O município de Limoeiro do Norte foi um dos primeiros do Interior a municipalizar o trânsito. Mas ao se acostumarem com a abordagem do Demut, os motoristas esqueceram que, mesmo nas ruas da cidade e nas rodovias que a cortam, a Polícia Rodoviária Estadual pode estar de olho. E tem estado. Tanto que as blitze têm sido frequentes. As multas também. E nesse momento gera o impasse: por que a Polícia Rodoviária Estadual se o município tem um departamento próprio de trânsito? E ao primeiro sinal da blitz, quem não foge se sacode e se f… Mas tem outra questão: por que reclamar de quem exige o que, antes, exige a lei? Não é para andar com documentos do veículo em dia, carteira de habilitação e acessórios de segurança? Se a polícia agir com abuso, isso está errado e precisa ser denunciado.
SEM GENERALIZAR, mas dando, sim, uma grande dimensão, o Interior ainda está acostumado ao “deixa pra lá”. Deixa pra lá o capacete à noite, já que o Demut em Limoeiro, por exemplo, só fiscaliza mais assiduamente nas manhãs e tardes; deixa pra lá o imposto, o emplacamento, o cinto de segurança, o excesso de passageiros, etc..
É lógico que ganhar o pão de cada dia é difícil, mas quem se habilita a possuir uma moto (ou carro), ou conduzi-la, deve estar ciente e responsável dos compromissos legais e riscos da não-legalização. É fácil evidenciar que, no trânsito, quem está errado prejudica a si e ao próximo. Mas a abordagem da Polícia Rodoviária Estadual tem viés mais amplo: a fiscalização do tráfico de drogas e o desarmamento. Nenhuma novidade para uma região que, infelizmente, ainda sofre com a organização da pistolagem. Se no trânsito a polícia “arrecada dinheiro”, como se diz popularmente, certamente é porque a fonte de arrecadação (o motorista irregular) não tem se esgotado. No final das contas sai mais barato (ou menos caro) ser legal do que ser multado.
UM MOTORISTA sem habilitação pode achar ruim de ser abordado e multado pela Polícia Rodoviária Estadual. Mas é essa mesma polícia que, em uma abordagem, pode identificar veículo roubado, com chassis adulterado etc.. A “vítima” da blitz pode ser a próxima vítima de um roubo ou de um assalto a mão armada.
JUSTAMENTE por já ter um Departamento Municipal de Trânsito funcionando há alguns anos, Limoeiro deve dar o exemplo. Um dia de abordagem da polícia rodoviária deveria ser um dia tranquilo. Não é. É inútil pensar que o caos se instalaria apenas em municípios como Tabuleiro do Norte (vizinho a Limoeiro), que justamente pela falta de departamento municipal de trânsito as pessoas dirigem de qualquer jeito. E também morrem no trânsito de todo jeito.