Categoria: História


08:00 · 04.10.2019 / atualizado às 08:25 · 04.10.2019 por
O conjunto geográfico e arquitetônico do Açude Cedro, em Quixadá, é considerado um dos mais belos do mundo. Foto > Alex Pimentel

O Açude Cedro, segundo historiadores, foi a primeira obra pública de armazenamento hídrico em barragem construída no Brasil. A ordem partiu do imperador D. Pedro II, mas foi iniciada somente em 15 de novembro de 1890, e concluída em 1906, nos primeiros governos da República. Além da sua importância histórica, seus traços arquitetônicos e conjunto geográfico receberam do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1984, o reconhecimento oficial como patrimônio nacional.

Tantos predicados levaram o Açude Cedro à indicação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) na Lista Indicativa Brasileira do Patrimônio Mundial, em 2015, mas também demonstram a necessidade de preservação desse acervo, atualmente pertencente ao Departamento Nacional de Obras Conta a Seca (Dnocs). Em razão da situação de abandono, que não foge aos olhos de quem se preocupa com a principal atração turística de Quixadá, precisa ser restaurado com urgência.

Nesta sexta-feira (4), a partir das 9h, os juízes federais da 23ª Vara – Quixadá, Ricardo Arruda e Gabriela Fontenelle, juntamente com o procurador da República Alexandre Forte e o diretor do Dnocs, Angelo Guerra, estão reunidos no auditório do Tribunal de Justiça Federal no Ceará, em Fortaleza, para discutirem com a sociedade e lideranças políticas e de instituições públicas, o plano de revitalização de conservação do conjunto arquitetônico do Açude Cedro.

No seminário, o arquiteto Romeu Duarte Junior deverá apresentar o Termo de Referência do projeto de revitalização do Açude. O secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur Bruno, o prefeito de Quixadá, Ilário Marques e o deputado federal Domingos Neto, atual líder de bancada junto ao governo Federal, foram convidados.

Nos planos de restauro do Açude Cedro estão previstos a transformação dos armazéns abandonados no Museu das Águas.
A reposição dos balaústres na passarela da barragem, quebrados há mais de dois anos está entre as primeiras ações.

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19:00 · 26.08.2019 / atualizado às 05:35 · 27.08.2019 por
Uma das igrejas mais antigas do Ceará, de Nossa Senhora da Conceição, erguida na Barra do Sitiá, em Banabuiú, vai comemorar seus 300 anos. Fotos > Avelino Neto

A Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Banabuiú, deu início aos preparativos para as comemorações dos 300 anos da igreja do distrito de Barra do Sitiá. No último domingo (25) uma comissão composta por moradores da região, foi formada para iniciar uma série de ações.

Entre as iniciativas elencadas, há a proposta de produção de um minilivro, que conte a história do monumento religioso, a produção de um documentário e uma missa, que será celebrada no dia 8 de dezembro, com a presença do bispo da Diocese de Quixadá, Dom Ângelo Pingnolli.

O padre Francisco Cleides, pároco de Banabuiú, conduziu a reunião. Cerca de 20 moradores fazem parte da equipe responsável pela organização dos festejos da igreja, que tem como sua padroeira Nossa Senhora do Carmo. Embora a missa que marque os 300 anos da igreja esteja marcada apenas para o fim do ano, até lá a comunidade prepara a realização de eventos e movimentos pastorais, como parte das comemorações pela data.

Reunidos, moradores planejam com o pároco Francisco Cleides a programação especial tricentenária da igreja católica da Barra do Sitiá. 

Entre os planos da comissão está a confecção de um livro. Sua produção se dará a partir de relatos de moradores e figuras que tenham participado, direta ou indiretamente do movimento histórico da construção da igreja. A comunidade ainda deve decidir, junto à Paróquia de Banabuiú, se o livro deve ser vendido ou distribuído. Até lá, nomes de pessoas envolvidas no processo, serão levantados pelos moradores mais antigos da Barra do Sitiá. Além disso, outros eventos, como pequenas celebrações em cada um dos distritos e comunidades circunvizinhas, também estão sendo preparados como parte integrante do roteiro festivo da igreja.

