Sopa de Livros

Categoria: Para garimpar em sebo


15:02 · 10.02.2016 / atualizado às 15:03 · 10.02.2016 por

 

Assim como a nossa colaboradora Rosiane Melo o fez, eu também vim expor as minhas metas de leitura para esse ano que está em curso. Infelizmente, já se passou um mês e cá estou, ainda “presa” em uma leitura iniciada em 2015, de um livro que nem é extenso. (vergonha!)

Não vou ter grandes ambições em 2016. A meta é ler pelo menos 30 livros, o que nem é um número tão grande.  Mas vamos aos desejos de leitura para esse ano, até mesmo para que eu me organize e venha a cumprir esses objetivos. O bom é que quase todos já estão lá à minha espera, na estante.

 

1. Casa Grande e Senzala – Gilberto Freyre

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2. Chatô – Fernando Morais

3. Trilogia Getúlio – Lira Neto

4. A noite do meu bem – Ruy Castro

5. Os Maias – Eça de Queirós

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6. Mulheres de Cinzas – Mia Couto

7. 1889 – Laurentino Gomes

8. Diário de Anne Frank

9. A carne e o sangue – Mary del Priore

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10. A alma encantada das ruas – João do Rio

11. O visconde partido ao meio – Italo Calvino

12. Malala – a menina que queria ir a escolaAdriana Carranca

13. O jardim secreto – Frances Hodgson Burnett

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14. As sete irmãs – Lucinda Hiley

15. Na berma de alguma estrada – Mia Couto

16. Aprender a viver –  Luc Ferry

17. Doze contos peregrinos – Gabriel García Marquez

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18. Zelota – Reza Aslan

19,. Dizem que os cães veem coisas – Moreira Campos

20. As mulheres do nazismo – Wendy Lower

21. O diamante –  J. Courtney Sullivan

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22. As cartas lacradas – Dora Oppenheim

23. O símbolo perdido – Dan Brown

24. O tempo e o vento – Erico Veríssimo

25.  A amiga genial – Elena Ferrante

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26. Quarenta Dias – Maria Valéria Resende

27. Os homens sem mulheres – Haruki Murakami

28. Irmãs Romanov – Hellen Rappaport

29. Ao farol – Virgínia Woolf

 

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30. Objetos cortantesGillian Flynn

 

 

08:40 · 10.07.2015 / atualizado às 08:40 · 10.07.2015 por

Depois de tanto ouvir falar em Julia Quinn que, inclusive, deve visitar o Brasil em setembro, na Bienal do Rio, resolvi “experimentar” e tirar minhas próprias conclusões, lendo algo dela.

Desde que o Sopa de Livros começou, há um ano, nos vários blogs e vlogs que sigo, havia referências a essa autora, além de as capas da editora Arqueiro serem bem trabalhadas, a ponto de atraírem o leitor, pelo menos os que gostam de romances históricos. E, depois de ter lido Emma, de Jane Austen e As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos, e ter gostado bastante das duas obras, achei que estava na hora de ler algo dessa autora, já que todos falavam bem dela.

Antes de iniciar, entretanto, comecei a ver exemplares nas grandes lojas de departamentos e, isso pode até soar como preconceito, mas geralmente, pelo menos para mim, é um forte indício de que a obra não é lá grandes coisas. Mas, tudo bem, eu tinha que ler para ter minha própria opinião.

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A capa é ok, não?

A princípio, o enredo parece interessante. A mocinha da história, Daphne, vive em uma família de oito irmãos e está naquela fase em que as moças dos romances de época estão sendo apresentadas à sociedade e pretendem se casar, com muitos bailes na agenda e mães intercedendo para encontrarem o melhor partido para as filhas.

Para deixar tudo mais divertido, ainda tem uma cronista social, que fica de olho nos bastidores e nos casais que estão se formando nesses encontros, assim como envenenando as famílias e denunciando quem passa dos limites aceitáveis na sociedade.

Até que aparece na história o duque de Hastings, Simon. Ele é órfão de mãe e foi rejeitado pelo pai por ser gago e (aí começam os clichês) faz de tudo para superar essas dificuldades, mas guarda rancor do pai até depois de sua morte.

Nos muitos detalhes que a autora cita sobre o mocinho, estão os músculos, as roupas justas comuns na época que ressaltavam o porte do rapaz, a altura, os olhos azuis… Quando chegou nessa parte, lembrei logo da “saga” da editora Novo Conceito, que falava da família dos Sullivans  e comecei a perceber que o livro não era bem o que eu estava pensando dele.

Depois, quando fui pesquisar mais sobre as obras da Júlia Quinn, dei de cara com essas capas, tive a certeza. Não, ela não era a Jane Austen contemporânea…

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Para quem curte esses romances de banca, como Sabrina e Júlia, é certeza gostar do enredo. Mas, se você quer algo mais consistente para chamar de romance de época, é melhor deixá-lo longe.

Além do estilo do romance, que segue aquele roteiro bem conhecido de paixão, momentos de tensão (fracos, é verdade), seguidos de quase separação do casal e final feliz de conto de fadas, tem várias cenas de sexo, com descrições bem engraçadas (o adjetivo é esse mesmo…) que realmente combinam com essas capas acima.

Na contracapa, tem um comentário da autora americana Jill Barnett, que é outra best-seller, dizendo que Julia Quinn é a “nossa Jane Austen contemporânea”‘. Das duas, uma: ou ela não conhece a Austen ou então quer enganar aqueles que compram um livro pela capa. Porque por Jane Austen ser uma autora bem à frente do seu tempo, acredito que ela JAMAIS escreveria um romance desses.

Outro ponto negativo dessa obra, especificamente, é a repetição de palavras. Um dos adjetivos mais repetitivos é “libertino”, em referência ao duque. Antes de ser praticamente seduzido pela Daphne, a autora não cita nenhuma situação em que o duque tenha arruinado a vida de alguma donzela ou que tenha feito algo classificado como muito errado pela sociedade daquela época.

Libertino mesmo era o personagem criado pelo Choderlos de Laclos, o Visconde de Vermont. E para saber que ele era péssimo e não estava nem um pouco preocupado com a situação das damas que ele enganava, ele não precisou de descrições muito detalhadas de como aconteciam essas seduções. Leia aqui um trecho da obra.

