Sopa de Livros

Categoria: Resenha


10:59 · 22.01.2016 / atualizado às 11:06 · 22.01.2016 por

Li, há alguns dias, “Snoopy: A felicidade é um cobertor quentinho!”, de Charles M. Schulz. Desde então, fiquei aqui sondando sobre o que falar desse livro. Eu, que nunca tinha lido Snoopy, assistido ao desenho ou aos filmes. O que uma pessoa totalmente fora do seu lugar-comum (das leituras-comum) poderia comentar sobre esses clássicos personagens que foram eternizados desde a infância na vida de tantas pessoas ao redor do globo?

O que a mim cabe, compreendi, é transmitir as sensações de uma nova leitora. Uma nova fã, por assim dizer. Em “A felicidade é um cobertor quentinho!”, Linus está bem obcecado pelo seu cobertor, sendo capaz de renegar tudo e todas as convenções para estar ao lado daquele pedaço de pano aparentemente sem nenhuma característica que o torne especial. Corrijo: apenas o fato de ele ser de Linus torna-o especial.

a felicidade

Charlie Brown está apegado a sua pipa. Não há árvores, vento ou catástrofe que o afaste da ideia de que precisa empinar aquela pipa.

E nesse Carnaval, Lucy ainda não superou o amor não-correspondido por Schroeder, que vê mais proveito em seu piano do que na moça.

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Deu pra perceber? Nessa obra, os personagens estão ligados, conectados, dependentes de algo. Todos eles procuram por afeto, seja no cobertor, na pipa ou no outro. E não tem recusa, ameaça ou perda que os detenham de persistir acreditando.

O pequeno cão Snoopy está presente em todos esses momentos, como um observador distante fazendo caras e bocas, rindo à toa desse carrossel sem sentido.

Foram também essas pequenas “lições morais” sutis do texto que me encantaram. É uma dessas leituras gostosas de ônibus, para crianças e adultos, meninos e meninas que ainda acreditam no companheirismo e na necessidade que às vezes temos de contato.

 

>> Aqui você pode ainda conferir o episódio completo em inglês do desenho animado sobre o cobertor quentinho:

 

SOBRE O LIVRO

Snoopy

A felicidade é um cobertor quentinho! (2013)

Charles M. Schulz

Editora Nemo

R$ 23,80

 

 

*Por Rosiane Melo

15:15 · 07.12.2015 / atualizado às 15:15 · 07.12.2015 por

No Brasil, é difícil encontrar quem nunca tenha ouvido uma canção do Roberto Carlos. Eu, pelo menos, nunca conheci ninguém nesse perfil. Dada a popularidade do artista, que segue grande há mais de 50 anos, é até natural que os fãs e aqueles que também não são tão fãs de Roberto, mas querem saber mais sobre a história da Música no Brasil, se interessem por conhecer a sua biografia.

Para preencher essa lacuna e também por ser fã desde criança do cantor, o jornalista e historiador Paulo César  de Araújo passou 16 anos pesquisando para escrever  a biografia – “Roberto Carlos em Detalhes”, lançada em novembro de 2006 pela editora Planeta.

Paulo Cesar de Araújo é fã do cantor desde criança e pesquisou por 16 anos para fazer a biografia de Roberto Carlos

Após dois meses do lançamento da obra, que figurou por várias semanas na lista dos mais vendidos, o “Rei” foi aos tribunais para tentar tirá-la de circulação, acusando-a de ser mentirosa e conseguiu. Hoje,  o livro é artigo raro.

 

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O livro foi tirado de circulação em 2006, mas é possível adquiri-lo fora do País, em sebos ou o seu PDF em alguns sites

“O Réu e o Rei – Minha história com Roberto Carlos, em detalhes”, publicado em 2014 pela Companhia das Letras, que analisamos nessa resenha, revela não só como a biografia proibida foi escrita, como também explica os meandros de como o processo se deu nos tribunais.

Uma das passagens mais emblemáticas relata o julgamento em que foi decidido que a obra realmente sairia de circulação e todos os 10 mil exemplares ainda à venda nas livrarias do País seriam recolhidos pelo cantor. Até hoje não se sabe o que foi feito com esses livros, que foram levados a um depósito em São Paulo. Roberto Carlos foi procurado muitas vezes pelo autor para conceder uma entrevista, a única que faltava à extensa lista de 175 entrevistados, que era formada por personalidades desde Tom Jobim até o fotógrafo oficial do cantor. Entretanto, nos tribunais o cantor disse que foi pego de surpresa.

Nesse livro, Paulo Cesar conta também sobre as entrevistas que fez na época em que era estudante de comunicação da PUC do Rio, para  um trabalho sobre a Música Popular Brasileira que deu origem à ideia de escrever a biografia. Vários cantores foram ouvidos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, Wilson Simonal e até mesmo o dificílimo João Gilberto, conhecido por não dar entrevistas, com quem o autor faz amizade por telefone e que é responsável pela reconciliação de Paulo Cesar com seu pai.