Ainda preservando traços de sua origem, a igreja possui elementos arquitetônicos que remetem ao barroco, período da história da arte que se tornou comum em igrejas, centros religiosos e demais construções históricas voltadas para a manifestação da fé.

Atualmente a igreja começou um processo de restauração, a partir da pintura. Novos bancos já foram fabricados e devem em breve ser entregues. A celebração pelos 300 anos da entrega do monumento católico é aguardado com expectativa pelos moradores da Barra do Sitiá.

Desde 1719, quando foi concluída, a igreja da Barra do Sitiá preserva suas características originais.

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12:30 · 21.07.2019 / atualizado às 12:35 · 21.07.2019 por
Diante de 600 convidados o prefeito de Senador Pompeu assinou o Termo e Tombamento do Sítio Histórico do Patu. Fotos > Divulgação

Agora é oficial, o conjunto arquitetônico histórico do Campo de Concentração criado em Senador Pompeu na seca de 1932 é patrimônio histórico do Município. O Termo de Tombamento foi assinado publicamente pelo prefeito Maurício Pinheiro Jucá, neste sábado (20), ao lado do antigo Casarão da Inspetoria.

> Campo de concentração é tombado na cidade de Senador Pompeu

A programação teve início às 7h, com missa de Ação de Graças, celebrada pelo bispo diocesano de Iguatu, dom Edson de Castro Homem e pelo pároco João Melo dos Reis.

O bispo de Iguatu, dom Edson de Castro Homem, presidiu a celebração de ação de graças.

Em seguida, o prefeito Maurício Pinheiro, o promotor de Justiça da Comarca local, Geraldo Nunes Teixeira e o advogado e o pesquisador Vadecy Alves, destacaram ao público a importância da concretização do tombamento para o Município e a história da seca para o Ceará e o mundo.

Completando a programação especial, foram realizadas visitas mediadas ao sítio histórico do Campo de Concentração do Patu, como o “curral humano” onde morreram milhares de flagelados ficou conhecido em uma das piores secas do Estado.

De acordo com os organizadores, a solenidade contou com a participação de 600 convidados.
O promotor de Justiça da Comarca local ressaltou a importância histórica e cultural do tombamento.
Representantes da sociedade prestigiaram a solenidade organizada e realizada pela prefeitura de Senador Pompeu.

A proposta de preservação foi apresentada por Valdecy Alves ao representante do Ministério Público Estadual na cidade, Geraldo Nunes Teixeira, contando com o imediato apoio do prefeito, designando uma equipe para agilizar o tombamento.

Promotores da cultura no Estado participaram diretamente no processo de tombamento do Sítio Histórico do Patu
Ganhando mais importância histórica, o Campo de Concentração receberá mais visitas, guiadas por mediadores habilitados.

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21:30 · 04.07.2019 / atualizado às 21:35 · 04.07.2019 por
Situado a pouco mais de 5 km do Centro de Senador Pompeu o conjunto arquitetônico do Campo de Concentração do Patu será tombado como patrimônio histórico municipal. Fotos > Alex Pimentel

Comemorado por historiadores, pesquisadores e representantes da cultura sertaneja, o tombamento do Campo de Concentração do Patu, um sítio arquitetônico histórico existente no entorno do Açude Patu, em Senador Pompeu, é resultado de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Ceará (MPCE) e a prefeitura deste Município do Sertão Central cearente.

De acordo com o promotor de Justiça da Comarca local, Geraldo Nunes Teixeira, em 2017 , o MPCE realizou um inquérito civil público e um relatório técnico para avaliar a situação do patrimônio arquitetônico histórico. “Na ocasião, foi concluído que o tombamento da construção é benéfico para a defesa da cultura e da história cearenses. Dessa maneira, o conjunto arquitetônico será o primeiro campo de concentração sertanejo a ser tombado no Ceará“, explicou.

