Rock Nordeste

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16:52 · 18.04.2014 / atualizado às 19:37 · 18.04.2014 por
Axl em momento explosivo no Ceará. FOTO: ALEX COSTA
Axl em momento explosivo no Ceará. FOTO: ALEX COSTA

O que esperar de uma apresentação de um senhor de meia idade, conhecido pelas polêmicas fora do palco, muitas vezes antipáticas, displicência com o público e há muito fora de forma, tanto física quanto vocal? No mínimo você vai para um evento desses esperando relembrar apenas os tempos áureos do outrora seu principal ídolo. Apenas isso já lhe agradaria por demais, não é verdade?

Pois bem, os fãs cearenses que foram ver Axl Rose e companhia na noite da última quinta-feira (17), simplesmente foram ao delírio e não acreditaram no que viram. Um Axl firme, carismático, performático, e mesmo com algumas limitações perceptíveis, não deixou nada a desejar durante três horas de seguidos hits daquele que foi, sem sombra de dúvida, o melhor show da turnê sul-americana da banda aqui no Brasil. Das oito cidades por onde o Guns N’ Roses passou, com certeza, em Fortaleza foi que o ápice do grupo se mostrou mais forte, e os competentes músicos que acompanharam o líder da banda fizeram por merecer os gritos, os sorrisos e as lágrimas de seus fãs.

Dá até para parafrasear um nome da política brasileira, que tinha o famoso bordão de  que “nunca antes na história…”. Pois bem, nunca antes na história desta cidade imaginou-se que um dia Axl Rose e Cia pisariam em solo fortalezense. Pois ele não somente pisou, como gostou e enlouqueceu os 20 mil fãs presentes (de acordo com assessoria) ao memorável e inesquecível show da noite do dia 17 de abril de 2014, a data que ficará marcada na lembrança de muitos saudosistas esperançosos por um espetacular evento.

Foi uma overdose de hits atrás da outra, em três horas de evento, contando com o coro uníssono de cearenses e nordestinos de todos os cantos, principalmente, quando Axl Rose resolveu interpretar a lendária Civil War usando um chapéu de cangaceiro na cabeça. Com certeza, Rose não tinha a menor ideia do que aquilo representava para o povo do sertão, mas veio bem a calhar o visual com a letra da música. Acertaram em cheio.

É bem verdade que desde a inauguração do Centro de Eventos do Ceará, assim como a entrega da Arena Castelão, que o Ceará vem experimentando o gostinho de também ser um ponto de referência para grandes eventos internacionais, principalmente o  do mundo do rock. Dos rockstars que já passaram por aqui em menos de um ano podemos citar a visitinha feita por nada mais, nada menos que Sir. Paul McCartney e, mais recentemente, Sir Elton John, além de Guns N’ Roses, é claro. E o pessoal de cá pode esperar porque ainda tem muita gente boa de olho no público local, cada vez mais sedento por ótimos eventos.

"Axl, o Lampião", em Civil War. FOTO: ALEx COSTA
“Axl, o Lampião”, em Civil War. FOTO: ALEx COSTA

Boa parte do público, a quase sua totalidade pode se dizer, que viu o Guns N’ Roses subir ao palco “pontualmente” às 23h10 (quem sabe dos atrasos dos caras sabe muito bem do que estou falando), com certeza, ansiava desde muito tempo por um verdadeiro show de rock n’ roll, com os valentes solos de guitarra e aquela pegada feroz, tão peculiar do estilo musical. Pois bem, quem viu dificilmente se arrependeu.

Axl estava ótimo, mesmo que você não o reconhecesse por debaixo dos óculos escuros, do chapéu de cowboy (que ele trocou umas seis ou mais vezes) e dos quilos a mais. Muito se falou da voz (ou falta dela) do líder do Guns, mas cá pra nós, ainda que ele mostrasse que ela faltou em algum momento, dava nem pra notar. Como já citei lá em cima, a banda que acompanha o cara é uma das mais competentes e carismáticas que já vi subir em um palco. Cada solo que foi entoado no Centro de Eventos foi um momento à parte de deleite para os fãs. Quem esteve em outros shows que o grupo fez na turnê sul-americana estava impressionado e dizendo que foi, sem sombra de dúvidas, o melhor feito no Brasil no ano. Para fechar com chave de ouro mesmo.

