Categoria: História


08:00 · 10.11.2018 / atualizado às 08:05 · 10.11.2018 por
Mais de 10 mil são esperados para reverenciarem as almas da barragem em Senador Pompeu na manhã deste domingo.

Considerado o maior ato religioso social do martírio sertanejo no enfrentamento da estiagem, a Caminhada da Seca, pretende reunir este ano mais de 10 mil pessoas no tradicional cortejo até o cemitério das almas da barragem, ao lado do Açude Patu, em Senador Pompeu.

Na seca de 1932, a barragem, à época em construção, foi transformada em uma espécie de campo de concentração. Nele, milhares de flagelados, chegados do sul do Estado e de regiões vizinhas, ficaram confinados morreram de fome e doenças, relata a história.

Desde 1982, a partir de uma iniciativa do padre Alberto Donati, à época pároco na cidade, juntamente com o coletivo formado pela paróquia de Nossa Senhora das Dores e o Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro (CDDH-AC), aquela tragédia histórica tem sido relembrada na manhã do segundo domingo de novembro. As Almas da Barragem passaram a receber devotos. Se tornaram um santo coletivo.

Às 4h da madrugada, nos últimos 35 anos, a multidão se reúne diante da igreja matriz, de onde parte até o cemitério da barragem. No caminho, de aproximadamente 7km, além de cultuarem as almas, relembram aqueles trágicos e vergonhosos momentos, e ressaltam a necessidade do constante desenvolvimento de políticas públicas de amparo ao sertanejo para o convívio com o fenômeno climatológico.

Desde 1982 a multidão se reúne em Senador Pompeu na manhã do segundo domingo de novembro na Caminhada da Seca.

Noitada Cultural

Este ano, com o apoio da Secretaria de Cultura de Senador Pompeu, a noitada cultural, de acolhida dos visitantes na pernoite para a Caminhada da Seca, passará a contar com a participação de escolas, com apresentações culturais, incluindo cordel e poesias.

O Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro vai exibir o curta-metragemReuso das águas cinzas“, seguido de apresentação do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (STTR) de Senador Pompeu.

A programação será aberta às 20h pelo padre João Melo, atual pároco, após a celebração da missa das 18h na igreja matriz. Ele também anunciará o tema da 36ª Caminhada da Seca este ano: Água, caminho da vida. Liberdade e bem viver.

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08:00 · 12.10.2018 / atualizado às 08:15 · 12.10.2018 por
Currais expõe a saga dos flagelados da seca nos campos de concentração no Ceará. Fotos > Marina Cavalcante

Após o sucesso do espetáculo “Currais” pelo Interior do Estado, com direito a apresentação especial no Cineteatro José de Alencar, na capital cearense, a Cia de Dança Rastro, de Quixadá, se prepara para levar a interpretação cultural da memória dos campos de concentração do Ceará a Portugal. Os 10 bailarinos sobem ao palco europeu no dia 17 de novembro. A Cia é mantida desde 2002 pela professora e bailarina Gerlídia Tavares.

Ela explica que “Currais” é uma viagem pela memória dos campos de concentração no Ceará. “É um grito ao silêncio declarado pelo Governo que, no inicio do século XX, com as secas, a fome e a miséria que assolava o nosso sertão, que naquela época criou campos cercados para confinar milhares de retirantes, impedindo que famintos seguissem à capital“. Através da dança e da música, o espetáculo busca retratar uma época de desprezo e negação de direitos.

Os textos são de Vernildo da Silva, tendo como referencia o livro “Migalhas do Sertão” de João Paulo Giovanazzi. A direção artística e coreografia é de Gerlídia Tavares e a assessoria de Érika Ursula, figurinos de Jenilson Fernandes, os bailarinos são Andreza Sousa, Beatriz Batista, Eduardo Ferreira, Evila Uiara, Flávio Bergson, Felipe Nobre, Ingrid Souza, Neyla Hellen, Vernildo da Silva e Yasmin Barbosa. Há ainda a participação do ator Ricardo Lima.

