Sopa de Livros

Categoria: E-book


14:08 · 24.03.2016 / atualizado às 14:08 · 24.03.2016 por

Cearense de Várzea Alegre, Jorgeana Jorge tem dois livros publicados: “A espera de um adeus” e a continuação, “Desafiados a amar”. O primeiro foi publicado pela Editora Novo Século e lançado na Bienal do Livro de São Paulo e o segundo teve dez capítulos disponibilizados no wattpad, antes de estar à venda na Amazon. Os dois tratam do drama familiar do casal Cadore, à beira de uma separação e são bastante populares no skoob, inclusive o primeiro já está com edição esgotada. Na entrevista, a escritora fala sobre o processo criativo das obras, já que divide o trabalho de escritora com o ofício de professora no IFCE de Acaraú e o aconselhamento de casais na igreja que frequenta e quais as suas influências literárias. As capas dos livros estão no fim da entrevista, com os preços.

photo
Jorgeana Jorge divide o tempo entre a escrita dos livros, lecionar no IFCE e o aconselhamento de casais na igreja que frequenta

 

1. Como surgiu o interesse pelos livros? Em sua casa, a estante era recheada ou você lia mais na escola ou casa de parentes?

Meu interesse começou com os Gibis da Turma da Mônica. Na minha casa tinha uma coleção dos clássicos da Literatura, meu pai passava o dia lendo e me incentivava a ler. Ele foi um exemplo para mim. No entanto, foram os romances que pegava emprestado numa visinha que me encantaram de vez. Não conseguia mais largá-los. Foi aí que descobri meu gênero preferido.

2. Você é professora de Biologia. Como percebeu que queria ser escritora? Como faz para conciliar a escrita e o lecionar? Tem alguma rotina para a criação?

Foi justamente fazendo um comentário na coluna do Egídio Serpa, acredita? Meu esposo estava respondendo a um comentário e me chamou para ver se não havia nenhum erro. Aproveitei para ler a matéria e me empolguei para comentar também. Foi a fagulha necessária para reacender um desejo de adolescência que era escrever um romance. Promessa que fiz ao meu pai e cumpri anos depois. Sou professora no IFCE e trabalho com Botânica. Realmente não é nada fácil conciliar duas rotinas tão distintas e tão exigentes. Mas como a paixão pela literatura pulsa forte dentro de mim a gente acaba arrumando um tempinho para colocar os sonhos no papel. Gosto de ficar criando enredos em minha cabeça o tempo todo. Fico imaginando cenas, diálogos. O processo de maturação de um enredo pode durar dias ou meses. Vou anotando as ideias e quando ele está mais ou menos consolidado vou avançando na escrita. Antes de escrever, geralmente, tenho o começo, meio e fim da história. Mesmo que depois eu modifique alguma coisa, a ideia central está clara em minha mente. Infelizmente, não consigo colocar uma rotina de escrita mais rígida por conta do meu trabalho.

3. De onde busca inspiração para suas histórias? Às vezes, acontece de você encontrar alguma amiga e perceber que a história real dela renderia um livro?

Do cotidiano, das conversas de corredor, de uma matéria da internet. Tudo pode ser utilizado pelo autor. No caso dos meus dois livros, meu laboratório foi as conversas nos aconselhamentos de casais. Samantha Cadore, a personagem principal dos livros, não é uma mulher em especial, mas a junção das principais características compartilhadas por muitas mulheres casadas. Seus dilemas, suas lutas, neuras e superações. Talvez por isso tantas pessoas se identifiquem na leitura deles. As pessoas que estão ao nosso redor são fontes de inspiração inesgotáveis, de um jeito ou de outro.

4. Como fez para publicar no Wattpad? Já conhecia a plataforma? Quais são as principais vantagens e desvantagens dessa plataforma, a seu ver? Por que retirou seu segundo livro de lá?

Conheci a plataforma na Bienal do livro em Fortaleza. Uma das autoras que estava lançando um livro lá, me falou que havia sido descoberta por essa via. Fiquei curiosa em saber mais a respeito dessa ferramenta tão poderosa que era capaz de atrair o olhar de editores e não perdi tempo em conhecer. A principal vantagem é justamente a oportunidade de mostrar seu trabalho. O Wattpad lhe permite uma visibilidade interessante já que você posta seu livro em categorias específicas de acordo com o seu público leitor. A desvantagem é que muito material é publicado sem o devido filtro e você precisa garimpar bem para achar textos interessantes. Mas vejo essa iniciativa como positiva já que permite que escritores amadores rompam a barreira da timidez e deem os primeiros passos do que pode ser uma linda caminhada literária. Acho válida iniciativas assim.

5. Quantos livros já escreveu? Quais eram as temáticas?

Tenho cinco livros escritos e dois publicados. Escrevi À espera de um adeus na tentativa amorosa de despertar casamentos adormecidos. Desafiados a Amar acabou surgindo depois por sugestão dos próprios leitores que pediram uma continuação. Quando você ler o epílogo do primeiro livro vai entender bem o porquê. Mas esse gancho para uma continuação havia ficado sem pretensão nenhuma de um segundo livro.

6. Fale um pouco sobre seu novo livro. Já tem editora interessada? Como se deu o contato? Quando pretende lançar a versão impressa?

Desafiados a Amar se encontra disponível, por enquanto, apenas em formato de ebook. Embora o prazer de ter o livro em mãos seja um desejo quase majoritário dos leitores, o mercado digital está em franca expansão no País. Quis aproveitar a oportunidade para navegar em novos mares. O sonho de publicar um livro no Brasil não é algo mais tão distante quanto a alguns poucos anos. Atualmente, mesmos escritores iniciantes como eu, tem espaço para dialogar em algumas casas editoriais. À espera de um adeus foi publicado pela Novo Século Editora e sua continuação também virá pela mesma casa. Desafiados a Amar, não vai demorar muito. Estamos em processo de execução do projeto e em breve teremos novidades.