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João Gilberto foi um dos artistas que mais influenciaram Roberto Carlos, em especial, no início de sua carreira.

A entrevista com Tim Maia também é um dos relatos mais interessantes e hilários do livro. Depois de marcar com os estudantes e não aparecer por três vezes, o cantor decidiu encontrá-los em seu apartamento e, antes, enviou maconha por um de seus funcionários, para que eles se “divertissem” antes das perguntas.

Paulo Cesar ainda traz a tiragem de cada álbum de RC, fenômeno de vendas desde a década de 1970, sempre contextualizando cada ano e que só teve seu recorde de discos batido pela Xuxa, a partir de 1986. Para quem, como eu, teve sua infância e adolescência permeada pelas músicas do Rei, é certeza  gostar dessa parte do livro.

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O primeiro volume do disco Show da Xuxa foi o primeiro álbum a bater os recordes de vendas dos discos de Roberto Carlos, com 2 milhões e 689 mil cópias comercializadas

Impressiona, também, a perseverança e a história de superação do autor, contadas no início do livro, com relatos desde a infância humilde em Vitória da Conquista, na Bahia, passando por São Paulo e depois, no Rio, onde Paulo Cesar cursou História da UFRJ  e Comunicação na PUC e depois se tornou professor da rede pública de ensino estadual e municipal.

Outro diferencial, é o amplo índice com cerca de 50 páginas, entre notas e indicação de fontes impressas e de audiovisual, bem interessante para quem quiser usar a obra para pesquisa. O livro também recebeu indicação para o Prêmio Jabuti na categoria Reportagem e Documentário.

Essa é a sinopse oficial  do “O Réu e o Rei”, disponível no site da Companhia das Letras:

Em novembro de 2006, Paulo Cesar de Araújo lançou Roberto Carlos em detalhes, primeira biografia de fôlego do maior ídolo da música brasileira. A recepção imediata do livro foi proporcional ao tamanho da empreitada. Em poucos dias, ele ganhava resenhas entusiasmadas e atingia a lista de best-sellers. Não foi para menos: o trabalho consumiu dezesseis anos de pesquisa, contou com centenas de entrevistas com as maiores personalidades da MPB e figuras-chave na vida do cantor, e condensava em uma narrativa ágil e equilibrada todo o percurso do ícone da Jovem Guarda. Mas a boa onda duraria pouco. Em sua coletiva de Natal daquele ano, Roberto Carlos reagiu com virulência quando indagado sobre o livro. Acusando o autor de invadir sua privacidade, disse que o caso já estava com seus advogados, que em breve entrariam na Justiça para impedir a circulação da biografia. Em 10 de janeiro de 2007, o rei de fato bateu às portas dos tribunais contra o autor e sua então editora. Foi o início de uma rumorosa batalha judicial, dolorosíssima para todas as partes, e também de uma das mais graves agressões à liberdade de expressão na história brasileira recente. A reação que se seguiu à notícia de que Roberto Carlos propusera ações nas esferas cívil e criminal contra Paulo Cesar – que resultaram na apreensão do livro – ocupou os principais veículos de comunicação do país e alguns no exterior. A polêmica envolveu não só personalidades da política, da cultura e das artes no Brasil, como pessoas comuns, que comentavam avidamente o caso, em redes sociais, blogs, praças, praias, bares. Nunca antes o debate sobre a proibição de uma obra alcançou tamanha repercussão no país. O livro conta a história interna dessa história. Os detalhes, os bastidores. Trata de música e censura. De artistas e advogados. De entusiasmo juvenil e audiências judiciais. Da busca por fontes e negativas. Da luta entre liberdade de expressão e controle da informação. É, antes de tudo, a história de um biógrafo que tenta encontrar sentido nos anos dedicados a estudar a trajetória de seu ídolo na música brasileira. É uma história ainda sem ponto final, mas sobretudo por isso necessária, que deve ser lida por todos os que se interessam pela discussão em torno da liberdade de expressão em nosso país.

E aqui tem um trecho em PDF.

Depois de terminar esse livro, que foi até rápido de ler, considerando as 521 páginas, fiquei ainda mais curiosa para ler a biografia, que estará pronta em edição atualizada e ampliada no ano que vem, graças à decisão do Supremo Tribunal Federal, que acabou com a exigência de autorização prévia do biografado para a publicação de biografias. O livro será publicado pela Editora Record em 2016, como uma edição revista e ampliada da biografia anteriormente veiculada pela Planeta.