 

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13:00 · 27.09.2018 / atualizado às 12:40 · 27.09.2018 por
O quarto de Castelo Branco no Museu de Quixadá foi escolhido pelos acadêmicos de História para receber a intervenção especial contra regimes autoritários.

Fascismo, nazismo, ditadura, esses grandes tormentos da história moderna serão o foco de uma intervenção socioeducativa promovida no Museu Histórico Jacinto de Sousa, em Quixadá. O movimento é articulado por acadêmicos do curso de História Contemporânea II, da Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão (Feclesc), um campus da Universidade Estadual do Ceará (UECE) nesta cidade do Interior do Estado. Eles integram o Grupo de Estudos: História Política.

De acordo com o professor Janilson Rodrigues, do curso de História da UECE/Feclesc, a proposta surgiu com a abordagem da obra literária do escritor Umberto Eco, O Fascismo Eterno. Os acadêmicos resolveram discutir o fascismo italiano e o nazismo alemão, como formas de autoritarismo. A partir dos debates surgiu a proposta de reflexão com a sociedade, incluindo as questões de gênero e diversidade.

A intervenção, que recebe o título “Máscaras Fascistas – Nosso dever é desmascará-los“, está programada para às 9h. O local escolhido no Museu Histórico Municipal foi o quarto do ex-presidente da Republica, o general Humberto de Alencar Castelo Branco, primeiro governante do Brasil na época da Ditadura Militar e também um dos articuladores do golpe de 1964.

De acordo com os organizadores, o movimento conta com o apoio do Grupo de Estudos e Pesquisas em Patrimônio Memória e Escrita da História (GEPMEH), Museu Histórico Jacinto de Sousa, Universidade Estadual do Ceará, Feclesc e Governo do Ceará. A intervenção é aberta ao público.

Intervenção Máscaras Fascistas
Dia 28 de setembro – 9h
Museu Histórico Jacinto de Sousa
Quixadá

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08:00 · 12.09.2018 / atualizado às 08:10 · 12.09.2018 por
Os armazéns históricos do Açude Cedro estão desabando, literalmente. Solução se arrasta.

Após mais de duas décadas abandonados os armazéns de obra do Açude Cedro, construídos no início do século XX voltam a chamar a atenção. A Universidade Federal do Ceará (UFC) levou à superintendência do Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dnocs), a proposta de restauro dos dois galpões, e transforma-los em um Parque Tecnológico. Com a revitalização além das atividades educativas, nele, poderão ser realizados eventos culturais.

A ideia foi levada pelo reitor da UFC, Henry Campos, acompanhado do diretor e a vice-diretora do Campus em Quixadá, Davi Romero e Andréia Libório, ao diretor-geral do Dnocs, Ângelo Guerra no início da semana passada. Dois dias depois, na última quarta-feira (5), foi apresentada na audiência pública promovida pela da 23ª Vara Federal com o apoio da Procurador Federal Regional, com sede em Limoeiro do Norte.

> Armazéns do Cedro podem receber ações educativas

O Diário do Nordeste publicou nesta quarta-feira (12) reportagem sobre a situação dos armazéns seculares. Também constatou o abandono e a necessidade urgente de restauração dos dois espaços, um deles, a antiga vila de operários. No outro uma maquina e um forno, da época das obras, ainda permanecem no local. A proposta da sociedade organizada é transformar o lugar no Museu das Águas, resgatando e preservando a história do açude construído por ordem de D. Pedro II.

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16:00 · 14.06.2018 / atualizado às 15:50 · 14.06.2018 por

O presidente Getúlio Vargas e sua comitiva desembarcam na estação de Quixadá, em 1933. Foto > Revista Noite Ilustrada

A memória arquitetônica de Quixadá precisa permanecer erguida. Pensando nessa perspectiva os alunos do curso de Design Digital do campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) nesta cidade resolveram promover uma ação de resgate da arquitetura histórica do lugar. A experimentação artística e cultural, como definem esse momento, está programada para a noite desta quinta-feira (14), na Praça da Estação.