7. Quem são os autores que admira? Qual livro está lendo no momento? Você acha que essa nova geração gosta mais de ler ou não? Na sua opinião, o que pode ser feito para incentivar a leitura?

Gosto do estilo de escrita da Francine Rivers, Harlan Coben, Jojo Moyes. Inclusive estou lendo um livro da Jojo no momento – A última carta de amor. Martha Medeiros, Pedro Bandeira, Luís Fernando Veríssimo são autores brasileiros que gosto também, dentre tantos outros. Claro que não poderia deixar de fora os escritores dessa nova safra que muito tem nos alegrado com suas histórias encantadoras como Adriana Brazil, Lycia Barros (ambas prefaciaram, respectivamente, meu primeiro e segundo livro), Babi A. Sette, Samanta Holtz, Maurício Gomide, Edgar Lima e a lista se alonga. Acredito que os jovens estão lendo mais, sim. As facilidades de hoje são muito maiores e isso tem atraído mais leitores, principalmente o público teen. Sou otimista quando olho para o futuro da literatura no país mesmo em meio a tantas dificuldades. Uma delas é o valor dos livros que acredito que poderiam ser mais acessíveis. Deveriam ser criados projetos com a pretensão de democratizar o acesso ao livro e fomentar a leitura. Tanto para incentivar quem lê, bem como quem escreve.

download (2)
Editora Novo Século R$ 25

 

51WPu16TyXL._SX331_BO1,204,203,200_
E-book R$11,90
15:15 · 07.12.2015 / atualizado às 15:15 · 07.12.2015 por

No Brasil, é difícil encontrar quem nunca tenha ouvido uma canção do Roberto Carlos. Eu, pelo menos, nunca conheci ninguém nesse perfil. Dada a popularidade do artista, que segue grande há mais de 50 anos, é até natural que os fãs e aqueles que também não são tão fãs de Roberto, mas querem saber mais sobre a história da Música no Brasil, se interessem por conhecer a sua biografia.

Para preencher essa lacuna e também por ser fã desde criança do cantor, o jornalista e historiador Paulo César  de Araújo passou 16 anos pesquisando para escrever  a biografia – “Roberto Carlos em Detalhes”, lançada em novembro de 2006 pela editora Planeta.

Paulo Cesar de Araújo é fã do cantor desde criança e pesquisou por 16 anos para fazer a biografia de Roberto Carlos

Após dois meses do lançamento da obra, que figurou por várias semanas na lista dos mais vendidos, o “Rei” foi aos tribunais para tentar tirá-la de circulação, acusando-a de ser mentirosa e conseguiu. Hoje,  o livro é artigo raro.

 

1060_Livro_roberto_carlos_em_detalhes
O livro foi tirado de circulação em 2006, mas é possível adquiri-lo fora do País, em sebos ou o seu PDF em alguns sites

“O Réu e o Rei – Minha história com Roberto Carlos, em detalhes”, publicado em 2014 pela Companhia das Letras, que analisamos nessa resenha, revela não só como a biografia proibida foi escrita, como também explica os meandros de como o processo se deu nos tribunais.

Uma das passagens mais emblemáticas relata o julgamento em que foi decidido que a obra realmente sairia de circulação e todos os 10 mil exemplares ainda à venda nas livrarias do País seriam recolhidos pelo cantor. Até hoje não se sabe o que foi feito com esses livros, que foram levados a um depósito em São Paulo. Roberto Carlos foi procurado muitas vezes pelo autor para conceder uma entrevista, a única que faltava à extensa lista de 175 entrevistados, que era formada por personalidades desde Tom Jobim até o fotógrafo oficial do cantor. Entretanto, nos tribunais o cantor disse que foi pego de surpresa.

Nesse livro, Paulo Cesar conta também sobre as entrevistas que fez na época em que era estudante de comunicação da PUC do Rio, para  um trabalho sobre a Música Popular Brasileira que deu origem à ideia de escrever a biografia. Vários cantores foram ouvidos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Wilson Simonal e até mesmo o dificílimo João Gilberto, conhecido por não dar entrevistas, com quem o autor faz amizade por telefone e que é responsável pela reconciliação de Paulo Cesar com seu pai.

maxresdefault
João Gilberto foi um dos artistas que mais influenciaram Roberto Carlos, em especial, no início de sua carreira.

A entrevista com Tim Maia também é um dos relatos mais interessantes e hilários do livro. Depois de marcar com os estudantes e não aparecer por três vezes, o cantor decidiu encontrá-los em seu apartamento e, antes, enviou maconha por um de seus funcionários, para que eles se “divertissem” antes das perguntas.

Paulo Cesar ainda traz a tiragem de cada álbum de RC, fenômeno de vendas desde a década de 1970, sempre contextualizando cada ano e que só teve seu recorde de discos batido pela Xuxa, a partir de 1986. Para quem, como eu, teve sua infância e adolescência permeada pelas músicas do Rei, é certeza  gostar dessa parte do livro.

download (2)
O primeiro volume do disco Show da Xuxa foi o primeiro álbum a bater os recordes de vendas dos discos de Roberto Carlos, com 2 milhões e 689 mil cópias comercializadas

Impressiona, também, a perseverança e a história de superação do autor, contadas no início do livro, com relatos desde a infância humilde em Vitória da Conquista, na Bahia, passando por São Paulo e depois, no Rio, onde Paulo Cesar cursou História da UFRJ  e Comunicação na PUC e depois se tornou professor da rede pública de ensino estadual e municipal.

Outro diferencial, é o amplo índice com cerca de 50 páginas, entre notas e indicação de fontes impressas e de audiovisual, bem interessante para quem quiser usar a obra para pesquisa. O livro também recebeu indicação para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem e Documentário.

