Opinião: Ferroviário 7×2 São Benedito, um jogo para consagrar Giancarlo, o artilheiro do Brasil

27/02/2013 - 22:56 por

Giancarlo comemora um dos gols que marcou. Foto: Kid Júnior

Giancarlo comemora um dos gols que marcou. Foto: Kid Júnior

A última vez que lembro de ter visto o Ferrão fazer 7 gols em uma partida foi naquele inesquecível 15 de novembro de 2006. Um time recheado de craques como Sérgio Alves, Jefferson e Fernandinho (ex-São Paulo) humilhou o Bahia aplicando 7×2 no PV pela Série C do Brasileirão daquele ano. E nesta quarta-feira (27), O Ferroviário deu à sua torcida alegria semelhante ao destruir o paciente terminal São Benedito pelos mesmos 7×2, também no estádio Presidente Vargas, desta vez, pelo Campeonato Cearense Chevrolet. E o destaque fica para o monstruoso Giancarlo, o artilheiro do Brasil, que marcou 5 gols na partida.

Olhando o resultado final, fica difícil explicar que, por 45 minutos, a apreensão tomou conta dos rostos corais no estádio do Benfica. E tudo começou aos 15 segundos – isto mesmo, 15 segundos. Ao bater o centro, a bola rodou por quatro corais: Ted, Giancarlo, Everton, até chegar ao zagueirão e capitão Valdo. E o camisa 4, desatento, amaldiçoado, azarado ou o que for, tentou recuar a bola para o goleiro Fernando Júnior e acabou por dar a bola nos pés do atacante Ronaldo, dos visitantes. Resultado: o camisa 12 Coral foi obrigado a cometer pênalti – desnecessário, convenhamos – sendo expulso na sequência. Silêncio e pânico nas arquibancadas. O Ferroviário precisava vencer o jogo, e a vitória já era ‘cantada’, visto o desempenho do São Benedito no campeonato, arquejando na UTI rumo ao rebaixamento. E ao Azulão da Serra, só a vitória interessava para ainda sonhar em permanecer na elite do futebol cearense. E o bom Lequinha cobrou a penalidade e abriu o placar para o São Benedito.

Antes disso, um erro do treinador Gilson Maciel, do Ferroviário, irritou os torcedores. O ‘professor’ sacou o atacante Ted para colocar o goleiro reserva Caíque. A torcida chegou a chamá-lo de ‘burro’ pela decisão – a massa Coral queria a saída do apagado Kleylton, já prevendo que a noite não seria do camisa 10.

1×0 para o vice-lanterna do Campeonato. A torcida, impaciente. Mas não havia motivo para pânico. Não quando Giancarlo está em campo. Deus perdoa, ele não. Por isso mesmo, o artilheiro do Brasil é do Ferrão.

E aos 22 minutos começou a brilhar a gigante estrela do G9. Em boa jogada do não menos iluminado Foguinho pela esquerda, o grandalhão Coral foi derrubado dentro da área e ganhou uma penalidade para cobrar. Com categoria e maestria digna dos grandes artilheiros, Giancarlo empatou o jogo.

A partida seguia com o Ferroviário tentando chegar ao ataque. Mas parava na ineficiência da criação do meio-campo. Parecia que o time havia sentido o gol, e não conseguia se organizar com a ausência de Ted na frente. Valdo, que fez a lambança que originou o pênalti e a expulsão de Fernando Júnior, ia mal em seu setor, errando tudo que tentava. E Kleylton matava o time no meio-campo. Ao fim do primeiro tempo, alívio de o jogo estar, ao menos, empatado.

Giancarlo assombra o PV

Nem o mais otimista torcedor Coral poderia prever o que o segundo tempo guardava em emoções. Um verdadeiro show Coral. Logo no retorno dos vestiários, Gilson Maciel corrigiu seu ‘erro’: sacou o apagado Kleylton e promoveu a entrada daquele que seria o motor da virada e do show do Ferrão. Chico, com a camisa 14, acendeu o fogo do time com sua velocidade, ultrapassagens, passes precisos e categoria. O time mudou de postura, ajudado também pelo retorno do São Benedito, que buscava ocupar os espaços do ataque.

E aos 4 minutos, outro zagueiro Coral fez uma lambança que gerou gol, mas desta feita, foi a favor. O bom Cleilton, que salvou a pele do companheiro Valdo no primeiro tempo com uma atuação segura, foi ao ataque e, cara a cara com o goleiro Eufrásio, atrapalhou-se e chutou fraco. Que atire uma pedra quem não perdeu a paciência e xingou a bobagem das arquibancadas. Mas como atacante bom é aquele que não desiste nunca, Giancarlo permaneceu na jogada e contou com a sorte que apenas os grandes artilheiros possuem. Eufrásio atrapalhou-se e a bola sobrou, limpa, nos pés do artilheiro do Brasil, que não teve piedade: 2×1 para euforia dos 1.222 torcedores presentes.

E aos 10 minutos, o início do show. Como uma máquina mortífera, o Ferroviário veio no toque de bola pela direita, entre Everton e Chico. O camisa 14 deixou o lateral livre, e, em uma bomba indefensável, Everton fuzilou o gol Azul, marcando o terceiro. Delírio nas arquibancadas. Na sequência, aos 15 minutos, Chico foi lançado dentro da área pela esquerda e, numa jogada espetacular, tocou sem ângulo por cima de Eufrásio. Golaço!

