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Categoria: Literatura


08:30 · 12.08.2018 / atualizado às 08:15 · 12.08.2018 por

Temos dentro de nós uma criança que ainda chora a saudade do que passou, e de revolta por tudo aquilo que não a deixaram fazer. Não há, por isso, quem possa esquecer da infância. Lembramo-nos dela mesmo para lamentar um passado que cada vez fica mais distante, aproximando-nos, impiedosamente, da velhice, quando teremos que pagar o mais caro tributo da vida.

Nossas retinas fotografaram fatos há muito ocorridos, sejam de alegria ou tristeza, os quais jamais fugirão de nossa memória. São figuras que guardamos no âmago de nosso ser. Se as vemos fora dessa limitação pessoal, ficamos incontroláveis, como se alguém as tivesse roubado de dentro de nós mesmos.

Não fujo à regra. Estou tentando reviver a imagem do palhaço da perna-de-pau que mora dentro de mim.

Nunca fui criança rica. Filho de professora e funcionário público, morando no interior, muitas coisas não me permitiam fazer, porque não ficava bem a um menino que não devia ser moleque. Quase tudo era proibido. Pouco me restava para fazer. Quando a condição social permitia, vinha a terrível ameaça do pecado mortal.

Assim, o tempo foi correndo e eu deixando passar muita coisa boa que hoje não posso mais fazer. As proibições até que aceitava com resignação. Uma, porém, deixou indelével marca em minha alma. Desejava, ardentemente, acompanhar o palhaço da perna-de-pau pelas ruas da cidade e gritar, com os outros meninos, o aviso do espetáculo.

Queria seguir aquela figura ingênua. Não dos palhaços que hoje andam de carro, com garotas seminuas, mas aqueles autênticos, de caras pintadas, de perna-de-pau, que anunciavam o espetáculo do circo humilde, cujo poleiro caia na hora do início da primeira parte, e que a chuva marcava o fim da comédia.

Há poucos dias, andava de férias, conhecendo o interior do Brasil. Numa longínqua cidade, igual à minha, onde fui menino, ao dobrar uma esquina, tive que parar o carro, a fim de deixar passar um palhaço semelhante aos muitos que vira na infância. Não me contive. Desci do carro e acompanhei a meninada pelas ruas, sem inibições sociais, sem medo do pecado mortal, como se fosse um autêntico menino que gostaria de ter sido.

A partir do segundo quarteirão, quando ouvi a gritaria em obediência às ordens do palhaço, sem querer, senti os pulmões encherem-se de ar, a boca abrir-se e um grito sufocado, há vários anos, ecoou dando evasão àquela terrível frustração.

Naquele momento, senti-me o menino de ontem totalmente realizado e o homem feliz de hoje que se encontrava com a figura querida de seus tempos de criança.

* João Eudes Costa é escritor, fundador e Imortal da Academia Quixadaense de Letras (AQL), pesquisador e bancário aposentado nascido em Quixadá (CE).

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12:00 · 05.08.2018 / atualizado às 12:10 · 05.08.2018 por

Amanheci com saudade do sertão. Daquele sertão alegre, humilde, trabalhador e honesto. Das ingênuas festas juninas, com balões, fogueiras, milho assado e pé-de-moleque.

Sertão farto. Com a coalhada abarrotando a panela de barro, adoçada com rapadura feita na festança da moagem, misturada à farinha refinada, pela cabocla bonita, no balanço da peneira.

Do sertão das pegas de bois. Da apartação do gado gordo, ferra dos bezerros indômitos, que ainda não conheciam o arreador. Dos forrós aquecidos com a cachaça caipira e embalados pelos corpos ágeis das mulatas, numa casa de taipa com uma vasta sala de reboco.

Resolvi ir ao encontro a esse sertão feliz, sem maldade, acolhedor de braços fortes, disposto a lutar e vencer. Sertão que conheci e onde sempre convivi, onde temperei a fibra de nordestino, origem que me enche de orgulho.

Julguei ser fácil, pois o deixei na primeira curva da última casa do povoado. A vasta vegetação deveria marcar a presença do sertão, porque nasceu, cresceu e não sabe viver sem respirar o ar puro, exalado pelo suor de sua mata.

Puro engano, porque as árvores foram derrubadas, mortas e queimadas. O sertão, angustiado com a absurda e criminosa destruição, fugiu, distanciou-se para não morrer também.

