Sopa de Livros

Categoria: Entrevista


14:08 · 24.03.2016 / atualizado às 14:08 · 24.03.2016 por

Cearense de Várzea Alegre, Jorgeana Jorge tem dois livros publicados: “A espera de um adeus” e a continuação, “Desafiados a amar”. O primeiro foi publicado pela Editora Novo Século e lançado na Bienal do Livro de São Paulo e o segundo teve dez capítulos disponibilizados no wattpad, antes de estar à venda na Amazon. Os dois tratam do drama familiar do casal Cadore, à beira de uma separação e são bastante populares no skoob, inclusive o primeiro já está com edição esgotada. Na entrevista, a escritora fala sobre o processo criativo das obras, já que divide o trabalho de escritora com o ofício de professora no IFCE de Acaraú e o aconselhamento de casais na igreja que frequenta e quais as suas influências literárias. As capas dos livros estão no fim da entrevista, com os preços.

photo
Jorgeana Jorge divide o tempo entre a escrita dos livros, lecionar no IFCE e o aconselhamento de casais na igreja que frequenta

 

1. Como surgiu o interesse pelos livros? Em sua casa, a estante era recheada ou você lia mais na escola ou casa de parentes?

Meu interesse começou com os Gibis da Turma da Mônica. Na minha casa tinha uma coleção dos clássicos da Literatura, meu pai passava o dia lendo e me incentivava a ler. Ele foi um exemplo para mim. No entanto, foram os romances que pegava emprestado numa visinha que me encantaram de vez. Não conseguia mais largá-los. Foi aí que descobri meu gênero preferido.

2. Você é professora de Biologia. Como percebeu que queria ser escritora? Como faz para conciliar a escrita e o lecionar? Tem alguma rotina para a criação?

Foi justamente fazendo um comentário na coluna do Egídio Serpa, acredita? Meu esposo estava respondendo a um comentário e me chamou para ver se não havia nenhum erro. Aproveitei para ler a matéria e me empolguei para comentar também. Foi a fagulha necessária para reacender um desejo de adolescência que era escrever um romance. Promessa que fiz ao meu pai e cumpri anos depois. Sou professora no IFCE e trabalho com Botânica. Realmente não é nada fácil conciliar duas rotinas tão distintas e tão exigentes. Mas como a paixão pela literatura pulsa forte dentro de mim a gente acaba arrumando um tempinho para colocar os sonhos no papel. Gosto de ficar criando enredos em minha cabeça o tempo todo. Fico imaginando cenas, diálogos. O processo de maturação de um enredo pode durar dias ou meses. Vou anotando as ideias e quando ele está mais ou menos consolidado vou avançando na escrita. Antes de escrever, geralmente, tenho o começo, meio e fim da história. Mesmo que depois eu modifique alguma coisa, a ideia central está clara em minha mente. Infelizmente, não consigo colocar uma rotina de escrita mais rígida por conta do meu trabalho.

3. De onde busca inspiração para suas histórias? Às vezes, acontece de você encontrar alguma amiga e perceber que a história real dela renderia um livro?

Do cotidiano, das conversas de corredor, de uma matéria da internet. Tudo pode ser utilizado pelo autor. No caso dos meus dois livros, meu laboratório foi as conversas nos aconselhamentos de casais. Samantha Cadore, a personagem principal dos livros, não é uma mulher em especial, mas a junção das principais características compartilhadas por muitas mulheres casadas. Seus dilemas, suas lutas, neuras e superações. Talvez por isso tantas pessoas se identifiquem na leitura deles. As pessoas que estão ao nosso redor são fontes de inspiração inesgotáveis, de um jeito ou de outro.

4. Como fez para publicar no Wattpad? Já conhecia a plataforma? Quais são as principais vantagens e desvantagens dessa plataforma, a seu ver? Por que retirou seu segundo livro de lá?

Conheci a plataforma na Bienal do livro em Fortaleza. Uma das autoras que estava lançando um livro lá, me falou que havia sido descoberta por essa via. Fiquei curiosa em saber mais a respeito dessa ferramenta tão poderosa que era capaz de atrair o olhar de editores e não perdi tempo em conhecer. A principal vantagem é justamente a oportunidade de mostrar seu trabalho. O Wattpad lhe permite uma visibilidade interessante já que você posta seu livro em categorias específicas de acordo com o seu público leitor. A desvantagem é que muito material é publicado sem o devido filtro e você precisa garimpar bem para achar textos interessantes. Mas vejo essa iniciativa como positiva já que permite que escritores amadores rompam a barreira da timidez e deem os primeiros passos do que pode ser uma linda caminhada literária. Acho válida iniciativas assim.

