Rock Nordeste

Categoria: Música Independente


13:26 · 10.07.2013 / atualizado às 13:29 · 10.07.2013 por
FOTO: Divulgação
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O mês de julho tem sido importante na consolidação de projetos para os cearenses da banda Obskure. No inicio do mês confirmou o relançamento da demo-tape “Uterus and Grave” (1990) em vinil, através do selo alemão TLB Records. Trata-se de um Split-compacto com outro grupo de destaque na cena underground brasileiro, os santistas do No Sense. A previsão de chegada das “bolachinhas” é para o segundo semestre de 2013. Além do registro em vinil, a “Uterus and Grave” será lançada em formato de K 7 – juntamente com a demo-ensaio “Sound Pollution” lançada originalmente em 1989. O cassete é uma parceria com o selo Anaites Records.

O sexteto também prepara show em que comemora os 24 anos de existência do grupo, evento foi aprovado no edital de programação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Serão duas apresentações no Anfiteatro do Dragão do Mar, a preços populares, e repertório baseado nas quase duas décadas e meia de existência da banda.

O grupo é tambem uma das atrações do ForCaos 2013, que se apresentarão no palco do CUCA Che Guevara no dia 20 de julho. Uma semana depois, no dia 27 de julho, se apresenta em Brasília (DF), no Festival Quaresmada.

Prévia do material que será lançado. FOTO: Divulgação.
Prévia do material que será lançado. FOTO: Divulgação.

 

20:29 · 03.07.2013 / atualizado às 20:29 · 03.07.2013 por
FOTO: Divulgação
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A banda Sátiros realiza nesta quinta-feira (4) show na Saraiva Megastore do shopping Iguatemi pelo projeto “Riffs Desplugados”. Na apresentação, o trio tocará versões acústicas das músicas dos seus dois discos, o “Misteriosamente as Ruas Transmitem Amores”, lançado em 2012 e “Natureza Noturna”, de 2009.

>Sátiros lança clipe em homenagem às ruas do Benfica

O “Riffs Desplugados”, que esse ano comemora 2 anos de existência, é uma iniciativa da webrádio Manifesto Norte, de Manaus, e serve de palco alternativo para artistas do cenário independente da cidade. Nesse mês, o projeto chega à Fortaleza para sua primeira apresentação fora do Amazonas. A apresentação faz parte do intercâmbio Norte/Nordeste, que sempre foi uma das metas do projeto. A realização é uma parceria da Manifesto Norte, Saraiva Megastore e Panela Rock.

O pocket show acústico começa às 19h, com entrada franca. Na ocasião, também haverá sorteio das chamadas “marmitas culturais”, que contém cd’s, livros e outros brindes.

SERVIÇO:
Projeto Riffs Desplugados – Pocket show com a banda Sátiros
Data: 04/07 – quinta-feira
Horário: 19h00
Local: Saraiva Megastore do Iguatemi (Av. Washington Soares, 85 – Lojas 420/424)
Entrada Franca
Informações: (85) 3241-1986

 

10:17 · 25.06.2013 / atualizado às 10:19 · 25.06.2013 por

Por Leonardo M. Brauna

A primeira parte dessa matéria mostrou como sobrevivia o movimento underground de Fortaleza na ardorosa década de 1980, também como as bandas de metal foram se profissionalizando até conseguirem o respeito que se intensificou mais nos anos seguintes. De forma muito espontânea público e bandas faziam corajosamente a mesma caminhada sem o mínimo interesse de se mostrar para o mundo. Escolas, bares, pequenos clubes e até mesmo lojas de discos virariam “sedes” e pontos de encontros para aquela emergente cena metálica. O que antes parecia um delírio adolescente que se empolgava com a queda do regime militar e a transição da nova república, trazendo a esperança da democracia, na verdade era mesmo um grupo de jovens estudantes com um fator em comum, o gosto pela música pesada, porém com o fim da ditadura em 1985 o Brasil ainda por muito tempo viveu intensa repressão militar atingindo principalmente a classe estudantil.