Essa é o trailer do filme, que conta com a participação de Michelle Pffeifer e Uma Thurman:

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Fora a palavra “Droga”, que é usada demais, a ponto de o leitor pensar que se trata de um erro de tradução.

Como sei que ela é muito querida nas redes sociais, estou aguardando as pedradas. Mas, não tenho como dizer que esse é um livro que eu indicaria. Sorry…

Esses são os livros citados, com os respectivos serviços:

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O duque e eu

Julia Quinn

Editora Arqueiro

287 páginas

R$ 20,90

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As Relações Perigosas

Choderlos de Laclos

Edições Globo

com tradução de Carlos Drummond de Andrade

520 páginas

Preço médio: R$ 25

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Emma 

Jane Austen

Saraiva de Bolso

R$ 11,80

14:29 · 13.04.2015 / atualizado às 14:56 · 13.04.2015 por

A capital cearense completa 289 anos nesta segunda-feira. A data foi instituída para lembrar quando ela foi elevada a  vila, mas antes, muito antes, já existia o agrupamento de pessoas nessa área do Ceará. Depois dos índios, os primeiros forasteiros que aqui chegaram foram espanhóis, liderados por Vicente Pinzón, três meses antes de Pedro Álvares Cabral aportar em Porto Seguro. Para compreender o processo formativo da cidade e relembrar outros tempos da cidade, o Sopa de Livros elenca algumas obras, de vários estilos, para quem é apaixonado pela “loura desposada do Sol”, conforme a caracterizava o poeta Paula Nei. Vamos às dicas:

1. História urbana e imobiliária de Fortaleza – biografia sintética de uma cidade

Esse livro, lançado em 2014, faz um apanhado da história do Ceará desde antes de os estrangeiros aportarem por aqui até o Ceará mais voltado para o turismo e eventos de hoje. É realmente uma biografia muito bem escrita pelo autor do premiado “Getúlio”, Lira Neto, em parceria com a também jornalista Cláudia Albuquerque. Um dos diferenciais da obra é o rico acervo fotográfico, além de contar com capa dura e páginas em papel couchê. Também traz informações pouco divulgadas a respeito da ocupação de áreas hoje ditas nobres, como as Dunas, Cocó, através do olhar dos primeiros que investiram em terrenos nesses locais e bastante das pitadas sarcásticas de alguns momentos em que Fortaleza quis ser Paris, esquecendo-se dos muitos problemas  que assolavam os moradores.

 

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O livro conta com várias linhas do tempo ilustradas, para facilitar a compreensão do leitor

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As fotografias e reproduções de gravuras chegam a ocupar duas páginas e são um dos diferenciais dessa obra

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História urbana e imobiliária de Fortaleza – biografia sintética de uma cidade

Lira Neto e Cláudia Albuquerque

Editora Braba

197 páginas

Preço médio: R$ 100

2. Outros tempos

Para criar esse romance policial ambientado nos anos 1940, em plena guerra, o autor, já entrevistado pelo blog,  fez ampla pesquisa nos jornais de época, além dos livros que descreviam  o que acontecia e como era a rotina dos moradores de Fortaleza nesse período. Mas não se trata de uma obra para somente para saudosistas, porque o suspense, muito bem construído, prende o leitor em uma história instigante, além de fazer uma viagem por lugares que outrora foram bastante valorizados e hoje, não passam de ruínas. Para ler com um olhar mais atento aos prédios desprezados pela cidade, em especial, nos bairros Centro, Benfica e Jacarecanga, outrora nobres e hoje, nem tanto.

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Outros tempos

Leonardo Nóbrega

Editora Premius

311 páginas

Preço médio: R$ 35

3. Relembranças

Nessa obra, composta só por crônicas, escritas a partir de 1958 e publicadas nos jornais, Milton Dias desfia suas impressões da cidade que o acolheu ainda criança e relembra sua juventude. Essa obra fala de locais importantes da cidade, como a Praça do Ferreira e ainda traz crônicas em que o autor declara seu amor à cidade. O livro foi lançado, originalmente, em 1983 pela Universidade Federal do Ceará e, por ser antigo, é possível encontrá-lo em sebos.

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Relembranças

Milton Dias

Edições UFC

345 páginas

Preço médio: R$ 20

4. Fortaleza Velha

Neste livro, que ganhou nova edição em 2013, o olhar do cronista João Nogueira, engenheiro, inventor e que, nas horas vagas, escrevia para vários jornais daqui, aponta muitas das transformações de Fortaleza no fim da chamada Belle Époque e durante a Segunda Guerra Mundial. Nos seus textos, além do saudosismo, está presente uma fina ironia que nos leva ao riso em vários momentos. Desses 28 textos, escritos entre 1921 e 1943, ele descreve como foi a demolição de ícones arquitetônicos como o sobrado do Comendador Machado, que deu lugar ao Hotel Excelsior, ainda de pé na Praça do Ferreira e a antiga Igreja de São José, demolida para a construção da Catedral Metropolitana de Fortaleza. Outras passagens que nos fazem viajar no tempo é a descrição de todas as edificações da antiga Rua Formosa, hoje Barão do Rio Branco, assim como a história do Passeio Público desde a sua construção até o seu primeiro período de decadência, nos anos 1930.  As crônicas que tratam dos circos e teatros, da festa dos Caboclos da Parangaba e das eleições (sangrentas e desonestas) dentro das Igrejas são igualmente deliciosas. A organização da obra, assim como as notas de rodapé couberam ao escritor Raymundo Netto. Não pode faltar na estante de quem gosta de rememorar a cidade.

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Fortaleza Velha

João Nogueira

Coleção Nordestes

205 páginas

Editora Armazém da Cultura

Preço médio: R$ 28

5. As três Marias

No romance publicado por Rachel de Queiroz em 1939, além da amizade profunda entre Maria Augusta (Guta), Maria José e Maria da Glória, várias paisagens urbanas de Fortaleza são descritas, como o Colégio da Imaculada Conceição, onde as três se conhecem. Narrado por Guta, percorre os caminhos diversos em que cada uma das três constrói a sua história.  Glória se transforma em uma dedicada mãe de família, Maria José se entrega à religião, enquanto Guta corre em busca de sua independência. Seu ideal é viver sozinha, seguir seu próprio caminho, livrar-se da família, romper todas as raízes, ser completamente livre. Mas o destino e o amor acabam revelando-se para Guta bem menos doces do que os livros de poesia que elas costumavam ler na escola.  Esse é outro livro fácil de achar em sebos, por preços bem acessíveis.