5. Quantos livros já escreveu? Quais eram as temáticas?

Tenho cinco livros escritos e dois publicados. Escrevi À espera de um adeus na tentativa amorosa de despertar casamentos adormecidos. Desafiados a Amar acabou surgindo depois por sugestão dos próprios leitores que pediram uma continuação. Quando você ler o epílogo do primeiro livro vai entender bem o porquê. Mas esse gancho para uma continuação havia ficado sem pretensão nenhuma de um segundo livro.

6. Fale um pouco sobre seu novo livro. Já tem editora interessada? Como se deu o contato? Quando pretende lançar a versão impressa?

Desafiados a Amar se encontra disponível, por enquanto, apenas em formato de ebook. Embora o prazer de ter o livro em mãos seja um desejo quase majoritário dos leitores, o mercado digital está em franca expansão no País. Quis aproveitar a oportunidade para navegar em novos mares. O sonho de publicar um livro no Brasil não é algo mais tão distante quanto a alguns poucos anos. Atualmente, mesmos escritores iniciantes como eu, tem espaço para dialogar em algumas casas editoriais. À espera de um adeus foi publicado pela Novo Século Editora e sua continuação também virá pela mesma casa. Desafiados a Amar, não vai demorar muito. Estamos em processo de execução do projeto e em breve teremos novidades.

7. Quem são os autores que admira? Qual livro está lendo no momento? Você acha que essa nova geração gosta mais de ler ou não? Na sua opinião, o que pode ser feito para incentivar a leitura?

Gosto do estilo de escrita da Francine Rivers, Harlan Coben, Jojo Moyes. Inclusive estou lendo um livro da Jojo no momento – A última carta de amor. Martha Medeiros, Pedro Bandeira, Luís Fernando Veríssimo são autores brasileiros que gosto também, dentre tantos outros. Claro que não poderia deixar de fora os escritores dessa nova safra que muito tem nos alegrado com suas histórias encantadoras como Adriana Brazil, Lycia Barros (ambas prefaciaram, respectivamente, meu primeiro e segundo livro), Babi A. Sette, Samanta Holtz, Maurício Gomide, Edgar Lima e a lista se alonga. Acredito que os jovens estão lendo mais, sim. As facilidades de hoje são muito maiores e isso tem atraído mais leitores, principalmente o público teen. Sou otimista quando olho para o futuro da literatura no país mesmo em meio a tantas dificuldades. Uma delas é o valor dos livros que acredito que poderiam ser mais acessíveis. Deveriam ser criados projetos com a pretensão de democratizar o acesso ao livro e fomentar a leitura. Tanto para incentivar quem lê, bem como quem escreve.

download (2)
Editora Novo Século R$ 25

 

51WPu16TyXL._SX331_BO1,204,203,200_
E-book R$11,90
13:01 · 10.03.2016 / atualizado às 13:01 · 10.03.2016 por

O Sopa de Livros entrevistou o professor de História do Ceará, Airton de Farias. Na conversa, ele fala sobre a nova edição do seu livro História do Ceará, da Editora Armazém da Cultura, sobre seus novos projetos e os desafios para despertar o interesse pela nossa história.

10:48 · 12.02.2016 / atualizado às 10:56 · 12.02.2016 por

O Carnaval mal acabou e já trouxemos uma ótima entrevista com o autor cearense Mateus Lins. Escritor de O Reino de Mira (2012), podcaster do LiterárioCast e um dos facilitadores do projeto Laboratório de Escritores, Mateus bateu um papo com o Sopa para falar sobre tudo isso e muito mais.

Confira:

Ah, e amanhã acontece mais uma edição do Laboratório de Escritores, na Biblioteca Publica Espaço Estação (Rua 24 de Maio, 60 – Centro), a partir das 14h e com o tema “Cenários”. Detalhes aqui!

 

SOBRE OS LIVROS

o reino

 

O Reino de Mira (2012)

Modo Editora

Disponibilidade: http://reinodemira.blogspot.com.br/

sentimentos

Sentimentos à flor da pele

Financiamento Catarse

À venda em breve

*Por Rosiane Melo

10:54 · 12.11.2015 / atualizado às 10:58 · 12.11.2015 por

Hoje o Sopa está a todo vapor! A Livraria Cultura recebe, na noite desta quinta-feira,  sessão de autógrafos com o Pedro (sem sobrenome mesmo, para não distrair a imaginação), autor de “Um Cartão”, com quem nós batemos um papo por telefone.