>Ceará: referência nordestina do Metal pt. 1

Bangers de Fortaleza em Terezina (1987)
Bangers de Fortaleza em Terezina (1987)

“Tempos atrás curtir rock era coisa para poucas pessoas. Eu era uma garota que andava com uma turma que gostava dessa música”. Relembra a Doutora em educação brasileira, Dora Gadelha que ao lado de seu marido, Wellington Santos podem ser considerados, entre outros, os primeiros “causadores” da cultura underground cearense. Dora que hoje ministra cursos no IFCE (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará) conta que certa vez, nos primeiros anos da década de oitenta os poucos rockeiros da região foram pegos com algo bem inusitado, “Ficamos sabendo da festividade de uma rádio FM na Volta da Jurema, Beira Mar. Lá passaria um clipe do Pink Floyd e outro do Cheap Trick. Caramba! Que máximo! O grupo de pessoas que assistiu ao ‘grande evento’ virou notícia de jornal. Sim, em tempos de tão pouco para o rock, a tal festa era demais!”.

A luta de Dora e Wellington por um espaço que valorizasse o metal começou ainda na faculdade, dos alunos da universidade praticamente apenas o casal gostava de som pesado. As festas promovidas pelo movimento estudantil visando angariar verbas para a sua sustentabilidade, eram sempre com forró. Os dois jovens visionários, então, chegaram a propor para o restante do grupo algo diferente, algo desafiador, algo que desse mais significado à liberdade de expressão que começava a ganhar força. O evento proposto tinha na organização além das duas figuras, outros estudantes da UECE (Universidade Estadual do Ceará) como os músicos Lamarque Queiroz e Ricardo Pinto.

Movimento dos anos 80
Movimento dos anos 80

Pessoas de fora do ‘Movimento Caminhar’, como era chamado o grupo, também prestaram apoio, Lupeu Lacerda, poeta que hoje reside em Juazeiro da Bahia, Paulo Amoreira, o P.C. – que criara o cartaz – e Milvando que trabalhou na divulgação, isso tudo na raça, feito artesanalmente com o suor na testa e sangue nas veias. Em 1985, por meio de som mecânico, isso mesmo, fita cassete, surgiu a primeira manifestação coletiva de headbangers (pelo menos é o que se tem notícia) do Ceará, Tempestade Metálica. Local escolhido, Casarão Democrata que se localizava na Avenida da Universidade, hoje sede do Partido dos Trabalhadores. De repente viam-se pessoas surgindo de todas as partes. “Foi emocionante ver os bandos de ‘camisetas pretas’ chegando das várias partes da cidade.”, conta a professora. Ela relembra também que a festa conseguiu aglomerar punks e headbangers, que na época viviam em atritos devido a “diferenças” na postura de cada indivíduo. “Lembro dos punks que moravam em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza, e foram até lá a pé por falta de grana para o ônibus!”, completa. A partir daí as pessoas foram se aproximando mais umas das outras.

Dora Gadelha e Wellington Santos
Dora Gadelha e Wellington Santos

No ano seguinte houve a 2ª edição do Tempestade Metálica, esse, assim como o terceiro foram promovidos por Ricardo Catunda no Clube do América, Avenida Dom Manuel, em 1986. A terceira etapa da festa trouxe uma novidade, A primeira apresentação ao vivo de uma banda metal no Ceará, Asmodeus. A banda começou a dar os seus primeiros passos em 1984, no início era formada por Geraldo Magela (guitarra, vocal), Anderson Frota (baixo) e Herculano de Oliveira (bateria). O repertório era feito de músicas autorais, mas não existia muito profissionalismo dentro do trio, “Infelizmente, dado o nosso supremo amadorismo e falta de organização, hoje não dispomos de nada (material de gravação e letras) daquela época.”, comenta Anderson que apesar da sua modéstia incrível entra para a história do metal cearense. “Das músicas, lembro apenas de duas: ‘Tortura Mental’ (apenas o título) e ‘Pobre Diabo’ (dessa lembro-me do riff principal porque fui eu que fiz).”, acrescenta. Quando a banda foi subir no palco, Herculano não estava mais tocando, o baterista havia sido substituído por Aristides, até então, o músico que sabia algo mais que os outros dois.

