Busca

Categoria: História


10:48 · 16.12.2016 / atualizado às 13:42 · 16.12.2016 por
Secult promove encontros para pensar a criação do memorial (Foto: divulgação/Secult)
Secult promove encontros para pensar a criação do memorial (Foto: divulgação/Secult)

Quixadá. A Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) em parceria com o Observatório de Educação Patrimonial (OEPE), o Núcleo de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Mídias Interativas da UFG (MediaLab, UFG) e o Instituto Federal do Ceará Campus Quixadá realizam, nesta sexta-feira (16)  sábado (17) encontros para a criação do observatório Cego Aderaldo. De acordo com a organização, o observatório deve ser construído de forma coletiva, com um projeto de ação e gestão.

Os encontros desta sexta e sábado devem ser voltados para a discussão da formulação do memorial, com mesas redondas, discussões em torno de questões como preservação de acervo histórico e cultural, oficinas para o desenvolvimento dos projetos elaborados a partir das discussões em grupo e os critérios de mapeamento para a formação do memorial.

De acordo com a Secult, o Secretário da Cultura do Estado do Ceará, Fabiano dos Santos, estará presente nas primeiras reuniões que abrem as discussões do final de semana. Os encontros devem ser mediados pelo Coordenador de Patrimônio Histórico Cultural, Alênio Carlos Noronha Alencar. Os encontros acontecem na Fundação Cultural de Quixadá e no IFCE de Quixadá.

Ações formativas ocorrem deste o início da semana. De 12 a 15 de dezembro, foram ministrados seis cursos preparatórios, de 16 horas/aula com disponibilidade de 25 vagas, envolvendo um público composto de educadores, estudantes, agentes culturais e comunidades locais. De acordo com a Secult, as ações voltadas à formação foram formuladas buscando promover uma rede regional de pesquisas e intercâmbios entre agentes educativos, culturais e turísticos.

Para os idealizadores, a criação do Memorial deve possibilitar a experimentação do público no processo de produção do conhecimento em arte e cultura, através das múltiplas linguagens, e promove a investigação de temáticas presentes na região. Confira a programação aqui.

Quem foi Cego Aderaldo?
Referência da Cantoria Nordestina, o poeta popular e trovador, Aderaldo Ferreira de Araújo, conhecido como Cego Aderaldo, nasceu na cidade do Crato (CE), no dia 24 de junho de 1878, porém logo após o seu nascimento mudou-se para Quixadá (CE). Perdeu a visão aos 18 anos de idade, onde nesta época, trabalhava como maquinista na Estrada de Ferro de Baturité. Através de um sonho cantando em verso, descobriu seu dom para cantar e improvisar. Aprendeu a tocar viola e rabeca, e, após a morte de sua mãe, passou a andar pelo sertão cantando e recebendo por isso.

Cego Aderaldo: trovador e cantor, porem, cego (Foto: divulgação)
Cego Aderaldo: trovador e cantor famoso do CE (Foto: divulgação)

Ao longo de sua vida, rodou o sertão inúmeras vezes, sendo reconhecido em todo lugar. Ficou famoso pelas suas pelejas com os maiores cantadores de seu tempo, como a que se deu em 1914 com o maior cantador do Piauí, o Zé Pretinho. Este duelo ficou registrado no cordel “A peleja de Cego Aderaldo e Zé Pretinho”, de Firmino Teixeira do Amaral.

Cego Aderaldo cantou para muitas pessoas importantes. Quando já era um trovador famoso, foi recebido pelo Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, e pelo cangaceiro Lampião, que lhe deu um revólver seu, após um pedido feito em versos. Morreu em Fortaleza, aos 89 anos, em 29 de junho de 1967, e apesar de nunca ter sido casado, criou 24 meninos, adotando-os.

É considerado pelos críticos literários um dos mais famosos trovadores do Ceará. 2017 é um ano importante, pois se relembram os 50 anos de seu falecimento.

_________

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité.

Participe enviando a sua sugestão de notícia, vídeo ou foto através do WhatsApp 55 85 99931 3798, ou através do email: jornalismosertaocentral@gmail.com

16:49 · 09.12.2016 / atualizado às 16:49 · 09.12.2016 por
Valdecir Alves, nos campos de extermínio humano nazistas, na Polônia: pesquisa a fundo para conceber documentário (Foto: divulgação)
Valdecir Alves, nos campos de extermínio humano nazistas, na Polônia: pesquisa a fundo para conceber documentário (Foto: divulgação)

Senador Pompeu. O advogado Valdecir Alves, natural deste Município da região Central do Estado, lançou na última quinta-feira (8), no escritorio do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), na Capital, eu documentário: “Campos de concentração no Ceará: Auschwitz, ração, nazismo, escravidão”. O filme tenta mostrar que as mesmas técnicas usadas nos campos de extermínio nazista, em Auschwitz, são idênticos aos campos cearenses, que abrigavam cearenses.