Pedro

Mas antes da entrevista em si, vamos falar um pouco sobre o Pedro. Inspirado na “filosofia” da gentileza, ele começou a escrever mensagens/frases autorais que falam sobre amor, afeto e, é claro, gentileza. Seus cartões começaram a serem postados no Instagram, através da página Um Cartão, no estilo “Eu me chamo Antônio”. Logo o sucesso das mensagens conquistou milhares de seguidores e fãs do trabalho do Pedro.

Com o sucesso no Instagram, ele migrou para o Facebook e logo foi anunciado que o Pedro lançaria um livro, pelo selo Fábrica231 da Rocco, com a compilação das melhores postagens da página homônima do Insta.

Não há muitas informações sobre o autor, apenas o essencial: que ele escreve um manifesto pela gentileza.

Capa de "Um Cartão"
Capa de “Um Cartão”

Confira nossa entrevista:

1) Como surgiu o gosto pela escrita na tua vida?

Eu sempre gostei de escrever. Sempre fui muito emotivo e encontrei nas palavras um jeito de fazer o meu coração sorrir.

2) E como é a tua rotina de escrita?

Não existe um roteiro ou uma ordem certa ou determinada do que escrever ou quando escrever. Quando o meu coração é tocado de alguma forma as palavras vêm naturalmente.

3) Quais inspirações para criar a página Um Cartão?

A inspiração maior vem da vida e de tudo o que me cerca. Temos infinitas fontes de inspiração, é só uma questão da gente se permitir emocionar.

4) E de que forma esses pequenos cartões diários te influenciaram como pessoa?

Os cartões me mudam sempre. Cada cartão tem a sua história e me mudou de algum jeito. Hoje sou um homem melhor, um filho melhor, um amigo melhor. Toda a energia boa mora dentro da gente, só precisamos ajustar os olhos da alma pra encontrar isso.

Umcartãofosforo

5) Por que escrever sobre gentileza?

Estamos habituados a um mundo onde só encontramos notícias tristes e exemplos a não serem seguidos. Vivemos sob o medo e a desconfiança. Desaprendemos a acreditar nas pessoas, a confiar que tudo pode sim ser mais bonito e fácil desde que a gente se ajude, desde que a gente se entregue, se divida. Escrever sobre gentileza e sobre as outras tantas coisas bonitas que podem mudar tudo é o melhor jeito de dizer pro mundo que o amor um dia vai vencer. Isso só depende da gente.

6) Como é interagir com os internautas que seguem o teu trabalho? Você esperava que a página ficasse tão conhecida?

Eu costumo dizer que não tenho seguidores ou fãs. Eu tenho amigos que ainda não conheci, afinal, quem lê o meu coração várias vezes por dia e há tanto tempo merece todo o meu carinho e a minha gratidão. Nada foi planejado ou arquitetado. As coisas aconteceram de uma forma natural e isso me deixa extremamente feliz e motivado, porque mais gente quer participar dessa corrente, mais gente acredita que a gente pode mudar tudo com a força que vem dos nossos corações e isso não tem preço.

Umcartãotenis (1)

7) O que os leitores podem esperar do livro Um Cartão?

Quando o livro foi pensado, quis que ele fosse interativo do ponto de vista do coração. Por isso as páginas são destacáveis, por isso você pode marcar literalmente os amigos, os irmãos, os pais. É um jeito de mostrar que quando a gente se divide a gente vai mais longe, a gente deixa de ser um pouquinho da gente pra ser um pouquinho do outro e assim crescer junto. O livro é o Instagram da vida real.

8) Você começou a turnê de divulgação da obra recentemente. Como está sendo a experiência do contato olho no olho com os leitores que antes te acompanhavam apenas online?

Está sendo mágico! A energia das pessoas é realmente contagiante. Cada abraço, cada mensagem de carinho, cada olhar trocado me deixam tão feliz. Sou e sempre vou ser muito grato e eu preciso das pessoas para poder escrever. Elas me abastecem com as relações que eu preciso pra continuar colocando o meu coração no papel. Elas fazem tudo acontecer. É por elas e sempre vai ser.

Ou é o que a gente acha_arte

9) E os projetos futuros?

Eu tô tão feliz e empolgado com essa que ainda estou anestesiado sobre o que vai acontecer no futuro. Penso com todo o carinho do mundo em tudo o que pode ser feito, em todas as possibilidades e guardo pra maturar mais um pouquinho a ideia, pra ver como isso pode sair de um jeito bem lindão do papel. Hoje existem outros produtos além do livro. Fiz para cada cidade da turnê uma caneca especial, colocando toda a minha gratidão por todo mundo estar me recebendo tão bem. Existem também os Cadernos de Sentimentos, que são os cadernos que uso para fazer os frases que vão para o Instagram e as Notas de Amor, que são pequenas doses de amor em um caderninho todo especial.