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As Três Marias

Rachel de Queiroz

Editora José Olympio

204 páginas

Preço médio: R$ 23

6. Fortaleza Belle Époque – reforma urbana e controle social (1860-1930)

Fruto da pesquisa de dissertação de mestrado defendida em 1992 na PUC de São Paulo, pelo professor do curso de História da Universidade Federal do Ceará, Sebastião Rogério Ponte e esgotado há vários anos, ganhou nova edição das Edições Demócrito Rocha no ano passado. A obra analisa o processo de remodelação urbana e disciplinarização social por que passou a capital cearense entre o final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX. Entre os fatos analisados, estão as campanhas de higienização física e moral da população, imposição de novos padrões europeizados de condutas públicas e privadas, asilamento de mendigos e doentes mentais, e práticas policiais de controle das camadas pobres. Ainda contempla a sátira, o deboche e a irreverência como formas de resistência popular contra as cotidianas tentativas dos poderes e saberes locais em disciplinar a sociedade.

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Fortaleza Belle Époque – Reforma  urbana e controle (1860-1930)

Sebastião Rogério Ponte

Edições Demócrito Rocha

220 páginas

Preço médio: R$ 60

7. A Normalista

Nesse romance realista e naturalista, além de conhecer a triste sina da protagonista Maria do Carmo, é possível passear pela Fortaleza do fim do século XIX, com sua velha Estação de Trem, os sítios afastados do Benfica, a Escola Normal, responsável pela má fama de suas alunas e que se situava na Praça José de Alencar, ao lado do Theatro e o  descampado rural do Cocó, com pouquíssimas choupanas, bem diferente do emaranhado de arranha céus de hoje. Vale a leitura para conhecer mais sobre a história da cidade nessa ousada história de Adolfo Caminha. Também fácil de encontrar em sebos e, por já contar mais de cem anos de seu lançamento, é de domínio público, podendo ser baixado por aqui.

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A Normalista

Adolfo Caminha

Editora Ática

156 Páginas

Preço médio: R$ 15

 8. Royal Briar – A Fortaleza dos anos 1940

Como memorialista, Marciano Lopes descreve a Fortaleza do seu bem-querer, que o recebeu ainda criança, dos braços de Aracati, após uma tragédia pessoal. Marciano  nos convida nessa obra a conhecer não só as ruas, casarões e edificações da cidade nessa época, mas também suas galhofas, seu comércio, o Carnaval, seus produtos  e até mesmo as pensões alegres mantidas em antigos casarões do Centro. Como Marciano detinha um grande acervo fotográfico, nesse livro são expostas várias dessas fotos raras, conseguidas com famílias da sociedade, além de registros do grande pesquisador Nirez.

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Uma das propagandas do tal Royal Briar

E o livro:

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Royal Briar

Marciano Lopes

Editora Armazém da Cultura

218 páginas

Preço médio: R$ 30

12:26 · 01.04.2015 / atualizado às 12:26 · 01.04.2015 por

Boa notícia para os muitos fãs do cantor Renato Russo e do Legião Urbana. A Companhia das Letras lança em julho a obra  “Só por hoje e Para Sempre”, diário escrito por ele em 1993, no período em que o cantor ficou internado em uma clínica de dependentes químicos.

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O livro foi escrito no mesmo ano do lançamento do álbum “O descobrimento do Brasil”, quem também traz uma música com o mesmo tema.

Esse será o primeiro de cinco volumes, que deverão ser publicados nos próximos anos. No livro,  Renato Russo fala sobre sua luta contra a dependência, tentando entender como chegou a ela e repensando sua vida a partir dessa perspectiva. Em outros trechos, como o que traz o título Fax especial de Renato para Junior, em mãos, o cantor põe no papel o sentimento de ter se reencontrado. Eis alguns trechos:

(…) Juntos não precisaremos ter medo. Você é a minha luz, eu sou sua consciência (…) Vamos ser felizes de novo” – escreve Renato, numa “carta” escrita para ele mesmo.

Que bom que você está comigo novamente! (…) Aprendi muitas coisas novas que sei que você vai adorar – é tudo aquilo que você me dizia antes que me deixasse perder no mundo (…) espero que você me perdoe, meu pequeno grande amigo! (…)”.

Num último parágrafo, Renato cita a frase que dará título ao livro a ser lançado.Depois eu explico essa história de ‘só por hoje’. É tão maravilhoso isso, você vai adorar, é a sua cara. Só por hoje e pra sempre”. Por fim, assinaSempre seu, Renato Manfredini Junior”.

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Renato Russo

A obra também trará muito da intimidade da banda de Renato, o Legião Urbana.

Além desse novo livro, o Sopa de Livros lista outros quatro para serem garimpados pelos fãs nas livrarias e que contam um pouco não só de Renato, mas da banda e do período em que eles formaram o grupo Legião Urbana.

E os filmes, que já saíram de cartaz, mas estão disponíveis no Youtube. Dá uma olhada:

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Faroeste Caboclo estreou no ano passado e teve como protagonistas Isis Valverde e Fabrício Boliveira

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Já Somos Tão Jovens tratou de relatar como era a vida de Renato Russo antes de a Legião Urbana estourar em todo o País.

Sobre os livros, esses são os principais:

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 “Conversações com Renato Russo”

Ed. Letra Livre

281 páginas 

Preço médio: R$34

Esse é um dos mais antigos e é formado somente por entrevistas, desde o início do sucesso até a última, antes da morte de Renato. Entre as revelações está a de que se Renato Russo não tivesse vingado como músico, cantor e compositor, teria investido em histórias em quadrinhos  ou cinema. Também estão nesse livro as controversas conversas sobre drogas, política, crítica social, processo de criação de algumas canções e relacionamento amoroso. O livro ainda conta com algumas fotos de arquivo.