A TV Estadão publicou um vídeo falando de alguns assuntos que deverão estar no novo livro. Veja:

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E nesse vídeo da TV Futura, Paulo Cesar fala da biografia:

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Outra obra do autor bastante elogiada é “Eu não sou cachorro, não”, dissertação de mestrado de Paulo Cesar de Araújo. Essa é a sinopse:

Artistas considerados bregas – como Odair José e Waldik Soriano – sempre apareceram no topo da lista de mais vendidos. Veiculados nas rádios, frequentavam os programas de auditório, mas não receberam o devido respeito e espaço em livros e teses, pois freqüentemente eram associados à ditadura militar. Em neste livro, o historiador Paulo César de Araújo preenche essa lacuna na historiografia da música popular brasileira e mostra como as figuras mais demonizadas por aderirem à cultura oficial durante os anos de chumbo, na verdade, foram tão ou mais perseguidas pelo regime quanto os artistas de esquerda. Atire a primeira pedra quem nunca cantarolou uma letra de música popular cafona. Apesar de gosto duvidoso, as melodias fazem parte do patrimônio afetivo de milhares de brasileiros. Músicas como ´Eu não sou cachorro, não´, ´Pare de tomar a pílula´ e ´Cadeira de rodas´ fazem parte do repertório de um Brasil dos excluídos, um país mergulhado na ditadura militar e sacudido tanto por marchas moralistas de apoio à família, à propriedade e à Igreja quanto pela guerrilha urbana.

E esses são os livros citados nessa resenha:

 

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O Réu e o Rei

Companhia das Letras

R$ 34, 50

521 páginas

Eu não sou cachorro não Livro_capa

Eu não sou cachorro, não

Record

R$ 55

448 páginas

 

 

 

12:56 · 27.11.2015 / atualizado às 12:59 · 27.11.2015 por

Quando me falaram de Extraordinário,  primeiro livro da americana R.J. Palacio, que conta a história de August (ou Auggie), um menino que nasceu com uma síndrome genética que deformou o seu rosto, criei muitas expectativas para a obra. Esperava por uma leitura rápida, recheada de relatos sobre bullying, preconceito, frases de impacto e etc.

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Que a verdade seja destrinchada. Extraordinário é um livro de narrativa lenta, arrastada, que não tenta – nem deveria – demonizar e muito menos endeusar Auggie pela sua condição. O livro apenas apresenta o leitor ao mundo deste menino incomum e das pessoas com quem convive.

A narrativa múltipla foi uma surpresa – muito boa, aliás. Somos apresentados, no início, a um garoto em processo de independência, quando decide estudar fora de casa, e sente a necessidade do carinho, afeto fora do leito familiar e experiências longe do superprotecionismo que recebe dos pais. Não é mais um bebê, nem quer ser tratado como um.

Mas logo penetramos no mundo dos outros personagens, Julian, Charlotte, Summer, Olivia… e separamos o branco do preto ao descobrirmos um universo multicolorido em que Auggie não é o centro da história, ele é apenas o fio que liga a todos.

Um dos personagem que menos aparece e que mais me cativou foi o Sr. Browne. Ele é citado aqui e ali na narrativa, quase sempre em uma descrição modesta e relegada a segundo plano. Mas é dele uma das frases mais marcantes da história: “Quando tiver que escolher entre estar certo e ser gentil, escolha ser gentil“.

Extraordinario

Acima de tudo, a obra me lembrou As Vantagens de ser Invisível. Talvez pelas sutilezas, uma escrita que brinca com palavras e sentimentos, o drama de uma escola nova. Extraordinário não é daqueles livros que trazem uma lição no final. É sim uma história construída para escancarar uma realidade que poucos têm a coragem de conhecer.

Uma daquelas narrativas que faz a gente abrir um sorriso diante das coisas mais simples e bobas.

 

*Por Rosiane Melo – Estagiária do Núcleo de Entretenimento

17:48 · 03.11.2015 / atualizado às 17:53 · 03.11.2015 por

As coisas simples da vida. Um pedaço de bolo caseiro da avó, um abraço, uma paisagem, o tão familiar cheiro da chuva, conhecido por aqui  como “mormaço”. São lembranças comuns à maioria de nós e talvez por isso mesmo gerem aquele sentimento de identificação tão gostoso.

Ao ler Lugar Comum, de Nara Vidal, escritora premiada de livros infantis e que hoje mora na Inglaterra, mesmo sem conhecer a cidade natal da autora, nascida em GuaraniMinas Gerais, me identifiquei totalmente com suas crônicas e contos.

Nara Vidal, nascida em Guarani, MG, hoje mora na Inglaterra e é autora de vários livros infantis
Nara Vidal, nascida em Guarani, MG, hoje mora na Inglaterra e é autora de vários livros infantis

Ao todo, são 80 pequenos textos no tamanho, mas que transportam o leitor a outro mundo, o das nossas recordações mais queridas, em que a delicadeza pode inspirar lágrimas e sorrisos e deixar um dia ainda mais feliz.