Segundo os organizadores, serão utilizadas projeções para demonstrar ao público a história da ferrovia, desativada, que corta Quixadá, os trens, e as estações de embarque e desembarque, apontadas como o prenúncio do progresso nas cidades do Interior do Ceará. A Terra dos Monólitos não foi exceção. Sua estação, onde já funcionou a Academia Quixadaense de Letras (AQL), ainda aguarda um uso digno.

A estação de Quixadá foi inaugurada em 1891. Em 2006 ainda era uma das estações operacionais da Companhia Ferroviária Nacional (CFN), atual concessionária do trecho conhecido como linha-tronco, ou linha Sul, da Rede de Viação Cearense (RVC). Ela surgiu com a linha da Estrada de Ferro de Baturité, aberta em seu primeiro trecho em 1872 a partir de Fortaleza e prolongada nos anos seguintes.

Em 1915, a RVC passou à administração federal. A linha chegou ao seu ponto máximo em 1926, atingindo a cidade do Crato, no sul do Ceará. Em 1957 passou a ser uma das subsidiárias formadoras da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA).  Em 1996 foi arrendada juntamente com a malha ferroviária do Nordeste à Cia. Ferroviária do Nordeste (RFN). Trens de passageiros percorreram a linha Sul supostamente até os anos 1980.

Em março deste ano o Diário do Nordeste publicou edição especial sobre as ferrovias no Ceará. A publicação faz um meticuloso passeio sobre esse caminho, substituído pelas rodovias.

> Ceará sobre trilhos: rastros deixados na história

Encontro de Alunos de Design Digital UFC
Dia 14 de junho – 19 horas
Praça da Estação – Quixadá

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19:00 · 10.06.2018 / atualizado às 18:50 · 10.06.2018 por

Acompanhada de vaqueiros e de vaqueiras a presidente da AVCMN, Fátima Girão, comandou a cavalgada de 75 anos.

Uma alvorada, nas primeiras da manhã desta segunda-feira (11), deverá encerrar a 75ª Festa do Vaqueiro de Morada Nova, organizada e promovida pela  Associação dos Vaqueiros e Criadores de Morada Nova (AVCMN). A programação teve início na última quinta-feira (7). O seu momento mais marcante foi a cavalgada até o Parque de Vaquejada João de Deus Girão, no fim da tarde da sexta-feira (8), onde foi celebrada a Missa do Vaqueiro, na Capela de Nossa Senhora de Aparecida.

Segundo representantes da AVCMN este ano o cortejo especial, de aproximadamente 5 quilômetros, contou com aproximadamente 300 vaqueiros e mais de 1.500 cavaleiros, incluindo mulheres e crianças. À frente da cavalgada, os batedores, vestidos à caráter, com suas roupas de couro, acompanhavam a presidente da Associação dos Vaqueiros, Fátima Andrade Girão de Oliveira, aplaudidos pelo público que assistia o desfile no seu percurso.

Mais de 300 vaqueiros e vaqueiras, vestidos com suas indumentárias especiais participaram da cavalgada.

Quando a cavalgada cruzou a Lagoa Salina, diante da Secretaria de Cultura e Turismo do Município, recebeu uma homenagem especial da secretária Socorro Leitão Machado e da sua equipe. Era uma forma simples de demonstrar a importância da tradição mantida pela Associação na “Terra do vaqueiro“, como Morada Nova é conhecida, explicou a gestora destacando a união dos associados para a realização da festa especial.

Além das famílias de cavaleiros até os motociclistas acompanharam o desfile até o Parque de Vaquejada.