 

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“Renato Russo de A a Z – As idéias do líder da Legião Urbana”

Coordenação editorial: Simone Assad

Ed. Letra Livre

310 páginas 

Preço médio: R$34

Nessa obra, publicada no ano 2000, Simone Assad oferece um raio-x de Renato Russo organizado em 453 verbetes. A pesquisa foi feita em entrevistas, reportagens, artigos, livros, especiais de rádio, TV e internet. Confesso que esse nunca me atraiu tanto, pelo formato de verbetes, mas deveria estar na estante de quem é fã.

Um dos verbetes presentes:

Corrupção: “Eu sou de família italiana, e meu pai sempre disse: “Meu filho, você vai começar a trabalhar cedo, que nem eu, não faz mal a ninguém. Não vou ficar sustentando vagabundo”. Aí, eu fui. Comecei dando aulas de Inglês, passei no vestibular com 17 anos, para Comunicação, e consegui me sindicalizar como jornalista antes mesmo de me formar. Cobria a parte política, e todas as minhas ilusões, de querer salvar o mundo, ser o bastião da verdade, acabaram ali. Porque eram muita treta, muita enganação, muita coisa por baixo do pano; você escrevia as coisas e o editor não deixava. Fui ficando muito desiludido, e isto foi me puxando cada vez mais para o rock, porque os punks estavam falando justamente disso, da hipocrisia. Você faz tudo direitinho, estuda, trabalha, e depois vê que é essa corrupção, não só a nível governamental, mas em tudo”.(1988)

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“Renato Russo – O Trovador Solitário”

Série “Perfis do Rio”

Autor: Arthur Dapieve

Ed. Relume Dumará

186 páginas

Preço médio: R$ 30

 

Nesse, que está lá na minha estante, é possível conhecer mais do cantor. Lançado também no ano 2000, portanto quatro anos depois da morte de Renato, este título revela casos curiosos como a tal lenda de que o apresentador William Bonner teria cantado todos os 159 versos da canção “Faroeste Caboclo” à Lillian Witte Fibe, que não sabia bem quem era o cantor no dia em que seria dedicado metade do tempo do Jornal Nacional ao ídolo – não foi bem isso o que aconteceu, como o autor esclarece em seguida, mas a história é muito boa. Como um filme, vemos o inicio com sua morte e o fim, fechando o ciclo, passando pela carreira, shows, confusões, polêmicas… Tudo na velocidade da luz, assim como é a vida. Além de várias fotos, traz a relação de todos os discos lançados até o fechamento da edição e uma linha cronológica da vida do cantor.

 

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Título: “Renato Russo – O Filho da revolução”

Autor: Carlos Marcelo

Ed. Agir

418 páginas

Preço médio: R$ 69,90

Na minha opinião, esse é o livro mais completo sobre Renato Russo, porque trata não só a da trajetória dele e do Legião Urbana, mas traz todo um panorama de como era o universo musical de Brasília no fim dos anos 1970 e início dos 1980, quando o cenário efervescente deu origem a várias bandas ainda em atividade nos dias de hoje, como o Capital Inicial e os Paralamas do Sucesso. Bem maior do que os outros, o livro lançado em 2013, já que traz conta com mais de 400 páginas e é resultado de um trabalho de pesquisa apuradíssimo. Outro atrativo é o formato em que foi escrito, que lembra um romance, em que Renato Russo e outras personalidades descritas no livro são personagens, com direito à falas e tudo o mais. Este também parece um filme, com idas e vindas ao passado, relato de amigos, parentes e admiradores famosos. Ricamente ilustrado com fotos do cantor, podemos ver também panorâmicas da capital Brasília (DF), que nos ajuda muito quando são citadas partes da cidade e seus arredores, que tanto se misturam à biografia de Renato. Tem também imagens de rascunhos de roteiros para filmes que Russo gostaria de produzir, trechos de letras manuscritas por ele ainda na adolescência, cartazes dos primeiros shows, dentre outras relíquias. Livro que um fã não pode deixar de ter, assim como quem tenha interesse em saber como era o cenário musical em que surgiu o chamado “Rock Nacional”.

 

 

15:14 · 16.03.2015 / atualizado às 15:14 · 16.03.2015 por

O bruxo de Cosme Velho, Machado de Assis, continua surpreendendo. Foi noticiado pela Folha de S. Paulo que Wilton Marques, professor do departamento de Letras da Universidade de São Carlos e da Pós Graduação  em Estudos Literários da Unesp de Araraquara, encontrou um poema inédito do autor, que teria sido escrito quando ele tinha apenas 17 anos.

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Uma de suas raras fotos publicadas quando jovem.

Intitulado “O Grito do Ipiranga”, o poema havia sido publicado no Correio Mercantil em 9 de setembro de 1856 e possui 76 versos. Influenciado pelo Romantismo, reflete um Machado de Assis muito diferente do realista, que critica a sociedade e os costumes em seus romances posteriormente.

O poema passou despercebido durante mais de um século, mesmo sendo assinado como Joaquim Maria Machado de Assis, ficando de fora de diversos volumes da obra completa do autor.

Segundo os estudiosos, esteticamente, o poema é importante por mostrar que Machado publicava em grandes jornais já aos 17 anos e não aos 19, como antes se imaginava.

A edição pode ser melhor visualizada, aqui, no site da Hemeroteca Digital Brasileira.

Quincas Borba

A Fundação Casa de Rui Barbosa está finalizando a edição eletrônica, em hipertexto, do romance Quincas Borba na sua versão seriada, que foi publicada entre 1886 e 1890, na revista A Estação, do Rio de Janeiro. O estabelecimento do texto e a elaboração de boa parte das notas foram realizados na Inglaterra, por John Gledson e Ana Cláudia Suriani da Silva.

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Pela Casa de Rui Barbosa, coube a Marta de Senna, pesquisadora do setor Ruiano, completar as notas e adequar o arquivo aos padrões dos outros romances de Machado de Assis já disponíveis em www.machadodeassis.net.

Toda a ficção do autor (seus romances e contos) se encontra nesse portal, com links explicativos das referências literárias e histórico-culturais, bem como anotações sobre lugares do Rio de Janeiro, do Brasil e do mundo: desde cidades até lojas comerciais, cafés, teatros etc.