Essa é a sinopse oficial  do “O Réu e o Rei”, disponível no site da Companhia das Letras:

Em novembro de 2006, Paulo Cesar de Araújo lançou Roberto Carlos em detalhes, primeira biografia de fôlego do maior ídolo da música brasileira. A recepção imediata do livro foi proporcional ao tamanho da empreitada. Em poucos dias, ele ganhava resenhas entusiasmadas e atingia a lista de best-sellers. Não foi para menos: o trabalho consumiu dezesseis anos de pesquisa, contou com centenas de entrevistas com as maiores personalidades da MPB e figuras-chave na vida do cantor, e condensava em uma narrativa ágil e equilibrada todo o percurso do ícone da Jovem Guarda. Mas a boa onda duraria pouco. Em sua coletiva de Natal daquele ano, Roberto Carlos reagiu com virulência quando indagado sobre o livro. Acusando o autor de invadir sua privacidade, disse que o caso já estava com seus advogados, que em breve entrariam na Justiça para impedir a circulação da biografia. Em 10 de janeiro de 2007, o rei de fato bateu às portas dos tribunais contra o autor e sua então editora. Foi o início de uma rumorosa batalha judicial, dolorosíssima para todas as partes, e também de uma das mais graves agressões à liberdade de expressão na história brasileira recente. A reação que se seguiu à notícia de que Roberto Carlos propusera ações nas esferas cívil e criminal contra Paulo Cesar – que resultaram na apreensão do livro – ocupou os principais veículos de comunicação do país e alguns no exterior. A polêmica envolveu não só personalidades da política, da cultura e das artes no Brasil, como pessoas comuns, que comentavam avidamente o caso, em redes sociais, blogs, praças, praias, bares. Nunca antes o debate sobre a proibição de uma obra alcançou tamanha repercussão no país. O livro conta a história interna dessa história. Os detalhes, os bastidores. Trata de música e censura. De artistas e advogados. De entusiasmo juvenil e audiências judiciais. Da busca por fontes e negativas. Da luta entre liberdade de expressão e controle da informação. É, antes de tudo, a história de um biógrafo que tenta encontrar sentido nos anos dedicados a estudar a trajetória de seu ídolo na música brasileira. É uma história ainda sem ponto final, mas sobretudo por isso necessária, que deve ser lida por todos os que se interessam pela discussão em torno da liberdade de expressão em nosso país.

E aqui tem um trecho em PDF.

Depois de terminar esse livro, que foi até rápido de ler, considerando as 521 páginas, fiquei ainda mais curiosa para ler a biografia, que estará pronta em edição atualizada e ampliada no ano que vem, graças à decisão do Supremo Tribunal Federal, que acabou com a exigência de autorização prévia do biografado para a publicação de biografias. O livro será publicado pela Editora Record em 2016, como uma edição revista e ampliada da biografia anteriormente veiculada pela Planeta.

A TV Estadão publicou um vídeo falando de alguns assuntos que deverão estar no novo livro. Veja:

YouTube Preview Image

E nesse vídeo da TV Futura, Paulo Cesar fala da biografia:

YouTube Preview Image

Outra obra do autor bastante elogiada é “Eu não sou cachorro, não”, dissertação de mestrado de Paulo Cesar de Araújo. Essa é a sinopse:

Artistas considerados bregas – como Odair José e Waldik Soriano – sempre apareceram no topo da lista de mais vendidos. Veiculados nas rádios, frequentavam os programas de auditório, mas não receberam o devido respeito e espaço em livros e teses, pois freqüentemente eram associados à ditadura militar. Em neste livro, o historiador Paulo César de Araújo preenche essa lacuna na historiografia da música popular brasileira e mostra como as figuras mais demonizadas por aderirem à cultura oficial durante os anos de chumbo, na verdade, foram tão ou mais perseguidas pelo regime quanto os artistas de esquerda. Atire a primeira pedra quem nunca cantarolou uma letra de música popular cafona. Apesar de gosto duvidoso, as melodias fazem parte do patrimônio afetivo de milhares de brasileiros. Músicas como ´Eu não sou cachorro, não´, ´Pare de tomar a pílula´ e ´Cadeira de rodas´ fazem parte do repertório de um Brasil dos excluídos, um país mergulhado na ditadura militar e sacudido tanto por marchas moralistas de apoio à família, à propriedade e à Igreja quanto pela guerrilha urbana.

E esses são os livros citados nessa resenha:

 

12789_g

O Réu e o Rei

Companhia das Letras

R$ 34, 50

521 páginas

Eu não sou cachorro não Livro_capa

Eu não sou cachorro, não

Record

R$ 55

448 páginas

 

 

 

19:10 · 11.10.2015 / atualizado às 19:10 · 11.10.2015 por

Psicólogos e psicopedagogos afirmam que a leitura pode ser feita para bebês da mais tenra idade e que podem trazer benefícios até mesmo quando ainda estão no útero. Para quem ama ler e pretende presentear uma criança neste dia 12 com livros, o Sopa de Livros traz sete dicas, tanto para os mais novinhos, como para os que já sabem ler, que devem agradar. Vamos aos livros:

Para os menores, indicamos aqui o “Não derrame o leite!”.  Com ilustrações de Christopher Corr, que mais parecem quadros de Arte Naïf, o livro mostra lições de solidariedade com a história da menininha Penda, que mora em um vilarejo na África e vai levar leite para o seu pai, que está trabalhando. Mesmo passando por um caminho longo, com dunas e várias coisas lindas pelo caminho que poderiam distraí-la pelo caminho. A menina segue com todo o cuidado para deixar o leite para o pai, sem derramar. No desfecho, uma lição que vai comover pais e filhos. O livro foi publicado originalmente em inglês e foi lançado na Inglaterra em 2013. Quer ver? Aqui está o link.

 

leite

Não derrame o leite!