Um dos principais motes para a produção do documentário é o relato de morte de retirantes que foram contratados para a construção do açude Patú, localizado em Senador Pompeu. Na época da seca entre 1915 e 1932, vários campos concentravam cearenses sofridos pela caótica situação que a seca fazia imperar no Estado. Eles não ficavam restritos ao Interior. Foram verificados nos municípios de Quixeramobim, Ipu, Senador Pompeu e Crato. Em Fortaleza, os sertanejos que fugiam das secas eram colocados em barracas de lona. Um deles ficava no Alagadiço, outro no Otávio Bonfim, além do instalado no Pirambu, chamado “Urubu”, por ficar perto de um lixão.

Casarões que abrigava flagelados, em Senador Pompeu, na seca de 1915 (Foto: arquivo/ Alex Pimentel)
Casarões que abrigava flagelados, em Senador Pompeu, na seca de 1915 (Foto: arquivo/ Alex Pimentel)

De acordo com o autor, as semelhanças entre Auschwitz e os arranjos cearenses são muitas, garante – desde as estruturas físicas, usando arame farpado, até a forma como as pessoas eram enterradas e tratadas. A comida era de segunda categoria, sobras das negociatas da “indústria da seca”, que tinha como política exterminar os flagelados ou colocá-los em guetos.

Para comprovar a hipótese que defende no documentário, o diretor visitou o campo de concentração de Auschwitz, na Polônia. A produção começou a ser realizada em 2010, levando seis anos para ser concluída, sendo custeada com recursos do autor. Valdecy não recorreu a editais, temendo controle ideológico, por isso preferiu enveredar para o campo da produção independente.  De maneira realista e em tom de denúncia, o autor promete trazer à tona memórias de uma realidade cuja história oficial faz questão de não registrar – para ele, foi o mesmo que aconteceu com Canudos e o Caldeirão.

Os detalhes sobre a produção do documentário de Valdecir Alves foram destaque no Caderno 3, na edição impressa do Diário do Nordeste da última quinta-feira (8), de one parte deste texto foi retirado. Leia a matéria completa aqui >> Auschwitz no Ceará

_________

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité.

Participe enviando a sua sugestão de notícia, vídeo ou foto através do WhatsApp 55 85 99931 3798, ou através do email: jornalismosertaocentral@gmail.com

16:28 · 25.11.2016 / atualizado às 16:28 · 25.11.2016 por
Leão foi restaurado e recolocado na Praça na última quarta (32) (Foto: Cleumio Pinto)
Leão foi restaurado e recolocado na Praça na última quarta (32) (Foto: Cleumio Pinto)
Escultura foi reformada por artista plástico de Quixadá, Jock Marrone (Fotos: VC Repórter)
Jock Marrone restaurou a imagem (Fotos: VC Repórter)

Quixadá. Um dos marcos da história deste Município, a escultura de um Leão, animal que batiza uma das praças mais conhecidas da cidade, voltou ao seu lugar de destaque esta semana. A obra havia sido retirada para passar por uma restauração e foi recolocada na praça na última quarta-feira (23).

A imagem do leão foi recebida pelo prefeito de Quixadá, Wellington Xavier. A escultura foi restaurada pelo artista plástico quixadaense Jock Marrone Batista dos Santos. A iniciativa de fazer reparos na imagem do animal foi da Associação de Filho e Amigos de Quixadá (Afaq).

Restaurado, o animal ficou mais pesado. Ao todo, o Leão pesa mais de duas toneladas. A imagem foi modelada com ferro, cimento e brita e mede 2,20 de comprimento com 1,90 de altura. Um guindaste foi usado para recolocar o Leão em seu lugar, em um a espécie de púlpito reservado na praça José de Barros, nome oficial do espaço que também ganhou o nome do animal como apelido, nome que, aliás, é o que mais conhecido pela população quixadaense.

Guindaste foi usado para colocar leão de duas toneladas no lugar
Guindaste foi usado para colocar leão de duas toneladas no lugar

A população comemorou nas redes sociais o retorno do Leão para a sua praça. A estrutura do animal, em grande tamanho tem chamado a atenção da população. De acordo com relatos históricos o leão da Praça do Leão foi colocado no lugar pelos rotarianos do Rotary Clube, que promoveu uma das antigas reformas na praça e lá fincou uma escultura do animal.