14:23 · 05.03.2015 / atualizado às 14:28 · 05.03.2015 por

O sábado estará cheio de atrações em Fortaleza para quem curte Literatura. Na lista de eventos, têm desde os de grandes editoras, como o que acontecerá na Livraria Cultura, até passeios mais alternativos, como o Percursos Urbanos e os saraus literários.  Vamos às informações:

1. Turnê Intrínseca

No sábado, a partir das 10 horas, serão distribuídas as senhas para quem quiser participar da Turnê Intrínseca, que se iniciará às 12 horas na Livraria Cultura do Shopping Varanda Mall. A intenção é divulgar os principais lançamentos da editora para 2015. Na ocasião, os livros da Intrínseca também estarão com 20% de desconto.

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2. Percursos Urbanos

Também no sábado, às 15 horas, o projeto Percursos Urbanos, do Centro Cultural Banco do Nordeste, visitará dois saraus. Eventos muitos comuns no século XIX, os saraus chegam, pelas mãos dos jovens, com muita saúde ao século XXI. O percurso deste sábado entrará na atmosfera múltipla (ciência, literatura, artes visuais, palestras, moda etc.) da edição de dois descontraídos saraus em Fortaleza. A primeira visita será ao sarau promovido pelo Plebeu Gabinete de Leitura e a segunda tem com destino o Brechó Literário Rimbaud. E às vésperas do Dia Internacional da Mulher, o percurso será ocasião para expor e homenagear a contínua relação entre Mulheres e Pensamento, com mediação de Fernanda Meireles, que é graduada em Letras, especialista em Arte-Educação e mestre em Comunicação Social. Ela escreve em zines, livros, jornais, postais, paredes e em obras da Loja sem Paredes. A saída será da nova sede do Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Conde D’Eu, 560, Centro). Para participar, é preciso se inscrever antes, enviando nome, sobrenome e data dos percursos por SMS (96289137) ou e-mail percursosurbanos@gmail.com.

 

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O Centro Cultural Banco do Nordeste é sediado no antigo Mercado Central, próximo à Catedral Metropolitana de Fortaleza

 

3. Sarau dos Livros Impossíveis

Para quem quiser participar da programação completa do Sarau dos Livros Impossíveis, que é um dos que o Percursos Urbanos irá visitar, ele começa às 10 horas, no Plebeu Gabinete de Leitura, charmosa biblioteca instalada no prédio da Associação Cearense de Imprensa (ACI) com acervo organizado pela prof. Adelaide Gonçalves (História-UFC), bem pertinho da Praça do Ferreira. A promoção é parceria do Memorial da UFC com o Plebeu Gabinete de Leitura e participam os editores portugueses Eugénia Gomes e Eduardo de Sousa, da Livraria Letra Livre, de Lisboa, que edita publicações como O Direito à Cidade, de Henri Lefebvre, e A Dominação e a Arte da Resistência – Discursos Ocultos, de James C. Scott.

Além da presença dos editores portugueses e de vários títulos da Letra Livre, o Sarau terá o debate “As armas dos fracos: James C. Scott e a História Social”, com os pesquisadores Frederico de Castro Neves (Departamento de História da UFC), Tyrone Cândido (Universidade Estadual do Ceará) e Edson Holanda; o lançamento da edição fac-símile do livro de Maria Lacerda de Moura e da nova edição dos “fanzines revolucionários” de Fernanda Meireles; e exposição sobre a anarquista lituana Emma Goldman, por Bruno Nobre. Fernando de la Cuadra fará discotecagem no evento. O Sarau dos Livros Impossíveis contará também com sebo, escambo de livros e exposição de objetos, cadernos e roupas com arte.

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O Plebeu Gabinete de Leitura fica localizado no prédio da ACI, na Rua Floriano Peixoto, próximo à Praça do Ferreira

13:10 · 24.02.2015 / atualizado às 13:10 · 24.02.2015 por

Boas histórias rendem bons filmes. Certo? Nem sempre. Entretanto, aqui, o Sopa de Livros indica livros que viraram longas premiados com preços das obras e os respectivos trailers das adaptações. Dá uma olhada:

1.“Matrix” (“The Matrix”) – Vencedor de três Oscars no ano de 2000 – Melhor Edição, Melhor Som e Melhores Efeitos Visuais -, o filme “Matrix”, de Lana e Andy Wachowski, tem seu argumento inspirado no livro “Neuromancer”, de William Gibson. Publicado pela primeira vez em 1984, “Neuromancer” é uma novela cyberpunk. O livro de ficção científica apresentou novos conceitos para a época, como inteligências artificiais avançadas e um cyberespaço quase que “físico” – conceitos que aparecem em “Matrix”.

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Neuromancer

William Gibson

Editora Aleph

Preço médio: R$ 40

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2.“Uma Mente Brilhante” (“A Beautiful Mind”) – O filme de Ron Howard sobre a vida do matemático John Forbes Nash, interpretado por Russel Crowe, baseia-se na biografia do matemático escrita pela autora Sylvia Nassar. Ganhou o Oscar de Melhor Filme e ainda as estatuetas por Melhor Atriz Coadjuvante (Jennifer Connelly), Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado.

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Uma mente brilhante

Sylvia Nasar

Editora Record

Preço médio: R$ 55

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3. “Menina de Ouro” (“Million Dollar Baby”) – Dirigido por Clint Eastwood, o filme levou a estatueta de Melhor Filme em 2005, assim como a de Melhor Ator Coadjuvante (Morgan Freeman), Melhor Atriz (Hillary Swank), Melhor Direção. Foi indicado à categoria Melhor Roteiro Adaptado, na qual perdeu para “Entre umas e outras”, de Alexander Payne. O roteiro de “Menina de Ouro” foi escrito por Paul Haggis a partir de contos de F.X. Tolle, pseudônimo de Jerry Boyd – que era um treinador de boxe, e publicou o livro com os contos que inspiraram Eastwood quando já tinha 70 anos. Durante 40 anos, Boyd teve suas histórias rejeitadas por diversas editoras. O autor morreu sem conhecer a glória, em 2004, um ano antes da estreia do filme. O livro “Menina de Ouro” destaca-se pela equipe de tradutores envolvidos em transpor a obra para o português, formada por pesos-pesados: Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony, Moacyr Scliar, Marçal Aquino, Luiz Fernando Emediato e Sérgio Dávila.

