D. Pedro II matriculou Deodoro no Colégio Militar, com recomen¬dações especiais e ele seguiu, ufanoso,a privilegiada carreira das ar¬mas…

Diariamente, ao sair do palácio para as aulas e à chegada destas, o protegido beijava a mão do protetor, como reconhecimento da aco¬lhida paternal que recebia, permanentemente.

Deodoro galgou todos os postos daquela profissão de elite em meio à qual, com o assentimento e a ajuda do soberano, encaminhou diversos de seus irmãos no mesmo ofício, alguns deles atingindo o coronelato.

Pois bem, Deodoro, ao alcançar a última patente hierárquica, Marechal, foi nomeado pela suprema autoridade real, Coman¬dante Geral das Forças Militares do País, cargo hoje equivalente a Ministro da Defesa.

E, nessa destacada posição, deixou-se levar à prática de um gesto ignóbil, nunca jamais esperado por qualquer dos seus amigos e admiradores. O Marechal, montou a cavalo e seguiu para o “Campo de Santana”, de onde mandou um major (Frederico Solon) levar uma rude mensagem ao Imperador Pedro II, inteirando-lhe da Proclamação da República Brasileira, consequen¬temente, da destituição do trono, determinando, ainda, que o Monarca deixasse o Páis dentro das próximas 24 horas!…

Era meio-dia de 15 de Novembro de 1889.

Ao ler a nefanda mensagem que não continha assinatura do reme¬tente, Sua Majestade indagou:

—   O Manuel (como chamava ele a Deodoro) já sabe disto?

—   É ele o líder do movimento! Informou o emissário Solon…

Ninguém poderia calcular a profundidade da dor íntima sentida pelo Monarca àquela hora!

E foi um deus-nos-acuda no interior do palácio real!…

Apenas a filha Isabel e o genro, Conde D’eu, mantinham um pouco de calma naqueles momentos aflitivos. Os demais membros da família imperial — esposa, filhas, netos, pajéns e agregados da Corte — irromperam em prantos convulsos, numa crise de angústia irreprimível, ao saberem de quem partira aquele ato cruel, impiedoso, jamais esperado, remotamente, sequer…
Em seus aposentos o Imperador se achava moralmente arrasado junto à Imperatriz inconsolável; ao tempo que a Princesa Isabel e seu marido providenciavam os preparativos da longa viagem sem retor¬no de todos os familiares.

As horas transcorreram céleres e implacáveis. É noite alta e as carruagens partem da “Quinta da Boa Vista” para o embarque da família real condenada ao exílio perpétuo…

Muitos se questionam quais os reais motivos que levaram Deodoro praticar a alta traição, uns dizem por questões politicas, outros culpam ter sido preterido pela viúva Adelaide, mas certamente o motivo real foi a conspiração maçônica, todos os ministros de Deodoro eram maçons, inclusive ele próprio era 13º Grão Mestre da Maçonaria na tradicional Loja Maçônica “ROCHA NEGRA”.

Nos tempos do Império do Brazil, sob Dom Pedro II, o Brasil tinha uma moeda estável e forte, possuía a Segunda Marinha de Guerra do Mundo, teve os primeiros Correios e Telégrafos da América, foi uma das primeiras Nações a instalar linhas telefônicas e o segundo país do globo a ter selo postal;

-o Parlamento do Império ombreava com o da Inglaterra, a diplomacia brasileira era uma das primeiras do mundo, tendo o Imperador sido árbitro em questões da França, Alemanha e Itália;

– em 67 anos de Império tivemos uma inflação média anual de apenas 1,58%, contra 10% nos primeiros 45 dias da República, 41% em 1890 e 50% em 1891;

– a unidade monetária do Império, o mil réis, correspondia a 0.9 (nove décimos) de grama de ouro, equivalente ao dólar e à libra esterlina;

– embora o Orçamento Geral do Império tivesse crescido dez vezes entre 1841 e 1889, a dotação da Casa Imperial se manteve a mesma, isto é 800 contos de réis anuais? E que D, Pedro II destinou ¼ de seu orçamento pessoal em benefício das despesas da guerra do Paraguai;

– 800 contos d réis significava 67 contos de réis mensais e que os republicanos ao tomarem o poder estabeleceram para o presidente provisório um ordenado de 120 contos de réis por mês;

– uma das alegações dos republicanos para a derrubada da Monarquia era o que eles chamavam de custo excessivo da Família Imperial? A verdade é que esta recebia a metade do ordenado do 1º presidente republicano;

– Dom Pedro II se recusou a aceitar a quantia de 5 mil contos de réis, oferecida pelos golpistas republicanos, quando do exílio, mostrando que o dinheiro não lhes pertencia, mas sim ao povo brasileiro (5 mil contos de réis era o equivalente a 4 toneladas e meia de ouro? Quantia que o Imperador recusou deixando ao País um último benefício: o grande exemplo de seu desprendimento. Infelizmente esse exemplo não frutificou na República, como seria necessário);

– no Império o salário de um trabalhador sem nenhuma qualificação era de 25 mil réis? O que hoje eqüivale a 5 salários mínimos;

– o Brasil era um exemplo de democracia. Votava no Brasil cerca de 13% da população. Na Inglaterra este percentual era de 7%; na Itália, 2%; em Portugal não ultrapassava os 9%. O percentual mais alto, 18%, foi alcançado pelos Estados Unidos. Na primeira eleição após o golpe militar que implantou a república em nossa terra, apenas 2,2% da população votou. Esta situação pouco mudou até 1930, quando o percentual não ultrapassava a insignificante casa dos 5,6%.

Dizem que posteriormente Deodoro se arrependeu dos seus atos ao ler o escrito de Pedro II :

“INGRATIDÃO”
(Pedro de Alcântara)

“Não maldigo o rigor da iníqua sorte Por mais cruel que seja e sem piedade, Arrancando-me o trono e a majestade, Quando a dois passos só estou da morte”.

“Do jugo das paixões minha alma forte Conhece bem a estulta veleidade Que hoje nos dá plena felicidade E amanhã nem um bem que nos conforte…”

“Mas a dor que crucia e que maltrata, A dor cruel que o ânimo deplora, Que fere o coração e pronto o mata,”

“É ver cuspir na mão, à extrema hora, A mesma boca aduladora e ingrata Que tantos beijos nela deu outrora!…”

Paris, 1889

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