Ibaretama > Uma semana após assumir a administração municipal de Ibaretama, a prefeita Elíria Queiroz divulgou publicamente o sucateamento da saúde publica de sua cidade. Segundo a atual titular do poder executivo tanto o Hospital Municipal como os oito postos de atendimento espalhados pelos distritos foram deixados em precárias condições de funcionamento. Em um deles, o da localidade de Pedrical, telhas, madeiras e portas foram levados. Ela pretende ingressar judicialmente contra a gestão anterior, juntamente ao Ministério Público. A ação será formalizada logo após o fechamento de uma auditoria.
À frente do Hospital Municipal há uma semana, a enfermeira Maria Rívia Soares, confirmou as denuncias da prefeita. A diretora ficou assustada com a precariedade do atendimento e a falta de equipamentos, principalmente de assistência emergencial a população. Na lista de prioridades consta inclusive um desfibrilador e tubos de oxigênio. O Município também precisa com urgência de uma ambulância. Não há como transportar pacientes para cidades vizinhas, quanto mais para o Instituto José Frota (IJF) em Fortaleza.
O ex-secretário de Saúde do Município, Gemeson Maia, informou terem sido adotadas todas as providências legais para entrega dos equipamentos públicos da saúde a gestora atual, inclusive foram formadas equipes de transição. Segundo ele, a transferência ocorreu sem problemas com a documentação e prestação de contas de todo o patrimônio. Ele também contestou o sucateamento apontado pela prefeita. “O posto de saúde do distrito de Pedrical como também de Piranji e Oiticica foram entregue em reforma. Trabalhamos inclusive do sentido de solicitar mais recursos, como exemplo a duplicação dos recursos do PSF, de R$ 53 mil para 106 mil”, acrescentou.
Elíria Queiroz confirma o recebimento patrimonial, todavia, não imaginava se deparar com situação tão grave. Para tirar o Município do caos na Saúde, além de recorrer aos governos do Estado e Federal, em busca de recursos para agilizar a prestação de serviço de assistência de qualidade a população e de solicitar a apuração do “desmonte” através do Ministério Público ela pretende encaminhar o dossiê da saúde pública à Câmara Municipal, para conhecimento dos representantes do povo.
A presidenta da Casa Legislativa, Tereza Carla de Freitas, conhecida como “Carlinha do Hospital”, também demonstrou preocupação com o problema. Entretanto a Câmara ainda não criou suas comissões, dentre elas a de Saúde e a de Obras. Devem estar em funcionamento até o fim deste mês. Mesmo assim não caberá aos parlamentares municipais a decisão sobre alguma sanção aos gestores anteriores, explicou. “O papel de todo parlamentar é fiscalizar a atuação dos serviços prestados a sua comunidade. Cumpriremos a nossa missão e auxiliaremos o Poder Executivo no que for possível”, concluiu.
IMPASSE
Vereadores ainda disputam presidência em Boa Viagem
Enquanto em Ibaretama a presidenta demonstra união em torno dos problemas comuns da cidade, em Boa viagem, outro Município do Sertão Central, o desentendimento entre os vereadores está causando polêmica. Desde o primeiro dia do ano, por ocasião da eleição da presidenta da Câmara, a vereadora Maria Alzira Vieira, os 15 representantes do povo não se entendem. Alzira afirma ser de fato e de direito a atual representante da Câmara de Boa viagem. Foi eleita conforme as regras do regimento interno.
Na segunda-feira, 7, a presidenta promoveu sessão extraordinária. Seria votada a criação da Ouvidoria do Município, mas oito vereadores, representando a maioria, não compareceram. Anchieta Paiva foi um deles. Ele foi concorrente de Alzira à presidência. Não reconhecendo a legitimidade da votação ele promoveu nova eleição, na calçada da Câmara, no último sábado, dia 5. Através da mídia local ele acusou sua adversária de ter fraudado a eleição. Na eleição excepcional Anchieta contou com o apoio de outros sete vereadores, dessa vez representando a maioria.
Todavia o grupo de apoio de Alzira reclamou não ter sido cientificado acerca da nova decisão. Ela mesma informou não ter recebido nenhum ofício solicitando a abertura da Câmara para o novo encontro de vereadores, até porque o objetivo não é legítimo. Até o encerramento deste edição ela não tinha conhecimento do ingresso de nenhuma ação de seu opositor junto a Justiça contra a sua nomeação. “Somente a Justiça será capaz de anular a minha eleição, feita com transparência e legitimidade”, completou.
A reportagem do Diário do Nordeste procurou manter contato com Anchieta Paiva, todavia, até o enceramento desta edição ele não havia atendido as ligações.
O representante do Ministério Público de Boa Viagem, Rubem Machado Rebouças também não havia recebido ainda nenhuma contestação formal da eleição de Maria Alzira, informou sua assessoria.
Veja a reportagem no Diário do Nordeste > Desmonte na saúde do Interior.
Participe do Diário Sertão Central informando e sugerindo reportagens através dos fones (88) 9970.5161 ou (88) 8865.6118 e pelo email: diariosertaocentral@gmail.com