Bola de Ouro para Neymar é uma realidade, mas para 2017

01/12/2015 - 17:32 por

Foto: Agência REUTERS/Albert Gea

Foto: Agência REUTERS/Albert Gea

Talvez Neymar não seja eleito o melhor jogador do mundo pela Fifa em janeiro de 2016, quando a entidade máxima do futebol mundial celebra o Bola de Ouro (Ballon d’Or), prêmio que não é dado a um brasileiro desde 2007, quando Kaká ainda jogava pelo Milan e foi campeão da Liga dos Campeões da Europa.

O ex-atacante do Santos terá concorrência pesada. Bater Messi e Cristiano Ronaldo é um feito conseguido apenas, justamente, por Kaká. Desde então, os dois “monstros da bola” vem monopolizando o prêmio e protagonizando uma disputa que certamente ficará para a história.

Mas se nesta temporada Neymar não deve sonhar com o título de melhor do mundo, o esquema de Luís Henrique (técnico do Barcelona) em 2015, caso ele consiga manter o nível das apresentações, pode dar ao brasileiro uma esperança para sonhar com o prêmio em 2017, mesmo jogando ao lado do craque argentino.

Sem “la pulga”, o 4-3-3 do Barça, que já havia sido adaptado para comportar a entrada de Luis Suárez no comando ofensivo e empurrar Messi para o lado direito, teve der ser invertido. O peso que deveria desequilibrar o esquema adversário ficaria sobre as costas de Neymar, que já na terceira temporada pelo time catalão, se mostrou completamente adaptado.

Caindo da esquerda para o centro, Neymar concentrou as ações do Barça, marcando 14 dos 33 gols do time no Campeonato Espanhol.

Caindo da esquerda para o centro, Neymar concentrou as ações do Barça, marcando 14 dos 33 gols do time no Campeonato Espanhol. Contundido, Messi fez apenas 4 até agora.

Mas o brasileiro acabou ganhando a liberdade para transitar por todo o gramado, forçando algumas movimentações de Suárez e de quem ocupasse faixa lateral oposta, como no gol de Iniesta contra o Real Madrid, na última edição do maior clássico do futebol espanhol. Neymar explorou o espaço por trás da linha de volantes do Real para rodar da direita para o centro do campo.

Suárez então saiu da área em direção ao lado direito e deixou o brasileiro no mano-a-mano com Sergio Ramos, dando todo o espaço para Neymar encontrar o passe para Iniesta.

Sem Messi, Neymar passou a ter mais liberdade, caindo muitas vezes pela faixa central para confundir a marcação e criar espaços para quem vem de trás, como no gol de Iniesta contra o Real Madrid.

Sem Messi, Neymar passou a ter mais liberdade, caindo muitas vezes pela faixa central para confundir a marcação e criar espaços para quem vem de trás, como no gol de Iniesta contra o Real Madrid.

Sombra de quem?

Com o argentino quatro vezes melhor do mundo voltando de uma contusão no joelho, e considerando o bom momento de Neymar, não seria espantoso os papeis se inverterem nesta temporada. O Barcelona conquistou a tríplice coroa com Messi desequilibrando as defesas adversárias partido da direita para dentro do campo. As rotações defensivas acabavam gerando todo o espaço necessário para que Neymar pudesse concluir as jogadas em gol ou até mesmo devolver a gentileza da assistência para o argentino.

Neymar 1

A rotação defensiva forçada por Messi acaba deixando Neymar em uma marcação homem a homem, dando chances claras de gol para o brasileiro, ou de dar uma assistência.

Mas Neymar já mostrou que pode ser uma referência dentro das quatro linhas, e, talvez, com Messi ainda recuperando o ritmo de jogo, pode ser que “la pulga” acabe desempenhando um papel menos centralizador, deixando a responsabilidade pela criação de jogadas um pouco mais nos pés de Neymar, mesmo que não completamente. Seria uma oportunidade para o Brasileiro sair da sombra de Messi.

Neymar, em 13 jogos pela Liga Espanhola, já acumula 14 gols. Na temporada 2014/2015, quando Cristiano Ronaldo marcou 48 vezes e Messi 46, ambos, ao chegar na 14ª rodada, tinha apenas 11 gols. Dizer que Neymar conseguirá superar os dois é brincar de vidente, mas os números impressionam.

Esperança

Messi deve ser consagrado com a quinta Bola de Ouro, enquanto que a Neymar deve ser entregue a medalha de bronze, mas, apesar de ser improvável, não se espante se o ex-santista ficar à frente de CR7. Seria uma grande vitória para um jovem de 23 anos, que carrega as esperanças de uma nação a qual um dia dominou, por anos, o mundo da bola, mas que vem sofrendo com alguns “anos de seca”.

Categoria: Análise Tática, Futebol Espanhol, Futebol Europeu

Enviar para o Kindle

Posts relacionados

blog comments powered by Disqus

Time de fora?

Blog sobre futebol da editoria Jogada, do Diário do Nordeste.

Autores