Stephen Davies/ Christopher Corr

Tradução: Helena Carone 

Editora Zahar

Preço: R$ 39,90

Outra boa dica que deve agradar tanto os adultos, como crianças pequenas é a versão clássica de bolso para os Contos de Fadas. Com as histórias originais de A Bela Adormecida, Branca de Neve, Cinderela, A Pequena Sereia, a História dos Três Porquinhos e mais 15 contos, a obra traz apresentação de Ana Maria Machado em uma edição supercharmosa, com capa dura e ilustrações, além de um precinho bem camarada.

download

Contos de Fadas de Perrault, Grimm, Andersen &  outros

Coleção Clássicos Zahar

Preço: R$ 26,90

Já para os maiores, que já tem certa fluência na leitura, lá para os oito ou nove anos, temos quatro novos livros. O primeiro deles é “Malala, a menina que queria ir para a escola”, da jornalista Adriana Carranca, que viajou até o vale do Swat, no Paquistão, hospedou-se com uma família local e conta nesse livro, também ilustrado e com fotos, o que aprendeu sobre a mais jovem ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.

 
4b848e67-b345-4196-bdd2-32ba5f830e85

Malala, a menina que queria ir para a escola

Adriana Carranca/Bruna Assis Brasil

Companhia das Letrinhas

Preço: R$ 25

Outra opção é “O Yark”, que pode assustar um pouco as crianças à primeira vista, porque o protagonista é um ogro comedor de criancinhas comportadas. Mas, como todo mundo, ele tem suas fraquezas. E a dele é o estômago sensível para crianças sapecas demais  e isso o aproxima um pouco de monstros como os do Monstros S.A. Como no mundo de hoje é cada vez mais difícil achar crianças assim, ele vai atrás da lista do Papai Noel e assim encontra as crianças mais comportadas do mundo  que vão aproveitar para fazer bastante travessuras para escapar da morte certa. Lançado em 2011 na França, os direitos de publicação do livro foram vendidos para cerca de 10 países e a obra ainda foi adaptada para o teatro.

DE

O Yark

Bertrand Santini/Laurent Gapaillard

Tradução: Joana Angélica D’Avila Melo

Preço: R$ 29,90 (livro impresso)/R$ 19,90 (E-book)

Um dos mais divertidos lançamentos desse ano é O Livro sem Figuras. Sem lançar mão de nenhuma ilustração, o livro se propõe a, de forma lúdica, brincar com as palavras e seus sons, como borongotongo e uengarengas. Mas, diferente das outras dicas que damos aqui, esse é bem mais divertido se tiver um adulto lendo para a criança.

untitled

O Livro sem Figuras

B.J Novak

Editora Intrínseca

Preço: R$ 29,90/e-book: R$ 19,90

Outro lançamento é o clássico O Pequeno Príncipe, que ganhou edição em capa dura, para compor a coleção de clássicos de bolso, mas da Zahar voltada para os adultos. O charme da edição fica por conta das folhas de rosto e das ilustrações originais do autor. No final também tem uma cronologia, com a vida e a obra de Saint-Exupéry, que completou 70 anos de morte nesse ano.

OPequenoPrincipe

O Pequeno Príncipe

Antoine de Saint-Exupéry

Tradução: André Telles e Rodrigo Lacerda

Preços: R$26,90 (impresso)/R$9,90 (digital)

Para finalizar, tem aventura nova de Pilar, que dessa vez vai para a África, junto com seus companheiros de sempre, Breno e o gato Simba. Lá, eles conhecem Fummi, uma princesa iorubá e tentarão salvar sua família e seu povo, capturado por comerciantes escravos. Dessa vez, a história se passa, entre outros locais, na Nigéria e Angola, de onde muitos escravos foram capturados para vir ao Brasil, na época da escravidão e conta com várias informações sobre o continente africano, assim como a cultura e a religiosidade e a culinária, que guarda muitas semelhanças com pratos brasileiros. Quem quiser saber mais sobre Pilar, ainda pode acompanhar através do blog diariodepilar.wordpress.com

a

Diário de Pilar na África

Flavia Lins e Silva/ Joanna Penna

Preço: R$ 44,90

10:25 · 14.08.2015 / atualizado às 10:28 · 14.08.2015 por

Em homenagem aos 70 anos da morte de Saint-Exupéry, a editora Zahah lançou, dia 13, a edição bolso de luxo da obra-prima do escritor, O Pequeno Príncipe.

11885746_10153129559027810_199335295184579172_o

Com padrão de qualidade da coleção Clássicos Zahar, o livro traz o texto integral da obra original em nova tradução, além de todas as ilustrações clássicas em cores e cronologia da vida e obra do autor.

Enquanto os exemplares não chegam nas livrarias, a obra só pode ser adquirida através do site da editora e seus parceiros, em versão impressa ou e-book.

Leia aqui um trecho da obra.

 

*Texto de Rosiane Melo – estagiária do Núcleo de Entretenimento do Diário do Nordeste

 

16:00 · 04.05.2015 / atualizado às 16:00 · 04.05.2015 por

A autora gaúcha Letícia Wierzchowski, que ficou conhecida nacionalmente com o seu romance “A Casa das Sete Mulheres”, adaptado para a televisão como série da Rede Globo e vista por mais de 30 países, lança dois novos livros em maio.

YouTube Preview Image

 Aqui, o trailer em inglês da série, já reprisada três vezes na televisão brasileira, com a participação de atores como Giovana Antonelli, Werner  Schunemann e Thiago Lacerda

 

O primeiro, “Coração de Mãe”  traz poesias endereçadas às mães, da Editora Agir, com lindas fotos de Carin Mandelli, bem no estilo daqueles livros presentes, fofos e que emocionam.

coracao

 Coração de Mãe

Letícia Wierzchowski

Preço médio: R$ 25

80 Páginas

Já o segundo, “Navegue a lágrima”,  será lançado pela Editora Intrínseca.  Na sinopse, a ex-editora Heloísa decide partir de São Paulo para viver numa península uruguaia, na casa que pertenceu à família Berman, gente que ela conheceu de longe, dos tempos em que trabalhou no mercado editorial. E, anos depois de a família ter deixado a casa de tantos verões e felicidades, lá estão novamente os Berman, para o espanto de Heloísa — onipresentes, vívidos e tão humanos que nunca saberemos se o que a editora vê entre aquelas paredes é sonho, delírio ou uma curiosa e inexplicável intersecção temporal.