Ao conhecer os chinelos de pano fabricados pelos avós de Nara, pode ser que o leitor possa se lembrar de como era agradável a casa dos seus avós. Os meus, pelo menos, que já partiram, foram recordados em vários momentos, através dos textos de Lugar Comum. E como foi bom lembrar das noites na Casa de Farinha, das tapiocas de manhã cedinho e da longa ladainha da minha outra avó, que falava sozinha e rezava, como uma cantiga que só era possível entender ao chegar bem pertinho.

A maioria das crônicas de Lugar Comum se passa na pequena cidade mineira de Guarani
A maioria das crônicas de Lugar Comum se passa na pequena cidade mineira de Guarani

A adolescência, com suas decepções, amizades e descobertas também é revisitada em episódios engraçados da rotina de Guarani, assim como personagens que ainda vivem por lá. Já entre os de Nara na Inglaterra, vou guardar sempre comigo a crônica “A vista da torre”, porque tenho crianças. Com elas, se prestarmos bem atenção, poderemos presenciar alguns dos momentos mais interessantes da vida: aqueles em que construímos as lembranças.

Outra pérola  é Ms. Lewis, em que a autora indaga as origens da sua escrivaninha, comprada em antiquário e a surpresa encontrada em um  dos apartamentos que morou em Londres, onde encontrou uma “cápsula do tempo”, descrita em Jane L. Marsh.

Os contos também são na medida certa. Nada de muitas descrições além do necessário. Tudo muito sucinto. Uns trazem a crueldade de situações que poderiam ser reais, como O sonho da padaria. Em outros, como Sessenta e quatro, uma pitada de humor.

Ao fim do livro, dá para sentir que não foi generosidade ter a orelha do livro assinada pelo neto do grande Graciliano Ramos, Ricardo Filho. O livro, mesmo evocando lembranças que todos temos, não é nada comum, porque é muito bem escrito. Nara estreou muito bem na escrita para os adultos e que venham outras obras!

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Lugar Comum

Nara Vidal

Editora Pasavento

206 páginas

R$ 35

 

12:24 · 16.10.2015 / atualizado às 12:30 · 16.10.2015 por

Comecei a ler “A Viajante do Tempo”, aclamado romance histórico de Diana Gabaldon, já “por dentro” do que me aguardava. Tudo porque antes de conhecer os livros, assisti à “Outlander”, série de televisão do canal Starz baseada na saga que até o momento é composta por oito volumes.

A obra é antiga. Foi lançada internacionalmente em 1996. Chegou ao Brasil, em sua primeira edição em português, em 2004, pela editora Rocco. A verdade é que eu li as novas edições lançadas no ano passado, pela editora Saída de Emergência, como um incentivo à divulgação da produção televisiva aqui no Brasil.

Diana Gabaldon
Diana Gabaldon

Mesmo após tantas edições lançadas e a série, não são muitas as pessoas que já leram – ou ouviram falar de – A Viajante do Tempo.  O que é curioso, visto que a saga possui críticas mais do que favoráveis, chegou a ganhar na categoria “Série de TV a Cabo de Sci-Fi/Fantasia Favorita” do People’s Choice Awards e é “queridinha” por ninguém menos que George R. R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo), que defendeu a produção com unhas e dentes quando ela não recebeu indicações ao Emmys 2015.

Pois bem, descobri a série por acaso e, após uma pesquisa breve sobre ela no Google, fui apresentada aos livros que embasam a narrativa. Mas após a leitura do primeiro volume, não pretendo fazer uma comparação entre as produções, só me restrinjo a dizer que as duas são muito boas.

A Viajante do Tempo narra a história de Claire Beauchamp Randall, uma jovem enfermeira inglesa que reencontra-se com o marido após o fim da Segunda Guerra Mundial a fim de reconstruir sua vida. O que Claire não esperava era que seu ceticismo fosse desafiado quando ela é transportada através de uma antiga e mística formação de rochas para a Escócia do século XVIII.

O mais interessante da narrativa é o fato de que o livro trata-se de um romance histórico, permeando na medida certa romance, guerras e eventos que marcaram a história do país europeu. E Claire está envolvida em muitos deles.

No século XVIII, ela conhece Jaime, um guerreiro escocês que luta para recuperar a sua honra, e o temível capitão inglês Jack Randall, que inexplicavelmente tem as mesmas feições do marido de Claire no século XX, mesmo que a sua personalidade seja totalmente divergente.

Série de livros Outlander (edições originais)
Série de livros Outlander (edições originais)

Sobre Claire, Gabaldon, acima de tudo, construiu uma personagem forte. Enfermeira experiente nas grandes guerras mundiais, Claire está mais do que preparada para enfrentar as condições e ideias retrógradas que encontra mais de 200 anos antes de seu tempo atual.