Anderson fala que a proposta do som era tocar com muita velocidade. Harmonia, arranjos e tempo de marcação não eram prioridades, porém os ensaios sempre eram regados a muita cerveja. Lá no América a banda teve uma nova experiência, e da maneira mais cruel, “No momento em que começamos a tocar foi que eu descobri para que servia um retorno, não tinha retorno no palco, e portanto, eu não ouvia nada do que estava tocando. Tinha que ficar olhando para as mãos do Magela para saber a hora de mudar a nota.” Lamenta Anderson que ainda conta que para chegar ao local tiveram que colocar todo o equipamento dentro de um táxi, inclusive a bateria. Os técnicos de som, segundo ele, também não dispunham de muito conhecimento tendo em vista que a indevida plugação do baixo causou a danificação do amplificador, obrigando os mesmos encontrar um meio “não usual” para fazer funcionar o instrumento de modo que o “pobre” Anderson tivesse que ficar inerte durante o set, correndo o risco da banda perder toda a apresentação, caso ele se mexesse.

Ao final, algo inesperado, apesar do desânimo entre os artistas e uma impressão de que tinham feito tudo errado, as pessoas estavam cada uma com o sorriso estampado no rosto e de braços abertos esperando receber a banda para comemorar. A partir de então mais um capítulo na trajetória do metal cearense seria escrito saindo de Asmodeus as primeiras linhas. E que seja eterno o seu legado!

Outra importante “semente” que deu origem a crescente árvore cearense do metal foi a Paranóia, erguida sob a tutela de Alexandre dos Santos, “o gato” (vocal), Macarrão (guitarra), Tony Cocrhane (bateria) e Júnior (baixo), esses caras simplesmente ajudaram a desestruturar o solo do América ao lado de outras nordestinas, Megahertz (PI), Sodoma (RN) e Necropolis (PB). “se não me engano a primeira banda a abrir foi a Necrópolis, depois fomos nós.”, comenta Gato ao relembrar do evento. Segundo o vocalista estas foram apresentações memoráveis para todas as bandas apesar da tensão entre Punks e rockeiros. “o fato inusitado é que uma das cordas do nosso guitarrista quebrou, não sei como aconteceu, ele acabou botando fogo no cabo da guitarra e também não sei como fez isso, mas a galera foi ao delírio achando que aquilo fazia parte do show. Enfim conseguiu emendar as cordas e o show continuou!”, alegra-se ao lembrar-se do episódio. De acordo com esse evento, já deu pra notar que o nome de Fortaleza conquistara reconhecimento muito além de seus limites territoriais. Semanas depois o público foi sendo acolhido por diferentes espaços, partindo do velho América outros eventos começavam a acontecer também no Restaurante Terra e Mar, C.S.U. (Centro Social Urbano) do Conjunto José Walter e também nos clubes Tiradentes e Santa Cruz. Um dos eventos que mais marcou a Paranóia foi fora desses lugares. Na Avenida Duque de Caxias havia um lugar chamado ‘Duques e Barões’, a data não é precisa, mas compreende-se entre 1988 e 1989. A banda fazia uma apresentação muito energética, isso atraia tanto os punks como os headbangers, e como eu já falei as duas partes não se encaixavam… de repente um dos bangers (que vou preservar o nome) gozando de sua embriaguez passou uma “cantada” numa moça Punk (que também guardarei seu nome) que por sua vez contou ao seu namorado. Não deu outra, o clima que já era nervoso explodiu de vez e o confronto foi direto. Talvez essa tenha sido a última “vias de fato” entre as duas vertentes em Fortaleza, até porque a partir dos anos noventa não se teve mais notícias de tais indiferenças. Paranóia então, se desfez em 1989 deixando assim como Asmodeus um grande legado também entrando para a história do metal alencarino.

