Categoria: Cultura


12:00 · 14.10.2018 / atualizado às 11:40 · 14.10.2018 por
Obras de pioneiras em design no Brasil estarão em exposição somente até sábado (20) na Casa de Saberes Cego Aderaldo.

A exposição “Design por Mulheres“, uma mostra da trajetória de nove mulheres designers, estará disponível ao público somente até o próximo sábado, 20 de outubro, na Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá. O espaço cultural estará aberto à  visitação, gratuita, de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e de 13h às 18h.

Será possível apreciar obras de Lina Bo BardiLygia PapeBea FeitlerEmilie Chamie, consideradas pioneiras para a construção e transformação do cenário do design dentro e fora do Brasil. A exposição também trás obras contemporâneas de Bebel AbreuCyla CostaFátima FinizolaJoana Lira e Paula Dib.

Os salões do espaço cultural foram tomados pela criatividade das pioneiras em design.
A criatividade delas ganhou destaque internacional. Algumas obras estão na mostra.

Anteriormente em cartaz no Museu de Arte da UFC (MAUC), a mostra é coordenada pela professora Tania Vasconcelos, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC). Tem sua origem em uma ação de extensão da Universidade, com o objetivo essencial de dar visibilidade à mulher designer.

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08:00 · 12.10.2018 / atualizado às 08:15 · 12.10.2018 por
Currais expõe a saga dos flagelados da seca nos campos de concentração no Ceará. Fotos > Marina Cavalcante

Após o sucesso do espetáculo “Currais” pelo Interior do Estado, com direito a apresentação especial no Cineteatro José de Alencar, na capital cearense, a Cia de Dança Rastro, de Quixadá, se prepara para levar a interpretação cultural da memória dos campos de concentração do Ceará a Portugal. Os 10 bailarinos sobem ao palco europeu no dia 17 de novembro. A Cia é mantida desde 2002 pela professora e bailarina Gerlídia Tavares.

Ela explica que “Currais” é uma viagem pela memória dos campos de concentração no Ceará. “É um grito ao silêncio declarado pelo Governo que, no inicio do século XX, com as secas, a fome e a miséria que assolava o nosso sertão, que naquela época criou campos cercados para confinar milhares de retirantes, impedindo que famintos seguissem à capital“. Através da dança e da música, o espetáculo busca retratar uma época de desprezo e negação de direitos.

Os textos são de Vernildo da Silva, tendo como referencia o livro “Migalhas do Sertão” de João Paulo Giovanazzi. A direção artística e coreografia é de Gerlídia Tavares e a assessoria de Érika Ursula, figurinos de Jenilson Fernandes, os bailarinos são Andreza Sousa, Beatriz Batista, Eduardo Ferreira, Evila Uiara, Flávio Bergson, Felipe Nobre, Ingrid Souza, Neyla Hellen, Vernildo da Silva e Yasmin Barbosa. Há ainda a participação do ator Ricardo Lima.

 

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08:00 · 10.10.2018 / atualizado às 08:45 · 10.10.2018 por
Alunos do CACD visitaram a Academia Quixadaense de Letras. Foto > VCrepórter

Um projeto de incentivo à leitura desenvolvido pelo Colégio Amadeu Claudio Damasceno (CACD), em Quixadá, “Diálogos Literários“, levou alunos do 2º e 3º Ano Fundamental desta instituição de ensino à Academia Quixadaense de Letras (AQL). Os estudantes foram recepcionados pela presidente da AQL, a escritora e professora Julieta Almeida e puderam conhecer a história e o acervo do espaço cultural.

Segundo Julieta Almeida, este mês, na data oficial de emancipação do Município, 27 de outubro, a AQL completa mais um aniversário. Serão seis anos de fundação, mas a data é comemorada por todo o mês. Na programação, repetindo a tradição dos últimos anos, foi incluído um concurso de poesias, para todas as idades. “Um incentivo aos mais jovens, a se tornarem também escritores “, acrescenta a representante da entidade cultural.

A ideia de criar a Academia surgiu a partir de reuniões do escritor João Eudes Costa e do amigo radialista Wanderley Barbosa. A esposa de João Eudes, Angela Borges, também participou diretamente da criação da primeira instituição literária desse gênero no Sertão Central. Uma filha do casal, Bruna Costa, também é escritora. No total, 26 Imortais, como ficam conhecidos, integram atualmente a AQL.