Ciente da importância histórica, cultural e econômica para a sua terra natal, o atual prefeito de Senador Pompeu, Maurício Pinheiro, informou que não mediu esforços para agilizar o processo de tombamento do sítio arquitetônico. “Além da preservação da maior riqueza do Município, o sítio atrairá turistas de todo o Brasil e de outros países à nossa terra. Unir preservação e desenvolvimento é o sonho de todo gestor“, destacou.

O equipamento é composto pela barragem do Açude Patu, o cemitério das “almas da barragem”, como os mortos confinados naquele local passaram a ser lembrados e reverenciados com um santo coletivo e ainda a Vila dos Ingleses, onde está situada a maioria das edificações do conjunto arquitetônico histórico. Tudo será restaurado e transformado em um centro turístico da região. Essa é a ideia do perfeito.

O Açude Patu, que hoje abastece a cidade de Senador Pompeu, foi transformado em um campo de confinamento de retirantes da seca de 1932.

Diante da repercussão positiva da conclusão dos estudos e do anuncio do tombamento do Campo de Concentração do Patu, a administração municipal está organizando uma nova data para a solenidade oficial, a princípio planejada para o dia 20 próximo. Além do titular da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), Fabiano Piúba,o governador do Estado, Camilo Santana, também deverá participar. O prefeito e o promotor de Justiça serão aos anfitriões.

Conforme relatório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a área de 16 hectares do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs) foi utilizada para instalação de um campo de concentração em 1932. Na época, os retirantes sertanejos seguiam para Fortaleza, fugindo da seca, mas ficaram retidos ali. O objetivo era evitar a invasão da capital cearense. O confinamento se transformou em uma tragédia, com milhares de mortos, a maioria por doenças.

Todos os anos, desde 1984, no segundo domingo de novembro, devotos das almas da barragem participam da “Caminhada da Seca”, até o cemitério o lado do Açude Patu.

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08:00 · 01.07.2019 / atualizado às 22:55 · 30.06.2019 por
Jovens de Quixadá idealizaram o projeto Nessa Tarde Não Me Deixes  e promovem a visitação à fazenda de Rachel de Queiroz nos fins de semana. Fotos > Alex Pimentel

Um convite a sentar na varanda do casario erguido nos idos de 1955 e relembrar histórias contadas e escritas pela sua moradora mais ilustre, Rachel de Queiroz, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras. Ela faleceu em 4 de novembro de 2003, mas o seu recanto predileto, a fazenda Não Me Deixes, continua de portas e janelas abertas aos visitantes. A propriedade rural da escritora fica localizada no distrito de Daniel de Queiroz, a 30 quilômetros do Centro de Quixadá.

Da varanda da casa da fazenda é possível ver o chalé onde Rachel de Queiroz escreveu algumas das suas obras.
Mantendo um desejo da escritora, as portas e janelas do casario da Fazenda Não Me Deixes estão sempre abertas.
A casa da fazenda foi projetada e construída por Rachel de Queiroz e pelo marido, o médico Oyama de Macêdo.
Rodeadas de árvores, o casario e o chalé da Não Me Deixes recebem visitas nos fins de semana.

Os pássaros, a flora, a vida rural, a familiaridade com o lugar de aconchego renderam a Rachel de Queiroz inspiração para suas obras literárias“, conta o promotor cultural Edelson Santos. Apaixonado pela história da escritora, ao ponto de se tornar guardião do seu Memorial – espaço instalado no Chalé da Pedra, na Praça da Cultura, na cidade – ele conta esses detalhes, também promove o projeto cultural Nessa Tarde Não Me Deixes. Nele, os visitantes conhecem curiosidades no Memorial e na fazenda, e a história da ilustre literata.

A casa construída com o auxílio do marido, o médico Oyama de Macedo, e o chalé, aos fundos, eram o xodó da escritora, considerado um dos mais belos recantos do sertão. O lugar parece ter adormecido no tempo a aguardar o seu retorno, mas quem costuma aparecer são os turistas, de todos os lugares“, explica o mediador das visitas, Daniel Mota, 21 anos.

