Duro escrever ainda com o amargor da derrota. Duro ficar no caminho quando se sabe que existe o potencial para ir mais longe.
A derrota brasileira vem após um primeiro tempo que, se não foi brilhante, foi perfeito. Marcando forte, não deixando os holandeses tocarem facilmente a bola (como gostam), e saindo rápido quando retomavam a bola.
Trancar não basta, correr também
Após a derrota na Copa do Mundo de 2006, todos apontaram a bagunça em Weggis como a grande culpada, esquecendo outros erros. Agora, um quartel general foi armado, tanto que Maicon deixou escapar que “estava trancado”.
Bem ou mal, ambas as campanhas terminaram iguais, com eliminação nas quartas-de-final. Valeu a pena? Não também que tenha faltado vontade, correria. Mas isso não é tudo.
A pedra cantada há meses
É fácil pisar em cachorro morto, mas quem não previu o que se viu no jogo de hoje? Não houve quem não temesse o destemperamento de Felipe Melo, explosivo desde que iniciou a carreira no Flamengo. Diante de Portugal, a expulsão não veio porque o volante foi logo sacado do jogo. Agora, quando a seleção precisava demonstrar força para reagir diante de uma virada, ele praticamente cavou a cova brasileira. Eu não fiquei surpreso. Você ficou?
Outra carta marcada era a falta de banco de reservas. Diante dos portugueses já havia sido mostrado um pouco. Saindo Kaká e Robinho, o time perdia o rumo. Precisando de opções, faltou banco, faltou opções para mudar a partida.
Neymar teria mudado o jogo? Quem sabe. Ganso daria novamente o toque de bola que a equipe perdeu no segundo tempo? Impossível dizer. Ronaldinho Gaúcho poderia desequilibrar a nosso favor? Difícil prever. No entanto, sem dúvidas seriam opções para dar nova cara a um jogo, para mudar algo que não dava certo. E desde quando houve alertas nesse sentido? É importante dizer, a seleção começou a perder a Copa na convocação.
Seria justo?
Vencendo tudo que disputou até aqui, a seleção chegou badalada. Fez uma estreia bem regular diante dos coreanos do Norte, venceu bem a Costa do Marfim e foi bem mal, com a equipe mexida, contra os portugueses.
Chegou às oitavas favoritíssimo, passando por cima do Chile, limitado e freguês de caderno.
O Brasil dessa Copa não teve algo que a história mostrou ser nosso maior trunfo: o toque de bola. Pelo contrário, viu nesse quesito a Holanda dar um banho de bola no segundo tempo, impedindo que o Brasil reagisse e controlando a partida, fazendo o tempo passar.
Se imaginarmos num futuro, alguém olhará para trás e pensará: teria sido justo o título nesse Mundial? Acredito que não.

Argentinos do Diario Olé destacam vitória holandesa
O adversário
Já a Holanda vem de uma eliminatória perfeita, 100% de aproveitamento. O time chegou sem encantar, como de costume, mas coeso como não se costuma ver uma equipe holandesa. Não encantou mas se impôs, chegou com 100% às quartas e manteve a calma quando esteve em desvantagem durante o jogo.
O equilíbrio emocional da equipe veio de encontro ao desequilíbrio apresentado pelo Brasil. E será que o destempero não é reflexo do banco, do treinador que sempre quis se impor com palavras duras, armou uma guerra unilateral com a imprensa, etc…
Se 1990 foi chamado de “era Dunga”, 2010 já começa a ser chamado de “era Felipe Melo”.
Há tantas nuances para serem comentados no dia de hoje que o post poderia se estender por páginas e páginas. Quem sabe me expresso mais adiante.
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