Um surto de gripe dos Sousa assola a Europa. O alerta é de Os Contemporâneos, diretamente de Portugal. Com variantes em diversos lugares, inclusive em outros continentes (como a gripe dos Martins, na África), autoridades brasileiras temem que a epidemia chegue ao Brasil, o que poderia gerar sérios problemas, principalmente caso haja mutação com o vírus da gripe dos Silva, comum por estas bandas.
Essa charge é ecológica. Com um índio no teclado, James Blunt canta a versão brasileirada da música “Same Mistake”, que cansou o ouvido nas cenas do Ferraço e da Maria Paula.
Com um pouco mais de seis meses no Brasil, o YouTube reproduz com sua versão .com.br o sucesso que a .com já fazia em todo o mundo. Ainda não chegamos aos vídeos com mais de 84 milhões de visitações (mesmo que seja uma música brasileira o vídeo mais visto na história do site), mas temos nossos grandes hits.
As estatísticas de vídeos mais vistos no YouTube Brasil formam o cenário claro do gosto da maioria de nossos internautas, suas preferências em termos de humor, música, hypes e entretenimento variado. O Zona Cyber especial dessa semana é sobre o que o brasileiro mais vê no maior site de vídeos do mundo.
Música
Dos dez primeiros vídeos mais vistos na história do YouTube Brasil, sete são clipes musicais, encabeçados pela versão original de Barbie Girl, do grupo Aqua, e que foi hit na versão de Kelly Key. O clipe tem pouco menos de 14 milhões de exibições e foi subido para o site em 2006, bem antes do site entrar no país.
Barbie Girl tem ainda mais de 24 mil avaliações e 12 mil comentários, a maioria em inglês. Impossível seguir a “linha de pensamento” dos fãs. Dentre os dez primeiros, há apenas um conteúdo em português, o que é um reflexo da audiência americana que influencia inclusive na audiência do que o público brasileiro manda para o site. São vídeos como o High School Musical ou Dance Dance.
Chaves no topo
A exceção é o infame “Chaves Maconheiro“, uma dublagem de um trecho do programa do SBT, Chaves, em que três dos personagens da série são usuários da droga. São mas de 6 milhões visualizações, 3,6 mil avaliações e 630 comentários, desta feita, todos em português. É, entre os dez, o único que não sofreu influência da audiência americana e pode-se dizer que é o vídeo mais visto exclusivamente por brasileiros.
O créu
Chaves é seguido de perto por outro vídeo da safra “trash”, o hit parade de Mc. Créu, o Créu, também com mais de 6 milhões de visualizações. Como já é possível inferir, o público brasileiro no site não tem um gosto lá muito refinado. O Créu também está na 19ª posição, com um vídeo tipicamente user made content de duas meninas executando os passos da dança.
E, para não surpreender, logo acima em 18º, temos novamente Chaves, em outra reedição de vários trechos do programa para casar com o fundo musical de “Adultério”, de Mc. Catra.
A único hype brasileiro entre os 20 mais vistos é o “Vai Tomar no Cu”, de Cris Nicolotti, música que faz parte do espetáculo de humor “Se piorar estraga”. Este vídeo foi replicado por boa parte dos blogs brasileiros, o que o transformou no sucesso que é. Considerado um dos mais eficientes virais a já rodar em terras tupiniquins, a música de Nicolotti tem pouco mais de quatro milhões de visualizações.
Entre vídeos americanos e o supra-sumo da tosqueira nacional, o YouTube repete no Brasil o sucesso que fez no mundo inteiro e nos oferece a possibilidade de um site criado pelo próprio usuário e na língua que todos entendem. Só precisamos começar a mudar um pouco a programação, para melhor.
O Censura Musical é uma pérola rara sobre a história do Brasil. Lá é possível encontrar documentos originais da censura na época da ditadura, depoimentos de músicos e compositores e dicas de links sobre o assunto. Você sabia que existiu no período um curso de censor?
Segue um trecho do documento sobre a música “Deus e o Diabo”, de Caetano Veloso:
Esta canção de Caetano Veloso é vetada em virtude de seu último verso “Dos bofes do meu Brasil”. Após solicitação da gravadora em grau de recurso, o primeiro censor sugere a liberação contanto que o autor substitua a palavra “bofes” (24/10/1973). No documento seguinte, a censora menciona os trocadilhos “o carnaval é invenção do diabo que Deus abençoou” e “Cidade Maravilhosa/ Dos bofes do meu Brasil” como ofensivos às tradições religiosas. Na folha 5, temos uma carta enviada à DCDP por parte do Conselho dos Pastores Evangélicos do Distrito Federal que solicitam providências da Censura afirmando que a letra de Caetano “…de modo alguma se coaduna com as mais sagradas tradições do povo brasileiro, mas fere e desrespeita, os sentimentos religiosos dos quais a Nação ainda de orgulha”. Por último, temos a letra já alterada pelo autor, passando a ser “Cidade Maravilhosa/ Dos pulmões do meu Brasil”. A música foi gravada em 1977 no álbum Caetano… Muitos Carnavais…