 

SERVIÇO

Sessão de autógrafos do livro “Um Cartão”, com Pedro

Livraria Cultura Varanda Mall, a partir das 18h

 

Onde encontrar o Pedro

Site: http://www.umcartao.art.br/

Facebook: https://www.facebook.com/umcartao/?fref=ts

Instagram: https://www.instagram.com/umcartao/

 

*Por Rosiane Melo – Estagiária do Núcleo de Entretenimento

10:42 · 03.11.2015 / atualizado às 10:42 · 03.11.2015 por

O Sopa teve a oportunidade de entrevistar o cearense Paulo Razoni Barroso, que lançou no mês passado “Cáctus”, seu primeiro livro de contos.

"Cáctus", pela editora Premius
“Cáctus”, pela editora Premius

Na entrevista, o escritor falou um pouco sobre seu processo de escrita e as muitas inspirações para a obra. Confira abaixo:

Razoni também adiantou que pretende lançar em breve o primeiro romance. “Libélula” irá contar a história de uma atriz de teatro londrina que passa por grandes reviravoltas em sua vida.

 

*Por Rosiane Melo – Estagiária do Núcleo de Entretenimento

10:06 · 02.10.2015 / atualizado às 10:14 · 02.10.2015 por

12080717_1022170477803148_326962671_n

O poeta cearense e co-fundador da Editora Substânsia, Talles Azigon, concedeu uma entrevista exclusiva para o Sopa de Livros e falou um pouco sobre poesia, inspirações, e seu mais recente lançamento, o livro de micropoemas inspirados na poesia marginal dos anos 1970, “MARoriGINAL”.

Além de poeta, Talles também é produtor cultural e contador de histórias. Fundou a Substânsia ao ao lado dos amigos Nathan Matos e Madjer Pontes, com a intenção inicial de autopublicação. A iniciativa, no entanto, deu tão certo, que a editora passou a publicar autores cearenses e de outros estados do Brasil.

“MARoriGINAL” é o seu segundo livro publicado pela Editora Substânsia (o primeiro foi “Três Golpes D’Água”).

 

 

Confira a entrevista:

 

Trechos de MARoriGINAL:
Nu escuro

“Depois de fechados os olhos
Os corpos somem
O que enxergará é o prazer

Toda beleza é miragem.”

 

Propaganda Enganosa

“Hoje encontrei teu nome
na latinha de refrigerante.

Minha suspeita era real:
teu nome faz mal.”

 

SERVIÇO

mar

 

 

MARoriGINAL, de Talles Azigon

R$ 15,00

52 páginas

 

 

 

 

 

*Por Rosiane Melo – Estagiária do Núcleo de Entretenimento

12:10 · 28.09.2015 / atualizado às 12:48 · 28.09.2015 por
Affonso Solano recebe fãs em evento na Livraria Cultura, no domingo
Affonso Solano recebe fãs em evento na Livraria Cultura, domingo

Olha que legal! O Sopa de Livros entrevistou, por telefone, o podcaster e escritor de fantasia Affonso Solano, que esteve ontem (27) na Livraria Cultura de Fortaleza para bater um papo com seus leitores e aproveitou para lançar na capital cearense sua nova obra, “O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur”.

O livro é o segundo volume da saga “O Espadachim de Carvão”, que narra as aventuras do herói Adapak, um jovem semideus de pele negra e olhos brancos, que vive em um universo fantasioso chamado Kurgala. “O primeiro livro foca no Adapak, como uma ferramenta de apresentação daquele mundo. No segundo livro, a gente expande o mundo de duas pessoas, há uma nova personagem e a história é contada em diversos pontos de vista, todos convergindo em um objetivo final”, adianta o autor.

———————————————————————

Sinopse:

Capa de "O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur" (R$ 27,90)
Capa de “O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur” (R$ 27,90)

 

“Ninguém viaja mais rápido que Puzur.” Lutando para se adaptar ao mundo dos mortais, Adapak se refugia no navio de Sirara, farto de lidar com os segredos do passado. Mas quando um antigo diário cai em suas mãos, o Espadachim de Carvão acaba por mergulhar nos registros de alguém responsável por influenciar não somente sua vida, mas a história de Kurgala – uma menina forçada a acompanhar a jornada de um ladrão desesperado, disposto a violar as regras mais antigas que os Quatro Que São Um deixaram para trás. Quem foi Puzur? O que procurava? Enquanto viaja pelas páginas do tempo, Adapak desconhece que sua curiosidade está prestes a colocá-lo sob a ameaça de algo que ele mesmo possa ter desencadeado.