Paranóia-no-Duques-e-Barões Paranóia no Duques e Barões1

Quatro amigos, colegas da mesma escola e um gosto em comum para a música. Heavy Metal. Afrânio, Marcos, Guga e Tales Groo embalados pelo furor underground daquela cena oitentista resolvem formar uma banda. Ficou acertado entre o quarteto que Guga seria vocalista, porém o rapaz nem chegou a assumir, pois tinha que sair da banda. Tales tomou posto de guitarrista, mas no primeiro show quem tocou nas seis cordas e ainda fez vocal foi Marcos. Motivo? A falta de Guga e o despreparo de Tales em ainda não saber tocar. Afrânio certamente teria sido o baterista. O nome da banda para quem não conheceu se chamava ORPHEUS e apesar de acrescentar um valor histórico para metal cearense, durou apenas mais duas apresentações. O “pequeno” Tales em seguida chamou novamente Guga e Afrânio e com isso formaram outro grupo, o Zolthan. Gato, que além de ter feito parte da Paranóia e uma das primeiras bandas punk do estado, Repressão X, também integrou a Zolthan em 1987, Esta tinha uma linha de som mais pesado bem calcado na cena de Belo Horizonte (MG) que naquela época já mostrara para o Brasil a lendária coletânea Warfare Noise. A evolução musical da cena era inevitável, cada vez mais pessoas se juntavam para formar esse pioneirismo, outras bandas como Procriation descobria-se do “manto” e conquistava o respeito dos fãs. Em abril desse ano Procriation foi homenageada pela banda Darkside em um show realizado na Praia de Iracema, na ocasião o antigo vocalista Ricardo Leite, “O Chumbica”, subiu no palco para cantar um de seus clássicos, “Belial”. A mesma canção também figura no primeiro álbum da Darkside, “Eclipsed Soul” (2004), como bônus.

De onde vinha tanto “combustível” para saciar a sede musical desses cearenses? É claro que vinha de lojas de discos e contatos diversos de várias partes do país e até do exterior, mas as novidades também entravam na “terra da luz” por meio do comércio formal. No centro de Fortaleza como em qualquer outra capital brasileira já existiam grandes ‘magazines’ que entre seus departamentos ofereciam a seção de música. Vez por outra nas prateleiras, era possível encontrar perdidos no meio de discos populares algo do Led Zeppelin, Van Halen e se fosse um pouco mais insistente, até uma “bolacha” do Iron Maiden ou AC/DC. Em algumas lojas da Rua Guilherme Rocha as pessoas até podiam se deparar com discos do Metallica ou Slayer. “Até 1984 a coisa era bastante difícil, eu curto rock desde 1977, iniciei aos nove anos graças ao meu tio que ouvia Rush, Led Zeppelin e AC/DC, na minha lembrança só vem a Tok Discos, Francinet e Rouxinal. De 1985 pra frente tudo mudou, posso até estar enganado…”, comenta Bremen Quixadá, um dos primeiros headbangers de Fortaleza. Bastou a primeira loja especializada inaugurar que outras aos poucos foram surgindo e fortalecendo mais o comércio rockeiro da região. Complementando as lembranças de Bremen, conta Tony Cochrane que a sua loja, Opus Discos, abriu as portas em 1984, mais precisamente no dia 14 de maio. O espaço que ocupa algumas salas aglutinadas da Galeria Pedro Jorge, centro de Fortaleza, sempre esteve no mesmo endereço e é considerada a pioneira em seu seguimento no Ceará.