O livro, que possui 800 páginas, incrivelmente consegue ser uma leitura rápida, o que é justificado por uma série de reviravoltas e uma bem delineada e construída narrativa. Difícil é achar algum elemento solto, tanto que não fui capaz de detectar um sequer.

Não consigo comparar o estilo e a história em si a nenhum outro romance que já tenha lido. Viagens no tempo não são nenhuma novidade, é claro, o que há de diferencial nesse volume é a própria singularidade de personagens sólidos e marcantes, além da riqueza histórica que reúne desde relatos de guerras, contos populares de bruxaria até preparos medicinais.

 

SOBRE O LIVRO

Capa nacional de "A Viajante do Tempo", de Diana Gabaldon (Saída de Emergência Brasil - R$ 28,50)
Capa nacional de “A Viajante do Tempo”, de Diana Gabaldon (Saída de Emergência Brasil – R$ 28,50)

Claire é uma mulher de personalidade forte, lutando para se manter num mundo de homens violentos, que busca seu verdadeiro amor enquanto participa de importantes acontecimentos da história. Claire Beauchamp Randall foi separada de seu marido Frank pouco depois da lua-de-mel, quando ele foi convocado para lutar na Segunda Guerra Mundial. Ao final do conflito, Claire e Frank se reencontram e retomam a vida que tinham em comum numa viagem a Escócia. Mas o reencontro não ocorre da forma esperada. Parece haver entre a esposa e o marido um distanciamento muito maior do que aquele causado pelos anos de guerra. Ao visitar uma antiga e mística formação de rochas, Claire finalmente vai conhecer seu destino.

 

SOBRE A SÉRIE

Pôster da primeira temporada da série Outlander
Pôster da primeira temporada da série Outlander

Trailer:

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*Por Rosiane Melo – Estagiária do Núcleo de Entretenimento

09:22 · 25.09.2015 / atualizado às 09:50 · 25.09.2015 por

Fui apresentada a Laila de uma maneira incomum: apunhalada pelas costas. Não é todo dia que encontramos uma leitura tão intensa como é Turismo para Cegos, romance de estreia da cearense Tércia Montenegro.

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Tércia Montenegro

Publicado pela Companhia das Letras no começo do ano, o livro dispõe de uma sinopse que parece quadrada e clichê: uma jovem aluna de artes plásticas descobre estar com uma doença degenerativa e incurável que vai lhe custar a visão e passa a enfrentar desafios sociais e de locomoção na medida que a doença avança.

Mas não se engane. Não existe nada “dentro da caixa” em Turismo para Cegos. Se, como eu, você tinha poucas expectativas em relação à história, como eu, será apunhalado pelas costas.

De forma sutil, o estranhamento inicia-se a partir do momento em que nos damos conta de que a narradora da história é a vendedora de um petshop frequentado por Laila e pelo seu namorado incomum, Pierre, um funcionário público “fechadão” inteiramente dedicado aos cuidados da companheira.

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R$ 28,90

Aos poucos, o livro vai se revelando uma trama cheia de problemáticas psicológicas e personagens que fogem à mesmice. Laila poderia cair no abismo do drama de uma mulher cega carente de pena, mas sua complexidade transborda com maestria em uma personagem apática e fria, que abomina a pena e a ideia de redenção, característica que é comumente atribuída a personagens deficientes. Pelo contrário, Tércia Montenegro nos preenche até o limite com sua amargura, uma pitada de maldade e retração.

Seu relacionamento com Pierre é o centro da história. Naturalmente conturbado e fluído, a relação é uma reviravolta de mágoas e reconciliações que incomoda o leitor. Lemos as tentativas frustradas do namorado de ajudar Laila no processo de transição da doença com uma mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo que entendemos sua necessidade de ampará-la como um instinto protetor, notamos o desejo de independência de Laila, que se revolta contra ele porque não pode se indignar com o mundo.

Quando ela chega a nomear o cachorro que os dois compraram juntos de Pierre, o desconforto é latente. Laila não quer ser a vítima, e embora Pierre parece ser o alvo constante de suas ofensas, muito menos ele é o mártir da história.

Acompanhamos, meio que perplexos, um desenrolar surpreendente ao findar o livro. Percebemos, ainda mais boquiabertos, que a autora nos envolveu tão profundamente em uma trama que desconstruiu todos os nossos preconceitos e insights. E aquela apunhalada nas costas ainda irá doer por mais algumas estações.

 

*Por Rosiane Melo – Estagiária do Núcleo de Entretenimento

09:49 · 21.08.2015 / atualizado às 09:58 · 21.08.2015 por

Choque e desconforto. É o que a escrita de Gillian Flynn provoca nos leitores. Ninguém lê Garota Exemplar, ou até mesmo Objetos Cortantes, com o que possa se chamar de “prazer”. Flynn embarcou no universo da literatura para chocar e fazer os pelos dos seus fiéis leitores se arrepiarem.