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Menina de Ouro

F.X. Toole

Editora Geração Editorial

Preço médio: R$ 35

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4.“Memórias de uma gueixa” (“Memoirs of a Geisha”) – O filme, dirigido por Rob Marshall, ganhou os Oscars de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino em 2006. É uma adaptação do best seller “Memoirs of a Geisha”, de Arthun Golden. O tema é a cultura japonesa.

GUEIXA

Memórias de uma gueixa

Arthur Golden

Editora Imago

Preço médio: R$ 30

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5.“O Curioso Caso de Benjamin Button” (“The Curious Case of Benjamin Button”) – ganhou em três categorias: Direção de Arte, Maquiagem e Efeitos Visuais. O filme, de David Fincher e Eric Roth, é baseado num conto escrito em 1921 por F. Scott Fitzgerald.

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O curioso caso de Benjamin Button e outras histórias da Era do Jazz

F. Scott Fitzgerald

Editora José Olympio

Preço médio: R$ 42

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6.“Quem quer ser um Milionário?” (“Who wants to be a millionaire?”) – O grande vencedor do Oscar de 2009, do diretor Danny Boyle, é baseado no romance “Sua Resposta Vale um Bilhão” (Companhia das Letras), de Vikas Swarup. Além do Oscar de Melhor Filme, o filme conquistou também a estatueta por Melhor Roteiro Adaptado.

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Sua resposta vale um bilhão”

Vikas Swarup

 Companhia das Letras

Preço médio:  R$ 45

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7.” A hora da estrela” – Foi adaptado para os cinemas em 1985, com direção de Suzana Amaral, ganhou nove prêmios nos Festivais de Berlim, Brasília e Havana, de 1985 e 1986. Último livro escrito por Clarice Lispector, A hora da estrela (Rocco) é também uma despedida. Lançada pouco antes de sua morte em 1977, a obra conta os momentos de criação do escritor Rodrigo S. M. (a própria Clarice) narrando a história de Macabéa, uma alagoana órfã, virgem e solitária, criada por uma tia tirana, que a leva para o Rio de Janeiro, onde trabalha como datilógrafa. 

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A hora da estrela

Clarice Lispector

Rocco

Preço médio: R$ 20

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8. “Trainspotting” – Cultuado filme de 1996,  fez a fama do diretor Danny Boyle e do ator Ewan McGregor (hoje mais conhecido pelo drama musical Moulin Rouge e pela minissérie Guerra nas estrelas). Sua versão romance e que deu origem ao filme acompanha as drogadas aventuras de Marc Renton, um jovem completamente mergulhado no mundo do vício na cidade de Edimburgo, Escócia. Com humor ácido, Welsh conta os esforços, não muito bem-sucedidos, de seu personagem para abandonar o vício da heroína. 

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Irvine Welsh

Rocco

Preço médio: R$ 25

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9. “Caçadores de obras-primas” – Caçadores de Obras-Primas (Monuments Men) é um filme escrito, dirigido e estrelado por George Clooney.  A história trata do trabalho realizado pelos Monuments Man, soldados que tentaram dificultar ou impedir o “maior roubo da história” cometido por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial. Estima-se que o Führer e seus homens tenham se apossado de mais de 5 milhões de objetos culturais. O objetivo era criar o maior acervo de obras-primas do mundo em terras alemãs.

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Caçadores de obras-primas

Robert M. Edsel

Rocco

Preço médio: R$ 57

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10. “Livre” (Wild) – Baseado no livro homônimo e autobiográfico que a verdadeira Cheryl Strayed lançou em 2012, um best-seller publicado no Brasil pela Objetiva no ano passado, o longa tem direção do canadense Jean-Marc Vallée, de Clube de Compras Dallas (2013), vencedor de três Oscars e dois Globos de Ouro em 2014.  E quase rendeu o Oscar de melhor atriz para Reese Whiterspoon. Na história a protagonista, Cheryl Strayed, após a morte de sua mãe, um divórcio e uma fase de autodestruição repleta de heroínam devide mudar e investir em uma nova vida junto à natureza. Para tanto, ela se aventura em uma trilha de 1100 pela costa do Oceano Pacífico.

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Livre

Cheryl Strayed

Editora Objetiva

Preço médio: R$ 30

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12:35 · 12.02.2015 / atualizado às 14:12 · 12.02.2015 por

O Carnaval está aí e você, maluco para fugir da folia? O Sopa de Livros sugere algumas leituras, para todos os gostos e bolsos,  que vão te fazer esquecer do mundo lá fora. Confira!

1.Emma

Jane Austen sabe bem como construir uma história. Neste romance, publicado originalmente em 1815, Austen relata as dificuldades das mulheres inglesas no início do século XIX. Citado em várias listas de livros imprescindíveis para quem quer conhecer bons livros, foi adaptado várias vezes para a televisão e para os cinemas. Uma das reedições mais recentes (e lindas!) foi lançada ano passado pela L&PM. Assim como as outras obras publicadas de Austen publicadas pela editora, foram desenhadas pela artista alemã Birgit Amadori, famosa por suas criações em estilo vintage que decoram desde capas de livro até paredes de hotéis pelo mundo.

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Emma 

Jane Austen

Saraiva/ Martin Claret

Preço médio: R$13,50

496 páginas

2. Cem sonetos de amor

Este livro traz, pela primeira vez em edição bilíngue, não apenas cem dos mais emocionantes poemas de amor do poeta chileno e Prêmio Nobel de Literatura Pablo Neruda (1904-1973), como alguns dos mais belos sonetos já escritos. Aqui, é cantada a mulher amada e também a natureza universal do amor romântico. A tradução é do também poeta e imortal Carlos Nejar, com edição bilingue (português e espanhol) e preço bem atraente.

Um dos poemas presentes na edição:

Saberás que não te amo e que te amo 
posto que de dois modos é a vida, 
a palavra é uma asa do silêncio, 
o fogo tem uma metade de frio. 

Eu te amo para começar a amar-te, 
para recomeçar o infinito 
e para não deixar de amar-te nunca: 
por isso não te amo todavia. 