 

 

——————————————————————–

Se você não conhece o escritor brasileiro, podemos apenas dizer que Solano faz um pouco de tudo e é bastante “idolatrado” no universo nerd. Além de ilustrador, storyboarder e colunista do site Omelete, ele é mais conhecido por ser co-criador do projeto Matando Robôs Gigantes (hoje incorporado ao grupo Jovem Nerd), em que discute, através de podcasts e videocasts semanais, tudo sobre o mundo do cinema, games e quadrinhos, ao lado de Diogo Braga e Beto Estrada.

“Com certeza eu sou nerd”, ele responde quando interrogado sobre as influências do universo geek em sua vida.  Para ele, “o nerd é uma pessoa que precisa descobrir e saber mais sobre tudo que consome”.

O gosto por essa cultura começou na infância, período em que ele se define como “tímido”. Ser um observador não-participante, segundo ele, foi um aspecto fundamental para que se descobrisse escritor. “Pela instrospecção, você é muito mais observador do que a maioria das pessoas. Você entende como elas se comportam.”

Foi a família que o fez criar gosto pela fantasia, após tentativas frustradas em simpatizar com os clássicos. “Não me identificava”, confessa. O pai, um fanático por histórias em quadrinhos, e mãe, assídua leitora, o introduziu a Julio Verne e tantos outros autores do gênero. Na adolescência, já explorava sua veia artística ao desenhar quadrinhos.

Affonso Solano
Affonso Solano

Ler fantasia era simples, mas escrever no gênero foi um processo difícil. “Quando eu me inseri no cenário da fantasia nacional, ele ainda sofria muito preconceito, mas assim que me lancei nesse universo, encontrei um ambiente muito mais receptivo”, admite.

Esse clima de “receptividade” tem uma explicação. Quando lançou seu primeiro livro de fantasia, “O Espadachim de Carvão”, em 2013, Solano já era bastante conhecido no meio em que atua. O número significativo de fãs e admiradores de seu trabalho, ele aponta, facilitou o sucesso da obra.

No entanto, o autor que precisou terceirizar muitas de suas atividades para se dedicar diariamente em uma rotina rígida de escrita – escreve das 8h às 12h todos os dias, religiosamente -,  afirma que teve todo o cuidado para não cair no estereótipo “biografia de blogueiro/vlogueiro”, que é uma verdadeira febre atualmente no mercado editorial.

A complexidade e imersão de suas histórias é um ponto bastante elogiado pelos leitores e críticos. Solano se dedica ao mundo de “O Espadachim de Carvão”, que surgiu como um bem-sucedido projeto de HQ para o Omelete, há 10 anos e faz questão de enfatizar que o sucesso que hoje possui foi construído com dedicação.

“Você tem que sangrar para outras mídias, fazer as viagens, ir a feiras, encontros, ser uma pessoa pública. Se o seu material não vencer por conta própria, ele não continua”, afirma.

Como prova de sua disposição integral para proporcionar aos fãs a maior diversidade da experiência, Solano esteve na Bienal do Livro do Rio para lançar “O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur”, onde permaneceu por quatro dias de autógrafos, das 15h às 22h. Além da sessão de autógrafos, a editora Leya levou um cosplay de Adapak para interagir com os fãs. O próprio Solano diz que, nos encontros, gosta de fazer apresentações de slides sobre todo o seu processo criativo, apresentando desde o surgimento da ideia para um livro, até a construção das ilustrações, da capa e a impressão.

Uma estátua colecionável do herói semideus, esculpida por Eddie Vieira,  também responsável pelos colecionáveis das Graphics MSP, que já criam colecionáveis para a Turma da Mônica, também está em pré-venda para o delírio dos fãs.

Estátua de Adapak, primeiro colecionável da saga "O Espadachim de Carvão"
Estátua de Adapak, primeiro colecionável da saga “O Espadachim de Carvão”

Em dezembro, o autor participa da Comic Con Experience, um dos maiores eventos geek da América Latina, que acontece em São Paulo. Ele adiantou para o Sopa que estará lançando no evento uma história em quadrinhos com um conteúdo extra (e inédito) sobre as aventuras de Adapak.

PROJETOS 

Sobre o futuro literário de O Espadachim de Carvão, Solano é aberto: “Não é uma trilogia, é uma série de livros. Não quero limitar a história apenas aos livros. Estou focando em consolidar o nome da série.”