Fui andando apressado, queria logo encontrar o meu sertão para relaxar, ficar tranqüilo e sumir daquele ambiente de tristeza e desolação. Em cada casa que chegava, batia palmas, era uma esperança. Antena de televisão, energia elétrica, sofisticado sistema de som, geladeira, fogão a gás e adorno com arranjos de flores importadas, logo respondiam que ele não estava ali.

Realmente dali havia sido expulso o candeeiro de querosene, que clareava o alpendre, onde se reuniam moradores vindos pelas mais distantes veredas. Quebrou o pote de barro, próprio para esfriar a água da fonte, sem poluição, que matava a sede do viajante cansado, a quem não era negado carinho e hospitalidade. O grande fogão de lenha já não queima troncos de jurema para aquecer, com rapidez, a chaleira de ferro que fervia o chá curativo, para quase todas as doenças, porque o vírus mortal, ali, não havia chegado.

A latinha de flores silvestres foi retirada da biqueira, e não mais enfeitava, com suas rosas multicores, a modesta casinha de taipa. O banco rústico de madeira e o tronco para amarrar os animais, cederam lugar ao estacionamento para carros, transportes dos que vão à cidade comprar frutas, verduras, ovos, galinhas e outros gêneros alimentícios, porque ali não mais existe o sertão, que tudo produzia, e sobrava para vender na feira.

Depois de muita andança, longe, muito longe, escondida na mata virgem e sem estrada de acesso, descobri uma casa abandonada. O vento batia nas portas e janelas, que se abriam e fechavam desordenadamente. Deserta, sem ninguém, havia cinzas no velho fogão de lenha. Tripé de madeira ainda sustentava um pote quebrado. Na frente da casa, um assento de madeira roliça, pastorava uma latinha parecendo um sepulcro de algumas flores mortas. Um gato assustado, faminto e magro, dividia com um cão esquelético o restante da casa desmoronada, de chão batido.

Tristonho, em silêncio, descobri que, naquela casa, tinha sido a última morada do sertão. Não adiantava prosseguir a busca. O sertão havia, realmente, desaparecido. Estava morto, sepultado no coração dos que fugiram da fome e da miséria. Desta gente sofredora, simples e honrada, que continua escravizada nos corredores de cimento e ferro das cidades, chorando, como eu, a saudade do sertão, que apenas continua vivo, na bela imagem, de nossos sonhos.

* João Eudes Costa é escritor, fundador e Imortal da Academia Quixadaense de Letras (AQL), pesquisador e bancário aposentado nascido em Quixadá (CE).

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07:30 · 31.07.2018 / atualizado às 23:20 · 31.07.2018 por

Imortais da AQL promoveram Feira Lítero-Atística em busca de recursos para equipar entidade.

Os imortais da Academia Quixadaense de Letras (AQL) realizaram neste fim de semana a I Feira Lítero-Artística. Reunindo obras literárias, artesanato e o lançamento do livroNinguém“, de Angélica Nogueira, na comemoração dos seus 35 anos como escritora, o evento  foi realizado na sede da AQL, no Centro de Quixadá. O momento teve como objetivo angariar fundos para a aquisição de equipamentos para a sua sede, principalmente um condicionador de ar para o auditório, explicou a presidente da AQL, Julieta Almeida.

Na Feira, livros dos imortais, autografados, e de outros escritores, foram vendidos a preços especiais. O momento também foi de Exposição de Arte Zoobotânica, desenvolvida com folhas e flores prensadas e desidratadas. Quando totalmente ressecadas são usadas, inteiras, ou recortadas para formar a peça de arte. Na composição artística são incorporadas poesias temáticas. A coletânea é de autoria de Iracema Serra Azul, esposa de Manoel Fonsêca, membro da AQL.

Fundada em 2012, a Academia conta atualmente com 35 representantes. Atualmente, são o ex-governador Lúcio Alcântara, os professores Francisco Carlos Carvalho da Silva, Maria Angélica Nogueira Bezerra, Maria das Graças Ferreira Lima, Gilnei Neves Nepomuceno, Francisco Jardes Nobre de Araújo, Maria Zeneida Costa e Bruno Paulino, a historiadora Elisângela Martins da Silva Cruz, o coronel do Exército João Xavier de Holanda, o coronel da Polícia Militar Adail Bessa de Queiroz, o médico Manoel Dias da Fonseca Neto, o economista José Nilson Ferreira Gomes Filho, o cineasta Antonio Clébio Viriato Ribeiro, o juiz federal Marcos Mairton da Silva e ainda José Anízio, Antonio Weimar Gomes dos Santos, Ana Carolina de Holanda Pavão Santana, José Wilson de Souza e Sebastião Diógenes Pinheiro.