R$ 27,90
R$ 27,90

Em Objetos Cortantes, o terror já se solidifica na sinopse. Camille Preaker, uma repórter que trabalha em um jornal de segunda em Chicago, passou os últimos seis meses internada em um hospital psiquiátrico porque ela simplesmente gosta de se automutilar. “Suja”, “má”, “errada”, “vazia” são marcas eternizadas como cicatrizes em sua pele.

Sua vida passa por uma reviravolta quando ela recebe a missão, dada pelo seu editor-chefe, de viajar até a pequena cidade de Wind Gap, sua cidade natal, no Missouri, para cobrir um caso sobre uma menina assassinada e outra desaparecida misteriosamente.

Camille não volta a Wind Gap há oito anos. E o momento não poderia ser pior, logo quando ela ainda está tão fragilizada. Lá, ela precisa lidar com sua mãe fria e neurótica, a irmã adolescente e inconsequente, além de um padrasto praticamente desconhecido.

E o pior: Camille tem provas de que sua família pode estar envolvida nos casos.

As lembranças da infância e adolescência naquela terra de ninguém contorcem a personagem, quebram-na e, como a história é contada sob o ponto de vista de Camille, como leitores, sentimos quase que “na pele” todas as suas sensações perturbadoras.

Embora esse seja o seu primeiro romance e a escrita da autora ainda imatura – Garota Exemplar, por exemplo, é muito mais consistente -, Flynn acerta nas reviravoltas e na narrativa rápida e extasiante. Lemos um livro de Flynn com uma mistura de expectativa, medo e retração. Sim, sentimos retração porque ansiamos pelo desenrolar da história, ao mesmo tempo em que sabemos que a autora nunca nos dará “água com açúcar”. Ela nos dará uma história tão aterrorizante que, ao findá-la, estaremos todos um pouco paranoicos.

 

> Booktrailer da obra

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*Texto de Rosiane Melo – estagiária do Núcleo de Entretenimento do Diário do Nordeste

09:00 · 24.07.2015 / atualizado às 22:17 · 23.07.2015 por

Talvez seja a ilustração “engraçadinha” ou o generoso elogio do autor de A Culpa é das Estrelas, John Green, logo na capa de “Os Dois Mundos de Astrid Jones”, de A. S. King, o fato é que o livro logo chama a atenção do público leitor mais jovem (mesmo quando esse mesmo leitor sequer leu uma frase do livro). E não se engane: o que, em uma primeira impressão carregada de preconceitos, pode parecer só mais um livro melodramático de young adult sobre uma adolescente em conflitos familiares e de sexualidade, é na verdade uma narrativa filosoficamente inteligente.

Astrid Jones é apenas uma garota comum que mora em uma cidade pequena e invisível, onde quase nada acontece, e o que acontece todo mundo fica sabendo. Sua família é um desastre: a mãe possessiva ignora sua existência, o pai vive “chapado” e a irmã a trata como se fosse um estranho. Astrid também só possui dois amigos de lealdade duvidosa: Justin e Kristina. Nos fins de semana, ela trabalha lavando camarões. Mantém um relacionamento secreto que ao mesmo tempo é incrível e sufocante. Quando está sozinha, Astrid gosta de olhar para o céu e enviar amor aos passageiros dos muitos aviões que voam lá em cima. E é totalmente fissurada em Sócrates.

Vamos filosofar?
Vamos filosofar?

É interessante notar a genialidade da autora. Como, em um milhão de anos-luz, poderíamos relacionar todos esses eventos aleatórios em uma única história??? Pois é, A. S. King consegue, de uma maneira muito sutil e engraçada. Isso mesmo. Engraçada. O tom irônico e crítico de Astrid sobre o mundo e as pessoas ao seu redor instiga reflexão, e muitas, muitas gargalhadas.

Esse definitivamente não é um livro que, poderiam supor os leitores mais ousados, “qualquer um” escreveria. Não é “careta”, muito menos “emo e gótico” – aquele tipo de leitura meio “crise existencial”, “Crepúsculo”, “queria estar morta”, sabe?

Pelo contrário, essa é uma história que você sabe que vale a pena a partir do momento em que ela te incomoda. Que provoca reflexões sobre igualdade, tolerância, família e amor. Mas amor muito bem distribuído, amor que não recrimina, que não exige reciprocidade, um amor sem rótulos. Tudo isso regado a uma boa dose de Sócrates e aviões no céu azul.