E com esse intuito, o autor revelou que será produzida uma animação de 10 episódios sobre a história. Atualmente, Solano estuda vender o produto final para canais nacionais e internacionais, sem descartar serviços de streaming como o Netflix e a própria internet.

E os projetos vão para além da saga. “Gostaria de lançar outros livros. Estou produzindo uma antologia de contos de horror com os meus irmãos, e pretendo lançar uma série de ficção científica”.

EVENTO NA CULTURA

Affonso Solano pousa ao lado de fãs em evento na Livraria Cultural
Affonso Solano pousa ao lado dos leitores Maggie Paiva e Lucas Bernardo em evento na Livraria Cultura

Como dissemos anteriormente, Affonso Solano esteve na Livraria Cultura, na tarde de ontem, e recebeu dezenas de fãs.

Um dos fanáticos pelo escritor, o estudante Lucas Bernardo Reis admite que o escritor brasileiro possui um diferencial em sua escrita: “Eu conheci o Affonso pelo podcast do MRG e só depois que vi os escritos dele no Omelete. O que eu acho legal é que ele cria uma fantasia muito diferente, mas também porque o personagem Adapak é muito cativante. Os livros são pequenos e é uma leitura mais rápida”.

Fortaleza foi a última cidade da turnê de lançamento de “O Espadachim de Carvão e as Pontes de Puzur”, que já passou por cidades como São Paulo, Brasília e Porto Alegre.

 

*Por Rosiane Melo – Estagiária do Núcleo de Entretenimento

10:22 · 08.09.2015 / atualizado às 10:25 · 08.09.2015 por
Capa de "Antijogo", de Adrilles Jorge (R$ 32)
Capa de “Antijogo”, de Adrilles Jorge (R$ 32)

Lançado pela Editora Record, e com texto de orelha do filósofo Olavo Carvalho (autor de “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”), “Antijogo”, primeiro livro de poesias de Adrilles Jorge, escritor mais conhecido pela sua cômica participação no reality show Big Brother Brasil 2015, reúne 137 poemas que foram escritos antes e depois do BBB e falam sobre as relações humanas e das reviravoltas que a vida pode ter.

Mais de seis meses após o fim do BBB, Adrilles confessa que acumulou grandes lições com a experiência: “Não basta ser ético ou ter uma atitude de entrega desinteressada afetiva e esperar pela compreensão do outro. O BBB é um show de hiperrealidade onde afloram o melhor e o pior  do ser humano. Uma hiperrealidade que lhe faz descobrir você mesmo, seus vícios, suas virtudes. E onde estes mesmos vícios e virtudes não são exatamente percebidos claramente para seu próximo ou mesmo para milhões de espectadores. A maior lição do BBB é a de que a comunicação humana em sua condição plena é sempre uma meta no horizonte nunca de todo encontrada e sempre imprescindível de ser buscada.”

Questionado sobre suas preferências diante da grande quantidade de versos na publicação, Adrilles afirma que para ele, não existe uma preferência, e sim um carinho afetivo por todos. “Há no livro, poemas que escrevi na adolescência em que quase não me reconheço  e outros que são a quase inteireza do que sou. Mas todos fazem parte da história de minha percepção poética da existência e são muito caros a mim”, complementa.

Confira abaixo a entrevista:

Sopa – Você esbanjou muito bom humor durante sua estadia no reality show. Como você se expressa então como poeta?

Como poeta, me considero uma medida personificadamente desequilibrada entre a melancolia, o humor, a ironia, o niilismo, o romantismo e todos os contrários que compõem o paradoxo que percebo na existência.

Sopa – Quais (ou quem) foram as suas inspirações para o livro?

Tudo e todos, dentro, fora e ao redor de mim. Pessoas, mágoas, amores, afetos contrariados, livros, conceitos, filosofias, situações sociais, políticas, etc. A poesia se alimenta de tudo, da matéria mais bruta e torpe à mais sublime e abstrata.

Sopa – “Antijogo” é o seu primeiro livro de poesias publicado. Você pretende escrever outros?

Pretendo escrever até quando puder. A escrita é a salvação da minha tendência a um certo niilismo e preguiça da vida. Criar e desvendar algum sentido na existência é que dá substrato à existência em si. E faço isto de maneira mais satisfatória – pra mim ao menos – escrevendo.

Sopa – Quais as expectativas para o lançamento do livro na Bienal do Rio, dia 13?

