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TRATAMENTO PRECOCE DO HIV

Publicado em 15/03/2013 - 12:48 por | Comentar

Categorias: CIENCIA

Pesquisadores da França afirmaram que o tratamento rápido logo depois da infecção pelo HIV pode ser suficiente para causar, em até 15% dos pacientes, uma “cura funcional” – quando o vírus, apesar de não desaparecer do organismo, entra em remissão e o paciente não precisa mais de remédios.

Os cientistas do Instituto Pasteur, em Paris, analisaram os casos de 14 pessoas que receberam o tratamento precoce e depois pararam com a terapia. O vírus da Aids, nestas pessoas, não deu sinais de voltar a se proliferar.

O grupo de pacientes começou o tratamento em um período de cerca de dez semanas após a infecção pelo HIV. Eles obtiveram o diagnóstico precoce pois foram ao hospital tratar de outros problemas, e o HIV foi detectado no sangue.

Em média, o grupo recebeu o tratamento com antiretrovirais durante três anos e então a medicação foi interrompida.

Normalmente, quando o tratamento é suspenso, o vírus retorna. Mas isto não ocorreu com este grupo de pacientes. Alguns deles, por exemplo, conseguiram controlar os níveis de HIV durante uma década.

“A maioria dos indivíduos que seguem o mesmo tratamento não vai controlar a infecção, mas existem poucos que vão”, afirmou Asier Saez-Cirion, do Instituto Pasteur.

A pesquisa foi divulgada na publicação especializada PLoS Pathogens, e a divulgação do progresso deste grupo de pacientes da França ocorre depois da notícia da cura de uma bebê depois de um tratamento precoce nos Estados Unidos.

 

(PLoS Pathogens)

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PAPA TEM UM HUMOR EXCELENTE

Publicado em 15/03/2013 - 12:44 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO

PARA UM HOMEM HUMORADO

O Papa Francisco I é um homem de bem com a vida e portando portador de um excelente humor

 

Além do bom humor e dos hábitos simples, a saúde do do papa Francisco também vem ganhando atenção na imprensa mundial.

“Um papa austero, com um pulmão a menos e torcedor do time San Lorenzo”, publicou o site do jornal Perfil, da capital argentina.

Mas, segundo a biógrafa de Bergoglio, coautora do livro El Jesuíta, Francesca Ambrogetti, não há sinais de que os problemas afetem o pontífice.

A jornalista italiana, que mora em Buenos Aires, disse que o viu “sempre bem disposto, sem sinais daqueles problemas de saúde do passado”.

Em entrevista  Ambrogetti lembra do relato do papa sobre as “fortes dores” que sentiu em decorrência da pneumonia que sofreu aos 21 anos.

“Ele disse que foram dias terríveis, que esteve três dias entre a vida e a morte, com muita dor e muito medo. Os médicos tiveram que cortar uma parte do pulmão dele, mas ele tem os dois pulmões”, disse Ambrogetti.

Twitter

Ambrogetti também afirmou que “a pontualidade e a simplicidade” foram características dele nos encontros que tiveram durante quase três anos para as entrevistas realizadas para o livro.

“Ele mesmo respondia cada carta dos fiéis, atendia e fazias as ligações, sem depender de assessores. Agora, vamos ver como adaptará seu estilo para o cotidiano no Vaticano”.

O nome Bergoglio já aparece em uma conta no Twitter.

Mas quando morava em Buenos Aires ele preferia não usar computador e as secretárias imprimiam os emails que ele recebia, segundo a imprensa argentina.

Tango

Ambrogetti contou que Bergoglio disse que Buenos Aires é seu “lugar no mundo”, mas que suas viagens à Itália, domínio do italiano e de outros idiomas, “deverão deixá-lo bem em Roma”.

Ela definiu o novo papa como um “pastor”, “preocupado com as pessoas”, “apaixonado por tango, pelo seu time, o San Lorenzo, e um estilo de vida sem luxo algum”.

Em cada encontro, Bergoglio repetia a frase que disse logo após ser eleito papa – “rezem por mim”.

A declaração virou marca registrada do novo papa. Cada amigo, familiar ou conhecido entrevistado recentemente pela imprensa em Buenos Aires, como pais das vítimas da tragédia com um trem que deixou 51 mortos, no ano passado, repetia a mesma frase: “Ele sempre se despedia dizendo, rezem por mim”.

Uma freira, Rosita, de 90 anos, que o conheceu, disse às TVs locais: “Acho que a missão dele era grande e por isso dizia essa frase. Se era grande antes, imaginem agora”.

O sacerdote “Pepe” Di Paola, que trabalha nas “villas” (comunidades carentes) de Buenos Aires disse que “muita gente aqui nas áreas pobres chorou de emoção porque Bergoglio sempre esteve perto deles”.

Após a surpresa com a eleição do papa argentino, e do dia seguinte já sem euforia nas ruas, alguns já preparavam as malas para estarem presentes à cerimônia de posse do papa, nesta terça-feira, no Vaticano. “Domingo embarco para o Vaticano”, disse Juan Carlos Pallarols, que trabalha com pratarias e fez o cálice que presenteará ao novo papa.

 

(Jornal PERFIL)

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PAPA PAGOU SUA HOSPEDAGEM

Publicado em 14/03/2013 - 13:01 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO

Depois de ser eleito, o papa Francisco decidiu voltar ontem (13) de ônibus acompanhado dos demais cardeais da Capela Sistina para a Casa de Santa Marta – onde todos estavam hospedados para o conclave. O papa dispensou o carro oficial a que tem direito. Horas depois, ele foi até a Casa Internacional do Clero, em Roma, na qual os cardeais se hospedaram antes do conclave.

Na Casa Internacional do Clero, o papa fez questão de pagar a conta referente ao período em que se hospedou no local. Bem-humorado, ele avisou aos cardeais que ia até o local para quitar a dívida e pegar as malas. No jantar com os cardeais, o papa mostrou seu humor: “Que Deus os perdoem”, disse ele, referindo-se ao fato de ter sido eleito.

