Busca

Categoria: Cultura


00:00 · 24.04.2017 / atualizado às 10:14 · 24.04.2017 por

Erguida em meados de 2010 no pátio externo do Cemitério das Almas da barragem do Açude Patu, em Senador Pompeu, uma cruz de metal com 12 metros de altura, está sob o solo. A base e o monumento metálico ficaram retorcidos e parte da escultura de metal, de Jesus Cristo, crucificado, desapareceu. Entretanto, a sobra da cruz ao sol não mostra nenhuma imperfeição.

O monumento foi construído por iniciativa do Fórum Popular de Preservação do Patrimônio Histórico Artístico da Fé e do Meio Ambiente juntamente com a igreja católica, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro, artistas, profissionais liberais  e entidades associativas e sindicais, foi inaugurado na 27ª Caminhada da Seca, naquele ano.

O idealizador do cruzeiro foi o padre Roberto Costa. Na época ele era o administrador da paróquia de Nossa Senhora das Dores. Foram necessários R$ 5 mil para confeccionar a peça. A população e os comerciantes da cidade ajudaram. O monumento em homenagem as vítimas da seca também marcou os 90 anos de fundação da paróquia.

No início da semana o Ministério Público do Ceará, através do promotor de Justiça Geraldo Nunes Teixeira, firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a prefeitura de Senador Pompeu, justamente para restaurar os marcos históricos, culturais e religiosos da seca na cidade. O cruzeiro de metal vai entrar na lista.

O curioso é que dentre todas as edificações simbólicas do sofrimento dos flagelados da seca de 1932 apenas o cemitério das almas da barragem está boa condição de conservação, apesar das chuvas deste ano que inclusive danificaram parte da estrada por onde os fiéis seguem todos os anos em romaria até o campo santo.

Ainda não se sabe porque o cruzeiro caiu, mas o fato começou a causar discussão na cidade. Todos os marcos do flagelo da seca em Senador Pompeu estão danificados, exceto o campo santo das almas da barragem. Para uns mais um milagre do santo coletivo. Para outros o mistério sobre o cruzeiro continua, pelo menos  até surgir uma explicação lógica.

Veja mais no Diário do Nordeste 

Monumento homenageará vítimas da seca 

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité. Inclua entre os seus links favoritos. Participe do Diário Sertão Central através do WhatsApp 55 88 9 9970 5161

09:00 · 22.04.2017 / atualizado às 09:25 · 22.04.2017 por

O Casarão da Inspetoria, a Casa dos Engenheiros, as Casas dos Apontadores, o Hospital, a Estação Ferroviária, o Almoxarifado, a Casa de Pólvora, marcos do flagelo da seca de 1922, em Senador Pompeu, uma cidade sertaneja do Ceará ainda considerada pequena, com pouco mais de 20 mil habitantes, foram metaforicamente engulidos pela natureza.

Hospital construído para atendimento aos trabalhadores da construção do Açude Patu

As edificações foram erguidas no período da construção do Açude Patu, na década de 1920. Apesar de abandonadas ao longo dos anos, podiam ser visitadas por quem aprecia a história da seca. Hoje, apenas algumas, à beira da estrada de acesso a barragem podem ser vistas. As outras, foram parcialmente escondidas e até invadidas pelas folhagens verdes desta época do ano.

Hoje, apenas o almoxarifado e poucas casas da Vila dos Ingleses à beira da estrada podem ser vistas. Do restante, a mata nativa, da caatinga, se encarregou de cercar após revitalizar com as chuvas das quadras invernosas dos últimos anos. Apesar de abaixo da média histórica, foram 39,5 milímetros em janeiro, 176 mm em fevereiro e 147,4 mm em março. Neste mês de abril já choveu 131 mm. A água voltou a provocar a metamorfose sertaneja.

Mesmo assim, o Açude Patu, transformado no Campo de Concentração dos retirantes da seca, não acumulou muita água este ano. A última sangria ocorreu em julho de 2011. A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) passou a realizar o monitoramento, em 2004, quando em fevereiro daquele ano o Patu, com capacidade para 65 milhões de metros cúbicos, também sangrou.

Caso o confinamento dos flagelados ocorresse nos dias atuais a história seria outra, e por esse motivo, para preservar aquele período para muitos tenebroso, em memória dos milhares que ali sofreram e perpetua-lo como lição vergonhosa para a humanidade a atual gestão do Município assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no compromisso de restaurar e preservar o patrimônio histórico.

