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Categoria: Curiosidade


00:00 · 24.04.2017 / atualizado às 18:10 · 23.04.2017 por

O aposentado Raimundo Alves Nogueira é um exemplo de saúde e disposição. Na manhã do último domingo ele estava caminhando com o seu jumento à margem da CE-060, na localidade de Varjota, na zona rural de Quixadá, mas não era passeio. Afirmando ter nascido em 1926, portanto com 91 anos de idade, ele já havia percorrido uma légua, a procura de emprego.

Ele explicou que é viúvo, e para não se sentir solitário, prefere caminhar, acompanhado do seu amigo que carrega no lombo algumas bugigangas pessoais. “Tenho filhos. Eles me tratam muito bem, mas prefiro ficar no meu sertão, cuidando do meu terreninho“, justifica a distância da família que mora em Fortaleza.

Percebendo que seria o personagem de uma reportagem do Diário do Nordeste aproveitou a oportunidade para pedir um emprego. “Se tiver alguém que tenha uma propriedade para eu cuidar não tenho medo não“, e como qualificação profissional, além da lucidez de causar inveja, afirma que nunca consumiu bebida alcoólica, além de outras vantagens.

PEC da Previdência

Sobre a aposentadoria, seu Raimundo explicou que ainda pretende continuar dando “trabalho” ao Governo, pelo menos por mais uns 10 anos. Apesar de mal dar para pagar as despesas a merreca que recebe é um direito que foi conquistado com muito suor, de quem trabalhou desde criança na roça e levou alimentação à mesa de muita gente.

Quanto as mudanças na aposentadoria dos brasileiros o sertanejo disse com clareza ser um direito de qualquer um ter pelo menos um pouco de dignidade no fim da vida, mesmo que isso demore alguns anos. “Não tenho culpa se ainda estou forte e saudável“, ressaltou.

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09:00 · 22.04.2017 / atualizado às 09:25 · 22.04.2017 por

O Casarão da Inspetoria, a Casa dos Engenheiros, as Casas dos Apontadores, o Hospital, a Estação Ferroviária, o Almoxarifado, a Casa de Pólvora, marcos do flagelo da seca de 1922, em Senador Pompeu, uma cidade sertaneja do Ceará ainda considerada pequena, com pouco mais de 20 mil habitantes, foram metaforicamente engulidos pela natureza.

Hospital construído para atendimento aos trabalhadores da construção do Açude Patu

As edificações foram erguidas no período da construção do Açude Patu, na década de 1920. Apesar de abandonadas ao longo dos anos, podiam ser visitadas por quem aprecia a história da seca. Hoje, apenas algumas, à beira da estrada de acesso a barragem podem ser vistas. As outras, foram parcialmente escondidas e até invadidas pelas folhagens verdes desta época do ano.

Hoje, apenas o almoxarifado e poucas casas da Vila dos Ingleses à beira da estrada podem ser vistas. Do restante, a mata nativa, da caatinga, se encarregou de cercar após revitalizar com as chuvas das quadras invernosas dos últimos anos. Apesar de abaixo da média histórica, foram 39,5 milímetros em janeiro, 176 mm em fevereiro e 147,4 mm em março. Neste mês de abril já choveu 131 mm. A água voltou a provocar a metamorfose sertaneja.

Mesmo assim, o Açude Patu, transformado no Campo de Concentração dos retirantes da seca, não acumulou muita água este ano. A última sangria ocorreu em julho de 2011. A Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) passou a realizar o monitoramento, em 2004, quando em fevereiro daquele ano o Patu, com capacidade para 65 milhões de metros cúbicos, também sangrou.

Caso o confinamento dos flagelados ocorresse nos dias atuais a história seria outra, e por esse motivo, para preservar aquele período para muitos tenebroso, em memória dos milhares que ali sofreram e perpetua-lo como lição vergonhosa para a humanidade a atual gestão do Município assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) no compromisso de restaurar e preservar o patrimônio histórico.