Após a saudação do papa Francisco aos fiéis, na Praça São Pedro, os cardeais se reuniram com ele para o jantar. Com champanhe, eles a escolha do novo pontífice. “Foi tudo em um clima muito fraternal”, disse o arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer.

De temperamento afável, comunicativo e, sobretudo, cuidadoso com as contas. Assim é descrito o papa Francisco pelos cardeais e padres que o conhecem. “É um homem simples e modesto”, disse o arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno, lembrando que quando o então cardeal Jorge Mario Bergoglio vivia em Buenos Aires, capital da Argentina, usava o metrô e ônibus e caminhava a pé.

À tarde, às 17h (13h de Brasília), o papa Francisco celebrará uma missa privada aos cardeais, na Capela Sistina. Antes disso, às 11h (7h de Brasília), ele se reuniu com os cardeais, na Sala Clementina. Também está confirmado que o papa Francisco celebrará o Angelus, no domingo (17), na Praça São Pedro.

Pela manhã, o papa foi até a Basílica de Santa Maria Maior, no centro de Roma. No local, fez uma oração para a Nossa Senhora. Ele foi à basílica acompanhado pelo prefeito da Casa Pontifícia, dom George Gaenswein, e o vice-prefeito (da Casa Pontifícia), Leonardo Sapienza.

 

(CATHOLIC OBSERVER)

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PAPA FARÁ PRIMEIRO PRONUNCIAMENTO NO BRASIL

Publicado em 14/03/2013 - 12:57 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO

PAPA FRANCISCO

Papa Francisco fará primeiro pronunciamento publico se dirigindo aos jovens no Rio de Janeiro

 

Rio de Janeiro – O papa Francisco deverá participar de pelo menos quatro atividades da Jornada Mundial da Juventude, principal evento da juventude católica, que ocorrerá entre os dias 23 e 28 de julho deste ano, na cidade do Rio de Janeiro. Segundo o vice-presidente do Comitê Organizador Local da Jornada, dom Antônio Augusto, o primeiro pronunciamento do pontífice deverá ocorrer na Praia de Copacabana, no final da tarde do dia 25.

O pronunciamento deverá ocorrer em um palco montado na praia, onde o papa será oficialmente recebido pelo arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta. “Dom Orani saudará o papa. Haverá também os jovens representantes de cada continente, que irão cumprimentá-lo. Depois haverá um momento de oração”, disse dom Antônio.

O papa deverá se pronunciar em pelo menos outras três ocasiões. No final da tarde do dia seguinte (26), Francisco voltará a falar com os jovens, durante a encenação da Via Sacra, que ocorrerá na Avenida Atlântica, na Praia de Copacabana. A previsão é que o pontífice acompanhe a procissão do palco, a partir de um telão, e também diga algumas palavras.

Na noite do dia 27, haverá uma vigília no bairro de Guaratiba, na zona oeste da cidade. Por volta das 20h, espera-se que o papa Francisco converse com os jovens e responda a perguntas feitas por ele, durante esse encontro.

No dia seguinte (28), no mesmo local, está prevista a celebração da missa final da Jornada Mundial da Juventude. “A partir das 9h, o papa chegará novamente a Guaratiba, circulará com o papamóvel no meio da multidão, celebrará a missa ao meio-dia e já anunciará qual será a próxima cidade da Jornada Mundial da Juventude”, disse o vice-presidente do comitê organizador do evento.

Segundo dom Antônio Augusto, é possível que o papa participe de outros eventos durante sua estada no Rio de Janeiro. Mas a agenda definitiva de Francisco só deverá ser acertada depois de encontro de dom Orani com o pontífice, no Vaticano, nas próximas duas semanas.

Um dos cardeais que participaram do conclave para a escolha do papa no Vaticano, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno, lembrou que o papa emérito Bento XVI assegurou que, se não pudesse participar, o seu sucessor estaria presente na jornada.

“É uma tradição dos papas anteriores abrir e fechar as jornadas mundiais onde elas ocorreram”, ressaltou dom Damasceno, em entrevista.  A última Jornada Mundial da Juventude ocorreu em Madri, na Espanha, em 2011. O lema da edição deste ano é: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações”.

 

(Agencia Brasil)

 

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PAPA:PIADAS BRASILEIRAS E ARGENTINAS

Publicado em 14/03/2013 - 12:48 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO, Sem categoria

PAPA FRANCISCO

Começam a surgir piadas brasileiras e argentinas envolvendo o novo Papa

 

A escolha de um argentino como o primeiro papa da América Latina rendeu uma onda de piadas entre argentinos e brasileiros nas redes sociais de ambos os países e reacendeu a velha rivalidade entre as duas nações, ainda que de forma bem-humorada.

Em sua conta no Twitter, o brasileiro Alexandre Berbe (@AleBerbe) afirmou que ”a escolha de um papa argentino foi a melhor coisa que aconteceu para a indústria de piadas no Brasil. #habemusPapam”. E não demorou muito para que elas surgissem em profusão.

Maria Graciolli (@Mari_Graciolli) brincou com supostas consequências negativas da nacionalidade do papa entre os católicos brasileiros: ”Ateísmo bate record (sic) no Brasil após eleição de papa argentino”.

O jornalista e ator Fernando Ângelo (@fernandoangelo_) centrou alvo na suposta fanfarronice de nossos ”hermanos”, em especial no que diz respeito ao futebol, ao dizer que ”argentinos já dizem que o novo papa é melhor do que Pelé!”.

Os alvos das piadas foram os mais diversos, entre eles, é claro, as preferências gastronômicas dos argentinos, bem como a acirrada rivalidade futebolística com o Brasil.

Futebol e churrasco

Rodolfo Chagas (@RodolfoChgs) comentou: ”O novo papa é argentino, ou seja, agora quando sair uma fumaça do Vaticano sabemos que é do churrasco”.

Em se tratando de futebol, o tuiteiro DarkRonaldo (@DarkRonaldo) debochou da escassez de títulos na recente história do país nas Copas do Mundo: ”A eleição do papa é o primeiro título internacional dos argentinos desde a Copa de 1990”. No caso, o internauta se referiu à última vez que a argentina foi vice-campeã mundial.