 

O LIVRO

R$ 34,90
R$ 34,90

Sinopse:

“O movimento é impossível.” É o que Astrid Jones, 17 anos, aprendeu na sua aula de filosofia. E, vivendo na pequena cidade em que mora, ela começa a acreditar que isso é mesmo verdade. São sempre as mesmas pessoas, as mesmas fofocas, a mesma visão de mundo limitada, como se estivessem todos presos em uma caverna, nunca enxergando nada além. Nesse ambiente, ela não tem com quem desabafar suas angústias, e por isso deita-se em seu jardim, olha os aviões no céu, e expõe suas dúvidas mais secretas aos passageiros, já que eles nunca irão julgá-la. Em seu conflito solitário, ela se vê dividida entre dois mundos: um em que é livre para ser quem é de verdade e dar vazão ao que vai em seu íntimo, e outro em que precisa se enquadrar desconfortavelmente em convenções sociais.

 

A AUTORA

A. S. King

A. S. King é mais conhecida pelos premiados romances juvenis. Seus livros Glory O’Brien’s History of the Future e Reality Boy foram vencedores do Los Angeles Times Book Prize de 2012. Ask the Passengers e Everybody Sees the Ants integraram a lista da ALA Top Ten Book for Young Adults de 2012 e do Andre Norton Award. Atualmente ela mora nos Estados Unidos, com o marido e os filhos na Pensilvânia.

 

*Texto de Rosiane Melo – estagiária do Núcleo de Entretenimento do Diário do Nordeste

08:40 · 10.07.2015 / atualizado às 08:40 · 10.07.2015 por

Depois de tanto ouvir falar em Julia Quinn que, inclusive, deve visitar o Brasil em setembro, na Bienal do Rio, resolvi “experimentar” e tirar minhas próprias conclusões, lendo algo dela.

Desde que o Sopa de Livros começou, há um ano, nos vários blogs e vlogs que sigo, havia referências a essa autora, além de as capas da editora Arqueiro serem bem trabalhadas, a ponto de atraírem o leitor, pelo menos os que gostam de romances históricos. E, depois de ter lido Emma, de Jane Austen e As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos, e ter gostado bastante das duas obras, achei que estava na hora de ler algo dessa autora, já que todos falavam bem dela.

Antes de iniciar, entretanto, comecei a ver exemplares nas grandes lojas de departamentos e, isso pode até soar como preconceito, mas geralmente, pelo menos para mim, é um forte indício de que a obra não é lá grandes coisas. Mas, tudo bem, eu tinha que ler para ter minha própria opinião.

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A capa é ok, não?

A princípio, o enredo parece interessante. A mocinha da história, Daphne, vive em uma família de oito irmãos e está naquela fase em que as moças dos romances de época estão sendo apresentadas à sociedade e pretendem se casar, com muitos bailes na agenda e mães intercedendo para encontrarem o melhor partido para as filhas.

Para deixar tudo mais divertido, ainda tem uma cronista social, que fica de olho nos bastidores e nos casais que estão se formando nesses encontros, assim como envenenando as famílias e denunciando quem passa dos limites aceitáveis na sociedade.

Até que aparece na história o duque de Hastings, Simon. Ele é órfão de mãe e foi rejeitado pelo pai por ser gago e (aí começam os clichês) faz de tudo para superar essas dificuldades, mas guarda rancor do pai até depois de sua morte.

Nos muitos detalhes que a autora cita sobre o mocinho, estão os músculos, as roupas justas comuns na época que ressaltavam o porte do rapaz, a altura, os olhos azuis… Quando chegou nessa parte, lembrei logo da “saga” da editora Novo Conceito, que falava da família dos Sullivans  e comecei a perceber que o livro não era bem o que eu estava pensando dele.

Depois, quando fui pesquisar mais sobre as obras da Júlia Quinn, dei de cara com essas capas, tive a certeza. Não, ela não era a Jane Austen contemporânea…

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Para quem curte esses romances de banca, como Sabrina e Júlia, é certeza gostar do enredo. Mas, se você quer algo mais consistente para chamar de romance de época, é melhor deixá-lo longe.

Além do estilo do romance, que segue aquele roteiro bem conhecido de paixão, momentos de tensão (fracos, é verdade), seguidos de quase separação do casal e final feliz de conto de fadas, tem várias cenas de sexo, com descrições bem engraçadas (o adjetivo é esse mesmo…) que realmente combinam com essas capas acima.

Na contracapa, tem um comentário da autora americana Jill Barnett, que é outra best-seller, dizendo que Julia Quinn é a “nossa Jane Austen contemporânea”‘. Das duas, uma: ou ela não conhece a Austen ou então quer enganar aqueles que compram um livro pela capa. Porque por Jane Austen ser uma autora bem à frente do seu tempo, acredito que ela JAMAIS escreveria um romance desses.

Outro ponto negativo dessa obra, especificamente, é a repetição de palavras. Um dos adjetivos mais repetitivos é “libertino”, em referência ao duque. Antes de ser praticamente seduzido pela Daphne, a autora não cita nenhuma situação em que o duque tenha arruinado a vida de alguma donzela ou que tenha feito algo classificado como muito errado pela sociedade daquela época.