João Eudes Costa, um dos fundadores da Academia de Letras, e sua filha, Bruna Costa, completam a lista de Imortais.

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08:00 · 29.07.2018 / atualizado às 07:25 · 29.07.2018 por

Na luta desesperada pela sobrevivência, quando a enorme concorrência faz do homem um insensível robô, cada vez mais nos distanciamos de uma convivência fraterna, tranqüila e feliz.

Não temos tempo, nem interesse sequer, de olhar para o irmão ao nosso lado. A dor e o sofrimento do próximo não nos comovem, porque não nos interessa saber de sua angústia, nem rebuscar, dentro de nosso interior, forças para amenizar o padecimento, oferecendo o milagroso bálsamo da solidariedade humana.

Assim, distanciados, somamos problemas, multiplicamos sofrimentos e diminuímos a capacidade de nos ajudar mutuamente. Esquecemo-nos de dividir com os outros, aquilo que possuímos de mais importante e puro que é o amor.

Vivemos numa comunidade heterogênea, cada vez mais fraca, sufocada por problemas, que jamais terão soluções, porque não as encontramos buscando sozinhos envolvidos por um egoísmo doentio, que, cada vez mais, nos distancia da felicidade que, desesperadamente, perseguimos.

A prova dessa desunião torna-se patente quando desconhecemos os problemas do vizinho e irmão, por maiores que sejam, mesmo que tenhamos com ele constante e amistoso relacionamento.

Em Quixadá, por exemplo, muitos conhecem o José Carlos, conhecido na intimidade por “Baixinho”. Figura modesta, porém querida. Pela maneira alegre e cortês de tratar a todos, José Carlos tem acesso às diversas classes sociais que compõem nossa comunidade.

Apesar do prestígio popular, poucos sabem dos problemas que enfrenta no seu dia a dia. Sua esposa Osmarina, portadora de grave doença, teve de amputar as duas pernas. Em seguida, perdeu a visão. Duas vezes, por semana, desloca-se a Fortaleza, onde é submetida à hemodiálise.

Sem meios para se deslocar sozinha, com a visão comprometida, Zé Carlos conduz sua esposa para o hospital, com dedicação e carinho, embora enfrentando dificuldades enormes, pois ganha por mês o mísero salário da fome, menos da metade do humilhante salário mínimo.

Diante desta narrativa, haverão de perguntar: Como um homem, com o salário de fome, sem recursos, consegue manter um tratamento tão dispendioso, especialmente numa pessoa mutilada, cujo deslocamento já se constitui um sério problema?

Realmente, isto seria impossível se Zé Carlos não fosse um espírito extraordinário, com admirável capacidade de solidariedade humana. Outros interrogarão: É justo imputar tantos encargos a um homem tão pobre? Não se lembram que Deus, na Sua suprema sapiência, não iria entregar uma filha deficiente nas mãos de um desalmado tirano. Se o Criador confiou Osmarina aos cuidados de Zé Carlos, é porque viu na grandeza de seu coração, na sua generosidade, na dedicação ao próximo, a essência da criação divina.

Deus deu forças às pernas de Zé Carlos para conduzirem sua esposa enferma ao caminho do amor. Os seus olhos mostram a Osmarina um mundo muito mais belo do que aquele que ela enxergou. As mãos de Zé Carlos têm a força misteriosa que haverá de conduzir Osmarina à presença do Pai. Com alegria, Jesus receberá intacta, sempre bela e perfumada, a frágil flor com que enfeitou a terra.

Se os homens não entendem a beleza das rosas divinas e não são capazes de protegê-las com dedicação e carinho, inebriando-se com o néctar de seus perfumes, de volta ao céu, elas continuarão perfumando o mundo, mostrando que na terra, ao meio de tanta maldade e violência, ainda há pessoas dignas da confiança dos desígnios de Deus.

Vamos seguir o exemplo de humildade e resignação de Zé Carlos. Façamos que as nossas pernas caminhem em socorro dos que delas necessitam. Que nossos braços enlacem e amparem os que fraquejam. Que nossas mãos acolham os que, aflitos, pedem apoio. Que nossos olhos iluminem os caminhos dos que, na escuridão, possam tropeçar e cair. Finalmente, que nossos corações se abram para abrigar os que necessitam de carinho, de solidariedade e amor.