A casa da fazenda foi construída nos idos de 1955, e apesar do excelente estado de conservação mantém suas características originais.
Nos fundos do casario foi construído o chalé onde a escritora costumava se concentrar no acabamento das suas obras literárias.
A natureza, os pássaros, eram algumas das principais fontes de inspiração da escritora. Por esses motivos transformou parte da fazenda em reserva natural.
Nesta época do ano, início do período de estiagem no sertão cearense, ainda é possível ver a flora esverdeada. Foi iniciativa da escritora de transformar parte da fazenda em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

A área total deste lugar é 928 hectares. Apaixonada pelos bichos e pela natureza, ela tratou de transformar a Não Me Deixes em uma reserva particular do patrimônio natural. São 300 hectares de caatinga arbórea e arbustiva, a primeira do Ceará, criada em 5 de novembro de 1988, um dia após a comemoração do seu aniversário. Orgulhosa, esse era um dos seus maiores tesouros, tão valioso quanto ver as aves, livres, fazendo festa no céu e nas árvore da fazenda”, acrescenta o mediador.

Quem hoje cuida do lugar, confirma: são constantes os agendamentos de visitas, principalmente de grupos de estudantes. Não há quem não fique surpreso. Eles se deparam com a mobília e todos os apetrechos caseiros cuidadosamente preservados e mantidos nos lugares há décadas, desde a morte dela. As cantareiras com potes de barro, o fogão de lenha, a mobília artesanal, tudo pode ser tocado e fotografado. “Esse era um dos desejos dela, sempre disposta a uma boa conversa”, ressalta o caseiro Aldemir Silva, 37 anos.

A biblioteca da fazenda era um dos locais prediletos da escritora. É mantida como ela gostava. 
A maior parte da mobília da casa, artesanal, como a sala de estar, foi confeccionada com materiais retirados da própria fazenda. 
Quando estava na fazenda Rachel de Queiroz gostava de ir à cozinha temperar o almoço para os visitantes.
Por todos os cantos da casa é possível ver a mobília simples, preservando os costumes do sertão.

Apesar de em 1930 a seca do O quinze, uma das principais publicações da anfitriã ter retratado a cruel saga nordestina, da fuga da fome e da sede, hoje o lugar é comparado a um paraíso perdido, preservado, digno das páginas de qualquer autor com sensibilidade para perceber que a memória não morre e nem envelhece como uma moldura desse passado sofrido pendurada na parede.

Agendamento de visitas

Para conhecer essas histórias é preciso agendar o passeio com a equipe do projeto cultural. O passaporte custa R$ 100,00 para ônibus, com no máximo 50 pessoas; R$ 75,00 para micro-ônibus e R$ 25,00 para veículos menores.

Os telefones para contato são (88) 9 9980 8276 e (88) 88 9 9726  5144. O resto dos detalhes eles contam, afinal, é muita história para contar e relembrar.

Curiosidades da Não Me Deixes

O nome da fazenda surgiu de um fato curioso. Em 1870 o fazendeiro Arcelino de Queiroz, tio-avô de Rachel de Queiroz deu a terra para um primo da escritora. Contrariando o gosto do doador ele a vendeu para arriscar a sorte na extração de borracha, no Amazonas. O tio soube, recuperou a propriedade e quando o sobrinho retornou, doente e pobre, lhe doou novamente, dessa vez prometendo não abandonar mais o lugar e ainda o batizando de “Não Me Deixes”. Nunca mais foi embora. Como ele não teve filhos, a terra voltou às mãos do avô. Pouco tempo depois presenteou ao pai da escritora.

O marechal cearense Humberto Castello Branco, presidente do Brasil na época da ditadura militar um dos articuladores do golpe militar de 1964, se tornou um grande amigo da escritora. Ele morreu em um desastre de avião, em 18 de julho de 1967, quando retornava de Quixadá para Fortaleza. Ele havia acabado de sair da fazenda Não Me deixes, onde havia pernoitado. Rachel de Queiroz viajaria com ele, mas desistiu.