________

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité.

Participe enviando a sua sugestão de notícia, vídeo ou foto através do WhatsApp 55 85 99931 3798, ou através do email: jornalismosertaocentral@gmail.com

12:21 · 14.10.2016 / atualizado às 12:21 · 14.10.2016 por
Quixeramobienses vão participar da 29º Romaria de Canudos, na Bahia (Fotos: arquivo/Paulo Simião)
Quixeramobienses vão participar da 29º Romaria de Canudos, na Bahia (Fotos: arquivo/Paulo Simião)

Quixeramobim. Uma caravana formada por cerca de 50 pessoas deixou este Município, na noite da ultima quinta-feira (13), rumo a cidade de Canudos, na Bahia. Os membros da comitiva vão realizar um roteiro turístico pelos principais pontos da região da região Norte baiana e participar da 29ª Romaria de Canudos, que anualmente atrai milhares de fieis e de simpatizantes.

Caravana formada por quase 50 pessoas vai passar por pontos turísticos, entre eles, o Parque Estadual de Canudos.
Caravana formada por quase 50 pessoas vai passar por pontos turísticos, entre eles, o Parque Estadual de Canudos.

A caravana é composta por professores, historiadores, jovens, escritores, pesquisadores, escritores e artistas. O professor e historiador, José Ailton Brasil está sendo o responsável pela delegação. O grupo deixou a cidade de Quixeramobim em festa, por volta das 22h de quinta em um ônibus, e enfrentou mais de oito horas de viajem em quase 700 quilômetros de estrada até chegar ao destino.

A primeira parada será no Rio São Francisco, precisamente na divisa dos estados de Pernambuco e Bahia, na cidade de Ibó. De lá a caravana segue para Chorrochó onde visita a Igreja histórica da cidade. Em seguida, o destino deve ser a cidade de Canudos, palco da mais sangrenta luta da história do Brasil, liderada por Antônio Conselheiro.

Um dos pontos altos do roteiro que a caravana de cearenses deve visitar será a Romaria de Canudos, que este ano chega a sua 29ª edição. De acordo com os organizadores, esta é a segunda vez que a equipe sai de Quixeramobim para visitar a cidade baiana. Em outras vezes, a viagem ocorreu com um menor número de pessoas.

O grupo retorna para Quixeramobim no próximo domingo (16), logo após uma missa.

FIQUE POR DENTRO
Conflito de Canudos foi a mais sangrenta guerra a História

Antônio Vicente Mendes Maciel é o verdadeiro nome de Antônio Conselheiro. Após ter sido traído pela mulher, passou a trabalhar em restaurações de igreja e, influenciado pelos conselho de Padre Ibiapina, passou a ler os evangelhos e pregar entre os mais pobres. Em 1893, ele se estabeleceu definitivamente numa fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris, numa afastada região do norte da Bahia, conhecida como Canudos, onde fundou um povoado, que chamou de Belo Monte, que mais tarde viria a ser a cidade de Canudos, com uma população estimada de 25 mil habitantes.

única foto conhecida de Antônio Conselheiro. Imagem foi tirada duas semanas após sua morte, pelo fotógrafo Flávio de Barros, a serviço do Exército. (Foto: Wikimédia Commons)
única foto conhecida de Antônio Conselheiro. Imagem foi tirada duas semanas após sua morte, pelo fotógrafo Flávio de Barros, a serviço do Exército. (Foto: Wikimédia Commons)

A guerra na região começou depois que Antônio Conselheiro teria sido enganado por um comerciante, influenciado por um juiz da cidade e desafeto de Conselheiro. Ele comprou madeira para a construção de uma nova igreja mas o material não foi entregue. O juiz teria escrito ao então governador da Bahia que na data em que Conselheiros iria pegar a madeira, bandidos atacariam a cidade. Foi o estopim para a guerra.

Foram quatro conflitos, o primeiro na cidade de Uauá, até que conselheiro fosse morto, junto com três pessoas, no vilarejo que fundou. A queda da cidade encerrou o mais sangrento conflito arado de nossa História. 25 mil pessoas foram mortas, entre cinco mi militares da época enviado pela república e 20 mil sertanejos. Até derrotar a tropa de Conselheiro o Governo foi derrotado três vezes, sendo humilhado pela técnicas de artilharia e guerra de homens sertanejos que venciam as táticas de militares treinados. Foi a maior baixa de homens do Governo, que perdeu metade de toda a sua Força nacional na época.