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Os portões do Centro de Eventos foram abertos às 20h20 e foi aquela correria característica para pegar o melhor lugar, ainda que quem pagou pela pista sofreu um pouco, visto que parte do camarote ficava em frente ao palco, o que impedia a vista de parte do público. Solução? Um telão bem em frente à pista. Achei super  falho. Às 21h20 as luzes se apagaram e o público, claro, foi só ansiedade. Estranhamente, antes do início do show da banda zero85 (que abriu para o Guns), tocaram músicas do Muse, Foo Fighters e Rage Against the Machine. A Zero85 subiu ao palco às 21h50 e, como tem sido praxe durante toda a turnê do Guns cantaram apenas músicas autorais, o que é claro, não animou muito o público ansioso pelas músicas ácidas do Guns. Foram 25 minutos de pop fácil, mas que não deu para esquentar a galera.

Axl Rose chegou, pontualmente, às 22h48 ao Centro e vinte minutos depois já subia ao  palco na companhia de Chirs Pitman (teclado), Dizzy Reed (teclado), Frank Ferrer (bateria), Richard Fortus (guitarra rítmica), Ron “Bumblefoot” Thal (guitarra) e do carismático Dj Ashba (guitarra). Surpresa da noite foi Duff Mckagan (baixo) em ótima forma, acompanhando a banda desde o início, com Chinese Democracy.

Foi uma explosão sonora atrás da outra, com direito à famosa dancinha de Axl Rose, tão característica dos tempos áureos da banda, no início da década de 1990.  E lá se foi Its So Easy, Estranged e Rocket Queen. Apostei com um amigo que eles não tocariam RQ e perdi a aposta. Ainda bem.

Sobre o carisma de Dj Ashba. O cara, realmente, é uma figura. Jogou umas dez palhetas para o público (a galera curte isso), trouxe água para os fãs, tirou foto do pinto e desceu do palco para tocar guitarra em cima do bar do frontstage. Um figuraço que merece todo o respeito da galera.

O trio demonstrou profissionalismo e carisma extremos. FOTO: ALEX COSTA

Ainda teve Live And Let Die, famoso cover que a banda faz de clássico de Sir. Paul MCcartney, Knockin’On Heavens Door, de Bob Dylan, Browstone, as clássicas November Rain, Don’t Cry, Patience, Welcome To The Jungle… Ao todo, entre solos, improvisos e as mais pedidas, foram umas 30 músicas tocadas. Os caras finalizaram com Paradise City com uma explosão de fogos e uma chuva de papel picado vermelho. Impecável do início ao fim. Os fãs cearenses não poderiam ter tido investimento melhor para um show memorável.

O show que findou-se pouco depois das 02 horas  foi mesmo como Axl Rose disse no final: “Very, very, very fuck much”.  E que venham os próximos.

21:21 · 21.11.2013 / atualizado às 22:04 · 05.12.2013 por

u2

Vocês já ouviram a nova música do U2, “Ordinary Love“, tema do filme “Mandela:Long Walk Freedom”? Pois é, os caras lançaram a íntegra da canção juntamente com o clipe assinado por Oliver Jeffers e Mac Premo. A divulgação foi feita no Facebook oficial dos irlandeses.

No fim de novembro eles também lançaram outra faixa, intitulada “Breath”, que também foi composta para a cinebiografia de Mandela, que conta a história do líder sul-africano, baseada em sua autobiografia escrita em 1994 e denominada “Longa Caminhada Até a Liberdade”. O filme tem estreia prevista para o dia 29 de novembro.

O U2 e Mandela são parceiros delonga data, inclusive, foram os idealizadores do evento 46664 (número de prisão do líder sul-africano), que reuniu diversos artistas em shows beneficentes em prol do combate à AIDS/HIV na África.

21:33 · 06.10.2013 / atualizado às 06:55 · 07.10.2013 por

Não bastasse ter sido o pivô do fim da maior banda de rock da história (há quem diga), a viúva de John Lennon resolveu cometer mais uma heresia na história da música. De acordo com a coluna Gente Boa, do O Globo, ela, simplesmente, autorizou ao cantor de sertanejo universitário (é assim mesmo que se diz?), Michel Teló, a fazer uma mistura de “Imagine“, o maior clássico de Lennon, com “Ai, se eu te pego”, canção chiclete do Teló que foi maior sucesso no verão europeu em 2012.

A pérola pode  ser ouvida no longa “Mato Sem Cachorro” estrelado por Danilo Gentilli Bruno Gagliasso, que estreou nesse fim de semana. Dizem que a japa ouviu a mistura e adorou. Rapaz, ouvindo o que já foi cantado por ela, quando o Lennon deixava, não duvido nada de seu gosto musical.

