Contra o Barça, Real de Benítez perdeu a batalha no meio campo

24/11/2015 - 12:44 por

Foto: Víctor Carretero (Real Madrid)

Foto: Víctor Carretero (Real Madrid)

Poucos dias antes do maior clássico do futebol espanhol os jogadores do Real Madrid teriam se reunido com a ideia de mandar uma mensagem para a imprensa e para os torcedores: “Benítez tem todo o nosso apoio”. O que se viu no último sábado (21) já é história, e ajudou a levantar ainda mais a poeira sob a prateleira de boatos acerca a saída do técnico espanhol do cargo de comando dos Blancos.

Mas a resposta para o fraco desempenho dos madridistas não está no apoio (ou a falta dele) a Benítez, está no meio campo e no frágil sistema defensivo organizado pelo ex-técnico do Napoli, que cedeu às pressões nos bastidores para escalar James Rodríguez ao lado de Luka Modric e Tony Kroos, o que, sem a presença de um volante de contenção, como Casemiro, acabou enfraquecendo a segunda linha de marcação do Real.

O erro, além de revelar um certo despreparo do espanhol, demonstra até uma falta de pulso, pois é esse tipo de fraqueza que o forte esquema do Barcelona de Luís Henrique adora explorar. Os gols de Suárez, Neymar e Iniesta começaram em jogadas pela lado do campo que, a partir das tabelas clássicas do 4-3-3 catalão com dois meias centrais e dois homens abertos, forçava uma movimentação para faixa central.

No primeiro gol do Barcelona, Sergio Ramos teve sair em busca de Sergi Roberto, que cortava da esquerda para dentro. A movimentação gerou espaço para Suaréz invadir a área.

No primeiro gol do Barcelona, Sergio Ramos teve que sair em busca de Sergi Roberto, que cortava da esquerda para dentro. A movimentação gerou espaço para Suárez invadir a área e chutar colocado

Com pouca combatividade e sobrecarregado, o meio campo do Madrid forçava a saída de um dos zagueiros para tentar cortar o lance, e o que se viu foi uma bola de neve no sistema defensivo de Benítez. Uma fila de dominós caindo, um após o outro.

Mas onde Benítez errou, outros técnicos acertaram. O último deles, Carlo Ancelotti, que para muitos torcedores do Real não deveria ter sido demitido. A diferença entre as duas versões do Madrid parece pequena, mas demonstra a distância entre os dois técnicos, com o italiano à frente do espanhol.

A movimentação de Neymar, Suaréz e S. Roberto, no segundo tempo, serviu para confundir ainda mais a defesa do Real. O trio trocava de posição com frequência, dando mais espaço para Iniesta aparecer entre os zagueiros e marcar o terceiro gol.

A movimentação de Neymar, Suárez e S. Roberto, no segundo tempo, serviu para confundir ainda mais a defesa do Real. O trio trocava de posição com frequência, dando mais espaço para Iniesta aparecer entre os zagueiros e marcar o terceiro gol

Jogando sob o comando de Ancelotti, os Blancos acumularam 3 derrotas e 1 vitória pelo Campeonato Espanhol, mas conquistaram o título da Copa do Rei em cima do maior rival, além de mostrarem mais força e equilíbrio dentro de campo.

O esquema do italiano contava com 4 homens de meio campo, contando com o galês Gareth Bale para fechar o lado direito. James, Modric e Kroos, geralmente completavam o setor. No comando de ataque, Cristiano Ronaldo e Benzema eram os responsáveis por finalizar as jogadas nesse 4-4-2.

 

Real Madrid de Ancelotti contava com uma linha de 4 no meio campo. Esquema mais adequado para contrapor o ataque do Barcelona do trio MSN.

Real Madrid de Ancelotti contava com uma linha de 4 no meio campo. Esquema mais adequado para contrapor o ataque do Barcelona do trio MSN.

A grande diferença não está nos números do esquema, sim na postura. CR7 e Benzema forçavam a saída de bola do Barça, enquanto James e Bale fechariam a porta para Neymar e Messi, que caiam pelo lado, com o galês pronto para sair em contra-ataque.

Foi jogando assim que o Real Madrid, mesmo sem Bale, machucado na época, venceu o Barcelona por 3 a 1 no mesmo Santiago Bernabéu, em outubro de 2014. Resta agora saber se Benítez aprendeu a lição, e se terá tempo de corrigir os erros para o próximo “El Clássico”, pois a rotatividade na parte branca de Madrid é notável. São 9 técnicos nos últimos 12 anos.

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Blog sobre futebol da editoria Jogada, do Diário do Nordeste.

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