As melhores e piores possíveis. Tenho uma certa segurança quanto ao que escrevo mas, humano que sou, sempre espero por aceitação, afeto e consideração. E espero contribuir de alguma forma para o bom nome da poesia brasileira, bem como a expansão do mercado de poesia no Brasil.

Sopa – Além da carreira de escritor, quais são as suas grandes ambições profissionais?

Sou escritor por vocação e jornalista por profissão. Dentro destas perspectivas, faço e já fiz de tudo quase. Trabalharia em televisão ou em jornal impresso como cronista, repórter, articulista ou até mesmo clown televisivo (risos). Imodestamente, faria um talk show ao menos bem menos desinteressante dos que eu tenho assistido por aí. Tudo em que eu puder dar minha contribuição ao meu conceito de alta cultura pop eu traçaria (risos).

 

*Por Rosiane Melo – Estagiária de Entretenimento do Diário do Nordeste

09:00 · 12.07.2015 / atualizado às 11:15 · 12.07.2015 por

Conhecida dentro e fora do Brasil por “A Casa das Sete Mulheres”, romance histórico sobre a Guerra dos Farrapos, que foi adaptado para a televisão como uma minissérie transmitida em mais de 30 países, a gaúcha Letícia Wierzchowski lançou dois novos livros em maio deste ano. Em entrevista exclusiva ao Sopa de Livros, a autora fala sobre afeto, hábitos de escritora e seu mais recente lançamento pela Intrínseca, “Navegue a Lágrima”.

leticia-Wierzchowski

Confira logo abaixo:

1) Como surgiu o seu gosto pela escrita?

O meu gosto pela escrita surgiu do meu gosto pela leitura, e acho – pessoalmente – impossível de separar estas duas experiências: ler me apresentou outros mundos, outras vidas, me colocou sob outras peles… Escrever é também fazer esta viagem, mas num papel mais ativo: quem cria o mundo é o autor. Escrever me expõe à criatividade sem limites – eu posso criar qualquer mundo, posso reproduzir outros tempos e lugares, eu posso tudo, desde que o meu texto seja crível para o leitor. Existe esse jogo na escrita: o leitor quer acreditar no autor, a “supressão da descrença” é o trato silencioso entre o autor e o seu leitor.

2) E como é o seu processo de escrita?

Eu sou uma autora bem orgânica – geralmente trabalho de 3 a 5 horas por dia, e sempre começo meus livros de uma ideia e/ou um personagem, eu sempre sei onde quero chegar, mas o caminho é aberto, vou montando o enredo, construindo os capítulos enquanto escrevo.  Mas, afora isso, não tenho um processo muito definido – é sentar e trabalhar, dias, meses, às vezes anos…

3) Qual foi a sua grande inspiração para compor “Navegue a Lágrima”? 

Navegue a lágrima é um livro sobre o amor, sobre a felicidade e sobre as mudanças da vida. Tolstoi diz em Anna Karenina que “todas as famílias felizes se parecem, as famílias infelizes são infelizes cada uma ao seu modo”. Acho que a literatura se debruça constantemente sobre essas variações da infelicidade, eu quis olhar a vida de uma família – de um grupo de personagens – enquanto felizes. Outra coisa é que, no romance, existe uma casa de praia que une as duas personagens principais – Heloísa e Laura – ambas vivem nesta casa em tempos diferentes – eu acho que os lugares onde vivemos guardam sempre um pouco de nós. Esta casa, no romance, é o elo de ligação entre duas famílias, duas mulheres, duas histórias de vida.

4) Qual o significado por trás do título, que transborda em lirismo?

Eu prefiro sempre que o leitor tire o seu significado – que vai mudar com a leitura, que é sempre pessoal. Mas todos temos as nossas lágrimas nesta vida… Viver é navegar as tristezas. Disse Camões: navegar é preciso, viver não é preciso…

5) O que você mais gosta nessa obra?

Gosto do jogo de espelhos que está inserido nela: os personagens se observam, imaginam uns aos outros.

6) Suas obras valorizam muito o aspecto “humano” das pessoas, seus sentimentos, devaneios e memórias. O que te fascina na escolha dessa abordagem? 

Escrever ficção é olhar para dentro do ser humano. Todo o enredo serve para iluminar a humanidade dos seus personagens.

7) Muitos autores procuram distanciar-se dos seus personagens, externá-los; já outros são totalmente apegados à história que constroem. No seu caso, como você se relaciona com os seus personagens?

Não  vejo como escrever um romance sem criar uma sintonia muito fina com o personagem, somos o palco das emoções dos nossos personagens. Mas eu só sou apegada às minhas histórias enquanto elas estão sendo escritas, enquanto estão palpitando nas minhas mãos – depois entrego a viagem aos leitores, e vou atrás de outras histórias, outras vidas e palcos e personagens.