O TAC foi elaborado pelo promotor de Justiça do Juizado Especial de Senador Pompeu, Geraldo Nunes Teixeira. Representando a administração municipal o secretário de Cultura e Esportes, Célio Pinheiro, assinou o documento de compromisso dos serviços de restauro e preservação. Ambos reconhecem a importância histórica e cultural do sítio histórico da seca.

A inciativa é comemorada pelas pastorais e paróquia de Nossa Senhora das Dores, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro e outros personagens na luta pela preservação da história de Senador Pompeu como o advogado e historiador Valdecy Alves, autor da Ação Civil Pública encaminhada ao Ministério Público e o produtor Cultural Adriano Souza, ex-secretário de Cultura de Senador Pompeu.

Enquete
Qual a importância da preservação dos marcos do flagelo da seca de Senador Pompeu

Geraldo Nunes Teixeira
Promotor de Justiça

Quando conhecemos a história desse povo percebemos a importância e a riqueza desse acervo material e imaterial. Estamos dando o primeiro passo para garantir às futuras gerações o direito de conhece-la também“.

Célio Pinheiro
Secretário de Cultura e Esportes de Senador Pompeu

Quem é filho desta terra sabe da importância desses marcos para a história da seca. Desprezar e destruir essas provas é como apagar o nosso passado. Além desses aspetos a restauração e preservação fortalecerão a nossa economia através do turismo“.

Inspeção jornalística   

O Diário do Nordeste, que a quase duas décadas cobre a “Caminhada das Almas“, uma procissão realizada todos os anos pela igreja católica em homenagem às vítimas da seca, foi até o Campo de Concentração de Senador Pompeu, como o lugar passou a ser conhecido naqueles anos de seca severa por confinar milhares de flagelados sertanejos, muitos perdendo ali a batalha da vida contra a fome e a cólera.

As imagens mostram a atual situação do sítio histórico. O acesso a algumas edificações é difícil. Noutras nem foi possível chegar, mas onde havia acesso foi possível observar ações de vandalismo.

O Casarão da Inspetoria foi invadido pela vegetação nativa

O acesso a Casa dos Engenheiros é muito difícil com a mata fechada

Uma das Casas dos Apontadores, além de restar somente a fachada, foi encoberta pela vegetação

Veja a reportagem no Diário do Nordeste

Marcos da seca em Senador Pompeu serão preservados

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité. Inclua entre os seus links favoritos. Participe do Diário Sertão Central através do WhatsApp 55 88 9 9970 5161

13:00 · 19.04.2017 / atualizado às 12:55 · 19.04.2017 por

O povo indígena dos Kanindé, que vive nos municípios de Aratuba e Canindé, comemora nesta quarta-feira (19) o Dia do Índio. No Sítio Fernandes, uma comunidade dessa etnia indígena situada em Aratuba, formada por 140 famílias, hoje é dia de festa. “É Deus no céu, o índio na Terra. É Deus no céu, o índio na Terra. Quero ver quem pode mais. É Deus, no céu”, esse canto, ensinado de geração a geração, como principal arma de resistência, é entoado até o anoitecer. Através dele, e de outras manifestações os mais antigos ensinam às novas gerações a importância de se preservar a cultura e manter o orgulho de ter nascido índio”, explica José Maria Pereira dos Santos, o cacique Sotero.

Reconhecida como comunidade indígena desde 2003, das 140 famílias assentadas no Sítio Fernandes , uma área de 600 hectares, 98 se reconhecem como índios, o restante nega a descendência. A reserva indígena ainda não foi demarcada oficialmente e se constitui em uma das grandes pelejas dos índios de Aratuba. “Já fizeram de tudo para nos tirar daqui. Mas a terra é nossa e vamos resistir como fizeram os nossos avós”, disse o cacique, ressaltando que seu bisavô foi apanhado nos matos feito bicho, “a dente de cachorro”, e domesticado, catequizado,  pelos brancos. Como os Kanindés eram nômades, chegaram naquelas quebradas fugindo da seca de 1905.

Os Kanindé preservam a sua história no museu da comunidade indígena

Para o representante indígena, tão importante quanto resistir é preservar a cultura entre os descendentes. Hoje, os Kanindés de Aratuba mantêm os mesmos costumes dos antepassados: a alimentação a base do milho, feijão e caça, além da dança do toré nas datas festivas. A produção agrícola não é vendida. O que sobra da safra, é guardado para comer no verão. Quanto à caça, embora Aratuba esteja dentro da Área de Preservação Ambiental do Maciço de Baturité, a família aborígine ainda mantêm o costume. Mas, como ressalta o cacique, de forma ordenada.