Este ano a Festa contou  com o apoio da administração municipal teve início nesta quinta-feira (7) e segue até a próxima segunda-feira (11), dia dedicado ao vaqueiro no Município. Na noite da abertura, no Espaço Cultural Moacir Bezerra da Silva, no Parque de Vaquejada, foram entregues comendas a personalidades relacionadas com a atividade do vaqueiro. Em seguida foi realizado o leilão no Pavilhão Zé Almir Girão. A arrecadação é destinada à manutenção das atividades da Associação dos Vaqueiros.

Pelo segundo ano consecutivo a Missa do Vaqueiro foi realizada na capela do Parque de Vaquejada. Nos últimos 73 anos a bênção havia ocorrido na Igreja Matriz, no Centro da cidade. Todavia, apesar da mudança de local, os vaqueiros, a diretoria da AVCMN e fiéis lotaram o pátio do parque. A missa foi celebrada pelo padre Jociel Mota.

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18:00 · 15.05.2018 / atualizado às 18:44 · 15.05.2018 por

Museu de Quixadá promove programação especial na Semana Nacional de Museus

O Museu Histórico Jacinto de Sousa, em Quixadá, elaborou uma programação especial para a 16ª Semana Nacional de Museus. Até o próximo sábado (20) o público poderá participar de Roda de Conversa, Sessão de Cinema e assistir apresentações musicais em horários variados.

Segundo a administração do Museu municipal, a temporada cultural, com abertura oficial na noite desta terça-feira (15), é promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) em comemoração ao Dia Internacional do Museu, 18 de maio. Nessa edição, 1.130 museus de todo o país oferecem ao público 3.261 atividades especiais, como visitas mediadas, palestras e oficinas.

Nesta quarta-feira (16)  será a vez do Coral do Centro Cultural Rachel de Queiroz se apresentar, a partir das 18h30. Logo depois o espaço de memórias históricas recebe uma visita mediada, sendo possível conhecer, virtualmente, o Museu do Louvre.

Na quinta (17), pela manhã, haverá Mostra de Artes – Memórias Conectadas: Relação 1968-2018 com mediação do professor Artelane Martins. À noite, a partir das 19 horas, está programada a oficina de artesanato ecológico, de confecção de carteiras com caixas de leite com a a facilitadora Marta Lima.

A programação segue na sexta-feira (18) à noite com o Cine Debate – Pensar autoritarismo e liberdade: 50 anos do AI 5 e do Maio de 68, tendo como mediador o professor Hildebrando Maciel e na manhã seguinte (19) das 9h às 10h a Mística – Dança Circular, com o facilitador Belchior Torres, encerra a semana especial.

Museu Histórico Jacinto de Sousa
Rua Autran Moreno, 202 – Centro / Quixadá
Fone (85) 9 9994-07504

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08:00 · 13.05.2018 / atualizado às 22:25 · 12.05.2018 por

O monumento Negra Nua, na entrada de Redenção, é um dos símbolos do pioneirismo da abolição da escravatura no Brasil

Também conhecida como Rosal da Liberdade, a cidade de Redenção é considerada o símbolo da abolição da escravatura no Brasil. A data é comemorada neste 13 de maio, e apesar de a princesa Isabel ter sancionado a Lei Áurea no Paço Imperial, no Rio de Janeiro, a antiga Vila Acarape, a pouco mais de 70Km de Fortaleza, libertou seus escravos cinco anos antes, ao primeiro dia de janeiro de 1883, com a alforria de 116 deles, além de ainda manter acervos históricos daquela época.

Hoje, oficialmente, a abolição da escravatura no Brasil completa 150 anos, mas para esta cidade cearense, o ato, praticado pelos abolicionistas, em 1882, criando a Sociedade Redentora Acarapense, lhe rendeu então o reconhecimento histórico de primeira cidade brasileira a libertar seus escravos, história essa contada no Museu Municipal da cidade, onde ainda são mantidas algumas peças e documentos comprobatórios desse feito.