Apesar de se tornar Imortal da ABL, a escritora não acreditava em Deus nem na imortalidade da alma.

Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza, em 17 de novembro de 1910 e morreu aos 4 de novembro de 2003, no Rio de Janeiro, com 92 anos.

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12:30 · 11.05.2019 / atualizado às 12:50 · 11.05.2019 por
Moradores de Quixadá relembram a última vez que o Açude Cedro sangrou, em 11 de maio de 1989. Foto > Divulgação

Moradores de Quixadá relembram neste sábado, 11 de maio de 2019 uma data histórica para o Açude Cedro, o mais antigo do País. Ainda estava amanhecendo quando há 30 anos a notícia começou a se espelhar pela cidade: O Cedro sangrou ! O Cedro sangrou !

Foram moradores, alguns ainda crianças naquela época, que recordaram a data. O agricultor José Wilson dos Santos é um deles. Tinha seis anos. Na época ele morava na localidade de Riacho Verde, distante cerca de 5km da barragem. Foi à pé com o pai. Se depararam com uma multidão fazendo festa.

Apesar de ser uma quinta-feira, a cidade praticamente parou. Muitos abandonaram o trabalho e correram para o sangradouro do açude. Outros, preferiram conferir a novidade da passarela da barragem construída em forma de arco.

Sangrias

Dois anos antes, em 1986, o Açude Cedro havia sangrado, A primeira vez foi registrada em 1924, 18 anos após a conclusão da obra. No ano seguinte, 1925, sangrou novamente, e por outros dois anos consecutivos, 1974 e 1975. Após 1986, o ano de 1989 foi a ultima vez, relatam historiadores.

Volume atual

Atualmente, o Açude Cedro, com capacidade para 126 milhões de metros cúbicos, armazena apenas 1,64% de água, segundo dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). O maior volume de água acumulado deste o início do monitoramento, em 2004, foi de 44 milhões de m³, o equivalente a 35%.

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08:30 · 15.03.2019 / atualizado às 08:50 · 15.03.2019 por
Mais de 700 alunos de 10 escolas abordaram a história de Antônio Conselheiro em desfile temático realizado pelo terceiro ano.

Dois dias após o desfile temático comemorativo do aniversário de nascimento de Antônio Conselheiro, em Quixeramobim, os comentários continuam nas unidades de ensino da cidade. Os temas apresentados pelas 10 escolas que participaram da marcha ainda são discutidos entre estudantes e professores. Após três anos com a mobilização estudantil nas ruas incluída na programação do Conselheiro Vivo, o movimento em memória do mártir da Guerra de Canudos, na Bahia, demonstra seu fortalecimento e o reconhecimento como herói sertanejo.

Inimigo para as tropas da República; salvador messiânico para nordestinos retirantes da seca. Quando nasceu há 183 anos Antônio Conselheiro não imaginava tornar-se um líder religioso e menos ainda um herói, de enfrentar com seus seguidores um exército inteiro utilizando foices, enxadas e facões. Era a força do beato, o Conselheiro transformando o sertão, na sua peregrinação pelo agreste do Ceará, Sergipe e Bahia. Até morrer e ser esquartejado no Arraial de Canudos, em 22 de setembro de 1897.

Essa história continua viva na sua terra natal, Quixeramobim; desde 2002 se renova todo ano. Demorou um tempo, mas de fanático e perigoso o reparo histórico foi feito pela insistência de historiadores e professores, nas escolas, nas comunidades e também nas ruas, surgindo o primeiro herói nordestino. Mais uma vez foram levadas às ruas. Segundo os organizadores mais de 700 alunos e dezenas de professores desfilaram. Era feriado de Conselheiro no Município, o tempo estava para chuva, mesmo assim, orgulhosos, faziam questão de participar.

Uma a uma as escolas Maria Vidal Pimenta Lima, Coronel Virgílio Tavora, Doutor Joaquim Fernandes, José Maria Barbosa, Padre José Van Esch, Álvaro de Araújo Carneiro, Manoel Martins de Almeida, Zila Zilda Carneiro, Agrícola Leorne Belém e Doutor José Alves Silveira abordaram o tema do desfile deste ano:  Luta, Fé e Resistência no Sertão. Cada escola tinha o seu Conselheiro, admirado e saudado pelos seus novos seguidores.