Jesus vive a nos lembrar, que a cruz do irmão, também deve ser a nossa. Todas as vezes que a nossa covardia não permitir ajudar os que agonizam, estamos fazendo reviver o suplício do Calvário. Chicoteamos e fazemos Cristo cair, magoamos suas chagas, exigindo que novamente conduza sozinho o pesado madeiro onde, outra vez, será crucificado o Mártir do Gólgota.

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17:00 · 06.05.2018 / atualizado às 16:25 · 06.05.2018 por

Escritores cearenses prestigiaram o IV Encontro de Leitores do Sertão Central, realizado em Quixadá

O Encontro de Leitores do Sertão Central chegou à sua quarta edição neste fim de semana atraindo  um bom público à Casa de Saberes Cego Aderaldo, em Quixadá.Dessa vez, a mostra literária marcou também o Dia Mundial da Língua Portuguesa, comemorado em 5 de maio, mais uma vez reunindo escritores cearenses e leitores de várias regiões. Conforme a universitária Gisele Sousa, articuladora do Encontro, mais uma vez atendeu as expectativas.

Foram arrecadados aproximadamente mil quilos de alimentos não perecíveis, os quais serão doados a uma instituição filantrópica de Quixadá.

Com uma equipe formada por 10 voluntários, a programação cumpriu todo o seu cronograma, na sexta-feira (4) e no sábado (5), com oficinas, palestras, exposições, incluindo um Bate Papo especial com Gisele Sousa. O tema foi Pantera Negra e suas contribuições para o Afrofuturismo. A facilitadora Elen Andrade apresentou a Oficina Zines; Alan Nascimento, Literatura e Bordado, e a facilitadora  Goreth Albuquerque, Princípios básicos da narração oral para contar histórias.

O fim de semana na Casa de Saberes Cego Aderaldo foi destinado à literatura

No sábado, a Sala Temática Harry Potter, foi uma das principais atrações. A mostra foi apresentada pelo Grupo Ascendio, de fãs do pequeno bruxo inglês, que levam suas obras além de instrumentos como a varinha mágica e chapéu seletor, aos festivais especiais como o Sana e a Bienal do Livro para apreciação dos admiradores. Estudantes de escolas públicas de Quixadá tiveram essa oportunidade pela primeira vez, ressaltou Gisele Sousa.

Na sala ao lado foi a vez escritor cordelista Klévisson Viana, apresentar o tema Do clássico ao popular: A tradução de obras formais para a linguagem a literatura de cordel. Conhecido internacionalmente o cordelista até recitou clássicos como “Dom Quixote” e “Os Miseráveis“, para a literatura de cordel. Os poetas populares Lucarocas e Chico Neto Vaqueiro apresentaram em seguida o tema da Linguagem do cordel à cultura do vaqueiro.

Além dos cordelistas, os escritores Gleicianny Carvalho Cordeiro e Alexandre de Almeida, de Fortaleza,  Bruno Paulino, de Quixeramobim e Angélica Sampaio, de Quixadá participaram do Encontro.

Houve ainda uma Conversa descontraída com a escritora Angélica Sampaio, abordando os seus 20 anos de carreira. A Oficina de Stencil, com o facilitador Jandresson Gomes, as palestras sobre Experiência estética com a palavra: A formação do leitor literário, com Goreth Albuquerque  e  Game of Trones: Um novo rumo para a literatura fantástica, tendo como facilitador Patrick da Silva Sousa, encerraram a programação.

No espaço de Leitores foram montadas até lojinhas de souvenirs

Gisele Sousa ressaltou o apoio da Casa de Saberes Cego Aderaldo, uma instituição da Secretaria de Cultura do Ceará (Secult), e mesmo distante, a participação do idealizador do Encontro de Leitores do Sertão Central, o universitário Elileudo Lima Júnior. Ele atualmente está morando em Uberlândia (MG) onde estuda Arquitetura.

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07:30 · 03.05.2018 / atualizado às 07:35 · 03.05.2018 por

A cada ano aumenta o número de participantes do Encontro de Leitores do Sertão Central

O Encontro de Leitores do Sertão Central chega à sua quarta edição neste fim de semana, mais uma vez em Quixadá. Segundo os organizadores, dessa vez o evento será realizado na Casa de Saberes Cego Aderaldo, no Centro da cidade. A programação tem início previsto para a tarde desta sexta-feira (4) e segue no sábado (5) durante todo o dia. a programação, palestras, debates e exposições. O passaporte ao espaço literário é dois quilos de alimentos não perecíveis.