Opus Discos FOTO: Arquivo Pessoal
Opus Discos FOTO: Arquivo Pessoal

Bem perto dali adjacente à Praça José de Alencar, em 1986 abria outro “ponto de apoio” ao heavy metal, Ricardo Catunda estava voltando de São Paulo onde tinha ido morar, na bagagem trazia vários itens necessários para abrir o seu negócio, “Voltando para morar em Fortaleza eu trouxe além da idéia já muito material (discos, camisetas, patches, botons e já algum material importado, principalmente vinil que vendíamos as gravações em fita cassete.”, recorda. Sem uma idéia para batizar o empreendimento Catunda provisoriamente chamou o “point” de Woodstock, mudando logo depois para Purgatory Discos. O estabelecimento se tornou uma espécie de Q.G. para os headbangers e não demorou muito até chamar atenções indesejadas. “A loja era ponto de encontro e chamou a atenção da população e também da policia, que fazia batidas frequentes, sendo eu chamado várias vezes à delegacia onde denunciei a extorsão que alguns policiais tentaram fazer, mas sem êxito.”, conta, “Um dia na semana fazíamos muito barulho enchendo o lugar de headbangers que além de agitar o pequeno espaço, compravam bebidas na esquina e levavam pra loja. A baderna era tanta que os ônibus paravam em frente para ‘apreciar’ a nuvem negra que para eles eram loucos, filhos do demônio e drogados.”, completa. Tais rótulos foram motivos de luta de nossos rapazes sendo conquistado até mesmo direito de resposta em um jornal de grande circulação no Ceará. Bremen Quixadá, Adjacy Farias, Doge Lucas, Darciso Filho, Jander, Franzé Batera, Galo, Carlão Feitosa, Regis Ribeiro e dois “molequinhos”, Tales Groo e Ricardo Araújo eram alguns dos visitantes assíduos da loja que ainda recebia presença feminina como, Olindina e Jurema.

Era uma época bem agitada e ao mesmo tempo dominada pelo espírito de amizade. Uma cena que revelou muito “romantismo” e vivacidade, um grupo de “meia dúzia” que foi se transformando em dezenas, centenas e que hoje por meio do avanço da comunicação está representado em milhares. Termino esta segunda parte com uma declaração bem definida de Bremen Quixadá em relação aqueles tempos áureos:

“… completamente romântica sem dúvidas, tenho muita saudade, não pela minha adolescência, mas pela irmandade, bastava ver um sujeito com camisa de banda e logo virava amigo de infância, tanto é que são amizades que tenho até hoje, algumas com mais de 30 anos de convivência. Era muito bom mesmo…”

00:08 · 12.06.2013 / atualizado às 00:12 · 12.06.2013 por

Por Leonardo M. Brauna

O Metal no Ceará vive um de seus melhores momentos. Uma cena que surgiu timidamente ainda na primeira metade dos anos oitenta vem progredindo a cada período de forma grandiosa e maciça, tornando o estado hoje como sendo um dos maiores representantes do nordeste e que hospeda uma das cenas mais pulsantes do Brasil. Com um foco maior situado na capital, Fortaleza e em um dos municípios da região metropolitana, Maracanaú, o que antes era chamado de ‘pequeno movimento’ hoje predomina praticamente em todas as grandes cidades também do interior. Sobral e municípios da região do Cariri contribuem fortemente para essa progressão, assim como localidades litorâneas a leste e oeste de todo o território cearense.

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“Numa época sem internet, sem tecnologia e sem ambições… mas feitos com uma enorme paixão, que era alimentada com fogo pelo público Headbanger.” Assim definia o líder da banda DARKSIDE, Tales Groo, a cena de duas décadas atrás em Fortaleza. É claro que o guitarrista se referia ao público que naquela época já impulsionava os seus representantes participando e apoiando-os em todos os lugares a que viessem tocar. Assim a banda continua hoje com um dos melhores lançamentos de 2012, “Prayers in Doomsday” que já é mostrado a todo o Brasil pela banda tanto nos palcos como pelo comércio de CDs. Porém Darkside é apenas um exemplo vivo, muito antes da própria banda surgir, a roda do metal era movimentada com muita dedicação por outros nomes, alguns que por motivos diversos não conseguiram se estabelecer, mas que deixaram marcas impressionantes assim como grupos que ainda estão vivos e arrancando elogios do o público.