8) Quem é a Letícia escritora de “O anjo e o resto de nós”, sua primeira obra lançada em 1998, e a Letícia escritora de “Navegue a Lágrima”, em 2015?

Sabe que ambas são a mesma pessoa – com 18 anos de diferença… Ainda escrevo pelos mesmo motivos, basicamente porque sou mais feliz escrevendo, porque, na escrita, resolvo questões, emoções, mudo a vida, vingo-me da realidade, recrio a realidade de forma mais justa, revejo o passado… Escrever é libertador. Mas, hoje, estranhamente, escrever ficou mais fácil e mais difícil – mais fácil porque conquistei meu espaço (sou uma escritora) e mais difícil do que naquele tempo, quando eu não tinha tantas responsabilidades, nem obrigações, e as horas estendiam-se diante de mim, esperando pela ficção. Agora eu cavo o meu tempo.

9) Quais são os autores que te inspiram?

Eu sou uma leitora voraz, e ler bons livros é o que me inspira. São muitos, mas alguns autores que me acompanham são: Virgínia Woolf, Somerseth Maughan, Nabokov, García Marquez, Erico Verissimo, Phillip Roth e Henry James.

10) Está lendo algum livro atualmente? Se sim, qual?

Sempre estou lendo um livro ou dois – agora, estou lendo O amante, Marguerite Duras, e um livro, um longo ensaio sobre a obra de Pilliph Roth chamado Roth libertado.

11) Sobre o que você ainda não escreveu e gostaria de falar em um livro?

Não escrevi sobre tantas coisas, a vida é tão plural… Mas, um dia, gostaria de terminar a sequência que comecei com A Casa das Sete Mulheres. Depois publiquei Um Farol no Pampa, e queria finalizar a trilogia.

12) Quais as grandes recompensas/desafios de ser uma escritora no Brasil?

A recompensa é muito pessoal – como eu disse em outras linhas, escrever é libertador e é curativo. Assim como ler – ler cura as dores humanas. Eu escrevo porque preciso – ainda que não publicasse nunca mais, seguiria escrevendo para mim mesma. O resto é consequência disso…

 

O livro – Navegue a Lágrima

navegue
R$ 27,90
Sinopse:
Uma casa de praia, num idílico balneário no Uruguai, é o cenário de duas histórias de amor e perdas, separadas no tempo. Consumida pelo luto, a editora Heloísa escolhe se afastar da cidade onde morava e levar uma vida de isolamento na residência de veraneio que pertenceu à Laura Berman, uma escritora consagrada.
Entre muitos drinques, cercada de pertences e memórias dos antigos moradores, Heloísa começa a ser visitada pelas lembranças guardadas entre aquelas quatro paredes: a correria de crianças, dias de sol preguiçosamente passados à beira da piscina, o romance terno de Laura e seu marido Leon. Se é delírio ou magia, a nova moradora não consegue distinguir. Aos poucos, enquanto revira baús, ela mergulha no universo conflituoso da escritora, descobre pequenas traições cotidianas e o inexorável desgaste realizado pela passagem do tempo nas relações mais sólidas. Essa compreensão permite que, lentamente, Heloísa consiga enfrentar seus próprios fantasmas e desvelar a história de uma grande paixão.

 

*Texto de Rosiane Melo – estagiária do Núcleo de Entretenimento do Diário do Nordeste

15:23 · 25.06.2015 / atualizado às 15:23 · 25.06.2015 por

Augusto cury

O psicanalista escritor best-seller Augusto Cury esteve recentemente em Fortaleza e concedeu uma entrevista exclusiva para o Sopa de Livros.

No bate-papo, Cury falou um pouco sobre o início da carreira como escritor e sobre os principais fundamentos da inteligência multifocal, teoria desenvolvida por ele após dezesseis anos de estudos sobre o funcionamento da mente.

 

*Texto de Rosiane Melo – estagiária do Núcleo de Entretenimento do Diário do Nordeste

Pesquisar

Sopa de Livros

Blog da jornalista Kelly Garcia, da área Entretenimento, do Diário do Nordeste.
Posts Recentes

02h03mPara marcar na agenda

02h03mEm entrevista, Jorgeana Jorge revela seu processo de criação

03h03mAutor cearense Jairo Sarfati fala sobre seu livro e novos projetos

02h03mPara marcar na agenda

11h03mUFC lança livros-reportagem nesta quarta-feira

Ver mais

Tags

Categorias
Blogs