A suposta propensão de jogadores argentinos em cavar faltas e fazer ”catimba” foi o alvo de Betto ”Vuohi” Böde (@bettobode), imaginando uma Missa do Galo que se assemelharia a uma partida com jogadores argentinos: ”Papa Argentino: finalzin (sic) da Missa do Galo, o papa se jogando nas escadarias simulando contusão pra (sic) missa acabar logo”.

Mario Filho (@mariofilho) fez alusões ao gol de mão marcado por Diego Maradona contra a Inglaterra na Copa de 1986: ”Segunda medida do papa argentino: Vale gol de mão”.

A blogueira Mafê Bastos (@mellancia) satirizou em um tuíte as confusões feitas por estrangeiros que pensam que a capital argentina fica, na verdade, no Brasil: ”BINGO: Conclave na Europa só podia dar nisso: ‘Gente, vamos eleger o novo papa brasileiro, aquele, de Buenos Aires!’”.

O humorista e colunista da Folha de S. Paulo José Simão alvejou nas páginas do diário a suposta fama de arrogantes de nossos vizinhos: ”É bom papa argentino, porque vai conversar com Deus de igual para igual!”.

Quem ri por último…

O professor argentino e morador do Brasil Luis Fernando Ayerbe comentou em sua conta de Facebook: “Deus está em todas partes, mas atende em Buenos Aires”.

A tuiteira argentina Faith (@sunshineout) incluiu o papa entre argentinos de destaque mundial e aproveitou para tirar ”uma casquinha” do Brasil: ”A rainha da Holanda é argentina, Messi é argentino, o papa, argentino. O Brasil segue participando”.

O humorista argentino Nik (@Nikgaturro) também foi pelo mesmo caminho ao elencar: “Maradona, Messi, Bergoglio… viram que Deus era argentino?”.

O americano Dustin Luke (@TheDustinLuke), que mora na Argentina, decidiu celebrar, de forma bem-humorada, quitutes argentinos: ”Mate, biscoitos, milanesas e empanadas para todos. O papa é argentino!”.

Na pesquisa, digamos, empírica, foram encontradas mais piadas e deboches proferidos por brasileiros em relação à nacionalidade do novo papa do que piadas proferidas por argentinos.

Um sinal de que os brasileiros canalizaram sua possível inveja para o humor ou que, em se tratando de piadas, os brasileiros têm um jogo ofensivo e aberto, tal qual o seu futebol?

 

(BBC)

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OS DESAFIOS QUE AGUARDAM O NOVO PAPA

Publicado em 14/03/2013 - 12:41 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO

 

OS DESAFIOS QUE ESPERAM O NOVO PAPA

O Papa Francisco vai enfrentar muitos desafios.

 

 

renúncia de Bento 16 ocorre num momento difícil para a Igreja Católica. No Ocidente, a instituição enfrenta a estagnação no número de católicos, bem como a queda no número de padres.

Enquanto isso, o avanço das igrejas evangélicas, sobretudo na América Latina e na África, limita o crescimento de congregações católicas, as quais também sofrem ameaças em regiões onde a intolerância religiosa é comum.edidos por um debate a respeito do celibato de clérigos católicos e confirmou o veto à comunhão de católicos divorciados que voltam a se casar.

Leis liberais sendo votadas em diversos países ocidentais também desafiam a igreja. Bento 16 disse que as rígidas posições da Igreja Católica em temas como aborto, eutanásia e homossexualidade “não são negociáveis” – ortodoxia que alienou muitos católicos de orientação mais liberal.

Além disso, o próximo papa terá, entre as suas tarefas, a de reconstruir a confiança sobre uma instituição que tem sido, nos últimos anos, alvo de centenas de denúncias de abusos sexuais perpetrados por padres contra menores.

O próximo papa terá, enfim, de lidar com vários temas. Confira abaixo alguns dos principais desafios que ele deve enfrentar:

Gerenciar o Vaticano

O recente vazamento de documentos do Vaticano, pelo mordomo do papa, revelou que a Cúria – o governo central da igreja – é uma instituição com graves problemas.

O vazamento de documentos pelo mordomo do papa revelou escândalos no Vaticano

Para o analista de Vaticano Clifford Longley, a instituição parece repleta de disputas entre “fações rivais”. “E há acusações de corrupção em altas esferas”, diz ele.

“A reforma do Vaticano, que só começou nas beiradas, ainda tem um longo caminho a percorrer. A descentralização é imperativa. Seu sucessor tem uma tarefa enorme e pouco invejável.”

Serão necessários sistemas de supervisão para garantir que casos de corrupção sejam detectados e punidos e para dar transparência às transações financeiras do Vaticano.

Leis igualitárias

“A questão que se sobrepõe às demais é a crescente pressão sobre católicos por conta de leis de igualdade sendo debatidas no Ocidente”, diz o analista de catolicismo Austen Ivereigh.

Leis de casamento homossexual estão em pauta na França e no Reino Unido; agências católicas de adoção foram fechadas no Reino Unido; nos EUA, estão em curso batalhas legais entre instituições católicas e Estados, por conta de igualdade sexual. Tudo isso afeta profundamente a igreja no Ocidente, diz Ivereigh.

Protesto em favor de lei do casamento gay na França; propostas são o maior desafio da igreja, diz analista

“Leis de igualdade, como as que permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, tornam cristãos e organizações religiosas vulneráveis a processos judiciais e acusações de preconceito.”

Para o analista, essas leis podem ter o efeito de marginalizar católicos e a presença da igreja na vida pública.

Casos de abuso sexual

Bento 16 chegou a comentar sobre a vergonha da igreja por conta dos “crimes inenarráveis” cometidos por sacerdotes pedófilos e pediu desculpas às vítimas que conheceu durante suas viagens.

Mas muitos críticos opinam que o Vaticano foi (e ainda é) muito lento, muito relutante e muito tímido na admissão e na investigação das acusações de abusos sexuais.