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No início as expectativas para se conseguir um material eram muito maiores que as de hoje, pois as dificuldades de intercâmbio doíam muito no bolso do “headbanger”, internet era algo que iria acontecer muito no futuro, telefone era item muito caro para se ter numa residência, DDD e DDI então custavam os olhos da cara para os pais daqueles adolescentes (a cena oitentista era formada basicamente por jovens estudantes), muitos apelavam para a utilização de cabines da extinta Teleceará para troca de algumas informações. O jeito era utilizar ao máximo o serviço de correios para troca de contatos, zines, DT’s e até compra de muitos dos lançamentos da época. Até mesmo com as primeiras lojas surgindo a prática do escambo era muito presente entre os fãs de metal. Discos e fitas k7 atravessavam oceanos até o seu destino, quando o primeiro ponto de venda de artigos heavy metal abriu, logicamente já se via garotos cabeludos usando camisetas com gravuras do Metallica, Slayer e Venom nas praças da capital, isso em plena ditadura militar.

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As bandas que começavam a surgir enriquecendo a cultura underground do metal cearense em sua maioria tocavam mais pela paixão que por qualquer outra coisa. Bandas como LEPROUS que surgiu em 1987 e OBSKURE em 1989 foram as primeiras do metal extremo a apresentarem um trabalho de estúdio. Leprous lançou uma DT chamada “Welcome to Future” em 1989 sendo a banda pioneira do estado a lançar um trabalho no estilo Death/Grind enquanto que o Obskure um ano depois apareceu com a demo “Uterus and Grave” impressionando o Brasil com a qualidade de seu som. Outras bandas da mesma família que chamavam muita atenção do “pequeno público” oitentista eram EVOKER, VOMIT que veio antes da Leprous, W.O.D. antecedendo o Obskure, BRUTAL VERMES e tantas outras. Apesar de apenas algumas estarem vivas atualmente, todas foram marcadas a ferro na memória de cada headbanger “quarentão” de hoje. As que conseguiram registrar as suas músicas em estúdios, naqueles tempos tiveram que trabalhar muito para fazê-las. Conta Amaudson Ximenes (guitarrista-Obskure) que antes do lançamento de “Uterus and Grave”, ele junto do seu irmão Jolson Ximenes, baixista da banda, tiveram que se desfazer de alguns LP’s e vender caipirinha em uma feira para custear as despesas cujos horários eram pagos em dólar. “Foram três horas de gravação e mixagem, e a hora de estúdio custava 20 dólares, a inflação atingia o patamar de 90% ao mês”, disse Amaudson.

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Bandas com som mais voltado para o thrash metal e power metal com alta melodia nos riffs também figuravam na cena alencarina naquele período de “instabilidade econômica”, INSANITY que lançou a primeira demo em 1990, “In Search of Reason”, ganhou mais popularidade com a chegada do compacto de duas músicas, “Cryogenization” de 1991. Com isso a banda ajudou a divulgar incansavelmente o nome do Ceará na década de noventa com seus outros trabalhos, “Phobia” de 1993 e “Mind Crisis” de 1998. Mas se tinha um grupo que não chegou a gravar um full length e ainda assim recebe o status de lenda do metal cearense, esse pessoal atende pelo nome de BEOWULF. A banda assim como todas as outras citadas surgiu nos anos oitenta e deixou dois registros, “Beowulf – DT ‘90” gravada em outubro de 1990 e “The Black Forest”, outra DT, essa gravada em setembro de 1992. A banda que fazia uma música muito bem encaixada na melodia utilizando riffs e solos virtuosos pode ser considerada uma das primeiras no Brasil a fazer power metal tendo em vista também o conteúdo de suas letras. A paixão dos cearenses por essa banda é tanta que o seu líder Silvio Beowulf (vocalista) está convocando os seus membros para uma reunião e com isso satisfazer o gosto dos antigos e do crescente número de novos fãs.