Essa transformação começou com a criação do movimento Conselheiro Vivo, idealizado e desenvolvido há mais de uma década pelo Instituto do Patrimônio Histórico Cultural e Natural de Quixeramobim (Iphanaq), informou o presidente dessa entidade, Elistênio Alves. “Trata-se de uma mobilização de muitas mãos“, acrescentou se referindo a participação da prefeitura de Quixeramobim, Secretaria de Educação do Município, Câmara Municipal, a ONG Iphanaq, Sesc Ler e a Academia Quixeramobinense de Letras (Aquiletras).

Conselheiro Vivo

A programação especial começou na sexta-feira passada, com um cortejo cultural pela cidade. Houve lançamento de livros, palestras temáticas, entrega de comendas, apresentações de alunos da rede municipal, exibição de filmes, palestras, uma delas apresentada por um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores, o líder político Eduardo Suplicy, e a Cavalgada para o Renascer de Canudos .

Na véspera de aniversário do herói do Arraial de Canudos, às 16h, na sessão solene na Câmara de Vereadores, estava programada a entrega da comenda Antônio Conselheiro, aferida aos indicados pelos representantes do poder legislativo local. Os homenageados são padre Alberto, Conselheirista e Catingueiro dos sertões de Canudos – Bahia; Pingo de Fortaleza, pesquisador, cantor e compositor com o tema Conselheiro e Guerra de Canudos e Danilo Patrício, escritor, pesquisador e doutor em História – UFMG.

No encerramento do desfile temático, acompanhado pela secretária municipal de Educação, Giselle Patrício, pelo representante da Câmara de Vereadores, Everardo Júnior, a deputada federal Luizianne Lins, convidada para o momento comemorativo, recebeu o título de cidadã de Quixeramobim. Ela exaltou a importância histórica e social da mobilização realizada na cidade. “Ainda existem muitos Conselheiros no nosso nordeste. Lula livre !“.

No encerramento do desfile temático a deputada Luizianne Lins recebeu o título de cidadã de Quixeramobim.

O Conselheiro

Antônio Vicente Mendes Maciel é o verdadeiro nome do beato Antônio Conselheiro. Com seu carisma e pregações messiânicas, atraiu milhares de seguidores, unidos na crença numa salvação milagrosa que os pouparia dos flagelos do clima e da exclusão econômica e social. Os grandes fazendeiros da região, unindo-se à Igreja, iniciaram um forte grupo de pressão junto à República recém-instaurada, pedindo providências contra o líder e sua comunidade. Criaram-se rumores de que Canudos se armava para atacar cidades vizinhas e partir em direção à Capital para depor o governo republicano e reinstalar a Monarquia. Houve então a guerra. Para justificar o genocídio praticado pelas investidas do exército, a imprensa dos primeiros anos da República e historiadores retrataram Conselheiro como um louco, fanático religioso e contrarrevolucionário monarquista perigoso.

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00:00 · 08.03.2019 / atualizado às 21:14 · 07.03.2019 por
Cortejo especial abre a programação do Conselheiro Vivo, em homenagem ao aniversário de nascimento do beato Antônio Conselheiro.

Um cortejo especial, com a participação de estudantes e professores de escolas rurais, abre na manhã desta sexta-feira (8) a programação em homenagem ao aniversário de nascimento de Antônio Vicente Mendes Maciel, o beato Antônio Conselheiro, mártir da Guerra de Canudos, travada no sertão da Bahia com as tropas da República. O aniversário dos 189 anos do Conselheiro é dia 13 de março. Até lá o público poderá reviver sua história.

Este ano o evento contará com lançamento de livros, palestras temáticas, entrega de comendas, apresentações de alunos da rede municipal, cavalgada, apresentações culturais e ainda visita de uma comitiva de Canudos (BA) a Quixeramobim.