Para o primeiro dia do Encontro, das 14h às 17, estão programadas as oficinas Zines, com a facilitadora Elen Andrade; Literatura e Bordado, com Alan Nascimento e Princípios básicos da narração oral para contar histórias, com a facilitadora Goreth Albuquerque. Das 15 às 16h o facilitador Luciano Oliveira palestra sobre A relação entre literatura e filosofia. Das 18h30 às 19h10 tem um Bate Papo com Gisele Sousa. O tema será Pantera Negra e suas contribuições para o Afrofuturismo.

No sábado a programação começa às 9h, com a exposição O Quinze, de Alan Nascimento. A partir das 9h40 autores fazem apresentações especiais na Sala Temática Harry Potter, com a palestra do escritor cordelista Klévisson Viana, com o tema Do clássico ao popular: A tradução de obras formais para a linguagem a literatura de cordel; os poetas populares Lucarocas e Chico Neto apresentam em seguida o tema da Linguagem do cordel à cultura do vaqueiro.

À tarde, das 13h30 às 14h15 haverá uma Conversa descontraída com a escritora Angélica Sampaio. O tema será 20 anos de carreira. Também às 13h começa a Oficina de Stencil, com o facilitador Jandresson Gomes e às 14h, Goreth Albuquerque palestra sobre Experiência estética com a palavra: A formação do leitor literário, e, fechando a programação, a partir das 16h10, o tema será Game of Trones: Um novo rumo para a literatura fantástica, tendo como facilitador Patrick da Silva Sousa.

Como tem sido feito tradicionalmente, além de um número considerável de leitores, escritores de todo o Estado expõem suas obras ao público. É a oportunidade para adquirir o exemplar preferido e ao mesmo tempo conhecer o seu autor no maior Encontro de Leitores da região, que este ano conta com o apoio da Casa de Saberes Cego Aderaldo, uma instituição da Secretaria de Cultura do Ceará (Secult).

O idealizador do Encontro de Leitores do Sertão Central é o universitário Elileudo Lima Júnior. Ele também é natural de Quixadá, mas atualmente está morando em Uberlândia (MG) onde estuda Arquitetura. Mesmo assim, com a ajuda dos amigos, tem conseguindo reunir leitores e escritores do Sertão Central nesta atividade que tem sido mais comum somente nas capitais. Mais uma vez recebeu elogios de escritores e de leitores.

IV Encontro de Leitores do Sertão Central
Dias 4 e 5 de maio
Casal de Saberes Cego Aderaldo – Quixadá

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07:00 · 03.04.2018 / atualizado às 07:10 · 03.04.2018 por

O escritor Ala Mitchell apresentará seus livros e ministrará palestra nesta terça (3) em Quixadá.

A Casa de Caridade, uma entidade espírita sem fins lucrativos, está trazendo para Quixadá nesta terça-feira (3) o palestrante e autor de livros espíritas da Turma da Mônica, Ala Mitchell. O encontro com o público está programado para as 18 horas no espaço cultural do Quinta Estação. De acordo com os organizadores a entrada é franca, mas quem puder ajudar poderá doar leite em pó. O material arrecadado será destinado a atividade de caridade da Casa.

Além da apresentação e venda dos livros de histórias da Turma da Mônica, a turminha mais querida do Brasil, o convidado ministrará uma palestra com um tema muito especial preparado para os pais, tios, avós, evangelizadores, amigos das crianças e educadores infantis: “Crianças amadas, adultos saudáveis“. Em seguida os livros poderão ser autografados.

Os livros

Meu pequeno evangelho: A Turma da Mônica recebe a visita de André, um primo de Cascão. Ele vai apresentar para as crianças conceitos do Evangelho que podem ser usados no dia a dia, independentemente da religião que praticam, com lindas mensagens de amor caridade e humildade, contadas de forma divertida.

Meu pequeno evangelho – Livro de atividades: Com ele é possível se divertir fazendo atividades e colando adesivos. O livro contém oito mascaras e 30 adesivos.