Essa primeira parte é apenas uma idéia de como se formou os primeiros movimentos de uma cena que só vem crescendo e acrescentando mais qualidade ao metal brasileiro. Muito deverá ser dito e claro que cometerei o pecado de utilizar esse espaço apenas para um resumo, pois a força do metal cearense a ser comentada por completo merece rechear um livro de algumas centenas de páginas, porém alguns dos pontos mais importantes certamente serão lembrados com muito cuidado, aguarde a próxima matéria.

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07:38 · 22.05.2013 / atualizado às 07:38 · 22.05.2013 por
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Festa Punk é o tema do próximo festival do Espaço Cultural Panela Rock Cunder, que ocorre na próxima sexta-feira (24), localizado na Avenida Osório de Paiva, bairro Canidezinho.

As bandas cearenses de punk rock Thrunda, Lavage e Same Old Shit realizam show a partir das 19 horas. A entrada para o evento é grátis. A produção do evento recebe doações de alimentos para a campanha S.O.S SECA.

o Evento é uma iniciativa da Panela Rock, Cunder (cooperativa underground) e Associação Cearense do Rock (ACR)

14:07 · 10.05.2013 / atualizado às 14:36 · 10.05.2013 por

A banda fortalezense Sátiros lança às 21h desta sexta-feira (10), no Teatro do SESC Iracema, em Fortaleza, videoclipe da música “Devaneios”. O clipe, gravado pela produtora cearense Nigéria pelas ruas do bairro do Benfica, será exibido antes da apresentação do grupo. Os ingressos para conferir a apresentação da banda fortalezense custa R$6 (inteira) e R$3 (meia). A bilheteria abrirá uma hora antes da apresentação.

FOTO: Divulgação.
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“O vídeo conta a história de um cara caminhando pelas ruas do Benfica, relembrando o que aconteceu na noite passada”, diz Álvaro Abreu, baterista da banda. “Escolhemos o Benfica porque, além de de ser um bairro histórico e cultural, foi onde realizamos as nossas primeiras apresentações antes da banda Sátiros. É uma homenagem ao bairro em que nós frequentamos”, completa.

O músico ainda afirma que no show de hoje o repertório será composto de músicas do álbum mais recente, o “Misteriosamente as Ruas Transmitem Amores”, e de composições do “Natureza Noturna”, EP lançado pelo grupo em 2009. A banda ainda promete surpresas com versões de músicas de grandes artístas brasileiros.

 Confira “teaser” do vídeoclipe do grupo:

13:20 · 18.04.2013 / atualizado às 13:35 · 18.04.2013 por
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As bandas Capitão Eu e os Piratas Vingativos , Andes, It Girl, Rivera e Amsterdã vão se apresentar no próximo sábado (11), no Black Jack, na Praia de Iracema. O festival comemora o aniversário de um ano do estúdio Casarão 77.

Dois grupos que participam do festival  ( It Girl e Amsterdã) participaram da seletiva do I Festival Independente Cuca Che Guevara, concorreram com mais de 10 grupos e foram selecionados para tocar no evento da Prefeitura que ocorreu no dia 13 de abril.

O primeiro lote dos ingressos, que custava R$ 15, está esgotado. Mas é possível adquirir o 2º lote no valor de R$ 20. Os pontos de venda são o próprio estúdio, que fica localizado na Rua Jaguaribe, no bairro Aldeota, a Tatuaria Ink, na Rua Dulcinéia Gondim, Bairro Montese e diretamente com as bandas, que fazem parte do cenário independente da Capital.