O TAC foi elaborado pelo promotor de Justiça do Juizado Especial de Senador Pompeu, Geraldo Nunes Teixeira. Representando a administração municipal o secretário de Cultura e Esportes, Célio Pinheiro, assinou o documento de compromisso dos serviços de restauro e preservação. Ambos reconhecem a importância histórica e cultural do sítio histórico da seca.

A inciativa é comemorada pelas pastorais e paróquia de Nossa Senhora das Dores, o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro e outros personagens na luta pela preservação da história de Senador Pompeu como o advogado e historiador Valdecy Alves, autor da Ação Civil Pública encaminhada ao Ministério Público e o produtor Cultural Adriano Souza, ex-secretário de Cultura de Senador Pompeu.

Enquete
Qual a importância da preservação dos marcos do flagelo da seca de Senador Pompeu

Geraldo Nunes Teixeira
Promotor de Justiça

Quando conhecemos a história desse povo percebemos a importância e a riqueza desse acervo material e imaterial. Estamos dando o primeiro passo para garantir às futuras gerações o direito de conhece-la também“.

Célio Pinheiro
Secretário de Cultura e Esportes de Senador Pompeu

Quem é filho desta terra sabe da importância desses marcos para a história da seca. Desprezar e destruir essas provas é como apagar o nosso passado. Além desses aspetos a restauração e preservação fortalecerão a nossa economia através do turismo“.

Inspeção jornalística   

O Diário do Nordeste, que a quase duas décadas cobre a “Caminhada das Almas“, uma procissão realizada todos os anos pela igreja católica em homenagem às vítimas da seca, foi até o Campo de Concentração de Senador Pompeu, como o lugar passou a ser conhecido naqueles anos de seca severa por confinar milhares de flagelados sertanejos, muitos perdendo ali a batalha da vida contra a fome e a cólera.

As imagens mostram a atual situação do sítio histórico. O acesso a algumas edificações é difícil. Noutras nem foi possível chegar, mas onde havia acesso foi possível observar ações de vandalismo.

O Casarão da Inspetoria foi invadido pela vegetação nativa

O acesso a Casa dos Engenheiros é muito difícil com a mata fechada

Uma das Casas dos Apontadores, além de restar somente a fachada, foi encoberta pela vegetação

Veja a reportagem no Diário do Nordeste

Marcos da seca em Senador Pompeu serão preservados

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10:30 · 26.03.2017 / atualizado às 16:29 · 26.03.2017 por

Três montanhistas de Quixadá, Kido Aranha, Lutero Rômulo e Fael Lima percorreram neste sábado (25) a trilha “Raio que o parta“, fundada por eles em referência a descarga elétrica atmosférica que atingiu um monólito na última quinta-feira (23), registrada em vídeo pelo empresário Marcos Franklin.

Além de fundarem mais uma trilha ecológica interessante no Vale dos Monólitos, no entorno do Açude Cedro, eles também pretendiam identificar o exato ponto onde o raio caiu, conforme imagens divulgadas no Diário do Nordeste. Como o raio se espalhou pelas fendas da rocha, o efeito visual casou a sensação de ter causado as rachaduras, daí o título sugestivo.

Conforme Lutero Rômulo a equipe levou 6 horas para percorrer todo o trajeto. No caminho encontraram um ninho de coruja, uma cobra cipó e uma visão privilegiada da Pedra da Agulha, mas quando se aproximavam do local exato da descarga o tempo começou a fechar novamente e por precaução resolveram retornar.

Apesar do mito de que um raio nunca cai no mesmo lugar duas vezes o grupo resolveu não arriscar e retornar. Eles acabaram encontrando uma trilha formada por moradores daquela localidade e conseguiram chegar ao solo em segurança. “Logo depois começou a neblinar“, acrescentou Lutero Rômulo.