No livro Belo Monte – uma História da Guerra de Canudos, os autores José Rivar de Macêdo e Mário Maestri explicam que o contexto político do sertão foi o fator que influenciou o conflito. “Canudos significava a inversão da ordem natural, uma sociedade de bárbaros e rústicos fanáticos, pois questionava, na ação, o latifúndio, através do uso útil da terra. E, sobretudo, retirava do controle dos grandes proprietários uma enorme quantidade de mão-de-obra, que passava a viver em sociedade auto gerida e consensual”, diz um trecho.

11:26 · 26.08.2016 / atualizado às 11:38 · 26.08.2016 por

Quixadá. Será aberta a partir das 19h desta sexta-feira (26) a exposição “Cego Aderaldo: A trajetória de um poeta”. A exposição acontece no Fundação Cultural de Quixadá, como parte da programação do Festival Encanta Quixadá. Através da exposição, os organizadores do evento buscam fortalecer a valorização de Aderaldo, tido como um dos maiores colaboradores da música popular do Ceará e que apesar de ter nascido no Crato, passou grande parte da sua vida em Quixadá.

Cego Aderaldo, popular figura quixadaense, será homenageado com exposição nesta sexta-feira (26) (Foto: Alex Pimentel/Arquivo)
Cego Aderaldo, popular figura quixadaense, será homenageado com exposição nesta sexta-feira (26) (Foto: Alex Pimentel/Arquivo)

O produtor cultural e diretor do evento, Adriano Furtado, e Adriano se juntou ao historiador e professor do IFCE de Quixadá, Aterlane Martins, e realizaram uma densa pesquisa sobre a vida e trajetória de Aderaldo. “Vamos trazer fotografias que buscamos no acervo do museu histórico de Quixadá e mostrar quem foi essa figura tão importante”, afirmou.

O Festival Encanta Quixadá teve início na última quinta-feira (25) e se estende até o dia 28. Toda a programação é gratuita. Conforme os organizadores, o festival é uma ação complementar ao encontro dos profetas da chuva, realizado no início deste ano.

O evento terá atrações na Praça Gladson Martins (Praça da Cultura), na Fundação Cultural de Quixadá e no auditório do Instituto Federal do Ceará (IFCE). Entre as atrações estão seminários, oficinas de cordel e de xilogravura, além das apresentações de violeiros declamadores, emboladores e grupos da cultura popular tradicional, como os Irmãos Aniceto, do Crato (CE). O show com a dupla Ítalo e Reno, na praça, encerra a edição.

Os profetas vão se reunir no domingo (28) em um café da manhã que é preparado para aqueles que realizam previsões acerca do período chuvoso no Ceará, através de meios naturais. Eles farão um balanço das previsões feitas nos últimos anos, entre as quais, a maioria sem ser fiel ao que se sucedeu no período de inverno, e dirão que trabalhos já realizam para o próximo encontro, que acontece no inicio de 2017.

SERVIÇO:
Festival Encanta Quixadá
De 25 a 28 de agosto – programação gratuita
Contato: (88) 99713-9447

Mais detalhes sobre a exposição do artista cego Aderaldo estão em uma matéria do Caderno 3, da edição desta sexta-feira (26) do jornal Diário do Nordeste. Leia a matéria aqui >> A poesia no Sertão Central

FIQUE POR DENTRO – Quem foi cego Aderaldo?
Aderaldo Ferreira de Araújo nasceu no Crato, em 1878, filho de um alfaiate e de uma dona de casa. Perdeu o pai aos 15 anos e ficou cego duas semanas depois. Tocava desde pequeno e mesmo sem a visão foi incentivado pela mãe a continuar na música. Começa a viajar pelo Ceará após a morte da mãe.

Em 1914 passou a ser conhecido em Quixadá pelas disputas que travou com Zé Pretinho, famoso cantador da época. Para fugir da seca de 1915, viaja para Belém do Pará, onde se tornou ainda mais famoso. Oito anos depois volta para o Ceará. A fama o levou a ser amigo de Padre Cícero e Lampião. Tentou ser comerciante mas acabou desistindo.

Deixou de aceitar desafios a partir de 1945 por ser achar velho, mas continuou a fazer sucesso. Em 1949 chegou a ser convidado a tocar no palácio do Governo. Aderaldo morreu em 1967 em Fortaleza e teve 24 filhos de criação.

_______

O Diário Sertão Central é o blog oficial do Diário do Nordeste no Sertão Central do Ceará e Maciço do Baturité.

Participe enviando a sua sugestão de notícia, vídeo ou foto através do WhatsApp 55 85 99931 3798, e do telefone (88) 9 9662 9580 ou ainda pelo email: jornalismosertaocentral@gmail.com