O evento terá sorteio de tatuagem temática e pacote de horas no estúdio.

11:15 · 10.04.2013 / atualizado às 11:20 · 10.04.2013 por
Apresentação da I Death na seletiva. Foto: Jéssika Sisnando
Apresentação da As Thy Death na seletiva. Foto: Jéssika Sisnando

Os grupos selecionados para participar do I Festival Cuca Independente, que ocorre no próximo sábado (13),são As Thy Death, Amsterdã, Cocaíne Cobras, It Girl, Nafandus e Orphelia. A seletiva ocorreu no último sábado (6), no Cuca Che Guevara, com votos de jurados e do público que esteve presente no local.

As 12 bandas impressionaram pelo som e desenvoltura no palco. Os quesitos avaliados foram de interpretação, arranjos, afinação e o conjunto. O público teve a opção de votar em 3 bandas e a mais votada ganhou um voto a mais na contagem, neste caso, o grupo As Thy Death ficou em primeiro lugar, com 73 votos, seguido por Amsterdã, com 71 votos e a So So, que apesar dos 57 votos, não ficou entre as selecionadas por decisão do juri.

Julgar uma seletiva como a do Cuca Independente é muito difícil. Praticamente todas as bandas apresentaram um diferencial. Seja pelo regionalismo da So So, o Surf Music com letras marcantes da ARS, a animação da Lemori, os ótimos solos do Bonilas e o peso e vocal da Scariotz.

Face normal 520-520 2A ideia do projeto, que faz parte da Secretaria de Juventude, é que futuramente os festivais sejam organizados em parceria com os outros Cucas, que ainda não estão funcionando. Durante as próximas edições do festival as bandas devem se apresentar sem seletiva, já que os grupos precisam de incentivo.

O evento de sábado (13) ocorre no Anfiteatro do Cuca, que fica localizado na Avenida Presidente Castelo Branco, Barra do Ceará. A entrada é gratuíta e as apresentações começam às 16 horas. A produção do evento é da Panela Rock e a realização é da Prefeitura de Fortaleza com o Cuca Che Guevara.

01:52 · 04.04.2013 / atualizado às 21:58 · 04.04.2013 por
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A seletiva do I Festival Cuca Independente ocorrerá no próximo sábado (6), no Cuca Che Guevara, a partir das 16 horas. Participarão do evento, as bandas Amstrdã, A.R. 40º, ARS, Bonilas, Cocaine Cobras,  As Thy Death, It Girl, Lemori, Nafandus, Orphelia, Scariotz e So So.

Dos 12 grupos citados, apenas 6 serão escolhidos para tocar no I Festival Cuca Independente, que está programado para o próximo sábado (13), dentro da programação de aniversário da cidade de Fortaleza.  Cada banda apresentará 3 músicas para a comissão de 5 jurados e cada um deles votará nos 6 melhores grupos.

Também haverá voto popular na seletiva e o público presente pode votar em 3 bandas, neste caso, os grupo devem ganhar um voto a mais na contagem final.

O Festival tem por objetivo valorizar e difundir a música autoral cearense, promovendo intercâmbio entre as bandas independentes locais, incentivando a criatividade musical e revelando novos talento. Além de contribuir com a formação dos jovens por meio da promoção de cursos e oficinas voltadas para temas específicos do segmento da música.

 

08:15 · 20.03.2013 / atualizado às 16:39 · 06.09.2013 por

A banda fortalezense de rock progressivo Trem do Futuro completa em 2013 três décadas de carreira. O vocalista Paulo Rossglow e o guitarrista Marcelo Leitão conversaram com o Blog Rock Nordeste sobre os grandes momentos vivido pelo grupo e as mudanças na cena fortalezense nesses 30 anos de trajetória. Assista a entrevista na íntegra:

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