Te amo e não te amo como se tivesse 
em minhas mãos as chaves da fortuna 
e um incerto destino desditoso. 

Meu amor tem duas vias para amar-te. 
Por isso te amo quando não te amo 
e por isso te amo quando te amo. 
(Soneto XLIV)

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Cem Sonetos de Amor

Pablo Neruda

Edição Bilingue

L&PM

Preço médio: R$ 25,90

224 páginas

3. Uma história da terra e do mar

Esse livro é para quem gosta de romances históricos. Considerado uma das melhores estreias literárias de 2014 pela BBC Culture, a obra vai de além de uma narrativa sobre conflitos de geração e a dor da perda, apresentando aos leitores como era a vida na América do fim do século XVIII. A escritora usou sua experiência como historiadora e pesquisadora para escolher em qual momento situar o romance, incorporando a formação dos EUA como nação, as navegações e a escravidão à trama.

 

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Uma história  da terra e do mar

Katy Simpson Smith

Globo Livros

Preço médio: R$24,90

229 páginas

4.O fio da vida

Vencedor do Costa Book Prize, é outro romance histórico instigante. “O fio da vida” transformou-se em fenômeno de crítica e de público. Além de ter ficado por mais de um ano na lista dos mais vendidos na Inglaterra e nos EUA, foi eleito também o melhor livro do ano pela revista Time, um dos cinco melhores romances de 2013 pelo jornal The New York Times, o melhor do ano pelo jornal The Independent e um dos 10 melhores livros do ano pelos jornais Guardian e USA Today e pelos sites Salon, Amazon e The Daily Beast.  Na sinopse, Ursula, que nasce em 1910, parece viver em um eterno déjà-vu,por conta de uma pequena imperfeição do cérebro, o que a leva a pensar que esteja repetindo experiências, morrendo e renascendo, apesar de isso não ser verdade. A autora, Kate Atkinson, narra os destinos de Ursula entre 1910 e 1945, abarcando os dramas das duas guerras mundiais e desenha novas perspectivas a partir de um mesmo fato. 

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Globo Livros

Preço médio: R$ 31,40

536 páginas

5. Entrevista com o vampiro: A história de Cláudia

Lançada neste mês pela Rocco, a adaptação para os quadrinhos de Entrevista com o vampiro, bestseller de Anne Rice que virou filme em 1994, é ilustrada por Ashley Marie Witter e reconta a história sob um ponto de vista inédito: o da vampira criança Cláudia, a imortal de 6 anos de idade, órfã e assassina, vítima e monstro, representada por Kirsten Dunst na versão cinematográfica. O desenho detalhista, algo vintage, reforça o clima ao mesmo tempo sensual e sombrio da obra original, renovando e enriquecendo a narrativa. Boa oportunidade para quem conhece a obra da rainha dos vampiros e também para quem deseja conhecê-la.

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Entrevista com o vampiro: A história de Cláudia

Anne Rice & Ashley Marie Witter

Rocco

Preço médio: R$ 44,50

224 páginas

6. Olga

Nascida em uma família judia alemã, em 12 de fevereiro de 1908, Olga era filha de uma dama da alta sociedade de Munique e de um advogado social democrata. Foi vendo o exemplo do pai, que se dedicava às causas trabalhistas dos operários atingidos pela crise que se instalou no país, que Olga tomou contato com idéias liberais avançadas. A alemã se lembraria, mais tarde, de que foi no escritório do pai o primeiro contato com os problemas sociais, ao folhear os processos trabalhistas de Leo Benario. Nesse livro-reportagem de Fernando Morais, o mais intrigante é saber que uma história assim tenha acontecido de verdade. Outro diferencial da obra é o acervo fotográfico, que ajuda o leitor a se situar nos períodos descritos. Mas o livro passa longe do melodrama exibido na televisão e nos cinemas. 

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Olga

Fernando Morais

Companhia das Letras

Preço médio: R$ 25

312 páginas

7. A vida do Livreiro A.j. Fikry

Quem ama ler, certamente vai gostar dessa obra, que envolve suspense, amor e ainda um pouco dos bastidores do universo não só dos livreiros, como dos representantes de editoras e dos escritores. O rabugento A. J. Fikry é dono de uma pequena livraria em Alice Island. O slogan da sua loja é “Nenhum homem é uma ilha; Cada livro é um mundo”. Apesar disso, A. J. se sente sozinho e tudo em sua vida parece um completo fracasso. Entretanto, tudo muda quando ele acha um pacote misterioso na livraria, que faz com que ele reveja seus objetivos e se pergunte se é possível começar de novo.

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A vida do Livreiro A.J. Fikry

Gabriele Zevin

Paralela

Preço médio: R$ 20

192 páginas

 

13:26 · 19.12.2014 / atualizado às 18:20 · 26.12.2014 por

Rubem, esse capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, partia desta vida há 24 anos. Vítima de câncer de laringe, doença que decidiu não tratar, faleceu sozinho em seu apartamento de Ipanema, após despedir-se aos poucos dos amigos. Esse foi um dos últimos textos do jornalista e escritor:

Hoje venta noroeste, amanhã é lua cheia. Depois virão outras luas e outros ventos, mas isso também é fútil. Pois um dia as luas podem girar no céu e os ventos rodarão na terra com meiguice ou fúria, e isso não te importará, como também, tudo o que foi. Por que, então, te afliges agora? Que a brisa do mar invente espumas, e depois venham as chuvas frias, o sol e depois no céu limpo suba, imensa, a lua – não pense que isto tenha a ver contigo. Não existes. Nada tem a ver contigo.

 

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Rubem Braga

Rubem Braga é considerado um dos maiores cronistas brasileiros de todos os tempos e é comparado a Machado de Assis, que  também escreveu crônicas, mas o fez em número menor que Braga. Formado em Direito, o escritor nunca chegou a exercer a profissão. Preferiu dedicar-se às crônicas e ao jornalismo. O escritor chegou a ser correspondente da Revolução Constitucionalista de 1932 para o jornal mineiro “Diários Associados”, do grupo de Assis Chateaubriand e também durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 2013, completaram 100 anos do seu nascimento. Na época, uma das instituições que homenagearam o autor foi o Museu da Língua Portuguesa. Com o tema Rubem Braga – O fazendeiro do ar, a mostra reuniu textos, documentos, correspondências, desenhos, pinturas, fotografias, objetos, publicações e depoimentos em vídeo sobre a sua carreira. Dividida nos módulos RedaçãoGuerraCoberturaPassarinhos e Retratos, a exposição percorreu sua trajetória desde a infância até a rotina em jornais, passando pela paixão pelos pássaros e a lendária cobertura com pomar que manteve em Ipanema, no Rio de Janeiro.