Eles não conseguiram chegar ao local exato da descarga. Por esse motivo pretendem retornar ao cume do monólito. A data ainda não foi marcada. O poliatleta Kido Aranha está planejando a instalação de equipamentos para que pessoas menos experientes também possam percorrer a nova tilha, “Raio que o parta”.

Fotos > Lutero Rômulo / Kido Aranha – Trilha Raio que o parta

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08:00 · 25.03.2017 / atualizado às 17:20 · 25.03.2017 por

Um dia após o vídeo da descarga de um raio atingindo um monólito na cidade de Quixadá viralizar nas redes sociais, o empresário Marcos Franklin (foto) assumiu a autoria das imagens. Logo após receber o material audiovisual, a reportagem do Diário do Nordeste esteve no local. Uma pessoa informou que o vídeo teria sido feito por um dos operários que estava trabalhando numa obra, no campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), próximo ao Açude Cedro.

Diante do sucesso do vídeo, com mais 25 mil visualizações no Diário do Nordeste até esta sexta-feira (24), o verdadeiro autor resolveu se identificar. Ele é o chefe dos operários que se assustaram quando o raio atingiu o monólito ao lado do campus da UFC. Marcos Franklin confessou que o registro foi acidental. Naquele momento, ele estava gravando o andamento da obra de pavimentação do estacionamento externo do campus.

No local, foi constatado que o raio atingiu a antena parabólica de uma residência situada ao lado da formação rochosa – peculiar na região. A dona da casa, Adriana Pinto, informou ainda que a descarga atmosférica danificou o seu televisor. No momento exato do estrondo, às 16h18, ela e a família correram para fora do imóvel.

Essa também foi a reação dos alunos da UFC, quando viram o clarão e ouviram o barulho do trovão e de um grupo de crianças que jogava futebol ao lado da rocha. Para muitos, foi um milagre o raio não lhes ter atingido.

Conforme o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), a carga de um raio tem velocidade média de cerca de 100 Km/s. O potencial elétrico médio é de 100 milhões de volts.

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15:30 · 11.03.2017 / atualizado às 15:40 · 11.03.2017 por

Dois criadores de caprinos estão comemorando um feito raro. Uma cabra deles, da raça Boer, pariu quatro filhotes de uma única vez. O feito ocorreu esta semana em Quixadá, no Centro do Estado. O município é conhecido como uma potencialidade na área da ovinocaprinocultura. Eles, pai e filho, só não imaginavam a possibilidade de acontecer a gestação em confinamento, como eles criam caprinos e suínos.

Everardo Sabino, 41 anos, e Elvis Freire, 22, não revelam o local onde os animais são criados. A cabra deles, de pura origem, foi adquirida por R$ 3.500,00. O investimento vale a pena. Cruzados com espécies mais rústicas, melhoram e e reduzem o tempo da engorda, a resistência e até a massa do animal, gerando mais lucro. Em breve os quatro cabritos serão comercializados, a bom preço, confessam satisfeitos.

A cabra deles foi adquirida de um dos maiores criadores especializados nessa raça no Nordeste, o pecuarista José Auri Gonçalves de Almeida. Ele reconhece o feito como raro. O último na região, ocorreu na sua fazenda, Eulália, exatamente a 10 anos. “É uma demonstração do potencial desse animal, responsável pelo melhoramento genético de muitos rebanhos caprinos“, ressaltou.

Na periferia de Quixadá a reportagem do Diário do Nordeste flagrou algumas cabras um um dos monólitos da cidade, nas proximidade do bairro Renascer. Os animais estavam a mais de 10 metros de altura do chão. Para os criadores, trata-se de um comportamento normal. Segundo eles, os caprinos criados na região são resistentes as adversidades e se adaptam a qualquer região.

Veja também no Diário do Nordeste o DOC especial sobre Pesquisa realizada na Unifor pretende melhorar o leite das cabras e outras reportagens sobre a pecuária no Ceará.

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