“A gente mantém uma área, a Terra da Gia, que é uma área de reserva de nossas caças. Lá a gente tem o mocó, tamanduá, peba, camaleão, tejo, preá, entre outros animais que nos serve de alimentação. Porém a gente nunca mata de forma predatória”, afirma o cacique Sotero.

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité. Inclua entre os seus links favoritos. Participe do Diário Sertão Central através do WhatsApp 55 88 9 9970 5161

00:00 · 16.04.2017 / atualizado às 10:50 · 15.04.2017 por

O escritor Bruno Paulino e Mestre Piauí, Mestre da Cultura, são os representantes de Quixeramobim na XII Bienal Internacional do Livro, realizada até o dia 23 de abril no Centro de Eventos, em Fortaleza. O encontro cultural, que este ano homenageia Mestres da Cultura de todo o Estado, teve início oficial na última sexta-feira (14).

No primeiro dia da Bienal Bruno Paulino apresentou um dos seus livros, “A Menina da Chuva“, no espaço cultural Circo, voltado para a literatura infantil. Ele ainda foi o mediador da mesa redonda no projeto do “Bazar das Letras SESC”. Bruno é um dos membros da Academia Quixadaense de Letras (AQL).

No próximo sábado (22), véspera do encerramento da Bienal Bruno Paulino pretende lançar a sua mais recente obra literária, “Sertão: Poetas e Prosadores” de perfis literários de escritores sertanejos. O lançamento será no espaço Praça do Cordel.

Ontem (15) foi a vez do Mestre Piauí apresentar o seu Reisado, um dos mais antigos do Ceará, no auditório dos Mestres da Cultura. Ele também participou juntamente com outros Mestres da Cultura de uma mesa redonda sobre cultura. A mediação ficou por conta do teatrólogo Oswald Barroso.

Veja  mais no Diário do Nordeste

XII Bienal do Livro homenageia os Mestres da Cultura 

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité. Inclua entre os seus links favoritos. Participe do Diário Sertão Central através do WhatsApp 55 88 9 9970 5161

01:00 · 15.04.2017 / atualizado às 21:40 · 14.04.2017 por

Para quem gosta de apreciar a tradição cultural popular neste período santo para os católicos as dicas são o Sertão de Tradições neste sábado (15), na comunidade de Boa Água, no distrito de Cipó dos Anjos, na zona rural de Quixadá. A programação tem início marcado para as 19 horas, com leitura do testamento, malhação do Judas e apresentação de um grupo de Caretas considerado um dos mais antigos do Ceará. A festa se encerra com um jantar coletivo.

Mas em Senador Pompeu é onde ocorre a manifestação tradicional popular dos Caretas mais antiga da região. Este ano será a 75ª Festa dos Caretas de Engenheiro José Lopes, na comunidade rural que recebe o mesmo nome. Além do tradicional cortejo de Caretas, testamento e malhação de Judas, o projeto promove a apresentação de grupos da cultura popular tradicional, como reisados, danças folclóricas e forró pé de serra.

Na comunidade de Engenheiro José Lopes, em Senador Pompeu, minha terra natal, a Festa dos Caretas é uma das mais importantes nesse período e se constitui como patrimônio imaterial da cultura cearense. Daí a relevância do projeto, que visa à valorização e preservação dessa tradição”, explica o produtor cultural Adriano Souza, responsável pela organização do evento.

De acordo com a programação divulgada pela Secretaria de Cultura do Estado (Secut) também tem em Milhã a malhação do Judas, com julgamento e queimação e ainda a participação dos Caretas. A festa tem início previsto para as 20 horas na Praça da Matriz, no Centro da cidade.

Saiba Mais 

Os Caretas são personagens do folclore nordestino que usando máscaras de retalhos horripilantes percorrem as comunidades em busca de prendas que são postas no Círculo de Caretas, no sábado de Aleluia. Os moradores que participam da brincadeira tentam invadir o círculo para pegar as prendas, que são guardadas pelos caretas. Ao final é proferido o Testamento, e Judas é malhado e queimado.

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité. Inclua entre os seus links favoritos. Participe do Diário Sertão Central através do WhatsApp 55 88 9 9970 5161