Chico Xavier: Neste livro a Turma da Mônica conhece os exemplos iluminados de um dos maiores brasileiros, apresentados pelo primo de Cascão, André. Chico Xavier e seus ensinamentos mostra como, em pequenas situações do dia a dia, Chico conseguia oferecer grandes lições de amor ao próximo.

Magali em outras vidas: Uma narrativa romântica e muita engraçada em uma viagem pelo tempo mostra que o amor é a maior força do universo, também se é possível que tenhamos vivido em outras épocas; se nossos gostos e medos teriam origem em “outras vidas”. E os nossos amores … poderiam ter começado no passado ?

Outro lar: Nessa história a Turma da Mônica vai até o Rio de Janeiro, visitar André, primo de Cascão, que, além de apresentar os pontos turísticos da Cidade Maravilhosa, vai mostrar às crianças como a prática de bons hábitos pode ajudar a ter sonho melhores e até conhecer lugares imagináveis.

Crianças amadas adultos saudáveis
A partir das 18 horas
Quinta Estação – La Dolce Vita Pizzaria e Spaghetteria
Mais informações (88) 9 99609456

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08:30 · 02.04.2018 / atualizado às 08:30 · 02.04.2018 por

As Almas da Barragem se tornaram em um santo coletivo, relembrado todos os anos na Caminhada da Seca.

Uma das passagens marcantes da história moderna no Interior do Ceará, os campos de concentração de flagelados da seca de 1932, será rememorada na noite desta terça-feira (3) em Quixadá. De acordo com os organizadores, o momento, programado para as 19 horas no auditório Rachel de Queiroz, na Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central (Feclesc), terá a exibição do documentário As Almas Santas da Barragem, e a apresentação do livro Das Santas Almas da Barragem à Caminhada da Seca.

A produção cinematográfica é do diretor do Núcleo de Artes Visuais (NAVI) do Instituto Federal de Educação no Ceará (IFCE), campus de Quixadá, Geraldo Cavalcanti. O livro é de autoria do professor historiador do IFCE e da Universidade Federal do Ceará (UFC), Aterlane Martins. Completando a programação do Cine Debate, após as apresentações eles participam de uma roda de conversa com o público, mediada pelo professor Hildebrando Maciel, da Feclesc.

Os professores integram o Grupo de Estudos e Pesquisas em Patrimônio, Memória e História (GEPPM) da Feclesc.

Cine Debate – Almas da Barragem
Dia 3 de abril – 19 horas
Auditório Rachel de Queiroz – Feclesc

Tombamento de Sítio Histórico

> Lei de Patrimônio deve beneficiar Sítio Histórico de Senador Pompeu

No último sábado o Diário do Nordeste publicou reportagem sobre o processo de tombamento do sítio histórico da barragem do Açude Patu, onde milhares de flagelados morreram de doenças e de fome. O processo de arrastava, mas a partir de uma Ação Civil Pública (ACP), de iniciativa do advogado e historiador Valdecy Alves, tendo o Ministério Público do Ceará (MPCE) arbitrado até multa, o encaminhamento para o reconhecimento começou a andar.

Além da limpeza, os monumentos do Sítio Histórico do Açude Patu deverão ser restaurados.

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18:00 · 24.12.2017 / atualizado às 17:50 · 24.12.2017 por

Há séculos a data de 25 de dezembro, quando comemoramos o nascimento de Jesus, sofre contestação, talvez pelo fato de o evangelho não indicar dia nem mês do Natal de Cristo.

Registros enciclopédicos informam que a data de 25 de dezembro foi fixada a fim de cristianizar grandes festas pagãs, que celebravam o nascimento do “Vitorioso Sol” no tradicional culto solar. O objetivo era oferecer sacrifício e suplicar pelo retorno da luz, porque as noites, naquela época do ano, eram mais longas e muito frias.

Passaram então a comemorar o nascimento de Jesus em 25 de dezembro no calendário Juliano e em 06 de janeiro no egípcio, porque, neste dia, celebrava-se o aniversário do “Sol Invencível”. Era tal a importância da estrela solar, que, em 274, o imperador Aureliano proclamou o “Deus do Sol” como padroeiro do Império.

Todas as divergências tornam-se insignificantes se, a 25 de dezembro ou em outra qualquer data, tivermos o propósito de comemorar o nascimento de Jesus imbuídos do verdadeiro espírito cristão.

O Natal que se aproxima, com certeza, não será diferente dos anteriores. Pouco a pouco o importante evento da cristandade está voltando às comemorações milenárias das festas pagãs, quando não era o Cristo o centro das festividades.