Nesta obra, mais uma vez, a casa, tanto em seu aspecto físico, como o de lar que agrega seus habitantes, tem grande importância.

navegue

 

Navegue a lágrima

Letícia Wierzchowski

Editora Intrínseca

Preço e-book: R$ 17,90

Preço livro físico: R$ 26,90

208 páginas

Sobre a autora

Além desses dois livros, Letícia escreveu outros 12 livros voltados para o público adulto, além de quatro para crianças.

Autora_Leticia-Wierzchowski_crédito-Calin-Mandelli_Sal_redes

Letícia Wierzchowski

Antes de ser escritora, Letícia Wierzchowski estudou em uma faculdade de arquitetura, curso que não chegou a completar. Foi trabalhando no escritório de construção civil de seu pai, que começou a escrever ficção. Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, “O anjo e o resto de nós”, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul. Seu livro mais recente foi lançado em 2013, “Sal”, também pela Intrínseca.

Além dos livros, ainda trabalha em parceria com Tabajara Ruas, no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de Érico Veríssimo.

14:29 · 13.04.2015 / atualizado às 14:56 · 13.04.2015 por

A capital cearense completa 289 anos nesta segunda-feira. A data foi instituída para lembrar quando ela foi elevada a  vila, mas antes, muito antes, já existia o agrupamento de pessoas nessa área do Ceará. Depois dos índios, os primeiros forasteiros que aqui chegaram foram espanhóis, liderados por Vicente Pinzón, três meses antes de Pedro Álvares Cabral aportar em Porto Seguro. Para compreender o processo formativo da cidade e relembrar outros tempos da cidade, o Sopa de Livros elenca algumas obras, de vários estilos, para quem é apaixonado pela “loura desposada do Sol”, conforme a caracterizava o poeta Paula Nei. Vamos às dicas:

1. História urbana e imobiliária de Fortaleza – biografia sintética de uma cidade

Esse livro, lançado em 2014, faz um apanhado da história do Ceará desde antes de os estrangeiros aportarem por aqui até o Ceará mais voltado para o turismo e eventos de hoje. É realmente uma biografia muito bem escrita pelo autor do premiado “Getúlio”, Lira Neto, em parceria com a também jornalista Cláudia Albuquerque. Um dos diferenciais da obra é o rico acervo fotográfico, além de contar com capa dura e páginas em papel couchê. Também traz informações pouco divulgadas a respeito da ocupação de áreas hoje ditas nobres, como as Dunas, Cocó, através do olhar dos primeiros que investiram em terrenos nesses locais e bastante das pitadas sarcásticas de alguns momentos em que Fortaleza quis ser Paris, esquecendo-se dos muitos problemas  que assolavam os moradores.

 

lira2

O livro conta com várias linhas do tempo ilustradas, para facilitar a compreensão do leitor

lira3

As fotografias e reproduções de gravuras chegam a ocupar duas páginas e são um dos diferenciais dessa obra

lira

História urbana e imobiliária de Fortaleza – biografia sintética de uma cidade

Lira Neto e Cláudia Albuquerque

Editora Braba

197 páginas

Preço médio: R$ 100

2. Outros tempos

Para criar esse romance policial ambientado nos anos 1940, em plena guerra, o autor, já entrevistado pelo blog,  fez ampla pesquisa nos jornais de época, além dos livros que descreviam  o que acontecia e como era a rotina dos moradores de Fortaleza nesse período. Mas não se trata de uma obra para somente para saudosistas, porque o suspense, muito bem construído, prende o leitor em uma história instigante, além de fazer uma viagem por lugares que outrora foram bastante valorizados e hoje, não passam de ruínas. Para ler com um olhar mais atento aos prédios desprezados pela cidade, em especial, nos bairros Centro, Benfica e Jacarecanga, outrora nobres e hoje, nem tanto.

outros

Outros tempos

Leonardo Nóbrega

Editora Premius

311 páginas

Preço médio: R$ 35

3. Relembranças

Nessa obra, composta só por crônicas, escritas a partir de 1958 e publicadas nos jornais, Milton Dias desfia suas impressões da cidade que o acolheu ainda criança e relembra sua juventude. Essa obra fala de locais importantes da cidade, como a Praça do Ferreira e ainda traz crônicas em que o autor declara seu amor à cidade. O livro foi lançado, originalmente, em 1983 pela Universidade Federal do Ceará e, por ser antigo, é possível encontrá-lo em sebos.

RELEMBRANCAS

Relembranças

Milton Dias

Edições UFC

345 páginas

Preço médio: R$ 20

4. Fortaleza Velha

Neste livro, que ganhou nova edição em 2013, o olhar do cronista João Nogueira, engenheiro, inventor e que, nas horas vagas, escrevia para vários jornais daqui, aponta muitas das transformações de Fortaleza no fim da chamada Belle Époque e durante a Segunda Guerra Mundial. Nos seus textos, além do saudosismo, está presente uma fina ironia que nos leva ao riso em vários momentos. Desses 28 textos, escritos entre 1921 e 1943, ele descreve como foi a demolição de ícones arquitetônicos como o sobrado do Comendador Machado, que deu lugar ao Hotel Excelsior, ainda de pé na Praça do Ferreira e a antiga Igreja de São José, demolida para a construção da Catedral Metropolitana de Fortaleza. Outras passagens que nos fazem viajar no tempo é a descrição de todas as edificações da antiga Rua Formosa, hoje Barão do Rio Branco, assim como a história do Passeio Público desde a sua construção até o seu primeiro período de decadência, nos anos 1930.  As crônicas que tratam dos circos e teatros, da festa dos Caboclos da Parangaba e das eleições (sangrentas e desonestas) dentro das Igrejas são igualmente deliciosas. A organização da obra, assim como as notas de rodapé couberam ao escritor Raymundo Netto. Não pode faltar na estante de quem gosta de rememorar a cidade.