Vaticano é pressionado a investigar e punir acusados de abusos sexuais

O novo papa terá como tarefa dar sequência à punição dos criminosos e garantir que as mudanças introduzidas por Bento 16 sejam implementadas – em especial as orientações de proteção à infância, que devem ser cumpridas pelos bispos católicos.

“O próximo papa terá que fazer mais no que diz respeito à proteção das crianças”, opina David Clohessy, diretor-executivo da Rede de Sobreviventes de Abusados por Padres.

“Ele deve parar de pedir desculpas e, em vez disso, rebaixar bispos que continuam a encobrir crimes horrendos. E ele deve insistir em que sacerdotes atuem em conjunto com autoridades seculares para elaborar e aprovar leis mais fortes contra o abuso de crianças pelo mundo.”

O papel das mulheres

Bento 16 admitiu a lentidão da igreja em promover mulheres dentro da instituição, sobretudo em cargos administrativos.

Em 2007, ele declarou que, enquanto Jesus escolheu 12 homens como apóstolos, “entre os discípulos muitas mulheres também foram escolhidas. Elas tiveram um papel proativo no contexto da missão de Jesus”.

Apesar disso, porém, ele rejeitou a ordenação de mulheres e fez, no ano passado, um duro discurso criticando a “desobediência” de reformistas.

Mulheres ascenderam na igreja, mas espera-se que isso se aprofunde

Ainda que algumas mulheres tenham ascendido na hierarquia do Vaticano, outras consideradas “difíceis” foram expulsas da instituição, diz Gemma Simmonds, diretora do instituto britânico Religious Life.

Também causou polêmica o cerco, em 2012, a um grupo de freiras americanas que, na interpretação do Vaticano, desafiou a doutrina da igreja em temas como homossexualismo e celibato. Para o padre jesuíta Drew Christiansen, acadêmico visitante no Boston College, essa foi uma das falhas do pontificado.

“O contraste entre o tratamento (dado às freiras) e dado a padres pedófilos causa escândalo”, opina.

É amplamente aceita a ideia de que é necessária uma mudança cultural dentro do Vaticano, e espera-se que o novo papa promova mulheres em cargos gerenciais altos na Cúria.

Tensões interreligiosas

A proteção a cristãos perseguidos ao redor do mundo, em especial em áreas conturbadas do Oriente Médio, da Ásia e da África, deve ser um grande tema de preocupação para o novo papa.

O atual êxodo de cristãos da Terra Santa vão dar mais relevância à abordagem do próximo papa em suas relações com judeus e muçulmanos.

Bento 16 foi apenas o segundo papa a entrar em um local sagrado islâmico, quando visitou a Mesquita Azul de Istambul, em 2006, e rezou com muçulmanos.

Coptas egípcios estão entre os cristãos perseguidos no mundo

Essa tentativa de aproximação não foi bem vista em alguns círculos muçulmanos, especialmente por ter ocorrido pouco tempo depois de o papa ter citado um imperador bizantino do século 14 que chamara o profeta Maomé de “diabólico e desumano”.

O sucessor de Bento 16 terá o desafio de dialogar com o islã, que avança na Ásia e na África, em locais onde o catolicismo tem uma grande base de fiéis.

Bento 16 irritou os judeus ao dar andamento ao processo de canonização do papa Pio 12, apesar de críticas de que este teria feito vista grossa diante do Holocausto, durante a Segunda Guerra Mundial.

O atual papa também causou ira em alguns representantes da Igreja Anglicana, por ter estimulado os insatisfeitos com o anglicanismo a se converter ao catolicismo.

Em geral, as relações com anglicanos e judeus parecem estar apaziguadas. Mas o novo papa terá que ter cuidado ao estender a mão ao mundo muçulmano, sob o perigo de alienar judeus e parecer condescendente com o extremismo islâmico.

Congregações menores e menos padres

Há 1,2 bilhão de católicos no mundo, uma grande parcela deles (42%) na América Latina. A Europa, coração histórico do catolicismo, é atualmente casa de apenas um quarto dos católicos.

Entretanto, Bento 16 pareceu não se incomodar com o declínio numérico, mirando uma igreja menor, porém mais fiel.

Para seu sucessor, será essencial consolidar essa mudança de posição da igreja dentro da sociedade. À medida que a igreja se afasta das instituições oficiais, ela terá que dar apoio aos seus seguidores e lideranças, diz Austen Ivereigh.

Ao mesmo tempo, a igreja deve continuar a garantir que tirará proveito das tecnologias modernas para espalhar sua mensagem.

A nomeação de Greg Burke, correspondente em Roma da Fox News, para o cargo de conselheiro, em 2012, sinalizou a adoção de uma estratégia de comunicação mais moderna no Vaticano. Além disso, o papa abriu uma conta no Twitter.

É esperada de seu sucessor uma abordagem igualmente entusiasmada à tecnologia.

(CNN)

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APOIO E REPÚDIO AO NOVO PAPA

Publicado em 14/03/2013 - 12:31 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO

APOIO E REPÚDIO AO NOVO PAPA

Nas ruas da Argentina estão acontecendo manifestações de apoio e repúdio ao Papa Francisco.

 

Buzinaços foram ouvidos nas ruas de Buenos Aires logo após o anúncio da escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, como novo papa. Mas as comemorações logo deram lugar às manifestações de apoio ou repúdio ao novo pontífice.

Logo após o anúncio, fiéis católicos se reuniram nas escadarias da Catedral de Buenos Aires, no centro da cidade. Com bandeiras azuis e brancas, as cores da Argentina, gritavam: “O papa é argentino” e “Salve Bergoglio”

A catedral fica a poucos passos da sede da Presidência da República, a Casa Rosada, e em frente à Praça de Maio, símbolo dos protestos em defesa dos direitos humanos e contra os crimes da ditadura, com a qual o agora papa Francisco foi acusado de colaboração por um jornalista local.

Nas ruas, a euforia durou poucos minutos. O clima ainda era de surpresa e, ao mesmo tempo, de orgulho com o nome de um papa argentino. “Temos rainha (princesa Máxima, mulher do príncipe herdeiro da Holanda), temos Messi e agora o papa”, disse a comerciante Maribel Cortinez, de 36 anos.