Esses motivos, aliados aos vários monumentos alusivos à escravidão, e ainda o Museu Senzala Negro Liberto, onde no porão da antiga fazenda do coronel português Simião Jurumênia é preservado o cativeiro dos seus escravos, além de a Casa Grande manter ainda suas características originais, atraem dezenas de visitantes todos os meses, principalmente nesta época do ano, na maioria excursões de estudantes.

Os guias turísticos do Museu fazem questão de descrever minuciosamente o sofrimento dos negros. Também como as escravas eram tratadas e abusadas pelo seu “dono”. Ao perceberem a crueldade praticada pelo Senhor do Engenho logo o silêncio bate, de espanto, e de respeito por quem viveu acorrentado e era obrigado a trabalhar em condições subumanas. Cada detalhe impressiona o visitante, explica o guia Kleudes Saraiva.

Na entrada do antigo engenho da fazenda uma mensagem lembra que esses homens e mulheres foram arrancados das suas terras e trazidos para servirem de escravos nas plantações do Brasil. “Nosso país deve muito ao trabalho e aos ensinamentos dos povos africanos“. Neles estão incluídos costumes, a música, culinária e até a cachaça, bebida de preferência nordestina, acrescenta o recepcionista do Museu.

Veja também a reportagem no Diário do Nordeste > Africanos buscam libertação social

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07:00 · 23.04.2018 / atualizado às 15:55 · 23.04.2018 por

Antiga Estação Ferroviária de Antônio Dogo, em Redenção, será restaurada e transformada em Centro Cultural

A Terra da Abolição da Escravatura no Brasil, Redenção, pretende preservar mais um marco da sua história, a antiga estação ferroviária da Canafístula, no distrito de Antônio Diogo. Abandonado e deteriorado, o antigo prédio da extinta Estada de Ferro de Baturité, erguido em 1880, será restaurado.

O prédio da extinta Estrada de Ferro de Baturité foi erguido em 1880.

O espaço histórico erguido na vila de Antônio Diogo estava abandonado havia 40 anos.

A decisão de revitalização partiu do prefeito Davi Benevides e do secretário municipal de Cultura, Turismo e Juventude, Aurenio Alves, após pesquisarem a importância do acervo imobiliário entregue em ruínas à atual administração do Município. O espaço será transformado em um Centro Cultural.

Segundo os gestores municipais, estão sendo coletados documentos para a revitalização da antiga estação. Com grande importância para o desenvolvimento da região no passado, quando escoava a produção de algodão para Fortaleza, está desativada há 40 anos.

O restauro foi aprovado pela Secretaria de Cultura do Estado (Seult) que inclusive indicou a empresa para elaboração do projeto arquitetônico. O titular da Secult, Fabiano Piúba, e o superintendente do Departamento de Arquitetura e Engenharia (DAE), Silvio Campo, já realizaram a primeira visita técnica.

O secretário de Cultura do Estado e o superintendente do DAE realizaram primeira visita à estação

Na visita foi constatado que a edificação está completamente deteriorada

História e Economia

A revitalização da estrutura histórica e da estação e do seu entorno, com a criação de espaços públicos para atividades artísticas, como exposições da rica produção do artesanato local, terá relevância para o desenvolvimento urbano e humano de Redenção. Existe ainda o fator econômico. O equipamento será um forte aliado para a geração de empregos e aumento da renda dos munícipes, uma vez que Antônio Diogo está inserido no corredor turístico do Maciço do Baturité.

Acrescenta Davi Benevides que o restauro  integra um plano maior, de conter o desperdício cultural-histórico, pois Redenção tem uma parcela da História que apenas ela pode contar. O objetivo da sua gestão é transformar a cidade num polo atrativo para o turismo e gerar desenvolvimento econômico, social, humano e mais empregos, preservado sua identidade histórica.