fortaleza-velha-colecao-nordestes-joao-nogueira-8563171623_600x600-PU6ea526ea_1

Fortaleza Velha

João Nogueira

Coleção Nordestes

205 páginas

Editora Armazém da Cultura

Preço médio: R$ 28

5. As três Marias

No romance publicado por Rachel de Queiroz em 1939, além da amizade profunda entre Maria Augusta (Guta), Maria José e Maria da Glória, várias paisagens urbanas de Fortaleza são descritas, como o Colégio da Imaculada Conceição, onde as três se conhecem. Narrado por Guta, percorre os caminhos diversos em que cada uma das três constrói a sua história.  Glória se transforma em uma dedicada mãe de família, Maria José se entrega à religião, enquanto Guta corre em busca de sua independência. Seu ideal é viver sozinha, seguir seu próprio caminho, livrar-se da família, romper todas as raízes, ser completamente livre. Mas o destino e o amor acabam revelando-se para Guta bem menos doces do que os livros de poesia que elas costumavam ler na escola.  Esse é outro livro fácil de achar em sebos, por preços bem acessíveis.

marias

 

As Três Marias

Rachel de Queiroz

Editora José Olympio

204 páginas

Preço médio: R$ 23

6. Fortaleza Belle Époque – reforma urbana e controle social (1860-1930)

Fruto da pesquisa de dissertação de mestrado defendida em 1992 na PUC de São Paulo, pelo professor do curso de História da Universidade Federal do Ceará, Sebastião Rogério Ponte e esgotado há vários anos, ganhou nova edição das Edições Demócrito Rocha no ano passado. A obra analisa o processo de remodelação urbana e disciplinarização social por que passou a capital cearense entre o final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Entre os fatos analisados, estão as campanhas de higienização física e moral da população, imposição de novos padrões europeizados de condutas públicas e privadas, asilamento de mendigos e doentes mentais, e práticas policiais de controle das camadas pobres. Ainda contempla a sátira, o deboche e a irreverência como formas de resistência popular contra as cotidianas tentativas dos poderes e saberes locais em disciplinar a sociedade.

EPOQUE

Fortaleza Belle Époque – Reforma  urbana e controle (1860-1930)

Sebastião Rogério Ponte

Edições Demócrito Rocha

220 páginas

Preço médio: R$ 60

7. A Normalista

Nesse romance realista e naturalista, além de conhecer a triste sina da protagonista Maria do Carmo, é possível passear pela Fortaleza do fim do século XIX, com sua velha Estação de Trem, os sítios afastados do Benfica, a Escola Normal, responsável pela má fama de suas alunas e que se situava na Praça José de Alencar, ao lado do Theatro e o  descampado rural do Cocó, com pouquíssimas choupanas, bem diferente do emaranhado de arranha céus de hoje. Vale a leitura para conhecer mais sobre a história da cidade nessa ousada história de Adolfo Caminha. Também fácil de encontrar em sebos e, por já contar mais de cem anos de seu lançamento, é de domínio público, podendo ser baixado por aqui.

norma

A Normalista

Adolfo Caminha

Editora Ática

156 Páginas

Preço médio: R$ 15

 8. Royal Briar – A Fortaleza dos anos 1940

Como memorialista, Marciano Lopes descreve a Fortaleza do seu bem-querer, que o recebeu ainda criança, dos braços de Aracati, após uma tragédia pessoal. Marciano  nos convida nessa obra a conhecer não só as ruas, casarões e edificações da cidade nessa época, mas também suas galhofas, seu comércio, o Carnaval, seus produtos  e até mesmo as pensões alegres mantidas em antigos casarões do Centro. Como Marciano detinha um grande acervo fotográfico, nesse livro são expostas várias dessas fotos raras, conseguidas com famílias da sociedade, além de registros do grande pesquisador Nirez.

tumblr_m661d08xEx1qe3rhho1_1280

Uma das propagandas do tal Royal Briar

E o livro:

royal-213x300

Royal Briar

Marciano Lopes

Editora Armazém da Cultura

218 páginas

Preço médio: R$ 30

16:14 · 30.03.2015 / atualizado às 16:28 · 30.03.2015 por

Continua enquanto durarem os estoques a promoção da editora Cosac Naify no site da Livraria Cultura. Além de livros impressos, vários e-books também estão na lista, que inclui desde clássicos como  Os contos dos irmãos Grimm, como livros mais densos, como Antropologia Estrutural, de Lèvi Strauss e alguns infantis e infanto-juvenis. A lista completa das obras em promoção está disponível aqui.

Abaixo, indicamos alguns que estão com preços imperdíveis.

15004034

 

Lilás – uma menina diferente

Autora: Mary E. Whitecomb

Tradução: Charles  Cosac

Ilustrador: Tara Calahan King

Preço: De R$ 39 por R$ 15

TOLSTOI

Kadji-Murat

León Tolstoi

Preço: de R$24.90 por R$ 10

CONTOS

Contos Clássicos de Grimm

(livro digital) 

Preço: R$ 5

CRITICA

Crítica, Teoria e  Literatura Infantil

Peter Hunt

(Livro Digital)

R$ 2,99

FESTA

A festa de Babette

Karen Blixen

(Livro digital)

R$ 9

 

 

17:11 · 02.03.2015 / atualizado às 11:29 · 03.03.2015 por

Após lançar obras  como Os Maias, de Eça de Queirós e Vinte mil léguas submarinas, de Júlio Verne, em edições luxuosas, com belas ilustrações e muitas notas de rodapé, a editora Zahar inicia a publicação de obras da Literatura Brasileira nessa coleção.

maias

Obra Os Maias faz parte da coleção de clássicos da Zahar. O e-book custa  R$ 29,90  e o impresso, R$ 69,90

A primeira é O Ateneu, de Raul Pompeia, já nas livrarias de todo o País, que traz o texto integral e as 44 ilustrações originais do autor, além de notas explicativas e uma apresentação que recupera as principais linhas interpretativas do romance, desde a época de sua publicação até nossos dias.