“Ele nos acolheu, nos abraçou e se emocionou com cada um de nós quando perdemos nossos filhos naquela tragédia de Cromañon”, disse, nesta quarta-feira, o pai de uma das vítimas do incêndio em uma discoteca que deixou dezenas de mortos em 2004, em Buenos Aires.

Nas principais emissoras de rádio e de televisão do país, como os canais TN e C5N, comentaristas destacavam a “austeridade” de Bergoglio, que costumava viajar de metrô e de trem na capital argentina, e suas homilias criticando a exclusão social e a corrupção nos governos.

“Um povo que não cuida de suas crianças e de seus idosos é um povo em decadência”, disse ele em uma missa.

Casamento gay

Suas declarações polêmicas incluíram a condenação publica ao então projeto do casamento entre pessoas do mesmo sexo, aprovado em 2010 no país, transformando a Argentina no primeiro país da região a adotar a medida.

“Não sejamos ingênuos, não se trata de simples luta política, mas a pretensão destrutiva ao plano de Deus, o de um homem e uma mulher crescerem e se multiplicarem”, afirmou.

Os sacerdotes que trabalharam com ele, em Buenos Aires, onde nasceu e foi cardeal, disseram à imprensa local que “ele condenou as críticas e a falta de respeito aos gays”.

Outro tema controverso foi seu papel durante a ditadura argentina (1976-1983), com acusações de que teria sido “omisso” ou “cúmplice” naqueles anos de chumbo e, principalmente, suas diferenças públicas com o governo do ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), morto em 2010, e de sua mulher e sucessora, a presidente Cristina Kirchner.

Em um discurso, transmitido ao vivo pelas emissoras de televisão do país, nesta quarta, Cristina Kirchner disse que espera que ele “defenda o diálogo” e “os excluídos”. Mas quando ela citou o nome do papa Francisco, setores da platéia vaiaram e outros aplaudiram.

Cristina fez um gesto pedindo silencio, e lembrou que Francisco “é o primeiro papa latino-americano”. “É um dia histórico para a América Latina. Desejamos ao papa Francisco toda a sorte do mundo nesta missão pastoral”. O público, então, aplaudiu.

Ditadura

Críticos lembraram acusações de supostos vínculos de Bergoglio com a ditadura argentina

O porta-voz da Presidência, Alfredo Scoccimarro, disse que a presidente comparecerá à posse do novo papa, no Vaticano. Analistas disseram às rádios locais que a presidente “não compareceria à posse caso Bergoglio tivesse vínculos com a ditadura”.

A polêmica sobre o posicionamento de Bergoglio durante a ditadura foi destaque nas redes sociais. “Um cardeal que não excomungou (o ex-ditador Jorge Rafael) Videla nunca será um papa para todos e todas”, escreveu em seu mural no Facebook a transexual Melisa Stella Saagratta.

A denúncia sobre os supostos vínculos de Bergoglio com o regime militar foi feita pelo jornalista Horacio Verbitsky, no livro El Silencio. Segundo ele, testemunhos de vítimas do regime indicavam em 1976 Bergoglio, então chefe da congregação jesuíta na Argentina, teria retirado a proteção a dois sacerdotes de sua ordem que realizavam tarefas sociais em bairros pobres de Buenos Aires.

Os dois religiosos – Orlando Yorio e Francisco Jalics- foram detidos em 1976 e ficaram presos por cinco meses na Escola Mecânica da Marinha, local conhecido por ter sido um dos principais centros de tortura durante a ditadura argentina.

Bergoglio posteriormente rechaçou as acusações. “Fiz o que podia, com a idade que tinha e os poucos relacionamentos com que contava, para advogar por pessoas sequestradas”, disse. Ele afirmou que não havia respondido às acusações imediatamente para “não fazer o jogo de ninguém, não porque tivesse algo a ocultar”.

O cardeal também foi chamado como testemunha em processos relacionados à ditadura, como o caso do desaparecimento de uma mulher grávida, filha de uma das cofundadoras da organização Avós da Praça de Maio, ou o sequestro e assassinato de um padre francês na província de La Rioja, em 1976.

“Segundo a fonte que se consulte, Bergoglio pode ser definido como o homem mais generoso e inteligente que já existiu ou um maquiavélico que traiu seus irmãos e os entregou ao desaparecimento e à tortura aos militares”, escreveu Verbitsky.

O Nobel da Paz Adolfo Perez Esquivel, que recebeu o prêmio por seu ativismo durante o último regime militar, disse à BBC Mundo que “o papa (Francisco) não tinha vínculos com a ditadura”.

O escritor Ceferino Reato, autor do livro Disposición final, no qual Videla reconhece o desaparecimento de vítimas da ditadura, disse à BBC Brasil: “Bergoglio é austero, atento com o cotidiano dos pobres, apóia fortemente o trabalho dos sacerdotes nas favelas. É um homem inteligente e a favor do diálogo com o judaísmo e o islamismo. Sobre as acusações sobre seus vínculos com a ditadura, Bergoglio disse que, ao contrário, que ele se preocupou com estes sacerdotes (dois jesuítas) e conseguiu que a Marinha os liberasse”, disse.

Reato afirmou que “uma das criticas de Bergoglio ao casal Kirchner (Nestor e Cristina Kirchner) é que defende os direitos humanos agora, na democracia, mas não o fez durante a ditadura”, afirmou o escritor.

“Caráter forte”

Especialista em questões sobre a Igreja Católica, José Ignácio López disse à imprensa argentina que Bergoglio “sempre denunciou a corrupção” no país.

“De (ex-presidente Carlos) Menem até hoje, ele sempre denunciou a corrupção, condenou a inflação e esteve ao lado dos familiares das vítimas da tragédia da (discoteca Republica) Cromañon e da tragédia do trem na estação Once (na capital argentina, em 2012, que matou 51 pessoas)”, afirmou López.

Setores da oposição ao governo central afirmam que “ninguém do governo compareceu nestas tragédias, mas ele sim”.