Como comemorar o verdadeiro Natal de Jesus, se o aniversariante está cada vez mais ausente das festividades? Como festejar o natalício de alguém se não permitimos a sua presença? Não será porque a sua humildade conflita com a opulência do seleto evento? O teólogo grego Orígenes, no ano de 245, já repudiava a maneira de se comemorar o nascimento de Cristo com as pompas de um Faraó.

O Natal que agrada Jesus deve ser um encontro de confraternização, onde não se faça restrições de qualquer espécie. Como, então, alegrar o aniversariante que foi exemplo de humildade, fechando as portas, impedindo a participação dos pobres, excluídos pela impossibilidade de cooperar com os altos custos do evento e sem recursos para oferecer um presente para enfeitar as ricas árvores de Natal? Como alegrar Jesus se esbanjamos em fartas mesas alimento cujo desperdício daria para saciar a fome de muitas famílias?

Com que direito os oradores, na noite de Natal, em seus eloqüentes discursos, confessam-se emocionados com a angústia da Sagrada Família, que não encontrou nenhuma porta aberta que acolhesse Maria portando, no ventre, o Salvador do mundo, se agora, as portas fechadas impedem a entrada de Jesus em Sua festa?

A troca de presentes entre os que festejam o Natal, não rememora a atitude dos astrólogos do Oriente, que levaram presente ao Deus Menino a quem queriam homenagear, pois não trocaram presentes entre si.

Será que nas comemorações natalinas alguém se lembra de oferecer presente ao aniversariante?  Não é preciso que seja valiosa joia de ouro ou prata e sim coisas simples, embora de grande valor para Jesus, que sorri ao receber corações que, em todos os dias do ano, praticaram a oração da caridade, conjugando o verbo amar e acolheram com afeto os pobres e desamparados.

Não magoamos as chagas de Cristo comemorando o Seu aniversário numa festa entre irmãos, porque Ele constatará que não foi em vão o seu sacrifício, oferecendo a própria vida para nos livrar da impura ambição, da repudiada vingança e do desamor que acende, no mundo, a fogueira da maldade, que fomenta as sangrentas lutas fratricidas.

Neste natal, numa verdadeira festa de fraternidade, vamos convidar Jesus, o aniversariante, para cantar, ao nosso lado, a noite feliz da confraternização e do amor.

Por João Eudes Costa
Escritor

Veja o vídeo Bate o Sino, de Luigi Bertolli, do Projeto 4 Cantos

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06:00 · 23.12.2017 / atualizado às 06:00 · 23.12.2017 por

O escritor João Eudes Costa, de Quixadá, foi o primeiro a receber o livro de Rosemberg Cariry.

O cineasta e escritor Rosemberg Cariry foi surpreendido no início da noite desta sexta-feira (22) por uma enorme fila nas dependências da Casa de Saberes Cego Aderaldo. Eram escritores, professores, artistas, e mais de uma centena de admiradores de Cego Aderaldo – O cantador, o poeta e o mito, titulo do livro lançado em homenagem ao artista popular que sagrou-se um dos maiores nomes da cultura nordestina Brasil afora.

Conforme a coordenadora do espaço cultural, Paula Geórgia Fernandes, a publicação, com 780 páginas, divididas em 78 recortes da vida do cantador, é uma edição da Casa de Saberes e Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult) e Interarte, resultado de uma pesquisa de 10 anos sobre o poeta popular da rima e do repente.

Os escritores João Eudes Costa e Bruno Paulino; o artista plástico Valdizar Viana e o cantador de viola Guilherme Calixto, ainda a nora de Cego Aderaldo, Nair Aderaldo, prestigiaram o lançamento da obra literária, a qual receberam autografada das mãos do autor que não se cansou de escrever dedicatórias e fazer poses para as fotos. Antes, Cariry havia apresentado o documentário com o mesmo título no auditório da Casa de Saberes, seguido de um bate-papo com o publico.

A noitada cultural foi encerrada com as apresentações dos cantadores de viola João de Oliveira e Antônio Limeira, Zé Vicente e Guilherme Calixto, Antônio Jocélio e Gonzaga da Viola. Era o fechamento do Pequeno Encontro de Violeiros e Repentistas do Sertão Central, iniciado na quarta-feira (20) com a participação de Geraldo Amâncio e do jovem Guilherme Nobre.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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