E o show continuou, regido pelo bom meio-campo Coral. Com 21 minutos, Foguinho, extremamente aplaudido e com o nome gritado pelas arquibancadas, fez ótima jogada de velocidade pela esquerda e chutou mascado. Eufrásio tocou na bola, que sobrou praticamente em cima da linha do gol para Giancarlo apenas escorar para o gol. Não perca as contas, 5×1, terceiro gol do monstro da camisa 9.

A seguir, Valdo ‘salvou’ sua apresentação no PV. Em jogada pela direita, o São Benedito quase chegou ao gol, mas o capitão salvou, em cima da linha, redimindo-se da lambança inicial.

Aos 27 minutos, a consagração de Foguinho. O camisa 7 foi lançado e saiu da defesa ao campo de ataque, ultrapassando todos os jogadores, exceto Giancarlo, que esperou paciente o passe do companheiro para marcar seu quarto gol, o sexto do Ferrão. Na comemoração, lustrou as chuteiras do incendiado e endiabrado meia da Barra.

E aos 28, a consagração de Giancarlo. Se há quem diga que o grandalhão só faz gol de pênalti ou de sobra, o G9 marcou um golaço de falta, em cobrança ensaiada com a participação de Everton e Leandro. Até ali, 7×1 e delírio Coral. Muitos, sem voz, limitavam-se a aplaudir incessantemente a onzena da Barra. Giancarlo chega aos 16 gols em 14 partidas que jogou. Números incríveis de um jogador que superou todas as expectativas e desconfianças.

Ainda deu tempo de Cleilton, que vinha bem, cometer um pênalti infantil, cobrado novamente por Lequinha, que diminuiu. 7×2, e só não teve mais pela má pontaria de Samir e Everton, que abusaram em chutar bolas no ginásio Aécio de Borba. Por fim, méritos de uma equipe que mostra força e entrosamento, que tem um atacante ímpar no futebol cearense e conta com a estrela de um treinador que sabe reconhecer seus erros. Só faltou maior presença de público, mas aí é outra história…

Notas dos personagens:
Fernando Júnior: Pode pedir um ovo de páscoa de 6 kg ao Valdo pelo presente de grego. Acho que não precisava ter cometido o pênalti. Pelo pouco tempo em campo, não farei avaliação. Nota: Sem nota

Everton: Muito bom lateral, é um dos melhores deste elenco. Sabe defender, sabe atacar, é ótimo na bola parada… E fez um belo gol. Nota: 7,5

Valdo: Quando eu jogava no ‘amador’, meu querido treinador Daniel Feitosa me fazia passar uma manhã inteira chutando a bola na parede, para adquirir firmeza no passe. Fica a dica: zagueiro bom, é zagueiro centrado. E capitão bom é capitão seguro do que faz. Vale salientar que, ao final do jogo, fez questão de ir à torcida e pedir desculpas. Pela lambança, ZERO. Por ter salvo um gol e ter tido humildade em reconhecer o erro, DEZ. Média simples. Nota: 5

Cleilton: Vinha bem, participou de um gol, mas cometeu um pênalti bobo. Se liga, macho! Se não estivesse goleando, teria comprometido. Nota: 6

Samir: Muitos disseram que não sentiram saudade nenhuma do Tinga na esquerda… Ótimo jogador! Só precisa melhorar a pontaria. Nota: 7

Vagno Pereira: Pra mim, é inevitável não lembrar do Glaydstone… Joga seguro, marca bem, é baixinho e tem bom passe. Nota: 7

Leandro: Que gás tem esse cara! Saiu de campo aplaudidíssimo! Teve de correr o dobro, por jogar com um a menos, e fez a diferença na marcação do meio-campo. Nota: 8

Foguinho: Cara, passa aí a receita do teu fôlego! Tu não é humano, véi! Jogou muito esta noite, teve o nome gritado pela torcida, teve a chuteira lustrada pelo artilheiro do Brasil… Tá com muita moral, e merece tudo que está conquistando! Nota: 9

Kleylton: Muito mal. Sua saída ‘salvou’ a noite. Nota: 5

Ted: Um toque na bola, e teve de ser substituído. Sem nota

Giancarlo: Se quem faz 3 gols pede música, quem faz 5 pode pedir um show de uma banda. Mostrou versatilidade, ao fazer gols de várias formas. Com ele em campo, os adversários tremem. Fico feliz de poder ver este cara jogando no Ferrão, pois honra a camisa 9 usada por tantos craques no passado, e agora, bem honrada por este jovem que tem tudo para voar bem alto no futebol nacional. Nota: DEZ

Caíque: Fez o que pôde. Pegou um foguete em cobrança de falta, mas não havia o que fazer em relação aos gols de pênalti. Nota: 6,5

Chico: Responsável pelo gás do segundo tempo. Saiu do banco para incendiar o jogo. Nota: 8

Haron: Entrou e apareceu pouco, pois não havia como substituir o insubstituível Leandro. Nota: 6

Gilson Maciel: Se errou ao manter Kleylton no primeiro tempo, acertou ao promover Chico. NÃO MERECE SER CHAMADO DE BURRO pela torcida. Nota: 8
Foi isso que EU vi do jogo. E você, o que me conta?

Categoria: Arquivo

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