O padre Alejandro Bunge, professor da UCA (Universidade Católica Argentina), disse que Bergoglio tem “gênio forte, ouve muito, mas não deixa de dizer o que pensa de forma direta”.

O rabino Abraham Skorka, reitor do Seminário Rabínico Latino-americano, em Buenos Aires, contou à imprensa local que costuma conversar com Bergoglio e que ele “ouve os diferentes credos”. “E que Deus o abençoe, porque merece estar ali”, disse.

A série de comentários sobre o novo papa incluiu declarações de apoio de políticos da oposição ao governo da presidente Cristina Kirchner, com quem Bergoglio mantinha diferenças públicas.

“Quando saiu o anúncio do nome de Bergoglio como papa, a bancada do governo na Câmara dos Deputados parecia que estava num velório. Por favor, é o primeiro papa latino-americano e deveríamos estar comemorando”, disse a deputada Elisa Carrió, da opositora Coalición Cívica.

O deputado e cineasta Fernando “Pino” Solanas, do Projeto Sur, afirmou “lamentar” que o governo atual “não tenha dialogado com Bergoglio, homem preparado, defensor dos excluídos e do diálogo com os diferentes setores e credos”.

Antes de ser papa, Bergoglio foi definido como “muito argentino” e “muito portenho” na biografia “El Jesuíta” (“O Jesuíta”) assinada pelos jornalistas Sergio Rubin e Francesca Ambrogetti, de Buenos Aires. “Torcedor do time de futebol San Lorenzo, apaixonado por tango e leitor do escritor Jorge Luis Borges”, descreveram.

(BBC)

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10 RAZÕES PRÓ E CONTRA SCHERER

Publicado em 12/03/2013 - 17:49 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO

10 RAZÕES

Dom Odilo Scherer enfrenta 10 razões contra sua nomeação ao papado. Enquanto isso existem 10 ações pró sua eleição.

 

Em praticamente todas as listas divulgadas pela imprensa especializada com prováveis favoritos para ser escolhido o 266º papa da história está o gaúcho dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.

Para muitos, nunca um brasileiro esteve tão perto de se tornar papa. Já houve momentos na história recente da Igreja em que um bispo brasileiro foi apontado como mais provável sucessor do papa, como no caso do arcebispo de Salvador dom Lucas Moreira Neves, um dos grandes “papáveis” durante toda a década de 90.

Próximo de João Paulo 2º, dom Lucas, que foi prefeito da poderosa Congregação dos Bispos, parecia reunir todas as qualidades necessárias para o trono de São Pedro.

Suas chances nunca puderam ser testadas, porque ele morreu de complicações de diabetes em 2002, três anos antes do conclave que escolheu Bento 16.

Scherer parece ser um candidato da hora certa no lugar certo, por reunir uma série de qualidades importantes neste particular momento que a Igreja vive. Mas quais seriam estas qualidades? E quais seriam as desvantagens de Scherer na corrida papal?

Veja abaixo cinco prós e cinco contras a candidatura do brasileiro:

A favor

1. Idade e vigor. Scherer tem “apenas” 63 anos. Já houve papas bem mais novos ao longo da história. Três deles tiveram menos de 25 anos – o último, Gregório 5º, tinha 24 anos quando foi eleito em 996 -, mas, desde a Era Moderna, uma grande experiência de vida e trabalho tem sido um pré-requisito nos conclaves. Joseph Ratzinger tinha 78 anos quando foi eleito e se tornou Bento 16. Pelo menos fisicamente, Scherer demonstra ter a saúde e o vigor necessários para enfrentar os desafios do cargo.

2. Bom conhecimento da Cúria, a máquina administrativa do Vaticano. De 1994 a 2001 ele serviu na Congregação dos Bispos em Roma e saberia, portanto, da necessidade de modernizar o órgão executivo da Santa Sé e torná-lo menos suscetível à corrupção e a abusos financeiros.

3. Nome “limpo” no escândalo de abusos sexuais que sacudiu a Igreja. O nome de Scherer não figura em uma lista, divulgada há duas semanas, por uma associação de vítimas de abusos sexuais cometidos por padres, com nomes de cardeais que teriam acobertado casos de abusos ou tentado proteger acusados. Vários papáveis estão na lista.

4. Sintonia com novas formas de comunicação. Scherer tem conta no Twitter e tem demonstrado saber fazer uso da mídia social. Um dos desafios do novo papa vai ser tentar reverter a tendência de perda de fiéis para outras igrejas, e uma desenvoltura e empenho na busca por novas formas de comunicação pode ajudar.

5. Candidato da América Latina. Esse fato por si só, de representar a região que concentra maior número de católicos no mundo, já pesa. E sua escolha passaria uma imagem de busca por renovação. Vaticanistas apontam ainda para as raízes alemãs de Scherer como uma possível vantagem, para torná-lo mais aceitável como um candidato do “novo”, mas com um pé no “velho”.

 

Contra

1. Pouco conhecido pelos cardeais. Vaticanistas dizem que os cardeais sabem pouco sobre o que Scherer pensa ou suas intenções. Em se tratando de uma escolha para um cargo vitalício, a falta de conhecimento sobre um candidato pode pesar muito. Pelos relatos da imprensa, sua participação nas reuniões pré-conclave foram opacas.

2. Candidato da América Latina. Para alguns cardeais, isso pode ser visto como vantagem, mas para outros pode ter o efeito contrário. A Igreja é conservadora, e os cardeais sempre preferiram um europeu. Mesmo um candidato americano ou canadense seria “novidade”. Muitos podem achar que ainda é cedo para um latino-americano – afinal, foi dessa região que veio a Teologia da Libertação, que gerou desconforto entre membros do clero.

3. Centrismo e falta de arrojo. O portal católico Riposte Catholique faz essa crítica a Scherer, responsabilizando-o pela falta de sucesso, à frente da arquidiocese de São Paulo, em encontrar novos meios de tentar tornar a igreja mais atraente a fiéis. As críticas de Scherer aos sermões-espetáculo do padre Marcelo Rossi também não ajudaram. Os cardeais podem seguir a lógica e impor o questionamento – se Scherer não conseguiu empolgar na maior diocese do país com o maior número de católicos do mundo, conseguiria empolgar no comando da Igreja?