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Uma das projeções da mostra

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Abertura da exposição

Em 1961, Braga deixou o Brasil por três anos para se tornar embaixador do país em Marrocos. Também foi editor e um dos responsáveis por lançar o colombiano Gabriel García Marquez no Brasil. Entre os seus poucos e fieis amigos estavam outro cronista, Fernando Sabino e Vinícius de Moraes, que sempre se encontravam com o autor no apartamento de Ipanema.

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Cem anos de Solidão, lançado no Brasil em 1968, pela editora Sabiá, de Rubem Braga

Ao todo, em sua vida, foram mais de 15 mil crônicas, todas elas marcadas pela linguagem coloquial e por temas simples, como a vida no campo e a natureza, em contraposição à urbanidade e aos compromissos sociais da vida adulta.

Apesar de suas mais de 400 páginas, uma boa obra para se conhecer os escritos de Rubem Braga é o 200 Crônicas Escolhidas.  Ao fim da obra, parece que conhecemos o velho Braga, somos amigos, após risadas, lágrimas e tantos dias com ele.  Recomendo demais a leitura.

200-cronicas-escolhidas-ai-de-ti-copacabana-vira-vira-saraiva-braga-rubem-8577993558_200x200-PU6ebbc4bb_1A seleção dos textos é assinada pelo amigo Fernando Sabino.

Editora Saraiva

Preço médio: R$ 15

Outra obra que parece interessante  é “Na cobertura de Rubem Braga”, assinado pelo jornalista José Castello, também autor da biografia de  Vinícius de Moraes. Nesse livro, Castello o retrata de corpo inteiro, incluindo depoimentos dos que conviveram com o autor e também a releitura de toda a sua obra.

Abaixo, José Castello fala um pouco da obra de Braga:

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Na cobertura de Rubem Braga

José Castello

Editora José Olympio

Preço médio: R$ 40

08:59 · 13.12.2014 / atualizado às 08:59 · 13.12.2014 por

A XI edição da Bienal Internacional do Livro do Ceará, que começou no dia 6 e segue até o dia 14 no Centro de Eventos, traz mais de 10 mil metros quadrados de feira e cerca de 80 mil títulos disponíveis. Entretanto, se o visitante não estiver interessado em comprar livros infantis, vai ter que procurar muito até encontrar algum título de autor conhecido com valor menor que o adotado nas livrarias e na internet.

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Vista do alto da Bienal, realizada até o dia 14 no Centro de Eventos

Para quem busca obras voltadas para o público infantil, há fartura. Tanto tem livros dos contos de fadas clássicos, como Cinderela, Branca de Neve, como obras com recursos extras como capa dura, páginas mais grossas, som, quebra cabeças,  fantoches…  A maioria com preços bem em conta, custando no máximo 15 reais.

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Esse, com capa dura e som de animais, saiu a R$ 10.

Já para os adultos, é necessário gastar bastante tempo para encontrar obras conhecidas.  Em muitos dos estandes, a impressão que se tem é dos saldões de início de ano nas lojas de sapatos populares. Entre os títulos com preço de dez reais, é raro encontrar algum escritor famoso, salvo raras exceções.

sapato

No saldão, se encontra de tudo, mas o mais fácil é achar aqueles que ninguém quis levar…

Encontramos uma edição antiga de São Bernardo, de Graciliano Ramos; Mad Maria, de Márcio Souza, que foi minissérie da Globo nos anos 2000. Também Confissões de Adolescente, outra série da televisão, de Maria Mariana e 1968, o que fizeram de nós, de Zuenir Ventura. E só.

confissões

 

Na internet, sai por R$ 15, cinco a mais que na Bienal

Entre as obras premiadas, algumas também estão com preços bem maiores que os da internet. A trilogia Getúlio, de Lira Neto, por exemplo, pode ser adquirida pela internet por cerca de R$ 106. Na Bienal, o menor preço que encontramos foi R$118.

 

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Volume 1

Preço médio: R$ 39

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Volume 2

Preço médio: R$ 34

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Volume 3

Preço médio: R$ 34

Mas procurando bem, é possível encontrar boas histórias a preços convidativos. Em uma das editoras, achamos vários títulos de Carlos Drummond de Andrade por R$ 15, como O Amor Natural e O Poder Ultrajovem. Amálgama, de Rubem Fonseca, também estava com esse preço. Em outro estande, tinha  vários bons títulos a R$ 20, como A Carne e o Sangue, de Mary del Priore; Zelota, de Reza Aslan e A Literatura na Poltrona – jornalismo literário em tempos instáveis, de José Castello.

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A carne e o sangue 

Mary del Priore

Editora Rocco

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Zelota

Reza Aslan

Editora Zahar

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A Literatura na Poltrona

José Castello

Editora Record

Também estavam a  menos de R$ 20 algumas obras de Moreira Campos, o grande homenageado da Bienal e os interessantes títulos do Museu do Ceará, apesar de o atendimento nesses estandes ser bem diferente dos outros.

Mais aquisições:

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Dizem que os cães veem coisas

Moreira Campos

Edições UFC

Preço: R$ 8

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Capistrano de Abreu e a correspondência feminina

Paula Virgínia Pinheiro Barbosa

Coleção outras histórias – Museu do Ceará

Preço: R$ 10

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Humor, vergonha e decoro na cidade de Fortaleza

Marco Aurélio Ferreira da Silva

Coleção outras histórias – Museu do Ceará

Preço: R$ 10

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Fortaleza Belle Époque

Sebastião Ponte

Edições Demócrito Rocha

Preço: R$ 59,90

Será que os preços baixam mais nesses últimos dias?

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Blog da jornalista Kelly Garcia, da área Entretenimento, do Diário do Nordeste.
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