Confira parte da mistura:

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20:37 · 20.05.2013 / atualizado às 07:23 · 21.05.2013 por

Por Amaudson Ximenes Veras Mendonça
Sociólogo, músico e produtor cultural

Nos últimos dias assistimos a mais um capítulo sobre o desmonte da Cultura em Fortaleza. O Centro Cultural Banco do Nordeste, referência cultural em nossa capital, que parecia sólido, agora se desmanchar no ar. Com a venda e desocupação do prédio que o abrigava, o conjunto de ações ali desenvolvidas, corre o risco de definhar e sofrer descontinuidade.

Por outro lado, os gestores anunciaram como novo espaço o Centro de Referência do Professor, antigo prédio do Mercado Central, como futura sede do CCBNB – Fortaleza. Todavia, o prejuízo é real, afinal, já estamos em maio, e pouca coisa aconteceu até o presente momento em relação à mudança, às adaptações do novo espaço e ações referentes à politica cultural propiciadas pelo Banco do Nordeste.

A transferência encontra-se atrelada à burocracia. Falta a aprovação do termo de cessão do espaço, cuja autorização passa pela Câmara Municipal de Fortaleza. Ou seja, muitas etapas e gargalos terão de ser percorridas e superadas, entre eles: a fila para entrar na pauta de votação, a “boa vontade” e o “humor” dos políticos fortalezenses. Também irá prevalecer o bom trânsito dos gestores culturais junto ao prefeito e os vereadores, e acima de tudo, vontade política do alcaíde e dos edis alencarinos. Sem isso, correremos o risco de romper 2013 e o impasse permanecer sem solução. Vale ressaltar, que já estamos na segunda quinzena de maio, caminhando para metade do ano.

Mesmo com o nível de compromisso e dedicação elevados por parte dos gestores do CCBNB – Fortaleza, as ações ali desenvolvidas encontram-se bastante comprometidas, contrariando a argumentação do Gestor de Ambiente da Cultura de que a verba não diminuiu. Não precisa ser um expert em Cultura para constatar que houve sim, corte e encurtamento dos programas, senão vejamos:

A suspensão temporária do Edital BNB/BNDES 2013, a nosso ver é uma forma branda de dizer que o programa passa por sérios problemas, corre risco de vida e “respira com ajuda de aparelhos”. Só esperando uma ocasião para serem desligados. Além do mais, a programação musical, que ocorria regulamente, sobretudo, o programa Rock Cordel, de maior visibilidade e público também foi suspensa. Tanto que apenas uma edição do festival ocorreu em janeiro do corrente nos Jardins do Teatro José de Alencar. De lá para cá, não se escuta, nem se fala nas próximas datas. Se o orçamento é o mesmo do ano anterior, a programação diminuiu por quê?

Por outro lado, o discurso oficial é o de que a Cultura continua prestigiada junto aos altos escalões do Banco do Nordeste. Compara-se tal discurso ao de dirigentes de futebol em relação a treinador de futebol perdedor e que não pode ser demitido por conta de uma multa contratual estratosférica. Ou seja, ninguém quer assumir o ônus. Do contrário, a questão já estaria sanada.

Mesmo sendo um banco de fomento e desenvolvimento por que no presente momento age como uma instituição privada? Antes tanto os programas dos Centros Culturais quanto outros projetos de interesse da coletividade, eram financiados diretamente pelo BNB, atualmente, prevalece o mecanismo da Lei Rouanet. Irão responder que é apenas uma transição, um período de adaptação, enquanto a tempestade se acalma.

Entretanto, a maioria esmagadora dos segmentos artísticos sabe o quanto é complicado (e excludente) ter um projeto financiado através desse mecanismo. Além da burocracia habitual, da fila de espera junto ao Ministério da Cultura, o proponente tem que convencer os departamentos: financeiro e de marketing de grandes empresas, a fim de ter a garantia da renúncia fiscal. Será que um produtor cultural do interior do Ceará estaria em pé de igualdade com produtores de nossa capital? Até quem trabalhava com o BNB em anos anteriores dentro dessa lógica (Lei Rouanet) tem encontrado dificuldade para obter a referida renúncia em favor de seus projetos. Quem possuía patrocínio direto em anos consecutivos vem tendo o apoio negado pelo novo corpo dirigente. O que estaria acontecendo com as ações culturais do BNB?

Segundo conceito da sociologia, esse mecanismo é denominado de reestruturação produtiva, prática utilizada em empresas capitalistas para enxugar e manter apenas setores que auferem lucros e vantagens aos cofres das mesmas. Ou seja, corta o que vem sendo considerada uma despesa, um supérfluo, o que representa um estorvo, e mantém-se apenas o que é lucrativo e vantajoso.

Percebe-se, portanto, que quem vem “pagando o pato” é a Cultura cearense e nordestina. Ou será que é o contrário?

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