O projeto prevê, além do restauro da estação ferroviária, a revitalização de todo o seu entorno

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16:00 · 20.04.2018 / atualizado às 14:48 · 21.04.2018 por

Um dos pioneiros do café sombreado, Gerardo Farias, deixa o seu legado. Fotos > José Leomar

Um dos pioneiros no cultivo de café ecológico no Ceará, Gerardo Queiroz Farias, morreu nesta sexta-feira (20), aos 93 anos de idade. Há décadas ele se dedicava à cultura de café sombreado no centenário Sítio São Roque, propriedade da família com 320 hectares situada no município de Mulungu, em uma área de conservação ambiental serrana que se tornou um dos exemplos de preservação ambiental no Maciço de Baturité e no Ceará.

Além da natureza, o Sítio São Roque preserva seus traços arquitetônicos, herança familiar.

O Sítio, que no último dia de agosto próximo completará 105 anos, foi transformado por ele e pela esposa, Terezinha Bezerra Farias, falecida em 2004, em um verdadeiro santuário da fauna e da flora da Mata Atlântica, motivo de orgulho, também por manter suas raízes históricas, a sua capelinha e um sonho antigo, o Museu do Café, hoje, todos conservados pelos seis filhos, que também apoiaram a iniciativa de preservação ambiental e histórica.

> Sítio São Roque comemora 100 anos em Mulungu

Essa história começou oito anos após o casamento de Alfredo e Amélia, pais de Gerardo. O casal se dedicou ao cultivo de frutas, cana de açúcar, rapadura e do café. Foi Alfredo quem escolheu o nome do santo como acolhida de título ao sítio. Era um homem muito religioso e durante muito tempo sofreu por conta de uma enfermidade na perna. Ele lembrou então de São Roque, um nobre francês que abdicou da sua riqueza para socorrer as vítimas da peste negra, nas regiões da Itália e também da França, sua terra natal.

Com Gerardo Farias não foi diferente, ele renunciou ao que seria a sua maior riqueza, a formatura em Odontologia para cuidar dos pais, e do Sítio, do qual exportou café orgânico para Suécia, através de parceira com a Fundação Cultural Educacional Popular em Defesa do Meio Ambiente (Cepema). Ele também foi o primeiro presidente da Associação dos Produtores Ecológicos do Maciço de Baturité. Viajou à Europa com outros produtores, para demonstrar as práticas de cultivo do café orgânico, capazes de assegurar a renda familiar para criação e educação dos filhos.

Os amigos, como o repórter fotográfico José Leomar, lembram de Gerardo Farias como um homem forte, corajoso e sábio, sempre preocupado com a preservação da natureza, e das suas belas histórias sobre o café sombreado. Adorava receber as pessoas sem perder a sua simplicidade de homem do campo, trajando sempre uma calça desbotada, camisa de algodão e uma faca na cintura.

Filhos, netos e bisnetos se orgulham do tesouro material e imaterial deixado por Gerardo Farias.

Neta Mariana Farias, faz homenagem

Já dizia meu avô no auge dos seus 92 anos de sabedoria e de lucidez: “O tempo bom é o de hoje “.
Ah, o tempo ! O tempo que poderia ser visto nas mãos enrugadas, nas pernas cansadas, nas lembranças de tudo que viveu; mas não no olhar esperançoso de um homem que aos 93 anos fazia planos de plantio e de colheita. Mas a verdade é que o tempo não é meu , não é seu , não é de ninguém.

O tempo é o de Deus e por isso hoje aqui estamos , não para chorar , mas para louvar pelos seus 93 anos bem vividos ; não para questionar , mas para aceitar ; não para sofrer , mas para agradecer !
E como sou grata ! Grata por cada ensinamento , por cada valor repassado , por cada palavra de fé e de força ! É tempo de agradecer por tudo que recebemos de você ! Que o tempo nos conforte e possa manter vivos em nós os seus ensinamentos !

Neste fim de semana o Sítio São Roque estará fechado à visitação.

Sítio São Roque
Rota do Café Verde
Mulungu – Ceará
(85) 3328 1328

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