A obra, publicada em 1888, discorre sobre  Sérgio, o narrador que revive a traumática experiência do internato e o sofrido rito de passagem da infância para a adolescência. Nesse livro, Raul Pompeia rompe barreiras temáticas – como a homossexualidade e a formação viciosa da elite brasileira – e estilísticas, transitando livremente entre a ficção, a poesia e o ensaio.

ateneu

O Ateneu está nas livrarias por R$ 39,90. Já o e-book sai por R$ 19,90.

O Sopa de Livros entrevistou o conselheiro editorial da Zahar e coordenador da Coleção Clássicos, Rodrigo Lacerda, para saber mais sobre a série e quais as novidades após esse primeiro lançamento da Literatura Brasileira na coleção. Confira:

1. Como se deu a seleção das obras que fariam parte das edições de luxo comentadas e ilustradas e das edições de luxo de bolso da Zahar?

Para entender a coleção Clássicos Zahar, o importante é ter em mente um conceito nada rígido da palavra “clássico”. Temos clássicos no sentido mais rigoroso do termo, como o volume com quatro tragédias gregas; temos clássicos populares, como Tarzan, Os três mosqueteiros e 20 mil léguas submarinas, e temos clássicos da literatura no sentido mais usual, como por exemplo o Persuasão, da escritora inglesa Jane Austen. Há também os livros menos conhecidos de autores clássicos, como o histórias de terror do Alexandre Dumas, que não é conhecido por escrever nesse gênero. A ideia é que há várias formas de um livro se tornar clássico, e todas elas são válidas.

2. Desde quando vocês publicam esse tipo de obra e quantos livros já foram publicados nessa coleção?

O primeiro livro nessa linha a publicarmos foi Alice no país das maravilhas. Depois, vieram o Conde de monte Cristo e Os três mosqueteiros. Até então, eram publicações fora de coleção, mas com o sucesso que tiveram, percebemos que havia espaço para mais uma coleção de clássicos, menos rígida, mais inventiva, com apresentações originais e notas para cada volume.

3. Como você vê o interesse dos leitores para obras clássicas?

Acho natural. Quando o livro é bom, ele não envelhece. O clássico é aquele livro que você lê sem se preocupar com modismos literários, pois já foram testados e retestados, e isso é muito saudável na formação do público leitor.

4. Investir no formato seria uma forma de atrair o público para esse tipo de leitura?

Claro que sim. Acho que o jovem leitor, sobretudo. Ele precisa de
incentivos, e precisa perder o medo que a palavra “clássico” pode inspirar, como se fosse necessariamente algo distante da sua realidade e até tedioso. Pelo contrário, a esmagadora maioria dos clássicos são extremamente preocupados com o leitor e em manter seu interesse, tornando-se portanto muito divertidos.

5. Por que a demora em publicar um livro da Literatura Brasileira nessa coleção?

Primeiro por que, nessa área, a lacuna era menos gritante do que na área dos clássicos infanto-juvenis. Há muitas edições da maioria dos clássicos brasileiros. Além disso, para fugir do óbvio, que seria publicar mais uma edição do Memórias Póstumas de Brás Cubas, do Machado de Assis, precisávamos escolher bem por qual título começar.

6. E por que a escolha da obra O Ateneu para ser a primeira?

O Ateneu, por tudo que representou para a literatura brasileira, e pelo retrato que faz da sociedade brasileira, da sua época e, infelizmente, até hoje em certos aspectos, continua tendo uma atualidade imensa. A apresentação do prof. Ivan Marques, ao recapitular o que já se escreveu sobre o livro, deixa bem claro o papel central desse livro na nossa cultura.

7. Quais serão as próximas obras de Literatura Brasileira a serem incluídas entre os lançamentos da editora?

Ainda não temos nada programado. Mas creio que, da próxima vez, com nova apresentação e as notas que caracterizam a coleção, já poderemos fazer um Machado de Assis sem medo de estarmos chovendo no molhado.

 

 

13:49 · 21.02.2015 / atualizado às 13:49 · 21.02.2015 por

Para quem aprecia a obra do modernista Mário de Andrade, várias boas notícias neste ano. Às vésperas de sua obra ser disponibilizada no domínio público, dez livros relacionados ao escritor estão com previsão de lançamento neste 2015, entre eles o inédito “Café”, a ser publicado pela editora Nova Fronteira até julho.

mario de Andrade

O escritor Mário de Andrade será o homenageado dessa edição da Festa Literária de Paraty, em julho.

O primeiro lançamento já ocorre nessa quarta-feira, dia 25, no aniversário de morte do escritor. No Rio, a Edições de Janeiro e a Fundação Biblioteca Nacional apresentam “Eus ou Trezentos: Mário de Andrade, Vida e Obra”, de autoria do pesquisador Eduardo Jardim.

eduardojardimmario

Eduardo Jardim lança no dia 25 a nova biografia de Mário de Andrade

Ainda nesse semestre, serão lançados três e-books de Mário de Andrade: “Música de Feitiçaria”, “As Melodias do Boi” e “Pequena História da Música”.

E para aproveitar os últimos momentos de uma obra protegida pela lei de direitos autorais, já que as obras de Mário de Andrade passam a ser de domínio público em 2016, a editora Nova Fronteira, responsável, com o Instituto de Estudos Brasileiros, pelos volumes de Mário de Andrade disponíveis hoje, irá lançar um romance inédito do autor “Café”, além de uma coletânea de contos e crônicas e a graphic novel “Macunaíma em São Paulo: O nascimento de um Brasil”, com roteiro de Izabel Aleixo e ilustrações de Kris Zullo.

Os três devem estar prontos até julho, para as homenagens que o autor irá receber durante a Festa Internacional de Paraty, entre os dias 1º e 5.

Outra biografia que deve ser lançada em breve é “As vidas de Mário de Andrade”, de Jason Tércio, que trabalha nessa obra há 10 anos.

Ainda em 2015, a Edusp e o IEB também lançam, pela coleção Correspondências de Mário de Andrade, as cartas trocadas com Lasar Segall, organizadas por Vera Dorta e as que foram trocadas com Alceu Amoroso Lima, que trazem a organização de Leandro Garcia Rodrigues, com coedição da PUC-Rio.