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06:30 · 29.09.2018 / atualizado às 06:30 · 29.09.2018 por
Na missa dedicada a eles, os vaqueiros fazem oferendas a São Francisco. Esse ritual será repetido pelo 48º ano consecutivo em Canindé.

Pelo 48º ano consecutivo os vaqueiros de Canindé receberão a bênção do seu padroeiro, São Francisco das Chagas. Dezenas deles seguirão em cavalgada, da estátua de São Francisco até o local da santa missa. A celebração religiosa, com início programado para as 10h deste sábado, 29, faz parte dos festejos em homenagem ao santo. Será realizada no Parque de Exposição Francisco de Assis Bessa Xavier, na entrada da cidade. O padre Roberto Reinaldo, da paróquia de São José, presidirá o ato religioso.

Na celebração, repetindo a tradição secular, no momento das oferendas, os vaqueiros apresentam suas indumentárias, do chapéu ao cavalo, ao santo, como ocorreu há exatamente um mês, no mesmo local, no dia dedicado a esses trabalhadores, considerados “heróis do sertão”. “Canindé é o único Município do Ceará com data especial para a classe. “A categoria comemora no dia 22 de agosto, Dia do Folclore, conforme a lei municipal 2.051, de 29 de abril de 2008” acrescenta a prefeita Rozário Ximenes. Em dezembro de 2009 foi incluída no calendário oficial do Estado.

De acordo com os vaqueiros mais velhos, como Moisés Paulo Uchôa, 85 anos, a primeira missa dedicada aos aboiadores, os bravos do sertão, foi celebrada nos festejos franciscanos em 1º de outubro de 1970. Naquela época o vigário da paróquia de São Francisco era frei Lucas Dolle. Ele era franciscano apaixonado por cavalos. Seis anos depois, devido ao grande sucesso da festa, a cavalgada da fé, acompanhada do ato religioso, contou com a presença do inesquecível “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga.

Dina Martins, a única Mestra da Cultura vaqueira do Brasil, ainda participa das atividades. Ela é considerada a embaixadora dos vaqueiros. Mestra Dina, como é conhecida, lembra da primeira missa dedicada à categoria na sua terra natal, pelo vigário alemão. Naquele dia ele reuniu todos diante do pátio da Basílica de São Francisco. Ele comentava ter participado da 1ª Guerra Mundial, montado a cavalo. Pretendia se tornar vaqueiro.

Nos últimos anos o momento especial foi mudando de lugar. Este ano, será realizado pela primeira vez no parque de exposições do Município. O presidente da Associação de Vaqueiros de Canindé, Edilânio Freitas, conhecido como Edilânio Aboaidor, estima participação de pelo menos 1,5 vaqueiros e cavaleiros, incluindo adolescentes e crianças. “Essa missa é uma forma de agradecimento a São Francisco por tudo de bom que ele nos proporciona durante o ano, principalmente na proteção divina quando estamos na luta diária entre cavalo e gado”, ressalta.

Orgulhoso, Aboaidor recorda da lida com os rebanhos. Os desafios do dia-a-dia dentro do mato, na caatinga seca, onde os galhos das árvores cortam como navalha. O gibão, o guarda peito, as luvas, perneiras, tudo de couro, protegem o corpo, mesmo assim a batalha é sempre grande. Apesar do modernismo, o ofício continua sendo passado de pai para filho.

Sobre os festejos de São Francisco, seguem até 4 de outubro, dia dedicado ao santo, quando no fim da tarde será realizada a maior procissão franciscana do Nordeste. No dia seguinte, devotos, muitos deles romeiros de outras regiões se despendem do protetor religioso com o arreamento da bandeira, ao lado da Basílica.

Festejos de São Francisco das Chagas – Canindé
Missa do Vaqueiro
Dia 29 de setembro – A partir das 10h
Parque de Exposição Francisco de Assis Bessa Xavier

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07:30 · 28.09.2018 / atualizado às 07:40 · 28.09.2018 por
Ouvir uma boa música e contemplar uma das mais belas paisagens do planeta ao pôr do sol, é a proposta do evento.