4. Visto como candidato dos antirreformistas. Os cardeais sabem que Scherer é candidato preferido de cardeais italianos que eram fortemente ligados ao papa João Paulo 2º e que teriam perdido influência sob o papado de Bento 16. “A candidatura do cardeal Scherer pode sinalizar, para fora, uma renovação” diz a revista online alemãKatholisches, “mas que visa, pelo menos para algumas constelações do poder, deixar tudo como está ou mesmo tudo como era antes”.

5. Falta de carisma. Scherer não tem o estilo de missionário carismático de João Paulo 2º ou de seu colega latino-americano, o cardeal hondurenho Óscar Rodríguez Maradiaga. Nesse ponto, ele parece ser mais alemão do que brasileiro – o que não impediu Ratzinger de virar papa.

 

(CNN)

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A RÁPIDA ASCENÇÃO DO CARDEAL SCHERER

Publicado em 12/03/2013 - 17:41 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO

CASA DE APOSTAS INDICAM SCHERER

O brasileiro dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, integra a lista dos cotados e vem ganhando força nos últimos dias. Scherer lidera a mais importante arquidiocese do Brasil — país com maior número de católicos no mundo — e uma das maiores da América Latina. O cardeal também tem ampla vivência em Roma, onde trabalhou e estudou por sete anos. Outra qualidade é o fato de Scherer dialogar com diferentes movimentos, desde os grupos mais tradicionalistas, como Opus Dei e os Focolares, até os mais novos, como a Renovação Carismática Católica (RCC), e as pastorais sociais

 

Quando foi nomeado arcebispo de São Paulo pelo papa Bento 16, em março de 2007, dom Odilo Pedro Scherer diz ter sentido o peso da responsabilidade que estava assumindo.

Ordenado bispo apenas cinco anos antes, dom Odilo conta que chegou a pensar se daria conta do desafio de comandar a maior arquidiocese do maior país católico do mundo. Seis anos depois, o cardeal brasileiro pode estar prestes a enfrentar um desafio ainda maior: nos últimos dias, seu nome vem despontando nas listas de possíveis sucessores de Bento 16, que deixou o cargo no mês passado.

Nascido em 1949 em uma família de imigrantes alemães em Cerro Largo, no noroeste do Rio Grande do Sul, dom Odilo tem um perfil apontado por alguns especialistas como ideal para comandar a Igreja Católica em um momento em que cresce a pressão pela escolha de um papa de fora da Europa.

“No nível simbólico, ele seria o primeiro papa do mundo em desenvolvimento. Suas raízes germânicas, porém, dão a ele uma ligação cultural e linguística com o Velho Mundo”, escreveu o vaticanista americano John Allen no site do jornal National Catholic Reporter.

“Então, de certa maneira, ele poderia ser percebido por muitos cardeais como uma ponte ‘segura’ entre o passado e o futuro da Igreja.”

Experiência

Aos 63 anos, o cardeal brasileiro já foi descrito pela imprensa italiana como “um homem de estilo moderado e menos latino, que fala bem o italiano”.

Fluente em português, italiano e alemão – que era o primeiro idioma em sua casa, na infância –, ele fala também inglês, francês e espanhol.

A atuação à frente da Arquidiocese de São Paulo – terceira maior do mundo – e, antes, como secretário-geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), de 2003 a 2007, garantiram a dom Odilo a fama de bom administrador, importante em um momento em que a Igreja tenta se recuperar de escândalos e divergências internas.

“Ele gosta das tarefas bem feitas e, quando algo não fica do seu agrado, não pensa duas vezes em chamar a atenção dos envolvidos. Alguns até se assustam.” -Padre Aparecido Pereira, que conhece dom Odilo há uma década

“Ele gosta das tarefas bem feitas e, quando algo não fica do seu agrado, não pensa duas vezes em chamar a atenção dos envolvidos. Alguns até se assustam”, disse  o padre Aparecido Pereira, vigário episcopal para as Comunicações da Arquidiocese de São Paulo, que conhece o cardeal há uma década.

Dom Odilo também tem a seu favor a experiência adquirida durante os anos passados na Cúria Romana, onde trabalhou na Congregação para os Bispos, considerada um dos mais importantes departamentos do Vaticano, como ressalta Allen.

“Isso poderia sugerir a alguns cardeais que ele pode executar uma tão desejada reforma na burocracia do Vaticano”, escreveu o vaticanista.

A proximidade com o Vaticano, porém, é apontada por alguns como motivo para as duas derrotas subsequentes sofridas por dom Odilo nas últimas eleições para a CNBB.

Carreira

A escolha do nome de dom Odilo no conclave que se reúne em Roma seria a coroação de uma carreira já descrita como meteórica, iniciada no seminário em Toledo, no oeste do Paraná, para onde a família Scherer se mudou quando ele era criança.

Ele é o sétimo entre 13 irmãos. Duas meninas morreram na infância, e, dos outros 11 irmãos, dez estudaram em instituições religiosas, mas dom Odilo foi o único que seguiu a carreira eclesiástica.

Foi ordenado sacerdote aos 27 anos, bispo aos 52 e elevado a arcebispo aos 57, pouco antes da visita do papa Bento 16 ao Brasil. Poucos meses depois, em novembro de 2007, aos 58 anos, tornava-se cardeal.

Com mestrado em filosofia e doutorado em teologia cursados em Roma, dom Odilo não é considerado um religioso conservador linha-dura e já se pronunciou sobre temas da política.

Por exemplo: apesar de criticar a inclinação marxista da Teologia da Libertação, ele já elogiou os avanços que o movimento trouxe ao pobres.

Também já manifestou preocupações ambientais, e chegou a pedir ao governo maior controle da expansão agropecuária na Amazônia.

Por outro lado, muitas de suas declarações ecoam posições tradicionais da igreja. Ele é contra o fim do celibato para padres, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o aborto, opiniões próximas às do papa Bento 16.