De acordo com os organizadores serão seis dias de programação. Será a segunda edição do Conselheiro Vivo, evento realizado pela prefeitura de Quixeramobim, Câmara Municipal, a ONG Iphanaq, Sesc Ler e Academia Quixeramobinense de Letras (Aquiletras).

Ainda nesta sexta, a partir das 14h, o Cineclube Iphanaq vai exibir o documentário Sobreviventes: Filhos da Guerra de Canudos na Escola Municipal João Carneiro, na localidade de Canafístula. À noite, as 19h, no auditório do Sindicato dos Servidores Públicos de Quixeramobim, está programada uma Roda de conversa com professor Dr. Paulo Emílio Martins Matos, da UFF- RJ e Flávio Aderaldo, diretor da editora Hucitec.

Amanhã (9) será a vez das apresentações culturais de escolas do Município com temáticas voltadas para a história de  Canudos e de Antônio Conselheiro. O público poderá assistir a partir das 8h no ginásio poliesportivo do Sesc Quixeramobim. À tarde, 16h, será a vez dos poetas e escritores Dércio Braúna, Maílson Furtado, Renato Pessoa, Alan Mendonça e Bruno Paulino, realizarem o lançamento de livros no Bazar das Letras, no auditório da UNIQ.

No início da noite, às 18 horas, também no auditório da UNIQ, o professor Dr Paulo Emílio, da Fundação Getúlio Vargas lança o livro “A reinvenção do Sertão: A estratégia organizacional de Canudos” e participa de roda de conversa tendo como mediador o historiador Danilo Patrício. Logo depois, o ex-senador Eduardo Suplicy fecha a noitada literária com o tema “O desenvolvimento sustentável da cidade. Às 22h a banda Coletivo Conselheiro encerra a programação do dia, com apresentação na Praça do Bar do Brasil.

A programação do domingo (10) começa às 8h, com a Cavalgada para o Renascer de Canudos. A concentração ocorre na Praça da Estação. Segue até ao Assentamento Quinin, onde o público poderá participar da Roda de Conversa sobre o Museu Orgânico do Vaqueiro, seguido da apresentações musicais do Sesc Sonoridades e as 15h uma comitiva especial de Canudos (BA) será recepcionada na Praça do Bar do Brasil e as 19 participam de missa na Igreja Matriz de Santo Antônio.

Na segunda-feira (11) haverá contação de histórias e pesquisas na Biblioteca Sesc Antônio Conselheiro das 8h às 17h.Pela manhã, às 8h30, na Escola de Ensino Médio Humberto Bezerra haverá a palestra: Relatório da Expedição Pedro Wilson à Canudos, apresentada pelo professor Maninho do Baturité. Às 9h30min, exibição de vídeos com mediação de Débora Souza dos Santos, de Canudos, na Escola Agrícola Deputado Leorne Belém. No mesmo horário, na Escola Profissional José Alves da Silveiraa palestra: Entre euclidianos e conselheirista: Canudos resiste!, com o historiador e guia turístico de Canudos,João Batista Lima.

Véspera de aniversário do herói do Arraial de Canudos, dia 12, às 16h, haverá sessão solene na Câmara de Vereadores, para entrega da comenda Antônio Conselheiro, aferida aos indicados pelos representantes do poder legislativo local. Os homenageados serão padre Alberto, Conselheirista e Catingueiro dos sertões de Canudos – Bahia; Pingo de Fortaleza, pesquisador, cantor e compositor com o tema Conselheiro e Guerra de Canudos e Danilo Patrício, escritor, pesquisador e doutor em História- UFMG.

Na ocasião a deputada federal Luiziane Lins (PT) será agraciada com o título de Cidadã de Quixeramobim, em reconhecimento ao título que a mesma conferiu no ano de 2018 a Antônio Conselheiro, de “Cidadão Herói da Pátria”.

Desfile comemorativo

A programação do Conselheiro Vivo se encerra na tarde da quarta-feira (13), a partir das 16h, com o desfile temático
“Luta, Fé e Resistência no Sertão”.