A atração deste ano, no V Pôr do Sol Musical, realizado no Açude Cedro, em Quixadá, será a cantora e compositora desta terra, Lia Almeida. De acordo com os organizadores, o encontro cultural, que já se tornou atração nesta cidade, tem início programado para às 16h. contando com a participação de talentos musicais, o momento é gratuito e aberto ao público. Além do agradável momento cultural é a oportunidade de contemplar a natureza tendo como paisagem um dos mais belos cartões postais do mundo, a Pedra da Galinha Choca.

No ano passado, a Banda de Música Municipal, que recebe o nome do Maestro Nabor Crebilon de Sousa, foi regida pelos maestros, José Ferreira Filho, conhecido como “Dudu Black” e Raimundo Ferreira Barros, o “Chinês”, com músicas de Roberto Carlos a Luiz Gonzaga. A dupla Paulo Queiroz e Dalete Queiroz, pai e filha, dividiram com a orquestra as apresentações musicais que tiveram inclusive o canto Ave Maria, exatamente às 18 horas, um pedido especial do empresário Carlos Alberto Barbosa, conhecido como “Beto Tur”, idealizador do evento.

Sobre a iniciativa, Beto Tur explica que é realizada sempre no mês de setembro, em razão do período da primavera, quando não ocorrem chuvas na região, Nesse período o sol também está mais esplendoroso, principalmente quando se põe por detrás da Serra do Estevão, espalhando seus raios no espelho d’água do açude. “Além desse belo momento, o Pôr do Sol Musical é uma forma de demonstrarmos a importância das nossas riquezas naturais e históricas como atrativos turísticos”, acrescenta.

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06:30 · 13.09.2018 / atualizado às 06:15 · 13.09.2018 por
A exposição tem obras de mulheres que se destacaram no cenário design em todo o mundo.

A partir desta quinta-feira (13) a exposição “Design por Mulheres“, realizada pela Secretaria de Cultura do Ceará (Secult) estará aberta ao público na Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá. Segundo os organizadores, a solenidade está programada para as 19h.

A mostra apresenta um panorama da trajetória de nove mulheres designers, que expressivamente produziram repertórios singulares contribuindo para a construção e transformação do cenário do design dentro e fora do Brasil. A exposição segue até o dia 20 de outubro.

Será possível apreciar obras de Lina Bo Bardi, Lygia Pape, Bea Feitler e Emilie Chamie, consideradas pioneiras nesse cenário, destaca a Secult. A exposição também trás obras contemporâneas de Bebel Abreu, Cyla Costa, Fátima Finizola, Joana Lira e Paula Dib.

Anteriormente em cartaz no Museu de Arte da UFC (MAUC), a mostra é coordenada pela professora Tania Vasconcelos, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC). Tem sua origem em uma ação de extensão da Universidade, com o objetivo essencial de dar visibilidade à mulher designer.

Exposição “Design por Mulheres”
Abertura: 13 de setembro – às 19h.
Visitação: até 20 de outubro
Segunda à sexta, das 08 às 12h e de 13h às 18h.

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08:00 · 12.09.2018 / atualizado às 08:10 · 12.09.2018 por
Os armazéns históricos do Açude Cedro estão desabando, literalmente. Solução se arrasta.

Após mais de duas décadas abandonados os armazéns de obra do Açude Cedro, construídos no início do século XX voltam a chamar a atenção. A Universidade Federal do Ceará (UFC) levou à superintendência do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), a proposta de restauro dos dois galpões, e transforma-los em um Parque Tecnológico. Com a revitalização além das atividades educativas, nele, poderão ser realizados eventos culturais.

A ideia foi levada pelo reitor da UFC, Henry Campos, acompanhado do diretor e a vice-diretora do Campus em Quixadá, Davi Romero e Andréia Libório, ao diretor-geral do Dnocs, Ângelo Guerra no início da semana passada. Dois dias depois, na última quarta-feira (5), foi apresentada na audiência pública promovida pela da 23ª Vara Federal com o apoio da Procurador Federal Regional, com sede em Limoeiro do Norte.

