Bilas morreu como jornalista
É difícil ser jornalista durante toda existência. Resistir aos assédios imorais e ao cerco dos lobistas e corruptores não é fácil. O Bilas superou tudo isso bravamente. Era o mais influente jornalista do Ceará. Comandou por 22 anos a mais importante redação de um jornal nordestino: o Diário do Nordeste. O poder nunca lhe tirou o caráter e a bravura. Poder exercer o cargo com a satisfação de promover diariamente a liberdade de expressão era o item número um do seu manual profissional. O cigarro era seu grande companheiro e inimigo. Veio com ele do Piauí. Bilas era piauiense de nascimento e nordestino de coração.
Sua mente era aberta e seu olhar global. Não podia sentar em muitas mesas, era avançado demais para o nosso tempo. Outra paixão que cultuava: as micaretas. Chegou a ser dono de um bloco o “Quero Mais”. Não lhe importava o faturamento. Os abadás ele distribuía entre amigos. Faliu. A batida e o rítimo do axé e do forró lhe enchiam de alegria. Ele chorava no lado do trio elétrico. Bilas morreu pobre e digno. O céu lhe considera rico e a terra que lhe recebeu será irrigada com seu sangue limpo e adubada com seu corpo limpo também. Poucos foram os amigos que lhe seguiram até o fim. Ele sabia que muitos que o seguiam em tempos de poder eram lobistas, canalhas. No seu velório e enterro estavam os poucos que lhe admiravam de verdade. Valeu Bilas, diga que valeu, foi lindo, ficou pra trás!!!!
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