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08:00 · 10.11.2018 / atualizado às 08:05 · 10.11.2018 por
Mais de 10 mil são esperados para reverenciarem as almas da barragem em Senador Pompeu na manhã deste domingo.

Considerado o maior ato religioso social do martírio sertanejo no enfrentamento da estiagem, a Caminhada da Seca, pretende reunir este ano mais de 10 mil pessoas no tradicional cortejo até o cemitério das almas da barragem, ao lado do Açude Patu, em Senador Pompeu.

Na seca de 1932, a barragem, à época em construção, foi transformada em uma espécie de campo de concentração. Nele, milhares de flagelados, chegados do sul do Estado e de regiões vizinhas, ficaram confinados morreram de fome e doenças, relata a história.

Desde 1982, a partir de uma iniciativa do padre Alberto Donati, à época pároco na cidade, juntamente com o coletivo formado pela paróquia de Nossa Senhora das Dores e o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro (CDDH-AC), aquela tragédia histórica tem sido relembrada na manhã do segundo domingo de novembro. As Almas da Barragem passaram a receber devotos. Se tornaram um santo coletivo.

Às 4h da madrugada, nos últimos 35 anos, a multidão se reúne diante da igreja matriz, de onde parte até o cemitério da barragem. No caminho, de aproximadamente 7km, além de cultuarem as almas, relembram aqueles trágicos e vergonhosos momentos, e ressaltam a necessidade do constante desenvolvimento de políticas públicas de amparo ao sertanejo para o convívio com o fenômeno climatológico.

Desde 1982 a multidão se reúne em Senador Pompeu na manhã do segundo domingo de novembro na Caminhada da Seca.

Noitada Cultural

Este ano, com o apoio da Secretaria de Cultura de Senador Pompeu, a noitada cultural, de acolhida dos visitantes na pernoite para a Caminhada da Seca, passará a contar com a participação de escolas, com apresentações culturais, incluindo cordel e poesias.

O Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro vai exibir o curta-metragemReuso das águas cinzas“, seguido de apresentação do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Senador Pompeu.

A programação será aberta às 20h pelo padre João Melo, atual pároco, após a celebração da missa das 18h na igreja matriz. Ele também anunciará o tema da 36ª Caminhada da Seca este ano: Água, caminho da vida. Liberdade e bem viver.

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08:00 · 12.10.2018 / atualizado às 08:15 · 12.10.2018 por
Currais expõe a saga dos flagelados da seca nos campos de concentração no Ceará. Fotos > Marina Cavalcante

Após o sucesso do espetáculo “Currais” pelo Interior do Estado, com direito a apresentação especial no Cineteatro José de Alencar, na capital cearense, a Cia de Dança Rastro, de Quixadá, se prepara para levar a interpretação cultural da memória dos campos de concentração do Ceará a Portugal. Os 10 bailarinos sobem ao palco europeu no dia 17 de novembro. A Cia é mantida desde 2002 pela professora e bailarina Gerlídia Tavares.

Ela explica que “Currais” é uma viagem pela memória dos campos de concentração no Ceará. “É um grito ao silêncio declarado pelo Governo que, no inicio do século XX, com as secas, a fome e a miséria que assolava o nosso sertão, que naquela época criou campos cercados para confinar milhares de retirantes, impedindo que famintos seguissem à capital“. Através da dança e da música, o espetáculo busca retratar uma época de desprezo e negação de direitos.

Os textos são de Vernildo da Silva, tendo como referencia o livro “Migalhas do Sertão” de João Paulo Giovanazzi. A direção artística e coreografia é de Gerlídia Tavares e a assessoria de Érika Ursula, figurinos de Jenilson Fernandes, os bailarinos são Andreza Sousa, Beatriz Batista, Eduardo Ferreira, Evila Uiara, Flávio Bergson, Felipe Nobre, Ingrid Souza, Neyla Hellen, Vernildo da Silva e Yasmin Barbosa. Há ainda a participação do ator Ricardo Lima.

 

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