> Armazéns do Cedro podem receber ações educativas

O Diário do Nordeste publicou nesta quarta-feira (12) reportagem sobre a situação dos armazéns seculares. Também constatou o abandono e a necessidade urgente de restauração dos dois espaços, um deles, a antiga vila de operários. No outro uma maquina e um forno, da época das obras, ainda permanecem no local. A proposta da sociedade organizada é transformar o lugar no Museu das Águas, resgatando e preservando a história do açude construído por ordem de D. Pedro II.

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06:30 · 07.09.2018 / atualizado às 06:25 · 07.09.2018 por

A partir da próxima quinta-feira (13) a Secretaria de Cultura do Ceará (Secult) realizará na Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá, a exposição “Design por Mulheres“. A solenidade de abertura está programada para as 19h. A mostra apresenta um panorama da trajetória de nove mulheres designers, que expressivamente produziram repertórios singulares contribuindo para a construção e transformação do cenário do design dentro e fora do Brasil. Estará exposta ao público até o dia 20 de outubro.

Anteriormente em cartaz no Museu de Arte da UFC (MAUC), a mostra é coordenada pela professora Tania Vasconcelos, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC). Tem sua origem em uma ação de extensão da Universidade, com o objetivo essencial de dar visibilidade à mulher designer. Será possível apreciar obras de Lina Bo Bardi, Lygia Pape, Bea Feitler e Emilie Chamie, consideradas pioneiras nesse cenário, destaca a Secult.

A exposição também trás obras contemporâneas de Bebel Abreu, Cyla Costa, Fátima Finizola, Joana Lira e Paula Dib.

Exposição “Design por Mulheres”
Abertura: 13 de setembro – às 19h.
Visitação: até 20 de outubro
Segunda à sexta, das 08 às 12h e de 13h às 18h.

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11:00 · 27.08.2018 / atualizado às 10:55 · 27.08.2018 por

Vaqueiros de Canindé fortalecem ofício com participação em comemorações religiosas.

A Associação dos Vaqueiros de Canindé (AVC) já está organizando os detalhes para a participação nos festejos de São Francisco das Chagas, neste cidade, considerada o maior santuário franciscano das Américas. No dia 27 de setembro aboaiadores de todo o Nordeste receberão a bênção do santo na maior Missa do Vaqueiro realizada no sertão, explicou o presidente da AVC, Antônio Edilânio de Freitas, o Edilânio Aboaidor. O ritual é realizado há quase meio século, sendo um dos momentos mais importantes do festejo.

No sábado (25), dezenas de vaqueiros, cavaleiros e cavaleiras de Canindé e de municípios vizinhos participaram das comemorações do Dia do Vaqueiro, cavalgando da Estátua de São Francisco ao Parque de Exposição Francisco Diassis Bessa Xavier. Recebiam a bênção pela primeira vez no ano, e também homenagens especiais da AVC, com o apoio da Secretaria de Turismo de Canindé. A secretária Socorro Bastos e a prefeita Rozário Ximenes prestigiaram o evento.

> Evento comemora Dia do Vaqueiro

Com 85 de idade e mais de 70 de profissão, o vaqueiro Moisés Paulo Uchôa era um dos mais empolgados com a comemoração. Hoje, reside na cidade, mas a maior parte da sua vida foi dedicada à lida com o gado, na Fazenda São Serafim, a cerca de 30Km do Centro de Canindé, acompanhado dos 15 irmãos, oito homens e sete mulheres . Mas se a idade o obrigou a morar mais perto do hospital, não abandonou o ofício. Tem uma oficina de couro. Ele foi um dos homenageados.

Este ano, a vaqueira Dina Martins, também Mestra da Cultura, não participou da cavalgada. As vaqueiras foram representadas pela Rainha da AVC, Bruna Fariny Freire, de 15 anos. A cavaleira Fabíola Uchôa participou com o seu berrante. Coube à Mestra Dina puxar o cântico dos aboiadores na Missa do Vaqueiro celebrada pelo padre Roberto Reinaldo, da paróquia de São José, acompanhada do Coral de Nossa Senhora do Rosário.