Com informações do O Estado de S. Paulo.

16:29 · 25.11.2014 / atualizado às 08:54 · 26.11.2014 por

“Tinha suspirado. Tinha beijado o papel devotamente! Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades, e o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas, como um corpo ressequido que se estira num banho tépido; sentia um acréscimo de estima por si mesma, e parecia-lhe que entrava enfim numa existência superiormente interessante, onde cada hora tinha o seu encanto diferente”

Esse trecho do clássico “O Primo Basílio”, do aniversariante de hoje, Eça de Queiroz, foi recitado por Arnaldo Antunes na música “Amor, I Love You”, de Marisa Monte e talvez tenha sido decorado por muitos, devido ao sucesso da canção nos anos 1990.

O autor português nasceu em 25 de novembro de 1845 em Póvoa de Varzim. Concluiu o curso de Direito na Universidade de Coimbra em 1866. Dois anos depois se estabeleceu como advogado em Lisboa, mas também atuou como jornalista. Três anos depois, em 1869, vai para a Palestina e depois para o Egito, a fim de fazer a reportagem da inauguração do Canal de Suez. Em 1870, é aprovado em concurso para a carreira diplomática e em 1872 é nomeado cônsul em Havana, Cuba. Em 1884, é transferido para a Inglaterra e em 1888 vai servir em Paris, onde morre em 16 de agosto de 1900.

ramalho_ortigao_e_eca_de_queiroz,_1875

Ramalho Ortigão e Eça de Queiroz

Sobre o seu sobrenome, existe dúvida se é grafado com “S” ou “Z”. Livros dele lançados no Brasil usam as duas formas. De acordo com o filólogo Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, pelo novo acordo ortográfico nomes próprios são usados conforme o registro do nascimento pela própria pessoa (Eça foi registrado como Queiroz), mas nada impede os outros escrevam sob as normas vigentes (no caso, Queirós). Portanto, ambos estão corretos.

Eça foi o único romancista português do século XIX a conquistar fama internacional, no nível dos grandes realistas, como exemplos Gustave Flaubert e Émile Zola.  Irônico, criticava com sarcasmo e elegância (característica primeira dos seus escritos) o provincianismo de uma pequena burguesia atormentada por preconceitos e hipocrisias.

Sua obra, além de deliciosa de se ler, foi amplamente adaptada para o teatro, o cinema e a televisão. O Primo Basílio, por exemplo, foi adaptado para o cinema por Georges Pallu, em 1922. Em 2007, a Globo filmes lançou nova adaptação do livro.

Veja o trailer:

YouTube Preview Image

Antes, em 1988, já tinha virado série da emissora, quando Giulia Gam, Tony Ramos e Marcos Paulo eram os principais personagens do triângulo amoroso. Escrito em 1878, quando Eça de Queiroz ocupava um posto como diplomata em New Castle, na Inglaterra, o romance  se passa em Lisboa, no final do século XIX, e conta a história do envolvimento amoroso entre dois primos. A narrativa apresenta quatro personagens centrais: Luísa, seu primo Basílio, seu marido, Jorge, e a empregada Juliana.

Essa é a cena em que Juliana descobre o segredo de Luísa:

YouTube Preview Image

E essa é uma das edições do livro:

primo_basilio_o_9788525408204_m

Editora: L&PM Pocket

Preço médio: R$ 15,90

Em 2001, a Globo lançou outra minissérie inspirada em livro de Eça, “Os Maias”, com Ana Paula Arósio e Fábio Assunção nos papéis principais e a portuguesa Madre Deus no tema de abertura. Recordemos o trailer, com Leonardo Vieira e Simone Spoladore:

YouTube Preview Image

Nesse ano, a Zahar lançou edição primorosa, inaugurando a publicação de obras-primas da língua portuguesa na coleção de clássicos. Essa edição traz o texto integral de Eça de Queirós; notas históricas e literárias; cronologia de vida e obra do autor; posfácio com as grandes linhas da crítica sobre o livro; e um anexo sobre o Clube do Eça e as gravuras com cenas e personagens do romance.

No resumo, Os Maias envolve irresistivelmente o leitor na atmosfera da Lisboa do final do século XIX. Tendo como protagonistas Afonso, Pedro e Carlos Eduardo da Maia, e apresentando outros personagens memoráveis, como João da Ega, Dâmaso Salcede, Maria Eduarda e o casal Gouvarinho, narra a trajetória de uma família, a história de um amor impossível e os rumos de um país.

maias

Editora Zahar

Preço do impresso: R$ 64,90

E-book: R$ 24, 90

Outra obra que ganhou as telas do mundo foi “O crime do padre Amaro”, em que Gael García Bernal é o protagonista, no longa lançado em 2002. Publicado em 1875, é o primeiro romance do autor e gerou polêmica, escândalo e revolta, sobretudo nos meios eclesiásticos e na alta sociedade. A obra retratava o recém-ordenado padre Amaro, que depara-se com as contradições e as impossibilidades do catolicismo tal como pregado e praticado. Amaro termina por envolver-se de maneira perigosa com a jovem Amélia, num drama levado à mais alta realização pela verve narrativa e estilística do autor.

O trailer:

YouTube Preview Image

O livro:

crime_do_padre_amaro_9788525410511_9788525422682_m

Editora L&PM Pocket

Preço médio: R$ 21,90

Pesquisar

Sopa de Livros

Blog da jornalista Kelly Garcia, da área Entretenimento, do Diário do Nordeste.
Posts Recentes

02h03mPara marcar na agenda

02h03mEm entrevista, Jorgeana Jorge revela seu processo de criação

03h03mAutor cearense Jairo Sarfati fala sobre seu livro e novos projetos

02h03mPara marcar na agenda

11h03mUFC lança livros-reportagem nesta quarta-feira

Ver mais

Tags

Categorias
Blogs