Libertino mesmo era o personagem criado pelo Choderlos de Laclos, o Visconde de Vermont. E para saber que ele era péssimo e não estava nem um pouco preocupado com a situação das damas que ele enganava, ele não precisou de descrições muito detalhadas de como aconteciam essas seduções. Leia aqui um trecho da obra.

Essa é o trailer do filme, que conta com a participação de Michelle Pffeifer e Uma Thurman:

YouTube Preview Image

Fora a palavra “Droga”, que é usada demais, a ponto de o leitor pensar que se trata de um erro de tradução.

Como sei que ela é muito querida nas redes sociais, estou aguardando as pedradas. Mas, não tenho como dizer que esse é um livro que eu indicaria. Sorry…

Esses são os livros citados, com os respectivos serviços:

duque

O duque e eu

Julia Quinn

Editora Arqueiro

287 páginas

R$ 20,90

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As Relações Perigosas

Choderlos de Laclos

Edições Globo

com tradução de Carlos Drummond de Andrade

520 páginas

Preço médio: R$ 25

emma

Emma 

Jane Austen

Saraiva de Bolso

R$ 11,80

20:49 · 21.06.2015 / atualizado às 16:04 · 23.06.2015 por

Dizem que uma boa história é aquela que consegue cativar o leitor até a última sentença, seja essa história contada em uma única frase ou em uma série de muitos e muitos livros. O motivo por uma narrativa se estender além do volume único é um mistério. Às vezes, o autor não está preparado para abandonar o universo ficcional que criou, às vezes os fãs insistem tanto que os escritores se forçam a sentar em frente ao computador e escrever e às vezes a história é complexa e fascinante demais para caber em apenas um livro.

A questão é que não importa quantos livros são escritos e histórias são contadas, contanto que elas acrescentem algo. Pelo menos é o que a maioria dos leitores procura: uma leitura que valha as muitas horas de ócio investidas. Uma história que os transforme e emocione.

A Herdeira (R$ 19,90)
A Herdeira (R$ 19,90)

A Herdeira, quarto livro da série de young adult A Seleção, da escritora americana Kiera Cass, é um exemplo de como escolher prolongar uma história que não tem necessidade de ser prolongada pode ser um erro fatal.

Não, o livro não é nenhum desastre. Longe disso. Em A Herdeira, somos inseridos novamente no universo distópico da sociedade futurista Illéa, décadas após os eventos narrados nos livros anteriores da série – A Seleção, A Elite e A Escolhida. Mesmo após o fim da Seleção e das castas, o governo encontra-se novamente ameaçado por protestos, desigualdade e atentados violentos.

A personagem principal, Eadlyn, é a filha mais velha de Maxon e America e a futura rainha. Orgulhosa e muito mimada, ela não é bem vista pelo povo e, para reconquistar a estabilidade nacional e ganhar a confiança dos súditos, Eadlyn decide participar de uma nova Seleção. 35 garotos são enviados ao palácio real para disputar o coração de Eadlyn.

É a partir daí que a história corre o risco de se tornar redundante e oca. Embora a perspectiva narrativa seja diferente – se nos outros livros, quem narra a história é uma Selecionada, em A Herdeira é a princesa -, estamos novamente diante de uma Seleção, conflitos com rebeldes e algumas fights entre Selecionados. A Herdeira se supera e ainda consegue acrescentar à narrativa uma personagem principal pouco empolgante, além de um romance indefinido. O final é, no entanto, o ponto forte do livro.

Kiera Cass
Kiera Cass

A culpa não é da Kiera. Sua escrita é leve e descontraída e a ideia geral do livro é interessante. A leitura não é de todo em vão. É empolgante vislumbrar como estão as vidas de America e Maxon e de seus quatro filhos, além do casal mais que fofo de Asper e Lucy.

Mas quando a questão é contar a história de Eadlyn, A Herdeira carece de autenticidade e profundidade. Eadlyn é muito diferente de America e vê o mundo e os desafios de sua vida de forma muito particular e séria. Sua personalidade fria e distante pode impedir o leitor de simpatizar com ela.

Os relacionamentos e conflitos políticos não são muito desenvolvidos e a autora constrói um final confuso mas surpreendente para a obra, que deve ganhar uma sequência próximo ano.

A Herdeira é o que nós, brasileiros, chamamos de “embromation”: a arte de falar, falar e não dizer (quase) nada. Não há muitas novidades com as quais “surtar”, embora o livro não seja em nenhum momento entediante.

 

*Texto de Rosiane Melo – estagiária do Núcleo de Entretenimento do Diário do Nordeste

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Blog da jornalista Kelly Garcia, da área Entretenimento, do Diário do Nordeste.
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