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10:00 · 19.08.2018 / atualizado às 10:05 · 19.08.2018 por

Emanações de luz divina, os Orixás são figuras que permeiam as nossas vidas. Num país com tantas potencialidades culturais e toda uma carga de ancestralidades que se traduzem em diversos aspectos, o ato religioso e o sincretismo, trazido pelos irmãos africanos, nos mostra inclusive, o quão plural, somos de fato. A origem do culto aos Orixás no Brasil provém dos Negros Africanos que foram presos e trazidos escravizados para o Brasil. A África, um grande continente que une diferentes nações, chega a nós assim, com toda a sua diversidade e pluralidade.

Bule Bule (Foto) nos traz a felicidade do encontro com essas entidades através das histórias destas figuras poéticas, férteis, traduzidas para nós em imaginação, tal como um grande contador de histórias, que ponto a ponto, vai cruzando cada verso em forma de conto, traçando naturalmente, um emaranhado de imagens descritas pelas palavras. Felicidade que se faz fértil campo de multiplicidade de idéias e falas. Palavras, que versificadas em rimas, dançam ao som de um cantar falado, assim como balançar das marés de Yemanjá, os ventos de Iansã, as águas de Oxum, o Fogo de Xangô, a força de Ogum, as peraltices e mimosidades dos Exus. E nesse fértil campo, o encontro de Bule Bule com os Orixás se fez poiesis.

Sendo os orixás as representações das energias oriundas da natureza, e porque não também, nossas naturezas, eles são essa força que auxiliam aos humanos em suas dificuldades do dia a dia. Colocar um ser no mundo, É responsabilidade. Exu, aquele que abre os caminhos e que aprende a cada dia, protetor das encruzilhadas, servo de Oxalá, amigo de Orumilá, aquele que nada escapa aos seus olhos, o grande comandante da estrada. Dá o bem a quem pede o bem e devolve o mal a quem o pediu.

Ogum, Orixá-Guia do nosso Mestre Bule Bule, é aquele que representa todas as batalhas da vida. Irmão de Xangô, filho de Oduduwa(Olumaré) e Yemu (Iemanjá), corresponde a nossa necessidade de energia, defesa, determinação e tenacidade. Protetor dos ferreiros, caminhoneiros, escultores e guerreiros, São Jorge, o Santo Guerreiro. Oxum, a bela senhora das doces águas e minha guia, a mãe que nos fornece equilíbrio emocional, amor, complacência, Afrodite sedutora. Prende o bem perto de sí, permite ao mal se afastar, vê brandura de onde vem, quem tem o amor que ela tem, também sabe perdoar. Iansã, senhora dos raios e da tempestade, aquela que energiza e que traz as mudanças, deslocamentos, transformações materiais, avanços tecnológicos e intelectuais. Tanta beleza e encantamento, dominadora dos corações, protetora de todo o mal com a sua espada, esposa de Ogum e mãe de nove filhos.

Iemanjá, a mais popular dos Orixás, a senhora dos mares e das marés, traz para nós a necessidade da família e do amor fraternal. Esposa de Olumaré, mãe de Xangô e Ogum, Ossaim, Oiá e Obaluaê. Com ela, é justo buscar, tudo o que a gente não tem. De onde menos se espera, não se sabe de onde vem. Xangô, aquele que nos traz o discernimento, justiça, estudo, raciocínio concreto e metódico, senhor dos metais e do fogo, seu sobrenome é superação.

Até considero, Senhor Bule Bule, que seu sobrenome, tal qual Xangô, é o de superação. Daquele senhor que vendia seus cordéis em feiras e por toda a trajetória de sua obra, construída tijolo por tijolo, degrau por degrau, vindo lá da baiana cidade de Antônio Cardoso, essa figura que está na fronteira do sertão com o recôncavo, é por isso, é tão múltiplo.

Nenhuma riqueza é tão grande quanto o conhecimento. E felicidade, é encontrar nesta tua obra, a tua grandeza como Ser, dessas que se traduzem naturalmente em território fértil, de amor. Dessas fertilidades que impedem que a vida cesse na suas múltiplas condições. Fertilidade essa, que se traduz na dificuldade da desertificação dos nossos sonhos. Muito te agradeço por ter tido a graça de estar junto de ti, Senhor Antônio Ribeiro da Conceição.

Paula Geórgia Fernandes é arquiteta, fotógrafa, coordena o Escritório Regional da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará no Sertão Central e a Casa de Saberes Cego Aderaldo em Quixadá

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