Em 2012, quando o STF (Supremo Tribunal Federal) julgava a descriminalização do aborto em caso de anencefalia, dom Odilo ressaltou que a decisão não mudava a posição da Igreja, “de respeito pleno à vida daquele ser humano, ainda que seja muito breve”.

“Se isso foi tornado legal, não significa que se tornou moral”, disse, na época.

“Toda vez que falam de candidatura em Roma ele mesmo desvia. Ele instruiu a família a dizer que as chances são remotíssimas, exatamente para tirar essa perspectiva de que ele está disputando um cargo.”  Ives Gandra Martins, um dos sete conselheiros da Arquidiocese de São Paulo

Em 2009, em meio à polêmica gerada por declarações do arcebispo de Recife e Olinda, dom José Cardoso Sobrinho, sobre o caso de uma menina de nove anos grávida de gêmeos após ter sido violentada pelo padrasto, dom Odilo falou  em termos mais amplos sobre a posição da Igreja em relação ao aborto em casos de estupro.

“Eu entendo como uma mulher que carrega um bebê após ter sido violentada se sente, mas sempre há a possibilidade de ajudar essa mulher a lidar com a situação”, disse na época.

No ano passado, dom Odilo foi alvo de protestos na eleição para a reitoria da PUC-SP quando, usando seu poder como grão-chanceler da universidade, nomeou para o cargo a terceira colocada na votação, Anna Cintra.

Ele também provocou polêmica durante as eleições para a prefeitura de São Paulo, ao criticar a campanha do candidato Celso Russomanno, do PRB, partido liderado por integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus.

Renovação

Muitas das opiniões do cardeal são expressadas em sua conta no Twitter, @DomOdiloScherer, uma das ferramentas usadas por dom Odilo para se comunicar com os jovens.

O cardeal que gosta de fotografia, cinema e viagens e trabalha ouvindo música erudita e MPB é considerado um religioso moderno, uma aposta para os que acreditam que a Igreja Católica precisa de renovação.

Apesar da movimentação em torno de seu nome, dom Odilo evita falar sobre a possibilidade de se tornar papa.

“Toda vez que falam de candidatura em Roma ele mesmo desvia”, disse  o advogado Ives Gandra Martins, um dos sete conselheiros da Arquidiocese de São Paulo.

“Ele instruiu a família a dizer que as chances são remotíssimas, exatamente para tirar essa perspectiva de que ele está disputando um cargo.”

Caso seja escolhido no conclave, sua habilidade de se aproximar dos jovens será colocada à prova já no início do pontificado: um dos primeiros compromissos do novo papa será a Jornada Mundial da Juventude, marcada para julho, no Rio.

(National Catholic Reporter)

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PRIMEIRO DIA: FUMAÇA PRETA!

Publicado em 12/03/2013 - 17:31 por | Comentar

Categorias: RELIGIAO

A chaminé no topo da Capela Sistina entrou nesta terça-feira em ação pela primeira vez no processo de escolha do sucessor de Bento 16, lançando fumaça negra aos céus de Roma e anunciando que o mundo católico ainda não tem um novo papa.

O resultado era esperado: a primeira votação é tida como uma indicação prévia de nomes considerados pelos cardeais, dando início às discussões sobre o que se espera do novo pontífice.

Mesmo assim, milhares de pessoas enfrentaram o frio e a chuva para testemunhar, na Praça de São Pedro, a emissão da fumaça, às 19h40 horas locais (15h40 em Brasília).

O público vibrou ao ver a fumaça negra saindo pela chaminé.

Quatro votações

A partir de quarta-feira, os 115 cardeais eleitores votarão duas vezes pela manhã e duas vezes à tarde até que pelo menos dois terços deles se decidam pelo mesmo candidato.

Os cardeais foram trancados na capela depois de cada um jurar, em latim, com a mão sobre o Evangelho, que manterá segredo sobre os procedimentos e discussões do conclave.

Em seguida, o mestre papal de cerimônias, Guido Marini, fez o anúncio de Extra omnes – “Todos para fora” – o chamado para que todos os não participantes do conclave deixassem o recinto.

Em seguida, a Capela Sistina foi trancada por fora. A partir deste momento, os cardeais comem, votam e dormem em áreas isoladas do mundo e dos meios de comunicação até terem cumprido a tarefa para a qual foram nomeados pelos dois papas anteriores, João Paulo 2º ou Bento 16: escolher o novo papa.

Aparelhos bloqueadores de sinais de celular e internet foram instalados na Capela Sistina e na Casa de Santa Marta, onde ficam os quartos em que os cardeais passarão a noite.

Renúncia

A eleição do novo papa vem após a súbita e surpreendente renúncia de Bento 16, de 85 anos, alegando não ter mais forças para liderar a Igreja, em um momento em que ela enfrenta vários problemas, dos escândalos de abusos sexuais às acusações de corrupção no Banco do Vaticano.

Após semanas de especulação na imprensa e as reuniões pré-conclave do Colégio dos Cardeais, na semana passada, o conclave começou sem um favorito claro.

Um dos nomes mais citados nas listas de papáveis vem sendo, até agora, o do arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer.

Vaticanistas acreditam que os cardeais buscarão para papa um candidato que se mostre um administrador firme e experiente e capaz de inspirar os fiéis.

Assim que pelo menos 77 dos cardeais-eleitores votarem num mesmo nome, e este aceitar o cargo, a chaminé da Capela Sistina expelirá fumaça branca, anunciando a escolha de um novo papa.

O conclave anterior, de 2005, durou dois dias e levou três rodadas de votação para eleger Joseph Ratzinger como novo papa.

Acredita-se, entretanto, que este conclave venha a ser mais longo.

Na manhã desta terça-feira, os cardeais participaram de uma missa celebrada pelo decano do Colégio dos Cardeais, dom Angelo Sodano.

Em seu sermão, ele elogiou o “brilhante pontificado” de Bento 16 e pediu a Deus mais um “bom pastor” para liderar a Igreja.

(BBC)

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